Mostrando postagens com marcador Ana Catarina de Emmerich. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Catarina de Emmerich. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de julho de 2026

DESCRIÇÃO DE ELIAS FEITA PELA BEATA ANA CATARINA DE EMMERICH

 




LXVII DESCRIÇÃO DE ELIAS

Nesta ocasião, vi muitas coisas a respeito de Elias. Ele era um homem alto e magro, com bochechas avermelhadas e um tanto caídas, um olhar penetrante e vivo, uma barba longa e rala, e a cabeça calva, restando apenas uma faixa de cabelo na parte de trás, como uma coroa. No topo da cabeça, havia três nós grossos em forma de cebola: um no centro e os outros dois mais à frente, em direção à testa. Ele vestia uma túnica feita de duas peles unidas nos ombros; era aberta nas laterais e amarrada na cintura com uma corda. Tufos de pelo das peles de sua vestimenta pendiam de seus ombros e joelhos. Ele segurava um cajado na mão, e suas canelas tinham uma tonalidade mais escura que a de seu rosto. Elias passou nove meses neste lugar e dois anos e três meses em Sarepta, na casa da viúva. Ele vivia aqui em uma caverna no lado leste do vale, não muito longe do rio. Vi como a ave lhe trazia alimento. A princípio, surgia uma pequena figura escura — como uma sombra saída da terra — carregando um pão achatado e fino nas mãos; não era homem nem animal, mas o inimigo (o diabo) que vinha tentá-lo. Elias não aceitava esse pão; pelo contrário, rejeitava-o. Depois, eu via uma ave aproximar-se de sua caverna com pão e alimento, que ela escondia entre a folhagem. Parecia que ela estava escondendo a comida para si mesma; devia ser uma ave aquática, pois tinha pés palmípedes. Sua cabeça era um tanto larga, com dobras semelhantes a bolsas pendendo ao lado do bico e um saco semelhante a um papo na parte inferior; ela batia o bico de forma muito semelhante a uma cegonha. Vi que essa ave havia se tornado muito familiarizada com Elias, a ponto de ele fazer gestos para a direita ou para a esquerda, como se a orientasse a ir a um lugar específico ou a retornar dele.

 

Vi frequentemente esse mesmo tipo de ave acompanhando eremitas — por exemplo, Zósimo e Maria do Egito. Quando Elias se hospedou na casa da viúva de Sarepta, não apenas a farinha e o azeite se multiplicaram, como também um corvo lhe trazia alimento. Jesus foi com os levitas até essa gruta de Elias, situada na encosta oriental da montanha. Sob uma laje de pedra saliente, havia um pequeno assento de pedra onde Elias, protegido pela rocha, descansava à noite. O local estava coberto de musgo. Quando começou o sábado do quarto dia de Tishri e o jejum terminou, serviu-se uma refeição na área do parque e das termas, e os pobres foram novamente amparados. Na manhã seguinte, depois de Jesus ter ensinado na sinagoga e curado os enfermos, Ele caminhou com os discípulos, os levitas, os recabitas e algumas pessoas da cidade em direção à encosta ocidental da montanha; o trajeto durava uma hora e passava por vinhedos. Por essas montanhas, estendendo-se até Gadara, havia montes de pedras — alguns naturais, outros colocados deliberadamente — contra os quais as videiras eram apoiadas. Essas videiras eram grossas — com a espessura do braço de um homem — e muito espaçadas entre si, com ramos que se espalhavam por uma vasta área. Os cachos de uvas eram densos e do comprimento de um braço, e as uvas individuais eram do tamanho de ameixas. As folhas eram maiores do que aquelas a que estamos acostumados, porém menores do que os cachos de uvas. Os levitas faziam perguntas sobre vários pontos dos Salmos que se referiam ao Messias.

 

Disseram-Lhe: "Tu és Aquele que está mais próximo do Messias; podes dizer-nos". Entre outras passagens, foi citado o versículo “Dixit Dominus Domino meo”, bem como os versículos de Isaías que falam do lagar e das vestes manchadas de sangue (Isaías 63:3). Jesus explicou-lhes todos esses pontos, relacionando-os à Sua própria Pessoa. Naquele momento, estavam sentados numa pequena colina, no meio daqueles vinhedos, comendo uvas. Os recabitas não haviam querido comer as uvas com eles, pois o vinho lhes era proibido. Jesus disse-lhes que comessem — na verdade, ordenou-lhes que o fizessem —, acrescentando que, se pecassem ao fazê-lo, Ele assumiria o pecado sobre Si. Ao voltar-se a conversa para essa proibição, falaram de como Jeremias certa vez lhes ordenara, por ordem de Deus, que assim procedessem, mas eles haviam se recusado a obedecer. Agora, porém, porque Jesus o ordenava, eles o fizeram. Ao anoitecer, retornaram; serviu-se uma refeição e os pobres foram amparados. Depois, Jesus ensinou na sinagoga e passou a noite na casa dos levitas, no terraço, sob uma tenda.

(A VIDA DE JESUS ​​CRISTO E DE SUA SANTÍSSIMA MÃE (Do fim da primeira Páscoa até a prisão de São João Batista) Segundo as visões da Beata Ana Catarina Emmerich – Editado pela Revista Cristiandad.org e pela Editorial Surgite! – pp. 180/181)

 


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

ALGUMAS REVELAÇÕES DA BEATA ANA CATARINA DE EMMERICH SOBRE A CRISE NA IGREJA

 

A Beata Anna Catalina Emerich[1] não só previu, mas viu a crise dentro da Igreja. Viu ela que um terço dos demônios que estavam no inferno seriam soltos em torno de cinqüenta ou sessenta anos antes do ano 2000, aos quais Deus daria certo tempo para agir na terra, mas findo este tempo seriam novamente sepultados no inferno. Quer dizer, seriam exorcizados de uma forma que não permaneceriam nos “ares”, fazendo algum mal aos homens, mas seriam projetados de volta para o inferno.

Monsenhor Delassus, que publica tais visões, comenta:

“Várias vezes Anna Catharina fala da igreja dos apóstatas, que também chama de igreja das trevas e cujos progressos ela mostra. Ela também assinala nessa igreja a presença e a influência de certos cúmplices dos principais chefes da franco-maçonaria. Que igreja é essa? Ela não o precisa, senão pela frase que lemos acima: “Aqui tudo é mais natural”, e que parece indicar que com isso ela compreendia os propósitos daqueles que desertam da ordem sobrenatural para se porem mais à vontade no naturalismo”.

Mas a construção deste maldito templo satânico, que era o corpo místico do demônio e sua falsa igreja, só seria possível com a destruição da Igreja de Cristo. Daí a atuação constante dos demolidores:

 

“Fileiras de trabalhadores ocupados no trabalho de destruição estendiam-se através do mundo inteiro, e fiquei espantada com a coordenação com que tudo era feito. Os demolidores destacavam grandes pedaços do edifício. Esses sectários são numerosos e entre eles há apóstatas. Realizando o trabalho de destruição eles precisam seguir certas prescrições e certas regras. Usavam aventais brancos, debruados com uma faixa azul e guarnecido de bolsos. Tinham colheres de pedreiro fixadas na cintura. Ademais, têm vestimentas de toda espécie. Entre eles existem personagens distintos dos outros, grandes e corpulentos, com uniformes e cruzes, os quais, contudo, não trabalhavam diretamente, mas marcavam nas paredes das igrejas, com a colher de pedreiro, o que era preciso demolir. Vi com horror que havia entre eles padres católicos. Freqüentemente, quando os demolidores não sabiam bem como agir, eles se aproximavam, para se instruírem a respeito, de um dos seus, que tinha um grande livro no qual estava traçado todo o plano a seguir para as destruições, e este marcava exatamente, com a colher de pedreiro, o ponto que devia ser atacado; e logo um pedaço caía sob as marteladas. A operação prosseguia tranqüilamente seu ritmo e caminhava infalivelmente, mas sem despertar atenção e sem ruído, tendo os demolidores os olhos à espreita”.

 

Em suas visões, a Bem-Aventurada via que o objetivo principal dos demolidores era Roma, era o Papado:

 

“Vi, um dia, o Papa em oração. Ele estava rodeado de falsos amigos. Vi sobretudo um homem-negro trabalhar para a ruína da Igreja com grande atividade. Ele diligenciava em cativar os cardeais através de adulações hipócritas”.

 

As visões da Bem-Aventurada Catharina Emmerich abarcam toda a História do Universo e a Obra divina. Desde a criação do mundo até a vinda do Anticristo.  Sobre os dias que viriam após sua época, viu de uma forma simbólica o crescimento do corpo místico de satanás da seguinte forma:

 

“Eu vejo as trevas se adensarem. Ameaça uma grande tempestade, o céu está coberto de um modo apavorante. Há poucas pessoas que rezam e a aflição dos bons é grande. Vejo por toda a parte as comunidades católicas oprimidas, humilhadas, arruinadas e privadas de liberdade. Vejo muitas igrejas fechadas. Vejo grandes misérias se produzirem em todos os lugares. Vejo guerras e sangue derramado.

“Tive a visão de uma imensa batalha. Toda a planície estava coberta por uma espessa fumaça.  Vinhas estavam cheias de soldados, de onde atiravam continuamente. Era um lugar baixo; viam-se grandes cidades ao longe.  Vi São Miguel descer com numerosa tropa de anjos e separar os combatentes. Mas isso só acontecerá quando tudo estiver perdido.  Um chefe invocará São Miguel e então a vitória descerá”.

“Vi São Miguel pairando sobre a igreja de São Pedro, brilhante de luz, usando uma vestimenta vermelho-sangue e segurando na mão um grande estandarte de guerra. Verdes e azuis combatiam contra os brancos, que pareciam sofrer a derrota. Todos ignoravam porque combatiam. Entretanto, o anjo desceu, foi aos brancos e eu o vi várias vezes à frente de todas as suas coortes. Então eles ficaram animados de uma coragem maravilhosa, sem que soubessem de onde isso lhes vinha.  O anjo multiplicava seus golpes entre os inimigos, as tropas inimigas passavam para o lado dos brancos, outros fugiam para todos os lados”.

 

Sobre a demolição da Igreja a Bem-Aventurada teve diversas visões, chegando ao ponto de vê-La a tal ponto destruída que só restava de pé o Santíssimo Sacramento.  Nisto ela viu um homem que defendia a Igreja:

 

“Eu estava acabrunhada de tristeza e me perguntava onde estava aquele homem que eu tinha visto outrora permanecer sobre a Igreja para defendê-la, usando uma vestimenta vermelha e segurando uma bandeira branca”. 

 

Se ela não via neste momento o homem que “outrora” defendia a Igreja é porque este já havia entrado na glória, pois em seguida é Nossa Senhora em pessoa que luta pela igreja:

 

“Então vi uma mulher cheia de majestade avançar pela grande praça que fica diante da igreja. Ela tinha seu amplo manto erguido sobre os dois braços, e ela se levantou suavemente no ar. Ela se postou sobre a cúpula e estendeu sobre a Igreja, em toda a sua extensão, o manto que parecia faiscar de ouro”.  “Os demônios acabavam de tomar um instante de repouso; mas quando quiseram voltar ao trabalho foi-lhes absolutamente impossível aproximar-se do espaço coberto pelo manto virginal”. 

 

Os anjos bons agora ocupavam tais espaços, preparando o ambiente para a vinda do Reino de Maria.

É chegado a hora em que, após o Varão da Destra de Nossa Senhora ter subido aos céus[2], com o seu holocausto  como que “comprou” de Deus um mais poderoso auxílio angélico para os bons que combatiam:

Na descrição a seguir há uma referência a um movimento dentro da Igreja para a restauração de tudo:

 

“Vieram homens muito velhos, impotentes, esquecidos, depois muitos jovens fortes e vigorosos, mulheres e crianças, eclesiásticos e seculares; e o edifício foi logo inteiramente restaurado”. 

 

Depois de tudo isso, o Reino de Maria:

 

“Vi tudo se renovar e uma igreja que se erguia até o céu”. Em outra visão: “Vi uma imagem desse tempo distante que não posso descrever. Mas vi sobre a terra a noite se retirar e a luz e o amor retomarem uma nova vida. Tive nessa ocasião visões de toda espécie sobre o renascimento das Ordens religiosas. O tempo do Anticristo não está tão próximo como alguns crêem. Haverá ainda precursores, e vi em duas cidades doutores de escola dos quais poderiam sair esses precursores”.[3]

 


[1] Vidente alemã nascida em 8 de setembro de 1774 e falecida a 09 de fevereiro de 1824

[2] Refiro-me ao Grande Monarca, do qual fala mais detalhadamente o Beato Palau em suas revelações .

[3] Os textos da Beata foram extraídos da obra “La Conjuration Antichrétienne”, de Monsenhor Henri Delassus, publicada em 1910, no pontificado de São Pio X.