SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Auto-Retrato filosófico de Plínio Corrêa de Oliveira (III)

Acordo com o regime comunista: para a Igreja, esperança ou autodemolição? -- Carta de louvor de Congregação da Santa Sé
Entretanto, de minhas obras, a que teve maior divulgação foi incontestavelmente _ “A liberdade da Igreja no Estado comunista”, que, nas últimas edições, saiu com o título de Acordo com o regime comunista: para a Igreja, esperança ou autodemolição?
Além disso, o trabalho foi transcrito na íntegra em 40 jornais ou revistas do Brasil, Alemanha, Angola, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, México e Portugal.
A obra foi prestigiada por uma carta de louvor da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades da Santa Sé, em data de 2 de dezembro de 1964, assinada pelos Cardeais Pizzardo e Staffa.
Repercutiu, este estudo, para além da cortina de ferro. O semanário católico -esquerdista “Kierunki” e o mensário “Zycie i Mysl”, ambos poloneses, o atacaram violentamente. Zbigniew Czajkowski, colaborador destes dois periódicos, publicou extensos e indignados artigos contra meu ensaio. Respondi através das páginas de Catolicismo . Daí se seguiu uma polêmica, na qual interveio em apoio à minha obra o periódico “L’Homme Nouveau”, de Paris, pela pena de seu colaborador Henri Carton, enquanto “Témoignage Chrétien”—turbulento órgão comuno-progressista francês—se colocava ao lado de Czajkowski.
Assim como Reforma Agrária—Questão de Consciência , também A liberdade da Igreja no Estado comunista foi escrita em função de um problema concreto. Já então se ia generalizando entre os católicos—astutamente propagada—a idéia de que o único obstáculo que os impede de aderir ao regime comunista é que este costuma tolher o exercício do culto. A partir dessa noção gravemente incompleta, foi fácil aos marxistas, simulando respeito à liberdade da Igreja, obter decidido apoio de certos católicos para um hipotético comunismo que deixasse inteira liberdade aos diversos cultos.
Essa manobra propagandística poderia render—e rendeu—ao comunismo incalculáveis benefícios. Pois, na medida em que influenciasse as massas católicas, enfraqueceria ou anularia a oposição que os 800 milhões de católicos existentes no mundo haveriam de fazer ao comunismo.
Em meu ensaio, procurei frustrar essa manobra já em 1963, mostrando que é intrínseco ao regime comunista eliminar ou mutilar muito gravemente o instituto da propriedade privada, o que, por sua vez, é contrário à doutrina da Igreja. Para ser fiel à sua missão, a Igreja não poderia deixar de combater tal regime, ainda que este lhe reconhecesse inteira liberdade de culto. Tal combate criaria um inevitável conflito entre os católicos e qualquer Estado comunista.
Baldeação ideológica inadvertida e diálogo denuncia manobra para debilitar a resistência ideológica dos católicos
Também Baldeação ideológica inadvertida e diálogo alcançou ampla repercussão.
Este ensaio mostra por que forma os comunistas se valem do diálogo para debilitar sub-repticiamente a resistência ideológica de seus adversários, e especialmente a dos católicos. O assunto aí versado é por demais sutil e extenso para sequer ser resumido aqui. Uma das observações mais importantes—de ordem prática—contidas nesse estudo é que, por meio do falso diálogo, os comunistas não visam tanto alcançar dos católicos que renunciem explicitamente à Fé, mas que aceitem uma interpretação relativista e evolucionista da doutrina católica. Assim, corrompe-se a Fé, que por sua natureza exige uma certeza incompatível com o estado de dúvida inerente ao relativismo e ao evolucionismo. E, alcançado esse resultado, não é difícil à propaganda comunista induzir os católicos a esperar do diálogo com o comunismo o encontro de uma síntese... a qual bem poderia ser, em último termo, o mesmo comunismo com outra roupagem.
A Igreja ante a escalada da ameaça comunista—Apelo aos Bispos silenciosos
Em 1976 publiquei o livro intitulado _ “A Igreja ante a escalada da ameaça comunista—Apelo aos Bispos silenciosos”. Constitui esse meu trabalho uma análise marcadamente doutrinária das posições então assumidas pela Hierarquia eclesiástica no Brasil, em favor do comunismo. A pregação claramente pró-comunista de D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia, por exemplo.
No livro, mostro a imensa transformação que se operou no seio do Episcopado nacional, adversário ferrenho do marxismo até os idos de 1948. Precisamente por essa época, começou uma rotação para a esquerda do Episcopado. A nova orientação recebeu grande impulso quando, em 1952, com a formação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), D. Helder Câmara foi eleito o primeiro secretário-geral desse organismo. Os frutos dessa rotação foram os padres de passeata , as freiras de mini-saia e os líderes católico -esquerdistas, que apoiaram as agitações comuno-janguistas.
Após 1964, deu-se um expurgo de comunistas em numerosas instituições brasileiras. Os meios católicos, entretanto, permaneceram incólumes. Com isso, as tendências esquerdistas se refugiaram neles. E, assim protegidas, medraram de modo impressionante, a ponto de mais de uma figura do Episcopado nacional se ter transformado—por ação ou por omissão—em valioso esteio dos que se esforçam para comunistizar o Brasil.
Formulei no livro um apelo veemente aos “Bispos silenciosos” para que falassem. Eram eles numerosos e dispunham de prestígio suficiente para salvar o Brasil se simplesmente dessem ampla difusão entre os fiéis dos numerosos documentos pontifícios sobre o assunto.
Paralelamente a essa triste evolução do Episcopado, mostrei a luta—toda ela legal e doutrinária—que, em prol da Igreja e da civilização cristã, vem sendo travada por um grupo de católicos fiéis que se reuniu inicialmente em torno do “Legionário”, depois de Catolicismo , e hoje, já muito avolumado, constitui a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade—TFP.
Esse trabalho eu o quis publicar como estudo introdutório a uma condensação de La Iglesia del Silencio en Chile—La TFP proclama la verdad entera , brilhante best-seller publicado em janeiro de 1976 pela TFP chilena. Pois existe entre ambos os trabalhos íntima afinidade. Tal afinidade resulta da semelhança de situações entre o Brasil e o Chile no que concerne à atuação da Hierarquia eclesiástica. Lá, ainda mais claramente do que aqui, a maior parte do Episcopado (e não apenas setores dele, como no Brasil) trabalhou pela comunistização do país, como prova com abundância de documentos o referido livro chileno. E isto tanto pela preparação da ascensão de Frei, o Kerensky chileno, e posteriormente de Allende à presidência da República, quanto pelo apoio que os Bispos deram a este último durante seu nefasto governo, como ainda pelo esforço que desenvolveram após sua queda, no sentido de fazer retroceder o país irmão para as malhas do comunismo.
É bem de ver que, com a ascensão de João Paulo II ao sólio pontifício, em 1978, todo este processo passou por importantes transformações, as quais implicam em ajustes não pequenos nesse quadro, para se descrever como ele atualmente se apresenta.
Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI
Para o estruturalismo , cujo expoente máximo foi o filósofo Lévy Strauss, a sociedade indígena, por ter ”resistido à História” , é a que mais se aproxima do ideal humano. E é para essa forma de vida pré-neolítica que—segundo essa corrente filosófica—devemos retornar.
Se causa espanto que filósofos ateus defendam teses tão absurdas, mais ainda deve estarrecer que missionários católicos propugnem como padrão perfeito de homem o índio selvático, e como modelo ideal de vida humana a vida na taba.
Não obstante, é bem isto o que acontece. Uma nova corrente missiológica, com livre trânsito nos meios eclesiásticos, sustenta que a civilização atual deve desaparecer, para dar lugar ao sistema de vida tribal. Institutos como a propriedade privada, a família monogâmica e o casamento indissolúvel devem ser eliminados. A figura clássica dos missionários—evangelizadores e civilizadores --, como o foram os Padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, deve ser abandonada. A nova corrente missiológica, porque não quer civilizar, não quer catequizar. E porque não quer catequizar, também não quer civilizar.
Insinua-se nessa conduta uma questão tática. Se a missiologia atualizada elogiasse a comunidade de bens implantada nos países comunistas, expor-se-ia inevitavelmente a críticas e refutações incômodas.
Esquivando o perigoso assunto, os novos missionários fazem a apologia do sistema de vida tribal: exalçam nele a comunidade de bens, a inexistência de lucro, de capital, de salários, de patrões e empregados, de “privilegiados” e “marginalizados”, de “opressores” e “oprimidos”, como dizem. E assim aproveitam a ocasião para invectivar a propriedade privada, em vigor nas nações civilizadas do Ocidente.
O efeito concreto dessa tática é que o elogio torrencial da nova missiologia à propriedade comum, vigente nas tribos indígenas, nem de longe levantou entre nós a celeuma que a apologia direta das sociedades comunistas de além cortina de ferro certamente despertaria.
Não cabe entretanto a menor dúvida. É bem uma sociedade de tipo comunista que transparece nessa visão idílica do índio selvático, apresentada pela neomissiologia como ideal para o homem do século XXI.
O maior problema suscitado por esses delírios não está nos próprios missionários nem nos índios, cumpre repetir. Está em saber como, na Santa Igreja Católica, pôde esgueirar-se impunemente essa filosofia, intoxicando seminários, deformando missionários, desnaturando missões. E tudo com tão forte apoio de certa retaguarda eclesiástica.
Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI foi o livro que publiquei no final de 1977, para dar a conhecer aos brasileiros essa faceta inesperada da crise na Igreja.
Catolicismo o publicou em primeira mão (n° 323/324, de novembro-dezembro de 1977). Ainda em dezembro de 1977, a Editora Vera Cruz lançou a primeira edição em forma de livro, e depois mais seis edições, totalizando 76 mil exemplares.
O católico pode e deve ser contra a Reforma Agrária
A CNBB constitui um órgão oficial do Episcopado brasileiro. Assim sendo, seus pronunciamentos devem ser recebidos normalmente pelos católicos como representando o pensamento da Igreja.
Não podia portanto deixar de causar a maior perplexidade entre os fiéis a publicação, ao final da reunião plenária do provecto organismo eclesiástico, em 1980, na habitual fazenda de Itaici, do documento Igreja e problemas da terra (IPT). Verdadeiro manifesto agro-reformista, o documento da CNBB procurava suscitar a ofensiva geral do País contra as propriedades rurais grandes e médias. Ademais, sugeria às autoridades governamentais medidas concretas para a imediata efetivação da partilha rural.
Este fato criava gravíssima questão de consciência, não apenas para os fazendeiros, mas também para todos os católicos formados segundo a doutrina tradicional da Igreja, bem como para os homens de pensamento e de ação existentes no País. Essas três amplas e ponderáveis categorias de brasileiros muito explicavelmente poderiam se perguntar qual a efetiva validade magisterial de tantas afirmações, novas e singulares, contidas no IPT. E qual a autoridade dos argumentos doutrinários do IPT para lançar tão hirsutas e explosivas asseverações.
Estava no papel da TFP romper o silêncio e dar a resposta a essas perguntas. Ela o fez por meio do livro Sou católico: posso ser contra a Reforma Agrária? (1981, 360 pp., 4 edições, 29 mil exemplares), de minha autoria, em colaboração com o Master of Science em Economia Agrária (pela Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA), Prof. Carlos Patricio del Campo.
O livro demonstra que o católico deve ser fiel, acima de tudo, aos ensinamentos tradicionais do Supremo Magistério da Igreja. Ora, um exame detido do IPT leva à conclusão de que não há consonância entre aqueles ensinamentos e a Reforma Agrária preconizada pelo documento da CNBB. Em conseqüência, o católico anti-agro-reformista tem não só o direito, como também o dever de continuar contrário à Reforma Agrária.
A parte econômica da obra prova que o documento da CNBB apresenta graves lacunas, ao traçar o panorama da situação econômica da lavoura brasileira e ao apontar para a “solução”: a Reforma Agrária que pleiteia. Assim, ainda que o pronunciamento episcopal não fosse objetável do estrito ponto de vista da doutrina católica, seria inaceitável do ângulo econômico.
O socialismo autogestionário em vista do comunismo: barreira ou cabeça de ponte?
O título em epígrafe constitui ampla exposição e análise crítica do programa autogestionário de Mitterrand, então recém-eleito Presidente da República Francesa. Esse trabalho, redigido por mim—endossado e divulgado em nome próprio pelas treze TFPs então existentes --, foi estampado a partir de dezembro de 1981 na íntegra em 45 diários de maior circulação de 19 países da América, Europa e Oceania. Um substancioso resumo do mesmo foi publicado em 49 países dos cinco continentes, em treze idiomas. Assim, a difusão do documento atingiu uma tiragem total de 33,5 milhões de exemplares.
Para aquilatar o alcance do mencionado estudo, é preciso ter em conta que, no período que precedeu a primeira eleição do Presidente François Mitterrand, a expressão _ socialismo autogestionário correspondeu a uma espécie de primavera propagandística mundial, de maneira a tornar-se moda nos ambientes da esquerda.
Todo intelectual que se quisesse mostrar aggiornato , isto é, em dia, dizia-se socialista autogestionário .
Tal se devia ao fato de que as palavras “socialismo” e “socialista” estavam em franco processo de envelhecimento, o qual se tratava de sustar mediante um disfarce qualquer. Algo à maneira de uma senhora cujos cabelos estão branqueando, e que por isso procura tingi-los.
Assim, o socialismo, velho de tantas e tantas décadas, e já com o prateado de sua velhice estampado nos cabelos, refazia seu semblante chamando-se autogestionário . Era o modo de revitalizar-se e rejuvenescer.
A denúncia mundial contra o socialismo autogestionário foi de tal porte que as palavras autogestão e autogestionário saíram de moda. E o socialismo não pôde, em seu processo de envelhecimento, continuar a recorrer à tintura que entretanto lhe estava proporcionando tão bons resultados propagandísticos.
De lá para cá, só obteve escassos sucessos...
Pior, o fato concreto é que o processo de envelhecimento chegou ao ponto em que, hoje em dia, o socialismo é declarado decrépito pelos seus próprios dirigentes e partidários.
Uma sumária crônica dos fatos posteriores à publicação da referida análise, de minha autoria, atesta o que dissemos.
1. Com efeito, em 12 de dezembro de 1981 (ou seja, três dias após a publicação do mencionado documento), um prestigioso quotidiano de língua inglesa editado em Paris pelo “New York Times” e pelo “Washington Post”, o “International Herald Tribune”, difundido no mundo inteiro, assim descreveu a reação do governo socialista francês face à aludida análise a respeito do Projeto Socialista para a França dos anos 80 : ”Em Paris, fontes governamentais autorizadas disseram que não estavam preparadas para reagir a esta publicação, mas que a estavam estudando. ‘Absolutamente não há pânico, e estamos bem mais interessados em saber quem ou o que se encontra por detrás desta publicação’, declarou quinta-feira um porta-voz do Eliseu, acrescentando que ‘mais tarde’ poderia haver alguma reação” . Reação esta que em vão se esperaria, pois que não houve.
2. Convém recordar o que afirmava o referido Projeto Socialista para a França dos anos 80 : ”Não pode haver um Projeto Socialista só para a França. O dilema ‘liberdade ou servidão’, ‘socialismo ou barbárie’ ultrapassa as fronteiras de nosso País .... O socialismo é internacional, por natureza e por vocação .... A França ou é uma aspiração coletiva, ou ela simplesmente não é .... Imensas possibilidades existem para um país como o nosso .... de levar alto e longe, na Europa e no mundo, a mensagem universal do socialismo” (cfr. _Projet socialiste pour la France des années 80, Club Socialiste du Livre, Paris, maio de 1981, pp. 18, 108, 126, 164).
Igualmente é oportuno lembrar que os socialistas da velha guarda se ufanavam de sua filiação marxista. Assim, escrevia em 1980 o ex-Primeiro-Ministro Pierre Mauroy: _ “Permanecemos fiéis ao espírito do marxismo” (cfr. Documentation Socialiste , suplemento n° 2).
3. Em dezembro de 1991 -- ou seja, depois de 10 anos de fracassadas tentativas do governo socialista de aplicar seu _Projet—em congresso extraordinário realizado pelo PSF no Arco da Defesa, o radical programa de 1981 foi substituído pelo anódino Novos Horizontes .
Com efeito, pode-se ler nesse novo projeto: _ “Na verdade, o empobrecimento das classes operárias, previsto por certa análise marxista, não se produziu. O nível de vida, na França, foi quadruplicado entre 1950 e 1990 .... Já não se trata, como ocorria no que concerne à antiquada autogestão (sic!), de eliminar os empresários para substituí-los por dirigentes designados pelo Estado ou eleitos pela base .... Os representantes dos assalariados não devem substituir os chefes na direção da empresa .... A força do mercado está em ser insubstituível .... Todas as tentativas de substituí-lo acabaram por fracassar .... O socialismo reivindica e quer outra organização do Planeta, mas esta deverá desenvolver-se no contexto de um capitalismo mundializado” (cfr. Michel Charzat, _Un nouvel Horizon, pp. 94, 96 e 97).
4. Em outubro de 1992, a ministra da Habitação francesa, Marie-Noèlle Lienemann declarou: “O Partido Socialista acabou. Nós temos que criar uma nova estrutura, um novo partido” (cfr. “Folha de S. Paulo”, 22-10-92).
Tais declarações equivalem a um verdadeiro atestado de óbito do sonho autogestionário dos socialistas franceses .
CEBs: instrumento da esquerda católica para reformar o Brasil num sentido socializante
Uma corrente teológica dita ”da libertação” , explicitada pelos teólogos Gustavo Gutiérrez e Hugo Assmann e impulsionada pela Conferência do Episcopado Latino-americano de Medellin, em 1968, se expandiu largamente em círculos teológicos de todo o mundo. Ela procura fundamento na Sagrada Escritura para erros veiculados por duas correntes doutrinárias distintas, mas intimamente conjugadas entre si: uma constituída pelo progressismo no campo da Teologia, da Filosofia e da Moral, com os conseqüentes reflexos entre os estudiosos do Direito Canônico, da História Eclesiástica etc. E a outra pelo esquerdismo no campo da sociologia católica, também com reflexos conseqüentes nos estudos de Economia e de Política promovidos sob a influência católica, bem como na vida, no pensamento e na ação das correntes políticas denominadas democratas-cristãs , socialistas cristãs , socialistas católicas , etc.
A doutrina da Teologia da Libertação foi condenada em vários de seus aspectos por João Paulo II, em sua Alocução de Puebla (1979). Não obstante, ela continuou a se expandir tranqüilamente por todo o Brasil.
As potencialidades de ação suscitadas ou estimuladas pelo progressismo pedem, por sua própria natureza, uma organização que dê, no plano concreto, unidade de metas e de métodos aos clérigos e fiéis engajados no empreendimento de reformar o Brasil num sentido socializante.
Esta organização é constituída pelas CEBs.
Para alertar o Brasil contra essa ameaça, os irmãos Gustavo Antonio Solimeo e Luiz Sérgio Solimeo, e eu escrevemos o livro intitulado As CEBs... das quais muito se fala, pouco se conhece—A TFP as descreve como são .
Na primeira parte, mostro como as CEBs são o instrumento da esquerda católica para semear o descontentamento na população (especialmente entre os trabalhadores manuais), transformar em seguida o descontentamento em agitação e, através dessa agitação, impor aos Poderes Públicos a tríplice Reforma: Agrária, Urbana e Empresarial. Tudo isso, muito provavelmente, com vistas a instituir no Brasil um regime socialista autogestionário.
A Parte II da obra informa o público brasileiro sobre a realidade das CEBs—a doutrina disseminada por estas, sua organização, seus métodos para recrutamento de aderentes, e para a ação dos mesmos aderentes sobre o conjunto do corpo social. Para este efeito, os autores dessa parte da obra foram colher os dados, por assim dizer, dos próprios lábios daquelas organizações, isto é, dos escritos em que elas se autodefinem para seus aderentes e para o público. Completam as informações assim coligidas, outras notícias de jornais e revistas inteiramente insuspeitos de distorcer os fatos em detrimento das CEBs.
A partir de agosto de 1982, sócios e cooperadores da TFP encarregaram-se da difusão da obra por todo o Brasil -- 1510 cidades foram visitadas pelas beneméritas caravanas de propagandistas da TFP—tendo-se escoado 6 edições do livro, num total de 72 mil exemplares.
A propriedade privada e a livre iniciativa, no tufão agro-reformista
Com a inesperada doença e em seguida a morte do presidente eleito, Tancredo Neves, e a ascensão à Presidência da República do Sr. José Sarney, em 15 de março de 1985 inaugurou-se no Brasil a Nova República. Veio ela disposta a levar avante a Reforma Agrária, encalhada desde o Estatuto da Terra, promulgado em novembro de 1964 pelo Governo Castelo Branco.
Concomitantemente, o País estava sendo tumultuado por invasores de propriedades individuais, os quais procuravam justificar suas investidas tomando por base uma fundamentação doutrinária de aparência católica.
Nesse momento em que o País ia entrando numa fase de grandes controvérsias sobre matérias doutrinárias, técnicas e outras, que marcavam a fundo o desempenho da Nova República, publiquei o livro A propriedade privada e a livre iniciativa, no tufão agro-reformista. Nele analiso, item por item, o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), então lançado pelo Governo federal. Como sempre, tomo como base doutrinária os ensinamentos do Supremo Magistério da Igreja, na defesa da propriedade privada e da livre iniciativa—e das respectivas funções sociais—gravemente feridas pelo PNRA.
Em ampla campanha de esclarecimento da opinião pública acerca da Reforma Agrária, 52 duplas de propagandistas da TFP e quatro caravanas de sócios e cooperadores da entidade percorreram 694 cidades em 19 Unidades da Federação, fazendo escoar duas edições do livro, num total de 16 mil exemplares, e mais 30 mil exemplares de uma edição especial de Catolicismo (n° 415-416, de julho-agosto de 1985), com excertos do livro.
Nessa verdadeira epopéia anti-agro-reformista, os propagandistas da TFP contactaram então mais de dez mil fazendeiros de norte a sul do Brasil.
Guerreiros da Virgem: a réplica da autenticidade—A TFP sem segredos
Toda a luta que venho desenvolvendo contra a Revolução não ficaria adequadamente descrita se não mencionasse a contra-ofensiva dos adversários, que se segue a cada lance maior desse combate.
Enveredar pela narração pormenorizada de tal contra-investida seria alongar em demasia este auto-retrato filosófico. Restrinjo-me a um exemplo típico.
Apenas oito dias após seu primeiro lance na batalha anti-agro-reformista que acaba de ser descrita, a TFP era objeto de uma investida publicitária em matéria alheia à controvérsia agrária: uma reportagem publicada em “O Estado de S. Paulo”, ocupando página inteira, sob o título Guerreiros da Virgem, escravos da TFP .
Tal reportagem fora precedida por vistosa propaganda publicada durante todos os dias da semana anterior.
Fazendo eco à publicidade de “O Estado de S. Paulo”, 29 outros jornais e revistas de todo o País divulgaram matérias de variadas extensões, com esse mesmo conteúdo.
O eixo de toda a celeuma era o livro Guerreiros da Virgem—A vida secreta da TFP , pouco depois colocado à venda nas livrarias de São Paulo e de outras cidades do Brasil. Seu autor, o Sr. José Antonio Pedriali, fora cooperador da entidade, e agora integrava o quadro de jornalistas de “O Estado de S. Paulo”.
Para condensar numa única frase todo o extenso corpo de acusações do Sr. J.A.P., pode-se dizer que, segundo ele, a TFP seria uma seita de caráter iniciático que, por meio da lavagem cerebral , produz efeitos altamente danosos sobre seus sócios e cooperadores.
Tão pesadas acusações eram feitas em tom de uma aparente naturalidade, quase sorridente. Ao mesmo tempo, o livro inclui descrições tão cruamente imorais, e até tão obscenas, de lances da conduta do autor em seu processo de afastamento da TFP, que poderiam figurar na farta literatura pornográfica atualmente em curso no País.
Tudo isto vinha à tona, como foi dito, no preciso momento em que a TFP se erguia mais uma vez contra a Reforma Agrária socialista e confiscatória. Procurava-se inculcar no público uma nova imagem da entidade: a TFP não seria... anticomunista! Não seria o que todo o povo brasileiro sabe que, desde sua fundação, ela é de modo ininterrupto, notório e heróico. Seria, pelo contrário, uma seita obscura, e todo o gigantesco esforço anticomunista de seus sócios e cooperadores não passaria de uma miragem, de um embuste.
Apesar da propaganda estrondejante que precedeu e acompanhou o lançamento desse livro, ele nem de longe causou o efeito que seu autor e a lançadora pareciam esperar.
”Tudo quanto é exagerado é insignificante” -- afirmou Talleyrand. O desmesurado, o evidentemente inverossímil da acusação do Sr. J. A. Pedriali reduziu-a liminarmente à merecida insignificância.
A resposta da TFP a essas acusações constou do livro que escrevi, Guerreiros da Virgem: a réplica da autenticidade—A TFP sem segredos (Editora Vera Cruz, São Paulo, 1985, 333 pp.). Nele aponto as manipulações que se têm feito da palavra seita , com vistas a denegrir as entidades que, como a TFP, levantem obstáculos ao processo revolucionário. Ali mostro, também, que lavagem cerebral é uma expressão jornalística que os cientistas de bom quilate não levam a sério.
Como de hábito, à réplica da TFP seguiu-se o silêncio dos adversários, que nada encontraram para treplicar.
Na verdade, as batalhas da TFP, nas quais, como é óbvio, me encontro pessoalmente envolvido, caracterizam-se por um ritornello : 1°) a uma campanha nossa segue-se uma contra-ofensiva dos adversários sobre um ponto extrínseco ao tema da campanha; 2°) a TFP refuta as acusações dos adversários e estes se calam; 3°) tempos depois (às vezes anos), os adversários (os mesmos ou outros) voltam às acusações iniciais, como se nada houvesse sido refutado!...
25 anos de luta contra o agro-socialismo confiscatório
A Nova República prosseguia no seu esforço inglório de implantar no Brasil o agro-socialismo confiscatório. A TFP, sempre atenta, acompanhava de perto cada lance.
Em 1986, a meu pedido, o conhecido Master of Science em economia agrária, Carlos Patricio del Campo, sócio efetivo da TFP brasileira, escreveu o livro Is Brazil Sliding Toward the Extreme Left? -- Notes on the Land Reform Program in South America’s Largest and Most Populous Country , que a TFP norte-americana lançou em Washington, em outubro de 1986. Receberam o livro os principais centros de decisão norte-americanos: todos os membros de primeiro e segundo escalão do Governo dos Estados Unidos; todos os senadores e deputados, embaixadores norte-americanos; bancos internacionais com sede nos Estados Unidos, centenas de intelectuais conservadores, brazilianists e 1.100 jornalistas.
A obra apresenta penetrante análise da realidade sócio-econômica brasileira, solidamente baseada em estatísticas insuspeitas. Os prestidigitadores da fome e da miséria, os quais, sob esse pretexto, queriam impingir ao País uma Reforma Agrária socialista e confiscatória, ficavam, assim, privados de sua insustentável argumentação.
No prefácio do livro descrevo, em rápidas pinceladas, o Brasil real, em confronto com o quadro profundamente pessimista e tendencioso apresentado pela propaganda esquerdista no Exterior.
Entrementes, a TFP se preparava para entrar em nova campanha, desta vez para divulgar o livro de minha autoria, No Brasil, a Reforma Agrária leva a miséria ao campo e à cidade—A TFP informa, analisa, alerta (Editora Vera Cruz, São Paulo, 64 pp.), no qual faço um balanço de 25 anos de luta contra o agro-socialismo confiscatório, e incito os fazendeiros e produtores rurais a não se deixarem embair pelo velho slogan agro-reformista ceder para não perder , alertando-os para o fato de que a irresolução deles era a primeira condição de êxito da investida agro-reformista.
Da obra foram feitas quatro edições, num total de 55 mil exemplares, vendidos diretamente ao público em campanhas de rua, pelos propagandistas da TFP.

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