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domingo, 19 de maio de 2024

O SOCORRO DIVINO NOS ÚLTIMOS MOMENTOS DA MORTE

 


 (Imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a que apareceu à Madre Mariana de Jesus Torres)

 

Caridade e amor de Madre Mariana de Jesus Torres para com as famílias de suas religiosas – Ela livra do inferno o parente de uma delas – Dom da bilocação que Deus Nosso Senhor lhe concede

 Certa ocasião morreu o irmão de uma religiosa do Mosteiro da Imaculada Conceição de Quito, assassinado por ladrões quando retornava de uma viagem pelo sul. Era um jovem, chamado Roberto, um tanto dissipado e descuidado no cumprimento de seus deveres de católico.

Sua irmã, bem como Madre Mariana, trabalhavam com vivo interesse pela conversão daquela alma, que, entretanto, exigia muita paciência.

Quando ele veio despedir-se para a viagem, Madre Mariana dirigiu-lhe estas palavras:

- “Vê, Roberto, que Deus Nosso Senhor muito em breve vai chamar-te em juízo e se tu não te emendas, pões em risco tua salvação. Que amargura para os teus se no estado atual a morte te surpreender!”

Estas palavras penetraram tão fundo no coração do jovem que, santamente impressionado, respondeu:

- “Certamente, Madre, devo voltar atrás e emendar minha vida, segundo a norma do Evangelho. Se eu pudesse adiar minha viagem um só dia, eu o faria prontamente, mas já está tudo acertado e fixado. Sobretudo com os meus companheiros, pois é impossível viajar sozinho por esses caminhos infestados de ladrões.

“De regresso, os cuidados da alma serão a minha primeira ocupação. Para isso, recomendo-me às orações de V. Revda., da minha querida irmã e da santa Comunidade, à qual trarei uma lembrança de minha viagem”.

“Asseguro-te que te ajudarei em tua maior aflição – respondeu Madre Mariana – porque és uma das almas escolhidas de Deus para o Céu. Durante tua viagem não deixes um só dia de rezar o rosário nas contas que vou te dar. Reza com teus companheiros, rogando a Deus uma boa morte e a salvação de tua alma. Não deixes de examina tua consciência, para confessar-te oportunamente”.

O jovem despediu-se de sua irmã e do Convento muito impressionado. Fez tudo o que Madre Mariana lhe aconselhou. Na viagem, portou-se como católico praticante. Seus companheiros relataram que ele ia pensativo. Quando procuravam distraí-lo, ele explicava:

- “Viajo apenas impelido por necessidades urgentes e para aproveitar vossa companhia. Parece que minha morte está próxima. Nada me agrada e a única coisa que anseio é reconciliar-me com deus”.

 

Uma monja da Imaculada Conceição me ampara

Chegado ao lugar de destino, agenciou todas as coisas com grande cuidado, preparou um pacote avisando que era para as “monjitas” da Imaculada Conceição, às quais queria com toda alma.

“Quando tudo tínhamos arranjado para o retorno, dois companheiros nossos adoecerem.[1]

Éramos cinco os que viajávamos, sem contar os criados e pagens. Resolvemos, então, adiar a volta até que eles sarassem.

Roberto ficou inquieto, dizendo que precisava voltar logo, e que iria na frente. Deixou conosco suas mercadorias, os criados e um pagem, fazendo-se acompanhar apenas por um destes. Nós nos opusemos a que ele viajasse só, mas não conseguimos retê-lo. Partiu, pois, após despedir-se com afetuosa cortesia e fina educação.

Ficamos impressionados pelo fundo de tristeza que havia em seu semblante. Desejávamos ardentemente que nossos companheiros recuperassem logo a saúde para apressarmos o passo e alcançar Roberto, porque ele não possuía muita agilidade em grandes travessias.

Dois dias após sua partida, ouvimos ao longe, ao anoitecer, alguém gritar por nós com grande aflição. Não sabíamos quem poderia ser, mas veio-nos à mente nosso caro Roberto.

Incontinenti, dois companheiros, três pagens e cinco criados montamos e – por assim dizer – voamos na direção dos gritos.

Quando nos aproximamos, ouvimos e reconhecemos que era Roberto. Esporeamos desesperadamente as mulas. Qual foi nossa surpresa quando vimos uns três mulatos altos e fortes, que armados, o perseguiam a pé. Roberto, a cavalo, gritava por nós pedindo socorro, dizendo que estava ferido e as forças lhe faltavam, e que somente o sustentava uma monja da Imaculada Conceição.

(Convém esclarecer que Deus concedeu à Revda Madre Mariana de Jesus Torres, em várias ocasiões, a graça da bilocação. Ela foi vista, ora favorecendo ao Sr. Bispo; ou em São Francisco e em outros lugares que necessitavam de auxílio).

Então começamos a gritar: “Socorro, socorro”, e outras coisas para ajudar Roberto. Os mulatos fugiram. Encontramos Roberto agonizante, que dizia: “Uma monja da Imaculada Conceição me ampara”.

(O piedoso leitor se lembrará que, quando Roberto se despediu de Madre Mariana de Jesus, esta boa religiosa anunciou-lhe a morte, dizendo-lhe que rezasse todos os dias o rosário que lhe daria, pedindo à Santíssima Virgem uma boa morte, e acrescentou: “Eu te ajudarei em tua maior aflição”. Eis que aparece aqui a monja espanhola, sustentando a vida de Roberto até que se confessasse, pois ele já deveria ter morrido exangue apenas com os primeiros ferimentos. Mas, oh poder da oração! Como Deus Nosso Senhor atende as súplicas de Sua amada esposa!)

Grande foi a surpresa ao encontrar Roberto agonizante e a mula completamente despedaçada, com os intestinos fora do ventre, caídos pelo chão. Vendo-a neste miserável estado, admiramo-nos como o pobre animal pode caminhar tanto tempo carregando Roberto. Todos nós nos convencemos de que fora um milagre estupendo, operado em virtude de alguma devoção de Roberto ou de orações feitas em favor dele.

Como sabíamos que ele tinha uma irmã religiosa e que amava desmedidamente o Convento da Imaculada Conceição, demos por certo que as monjas o mantiveram vivo a fim de que ele se pudesse confessar, e também comunicaram misteriosa força à mula para que o trouxesse até pô-lo a salvo.

Com profundo pesar conduzimos os cadáveres de Roberto, de seu pagem e também de um dos ladrões, a um povoado próximo para as devidas comprovações. Nossos companheiros já estavam sãos, mas tivemos de dilatar o tempo da viagem até estarem concluídos os assuntos mortuários e trazer todos os certificados, com testemunhos, para apresenta-los aos parentes, amigos, bem como à Real Audiência.

 

De como se deu a morte de Roberto

Agora, explicaremos como foi a morte.

Apressamos o passo e, reunindo ao todo vinte e cinco pessoas, cercamos os ladrões para apanhá-los. Um dos caminhantes a quem pedimos auxílio matou com tiro certeiro um dos ladrões.  Os outros dois fugiram feridos,  conforme as marcas de sangue      que deixaram pelo caminho.

Aproximamo-nos de Roberto e ele nos estendeu a mão. Com cansaço mortal, deixou-se cair esmorecido sobre a mansa mula que cavalgava. Deitamo-lo no solo. Nosso pobre amigo, com olhos vidrados, olhava-nos, queria falar mas não conseguia, apertava-nos a mão. Estava banhado de sangue.

Logo que o descemos da mula, esta caiu em terra, toda ensanguentada. Julgamos a princípio que era também sangue de Roberto, a quem atendíamos com dedicação. Conseguimos que ele tomasse alguns goles de vinho. Pôde, então, dizer com muita dificuldade e pausadamente estas palavras:

- “Meus amigos, vou morrer. Tragam-me um Sacerdote para ouvir-me em confissão e me absolver”.

Neste ínterim passavam vários grupos de transeuntes, entre eles alguns frades franciscanos, a quem rogamos que atendessem nosso pobre amigo. Pressurosos foram até ele.

Ao vê-los, nosso Roberto estendeu-lhes os braços e copiosas lágrimas rolaram-lhe pelas faces. Nós nos retiramos, ficando os dois Padres a sós com ele. Um o ouvia em confissão, enquanto o outro o sustentava nos braços, pois suas forças se esvaíam. Falou meia hora.

Terminada a confissão, os padres nos chamaram. Aproximamo-nos e ele nos disse:

“Meus amigos, sou feliz. Morro reconciliado com Deus, morro tranquilo. Nada me inquieta. Todas as minhas mercadorias rogo que entreguem à minha família. Mas, um dos pacotes – sabeis qual é – destinai às monjas da Imaculada Conceição. Dizei a todos que não me esqueçam em suas orações, pois necessito de sufrágios para minha alma. Ide procurar o pagem que levava comigo, para que, se estiver vivo aproveite a ocasião para se confessar”.

Dez caminhantes, três criados e um pagem saíram em seguida, e bem longe encontraram o pagem morto e completamente despido. E morta também a mula que montava. Cobriram-nos com um poncho e trouxeram até onde estávamos, mas não deixamos que Roberto o visse nem soubesse do seu triste fim. Os Padres examinaram-no e, na opinião de todos, estava morto havia algumas horas.

Roberto ia se consumindo lentamente. Os Padres começaram a recitação da Ladainha dos Agonizantes.

Após o ósculo do crucifixo apresentado pelos missionário franciscanos, deu um profundo suspiro e morreu nos braços dos Sacerdotes, sem convulsões nem trejeitos.

Estávamos nesta aflição e nos aproximamos da mula para levantá-la do chão e nela levar o cadáver de Roberto ao lugarejo próximo onde os nossos nos esperavam. Qual não foi nossa surpresa ao vê-la inteiramente dilacerada. E vimos que fora milagre o pobre animal ter conseguido carregar Roberto e percorrer um tão longo trecho.[2]

 

Enquanto isso no Mosteiro da Imaculada Conceição...

Na tarde de uma sexta-feira do mês de dezembro, Madre Mariana de Jesus Torres chamou Madre Manuela, antiga noviça sua e lhe disse:

-“Minha filha, sabes que meu coração é inteiramente de minhas filhas. Minhas são suas dores e meus são seus prazeres. Vou preparar teu coração, para que recebas tranquila o dom da tribulação com que o Esposo Divino te quer presentear

“Oh! Quanto me interessei por Roberto! E hoje ele está necessitado. Reza, clama e chora ao Divino Prisioneiro para que o ajude. Ele é uma alma querida por Deus, e por esta razão, desde que ele se despediu de nós não deixei de rezar muito por ele.

“Saibas, minha filha, que ao amanhecer deste dia cairá nas mãos dos salteadores, que procurarão acabar com sua vida, mas eu e tu não haveremos de o permitir até que possa confessar-se e reconciliar-se com Deus, porque ele já tem preparada a confissão e está bem pronto para passar à eternidade. Além disso, estarão com ele alguns dos nossos irmãos Menores[3], que o assistirão em sua última hora. Mas para se conseguir isto é preciso muita oração de nossa parte.”

A religiosa ficou trêmula ao receber tal notícia. Lançando-se aos braços de Madre Mariana, começou a chorar consternada e com palavras entrecortadas dizia:

- “Minha Madre, fazei violência à bondade de Deus para que meu pobre irmão não caia nas mãos dos cruéis salteadores, e ele possa regressar são e salvo ao seio da família. Bem sabeis que ele é o único filho varão e tem sido tudo para meus pais e irmãos. Sabendo que ele será assaltado, obtende de Deus que não o seja”.

-“Filha de minha alma – ponderou Madre Mariana – os desígnios insondáveis de Deus não podemos compreendê-los. Está decretado este gênero de morte para nosso caro Roberto. Ânimo e muita generosidade para com Deus. Não há que perder tempo chorando, mas sim rezar a Deus para que favoreça aquela alma querida”.

E, abraçando-a contra o seu peito, cumulou-a de carícias e disse tantas palavras de alento, que acalmaram o primeiro impacto da dor e recobraram-lhe o ânimo para rezar fervorosamente. Madre Mariana ordenou que não revelasse o assunto a ninguém e que o conservasse em segredo.

A religiosa, triste e chorosa, assistiu a todos os atos da Comunidade. Em sua amargura era doce lenitivo olhar para Madre Mariana, que procurava não separar-se dela.

Após a ação de graças do jantar, Madre Mariana disse em alta voz no refeitório:

- “Madres e irmãs minhas, soubemos que um parente muito chegado de uma de nossas irmãs está em grande angústia. Peço que vos esqueçais de vós mesmas, para rogar ao Senhor que favoreça e salve esta alma. Vamos aplicar nesta intenção tudo quanto fizermos até o dia de amanhã”.

As religiosas amavam desmesuradamente a única Fundadora que ainda lhes ficava e como, por outro lado, possuíam largos conhecimentos das virtudes e dons extraordinários que ele recebia de Deus, as palavras de Madre Mariana de Jesus causaram forte impressão no coração das religiosas. Cada uma oferecia tudo quanto fazia para a salvação dessa alma querida, interrogando-se se não seria um dos seus próprios familiares. Mas como não era menor que a medida de afeto, o respeito que tinham pela sua Superiora, ninguém ousava perguntar-lhe, esperando que Madre Mariana tomasse a iniciativa de chamar a religiosa cujo parente estava em grande perigo. Vendo, contudo, que ela não o fazia, redobravam todas e cada uma suas súplicas e penitências por aquela alma necessitada.

Soada a hora do silêncio, todas se recolheram ao dormitório. Madre Mariana costumava zelar pelo silêncio toda as noites em companhia da Vice-Superiora a quem isto compete. Entrava na cela de cada doente para lhe dar a bênção, depois fazia o mesmo com a Comunidade do dormitório. Isto, mesmo quando não ocupava o cargo de Superiora, na sua condição de Fundadora. Era respeitada e obedecida, a começar pela Superiora, que contava com ela nas menores coisas. Ou seja, ela dirigiu o convento até sua morte, seja diretamente, seja por meio das outras abadessas que se sucediam. A estas ela facilitava o exercício de encargo tão delicado, de forma que somente após a morte das Madres Fundadoras é que as Superioras deram-se conta de quão era este múnus, tão cheio de responsabilidades, do qual dependiam a existência e a conservação da vida em comum. É por esta razão que, alguns anos depois da morte das Madres Fundadoras, introduziu-se a vida particular.

 

Visão de Madre Mariana do assalto contra Roberto

À meia-noite, quando estava em meditação, Madre Mariana teve a visão de dez mulatos altos e fortes que se acometiam sobre o pobre Roberto e seu pagem, procurando dar-lhes morte cruel e instantânea, a fim de apoderar-se, segundo diziam, da vultuosa soma de dinheiro que aqueles serranos deveriam levar.

Ao ver esta cena, Madre Mariana clamou a seu Divino Esposo e à Sua Mãe Santíssima do Bom Sucesso pedindo que não permitissem tamanha crueldade da parte daqueles homens sem Deus e sem consciência.

Neste momento foi-lhe descoberto o estado das almas daqueles salteadores. Horrorizou-se por vê-las tão negras e degradadas. Viu que o pior dos criminosos havia, horas antes, assassinado a sua própria mãe e os irmãos por não participarem de suas ideias, e que ele desceria ao Inferno antes mesmo de Roberto morrer.

Viu que o pagem era muito católico e temeroso de Deus. No dia da partida de Quito havia se confessado e comungado em San Agustin, cuja igreja frequentava e durante a viagem não perdera o estado de graça. Caindo nas mãos dos salteadores, ao tentar libertar seu amo, elevou o coração a Deus, perdoando os agressores, encomendou sua alma a Deus e a Nossa Senhora, pedindo-lhes que o salvassem. Quando ele morreu, Madre Mariana assistiu ao seu juízo favorável e viu o pouco tempo de Purgatório que lhe foi imposto.

Na hora em que os salteadores iam apoderar-se de Roberto viram todos uma luz muito clara e no meio uma pessoa vestida de branco e azul, que os aterrou por um momento. Isto foi visto também por Roberto, que o relatou a seus amigos.

Os ladrões avançaram contra esta pessoa, descuidando-se de Roberto, que se aproveitou da ocasião para esporear a mula e afastar-se deles. Instantes depois eles saíram ao encalce de Roberto e de longe o feriram. Contudo, por mais que corressem não conseguiam alcança-lo. Quando ele começou a gritar para seus companheiros, fugiram todos, com exceção do miserável mulato morto pelos caminhantes que foram em auxílio de Roberto e o salvaram.

Madre Mariana viu como aquela alma tão celerada desceu ao fundo do Inferno com a velocidade do raio.

 

Madre Mariana tranquiliza a irmã de Roberto

Quando a Comunidade se reuniu pela manhã, às quatro horas, para a recitação do Ofício Parvo, já se encontrava lá Madre Mariana. As religiosas cravaram nela os olhos, à espera de alguma aviso, mas ela baixou a vista com sua gravidade religiosa de costume.

Deu início ao Ofício com a devoção de sempre e todas rezaram com extraordinário fervor. Seguiram-se demais atos da Comunidade.

No meio da meditação, Madre Manuela não pôde resistir; lenta e timidamente aproximou-se de Madre Mariana chamando-a. Esta, com a bondade e doçura própria de uma alma santa, afagou-a, dizendo:

- “Minha filha, tranquiliza teu coração. Dá graças ao Senhor e comunga fervorosamente pela alma de Roberto. Ele é feliz: morreu bem e se salvou. Deixa de chorar perdendo o mérito, pois o Esposo Divino se ressentiria. Não nos compete senão agradecer-Lhe. Continua tranquila tua oração”.

A religiosa voltou ao seu lugar, sofrida sim, mas com o coração em paz, porque sabia que seu irmão estava salvo. Chorava em silêncio, resignada com a vontade de Deus.

 

Madre Mariana recebe instruções de como se portar com a família

Chegada a hora em que se podiam receber as visitas, a família de Madre Manuela veio vê-la, manifestando-lhe que seus corações estavam abatidos e profundamente entristecidos por causa de Roberto. Havia dia não recebiam notícias dele, quando já era tempo de chegar algumas cartas. E a apreensão era tanto maior porque vários mercadores recém chegados informaram estar o caminho infestado de ladrões, dos quais só se livraram por viajarem em grande comitiva.

Antes de falar com a família, Madre Manuela foi aconselhada por Madre Mariana:

-“Minha filha, vem visitar-te a tua família, com o coração sobressaltado por causa de Roberto. Não fales a menor palavra a respeito. Consola-os e dize-lhes que, sendo Deus nosso absoluto Senhor e Criador, e amando-nos como nos ama, devemos esperar de sua amorosa bondade tudo de bom e de melhor”.

Madre Mariana acompanhou-a até ao parlatório e, antes de entrar, disse-lhe:

- “Ouve, filha de minha alma, Roberto te pede hoje um grande sufrágio, com que espera aliviar-se muitíssimo: é que não chores na presença de tua família demonstrando conhecer o seu triste fim.  Esta mortificação será muito agradável ao Senhor e de muito proveito para a alma de teu irmão”.

A boa religiosa obedeceu à ordem e conselho de Sua Madre, Mestra e Fundadora. Cumprimentou a família, a qual lhe manifestou amargura, como foi dito anteriormente. Madre Manuela, dominando-se heroicamente, animava aos seus com as palavras que Madre Mariana lhe recomendara. Compartilhou das dores da família, derramando algumas lágrimas em segredo e na paz.

Madre Mariana viu quanto Deus se comprouve com aquela alma realmente boa e o grande alívio que obteve para a alma de seu irmão. E louvou ao Senhor, Autor de toda a virtude.

Madre Mariana dirigiu também à família palavras de alento e consolo, dizendo que, em todo caso, devemos estar preparados para aceitar a santíssima vontade de Deus, que nunca envia às suas criaturas provações superiores ao que elas podem resistir.

A família saiu do Convento sofrida, mas cheia de paz; e diziam uns para os outros:

-“Que se opera em nossos corações quando falamos e tratamos com Madre Marianita? Que palavras tão cheias de unção divina, que tocam o coração e o tranquiliza mesmo em meio às dores! É verdadeiramente uma monja santa, feliz criatura e felizes os que vivem com ela”.

 

Palavras de confiança à mãe de Roberto

Transcorridas algumas semanas, a mãe de Madre Manuela voltou ao Convento chorando desesperadamente. Contou que os companheiros de viagem de seu filho havia chegado e narraram o triste fim de Roberto, assaltado pelos ladrões. E pediu com insistência para falar com a filha e com Madre Mariana.

Esta instruiu Madre Manuela sobre como deveria portar-se naquela circunstância tão dolorosa, na condição de esposa fiel de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dirigiram-se, então, ao parlatório.

Quando ouviu a voz da filha, a triste senhora irrompeu em lágrimas, dizendo entre soluços:

- “Querida filha, teu irmão morreu, atacado por salteadores. Ai! Meu filho morreu longe dos seus! E sua alma? Isto é que me faz desesperar! Que será de meu Roberto? Salvou-se ou condenou-se? Ele foi bom católico, mas nos últimos anos dissipou-se muito e afastou-se dos sacramentos. Isto me mata e me consome. Minha dor se amainaria se soubesse que ele se salvou.

“Madre Marianita – prosseguiu – console o coração atribulado desta mãe desconsolada. Peça V. Rvda a seu Esposo que lhe dê a conhecer se meu Roberto se salvou. As esposas de meu Senhor Jesus Cristo são as pessoas que podem tratar com Ele e dar lenitivo aos corações angustiados dos que vivem no mundo. Deus tira o meu filho e com ele todo o meu apoio. Mas, se soubesse que ele está salvo, atenuada ficaria minha dor”.

Madre Mariana abriu os lábios e de tal modo falou à consternada senhora, que suas palavras, cheias de unção divina caíram naquele coração destroçado pela dor como o orvalho em planta ressequida. Entre outras coisas, exortou-a a que tivesse fé na infinita misericórdia de Deus, de que Roberto tinha se salvo, pois as mortes repentinas e imprevistas dependem de desígnios da Providência Divina.

Disse ainda que se fixasse nesta consoladora ideia, sem desesperar-se em nenhum momento. E não deixasse de sufragar  quanto possível a alma do filho, a fim de que saísse quanto antes do Purgatório e voasse para o Céu, para goza a Deus eternamente. E que ela se oferecia, por seu turno, para fazer o que estivesse ao seu alcance, com vistas ao descanso daquela alma querida.

 

Sobre a futura morte de Manuela – A alma de Roberto sai do Purgatório

Madre Manuela, como fiel discípula de Madre Mariana, disse à mãe palavras animadoras e alentou seu coração abatido, de sorte que a pobre senhora voltou muito confortada para casa, onde consolou os seus.

Madre Mariana viu com suma complacência a bela alma de Madre Manuela, e o quanto aproveitava para si e para o sufrágio da alma de seu irmão o sofrimento suportado com paciência e com uma resignação não apenas cristã, mas também religiosa. Madre Mariana louvava ao Senhor por isto, e todos os dias abençoava sua filha espiritual com amorosa ternura. Falava-lhe a respeito do Céu e lhe ensinava a ter a alma preparada para morrer a qualquer momento que aprouvesse a Deus chama-la para prestar contas.

É que Deus Nosso Senhor havia revelado a Madre Mariana que aquela sua filha devia morrer de morte súbita, porque temia a hora da morte, por causa das tentações com que o demônio costuma assaltar no último transe, até mesmo as almas justas.

Após a morte do jovem Roberto, Madre Mariana encarregou-se de livrar logo do cárcere da expiação aquela alma querida, tanto mais que era irmão de sua Manuela. Penitências, orações, padecimentos interiores, e todos os méritos de sua heroica vida, tudo aplicava, exigindo do Senhor que levasse quanto antes ao Céu aquela alma por quem ela se empenhava.

Tanto fez até que um dia, depois da Comunhão, Nosso Senhor lhe mostrou que a alma de Roberto se elevava ao Céu como uma branca nuvem. E este lhe dizia:

- “Deus a recompense, Madre, vossa caridade e o afã de libertar-me do cárcere da expiação. A vós devo minha rápida libertação. Esperar-vos-ei no Céu”.

Madre Mariana, com seu tino e cautela característicos, comunicou a Madre Manuela que seu irmão estava no Céu. O amor e a gratidão a Deus aumentaram nesta alma religiosa, formada pelo santa monja espanhola e admirável mestra de almas”

 

(“Vida Admirável da Rev. Madre Mariana de Jesus Torres, espanhola, uma das Fundadoras do Monastério de La Limpia Concepcion de la Ciudad de Quito, escrito pelo Rev. Padre Manuel Sousa Pereira da Ordem Seráfica dos Menores do Convento Máximo de São Francisco de Quito, Equador” – Tomo II - páginas 125/131 – capítulo XIII - . – edição extraída de crônica feita por este padre, na época dos fatos, e publicada em 1934)

 



[1] A partir deste ponto até o 11º parágrafo da página 127, a narração passa, bruscamente, a ser feita na primeira pessoa do plural, dando a entender que todo este trecho  foi emprestado do testemunho de algum dos companheiros de viagem de Roberto. Há também, de entremeio, alguns parágrafos de comentários, cuja autoria parece ser do padre Manuel S. Pereira. (para facilitar o colocamos em negrito)

[2] Até aqui o testemunho dos companheiros de Roberto

[3] Ordem dos Frades Menores (OFM)


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

APARIÇÃO DO MENINO JESUS NO CERRO DE PICHINCHA

 


Nossa Senhora do Bom Sucesso apareceu diversas vezes à Madre Mariana de Jesus Torres, no Equador (século XVII), nas quais sempre com o Menino Jesus nos braços. Eis como o Menino Jesus manifestou-se numa dessas aparições:

“Então, Nossa Senhora do Bom Sucesso apareceu-lhe com seu Doce Infante nos braços e disse:

“Pobre filha de meu coração, com visão tão formidável desfaleceu já tuas forças naturais, e se quisessem voltar à vida, humanamente não conseguirias. Mas ainda não é tempo de deixares a terra. Sete anos mais, em memória de minhas sete dores e alegrias, peregrinarás na terra, sofrendo e gozando em teu espírito. Depois teu Amor te chamará à sua Casa e companhia lá nos Céus, onde tua longa vida não parecerá ter durado senão um dia, e tu te rirás dos teus grandes sofrimentos desta vida, os quais se te afigurarás como insignificantes, e desejarás então voltar a viver para sofrer e merecer o dobro.

Doravante a estima de tuas irmãs e dos devotos deste meu querido Convento será o maior dos sofrimentos para teu coração, que ansioso desejará, sem agora conseguir, os desprezos, as burlas e as calúnias, porque já passou por ti esse tempo de ouro. Ele, entretanto, virá para minhas filhas e tuas em tempos futuros, pois almas muito formosas teremos neste lugar querido.

Secreto e oculto viverá teu espírito nelas, e serão o desprezo das próprias irmãs, cujas mentes obscurecidas por disfarçada soberba não compreenderão nem saberão dar valor ao tesouro que possuirão em suas irmãs santas. Quantas mencionarão o teu nome desejando ter vivido em teu tempo, e não se darão conta de que tu mesma estarás vivendo em algumas das irmãs, as mais esquecidas e oprimidas.

Felizes as minhas boas filhas cujas almas unidas a Deus e à sua Mãe passarão esquecidas, e, tranquilas na obscuridade e na dor, farão o bem aos seus e a estranhos”

E prosseguiu a Rainha dos Céus:

“Levanta agora tuas vistas e olha para o cerro de Pichincha, onde verás crucificado este Divino Infante que trago em meus braços. Entrego-O à Cruz a fim de que Ele dê sempre bons sucessos a esta república, a qual será muito feliz quando, em toda sua extensão, Me conhecerem e Me honrarem sob esta invocação,  pois terão bom sucesso nas almas, casas e famílias, e esta invocação será penhor de salvação”.

Em seguida Madre Mariana de Jesus viu os três Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael, tomarem o Divino Menino dos braços de sua Santíssima Mãe e conduzirem-No ao cerro de Pichincha, deixando-O ali com reverente acatamento, desaparecendo logo depois.

O Divino Menino parecia ter a idade de doze a quinze anos, formoso e cheio da Divindade, ainda que oculta sob sua santa Humanidade. Ele prosternou-se em terra, com os braços em cruz, e orou a seu Eterno Padre, dizendo:

“Meu Pai e Deus Eterno, considerai benigno esta pequena  porção de terra que hoje Me dais, para nela reinar, como Senhor absoluto, o meu amoroso e terno Coração e o de minha Mãe Santíssima, criatura tão pura e tão bela qual outra não há.

“Neste lugar se dará liberdade de república nova, e meu Coração infantil se enche de infinita ternura ao olhar quantos heróis perderão a vida temporal. Benditos sejam mil vezes por seus heroicos sacrifícios: sejam suas almas recebidas no Céu para que gozem o prêmio de seus esforços! É por isto que quero orar neste monte como orei no Getsêmani, pedindo-Vos para Mim todas as almas que povoarem estas terras, livrando-as da ira diabólica que tanto as ameaça. Eu quero salvar a todos: e para isto tenho esposas virgens que, associadas a Mim, elevam suas mãos súplices ao trono de Vossa Majestade, quais rolas inocentes gemendo sempre ao pé do meu Sacrário.

“Sobretudo olhai minha Casa e Mosteiro, propriedade de minha Mãe Imaculada, fundada por vossa santíssima vontade no próprio coração da cidade, para desgravo de tantos crimes que se cometerão em todos os tempos. Ali temos, e em todos os séculos teremos, almas crucificadas e justas que imitarão a Mim e à minha Mãe sem mácula: elas sustentarão o braço encolerizado de vossa Justiça Divina para impedir grandes males físicos e morais em sua pátria querida.

“Por esta razão o Mosteiro será perseguido e o demônio procurará extingui-lo,  valendo-se de bons e maus. Mas minha Mãe querida, qual Estrela luminosa, brilhará sobre ela em todos os tempos e será seu melhor arrimo, sua muralha impenetrável, e lhe dará sempre bons sucessos. Por isso tantas vezes ali estivemos, e deixamos na preciosa Imagem o melhor penhor de nosso amor e proteção. Abençoai-as e sustentai-as em suas lutas e sofrimentos”

Terminada esta oração, ouviu-se uma voz no céu que disse: “Este é meu Filho muito amado em quem encontrei sempre minhas complacências. Ouvi-O, imitai-O, almas escolhidas e queridas”.

 No monte envolto de luz

 E todo o cerro logo se envolveu de uma luz celeste. E o Menino Jesus, levantando-se da terra, encontrou diante de Si uma cruz de madeira lisa e achatada, não roliça, com a inscrição INRI no alto; no braço esquerdo pendia uma coroa de agudos espinhos, e no braço direito uma estola branca.

A seguir surgiram os três Santos Arcanjos. São Gabriel trazia reverente e muito devoto uma branca hóstia. São Miguel uma longa túnica branca, salpicada de estrelas. São Rafael, um manto de uma cor rosada muito preciosa, nunca vista na terra.

O Menino Jesus, cheio de contentamento, vestiu-se por Si a túnica branca que tomou das  mãos do Príncipe São Miguel, sobre a qual o Arcanjo ajustou a estola que estava no braço direito da cruz, segundo o uso dos diáconos (dos ombros á cintura em diagonal). Por cima da túnica o Menino Jesus pôs o precioso manto, tomando das mãos do Arcanjo São Rafael.

Assim vestido, aproximou-se da cruz, fixou-a com amor e, pelas rosadas faces correram grossas lágrimas, logo recolhidas pelos Arcanjos São Miguel e São Rafael, que as aspergiram em toda a nova nação.

Tomando com amor a coroa de pontiagudos espinhos do braço esquerdo da cruz, colocou-a em sua santíssima cabeça. Achegou-se a cruz e estendeu suas mãozinhas, ficando crucificado sem aparecer os cravos.

Ordenou em seguida ao Arcanjo São Gabriel  que pusesse a hóstia por trás da nuca, à meia altura de sua divina Cabeça. Isto feito, apareceram sobre o branco da hóstia os três fachos de luz do resplendor, o que conferia um extraordinário realce, porque a auréola era de ouro polido e lavrado com verdes e finíssima esmeraldas. No raio vertical estava inscrita a palavra Amor, no raio do lado direito Equador e no do lado esquerdo Espanha.

O Menino Jesus assumiu um semblante majestoso e um tanto triste como refletindo a dor que intensamente afligia seus ternos e divinos membros. Mas ao mesmo tempo, mostrava-se comprazido em sofrer por quem a tanto amava. De sua coroa de pungentes espinhos saíam grossas gotas de sangue que corriam por sua fronte; de suas mãos, as feridas dos cravos também vertiam sangue e o mesmo se dava com seus pés que pisavam o solo daquele cerro. Contudo, não apareciam cravos nem nas mãos nem nos pés.

Seu olhar, da cruz, abarcava toda a nova pátria; sua cabeça não se movia e permaneceu um pouco inclinada à direita; e soluçando repetia as seguintes palavras:

“Não posso fazer mais por ti para demonstrar-te meu amor. Almas ingratas, não Me pagueis com desprezos, sacrilégios e blasfêmias tanto amor e delicadezas de meu Coração. Pelo menos vós minhas mui amadas e escolhidas esposas, sede meu consolo em minhas soledades eucarísticas: velai em minha companhia; longe de vós o sono da indiferença em relação a Deus, que tanto vos ama! Sede continuamente as heroínas de vossa pátria em meio aos amargos e funestos tempos que a ela sobrevirão. Vossa humilde, secreta e silenciosa oração, juntamente com vossa penitência voluntária salvá-los-ão da destruição para onde a conduzirão seus filhos ingratos, pois estes, humilhando e desprezando os bons, exaltarão e louvarão os maus e adventícios satélites de satanás”.

Em torno da cruz não havia senão arbustos de espinhos com graciosas flores. O Menino Jesus estava crucificado diante do grande Pichincha.

 (“Vida Admirável da Rev. Madre Mariana de Jesus Torres, espanhola, uma das Fundadoras do Monastério de La Limpia Concepcion de la Ciudad de Quito, escrito pelo Rev. Padre Manuel Sousa Pereira da Ordem Seráfica dos Menores do Convento Máximo de São Francisco de Quito, Equador” – Tomo II págs. 78/80).

 


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SERVA DE DEUS EXORCIZA SEM SER EXORCISTA



Madre Mariana de Jesus Torres exorciza demônios 


No Convento das Concepcionistas de Quito havia uma freira, comumente chamada de “capelã”, que comandava uma diabólica revolta contra as Fundadoras.  Madre Mariana de Jesus Torres aceitou passar cinco anos no inferno (apenas espiritualmente) com o fim de salvar a alma daquela freira.  A alma da referida “capelã” , por si mesma, estava morta espiritualmente. Necessitava de uma vítima humana que, unida à Vítima Divina, conseguisse arranca-la das garras do demônio.
Abafada a revolta daquela “capelã”, as autoridades ordenaram que a mesma fosse colocada num cárcere que havia dentro do Convento. Alguns dias depois de presa a revoltada, as freiras começaram a ouvir estranhos ruídos no cárcere. Certo dia, quando passavam por ali a Superiora e Madre Mariana, ouviram ambas gritos e vozes roucas dentro da prisão.  Madre Mariana logo entendeu do que se tratava: a prisioneira era vítima de possessão diabólica.
A Superiora logo propôs a solução mais simples: tirar a possessa dali e leva-la a um outro lugar. Com o que Madre Mariana não concordou: “Não, Madre. Se ela sair do Convento, esta pobre irmã perderá sua alma. É preciso conquistá-la para Deus”. A Superiora, considerando que Madre Mariana tinha forças para enfrentar a situação, lhe ordena que entre no cárcere para ver o que conseguiria fazer pelo bem daquela alma.
Logo que Madre Mariana entra, a prisioneira começa a gritar: “Estou morrendo, estou morrendo!”  e corre por toda a prisão, batendo a fronte e a cabeça contra as paredes. Em seguida caiu sem sentidos. Madre Mariana aproximou-se dela e viu que deitava espuma e sangue pela boca. Começou a lhe dar massagens tentando reanima-la, quando a Superiora, covardemente, grita da porta: “Madre, se ela voltar a si, eu me abalo para longe”.
Em vez de se abalar, Madre Mariana mandou que trouxessem remédio para reanimar a possessa, que estava ferida. Logo que a Madre Superiora saiu, ficando Madre Mariana sozinha rezando pela possessa, viu repentinamente dois negros demônios colados na parede como quem se escondia dela. Vendo-os, gritou: “Bestiagas [récua de bestas] vis e abomináveis, que fazeis aqui? Ide à vossa cruel morada, que este é lugar santo e casa de oração e penitência. Todos os esforços para levar a alma de minha irmã serão vãos. Jesus Cristo morreu por ela e, apesar de vós, ela se salvará. Ordeno-vos em nome do Mistério da Santíssima Trindade, da Divina Eucaristia, da Maternidade Divina de Maria Santíssima, de Seu glorioso Trânsito e Assunção em Corpo e Alma aos Céus, que imediatamente desocupeis este santo lugar e nunca mais volteis a mortificar com vossa abominável presença a nenhuma de minhas irmãs, que justa ou injustamente aqui estão” [1].
 Note-se que Madre Mariana, ao fazer a oração exorcística, manda que os demônios desocupem imediatamente “este lugar santo”, ela está exorcizando o que denominamos de “demônios arrimadiços” , os quais junto com os o que a Igreja chama de “demônios dos ares” atuam na perdição das almas. Não se trata, portanto, de um exorcismo clássico de expulsar o demônio do corpo da pessoa. Talvez este último seja mais difícil porque trata-se de algo ligado à pessoa, ao corpo, mas principalmente à alma de uma pessoa, dependendo muitas vezes dela e de seu livre arbítrio para que o demônio seja expulso.
Tão logo Madre Mariana termina sua oração exorcística deu-se um estrondo, a terra tremeu e ouviu-se uivos horríveis. Neste momento, a Madre Superiora estava chegando com algumas ajudantes e o remédio que Madre Mariana pedira. Uma delas falou assustada que algo de diabólico estava acontecendo no cárcere, mas que lá estando Madre Mariana nada haveria de se temer.   Quando entraram na prisão ainda encontraram o ambiente obscurecido por uma espessa fumaça. Aplicaram os medicamentos na “capelã” que logo se reanimou sem sinais externos de possessão.
Talvez a possessa ainda tivesse alguns demônios que a incomodassem, mas aqueles que Madre Mariana havia visto foram exorcizados.

Expulsão dos demônios que infestam as casas de família
Talvez um campo de ação em que o demônio mais encontra facilidade de ação seja as casas de família. Seriam estes os “arrimadiços” de que fala o Pe. Manuel Bernardes? Em si mesmo sagrado, o lar precisa entretanto que seja santo, que as pessoa que o habitem pratiquem a santidade. Não sendo assim, os demônios podem encontrar lugar onde se acolherem nos lares e daí inspirar ódio, vingança, contendas pessoais, invejas, por fim, todo tipo de vícios e pecados, principalmente de uns contra outros.
Em Quito, na época de Madre Mariana, infelizmente os demônios estavam conseguindo levar duas importantes famílias à contenda, à luta pessoal e ao ódio. Em suas orações, a santa Madre via tudo.   E certo dia, Nosso Senhor pediu a Madre que expulsasse pessoalmente referidos demônios.
Madre Mariana rezou a Nosso Senhor pedindo que tivesse piedade daquela gente e Ele mesmo expulsasse os demônios: “Humilhai-o, Senhor, e abatei-o pela sua louca perfídia e soberba. Tende compaixão e misericórdia destas almas tão caras, remidas pelo vosso Sangue e vossos méritos, e pelos da divina Co-Redentora Maria Santíssima, Mãe vossa e minha dulcíssima”.
Ao ouvir esta oração, em presença de Sua Mãe Santíssima, Nosso Senhor Jesus Cristo, respondeu à Madre Mariana:
“Manda tu mesma que desça ao fundo do abismo infernal essas furiosas legiões de demônios que saíram para impedir a conversão dessas almas. Ordena-lhes em nome do Mistério da Santíssima Trindade, de minha Presença Real na Hóstia Consagrada, da Imaculada Conceição de minha bendita Mãe e de Sua Maternidade Divina, sendo Virgem Puríssima antes do parto, no parto e depois do parto.  E verás como fogem espavoridos esses imundíssimos espíritos. E para que o possas fazer, olha-os primeiro” [2] 
Ao ouvir esta admoestação, Madre Mariana viu em seguida incontáveis demônios que infestavam aqueles lares, forcejando para penetrar dentro dos corações daquelas pessoas.  Em seguida, Madre Mariana pediu força para os exorcizar:
“Fortaleza dos débeis, acompanhai-me nesta empresa. Do contrário, nada poderei, porque sou vilíssimo e repelente lodo, esses infernais e astutos espíritos escarnecerão de mim. Mas como Vossas Majestades me deram sempre provas de vosso amor misericordioso rogo-Vos, com a fronte no pó, que Vós, ó dulcíssima vida de minha alma, Vos ponhais como o haveis feito sempre, isto é, como Menino nos braços de Maria Santíssima, minha terna Mãe. Assim acompanhada e defendida por Vossas Majestades, terei feliz sucesso, lançando no abismo profundo esses soberbos e invejosos espíritos”.

Um cerimonial celeste exorcístico
A importância deste exorcismo foi tal que envolveu todo o Céu:
“Concluída  esta súplica, Madre Mariana viu o Céu se abrir, descendo até o Sacrário. Todo o altar-mor resplandecia com luz celestial, a ponto de ela, por um momento, ter pensado que, sem sentir a morte, já se encontrava na eternidade. Os Anjos cantaram, com melodia própria a eles, o “Salve Sancta Parens.
“Imediatamente a Rainha dos Céus adiantou-Se.
“Ao contínuo, os quatro Arcanjos, seguidos de incontáveis espíritos celestes, voaram ao Sacrário. O Príncipe São Miguel, depois de fazer uma profunda reverência, tomou em suas mãos a santa Hóstia, que se converteu imediatamente em um formosíssimo Menino. Ele olhou ternamente para o Príncipe e sua gloriosa comitiva celeste, e disse:
- Ponde-me quanto antes nos braços de minha Mãe, e acompanhai-Nos todos vós, a fim de presenciar a grandeza do poder de Deus, que Se vale de instrumentos aparentemente débeis para realizar grandes maravilhas. – Nova confirmação daquela verdade encantadora: de que Deus oculta Seus segredos aos soberbos e grandes do mundo e os revela aos humildes e simples de coração”.
“Incontinenti o Arcanjo se apresentou diante da Imperatriz Soberana, e fazendo-Lhe reverência, disse:
- “Tomai, Senhora, em vossos braços soberanos o Tesouro divino do qual sois depositária”. E colocando-Lhe no braço esquerdo o Divino Infante, retirou-se, fazendo nova reverência.
“Em seguida aproximou-se o Arcanjo São Gabriel trazendo um belo báculo. Fez uma profunda reverência e colocou-o em sua mão direita, dizendo:
- “Empunhai, Senhora, em vossa soberana destra o báculo que a Onipotência Divina nela colocou, para que, como Imperatriz dos Céus e da terra, governeis o universo e reprimais em todos os tempos a força diabólica do tenaz e soberbo satanás, que cheio de furiosa inveja trabalha com toda sutiliza na perdição das almas, mas que sempre se verá vencido e humilhado por Vós, que sois a Mãe do Verbo Divino.
“Fez novamente profunda reverência e se retirou.
“Logo depois chegou o Arcanjo São Rafael, portando uma pequena cruz muito formosa, do tamanho de um dedo mas que ofuscava a vista com a luz que irradiava. Era toda composta de preciosos rubis, esmeraldas, ametistas, safiras e brilhantes. Pondo-a na mão do Divino Infante, disse:
- “Aqui tendes, Rei dos Céus e da terra, o presente que guardais e concedeis a vossas esposas  fiéis que durante a vida religiosa Vos servem com fidelidade. Com ele triunfarão das maquinações diabólicas, até que fechem seus olhos à luz material para os abrir ao esplendor da luz eterna. Pela cruz serão salvas as almas remidas por Vós”. E com uma profunda reverência, o Arcanjo se retirou.
“A Corte Celeste entoou então um hino de glória, cuja melodia só a alma poderia degustar, os sentidos do corpo nem sequer agüentariam, a não ser adormecidos.
“Tudo isto passou-se diante de Madre Mariana, que estava em presença de Deus e de Sua Mãe Santíssima, com essa humildade própria dos santos. Humildade adquirida ao longo de uma vida cheia de dificuldades e humilhações, de que o leitor pode tomar conhecimento, lendo a vida desta feliz discípula do Divino Redentor.

O Menino Jesus incita Madre Mariana ao exorcismo
O que vimos acima nada mais foi do que o prólogo de uma solene cerimônia exorcística, estando presente toda a Corte Celeste e uma santa Vítima Expiatória e Exorcística, Madre Mariana de Jesus Torres.  Após o cântico cós anjos o Menino Jesus dirige-se à Madre Mariana:
“Minha dileta esposa, tu és a fibra mais delicada de Meu Coração, porque passaste toda tua vida em meu serviço e Me amaste com todo teu coração e toda tua alma. E este teu amor por Mim, que sou teu Deus e Senhor, tem sido muito dedicado e ativo, conquistando-Me almas.  Para convertê-las, arrancá-las do vício e ecaminhá-las na via segura que conduz ao Céu, tiveste que arrostar grandes padecimentos físicos e morais com generosidade e valor, sem que o maldito respeito humano, frustrador de grandes graças em favor das almas, conseguisse fazer-te desistir de empresa tão grandiosa.
“Oh! Se todas minhas esposas tivessem essa diligência e cuidado em relação a todas as pessoas com que tratam. Quantas almas Me dariam em segredo!
“Saibas que pus nas palavras de Minhas esposas espadas de dois gumes para penetrarem nos corações mais endurecidos. Mesmo que na aparência nada se note, essas palavras repercutem no interior das almas noite e dia e acabam germinando e dando cedo ou tarde frutos de penitência. E, quando são acompanhadas de súplica incessante em favor desses pecadores queridos, então melhor ainda:  Eu não posso resistir aos pedidos de minhas esposas, em se tratando de salvar as almas.
“Oh! Dileta minha! Dize a tuas filhas que sejam meus apóstolos a partir do silêncio do claustro. Asseguro-lhes que, se assim o fizerem, terão uma glória muito especial no Céu. Afirmo que uma só palavra proferida pelas pessoas religiosas  é de muito peso no coração dos que vivem no mundo, os quais, por mais pecadores que sejam, vêem nelas seres separados do mundo, consagrados e entregues ao exclusivo serviço de Deus, e portanto dignos de respeito e atenção.
“Agora, ouve a tua Mãe e minha. E vamos sepultar no abismo as malditas legiões que saíram do inferno para perder estas duas pobres famílias,  tentando roubar-Me almas tão queridas do meu Coração. Recebe esta bela cruz como presente das núpcias eternas que proximamente te esperam”.

Nossa Senhora dá a palavra final antes do exorcismo

Após o Menino Jesus, Nossa Senhora se dirige à Madre Mariana:
“Minha filha muito querida, minha fiel imitadora, já teus dias mortais estão no fim. Os poucos dias que te restam quero que sejam ainda mais perfeitos no amor de Deus e do próximo. Esforça-te em orar, trabalhar e sofrer para ganhar almas a Deus.
“Oh! Se as religiosas soubessem o mérito que entesouram para a eternidade nesse apostolado oculto, não omitiriam meio algum para pô-lo em prática. Grande caridade é trabalhar, orar e sofrer por esses pobres irmãos transviados. Como outros filhos pródigos, eles abandonaram a casa de seu bom Pai e se afastaram, pelo pecado, para regiões muito distantes de Deus, dissipando a preciosa herança das graças divinas, até ficar reduzido à extrema miséria espiritual. Passam a mendigar no mundo, que e um amo duro e cruel, as bolotas das falsas honras e prazeres, os sobejos dos porcos, que são os vícios e as paixões desenfreadas, os quais sepultam no inferno um considerável número de almas, tornando infrutíferos o Sangue e os méritos de meu Filho Redentor.
“Este bom e amoroso Pai, contudo, sai diariamente do Sacrário para penetrar nos corações purificados e limpos, donde Ele estende sua amorosa vista ao longe, na expectativa de ver chega Seus filhos pródigos, a fim de recebê-los de braços abertos e, uma vez reconciliados e lavados no santo Tribunal da Penitência, faze-los voltar à Sua amizade, com a posse da vida da graça e dos inúmeros bens reservados para o Reino dos Céus.
“Em vista precisamente da reconquista desses filhos pródigos estabeleceu Nosso Senhor a vida contemplativa em sua Igreja, para que Suas almas prediletas, escondidas de todo olhar humano, desconhecidas, esquecidas  e muitas vezes desprezadas, fossem mediante a oração incessante e a penitência, em toda forma e circunstância da vida monacal, apóstolos ativos e fervorosos.
“Ai das almas religiosas que incautas e ociosas não querem cumprir, por vãs covardias, sua sublime missão! Não terão escusas no Tribunal divino. Ali se lhes recompensarão almas salvas e se castigarão pelas que, por omissão sua naquela vinha do Senhor, se perderam.
“Ponhamos agora em vergonhosa fuga as legiões infernais que se atreveram arrebatar aquelas almas a Deus”

Esplendoroso cortejo celeste vai às casas de família para exorcizá-las
Quando Nossa Senhora terminou de falar, todo o cortejo celeste ali formado, juntamente com Madre Mariana, dirigiu-se às casas de família a fim de exorcizar os demônios que as infestavam. Vejamos como tudo sucedeu, conforme o relato de Frei Manuel Sousa Pereira:
“A santa religiosa, com a luz que alumiava em seu coração a pequena cruz presenteada pelo Divino Infante, viu minuciosamente as consciências daquelas almas. Discerniu a sutileza com que os demônios trabalhavam para impedir a mútua reconciliação, semeando no entendimento dos pais e mães mil temores infundados, renovando ressentimentos e fazendo-lhes crer que o próprio ato de reconciliação era como uma montanha de impossibilidade, difícil de ser galgada. O amor próprio fazia-os resistirem, para não terem de se humilhar, apegados à nobreza e riqueza de suas casas. Tudo era dúvida, perplexidade, aborrecimento e desgosto, até entre os próprios membros da mesma família.  Em suma, nunca se sentiram tão incomodados e estiveram tão molestos como naquela tarde e noite.
“Nesse contexto fulgurou a luz celeste do Rei do Céu, que repousava nos braços de sua Mãe, Maria Santíssima Rainha, acompanhados da celestial comitiva e da predileta de Seus Corações.
Os demônios ficaram estupefatos e aterrorizados quiseram fugir, mas não puderam, porque o Príncipe São Miguel os atalhou:
“Malditas, desventuradas e invejosas legiões, mando em nome do Verbo Divino e de sua Virgem Mãe, nossa Rainha, que permaneçais aqui, até que uma humilde serva do Senhor vos precipite no abismo profundo.  Pois vossa luciferina soberba deve ser humilhada pela natureza humana, que, amando a nosso Deus, rivaliza com a angélica natureza. Enquanto os Espíritos Angélicos, que humildes adoraram o Verbo feito carne, comprazem-se em favorecer e servir a esses servos do Senhor, prodigalizando-lhes cuidados em sua vida terrena, até conduzi-los ao Céu, onde gozam a Deus em sua companhia, louvando as misericórdias que o Senhor neles realizou”.
“Ao ouvirem a imperiosa voz do Chefe e Príncipe da Milícia Angélica, tremeram as hostes infernais e soltaram um alarido tão terrível que parecia retumbar no universo inteiro. E virando-se os demônios para a luz que os eclipsava, viram-se em presença de Jesus Cristo, de sua Virgem Mãe e da humilde monja concepcionista, elevada a tanta honra em virtude de uma vida inteira de sacrifício incessante e de vitórias alcançadas sobre eles. E isto os enfurecia sobremaneira, sendo o motivo desse ódio que lhe tinham, não tendo eles poupado nenhum esforço no afã de derrubá-la ao solo pelo pecado, o que, porém, jamais conseguiram. Ao vê-la, quiseram lançar-se sobre ela, pois não conseguindo causar-lhe dano à alma, queriam pelo menos tirar-lhe a vida.

O exorcismo de Madre Mariana

O furor dos demônios contra Madre Mariana era porque ela levava vida de santidade e não pecava.  O pecado (caso ela o cometesse) poderia não só fortalecer aqueles demônios como também trazer mais anjos malditos do inferno para lhes auxiliar na tarefa de perder as almas. Como aqueles demônios ansiavam isto, e Madre Mariana (com a graça de Deus) não pecava, crescia-lhes mais ainda o ódio contra ela.
Neste momento, o Menino Jesus ordenou a Madre Mariana:
“Minha dileta esposa, a força divina te sustenta. Levanta-te sobre ti mesma e ordena a estas asquerosas e impotentes legiões que deixem livres estas almas e desçam ao abismo profundo, reconhecendo-se débeis ante as criaturas humanas que fiéis servem a seu Deus e Senhor”.
“Com estas palavras o coração de Madre Mariana encheu-se de uma fortaleza indizível e, fixando os demônios com severidade e desprezo, disse:
“Espíritos malignos e repugnantes, que por vossa soberba luciferina caístes do Céu, onde o Senhor vos criou belíssimos, para o abismo profundo, transformados pela Justiça de Deus em feíssimos demônios, condenados a sofrer por toda a eternidade o fogo aceso pela Ira de Deus!
“Eu, pobre e débil criatura, que me glorio de servir a meu Deus e Senhor, obedecendo-Lhe com agrado em tudo quanto Ele me manda e amando-O com todo meu ser tão pequeno, aborreço-vos com o aborrecimento com que meu Deus vos aborrece, por causa de vossa insubordinação.
“E lamentando por haverdes arrebatado tantas almas a Deus, que é o único Senhor, eu ordeno: - Em nome do Augusto Mistério da Santíssima Trindade; da Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada; do Mistério da Conceição Imaculada de Maria Santíssima, de Quem tenho a ventura de ser filha; e em nome também de sua Puríssima e Integérrima Virgindade e Maternidade Divina, sendo Virgem Puríssima antes do parte, no parto e depois do parto, ordeno-vos que deixeis livres a estas duas famílias, para que dêem glória a Sua Divina Majestade, no cumprimento da santíssima vontade de Deus.   E descei vós ao averno profundo, vossa morada sempiterna, fugindo derrotados para vossa maior ignomínia. Que vos sirva de tormento a Cruz Redentora, que com gosto ostento em meu coração, tendo eu vivido alegre nela encravada”  E fez o sinal da cruz.
“No mesmo instante, dando horríveis bramidos e mordendo-se uns aos outros, precipitaram-se os entes malditos no centro da terra. Produziu isto um tal terremoto que os habitantes da cidade, alarmados, puseram-se a clamar por misericórdia, julgando que o vulcão Pichincha ia soterrá-los. O Senhor Bispo mandou que se rezasse em todas as igrejas da cidade.
“As duas famílias, porém, que andavam tão molestadas nas respectivas casas, acalmaram-se em seguida. Cada qual reuniu-se  com toda a criadagem para rezar o santo Rosário, advindo uma inalterável paz e tranqüilidade. E os criados comentavam: “Como foi  bom este tremor de terra, para que nossos amos se acalmassem! Eles já se iam tornando insuportáveis!” [3]   
Cumprindo, pois, sua vocação não só de Vítima Expiatória, mas de Vítima Expiatória Exorcística, Madre Mariana exorcizou poderosamente aqueles demônios, os quais haviam conquistado importante lugar nas casas daquelas famílias. Em seguida, os Anjos da Guarda daquelas casas voltaram a assumir seus antigos lugar, inspirando às famílias a reza do Rosário e trazendo a paz espiritual entre elas.







[1] “Vida Admirável de Madre Mariana de Jesus Torres...” – Tomo I – Fr. Manuel Sousa Pereira, OFM, págs. 103/104
[2] op. cit. tomo. II, pág. 167
[3]op. cit. Tomo II págs. 166/171.