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segunda-feira, 4 de julho de 2022

COMO OS PRIMEIROS CRISTÃOS ENFRENTAVAM OS FEITICEIROS

 


            


Feiticeiro ou mago? A expressão “mago” serve para definir os que praticam magias, encantos, ou, feitiçaria. São, portanto, feiticeiros. Mas, também é utilizada em outro sentido, como é comum chamar aos Santos Reis de “Magos”, mas, neste último caso, magos no sentido de sabedoria e especialistas nos estudos dos astros, da área de conhecimento e não na prática de magias. Nos casos que abordamos a seguir estamos nos referindo àqueles que praticam magias, que são os feiticeiros ou bruxos. Nos casos a seguir se iniciava a doutrinação cristã dos mesmos, mas, perante a pertinácia no erro não havia outra saída a não ser a maldição ou excomunhão (dados por São Pedro e São Paulo), com exceção do caso de Cipriano que se converteu e transformou-se num santo. 

“Simão Mago” nos Atos dos Apóstolos

Bruxos e feiticeiros eram muito influentes no paganismo antigo, e muitos deles se destacavam na população por causa de seus admiráveis poderes de magia. E muitos deles, por influência diabólica, tentavam combater o Cristianismo, conforme relatos antigos como dos Atos dos Apóstolos:

“Ora, vivia a tempo na cidade, um homem chamado Simão, o qual, praticando a magia, excitava a admiração do povo de Samaria e pretendia ser alguém importante. Todos, do menor ao maior, lhe davam atenção, dizendo: “Este  homem é o Poder de Deus, que se chama o Grande”

Davam-lhe atenção porque ele, por muito tempo, os fascinara com suas artes mágicas. Quando, porém, acreditaram em Felipe, que lhes anunciara a Boa Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres faziam-se batizar. O próprio Simão, também, acreditou. E, tendo recebido o batismo, estava constantemente com Felipe,  admirando-se ao observar os sinais e grandes atos de poder que se realizavam.

Os apóstolos que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo. Pois não tinha descido ainda sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a impor-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Quando Simão viu que o Espírito era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: “Dai também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos”. Pedro, porém, replicou: Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus!” Não terás parte nem herança neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade e ora ao Senhor, para que te possa ser perdoado este pensamento do teu coração, pois eu te vejo na amargura do fel e nos laços da iniqüidade”. Simão respondeu: “Rogai vós por mim ao Senhor, para que não me sobrevenha nada do que acabaste de dizer”  (At 8, 9-24).

Impor as mãos para que se recebesse o Espírito Santo significava no início do Cristianismo a concessão da Ordem Sacerdotal, não era dado aos simples batizados mas àqueles que comprovassem possuir missão especial para propagar a doutrina cristã.

Foi a partir deste episódio que ficou conhecido o pecado de “simonia”  na Igreja, que define o erro dos clérigos que recebem dinheiro para exercer suas funções sacerdotais.  No entanto, nos Atos dos Apóstolos não há nenhuma referência aos fatos futuros que falam da triste morte do “Mago Simão”, narrado segundo a tradição e crônicas antigas. Em tais crônicas constam que o mago quis dar uma demonstração de poder ao voar, mas São Pedro o fez despencar do céu no solo e morrer em seguida coma uma simples maldição papal seguida do sinal da cruz. Foi assim feito um exorcismo diferente da fórmula clássica, ocasionando a expulsão e perca dos poderes demoníacos sobre as pessoas.

 

Lenda da Morte de “Simão Mago”, fato não relatado nos Atos dos
Apóstolos segundo a Crônica de Nuremberg[1]

Segundo a lenda, Simão viajou para Roma, onde impressionou as pessoas com sua habilidade ocultista, e depois para o Egito, onde supostamente aprendeu magia como invisibilidade, levitação e mudança de forma em um animal. Dizem que ele criou um homem a partir do nada e se vangloriava de ser parte da Santíssima Trindade.

Em Roma novamente, Simão impressionou Nero e foi nomeado mago da corte.

Então, no dia em que ele se estabeleceu, subiu a uma torre alta que estava no Capitólio, e lá foi coroada de louros. Depois chamou seus deuses, que eram demônios, e começou a voar no ar.

Então disse São Paulo a São Pedro: "Cabe a mim orar, e a ti comandar."

Então disse Nero: "Este homem é muito Deus, e vocês são dois traidores."

Então disse São Pedro a São Paulo: "Paulo, meu irmão, levanta a cabeça e vê como Simão voa."

Então São Paulo disse a São Pedro quando viu Simão, o Mago, erguendo-se bem alto no ar: "Pedro, por que te demoras porque Deus agora nos chama a agir?"

Então disse Pedro: "Conjuro e conjuro a vocês anjos de Satanás, que carregam Simão, o mago, no ar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que não o suportem mais, mas o deixem cair por terra".

E logo o deixaram cair no chão. Com grande velocidade ele desceu e quebrou o pescoço e a cabeça, e morreu ali imediatamente.

E quando Nero soube que Simão estava morto e que ele havia perdido um homem assim, ficou triste e disse aos apóstolos: "Vocês fizeram isso com desprezo por mim, e por isso eu os destruirei". E então o enfurecido Nero prendeu Pedro e Paulo e os jogou na prisão mamertina antes de sua execução

São Paulo e o Mago Elimas

No entanto, quando São Paulo teve que enfrentar o poder de um mago, o fato foi literalmente narrado nos Atos dos Apóstolos:

“Enviados, pois, pelo Espírito Santo, eles desceram até Selèucia, de onde navegaram para Chipre. Chegados a Salaminas, puseram-se a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar.

Tendo atravessado toda a ilhar até Pafos, aí encontraram um mago, falso profeta, que era judeu e se chamava Bar-Jesus. Ele estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente, o qual mandara chamar Barnabé e Saulo, desejoso de ouvir a palavra de Deus. Elimas, porém, o mago- assim se traduz o seu nome – começou a opor-se a eles, procurando afastar o procônsul da fé. Então, Saulo, que também se chamava Paulo, repleto do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse: “Homem cheio de toda falsidade e de toda malícia, filho do diabo e inimigo de toda justiça, não cessarás de perverter os caminhos do Senhor, que são retos? Pois agora a mão do Senhor está sobre ti: ficarás cego,e por um tempo não verás mais o sol!”  No mesmo instante, escuridão e trevas caíram sobre ele, de tal sorte que, andando à roda, procurava a quem o levasse pela mão. Então, vendo o que aconteceu, o procônsul abraçou a fé, maravilhado com a doutrina do Senhor”  (At 13, 4-13).

Outro exemplo de ação exorcística por intermédio de uma simples maldição.

Perseverança na castidade converte até um bruxo e o faz santo

A virgem Justina (Santa Justina de Pádua, Mártir, festejada a 26 de setembro), natural de Antioquia e filha de um sacerdote pagão, todos os dias, postada numa janela, ouvia a leitura do Evangelho que o diácono, São Proclo, fazia. Convertida e batizada, logo os pais de Justina souberam que tornara-se cristã. Quando dormiam, apareceu-lhes Jesus Cristo rodeado de anjos e dizendo: "Vinde a mim e lhes darei o reino dos céus". Logo ao amanhecer, os dois esposos foram pedir o batismo e também se tornaram cristãos.

Havia na cidade um tal de Cipriano que praticava a bruxaria desde sua infância. Quando tinha apenas sete anos de idade seus pais o haviam consagrado a Satanás. Por causa disso, e havendo se dedicado com afinco à bruxaria, detinha grande poder diabólico.  Era tão hábil em suas mágicas e bruxedos que conseguia realizar coisas extraordinárias, como transformar pessoas em animais.

O bruxo Cipriano e um companheiro seu chamado Acladio apaixonaram-se perdidamente por Justina. Cipriano recorreu a diversos artifícios de bruxaria para ver se a donzela aceitava ter relações torpes com ele, ou ao menos com seu companheiro Acladio, mas em vão. Acladio, desesperado, resolveu chamar o próprio demônio para ajudar a cumprir seus desígnios. Convenceu o bruxo Cipriano a pedir ajuda a Satanás. Usando de seus recursos mefistofélicos, Cipriano conseguiu fazer com que o demônio aparecesse. Perguntado o que queria, disse que estava apaixonado por uma donzela que praticava a religião dos galileus e perguntou se o demônio não poderia fazer com que ela concordasse em saciar sua concupiscência.

O demônio respondeu:

- Claro que sim! Se pude expulsar o homem do Paraíso e fazer com que Caim matasse seu irmão Abel, e que os judeus crucificassem a Jesus Cristo e que as pessoas andem revoltadas, como não poderei obter que uma simples donzela caia em teus braços e possas fazer o que quiser com ela? Toma este ungüento, espalha-o pelo chão da rua em frente à sua casa; logo passarei por ali, inflamarei o coração da jovem de amor por ti e a inquietarei de tal modo que ela mesma te buscará e se lançará em teus braços.

A partir do momento em que Cipriano fez o que Satanás ordenara, Justina começou a sentir em seu interior desejos ilícitos. Porém ao sentir a tentação se recomendou ao Senhor e traçou o sinal da Cruz em todo os sentidos de seu corpo. O diabo, ao ver que a jovem se persignava fugiu rapidamente dali cheio de terror e apareceu perante Cipriano, o qual lhe interroga:

- Como?  Não vens trazendo contigo Justina?

Ao que o diabo respondeu:

- Tentei trazê-la, porém quando o estava conseguindo ela fez sobre seu corpo um sinal e eu me fiquei de repente sem força e tremendo de medo.

Cipriano, irritado, despediu aquele demônio e invocou ansiosamente a ajuda de outro que fosse mais poderoso que o que acabava de despedir. Apresentou-se outro ante ele e lhe disse:

- Já sei do que se trata. Ouvi o encargo que fizeste a meu companheiro e vi que não foi capaz de realizar sua missão. Porém não te preocupes; eu farei o que ele não fez e conseguirei que se cumpram seus desejos. Me apresentarei ante a jovem e desencadearei em seu coração uma paixão tão violenta que ela se entregará a ti e tu desfrutará dela quanto queiras.

Este segundo diabo aproximou-se de Justina e tratou de acender em seu corpo o fogo da concupiscência e de despertar em sua alma amores impuros; porém Justina novamente se encomendou ao Senhor, persignou-se, rechaçou a tentação, soprou sobre o espírito do mal, e este, da mesma forma que o outro, fugiu dali confuso e envergonhado; e, como seu companheiro, apresentou-se a Cipriano, que lhe perguntou:

- Onde está a donzela que prometeste trazer-me?

- Reconheço, respondeu o demônio, que fui vencido, e até medo me dá dizer-te como me venceu: traçou sobre seu corpo um sinal terrível e quando fez isso me deixou sem forças.,

Cipriano, mofando do segundo diabo, o despediu, e em seguida chamou ao próprio chefe dos demônios, que logo atendeu a seu chamado. Ao vê-lo, Cipriano lhe disse:

- Como é que tua gente é tão pusilânime e covarde que se deixa vencer por uma jovenzinha?

O recém chegado lhe respondeu:

- Deixa este assunto por minha conta. Eu irei pessoalmente resolvê-lo. Me apresentarei ante ela, a atormentarei com altíssimas febres, provocarei em seu ânimo uma violentíssima paixão, acenderei em seu corpo um ardente fogo de irreprimíveis desejos, a farei ver visões lúbricas, conseguirei que se excite freneticamente e à meia-noite  te a trarei até aqui.

Logo em seguida o príncipe dos demônios começou a executar seu plano. Adotou a aparência de uma donzela, apareceu perante Justina e lhe disse:

- Venho ver-te porque quero que me ajudes a viver em perfeita castidade. Sinto vivíssimos desejos de praticar fidelissimamente esta virtude, porém às vezes me assaltam dúvidas deste teor: em troca do muito que é preciso lutar para conservar a pureza que recompensa receberemos?

Justina declarou:

- Não são tão grandes estas lutas; eu não vejo que custe tanto conservar a virgindade;  por outro lado, estou segura de que o prêmio que receberemos por isto será muito valioso.

- A mim me preocupa muito - continuou o demônio - esse mandamento divino que diz: "Crescei e multiplicai e enchei a terra", e a miúdo penso, minha boa amiga, que nós, ao apegarmo-nos ao propósito de viver virginalmente, estamos desprezando este preceito, obrando contra a vontade de Deus, desobedecendo a Ele e enganando-nos a nós mesmas. Às vezes me assalta o temor de que quando chegue a hora do Juízo vamos nos encontrar com a terrível surpresa de que, em lugar dos prêmios em que confiamos, receberemos o castigo da eterna condenação por haver negligenciado um mandamento divino tão claro.

Estas considerações turbaram a paz interior de Justina. A jovem, atormentada pelo demônio, começou a sentir maus pensamentos e torpes desejos cada vez mais fortes e mais desonestos, até o ponto de que em determinado momento esteve prestes a abandonar seus propósitos de castidade;  porém naquele crítico instante caiu em si de que estava sendo tentada pelo espírito maligno, persignou-se, soprou sobre a visitante e ficou atônita ao ver que a que parecia virtuosa donzela se derretia repentinamente como se fosse de cera, e que ela, livre já de maus pensamentos e de desejos impuros, recobrava plenamente a paz interior e o sossego de seu corpo e de sua alma.

Mas, em poucos instantes, o mesmo demônio apareceu-lhe novamente, desta vez em forma de um formosíssimo mancebo que se aproximava de seu leito, se lançava sobre ela e tentava abraçá-la. Justina recorreu a seu poderoso remédio, persignou-se novamente e, enquanto o fez, o jovem galhardo, como se fosse de cera, derreteu-se da mesma forma que a antes fingida amiga. Mesmo com este segundo fracasso, Satanás ainda não se rendeu. Deus permitiu-o seguir tentando a donzela, que o fez desta forma: o espírito maligno desencadeou uma terrível epidemia na cidade de Antioquia. Justina caiu enferma com altíssima febre. A peste propagou-se pela comarca e causou a morte de muitas pessoas e de infinidade de animais domésticos. A região ficou quase sem ovelhas e sem vacas. Os demônios fizeram correr a voz entre a gente de que, se Justina não se casasse, viriam sobre a cidade e o país outras calamidades maiores. Os moradores de Antioquia, sobretudo os doentes, começaram a acudir em massa à porta da casa dos pais de Justina e pedir a eles, aos gritos, que casassem sua filha o quanto antes e livrassem as pessoas dos grandes males que estavam padecendo.

Justina suportou com firmeza a pressão a que estava submetida, e se negou a aceitar o que se lhe propunham. Em vista de sua negativa, o povo, sublevado e irritado, apinhava-se em frente de sua casa proferindo constantemente ameaças de morte contra ela.

Sete anos durou a peste. Ao final, um dia Justina rezou fervorosamente por seus perseguidores e obteve do Senhor a graça de que a epidemia terminasse. Porém não terminou a obstinação de Satanás, o qual, irritado ao comprovar que não avançava nem um só passo no que se havia proposto, elaborou um novo plano: foi até Cipriano e com manifesta jactância lhe assegurou que logo teria ante ele a donzela rendida de amor. Depois disto, tanto para manchar o bom nome de Justina quanto para enganar ao libidinoso enamorado, assumiu a aparência da jovem e, disfarçado de modo que parecia ser exatamente ela, apareceu na casa de Cipriano e qual sem languidez de paixão arrojou-se em seus braços e deu-lhe a tender que queria beijá-lo. Cipriano, acreditando que era efetivamente sua amada quem lhe abraçava tão ternamente, louco de alegria exclamou:

-  Oh, Justina, a mais formosa das mulheres! Bem-vinda sejas a esta casa!

Porém, tão logo Cipriano pronunciou a palavra "Justina", o diabo, incapaz de resistir à virtude que emanava da mera articulação daquele nome, repentinamente perdeu a aparência que havia assumido e desapareceu, deixando em seu lugar uma espessa nuvem de fumo. Com isto Cipriano caiu na conta de que havia sido objeto de uma burla enganosa por parte de Satanás; sua alegria se converteu em tristeza e caiu num estado de profunda melancolia;  porém a melancolia por sua vez reavivou ainda mais as chamas do amor que sentia por Justina, e, para ver se podia lograr seus desejos de desfrutar de sua amada, decidiu vigiar constantemente a casa em que ela vivia; e como era exímio em feitiçaria, recorrendo a suas artes mágicas conseguiu adotar diferentes aparências, umas vezes de mulher, outras de ave, e sob estas e outras formas permaneceu perto da jovem, constantemente, porém a certa distância, porque, tão logo tentava se aproximar suas artimanhas falhavam e recobrava seu verdadeiro aspecto de Cipriano.

Acladio, seu amigo, se uniu a ele nestas tarefas de vigilância permanente; com tal efeito, mediante artes diabólicas, se converteu em pássaro e andava continuamente sobrevoando em volta da casa da virtuosa jovem. Em certa ocasião, o falso pássaro pousou na janela da casa de Justina. No entanto, tão logo ela olhou para o pássaro, este perdeu sua forma de ave e voltou à de Acladio, o qual, ao ver-se em seu verdadeiro ser, começou a tremer de medo e de angústia porque não podia fugir dali voando, nem sem perigo de cair ao solo e morrer.

Justina, ao notar a comprometida situação em que Acladio se encontrava e temendo que de um momento a outro pudesse cair e estatelar-se contra o pavimento da rua, acudiu em seu socorro: mandou colocar uma escada por fora a fim de que pudesse descer seguramente. Estando o mesmo a salvo, fez-lhe ver que largasse semelhantes loucuras e que, se voltasse a cometer alguma impertinência, o denunciaria às autoridades e exigiria que de acordo com as leis fosse castigado pelo delito de praticar a magia.

Satanás, no final, convenceu-se de que jamais conseguiria o que se propunha e de que quanto tentasse neste sentido estava condenado ao fracasso; por isso, confuso e envergonhado, se apresentou na casa de Cipriano. Este, logo ao vê-lo, lhe dirigiu a palavra:

- Olhando o semblante que trazes acredito adivinhar que te dás por vencido. Tu e todos os de tua corja sois uns desgraçados. A que vem tanto alardear de força se logo resulta que não podeis nada contra uma menina que inclusive os vence com suma facilidade e os deixa miseravelmente humilhados?  De todos os modos quero que me digas uma coisa: de onde tira esta jovem a enorme fortaleza que demonstra ter?

O demônio lhe respondeu:

- Se me juras que nunca nem por nada te apartarás de mim, responderei a tua pergunta e te descobrirei de onde provêm sua valentia e as vitórias que sobre nós tem conseguido.

- Por quem ou por quais coisas queres que eu te jure? - diz Cipriano.

- Por meus poderes. Jura por meus poderes que jamais te separarás de mim.

- Por teus extraordinários poderes prometo com juramento que nunca me separarei de ti.

Então o diabo, fiando na promessa que seu aliado acabava de fazer, diz:

- Esta jovem, quando me apresentei perante ela, fez o sinal da Cruz, e, tão logo traçou sobre seu corpo esse sinal, eu fiquei sem forças, como se estivesse acorrentado, e naquele mesmo momento me derreti como se derrete a cera diante do fogo.

- Significa isso acaso que o Crucificado é mais poderoso que tu?

- Por suposto que sim. Ele é o maior que existe no universo; tão grande e poderoso que em virtude de seu infinito poder nos mantém aos demônios em estado de perpétua condenação e lança ao fogo eterno que nós padecemos a quantos conseguimos enganar com nossas trapaças.

- Do que acabas de dizer se segue que, se eu não quero incorrer nesses horríveis tormentos, devo fazer-me amigo do Crucificado.

- Não  esqueças que há pouco juraste que por meus extraordinários poderes jamais te separarás de mim, e  não esqueças que uma coisa assim não se jura em vão.

- Sabes o que te digo? Que me rio desse juramento e me rio de ti, e me rio de teus poderes, porque esses poderes que tu chamas extraordinários, não são mais que fumo. Escuta o que segue: renuncio a ti, e renuncio a todos os diabos, teus companheiros, e em prova disto agora mesmo vou fazer eu também sobre meu corpo o sinal da Cruz.

Em seguida, Cipriano persignou-se e, enquanto o fazia, Satanás, confuso e aterrado, fugiu precipitadamente.

Depois disto Cipriano foi ver o bispo. Este, ao vê-lo entrar, pensou que vinha seduzir com suas artes mágicas aos cristãos e, antes que o visitante pronunciasse uma só palavra, disse:

- Cipriano, contenta-te em enganar aos infiéis e deixa em paz aos nossos. Ademais, advirto-te que quanto trates de fazer contra a Igreja de Deus será completamente inútil, porque o poder de Cristo é invencível.

- Por suposto que o poder de Cristo é invencível; disso tenho provas.

Dizendo isto contou ao bispo tudo o que acabara de lhe ocorrer. Terminada sua narração pediu o batismo. E a partir de sua conversão fez tais progressos nas virtudes e ciências que, anos depois, tornou-se também bispo. Nos primeiros dias de seu episcopado instalou a virgem Justina num mosteiro com várias outras donzelas, nomeando-a abadessa da comunidade.

São Cipriano abjurou a bruxaria e tornou-se não só um grande animador dos mártires, mas um deles, pois morreu decapitado em defesa da Fé. [2]

 



[1] Crônicas de Nuremberg foi publicada em 12 de julho de 1493. Trata-se de uma enciclopédia ilustrada composta de relatos da história mundial, contados através da paráfrase de passagens bíblicas. Os assuntos incluem a história humana em relação à Bíblia, criaturas mitológicas ilustradas e as histórias de importantes cidades cristãs e seculares da Idade Média. 

[2]Relato extraído da “La Leyenda Dorada" – Edição española, Alianza Forma - vol. 2 - págs. 611/614


domingo, 16 de janeiro de 2022

A Esperança e a Confiança nas Sagradas Escrituras

 




Várias são as passagens nas Sagradas Escrituras que falam da Esperança e da Confiança:

 “Onde está, pois, a minha esperança, e quem considera a minha paciência? (Job 17,15)

Dir-se-ia que satanás conseguiria tirar-lhe a virtude que o faria perseverar até o fim: a esperança. Onde estaria naquelas alturas a esperança de Jó? Esperaria ele o quê perante tanta aflição sem amparo de qualquer natureza? E claro que a resposta está em Deus...

Na maior parte de seus sofrimentos e clamor o Patriarca viu prefigurado nele a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, como esta passagem em que lamentava o estado de completo abando em que se encontrava:

“Clamo por ti, e não me ouves, ponho-me diante de ti, e não olhas para mim”

“Trocaste-te em severo para comigo, e com a dureza da tua mão me combates”

“Elevaste-me, puseste-me sobre o vento, arrojaste-me com violência.

“Sei que me entregarás à morte, onde há casa estabelecida para todo o vivente.” (Job 30, 20-23)

“Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu” (Job 19, 21).

“E, assim como os reis (ou poderosos) insultavam o bem-aventurado Jó assim os parentes e amigos de Tobias escarneciam do seu modo de vida, dizendo: Onde está a tua esperança, pela qual davas esmolas e sepultava os mortos? Mas Tobias os repreendia, dizendo: Não faleis assim; porque nós somos filhos dos santos e esperamos aquela vida que Deus há de dar aos que nunca afastam dele a sua fé” (Tob 2, 15-

Morto o ímpio, desaparece toda a esperança; e a expectativa dos maus perecerá (Prov 11, 7).

Confia em Deus, e ele te protegerá; endireita o teu caminho e espera nele; conserva o teu temor e envelhece nele (Eclesiástico 2, 6).

Vós, os que temeis o Senhor, esperai a sua misericórdia, e não vos desvieis dele, para que não suceda cairdes (Eclesiástico 2, 7).

Vós, os que temeis o Senhor, esperai nele, e para vossa consolação virá sobre vós a sua misericórdia. (Eclesiástico 2, 9).

Considerai, filhos, as gerações humanas, e sabeis que ninguém que esperou no Senhor foi confundido (Eclesiástico 2, 11).

 

SALMOS DE DAVI SOBRE A CONFIANÇA

Salmo 3 – Do Senhor nos vem a salvação

Senhor, por que são tão numerosos os que me perseguem? Muitos se levantam contra mim.

Muitos dizem à minha alma: Não há salvação para ela no seu Deus.

Vós, porém, Senhor, sois o meu protetor, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

Com a minha voz clamei ao Senhor, e Ele ouviu-me de seu santo monte.

Adormeci, e estive sepultado no sono; levantei-me, porque o Senhor me amparou.

Não temerei esse povo inumerável que me cerca. Levanta-te, Senhor, salvai-me, Deus meu!

Porque Vós tendes ferido todos os que me perseguem sem causa; quebraste os dentes dos pecadores.

Do Senhor nos vem a salvação, e sobre o seu povo, a tua bênção.

  

Salmo 4 – Alegria na confiança em Deus

Quando eu invoquei, ouviu-me o Deus de minha justiça. Na angústia me puseste ao largo. Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.

Filhos dos homens[1], até quando sereis de coração pesado? Por que amais a verdade e buscais a mentira?

Sabei que o Senhor fez maravilhoso o seu santo; o Senhor me ouvirá, quando eu clamar a Ele.

Irai-vos, e não queirais pecar; do que pensais nos vossos corações , compungi-vos no retiro dos vossos leitos.

Oferecei sacrifícios de justiça, e esperai no Senhor. Muitos dizem: Quem nos fará ver os bens?

Gravada está, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto; infundiste alegria no meu coração.

Eles estão bem abastecidos e alegres com a abundância de seu trigo, vinho e azeite.

Mas eu dormi em paz e descansarei, porque Vós, Senhor, de maneira singular me firmaste na Esperança.

 Salmo 10 – Perfeita confiança em Deus

No Senhor confio, por que dizeis à minha alma: Foge para o monte como a ave?

Eis os pecadores retesam o arco, preparam as suas setas na aljava, para as dispararem na obscuridade contra os que são de coração reto.

Porque destruíram o que fizeste de bom; mas o justo o que é que fez?

O Senhor habita no seu santo templo, o trono do Senhor está no céu,[2]

Os seus olhos voltam para o pobre; as suas pálpebras examinam os filhos dos homens.

O Senhor sonda o justo e o ímpio; mas aquele que ama a iniqüidade, a sua alma odeia.

Fará chover laços sobre os pecadores; o fogo, o enxofre e as tempestades são a parte que lhes toca.

Porque o Senhor é justo e ama a justiça; o seu rosto olha para a equidade.

 Salmo 11: Confiança, mesmo perante a perversidade geral

Salva-me, Senhor, porque não se encontra um homem de bem, porque as verdades (já) não são apreciadas entre os homens.

Cada um somente diz mentiras ao seu próximo; fala com os lábios dolosos, com coração dúplice.

Destrua, ó Senhor, todos os lábios dolosos, e a língua que fala com arrogância.

Eles disseram: Faremos grandes coisas com a nossa língua, somos donos dos nossos lábios, quem é o nosso senhor?

Em atenção à miséria dos desvalidos, e ao gemido dos pobres, agora me levantarei, diz o Senhor. Eu os porei em salvo, nisto procederei confiadamente.

As palavras do Senhor, palavras sinceras, são prata purificada no fogo, acendrada no crisol, refinada sete vezes.

Vós, Senhor, nos guardarás, e nos preservarás pára sempre desta geração.

Os ímpios andam ao redor de nós; segundo o vosso altíssimos desígnio, multiplicaste os filhos dos homens.

 Salmo 26: Confiança em Deus

(Salmo de Davi, antes de ser ungido)

O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o defensor da minha vida, diante de quem temerei?[3]

Enquanto se aproximam de mim os malvados, para devorar as minhas carnes, estes inimigos que me angustiam, eles mesmo se debilitaram e caíram.

Ainda que acampem exércitos contra mim, o meu coração não temerá. Ainda que se levante batalha contra mim, mesmo então esperarei.

Uma só coisa pedi ao Senhor, esta solicitarei, é que habite eu na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para ver as delícias do Senhor, e visitar o seu templo.

Pois me escondeu no seu tabernáculo; no dia da aflição me protegeu no segredo do seu tabernáculo.

Sobre uma pedra me exaltou; e agora exaltou a minha cabeça sobre os meus inimigos. Dei voltas (ao altar), e sacrifiquei no seu tabernáculo uma hóstia com clamores de júbilo; cantarei e entoarei um hino ao Senhor.

Ouve, Senhor, a minha voz com que clamei a ti, tem compaixão de mim e ouve-me.

Meu coração Vos falou, os meus olhos Vos buscaram; hei de buscar o vosso rosto, Senhor.

Não apartes de mim a vossa face; não vos retire do vosso servo na vossa ira. Sede a minha ajuda; não me deixes, nem me desprezes, ó Deus, meu Salvador.

Porque meu pai e minha mãe abandonaram-me; mas o Senhor me recolheu.

Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita, por causa dos meus inimigos.

Não me entregues à mercê daqueles que me atribulam, porque se levantaram contra mim testemunhas falsas, mas a iniqüidade mentiu contra si mesma.

Espero que verei os bens do Senhor na terra dos viventes.

Espera o Senhor, sê forte; cubra ânimo e espera no Senhor.[4]

Salmo 45: Confiança do Corpo Místico de Cristo, a Sua Igreja

Deus é nosso refúgio e nossa força; nosso auxílio nas tribulações que nos cercavam de todas as partes.

Por isso, não temeremos, ainda que a terra seja abalada, e sejam transladados os montes para o meio do mar.

Bramaram e turbaram-se suas águas; estremeceram os montes pela sua fortaleza.

Um rio caudaloso alegra a cidade de Deus; o Altíssimo santificou seu tabernáculo.

Deus está no meio dela, não será comovida; Deus a ajudará desde o  raiar do dia.

As nações se conturbaram, e os reinos se humilharam; (Deus) fez ouvir a sua voz, e a terra estremeceu.

O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso defensor.

Vinde, e vede as obras do Senhor, as maravilhas que operou na terra, fazendo cessar as guerras até à extremidade do mundo. Quebrará o arco, espedaçará as armas, e queimará ao fogo os escudos.[5]

Parai, reconhecei que eu sou o Deus. Hei de ser exaltado entre as gentes, e exaltado sobre a terra.

O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso defensor.[6]

 Salmo 55: Oração confiante

Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem me calcou aos pés, aperta-me, combatendo todo o dia.

Pisaram-me meus inimigos todo o dia, porque são muitos os que pelejam contra mim.

Estou temendo desde que desponta o dia, mas em ti esperarei.

Em  Deus louvarei as palavras que me dirigiu; espero em Deus, não temerei o que a carne me possa fazer.

Todos os dias abominavam minhas palavras; todos os seus pensamentos eram para o meu mal.

Juntar-se-ão, e esconder-se-ão; espiarão todos os meus passos. Como porfiaram em tirar-me a vida, de nenhum modo os salvarás; na tua ira despedaçarás estes povos, ó Deus.

A Vós expus a minha vida, tens  presentes diante de vossos olhos as minhas lágrimas, conforme a vossa promessa.

Um dia serão postos em fuga os meus inimigos; em  qualquer hora em que eu vos invocar, logo conhecerei que és o meu Deus.

Em Deus louvarei a palavra, no Senhor louvarei a sua promessa. Em Deus espero, não temerei o que o homem me possa fazer.

A meu cuidado estão, ó Deus, os votos que vos fiz, os quais cumprirei cantando os vossos louvores, porque livraste minha alma da morte, e os meus pés da queda, para que eu seja agradável a Deus na luz dos viventes.

 Salmo 61: Somente se deve confiar em Deus

Porventura a minha alma não há de estar sujeita a Deus, dependendo dele a minha salvação?

Porquanto ele é o meu Deus e o meu Salvador; é minha defesa, não serei jamais abalado.

Até quando arremetereis contra um homem? Juntai-vos todos para abatê-lo como a uma parede desnivelada, e a muro abalado.

Certamente, meditaram tirar-me a minha dignidade; corri sedento, com a sua boca me bendiziam, e com seu coração me maldiziam.

Mas tu, ó minha alma, conserva-te sujeita a Deus, porque dele vem minha paciência.

Só ele é meu Deus e meu Salvador; é minha defesa, não vacilarei

Em Deus está a minha salvação e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança está em Deus.

Esperai nele vós todos que constituís o povo; expandi diante dele vossos corações; Deus é o nosso protetor eternamente.

Vaidade são os filhos dos homens, mentirosos os filhos dos homens postos em balanças. Todos eles juntos são mais leves que a (mesma) vaidade.

Não queirais confiar na iniqüidade, nem queirais cobiçar rapinas; se as riquezas crescem , não lhes apegueis o coração.

Deus falou uma vez, eu ouvi estas duas coisas: O poder é de Deus, e Vós, Senhor, sois misericordioso, porque retribuirás a cada um segundo as suas obras.

 Salmo 90: Vantagens da confiança em Deus

O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará.

Dirá ao Senhor: Vós sois meu defensor e o meu refúgio; o meu Deus, em quem esperarei.

Porque ele me livrou do laço dos caçadores, e da palavra áspera.

Com as suas espáduas se fará sombra, e debaixo das suas asas estarão cheio de esperança.

Como um escudo te cercará a sua verdade, não temerás sustos noturnos, nem a seta que voa de dia, nem o inimigo que anda nas trevas, nem os assaltos do demônio do meio-dia.[7]

Cairão mil a teu lado, e dez mil à tua direita; mas não se aproximará de ti.

E tu com os teus olhos contemplarás, e verás o castigo dos pecadores.

Porque (disseste): Vós sois, Senhor, a minha esperança. Puseste o Altíssimo por teu refúgio.

O mal não virá sobre ti, e o flagelo não se aproximará da tua tenda.

Porque mandou aos seus anjos acerca de ti, que te guardem em todos os teus caminhos.

Eles te levarão nas tuas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra.

Sobre a áspide e o basilisco[8] andarás, e calcarás aos pés o leão e o dragão.

Porque esperou em mim, livrá-lo-ei, protegê-lo-ei, porque conheceu o meu nome.

Clamará a mim, e eu o ouvirei; com ele estou na tribulação, livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei,

Enchê-lo-ei de dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação. 

Salmo 124: Deus protege os justos que confiam

Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não será abalado, que permanece para sempre.

Montes cercam Jerusalém: assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.

Porque o Senhor não deixará pesar a vara dos pecadores sobre a herança dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para a iniqüidade.

Faze bem, Senhor, aos bons e aos retos de coração.

Mas aos que se desviam para caminhos tortuosos, levá-lo-ás o Senhor com os que praticam a iniqüidade. A paz seja sobre Israel.

Salmo 129: Confiança e Esperança, oração do pecador

Desde o mais profundo, clamei a Vós, Senhor.

Senhor, ouve a minha voz, estejam atentos os teus ouvidos à voz de minha súplica.

Se examinares, Senhor, as nossas maldades, quem, Senhor, poderá subsistir?

Mas, em Vós se acha a clemência, e por causa de vossa lei pus em Vós, Senhor, a minha confiança.

A minha alma está confiada na vossa palavra; a minha alma esperou no Senhor.

Desde a vigília da manhã até à noite, espere Israel no Senhor.

Porque no Senhor está a misericórdia, e há nele copiosa redenção.

E ele mesmo redimirá a Israel de todas as suas iniqüidades.

Salmo 141: Implorando favor divino para o desamparo de socorro humano

Com a minha voz clamei ao Senhor, com a minha voz supliquei ao Senhor.

Derramo na sua presença a minha oração, e exponho diante dele a minha tribulação.

Quando o meu espírito desfalecia, conheceste as minhas veredas. No caminho por onde eu andava, armaram-me laços ocultos.

Voltava-me para a minha direita, e olhava, e não havia quem me conhecesse. Não me ficou possibilidade de fuga, e não há quem se importe com a minha vida.

A ti clamei, Senhor, e disse: Vós sois a minha esperança, a minha porção na terra dos viventes.

Atende à minha súplica, porque fui sumamente humilhado. Livra-me dos que me perseguem, porque se tornaram mais fortes do que eu.

Tira a minha alma dessa prisão, para eu dar glória ao vosso nome, estão me esperando os justos, até que me faça justiça.




[1] “Filhos dos  homens” é como na Bíblia se refere aos ímpios, os homens maus. No entanto, Filho do  Homem (no singular e com maiúsculas) se refere ao título de Juiz dado ao Messias e aos que Lhe sejam fiéis.

[2] O templo de Deus é o coração,a alma, o interior do homem, mas o seu trono está no céu.

[3] Está se referindo ao “temor servil”, de quem é inferior para o superior ou quem está numa posição de desvantagem. O outro temor é o “temor filial ou afetivo”, de quem ama.

[4] Pede a virtude da Esperança.

[5] Evidente que esta passagem se refere às profecias sobre o futuro, quando vários Profetas se referem a uma época em que haverá completa paz sobre a terra.

[6] “Deus de Jacó”, e não “Deus de Israel”. Por que? Porque o Patriarca teve seu nome mudado para Israel pelo Anjo indicando uma vocação divina e não terrena. O Deus de Jacó representa um poder terreno.

[7] “demônio do meio-dia”, expressão que significa o demônio que tenta o homem no final de sua vida.

[8] Refere-se a duas serpentes muito venenosas.