Mostrando postagens com marcador Vítimas expiatórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vítimas expiatórias. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de julho de 2022

O MARTÍRIO DAS CARMELITAS DE COMPIÈGNE

 


O vendaval de ódio anti-religioso que soprou na França durante a Revolução de 1789, atingiu duramente e de forma indiscriminada todas as ordens, todos os religiosos, de todas as cidades, inclusive, de forma brutal, a humilde Comunidade das carmelitas de Compiègne.

Já a partir de novembro de 1789 os bens eclesiásticos são compulsoriamente colocados à disposição do Poder Público. Depois, eram considerados "fora da lei" todos os religiosos que não jurassem a Constituição Civil do Clero.

No dia 4 de agosto de 1790, as carmelitas de Compiègne recebem a visita dos "comissários do povo" a fim de fazer o inventário de seus bens. No dia seguinte, insinuam que as religiosas abandonem o Convento e voltem para casa para aproveitar o "privilégio concedido pela lei".

Mais tarde, em 14 de setembro do mesmo ano, como relutavam em abandonar a clausura, recebem ordens expressas de abandonar o edifício, sob pena de serem punidas pela lei. Sem ter para onde ir, procuram as freiras abrigo em casas de pessoas amigas na cidade, em grupos de quatro ou cinco. Mesmo assim, os "comissários do povo" vão a procura delas e exigem que façam um juramento republicano denominado "Liberdade-Igualdade".


Predileção divina

Depois da Páscoa de 1792, esteve visitando o Carmelo de Compiègne o bispo de Saint-Papoul, Mgr. de Maillé-la-Tour-Landry, quando soube de um fato miraculoso ocorrido muitos anos antes. Estava um clérigo dando a comunhão a uma jovem de 15 a 16 anos, "virgem como um anjo", segundo o bispo, quando a mesma entrou em êxtase vendo grande quantidade de religiosas, uma comunidade inteira, subir aos céus com palmas nas mãos. A superiora, dirigindo-se às irmãs, interpretou o sonho: "Poderíamos esperar que fosse a nossa comunidade que o Céu predestinasse a um tão grande favor?" Os fatos provariam que era aquela Comunidade, sim, que ganharia inteirinha a palma do martírio.

Esta idéia do martírio ia tomando vulto no espírito da superiora, Madre Teresa, e de suas religiosas à medida que o vendaval revolucionário ia crescendo. Determinado dia, a superiora reúne suas religiosas e lhes diz: "tendo feito meditação sobre esta matéria, veio-me ao pensamento fazer um ato de consagração pelo qual a Comunidade se ofereceria em holocausto para aplacar a cólera de Deus, para que a divina paz que Seu Filho veio trazer ao mundo fosse concedida à Igreja e ao Estado". Todas as religiosas aprovaram a idéia e a consagração foi logo feita.

A situação das religiosas era difícil, dispersas pelas casas de amigos. Mas as proximidades das casas permitia-lhes reunirem-se para realizar alguns atos comuns sem chamar atenção. Certo dia, porém, as casas são "visitadas" abruptamente pelo "Comitê de Vigilância" da cidade. Nos dias seguintes as visitas se sucedem.

Durante aquelas "visitas", os representantes do "povo" reúnem finalmente as "provas" com que podem mandar prender todas as religiosas, o que ocorre no dia 22 de junho. O material recolhido é enviado a Paris com os dizeres: "Já de há muito desconfiávamos que as ex-religiosas carmelitas deste município, se bem que alojadas em casas diferentes, viviam em comunidade, submissas às regras de seu ex-convento. Nossas desconfianças não eram vãs.
“Após várias visitas feitas, encontramos correspondência criminosa: não somente paralisavam elas os progressos no espírito do povo, admitindo pessoas numa confraria dita do escapulário, mas faziam também votos pela Contra-Revolução e destruição da República e restabelecimento da tirania".
Dentre os documentos que foram apresentados como "provas" dos delitos das freiras, estavam cartas de alguns padres em que se falava de novenas, escapulários e direção espiritual; um retrato de Luís XVI, e imagens do Sagrado Coração de Jesus.


A morte "in odium fidei"

A 12 do mês seguinte, enquanto almoçam na prisão, as religiosas recebem ordens de partida imediata para Paris. Já estavam prontas a sua espera as carruagens que as levariam de viagem.

Tão logo chegam a Paris são levadas para a Conciergerie, a prisão de onde só se saía para a guilhotina. Por terem as mãos atadas, as religiosas descem com dificuldade das carruagens. O carcereiro, impaciente, empurra a mais idosa, quase octogenária e doente, fazendo-a cair de bruços sobre as pedras do calçamento. O povo presente protestou contra tal brutalidade. Ferida e com a face ensangüentada, a anciã ainda agradece a seu algoz por não a ter matado, porque isto a privaria da graça coletiva do martírio.

No dia seguinte as carmelitas são obrigadas a comparecer perante o Tribunal Revolucionário juntas com outro grupo de 15 pessoas. A maioria destas pessoas haviam cometido o "crime" de havê-las acolhido em suas casas. As características deste "julgamento" são iguais aos outros: não há advogado de defesa nem testemunhas a serem arroladas, há apenas o libelo acusatório.

A sentença saiu também da mesma forma das demais: morte pela guilhotina. Para se avaliar o facciosismo de tal "júri" basta julgarmos um caso. Um dos réus, Mulot de la Ménardière, foi condenado à morte como "padre refratário", quando se sabe que o mesmo não era padre mas agricultor, bastante conhecido na cidade para ter sua profissão trocada em plena sentença do Tribunal, por sinal dirigido por um sujeito que o conhecia muito bem, pois era natural de Compiègne.

Em sua prisão na Conciergerie, as 16 carmelitas não deixam de cumprir a Regra da Ordem. Testemunhas afirmam que elas nunca deixaram de rezar o Ofício. E no dia de 16 de julho, véspera do martírio, celebraram a Festa de Nossa Senhora do Carmo, Patrona da Ordem, com tal entusiasmo que um dos presos que o testemunhou disse que "a véspera da morte parecia para elas um dia de grande festa".

Enquanto as religiosas aguardam os carroções que as levariam ao cadafalso, como estavam em jejum, a superiora Madre Teresa de Santo Agostinho, temendo que alguma possível fraqueza física possa ser tomada como temor da morte, vende a um circunstante um xale de uma das freiras e proporciona a cada uma das freiras uma xícara de chocolate.

Vítimas expiatórias

Caminhando para o cadafalso, as carmelitas cantam. Primeiro o Miserere, para que Deus perdoe os seus pecados; depois a Salve Regina, pedindo proteção à Santíssima Virgem, e, finalmente, o Te Deum, como canto de vitória pelo martírio. A multidão as segue em silêncio respeitoso, ninguém ousa bradar os usuais xingamentos que costumavam fazer contra os condenados. Nem sequer as furiosas "lambedeiras de guilhotinas", ou, como alguns chamavam, "furiosas da guilhotina", grupo de megeras debochadas e sedentas de sangue que sempre acompanhavam as vítimas para lhes aumentar o tormento e saborear suas angústias e terror.
Madre Teresa de Santo Agostinho pede para ser a última a morrer, a fim de poder encorajar suas filhas espirituais até o final. Segurando uma pequena imagem da Virgem Santíssima nas mãos ela entoa o hino "Veni Creator Spiritus", invocando o Divino Espírito Santo. Irmã Constância, a primeira a ser chamada para o suplício, aproxima-se dela, oscula a pequena imagem, e pede à Superiora sua bênção e licença para morrer. Sobe depois serenamente os degraus do cadafalso, cantando o Salmo "Laudate Dominum omnes gentes", indo colocar-se sob o cutelo e não permitindo que os carrascos nela toquem. Todas as outras seguirão seu exemplo. Os carrascos, cheios de respeito, não têm pressa e nem demonstram impaciência, permitindo que as carmelitas façam publicamente esse último ritual de sua Comunidade.
Era o dia 17 de julho de 1794. O sacrifício destas 16 mártires não foi em vão. Deus logo fez cair seu braço sobre a cabeça dos principais chefes da Revolução. Alguns dias depois, no final do mesmo mês de julho, eram guilhotinadas 108 cabeças revolucionárias de Paris, dentre elas a do próprio Robespierre. Ao contrário das carmelitas, todos morrem desesperados, blasfemando, maldizendo-se a si mesmo e aos outros. Eram os demônios “mantenedores”, que alimentavam a Revolução em sua fase do terror, que estavam sendo exorcizados. Não sem grande comoção, desespero e blasfêmias.

Assim, embora elas não tenham feito o propósito de forma explícita, pode-se dizer que se tornaram Vítimas Expiatórias Exorcísticas.
O Papa São Pio X, a 10 de dezembro de 1905, beatificou as 16 mártires.

O grupo de religiosas carmelitas lideradas por Madre Teresa de Santo Agostinho era composto por 10 monjas, 1 noviça, 3 irmãs leigas, 2 irmãs rodeiras.

Relação das 16 beatas

Madeleine-Claudine Ledoine ou Madre Teresa de Santo Agostinho priora, 41 anos;
Anne-Marie-Madeleine Thouret ou Irmã Carolina da Ressurreição monja, sacristã, 78: Anne Petras ou Irmã Maria Henriqueta da Providência monja, 34;

Marie-Geneviève Meunier ou Irmã Constança. noviça, 29;
Rose Chretien de la Neuville ou Irmã Júlia Luísa de Jesus, monja, 53;
Marie-Claude Cyprienne (Catherine Charlotte) Brard ou Irmã Eufrásia da Imaculada Conceição, monja, 58; Marie-Anne (ou Antoinette) Brideau ou Madre São Luís, sub-priora, 41; Marie-Anne Piedcourt ou Irmã de Jesus Crucificado, monja, 79; Marie-Antoniette (ou Anne) Hanisset ou Irmã Teresa do Imaculado Coração de Maria, monja, 54; Marie-Francoise Gabrielle de Croissy ou Madre Henriqueta de Jesus, antiga priora, 49; Marie-Gabrielle Trezel ou Irmã Teresa de Santo Inácio, monja, 51; Angelique Roussel ou Irmã Maria do Espírito Santo, irmã leiga, 51; Julie (or Juliette) Verolot ou Irmã São Francisco Xavier, irmã leiga, 30. Marie Dufour Irmã Santa Marta irmã leiga, 51; Catherine Soiron rodeira, 52; Thérèse Soiron rodeira, 46.


sábado, 2 de julho de 2022

O PAPEL DA MISSÃO DE VÍTIMAS EXPIATÓRIAS EXORCÍSTICAS DE DOIS PAPAS

 


             Referimo-nos aos Papas Pio IX e São Pio X, que considero que foram vítimas expiatórias exorcísticas contra os demônios que controlavam as forças secretas, as quais, infiltradas na Igreja, promoviam o corpo místico do demônio. Foram eles martirizados (embora de forma incruenta) exatamente numa época em que as forças da conjuração anticristã estavam no maior auge da História, detendo imenso poder para destruir a Igreja e erigir, em seu lugar, a igreja naturalista ou satânica.  

Deram eles o golpe fulminante contra aquelas forças secretas, sendo secundados por uma grande quantidade de mártires exorcísticos espalhados pelo mundo. Na época do Beato Pio IX, tivemos Dom Vital que foi mártir no Brasil e Garcia Moreno no Equador, e na época um pouco posterior a São Pio X (mas como reflexo de sua atuação e martírio) tivemos vários mártires no México, os quais morriam bradando: “Viva Cristo Rei!”. Em toda a história da Igreja universal não há um único precedente, nem sequer nas perseguições romanas, do sacrifício sangrento, em pouco mais de um semestre, de doze bispos, quatro mil sacerdotes e mais de dois mil religiosos. Esta situação perdurou no decorrer do século XX, tendo sido aliviada apenas ao final deste.

O Beato Pio IX foi o Papa da Imaculada Conceição, do “Syllabus” (condenando cerca de 80 erros que haviam inoculado no mundo) e, principalmente, o Papa do Concílio que proclamou a infalibilidade pontifícia. Havia também proclamado o título de “Cristo Rei”, sob o qual a Igreja deveria reinar no mundo. 

Em 1864, assim falou aquele santo Papa a alguns prelados:

“O mundo disputa-me este grão de areia sobre que estou sentado, mas seus esforços serão baldados. A terra é minha; Jesus Cristo deu-ma, só a Ele a entregarei, e nunca o mundo conseguirá arrancar-ma.

“Vós, arcebispo de Terragona, ide levar à Espanha revolucionada, palavra de paz e de verdade, eu vo-lo ordeno, o mundo pertence-me!

“Vós, bispo do México, ide também sossegar o país, sustentando os direitos desprezados; eu vo-lo recomendo em nome de Jesus Cristo!

“Bispo de Edimburgo, ide acabar de conquistar a Escócia para Jesus Cristo,

“Bispo da Prússia, ide assombrar esse reino pelo exemplo da coragem moral e de todas as virtudes.

“E vós, meu irmão e meu filho, porque fui eu que vos sagrei, ide ganhar essa Genebra que ousa chamar-se a Roma protestante; abençoai esses povos que podem ser ingratos, mas são meus filhos. Sustentai, consolai a grande família católica, e convertei aqueles que a heresia retém longe do aprisco de Jesus Cristo” [1]

São Pio X também condenou os erros de seu tempo, tendo se destacado por um martírio solitário numa época em que as forças do mal tinham um assombroso poder. Exorcizou ele todos os demônios que as comandavam naquela época, mas os homens pecaram tanto de lá pra cá que outros tantos piores vieram assumir novos postos. Torna-se, pois, necessário outras vítimas expiatórias exorcísticas para completar este trabalho...

Alguém pode indagar: mas a atuação dos Papas só beneficiou as nações católicas das Américas? Evidente que sendo a Igreja de caráter universal, toda a atuação dos Papas visa todas as nações da terra. No entanto, havendo um predomínio das forças secretas nas principais nações do mundo, tivemos uma forma de unanimismo em que todas as outras quiseram copiá-las e adotar os princípios anticristãos em seus respectivos países. Quebrando o unanimismo por força de uma sadia e pujante reação católica (mesmo que tenha sido mais forte e mais efetiva apenas nas Américas), o poder universal das forças secretas ficou por terra. Em breve, os demônios que as dominavam em outros países foram também exorcizados. De outro lado, é preciso se frisar que não foi só nas Américas que houve reações que deram mártires desta natureza: uma prova é o surgimento dos ultramontanos na Europa e a vigorosa reação dos zuavos pontifícios na Itália, no século XIX, e no século XX um revigoramento da Fé (principalmente na década de 20) que surgiu em alguns países.

Na Encíclica “Evangelii Praecones”, de Pio XII, publicada em 1951, ao falar das Missões católicas, vê-se um balanço do progresso que a era de São Pio X deixava na Igreja:

“Em primeiro lugar compraz-nos recordar brevemente os progressos obtidos. No ano de 1926 as missões eram 400, atualmente são perto de 600; o número dos habitantes católicos desses territórios não chegava a 15 milhões, enquanto hoje atinge perto de 28 milhões. Os sacerdotes, estrangeiros e nativos, eram então cerca de 14.800, hoje ultrapassam 26.800.  Naquela data eram estrangeiros todos os bispos missionários; decorridos 25 anos, 88 missões estão confiadas ao clero nativo e, com o estabelecimento, em muitas regiões, da hierarquia eclesiástica, e a nomeação de bispos indígenas, manifesta-se mais claramente que a Igreja de Jesus Cristo é verdadeiramente católica e não se pode considerar como estrangeira em nenhuma parte do mundo.

“Para aduzir alguns exemplos: foi constituída, segundo as normas canônicas, a hierarquia eclesiástica na China e em várias regiões da África; celebraram-se três concílios plenários de suma importância, o primeiro no Indochina em 1934, o segundo na Austrália em 1937, o terceiro na Índia, no ano passado; os seminários menores multiplicaram-se enormemente; os alunos dos seminários maiores, apenas 1770 vinte e cinco anos atrás, são hoje 4300; construíram-se muitos seminários regionais; foi fundada em Roma, junto ao Colégio Urbano da Propagação da Fé, o “Instituto Missionário”; em Roma e em outras partes, foram inauguradas várias cátedras de missiologia; igualmente em Roma, foi fundado o Colégio de S. Pedro, no qual sacerdotes indígenas completam com maior esmero a sua formação nas ciências sagradas, nas virtudes e no apostolado; foram fundadas nas missões duas universidades; os ginásios ou colégios superiores, que antes eram cerca de 1.600, hoje passam de 5.000; as escolas primárias e secundárias quase duplicaram de número; e o mesmo se pode afirmar dos ambulatórios ou dispensários e hospitais, em que se atende a todo o Gênero de doentes, até mesmos os leprosos.”   (“Evangelii Praecones” –  I - itens 5 e 6).

Como se vê, como conseqüência da ação expiatória exorcística de São Pio X, as forças secretas recuaram enquanto a Igreja avançou em toda a terra. Vem novamente a pergunta: se foram exorcizados porque hoje estas forças tão malignas ainda detêm tanto poder e controlam praticamente tudo no mundo? Por causa dos pecados dos homens, os quais fazem os demônios “saírem” do inferno e virem para a terra e exercer o maléfico trabalho da perdição dos homens e o crescimento de seu maldito corpo místico.  Assim, enquanto uns são exorcizados, outros podem ser “soltos”.  Mas se aqueles primeiros não tivessem sido expulsos de volta para o inferno, o poder diabólico poderia hoje ser muito maior.

 

 

 



[1] Pio IX – Villefranche – Cia. Editora Panorama – págs. 244 

 


quarta-feira, 14 de abril de 2021

SANTA LYDWINA DE SHIEDAM, VÍTIMA EXPIATÓRIA EXORCÍSTICA

 




Viveu esta santa no fim da Idade Média, na mesma época de Santa Catarina de Siena, contemporânea também de Santa Brígida e de São Vicente Ferrer.  Schiedam é o nome de uma cidade holandesa, próxima do Rio Mosa.

Santa Lydwina pediu a Deus para tirar sua beleza, pois fizera votos de castidade e não queria ser desejada por nenhum pretendente. Deus a ouviu. Contraiu grave moléstia que a deixou desfigurada, olhos fundos, pele macilenta e esverdeada. Este suplício lhe durou até o fim da vida. A santa foi atingida por todas as moléstias de sua época.  Apesar de tudo, o corpo cheio de vermes não exalava mau-cheiro mas agradável odor.

No começo de seu martírio ela não imaginava em se oferecer com vítima de holocausto. Mas, orientada, tudo mudou quando recebeu uma grande graça mística. Compreendendo que sua missão era ser vítima expiatória, uma nova vida se lhe mostrou após os primeiros quatro anos de tormentos. Ela foi chamada a reparar os pecados de Revolução, da mesma forma que o fizera Santa Catarina, embora as duas santas sequer se conhecessem. Estávamos no auge da Renascença e os pecados eram protuberantes. A propósito de tais pecados, a santa teve a seguinte visão da Europa:

Todo o continente lhe apareceu convulsionado sobre o leito de seu solo, procurando recolher sobre si, com mãos trêmulas, a cobertura de seus mares para esconder seu corpo que se decompunha e que não era mais que um magma de carnes, um limo de humores, uma lama de sangue, porque era uma podridão infernal que rebentava pelos flancos.  Era um frenesi de sacrilégios e de crimes que fazia a Europa urrar como um animal que se sacrifica. A vermina de seus vícios a despedaçava. Eram os cancros da simonia e da luxúria. Terrificada, Santa Lydwina olhava para a cabeça ornada com a Tiara, a qual oscilava rejeitada, ora para o lado de Avignon ora para o de Roma.

Disse-lhe então Jesus Cristo: “Vê!”.  E, sobre um fundo de incêndio, percebeu ela, debaixo da conduta de loucos coroados, a matilha solta dos povos. Eles se massacravam e se pilhavam sem piedade. Mais ao longe, em regiões que pareciam pacíficas, ela considerava os claustros transformados pelas intrigas de monges infiéis, o clero que traficava com a Carne de Cristo, que vendia em leilão as graças do Espírito Santo. Ela viu claramente não só as heresias mas até mesmo os sabás (sabbats, rituais de bruxaria) nas florestas e as missas negras.

Em seguida Nosso Senhor lhe mostrou todos os santos que, também como ela, sofriam pela Igreja. Ela não estava só. Vítima de holocausto e exorcística dos demônios de seu tempo, Santa Lydwina recebeu os estigmas da paixão e passou a ter visões constantes de seu Anjo da Guarda.  Foi favorecida com o dom da Profecia assim como dos milagres e o discernimento dos espíritos.