Mostrando postagens com marcador Minhas poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Minhas poesias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A GUERRA CONTRA A IMPUREZA

 



 

Ó tu que lutas contra a impureza

E sentes a dureza desta luta

Não te exasperes se és provado,

Se te parece infinita esta disputa

 

Pois quando chegares ao céu dirás:

Consegui na terra uma tal destreza

Que não consenti em nenhum pecado

Morrendo com o cetro da pureza!

 

Que mérito em dizer: nada lutei?

Ou que, pequena foi tua provação?

Outros te dirão: muito trabalhei!

E tua glória, pequena – que decepção!

 

Ouças o que lá te dirá Anchieta:

"Vivi cinquenta anos entre selvagens

Com vistas baixas para não pecar

Nas nuas pagãs daquelas paragens

 

Lutei sem tréguas contra a impureza

Sem haver consentido em nenhum pecado

Imerso num babilônico incêndio

Dele saí sem ser sequer chamuscado".

 

Milhões de virgens castas te dirão

Que os sentidos, escravos fizeram,

Foi de tanto lutar que venceram

Foi este o amor a Deus que ofereceram

 

Luta, pois, meu jovem, não esmoreces

Vês que se vives imerso neste ar

impuro que se respira nesta era

Roga à Virgem para perseverar.

 

Nunca te incomodes se a prova é longa

Pois se é intermitente, tão audaciosa

A tentação que te quer envolver

Terás uma vitória mais gloriosa

 

E assim para manter-se sempre puro

Fuja da impertinente tentação:

Só olhá-la como se fosse escuro

-Tenha nojo dela, cuspa no chão!

 

Mas se teu olhar estiver vagando

E a figura lhe causar aflição

Mesmo estando na rua caminhando

Olha bem para a palma de tua mão

 

Nela verás o “M” de Maria

Feita por Deus, deu nossa salvação

Dos Santos e dos Anjos a alegria

Refúgio certo contra a tentação


Jovem, conserva casto teu olhar

Pra que tua alma seja também pura

Em seu coração Deus venha morar

Por encontrar nele tanta candura


 

Foge já das obscenas e imorais

Figuras que andam mal vestidas

E dos lugares onde vicejam mais

Ares impuros que as fazem perdidas

 

Onde muita gente, muito pecado

Procura, pois, fugir da multidão

Já que teu olho tudo reflete

E nada deixará sem reflexão

 

E se tua natureza não se acalma

Mas queres permanecer fiel a Deus

Lute contra a impureza em tua alma

Combate sem trégua os vícios teus!


(Cordeis de minha autoria)

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

DESNUDANDO O IGUALITARISMO EM CORDÉIS

 




 

                                     Uma vez um cientista pegou
Três gotas para examinar:
Deveria procurar descobrir
O que elas iam representar
 
A primeira a ser analisada
Era branca e luminosa
Tão simples e tão pura
Que brilhava radiosa
 
Passou para a segunda
Onde lhe pareceu brilho igual
Olhou logo a terceira
E nada viu de anormal
 
Pesquisando nas três gotas
Pensou alto, com seus botões:
- Parecem todas iguais
Nelas não há distinções
 
A terceira retrucou:
- "iguais coisa nenhuma
Pois sou uma lágrima
Que supera qualquer uma"
 
A segunda gota, então,
Ao ouvir o que esta dizia
Virou-se para a lágrima
E respondeu com ufania:
 
"Realmente não somos iguais
Pois sou uma gota de suor
E das outras gotas ademais
Sou eu mesma a melhor"
 
A gota de lágrima respondeu:
"Que há de melhor no suor?
Sua única vantagem é
Fácil de sair em seu senhor"
 
Para parar a discussão
Veio à fala o cientista:
"Descubro já se há diferença
Num só golpe de vista":
 
"Vejo nesta gota de suor
Muito sal e coisa orgânica
Que tem também na lágrima
De origem anatômica"
 
É bem verdade - diz a lágrima
Que trazemos do corpo humano
Substâncias que lá encontramos
Mas que somos iguais, é engano!
 
Se o suor vem do esforço
Eu nasci do sofrimento
E assim nossa diferença
Vem desde o nascimento
 
A primeira gota - água pura
Precipitou-se com afobamento:
"Lá vem você com elitismo
Com nobreza de nascimento!"
 
"Nascemos todas iguais
Frutos da mesma formação
O cientista aí bem já viu
Nossa orgânica composição "
 
"Ah, isso não é verdade -
Responde a gota de suor,
Pois você é água pura,
Nem cheira e nem tem cor"
 
 
Volta a falar o cientista
Para acabar a discussão
E explica para as três gotas
O que deduziu com exatidão:
 
"Na realidade eu descobri
Nas três uma só igualdade:
É que todas são de água
E brilham com intensidade
 
Mas logo a desigualdade
Se apresenta num só momento
Tanto no suor do esforço
Quanto na lágrima do sofrimento"
 
A gota d'água responde:
"É, mas as outras são iguais
Pois carregam consigo
Substâncias materiais"
 
- "Mesmo assim tais substâncias
Nada têm de igualdade
Pois a que vem do esforço
É inferior à da dor de verdade
 
A lágrima se torna assim
Superior por nascimento:
Ela vem da angústia, da dor,
É filha do sofrimento"
 
- "O cientista sabe - diz a água,
De que foi criado o mundo
Deus fez de simples gota d'água
Este Universo num segundo
 
Então, se há mérito no nascimento
Tenho mais, pois nasci primeiro
De mim surgiu todo o resto
Que compõe o mundo inteiro"
 
- "Se isto for mérito maior
O nascer primeiro tem mais valia
Então vale mais do que a água
O nada que lhe precedia
 
 
 
Pois, como reza a Tradição
Que no Catecismo é ensinada
Deus fez todo o mundo material
De nenhuma substância, do nada!"
 
O esforço vale pelo que faz
A dor pelo que se sente
Do que vem de dentro da alma
Do que se passa interiormente
 
Quando a dor é profunda
E atinge  o centro do coração
Ela compunge tanto nossa alma
Que produz a lacrimação
 
Por isto na hierarquia das gotas
A lágrima tem destaque especial
Ela é superior a qualquer oceano
E faz-se ser mui desigual
 
Pois ela vem do coração
Até chegar ao saco lacrimal
É filha da nobreza da dor
De importância sem igual
 
No calor da discussão
Chega ali outra pessoa
Gotejando sangue na mão
Dá um grito que reboa:
 
 
"Nenhuma gota é superior
A estas que trago na mão!
Foram elas sublimadas
Pela Cruz na Redenção!"
 


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Primeira troca de corações sacrais

 



 

 

São Longinus chorava ao ser curado,

De arrependimento ou de frustração,

Dizia que sua forte lançada errou

Ao perfurar aquele Coração

 

Seu pranto era muito mais plangente

Porque ele, triste, não entendia

Encontrar-se no peito de Jesus

O Sagrado Coração de Maria!

 

Explicou-lhe bondosamente um Anjo

Pertencente ao Coro dos Guardiões:

Jesus Cristo e Sua santa Mãe Maria

Haviam trocado seus corações!

 

Em que momento havia isto ocorrido?

Perguntou aflito o centurião:

- Foi naquele triste encontro dos dois

A caminho de Sua Santa Paixão

 

A Santíssima Virgem Dolorosa

Nesse encontro teve a revelação:

De que Jesus, seu Filho tão querido

Teria traspassado o Coração!

 

Pediu Ela, então, silenciosamente

Que o seu fosse pro peito de Jesus

E que o d’Ele viesse pro peito d’Ela

Até concluir a morte na Cruz!

 

Não ficou, todavia, Jesus livre

De ter aquela dor tão lancinante

Pois, n’Ela, seu Coração foi ferido

Naquele peito ainda palpitante

 

Mesmo estando Jesus morto na Cruz

Sem sentir no corpo a dor da lançada:

Seu Coração no peito de Maria

Sofreu junto com a Imaculada!

 

Palpitava naquele Santo peito

O Sagrado Coração de Maria

Tão meigo e bom, tão doce, tão suave

E que tanta amargura ali sofria

 

Onde estava o Coração de Jesus?

Indagava, perplexo, preocupado:

Estava no peito da Virgem Mãe

Que amorosamente O havia guardado!

 

Foi assim a primeira troca mística

De dois corações apaixonados:

E quando Ela devolveu o do Filho

Eram dois os corações traspassados

 

Quem quiser fazer com Nossa Senhora

Uma troca entre seus dois corações

Verá receber em seu próprio peito

Um órgão com duas lacerações

 

Pois sendo impossível trocar os dois

Na mesma pessoa interessada

Terá recebido em seu pobre peito

Um com dois furos duma só lançada!

 

Também cumpriu-se o que disse Simeão

Desta maneira muito verdadeira:

Até pra ter o Coração partido

Maria foi de Cristo Medianeira

 


terça-feira, 27 de julho de 2021

O ALGO MAIS QUE DAMOS NESSA VIDA

 


- Quem ama mais:

Quem dá o que sobra ou o que falta?

Quem pede que se lhe dê ou quem se doa?

Quem pede ou quem dá sua vida?

Quem ama a Deus ou á sua pessoa?

 

- Quem é mais feliz:

Quem goza uma vida inútil

Ou quem é mártir por um ideal?

Quem só quer ganhar vantagens

Ou quem dar sua vida pelo próximo?

Quem só desfruta seus bens

Ou quem sofre suas carências?

 

- O que dói mais:

O talho no corpo

Ou o orgulho ferido?

O tapa no rosto

Ou o favor esquecido?

A faca no peito

Ou o amor traído?

 

- Quem vive mais:

O que passa dos 100 anos

Ou o que vive santa e intensamente?

Quem descansa, dorme e passeia

Ou que, esperto, tem toda vida cheia?

 


quinta-feira, 26 de março de 2020

EM BOA HORA EMPUNHOU A ESPADA







El Cid, o Campeador espanhol
Venturoso herói de tanta nomeada
Em sua época foi grande farol
Porque em boa hora empunhou a espada

Plínio, o Campeador brasileiro
Vencedor de toda luta encetada
Em nosso século o maior luzeiro
Porque em boa hora empunhou a espada

O gládio da palavra, do exemplo;
Que faz da Revolução, derrotada:
E nesta luta grandiosa contemplo
O que em boa hora empunhou a espada

A terra parecia um cemitério
Uma urbe já toda devastada:
Para acabar do demônio tal império
Plínio em boa hora empunhou a espada

A Igreja de Jesus, Nosso Senhor,
Que de Seu santo sangue foi brotada,
É defendida hoje com ardor
Por quem em boa hora empunhou a espada

E também nossa Civilização,
Que de Católica já foi chamada,
Tem garantida toda proteção
Por quem em boa hora empunhou a espada

Plínio, vencedor da Revolução;
Alma grandiosa e predestinada
- O Reino de Maria é sua intenção,
O que em boa hora empunhou a espada


(Pequena poesia em homenagem a Plinio Corrêa de Oliveira - Autor: Juraci Josino Cavalcante)

quarta-feira, 25 de março de 2020

A CASA DA BENQUERENÇA








Aqui chegamos cheios de nossas preocupações
Com nossas almas ainda carregadas de problemas:
Um oásis, alívio para nossas graves ocupações
E bom convívio que nos prende sem algemas

Um refrigério de descanso neste mundo tempestuoso
Que nos conforta, fortalece e nos dá alegria
Pois o encontro de nossas almas neste ambiente amistoso
De todos os grandes e graves problemas nos alivia

Não são as paredes, o teto, as portas, ou o portão de entrada
Que nos encantam e nos faz aqui sentir tanta amabilidade
Nem tampouco a mobília, toda a casa bem decorada
Que faz nossas almas sentir-se inundadas de felicidade

Que seria então? O que nos atrai para este convívio?
Trata-se das pessoas com quem nos encontramos
Com tais presenças sentimos nesta casa grande alívio
E de alma para alma, aqui prazerosamente nos deleitamos.

Esta casa é uma escola que tem o bem-querer a praticar
Onde todos se encontram cheios de Cristo, Nosso Senhor
Pois Ele aqui vive não somente no alto do Altar
Mas também no coração de cada frequentador

Bem querer é virtude com que possamos o próximo amar
Por amor a Deus e de todo o nosso coração
É desejar todo o Bem que possamos imaginar
Às pessoas com quem convivemos, especialmente o cristão

E para termos tanta benquerença e alegria
Em nosso pobre, inconstante e fraco coração
Devemos por intermédio do Coração de Maria,
Fazermos a Jesus nossa sincera consagração

Gostaria de neste momento alterar o nosso vernáculo
Por causa desta maravilhosa e sacral presença
E mudar o nome que foi dado ao Thabor 
Por um arranjado sinônimo: Casa da Benquerença!

 (Homenagem aos Arautos do Evangelho em forma de poesia - Autor ; Juraci Josino Cavalcante)

terça-feira, 24 de março de 2020

NATUREZA, BRAÇO E MÃO DE DEUS






Quando a natureza mata

Como terrível braço de Deus
Tanta fúria ela desata
Que fere todos os filhos seus.

Mas em tempos de bonança
Fértil, rica e opulenta
Ela só nos traz esperança
E a nós todos apascenta.

Se, quando nos castiga,
O braço de Deus representa
Quando nos enche de riquezas
É Sua mão que nos alimenta

Quando na rotina da vida
A natureza trabalha mansa
Nos enche sem medidas
De nos amparar não descansa.

Sua fertilidade exuberante
Nos diz do que Deus é capaz
Pois nos enriquece num instante
Traz-nos ordem, traz a paz.

Mas quando sua fúria crepita
E desaba sobre nós de repente
Todos os elementos ela agita:
- E se faz braço de Deus novamente!



(Juraci Josino Cavalcante)

O QUE FAZEM AS MÃOS?





Mãos

Foi com a mão que Deus
Traçando uma cruz no nada
Fendeu-o e, dele tirando o mundo,
Deixou toda Natureza criada

Por isso estamos sempre nesta vida
Nas mãos de Deus Nosso Senhor
Pois foi de Suas mãos sagradas
Que nasceu também o Redentor

Mãos que nos homens copia
Tantas belezas que serão eternas
Mãos que, postas em Maria,
Nos trazem mil súplicas ternas

Mãos, que nossos primeiros pais
Usaram pra comer o fruto proibido
E depois, com elas levantadas
Rogaram a Deus arrependidos

Pela primeira vez em Caim
As mãos assassinas se fizeram
Sendo também primeiras em Abel
Que louvores a Deus deram

Com elas Deus perdoa nossos pecados
Traçando uma cruz no Confessionário
O padre, representante de Deus
Livra-nos da culpa como Seu emissário

São as mãos que alimentam
Mas são elas que também matam
Que curam, que sustentam
Mas que ofendem, que desacatam

Foi com suas mãos que Moisés
Recebeu de Deus os Mandamentos
Mas também com elas os quebrou
Por causa dos maus elementos


Tem mãos que logo chegam
Aos lábios para serem osculadas
Mas há outras que logo partem
Para desferir rudes bofetadas

Outras que juntas logo se erguem
Para implorar preces a Deus
Mas logo d'Ele se esquecem
E ferem os mandamentos seus

As mesmas que erguem o recém-nascido
Que o amparam com bondade desvelada
Serão aquelas que no fim da vida
Levarão seu corpo pra última morada

Duas mãos sagradas superaram
Todas as outras em bondade
Foram as de Cristo Nosso Senhor
Pregadas na Cruz pela humanidade

Que fizeram elas por nós?
Curaram cegos, aleijados
Multiplicaram pães e peixes
Pra sustentar os necessitados

Que crimes fizeram? Que desonra
Pra merecer tamanho tormento:
Serem pregadas num rude madeiro
Com angustiante sofrimento?



(Juraci Josino Cavalcante)