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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

SÃO DOMINGOS DE GUSMÃO, UM INOCENTE QUE IRRADIA LUZ ESPIRITUAL

 


 




São Domingos de Gusmão (cuja festa se celebra em agosto) e São Francisco de Assis, seu contemporâneo, foram dois luzeiros cujas vocações se interpenetram. Considera-se terem realizado o famoso sonho de Inocêncio III, no qual esse Papa viu a Basílica de São João de Latrão, que simbolizava a Cristandade, rachada e sendo sustentada, ora por São Domingos, ora por São Francisco. Dr. Plínio tinha por ambos profunda admiração, que se traduziu em numerosos comentários pervadidos de sentimentos de enlevo e veneração.

Na conferência que transcrevemos a seguir, ele analisa um afresco de Fra Angélico, no qual o insigne pintor dominicano procura retratar as perfeições morais de seu santo Fundador.

 

A Cristandade tendia já naquela época para a moleza, o relaxamento, a perda do senso do sacrifício, do sobrenatural, e se inundava dos bens materiais que o avanço da civilização proporcionava.

Foi neste contexto que, para barrar o progresso do mal, Deus suscitou as vocações de São Francisco e de São Domingos: o primeiro, pela caridade, e o segundo, pela lógica, lograram conjuntamente reerguer a Idade Média do século XIII. A Ordem dos Franciscanos devia praticar em grau exímio a humildade e a pobreza; a dos Dominicanos, combater num terreno mais intelectual o orgulho e a sensualidade.

Na conferência de hoje, pretendo voltar-me particularmente para São Domingos. Procuremos vê-lo pelos olhos de um de seus mais eminentes filhos espirituais, Fra Angélico.

Em um de seus célebres afrescos (página ao lado), ele representa São Domingos ainda muito moço, vestido de dominicano, numa atitude pensativa, meditando ao pé da Cruz.

A pintura mostra um personagem muito sereno e calmo. Mas, ao mesmo tempo, dentro da  serenidade e da calma dele, está se entregando a uma intensa atividade. Encontra-se numa pesquisa, numa interrogação. Sem tensões nem cansaços errados, a investigação de seu espírito se concentra num determinado ponto. De outro lado, nota-se nele uma atitude de enlevo e de amor.

No todo externo deste homem há algo de luminoso. Ele irradia uma luz que não é física, mas espiritual. Não se trata do viço da mocidade, também presente nele; é uma espécie de luz interior, mais ou menos indefinível, decorrente de uma extraordinária lucidez e de uma clara visão das coisas. 

Singular discernimento das almas

Tem-se a impressão de que, se um de nós olhasse o mundo de dentro dos olhos dele, veria o universo com alguns matizes completamente diferentes. Sobretudo, no que diz respeito às almas.

Examinando-as, procurando conhecer caráteres, esse homem está tão distante do lamaçal das atividades comuns, tão longe das paixões que habitualmente os homens têm, que ele, por diferença, percebe muito mais essas desordens e, por co-naturalidade, também discerne melhor o que há de bom nos homens. Ele tem uma visão muito mais penetrante do mundo das almas, do que uma pessoa comum.

Fortaleza, clareza de visão e equilíbrio

Uma objeção que se poderia fazer a esta figura é a seguinte: onde está presente dentro dela a  combatividade de espírito? Parece uma pessoa feita para concordar com tudo, e capaz apenas desse sorrisinho que esboça. E, a esse título, é uma pessoa que deve ser rejeitada por uma verdadeira formação.

Na realidade, imaginemos este homem fechando o livro e presenciando alguma cena de despudor insolente ou alguma extravagância, que se tornaram tão comuns nas ruas de hoje. Ele ficaria ou não profundamente chocado, e quereria empunhar um látego como aquele com que Nosso Senhor  expulsou os vendilhões do Templo? Certamente.

É na sua extrema inocência, na sua extrema candura que reside uma extrema clareza de visão, muita fortaleza e muito equilíbrio. Este homem é capaz de atitudes enérgicas, mas também, no intervalo  das batalhas, de sorrir e meditar sobre o Natal. Sem violências, sem choques interiores, ele passa de um estado de alma para outro.

Ele é, entretanto, um homem transparente para cada um de nós compreendê-lo. Um homem que poderíamos sondar, no mais íntimo de sua alma, para perguntarmos qual é o ponto de partida de todo esse equilíbrio que ele demonstra.

O ponto de partida é, antes de tudo, uma noção primeira da ordem. Porque esta é uma pessoa que  nunca perdeu a graça batismal. Isto está escrito na sua fisionomia. Não se poderia admitir, por exemplo, que lhe fizessem esta biografia: “Grande santo penitente. Viveu por muito tempo no meio de pessoas corrompidas e cometeu inúmeros assassinatos. Ei-lo depois de convertido”. A penitência tem aspectos mais sublimes, mas não tem o da inocência. Neste homem se discerne a graça batismal na sua candura originária, em sua beleza primaveril.

Certezas extraordinárias

A partir da fidelidade à graça batismal, há uma certa retidão por onde ele vê muito claramente que a verdade é a verdade, e o erro é o erro. E os primeiros princípios universais da lógica e do entendimento não passaram pelo menor abalo, no espírito dele. De maneira que ele possui naturalmente certezas extraordinárias.

Prestemos atenção em sua fisionomia: não há o menor grau de dúvida a respeito de nada. Ele nunca duvidou. Consideremos com que tranquilidade ele procura o seu caminho. Por quê? Porque ele anda a partir de certezas que nunca foram abaladas, e que lhe abrirão todas as portas.

De outro lado, com essa noção muito grande de todas as certezas, possui ele uma naturalidade e um modo categórico de condenar completamente o erro, e de se desfazer do mal de uma forma que não admite discussão: é, e está acabado!

Fé católica absoluta

Tomemos a fé católica deste homem, por exemplo. É uma fé total, absoluta! Ele acha evidente que a Igreja Católica seja verdadeira. Não há dúvidas para ele a esse respeito. É uma fé que nasce dessas certezas originárias, serenas e magníficas de quem nunca pecou contra a criteriologia, nunca pecou contra os próprios nervos, nunca pecou contra nada! E que progride na sua vida espiritual como o Rio Amazonas corre para o mar: caudaloso, enorme, tranquilo, arrastando tudo, empurrando o mar longe para frente. Não é um rio wagneriano com cascatas, com quedas d’água nem coisas semelhantes. Ele se dirige para o oceano em linha reta, e chega ao mar. O mar, neste caso, é o Céu!... 

Um profundo senso do divino

Outra coisa que há nele é o senso do divino, que se traduziria pouco mais ou menos num raciocínio da seguinte evidência:

“Eu existo. Contudo, é verdade também que antes de mim existiu uma quantidade enorme de seres. É verdade que, ao mesmo tempo em que eu existo, existe uma quantidade enorme de seres, e que depois de mim existirá outra quantidade enorme de seres. Há, portanto, um fluxo do existir dentro do qual, somando e subtraindo, eu sou uma gota, e não o centro dele.

“Por detrás desse fluxo de  existência há uma ordenação, uma regra, uma concatenação de fatos, uma sucessão de coisas que constituem um universo coordenado e uno. Esse universo que assim existe me dá a ideia de um Ser ainda maior do que ele e, portanto, um Ser Absoluto, Divino, que também existe. É Ele o Criador de tudo.”

É a primeira impostação da alma diante de Deus.

Este é um homem sem interesses individuais. Ele não tem vaidades, nem complexos, nem ambições. Ele tem o hábito de, no seu pensamento, nas suas reflexões, não reportar as coisas a si, mas a este absoluto que é Deus, e que é o centro para onde ele está voltado. 

Da inocência, o espírito apostólico

Então nós temos que, para este homem, rutila com clareza muito maior do que para o comum dos  homens a noção de que a verdade é a verdade, o erro é o erro, o bem é o bem, e o mal é o mal. Vamos dizer que este homem, de repente, se encontrasse com Lutero. Ele se diferenciaria do heresiarca por vários abismos sucessivos. Ele iria notando as divergências, e diria: “Não! Errado!”

E depois: “Vou pregar contra as ideias erradas de Lutero, pois não posso deixar que leve outros a seus erros! Nós não cabemos juntos no mundo!”

Donde nasceu o ímpeto desse espírito apostólico? Nasceu da candura originária, que é, em última análise, a boa ordem inicial de todo ser. Nasceu de todos os primeiros princípios da razão, de todos os primeiros impulsos dos nervos, de toda a graça do Batismo. Nasceu do senso do divino, e do respeito enorme por tudo o que existe, inclusive por si próprio, sentindo, por detrás, Deus que o envolve e que o transcende. Eis o ponto de partida desta alma inocente, que contém todo o resto.

“Paraíso originário” de todo batizado

Esse estado de alma é o “paraíso originário” que todo batizado tem, em grau maior ou menor do que São Domingos.

E aqui, ao término dos comentários sobre esta magnífica representação do Fundador dos dominicanos, parece-me apropriado ressaltar esta verdade: todos nós tivemos a inocência batismal. É ou não é verdade que todos nós, no fundo de nossas almas, sentimos saudades dos encantos do  tempo em que éramos inocentes?

Entretanto, como fomos feitos para viver dessa inocência, permanecem na alma mil cordas que ninguém vibrou, mil solicitações que não foram atendidas, mil possibilidades de expansão que de fato não foram aproveitadas, mil apetites feitos para a casa paterna que se vão saciar nas bolotas dos porcos. Resultado: mil remorsos indefinidos, não se está contente consigo mesmo, não se sente limpo diante de Deus.

Achamos que nossa existência é dura. É verdade. Porém, não agravamos nosso exílio, fechando as janelas que davam para o Céu? Há na Escritura uma lamentação de Deus, dirigida ao povo hebraico: “Vós transformastes o meu templo numa barraca para guardar frutas”. Não somos nós um templo do Espírito Santo, que transformamos em barraca para guardar frutas?

Olhando de frente nossa situação atual, lembremo-nos que tudo aquilo pode ser restaurado, desde que rezemos com confiança nesse sentido. Peçamos, pois, a Deus Nosso Senhor, por meio de Maria Santíssima, que nos limpe de nossos pecados e imperfeições, e restaure em nós aquela bondade derivada das graças que o Batismo infundiu em nossas almas.

 (Revista “Dr. Plínio”, n. 17, agosto de 1999, págs. 7/9)


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

SÃO DOMINGOS DE GUSMÃO, EXTIRPADOR DE HERESIAS







Hoje é festa de São Domingos (Caleruega, Burgos, 24-6-1170 - Bolonha, 6-8-1221), confessor, é apostolo da devoção ao Santo Rosário, Fundador da Ordem dos pregadores (dominicanos). Lutou contra os albigenses.
A respeito de São Domingos temos um trecho da obra “Diálogo da Divina Providência”, em que Deus trata com Santa Catarina de Sena, que foi terceira dominicana, a respeito de seu Fundador:
“Foi precisamente sobre a luz, disse Deus e Santa Catarina de Sena, que o pai dos pregadores estabeleceu o seu princípio. E fez dele o objeto próprio de sua arma de combate. Ele tornou para si o ofício do Verbo, meu Filho, disseminando minha palavra, dissipando as trevas, e esclarecendo a Terra. Maria, pela Qual Eu o apresentava ao mundo, fez dele o extirpador das heresias (op. cit., 158).
É interessante esse trecho porque mostra todo o valor que Deus dá à missão de extirpador das heresias.
Agora, um trecho do famoso Dom Guéranger em sua obra “L'Année Liturgique”, em seu comentário relativo à festa de São Domingos.
“Assim, a Ordem, chamada a ser o principal apoio do Pontífice na perseguição das falsas doutrinas, deveria – em um certo sentido – justificar melhor ainda esta expressão (“extirpador das heresias”) do que o seu patriarca: os primeiros tribunais da Santa Igreja, a Inquisição romana, o Santo Ofício, investido da missão do Verbo com o gládio com duas lâminas (Apoc. 19, 11-16) para converter ou castigar, não teve instrumento mais fiel e mais seguro do que a Ordem dominicana”.
Os senhores podem aquilatar bem como penetrou a "heresia branca" também na hagiografia.
Considerem a vida de qualquer santo escrita na concepção da "heresia branca", de modo geral figura sempre isto: “Ele foi muito bom... perdoou muito, curou muitos doentes, agradava muito as criancinhas...” Ou seja, a santidade quer dizer ser dulçuroso no trato. A bem dizer, nunca os senhores verão elogiar o seguinte: “Velou pela doutrina, odiou e extirpou a heresia”. Porque isto parece à “heresia branca” uma cogitação de caráter intelectual e não moral. Portanto não se trata de manifestação de virtude. Seria até antipático, porque a pessoa que combateu a heresia, fez sofrer outros. E, pois, assim se tornou antipática.
Havia um alto personagem da Igreja aqui no Brasil, que deu ao seu secretário este conselho (era um tempo um pouco antiquado em que ainda a santidade era apresentada como norma...): “Padre Fulano, o senhor tome como norma de santidade: qualquer ato que lhe pareça bom, mas que possa fazer sofrer alguém, não o faça porque não é bom. Pois o bem nunca faz sofrer a ninguém”.
Esta é a mentalidade estritamente “heresia branca”! Ela não compreende nem de longe a necessidade de se defender a doutrina. Menos ainda compreende a necessidade de corrigir os que erram: “Isso não é virtude, é uma preocupação de caráter intelectual. É uma elucubração de caráter estudioso. Isso não é virtude...” dizem os adeptos dessa mentalidade.
Ora, é o contrário que é verdade. O amor de Deus tem como expressão necessária o amor daquele que a boa doutrina diz a respeito de Deus. Porque eu não posso amar Deus como Ele não é. Eu tenho que amar a Deus como é. E sei como Deus é de acordo com a boa doutrina. E o amor meu a Deus é o amor que a boa doutrina me diz a respeito de Deus. Portanto é o que a boa doutrina me diz a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, daquilo que Ele ensinou e fez. A ortodoxia não é senão o amor de Deus.
De maneira que uma pessoa pretender ter virtude sem ter ortodoxia, é uma verdadeiro absurdo; é a mesma coisa que pretender ter virtude sem ter amor de Deus. E ser ortodoxo sem odiar o mal é outro absurdo.
Portanto, virtude primeira: ortodoxia. Porque é um dos aspectos do amor de Deus. E quem diz ortodoxia, diz combatividade. Quanto mais combativa, mais ortodoxa, tanto mais ama a Deus .
Continuamos agora com a leitura de outro trecho de Dom Guéranger a respeito da Ordem de São Domingos e o liberalismo:
“Tanto quanto Santa Catarina de Sena, o ilustre autor da Divina Comédia (Dante) não teria nunca imaginado que devesse haver um tempo onde o primeiro atributo da família dominicana, que lhe dava direito ao reconhecido amor dos povos, seria discutido em certa escola apologética, e lá afastada como um insulto, ou dissimulada com mal estar. Nosso tempo põe sua glória em um liberalismo que mostrou o que era multiplicando as ruínas e filosoficamente não repousa senão sobre a estranha confusão entre licenciosidade e liberdade. Seria necessário um tal desabamento intelectual para que não se compreendesse mais que uma sociedade onde a fé é a base das instituições como ela é o princípio da salvação eterna, nem um crime é igual àquele de abalar o fundamento sobre o qual repousa assim o interesse social, o mais precioso dos particulares. Nem o ideal da justiça nem o da liberdade não consistem em deixar à mercê do mal e do maligno os fracos que não podem defender-se a si mesmos.
“A cavalaria fez desta verdade seu axioma e foi esta a sua glória. Os irmãos de Pedro Mártir (os dominicanos) dedicaram sua vida a proteger contra as insídias do ‘forte armado’ (Lc. 11, 21) o contágio que ‘se esgueira pela noite’ (Sal. 90, 6), a segurança dos filhos de Deus. Esta foi a honra da ‘tropa santa que Domingos conduz por um caminho que é todo cheio de proveitos e no qual não se extravia’ (Dante, Paraíso, X, 94-96)”.
É uma bonita afirmação da legitimidade da Inquisição, da legitimidade das guerras santas, da legitimidade da polemica, que o irenismo hoje tanto quer negar.
Eu gostaria de acentuar este pensamento: sempre que se dá ao erro a possibilidade de se disseminar, ali se dá ao mesmo tempo apoio a uma perseguição à verdade. E sempre que se dá ao mau ou ao mal a liberdade, apoia-se uma perseguição ao bom e ao bem. Porque está na índole do erro de ser contagioso. Depois do pecado original, o homem tem uma apetência de erro. Donoso Cortés, numa página magnífica que já foi estudada aqui em reunião, dizia que o milagre da Igreja não consistiu em ser aceita pelos homens por ser boa, santa, mas apesar de ser boa e santa. Os homens têm uma enorme atração pelo erro e pelo mal. Se se deixa o erro e o mal livres, permite-se que eles sublevem os homens. Portanto não há pior tirania e não há pior crueldade do que advogar a liberdade para o erro e para o mal.
Dom Guéranger comenta muito bem: o que fazia o cavaleiro andante? Andava de um lado para o outro para defender as viúvas, os órfãos e os fracos. Pergunta-se: as almas ignorantes não são mais desamparadas do que as viúvas, os órfãos e os fracos? As almas que têm maus pendores em conseqüência do pecado original não estão mais expostos ao erro do que as viúvas, os órfãos e os fracos do tempo da cavalaria andante? E o que é mais importante: defender almas ou defender corpos? Evidentemente defender almas.
De maneira que toda a nobreza da cavalaria andante incide e se concentra nos que, em nossos dias, combatem o erro e o mal denodadamente.
Há uma melancólica observação histórica, que não posso deixar de fazer: os senhores considerem o que foi a Ordem dominicana. Reflitam um pouco no que ela é no Brasil de hoje, e os senhores compreenderão a enorme decadência das melhores instituições de nosso século.
Assim os senhores. compreenderão igualmente que o pior mal de nosso século não consiste em que os comunistas sejam o que são e que tenham o poder que têm. Mas que aqueles que deveriam combater o comunismo sejam o que são e adotem as posições erradas que adotam hoje. Essa é a questão.
Na festa de São Domingos, é inteiramente a propósito darmos à nossa oração da noite de hoje o caráter de uma reparação àquele santo Fundador por toda a ofensa que essa torção de seu admirável instituto sofre – em tantas partes, pelo menos –, e pedirmos que ele nos defenda de seus filhos que tenham se transviado.

  (Plínio Corrêa de Oliveira, reunião "Santo do Dia", de 4 de agosto de 1965)