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terça-feira, 10 de março de 2026

SÓ UM EXORCISMO UNIVERSAL PODE DESTRUIR A REVOLUÇÃO

 





 

No livro de Plínio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução” está contido todo o desenvolvimento da luta dos filhos das trevas contra a Igreja e a Civilização Cristã nos últimos 5 séculos. Um dos santos que mais entendeu esta temática foi o Beato Palau, descrevendo, denunciando e combatendo a Revolução em toda a sua essência, inclusive manifestando que um dos principais fatores de propulsão da Revolução são o orgulho e a sensualidade.

Segundo o Beato Francisco Palau Y Quer, essa Revolução é a que realiza os anúncios das Sagradas Escrituras relativos à apostasia dos últimos tempos. A análise racional, tranquila e vigorosa dos acontecimentos sociopolíticos contemporâneos o confirmava nesta sua convicção. A Revolução leva a uma catástrofe que o Beato Palau queria evitar. No século XIX a humanidade imergia de modo displicente e veloz na anarquia, impelida pelas tendências desordenadas que alimentam a Revolução, especialmente o orgulho e a sensualidade. Por isso, o Beato Palau concluiu que a dinâmica revolucionária impulsiona o mundo de modo implacável ao caos e ao desaparecimento da ordem social.

 

O que falta para uma intervenção divina

 “Carta de um Diretor” é um texto de autoria do Beato Palau onde o mesmo dá conselhos a uma pessoa sobre problemas espirituais especialmente ligados à situação da Igreja.

A Certa altura ele faz a seguinte indagação:

“...-aquele Pastor tão bom que somente para salvar uma alma desceria, se fosse necessário, segunda vez  do céu e padeceria morte tão cruel como a primeira para tirá-la das unhas do lobo infernal – e sendo o povo espanhol[1] sua grei escolhida, olha sem embargo sem abrir a boca e com indiferença, segundo parece, como uma horda de lobos furiosos se tem lançado sobre ela, a despedaçam a seu prazer e lhe chupam seu sangue? Por que nada faz em defesa de suas ovelhas? Por que mais bem parece que há protegido os projetos dos ímpios?”[2]

Lamenta o beato que os inimigos da Igreja lhe tiram até os últimos recursos, obstruindo todos os meios de salvação, cercando-a com pedras lavradas (Lm 3, 9), havendo necessidade de uma intervenção divina a fim de se eliminar a ação deles. O mistério que se apresenta é exatamente isso: por que não há uma intervenção divina? O que espera a Divina Providência para agir? São Luís Grignion de Montfort já exprimia essa angústia – ó Deus, por que pareceis dormir? Dessa forma o Beato Palau tenta explicar o mistério:

“Como, pois, pode se conceber que assim o permita, que assim o sofra, que não saia em sua defesa? Oh segredo impenetrável! Oh profundo mistério! A fé nos ensina que não falta a Jesus Cristo nem o poder nem o querer. As chagas de seu corpo, especialmente a do costado, pelas quais derramou pela Igreja todo seu sangue, são outras tantas línguas que publicam em altas vozes o imenso amor em que está abrasado seu coração; e tantos passos como deu para a salvação dos homens nos asseguram que da veemência do desejo que lhe anima pela saúde de suas ovelhas.  E, sem embargo da eficácia de seu poder e querer nos salvar, como é que permite que sejamos vítimas do monstro da impiedade? Como nos entrega ao capricho das seitas ímpias? Como não acalma a tempestade, quando só lhe custa ordená-lo? (Mc 4, 39) Por que permite que triunfe a besta feroz da impiedade e abandona à sua voracidade umas almas que tanto ama?”

Após falar de que se trata de um mistério que ele tenta entender, acrescenta:

“Jesus pode salvar a nossa pátria[3] do monstro da impiedade que pretende arrebatar-lhe o tesouro inestimável da Fé. O quer e não o faz, porque não há quem o peça devidamente, isto é, com as condições que exige a verdadeira oração. Não se alarme você, nem precipite seu juízo antes de ouvir as razões em que fundo minha resposta. Você se lembrará que, navegando uma vez Jesus Cristo com seus discípulos pelo lago de Genezaré e dormindo o Senhor sobre a popa do barco, levantou-se espantosa tormenta, na qual a pouca fé dos Apóstolos acreditou que iram naufragar. Durou a tempestade e o perigo enquanto não acudiram a Jesus.  Porém logo que, cheios de confiança, lhe disseram: “Domina, salva nos, perimus. Senhor, salvai-nos, que perecemos” (Mt 8, 25), levantou-se o Senhor, ordenou aos ventos e ao mar, e nesse mesmo momento reinou a mais completa calma e tranquilidade”.

“Assim, na Espanha se encontra a navezinha de Pedro tão agitada pela fúria dos ventos de falsas doutrinas, e pelas ondas de todas as paixões humanas, que as águas vão já entrando nela e põem todos os fieis em iminente perigo de fundir-se no cisma. Jesus está como então dormindo ou se porta ao menos com sua Igreja como se efetivamente dormisse. Pode ordenar aos furacões do erro e às ondas das paixões que se acalmem. Quer fazê-lo... O que está, pois, esperando? Aguarda, por acaso, que choque contra algum obstáculo, que exploda e se desmanche? Por que, pois, não o faz? Que falta? O que falta é que os discípulos vão Lhe despertar, e que lhe digam: “Mestre, não te importa que pereçamos? (Mc 4, 38)”

A imagem nos leva a outra consideração. Jesus Cristo é a Cabeça do Corpo Místico de Cristo, mas, em certas ocasiões, necessita que alerte sobre este Corpo (composto pelos demais homens que Lhe seguem), a fim de que tome certas iniciativas, inclusive esta de pedir à Cabeça que “acorde” e aja defendendo todo o restante de seu próprio Corpo místico, já que nela está todo o poder de alimentá-lo. Quem está dormindo, então: a divina providência ou a parte humana de seu Corpo Místico?

Segue o Padre Palau:

“Espera a que os sacerdotes, animados da fé dos discípulos, subam as grades do santuário, e sem parar até que tenham logrado Lhe despertar, deem gritos aos seus ouvidos, dizendo-lhe como o Profeta Joel: “Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo”. E como os Apóstolos: “Senhor, salvai-nos, que perecemos” (Mt 8, 25). Espera que a Igreja lhe dê gritos, dizendo: “Levantai, por que dormis, Senhor? Livra-nos pela glória do vosso nome”. Espera que lhe peçamos esta graça devidamente.  Quem me desse o poder escrever esta grande verdade com caracteres tão avultados que os pudessem ler e entender tantas almas como em Espanha acreditam possuir o espírito de oração: a Igreja na Espanha caminha precipitadamente para seu extermínio e só a oração pode salvá-la. Sim, só a oração pode salvar do naufrágio a igreja espanhola”.[4]

 

O poder da oração

“Deus em sua providência tem disposto não remediar nossos males nem nos conceder suas graças senão mediante a oração, e que pela oração de uns  sejam salvos outros.”

Após explicar que foram as orações que fizeram vir o Redentor, acresce que as orações deste mesmo Redentor quis depender das dos seus seguidores, membros de seu Corpo Místico, mesmo após sua morte redentora:

“Porém também o é, e o supõem com bastante claridade os livros santos, que para que a oração de Jesus Cristo e os frutos de sua redenção se apliquem a alguma nação ou povo, para que haja quem o ilumine com a pregação do Evangelho e lhe administre os Sacramentos, é indispensável haver alguns ou muitos que com gemidos e súplicas, com orações e sacrifícios tenham conquistado antes aquele povo e  o tenham reconciliado com Deus”.

Ele diz: para que “os frutos sua redenção se apliquem a alguma nação ou povo”, quer dizer, não se trata de aplicar tais frutos aos indivíduos, mas às nações. É preciso que os pecados sociais, praticados coletivamente nas nações, sejam denunciados e reparados. E para que isso ocorra é necessário que os membros do Corpo Místico de Cristo, alma de tais povos, rezem e se ofereçam como vítimas expiatórias de tais pecados. Somente assim, unidas às de Jesus Cristo, tais expiações obterão êxito.

 

Importância do Santíssimo Sacramento nas orações

Agora vem o reverso da medalha. É primordial que nossas orações sejam feitas em torno do Santíssimo Sacramento, a fim de que as mesmas obtenham êxito: “A hóstia santa que neles [nos altares] apresentamos todos os dias ao Pai, acompanhada de nossas súplicas, não é só para renovar a memória da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, senão também para obrigar com ela ao Deus das bondades a que se digne aplicar a redenção de seu Filho à nação, província, cidade, aldeia ou àquela ou aquelas pessoas por quem se celebra ou se ouve a Santa Missa. Nela é propriamente onde se negocia com o Pai a Redenção, ou seja, conversão das nações[5]. Antes que a redenção se aplicasse ao mundo ou, o que é o mesmo, antes que o estandarte da cruz fosse criado nas nações, dispôs o Pai que seu Unigênito, feito carne, negociasse isto com Ele com “súplicas contínuas, com fortes clamores e com lágrimas”  (Hb 5, 7), com angústias de morte e com o derramamento de todo seu sangue, especialmente no altar e na cruz, que levantou por cima do Calvário.”

Em seguida o Beato Palau chama a atenção deste detalhe: antes de plantar a árvore da Religião em algum povo é necessário que seus sacerdotes e governantes, além de todos os fiéis, negociem isso com o Pai, com súplicas, com clamores, com lágrimas e verdadeiro espírito de oração. “Assim como, pois, para plantar de novo a árvore da cruz em algum reino se requer espírito de verdadeira oração nos sacrifícios, assim para que se conserve em toda sua frescura e vigor – mediante as águas salutares dos sacramentos e da  pregação do Evangelho – é também necessário o mesmo espírito nos sacrifícios, segundo o tem disposto a divina Providência”.

 

As orações individuais e as coletivas

Nesse aspecto, precisamos distinguir as orações individuais e as coletivas. As individuais nós a fazemos para suprir nossos problemas pessoais, como é óbvio. É assim que rezamos, por exemplo, o “lembrai-vos” de São Bernardo. Há outras orações, porém, que foram feitas  para se rezar não individualmente, mas em nome de toda a Cristandade, do Corpo Místico de Cristo. É o caso, por exemplo, do nosso Rosário: a Ave-Maria, o Pai Nosso e Salve Rainha são rezadas no plural, em nome da coletividade. O Pai Nosso, inclusive, fala especialmente da vinda do Reino de Deus, que é algo coletivo e não individual. Apenas o Credo se inicia no singular, “creio em Deus Pai”, por querer marcar a Fé em cada indivíduo ser mais importante do que a coletiva.

No caso em que estamos analisando, as orações coletivas têm caráter mais profundo, pois resgatam perante Deus toda a humanidade decaída e não apenas o que reza. O Padre Palau tinha uma noção muito correta a respeito da Revolução universal, e dos males que a mesma causava na Igreja: percebia ele que esse movimento de revolta era proveniente do corpo místico do demônio contra o Corpo Místico de Cristo e que, no seu tempo, já havia conseguido obter sucessos impressionantes, mas que o Beato o via de imediato na Espanha. Posteriormente, tentou ele criar uma Ordem que se dedicasse especialmente ao exorcismo universal dos demônios da Revolução: o Exorcistado. Não se tratava de exorcizar os demônios que costumeiramente possuem corpos humanos, mas daqueles que assumiam corpos, lugares e postos importantes no mundo capazes de fazer a Revolução funcionar. Esteve presente no Concílio Vaticano I, e lá tentou junto aos bispos reunidos criar tal Ordem. No entanto, tal concílio não chegou a ser concluído, pois as tropas de Garibaldi haviam invadido Roma e o Papa, junto com os bispos e cardeais, tiveram que fugir para não morrer.

Talvez se a Ordem do Exorcistado tivesse sido criada não tivesse barrado completamente a Revolução, mas teria lhe causado um grande retrocesso, pois teriam sido exorcizados todos os demônios que no século XIX animavam o espírito revolucionário, ainda hoje imperante no mundo. Seria mais uma forma de oração que cumpriria o que pedia a Divina Providência para se fazer efetiva a destruição da obra iníqua do maligno. No entanto, para que ela tivesse pleno efeito era preciso que fosse posta em prática em toda a Igreja.

 

 

 

 

 



[1] O texto fala do “povo espanhol” mas visa, sobretudo, todo o povo católico em geral.

[2] Extraído de MAESTROS ESPIRITUALES CRISTIANOS - FRANCISCO PALAU ESCRITOS EDICION PREPARADA POR EULOGIO PACHO EDITORIAL MONTE CARMELO B U R G O S - – págs; 31/35

[3] Novamente ele usa termo comparando a Igreja com seu povo na expressão “nossa pátria”.

[4] Mais uma vez o Beato define a situação da Espanha para simbolizar a de toda a Igreja universal.

[5] Mais uma vez ele lembra a redenção coletiva, social, e não apenas individual.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

O ROMANTISMO, PRINCIPAL CAUSA DOS CRIMES ORIUNDOS DO ADULTÉRIO

 


 

O clima do amor livre pode levar ao desespero?

O crime mais comum, hoje em dia, decorre do adultério. Em geral, o homem mata a sua mulher (nem sempre a esposa) para se vingar da traição dela, e depois se suicida. Mas, há variedades trágicas nessa loucura: às vezes é a mulher que mata o homem, e noutros casos matam também os filhos. Há casos dos pais de mulher matar o homem que a maltrata, e também de filhos matar o pai. Enfim, é um verdadeiro torvelinho de maldades, vinganças e ódios, ocasionados todos por causa da traição no relacionamento amoroso ou, simplesmente, o adultério. Assim falou São Nilo sobre o nosso tempo: “A luxúria, o adultério, a homossexualidade, as ações secretas e a morte serão a regra da sociedade. Nesse tempo futuro, devido o poder de tão grandes crimes e de uma tal devassidão, as pessoas serão privadas da graça do Espírito Santo, recebida no seu batismo, e nem sequer sentirão remorsos”.[1]

Eis a explicação resumida do que decorre do que disse São Nilo: a graça do Espírito Santo nos vem como uma bênção divina por causa de nossa fidelidade aos Mandamentos da Lei de Deus; no entanto, por causa dos crimes, dos pecados sociais principalmente, ficamos privados dessas bênçãos e sujeitos às maldições. É o que vem ocorrendo nos dias atuais.

Talvez o pecado social mais terrível seja o do adultério, pois atrai tais maldições que chega a provocar assassinato e suicídio. No Antigo Testamento, desde o tempo de Moisés, é recriminado como um pecado sujeito às maldições divinas e terríveis castigos. A mistura da idolatria com os princípios divinos era chamada pelos Profetas de “adultério”, o que seria o mesmo que sincretismo. O adultério sempre foi tido como a simples traição dos esposos, mas nas Escrituras era usado como metáfora para simbolizar a mistura de crenças ou a traição a Deus, como consta em Esdras (9, 1-2) e em outros lugares comparado com a prostituição, principalmente no livro de Oséias (Os 1, 2): “a terra de Israel não cessa de se prostituir, abandonando o Senhor”.

Tornou-se comum nas Escrituras os profetas referir-se à prevaricação do povo eleito, comparando-a com a prostituição ou o adultério. O Profeta Ezequiel foi um deles: “E aconteceu que depois de tanta malícia tua (ai de ti, diz o Senhor Deus), edificaste para ti um lupanar, e fizeste para ti em todas as praças públicas uma casa de prostituição. Puseste à entrada de todas as ruas o sinal da tua prostituição..”  (Ez 16, 23-25).

O Profeta Jeremias também usa a metáfora: “E embora tivesse visto que eu tinha expulsado a rebelde Israel e lhe tinha dado o libelo de repúdio, não teve temor a prevaricadora Judá, sua irmã, mas foi-se, e também ela se prostituiu, e com a frequência de sua prostituição contaminou toda a terra, e adulterou com a pedra e com o lenho (adorando-os como deuses)”  (Jer 38, 8-9).

Um exemplo que demonstra a comparação da infidelidade do povo a Deus com a de uma mulher adúltera temos também no Profeta Oséias (Os 2, 25), embora este tivesse vivido antes do cativeiro da Babilônia, ao tempo do cisma de Samaria.

No Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo disse o seguinte sobre o adultério: “Sabeis do mandamento dado aos antepassados: Não adulterarás; Mas eu digo-vos: Quem olhar para mulher com mau desejo, já cometeu adultério no seu coração”. Não só isso, disse mais que se um órgão escandaliza é melhor cortá-lo “porque mais vale perder a vista ou a mão do que ir com todos os membros para geena do fogo” (Mt 5, 28-30), isto é, o inferno. Condenou também o divórcio, autorizando a separação dos esposos apenas em caso de infidelidade, mas sem se contrair novas núpcias... São João Batista fez o mesmo ao increpar duramente os adúlteros Herodes e Herodíades que escandalizavam a nação. 

De tal forma o pecado de adultério é visto hoje como coisa normal, sem qualquer rejeição social, que as redes sociais brincam com enredos deste tipo, dando risadas, mostrando casos e mais casos de traições, alguns terminados em tragédias, mas a maioria em paz e harmonia, às vezes até com a permanência da amizade entre aqueles que se viram traídos. Muitos se vangloriam de permanecer amigos do consorte que o largou, manifestando satisfação em dizer que frequenta sua casa e familiares. Assim, se cria um clima social inteiramente conivente e de aceitação pacífica do adultério. É claro que nada justifica os atos tresloucados dos que se vingam com ódio. Um erro não justifica outro. O que não deve ser aceito é esse clima falso e hipócrita de convivência social com quem pratica tais pecados de uma forma acintosa e pública.

O que resulta disso tudo? A prática do amor livre, isto é, aquela situação em que qualquer união matrimonial pode ser justificada, desde que haja “amor” entre os dois. O que seria este amor? Apenas as sensações românticas dos enredos das novelas e nada mais. O gozo dos prazeres é o ponto máximo deste “amor”, daí ninguém aceitando sofrer nada por causa desta convivência amorosa. Sofreu? Vingança imediata conforme o sofrimento.

Os crimes deste tipo, seguidos de suicídios, nada mais são do que desesperos causados pelo romantismo, frutos deste falso amor. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, tópico 2400, “O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do matrimónio”.

Ao longo dos anos foi sendo alimentado na população um desejo incontido de amor romântico, muitas vezes até platônico, criando a utopia de certa felicidade no gozo dos prazeres, sentido com a convivência entre um casal. Vamos falar dessa convivência.

A convivência social começa no casamento

Uma das coisas primordiais para o aperfeiçoamento humano é o convívio social. E será pelo convívio que as pessoas poderão mais facilmente aprender como ser regidos, co-reger ou mesmo reger a sociedade em que vivem. Conviver é o mesmo que “viver com”, ter uma vida participativa com as pessoas de seu relacionamento mais próximo, e, às vezes, até mais afastado. O homem nasceu para viver em sociedade, mas não somente na sociedade terrena, pois faz parte do nosso convívio também todos aqueles que vivem na eternidade, embora de uma forma diferente.

O primeiro relacionamento social, o princípio básico de se relacionar com outro ser é o que diz respeito ao próprio Deus.  Então, quando estamos próximos de Deus em nossos pensamentos, em nossas orações e nos atos, cumprindo seus mandamentos e O adorando como Ele merece, O amando como Ele é amável, estamos iniciando um convívio que não é meramente terreno, mas celeste. Sempre que meditamos coisas divinas, nosso coração sente o palpitar da centelha divina, que nos alimenta com coisas boas e nos dá segurança nos nossos juízos interiores e em nossas decisões. É Deus agindo em nosso interior, em nosso íntimo, no âmago de nossa alma, relacionando-Se conosco.  É assim que convivemos com Deus em nosso interior. 

Mas, o convívio com Deus pede que seja feito não somente com o Pai, mas também com o Filho e o Espírito Santo, pois são estas três Pessoas Divinas que compõem a divindade. Assim, precisamos nos deixar levar pelas inspirações do Espírito Santo e, ouvindo conselhos sábios de irmãos mais santos, participando de atividades apostólicas benfazejas para o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, poderemos dessa forma ter uma convivência com o Espírito Santo. Depois disso, obedecendo às mesmas inspirações d’Ele, fazemos nossa confissão a um Sacerdote, uma convivência interior e íntima entre nós e o representante de Deus com poderes de perdoar nossos pecados, e ficaremos prontos para conviver com o Filho, indo à igreja e recebendo-O na Hóstia Consagrada. Até aqui podemos dizer que temos a convivência interior com a Santíssima Trindade. A palavra “convivência” pode não ser adequada para definir essa situação, pois a doutrina católica diz que a graça divina nos traz a nós como que uma participação na vida divina, trata-se de algo mais profundo do que uma simples convivência. Para completar essa abençoada convivência, nada melhor do que a devoção à Nossa Senhora e a São José, que do Céu nos dirigem, nos protegem e até nos ensinam a viver a convivência perfeita com Deus.

De outro lado, a convivência humana não pára aí.  Pois Deus quer que convivamos com todos os seres por Ele criados, os Anjos e os homens. Estes últimos estão facilmente ao nosso alcance, pois alguns ainda vivem ao nosso lado nessa vida terrena. Quanto aos Santos Anjos, a convivência terrena com eles é meramente espiritual, vez por outra alentada por uma ação em nossa vida que nos faz senti-los mais de perto. Rezando a eles pedindo suas proteções, orientações, conselhos, governo, etc., estaremos estabelecendo uma profícua convivência angélica.  Embora seja mais sentida interiormente, ela se refletirá em toda a nossa vida e atuação terrena. Por causa disso os santos dizem que os Santos Anjos formam com os homens uma só sociedade, onde há convivência recíproca entre todos os que dela participam, anjos e homens.

Depois, temos a convivência com os próprios homens, entre nós mesmos, mas não só aqueles com os quais vivemos neste mundo, mas com aqueles que partiram para eternidade. Mais um tipo de convivência, no entanto meramente interior e espiritual. São as almas de nossos entes queridos e todos aqueles já falecidos, pelos quais temos obrigação de rezar ou pedir auxílio em nossas necessidades. Nessa última categoria estão não somente aqueles que sabemos ter morrido em estado de pecado ou em odor de santidade, mas os santos canonizados pela Igreja, que estão no Céu a nos proteger e nos preparar para a glória eterna.

Finalmente, por último, convivemos com as pessoas que ainda vivem. Estão ao nosso lado, pelo menos de uma forma material. Precisamos conviver uns com outros a fim de nos reger e ser regidos, aprender a viver santamente, e nos preparar para a eternidade. Ninguém consegue viver isolado dos demais, Deus nos fez com disposições próprias a viver em sociedade. Por isso ser tão salutar ter bom convívio social, e tão maléfico o convívio meramente mundano. Há pessoas que moram ao lado de outras, mas vivem isoladas, por desejo próprio ou por causa dos demais, trazendo grande mal ao seu desenvolvimento social e humano. A solidão é um grande mal, que a sociedade moderna não consegue vencer porque o homem de hoje não entende essa relação de convívio social numa hierarquia que começa em Deus para terminar naqueles que estão ao seu lado nessa vida. Como é que devemos ter uma boa convivência social? Suportando os defeitos do próximo? Tendo que tolerar até mesmo os importunos ou pessoas ruins que nos atormentam? Tudo isso é possível, dependendo de onde e com quem se convive. Mas, o essencial é que só conseguiremos equilíbrio de ação social nesse convívio se antes dele tivermos uma boa convivência com Deus através da Santíssima Trindade, Nossa Senhora, São José, os Santos Anjos e os Bem-aventurados, as almas do purgatório, etc. Tudo dará certo se obedecermos essa sequência hierárquica. Com as pessoas com as quais vivemos aprendemos a prática das virtudes, mas também seus vícios; através delas recebemos inspirações divinas, mas também diabólicas; é pelo convívio social que a boa e a má regência podem influir em nosso desenvolvimento espiritual. Se tivermos boa convivência espiritual com os seres celestes, teremos luzes para perceber onde está o erro e recusá-lo, e onde está o bem e praticá-lo.

Toda a convivência de um casal começa com a admiração, e só admiramos coisas boas. Nas aproximações iniciais de um para o outro as boas qualidades aparecem e brilham causando admiração: seja a beleza, a simpatia, a boa educação, ou qualquer bom atributo humano. Ao longo dos encontros pessoais essa admiração vai aumentando de acordo com as atrações simultâneas, daí gerando grande simpatia e empatia. Nos momentos iniciais dessa aproximação os defeitos não aparecem, ou são facilmente ocultados. É dessa forma que a admiração produz o afeto, o amor de um para outro.

A convivência, no entanto, vai mostrar outro lado da questão: os defeitos. Não é fácil conviver com os defeitos do próximo, muitas vezes até incômodos e de difícil aceitação. Ao saber conviver com os defeitos do consorte é que se demonstra estar equilibrando seu convívio entre admiração e rejeição. E no momento da prática das virtudes, em geral, o ser humano comete, em lugar delas, muitos erros e termina por obscurecer sua própria admiração pelo outro, oculta pelos defeitos.

O casal perfeito não é aquele que vive em paz porque não há defeitos entre os dois que possam atrapalhar a união, mas, sim, quando ambos sabem superar os defeitos do próximo com caridade e, admirando mais do que rejeitando o consorte, consiga apaziguar a vida em comum. Como é difícil viver anos e mais anos sempre admirando o outro! Como é fácil perder essa admiração perante os defeitos que sempre existem!

O mais difícil de se fazer para uma boa convivência de um casal é superar a força de vontade. Nossa vontade é algo muito forte, geralmente não desistimos dela em hipótese alguma. Assim, fica difícil conciliar duas vontades quando elas não coincidem, ou até se chocam. Aceitar a vontade do outro? Nunca! Em geral queremos impor a nossa. Tem pessoas que julgam estar se humilhando ao aceitar a vontade do outro. Mas, nunca acham que humilham quando querem impor sua vontade.

 Os males do romantismo

Existem duas mentalidades predominantes no mundo moderno: a do liberalismo e a do relativismo. Pelo liberalismo criou-se a ideia de que a liberdade deve ser completa, o homem tem liberdade de fazer o que quiser, inclusive de praticar o mal. Quanto ao relativismo, trata-se da ideia de que tudo é relativo, tanto o bem quanto o mal, permitindo ao homem ser bom ou mal conforme sua livre escolha. Sendo assim, ele é livre para romper com os compromissos de casamento quando quiser, ao mesmo tempo que não fica obrigado a conviver maritalmente somente com uma mulher, pois tudo é relativo. Outros pecados socais se somam a estes dois: o orgulho e a sensualidade. O orgulho o faz ser livre e não seguir as regras sociais, as leis, inclusive divinas; ao passo que a sensualidade o faz acreditar que será feliz quando praticar livremente os atos de libidinagem com qualquer mulher, sem qualquer censura. E o amor romântico o faz pensar que o fará atingir tal objetivo. Ao longo dos anos foi alimentado na mente das populações a ideia de que o romantismo traz felicidade. Foi até criada uma expressão para ressaltar esse romantismo sentimental: “o amor de minha vida” é a pessoa perfeita para formar um casal...

A partir da crise moral que fez decair a Idade Média, especialmente com a Renascença, surgiram vários escritores especializados em criar enredos amorosos, a maioria com tragédias, passando a se chamar tal literatura de romantismo. A partir do teatro, começaram a aparecer enredos trágicos e românticos, surgindo daí o termo “dramaturgo” para os criadores de tais enredos. O conto que simboliza melhor essa corrente foi o de Shakespeare, Romeu e Julieta: uma tragédia amorosa sentimental e sem lógica, criada para alimentar essa mentalidade que já se iniciava em seu tempo (em 1594). Já haviam diversos outros escritores contemporâneos de Shakespeare que o influenciaram muito nesse tipo de literatura.

Ao longo dos anos essa literatura foi inundando a humanidade, criando uma mentalidade totalmente sentimentalista e romântica. O romantismo criava ilusões de vida amorosa doce e paradisíaca, mas também pessimismos, desilusão e tragédias sem conta.  De tal forma que surgiu na mente de alguns a ideia de vingança, até mesmo mortal, contra a traição do consorte. O espírito de vingança é um sentimento pagão, próprio dos que se afastam da verdadeira prática religiosa e domina todos aqueles que se sentem feridos em seu amor próprio ou com a vida deleitosa prejudicada.

O principal fator explorado nesse gênero literário é o do sentimentalismo, chegando também ao cúmulo da sensualidade por causa das narrativas amorosas, onde são explorados todos os baixos instintos sexuais. Essas narrativas deixam as pessoas inteiramente possuídas por um sentimentalismo rude e às vezes até grosseiro, estúpido mesmo. Nos enredos, as mulheres são em geral comparadas com deusas por causa de suas belezas naturais elevadas até ao exagero, o que levaria seus amantes a delírios de comportamentos e entrega total à pessoa. Verdadeiro desequilíbrio moral, de tal forma que muitos crimes cometidos por causa desse romantismo frustrado é seguido do suicídio dos assassinos. Sendo assim, qualquer desilusão ou frustração, provoca uma reação violenta e  até de desespero, o que ocorre até hoje, pois o romantismo continua dominando os corações do mundo atual. Não como simples movimento literário, mas como filosofia de vida. A partir de certa época, já no início do século XX, o romantismo passou a dominar completamente a música,  terminando por tomar conta das novelas de TV,   até hoje a principal motivação destes enredos novelescos. A maioria criados para causar comoção social.

Um exemplo de como essa mentalidade estava imperando no século XIX tivemos com um crime perpetrado na Bahia, a seguir relatado. Esse clima de romantismo sentimental não era vivido somente no Brasil, especialmente na Bahia, mas em todo o mundo, sendo que aqui era fruto da mentalidade geral já dominando na Europa.

 

O crime da “bala de ouro”

Em 1847, ocorreu um crime em Salvador, na Bahia, que tem todas as características ruinosas dos males que o romantismo causa nas populações. Somente isso pode explicar como é que a sociedade baiana, em meados do século XIX, estivesse a tal ponto fanatizada pelo romantismo que tenha alimentado, e até aumentado ao exagero, todo um enredo incrível em torno do assassinato da jovem chamada Júlia Fetal. Filha de comerciante, a moça, jovem ainda e um tanto culta, enamorou-se de seu professor e dele ficou noiva, mas, depois de algum tempo, resolveu romper o noivado. Foi o suficiente para o frustrado e revoltado ex-noivo tramar a morte dela, a tiros de pistola. Logo, logo, surgiu uma lenda, criada ninguém sabe por quem, afirmando que o sujeito tinha derretido as alianças de ouro e delas feito uma bala usada no crime. Daí começaram a chamar o evento de “crime da bala de ouro”, dando ao caso de romantismo violento uma sensação novelesca e impactante. Nessa época a imprensa já usava um recurso chamado “choque de mentalidade” para conseguir vender seus jornais. Algum tempo depois foi comprovado que as balas usadas eram de chumbo, não havia nenhuma de ouro. A bala de ouro foi inventada para dar sensacionalismo ao caso e nada mais.

Não há explicação razoável para que a sociedade baiana tenha se empenhado tanto, e durante tanto tempo, sobre o crime, a não ser pela influência deletéria que o romantismo já exercia então. Tornou-se um costume bastante arraigado a leitura dos romances mais trágicos e impactantes, uma verdadeira “febre” social, como se fosse um fanatismo ideológico.

A respeito do crime de Júlia Fetal, houve muitas pessoas envolvidas na divulgação fantasiosa do caso, como a dos que escreveram poesias, historiadores e escritores se interessando pelo enredo trágico. Até mesmo o imperador Dom Pedro II, quando esteve na Bahia, alguns anos depois, visitou o criminoso na cadeia para inquiri-lo por qual motivo tinha rejeitado de fazer um pedido de indulto da pena, que a justiça oferecia no caso dele. Poderia sair já da cadeia, mas o mesmo não o quis, dizendo que iria cumprir a pena até o fim porque assim o merecia. E a cumpriu realmente.

A elite de Salvador fez de tudo para que o caso ganhasse repercussão na opinião pública, inclusive colocaram os restos mortais da moça assassinada na famosa Igreja da Graça (onde está até hoje) ao lado da sepultura de Catarina Paraguassú, personagem histórica muito importante. Qual a razão de tal destaque? Não se diz que o crime foi motivado por ódio à fé, não havia motivo religioso, mas sua sepultura foi construída dentro da igreja. Realmente, era costume serem enterradas nas igrejas as pessoas da alta sociedade, mas houve algo mais do que isso: ao lado da sepultura foi erigido um memorial com grande destaque literário e cultural, uma obra artística de valor, onde consta uma poesia em sua homenagem. Sim, a família poderia fazer a homenagem merecida à sua filha, mas qual a razão de ser logo naquela igreja histórica e ao lado de uma personagem tão importante? A motivação foi apenas passional e nada mais: era preciso que um crime romântico e trágico fosse bem divulgado para que o romantismo crescesse não somente como literatura mas como uma realidade vivida pela população. Foi apenas uma cena violenta de ciúme, coisa muito comum nas histórias românticas que se espalhavam pelo mundo, nada justificando o destaque dado ao caso.

Quem visitar a Igreja da Graça, em Salvador, vai encontrar, próximo ao altar principal, a sepultura e o memorial de Júlia Fetal, no lado oposto a outro, esse histórico e de valor, de Catarina Paraguassu.

O soneto que foi colocado no memorial retrata bem a que ponto chega a futilidade do romantismo. A primeira menção sobre a vítima é sua beleza: “Estava bela Júlia descansada”. Mas, não uma beleza qualquer, mas “na flor da juventude e formosura”, o que é natural em qualquer jovem aos 20 anos. Em seguida fala das carícias que desfrutava da mãe, também coisa mais natural do mundo; depois, a autora da  poesia fala sobre o fato da vítima ser amada por todos, o  que é um evidente exagero, pois a pessoa, por mais santa que seja, não consegue ser amada por todos. Elogia a “tua alma pura” que não previa o desenlace do fato trágico que lhe ocorreria. O restante do soneto é ressaltando a ferocidade do crime e o fato de vítima ficar “dos olhos” a “luz amortecida” e do rosto apagar-se “a branca, viva cor, com a doce vida”. Doce vida? Sim, o romantismo costuma exaltar como “doce” uma vida inteiramente sem problemas e levada sem cruzes e no gozo dos prazeres terrenos. Mas, será que todo ser humano leva uma doce vida até o dia da morte? É claro que tudo não passa de exagero sentimentalista, pois a vida de todos, por mais bondosa que seja, será sempre um “vale de lágrimas” e não de doçuras.

O tema foi explorado a exaustão por jornalistas, políticos, poetas e escritores, como o famoso  Pedro Calmon, o qual no seu livro “A Bala de Ouro” afirma  que o crime impressionou fundamente a cidade. Falaram dele os jornais, em muitos artigos, os poetas em muitos versos, o povo em infindáveis conjecturas, o presidente da província na sua mensagem oficial. Não houve na terra fato mais discutido, mais estudado, mais pintado de cores sentimentais e lendas românticas. Nada disso teria ocorrido se não houvesse uma elite interessada em explorar o caso por interesses meramente filosóficos, ou sociológicos. Era preciso que o romantismo saísse de meros contos literários e passasse para a vida real, e uma tragédia impactante era o meio eficaz para isso.

O fato da família da vítima ser possuidora de certa riqueza talvez explique o interesse da elite, e talvez até alguns familiares dela estivessem envolvidos nessa promoção. Não sei a origem da família Fetal, havendo informes que vem de longas datas. No entanto, comenta-se que, antigamente, era comum os judeus darem nomes assim depreciativos a filhos ilegítimos. E por causa disso surgiram muitas famílias com nomes estranhos. Pode ser que tenha sido o caso da  família Fetal, trazendo em sua origem uma marca desse judaísmo decadente, mas rico. Maçons e judeus, em suas sociedades secretas, especialmente em meados do século XIX, tinham em mãos poderes suficientes para divulgar tal tipo de promoção social, e assim  o famigerado romantismo cresceu mais ainda, e de uma forma impactante.[2]

 


sexta-feira, 16 de julho de 2021

SITUAÇÃO MORAL DO MUNDO MODERNO

 




Conforme explicitado na obra “Revolução e Contra-Revolução”, do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, o passo seguinte da Revolução, chamada 4ª. Revolução, se daria pelo processo do socialismo autogestionário rumo ao tribalismo. Neste caso, a autogestão seria uma transição para um regime ulterior, uma forma de sociedade inteiramente tribal, onde as pessoas levassem vida comum e promíscua, sem classes, sem ordem, sem hierarquia, toda igualitária. Mas, para se caminhar em busca de tais objetivos é necessário que leve todo o mundo para uma verdadeira bancarrota moral.

Para se atingir tal objetivo, a sociedade se vê hoje infestada de vícios morais, como os abaixo:

1º. – A inveja – Estimulando a cobiça pelo bem do próximo, seja pela invasão de propriedades, desapropriação dos ricos ou pelo simples anseio de lutar para superar o outro em riqueza e poder; o grande desfrute dos prazeres modernos, através da tecnologia avançada, das viagens turísticas paradisíacas, cujo acesso é restrito a uma elite, desperta no geral da população inveja e cobiça, além, é claro, das riquezas ostentosas; mas, não é só isso: a inveja campeia em todos os campos sociais, fazendo com que milhões de pessoas pensem unicamente em avançar no alheio; daí o crescimento dos roubos, dos assaltos, das quadrilhas especializadas em extorquir, roubar, etc. Aliás, a prática de extorsões tornou-se tão comum que são praticadas até mesmo ao amparo das leis, são as chamadas “extorsões legais”, praticadas por um número enorme de pessoas com base geralmente em “ofensas morais” que dizem sofrer. Nos Estados Unidos da América esta prática está bastante disseminada na população, a tal ponto que a Arquidiocese de Boston teve que pagar milhares de dólares de indenizações “por ofensas morais” a vários indivíduos, alguns por supostos crimes praticados há 20 ou 30 anos atrás, cujas únicas provas eram depoimentos de testemunhas, muitas delas suspeitas.

2º. – A preguiça – Fazendo com que o Governo tome conta de todas as atividades produtivas se consegue inibir o espírito de iniciativa da população: todos dependendo do Estado ninguém terá incentivo em se esforçar para produzir e crescer; com as medidas governamentais criando “esmolas” para os desempregados (chamadas de “bolsas família), a tendência é que a preguiça seja cada vez mais disseminada na população, especialmente a de baixa renda; mas ela alcança também as outras classes, em geral estimuladas por idéias de repouso, lazer, aposentadoria, etc.

3º. – A Ira, ou então o desejo desordenado de vingança.  Esta fase vem sempre depois, principalmente em alguns países ocidentais, mas tudo começou com a ênfase dada aos chamados “direitos humanos”, chegando-se hoje a se incentivar as guerrilhas e revoluções sangrentas ou atentados terroristas, com visível intuito de se eliminar as classes superiores ou causar desespero nas multidões; o desejo de vingança é também o corolário de um outro, costumeiramente manifestado nas populações, que seria o “desejo de justiça” – nem sempre as pessoas pedem justiça pelo amor ao cumprimento da mesma, mas por mero desejo de vingança. Quase não há mais ninguém que está, antes de tudo, disposto a perdoar, mas sempre a “exigir justiça”, isto é, que aquele que lhe casou o mal seja punido, mas isso é apenas fruto do desejo de vingança.

4º. – Outras paixões desordenadas do homem são estimuladas, como por exemplo o orgulho e o apetite desordenado pelo próprio louvor; a gula ou o apetite desordenado pelo comer e pelo beber, através de folias, bacanais, farras, orgias,. etc. A luxúria, ou o apetite desordenado pelo prazer sexual é excitado através do cinema e da TV, assim como das revistas e das modas sensuais; a avareza ou o apetite desordenado pelo dinheiro é estimulado através de regras econômicas e financeiras impostas a todos, conseguindo-se também inveja pelo progresso do próximo, estímulo à cobiça pelo lucro fácil, enfim, a mera luta pelo dinheiro que se tornou uma espécie de deus. Tudo isso estimulado, é claro, sob o disfarce da procura da felicidade na terra.

Como resultado, predomina o orgulho pelos vícios correlatos da jactância, do afã pelas novidades, da hipocrisia, da pertinácia, das discórdias, e das disputas e desobediências às leis. Imperando a gula vemos o seu corolário, que é a torpeza ou estupidez do entendimento, a alegria desordenada tendendo para o êxtase da droga, a loquacidade excessiva, a baixeza nas palavras com uso de palavrões, gestos indecentes, luxúria e imundície. Pela luxúria o homem moderno adquiriu a predominância da cegueira de espírito, precipitação, inconsideração, inconstância na prática do bem, amor desordenado a si mesmo, ódio à Igreja e a Deus, principalmente através da indiferença para com as coisas da Religião, apego a esta vida e horror pela vida futura.

Dentre os avarentos (quantos são eles hoje!), predomina uma completa dureza de coração para com os pobres e necessitados, a solicitude desordenada pelos bens terrenos, a violência, o engodo, a fraude, o perjúrio e a traição. Dentre os preguiçosos impera a malícia, o rancor, a pusilanimidade, a desesperação, a torpeza, a indolência na guarda da Lei e divagação da mente para coisas ilícitas. Dentre os invejosos predomina o ódio, a murmuração, a difamação, o prazer pela adversidade do próximo. Um meio de estimular isto tudo é promover a tomada dos bens dos que os possuem, especialmente através das chamadas reformas agrária e urbana.

Finalmente, uma nota comum: em todos predomina a ira, a indignação por qualquer mal que sofra, o rancor, a blasfêmia, o insulto, a rixa e a sede constante de vingança a qualquer custo. Este espírito de vingança pode gerar, inclusive, no canibalismo: matar e comer seu semelhante tem sido um costume decorrente mais do ódio do que por alguma necessidade orgânica, e já há casos constatados entre civilizados.

Quatro vícios e crimes predominam hoje em toda a sociedade humana, em todo o orbe terrestre: o homicídio, a sodomia, a opressão dos pobres e viúvas e a defraudação do salário do trabalhador. Com estas quatro espécie de vícios e torpes crimes todos os outros advirão na sociedade.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

DIREITA E ESQUERDA

 


O termo “direita” vem do latim “dextera” (destra em português), que quer dizer “mão direita”, ou “dextera manus”.

Começou a ser usado com sentido político e ideológico a partir de 1792, na ocasião em que os deputados se reuniram na França, durante a Revolução Francesa, na chamada Convenção Nacional: os conservadores sentavam-se à direita e os revolucionários à esquerda da mesa diretora do evento. Originou-se daí os termos “direita” e “esquerda” para caracterizar os dois grupos ideológicos.

No entanto, o termo “direita” já era utilizado desde priscas eras, em geral para caracterizar o poder de quem estava ao lado do rei, assumindo cargo de inteira confiança. Dizia-se que estava “sentado à mão direita” quem desfrutava de grande estima do rei. No Credo há a afirmação “sentado à direita de Deus Pai” a fim de definir que Jesus Cristo tem tanto poder que senta-se ao lado do Pai, e o lado abençoado é o direito.

Nas Sagradas Escrituras há várias referências ao termo “direita” como sinal de benquerência ou do lugar de preferência do rei. Salomão reservou um trono especial para sua própria mãe, que era à sua direita: “Foi, pois, Betsabéia ter com o rei Salomão, para lhe falar em favor de Adonias. O rei levantou-se para a vir receber, saudou-a com profunda reverência e sentou-se no seu trono; e foi posto um trono para a mãe do rei, a qual se sentou à sua mão direita.”(I Reis 2, 19).

Após a Ressurreição, Jesus apareceu várias vezes aos Apóstolos, numa delas á margem do lago, ou do mar, chamado Tiberíades. Quando pediu aos Apóstolos para lançar a rede para a pesca mandou que o fizesse pelo lado direito do barco e não do esquerdo: “Lançai a rede à direita do barco e achareis peixes” (Jo 21, 6). Isso tem um valor não somente simbólico, mas real: o barco representa a igreja, e onde Ela pode encontrar mais prosélitos é em seu lado direito, isto é, entre os conservadores.

É preciso notar que há na política uma falsa direita, geralmente formada por elementos de esquerda que se fantasiam de direitistas para desviar a atenção do público e criar uma falsa imagem dessa corrente. Um exemplo tivemos na Bahia com o político Antonio Carlos Magalhães, que liderava uma corrente tida como de direita mas inteiramente afinado com a esquerda mais radical: era amigo do ditador cubano Fidel Castro, o qual hospedou em sua casa quando esteve certa vez no Brasil e tomava atitudes inteiramente controladoras do Estado, coisa típica da esquerda.

O nazismo e o fascismo, por exemplo, foram movimentos socialistas de esquerda, mas, por questão de tática, combatiam os comunistas. Não havia diferença de ideologia, mas apenas de métodos de luta. Os comunistas, por exemplo, defendiam a supremacia estatal através da ditadura do proletariado, enquanto os nazistas e fascistas defendiam a mesma supremacia estatal sem a ascensão do operariado ao poder, embora o partido nazista se chamasse “partido nacional dos trabalhadores”.

Quanto ao termo “esquerda” sempre foi visto como o símbolo do mau, de quem se opõe ao Bem; até mesmo o sentido da palavra, que vem do latim, “sinistro”, que quer dizer esquerda, também significa funesto, desastre, trágico, calamitoso, malvado, perverso, cruel, etc.

 


terça-feira, 24 de março de 2020

O PÂNICO DA PANDEMIA E O GRANDE MEDO DA REVOLUÇÃO FRANCESA






O clima de pânico mundial criado pela ação da mídia por causa da pandemia do coronavirus teve um antecedente a nível regional na França do século XVIII. Este pânico coletivo foi chamado de “la grande peur” ou grande medo. Vejamos como tudo ocorreu naquele tempo.

O grande medo  
   Após a tomada da Bastilha a França foi invadida por uma misteriosa onda de medo, causada por supostas ou verdadeiras investidas de revolucionários contra as populações, com ameaças de saques e mortes.  Bruscamente, mais ou menos a partir de 20 de julho de 1789, uma notícia corre em vários lugares, na Normandia, em Dauphiné, na Alsácia, em Auverne, em toda parte. Quatro mil brigadas armadas, diziam, chegam, pilham tudo, incendeiam as casas, queimam as lavouras, executam inocentes. Os sinos tocam a rebate em várias localidades. Em algumas havia um ataque verdadeiro, mas na maioria tudo não passava de alarme falso com o objetivo único de propagar o medo, o pânico.  Dos lugares em que os ataques eram verdadeiros partem velozes correios para avisar as populações vizinhas. Estas tocam os sinos, armam os cidadãos e se preparam para rechaçar o ataque. Na grande maioria nada acontece, mas o medo fica.
Passado o medo, os cidadãos continuam armados. Logo chegam até eles os agitadores tentando açulá-los contra a aristocracia. De tal modo o medo havia tomado conta da população que conta-se de uma mulher em Mont d’Or que se refugiou numa perigosa rocha escarpada, tendo se utilizado de cordas para chegar até seu esconderijo, lugar de difícil acesso até para um forte homem. Em alguns lugares a violência explode incontida. Nos arredores de Mamers, Madame de Bonneval e Madame de Malets são surradas por seus aldeões, que lhes quebram os dentes. Em seguida trucidam M. Beauvois, matam o lugar-tenente do marechal e queimam vivo o velho conde de Falconière. Mais outras três pessoas são assassinadas. Estas notícias se espalham como rastilho de pólvora e o pânico aumenta. Todos têm medo.
Diversos historiadores comprovam que este medo foi provocado artificialmente pela ação de mais de 1.500 sociedades secretas (as famosas “Sociétés du Pensées”) que existiam na França, de onde saíam os mensageiros para espalhar as notícias, falsas ou verdadeiras. Que objetivos tinham em mente? Propagar simplesmente o medo entre a população? Imediatamente, sim, mas remotamente se pretendia fazer com que este medo amortecesse nas pessoas o desejo de esboçar qualquer reação contra as forças revolucionárias. O medo era um fator capitulacionista para o futuro. Nos lugares em que as hordas revolucionárias chegassem de verdade as pessoas de bem estariam dispostas muito mais a ceder do que lutar. O medo lhes havia tirado completamente a vontade de resistir.

O terror
Após o “grande peur”  veio o terror. Mas alguns resolveram resistir e lutar. Quando isto ocorreu, como os contra-revolucionários da Vendéia, a Revolução passou a usar o terror contra eles. O martírio de Maria Antonieta foi sucedido por levas de guilhotinamentos em Paris, implantando na França um período de terror jamais visto até então.  Depois da rainha foram executados os revolucionários moderados, os girondinos. Em Paris, as execuções foram aumentando gradativamente: em outubro de 1793 foram guilhotinadas 51 pessoas, em dezembro 68, em janeiro do ano seguinte 71, no outro mês 73 e em março 127. Em maio foram executadas um total de 358 pessoas no mês, isto somente em Paris. Até a fase final do terror foram eliminadas na capital da França mais de 1.500 pessoas, incluindo os 108 que acompanharam Robespierre no final de julho do mesmo ano.
O terror continuou furioso o seu curso, disposto a matar todas as reações que pudessem se esboçar contra os revolucionários. A sanha terrorista não se restringiu a Paris, mas à toda França. Nem todos os que morriam eram pessoas de posição social ou política. De 12 mil pessoas que foram condenadas à morte em toda a França, 7.500 eram lavradores, moços de charruas, operários e pequenos negociantes. Um historiador assim classifica esta fase do terror revolucionário: “Os historiadores que pretendem por todas as formas apresentar-nos as hecatombes montanhesas como lamentáveis excessos de uma réplica legítima, ficam bastante embaraçados a partir de 1794. Por isso, no desejo cego de ilibarem o sistema, vêem-se na necessidade de atirarem sobre um homem – Robespierre – a responsabilidade de todos os crimes que não conseguem explicar de outra maneira. A ambição de Robespierre, a hipocrisia de Robespierre, a crueldade de Robespierre são expressões que aparecem em todas as páginas. Desculpa pueril! O Terror é a própria essência da Revolução, porque a Revolução não é uma simples mudança de regime, mas uma revolução social, um empreendimento de expropriação e de extermínio...”[1] 
Durante a Revolução Bolchevista, na Rússia em 1917, e todos os golpes de estado comunistas havidos no século XX, nada mais fizeram tais revolucionários senão repetir o método aplicado na Revolução Francesa de 1789.  Um era cópia do outro, e todos copiavam os franceses. O terror tomou conta de todas as Rússias, da China, dos países do Leste europeu, de Cuba, enfim, onde o comunismo se instalou, seja através de levas e mais levas de fuzilamentos sumários, sem julgamentos e sem defesa para as vítimas, ou mesmo através de agressões violentas feitas por grupos armados contra cidadãos indefesos.  Aqueles que não aceitavam o regime e resolviam lutar eram calados pelo terror...



[1] Pierre Gaxote, “A Revolução Francesa”, pág. 258.


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

REDES SOCIAIS, NOVO RECURSO DA REVOLUÇÃO UNIVERSAL?







PRONGÓSTICOS SOBRE OS RUMOS DA REVOLUÇÃO NOS DIAS ATUAIS
Em que pé encontra-se, nos dias atuais,  a Revolução gnóstica e igualitária denunciada por Dr. Plínio Corrêa de Oliveira em sua obra “Revolução e Contra-Revolução”? Façamos uma análise.
1. É indiscutível que as forças secretas ainda têm certo domínio sobre os rumos da Revolução, haja vista seu grande poderio sobre as finanças, a política e os vários ramos da atividade humana. Em palestras para seus discípulos, a certa altura Dr. Plínio havia dito que a Revolução estava derrotada, ela havia sido vencida, estava morta. Mas, não entrou em maiores detalhes, pois certamente ele quis dizer que ela havia sido derrotada em seus planos maiores de implantação do reino de Satanás. Sim, ela não chegou a atingir seu objetivo maior. Mas, seu predomínio sobre a humanidade continuava, e sempre vai crescendo e se tornando cada vez mais sufocante e imperante.
2. Por causa desse predomínio sobre os rumos da humanidade a Revolução continua seu curso, embora rastejando como se fosse uma cobra ferida em sua cabeça. No entanto, tudo indica que ela não dispõe hoje de líderes capazes de levar a termo seus objetivos mais radicais. O que se nota hoje é uma total carência de tais lideres. Falta aquele homem carismático que consiga carregar multidões atrás de si. De tal forma esta carência de líderes é evidente que o Papa Francisco já reclamou disso, e anos atrás um dirigente da ONU se referiu a essa carência de líderes, lamentando que a humanidade andava sem rumos por causa disso. Barack Obama, pensando talvez que tal líder fosse o Lula chegou a dizer “esse é o cara”. Talvez tenha sido a última esperança revolucionária, hoje afundado num mar de ilícitos e preso por causa de seus crimes.
3. Mesmo rastejando e ferida de morte, que rumos a Revolução tem em mira hoje, sempre dirigida pelas forças secretas e por hordas de demônios que cada dia que passa saem dos infernos com tais fins? O objetivo final delas sempre foi a república universal, coisa meio etérea para muitos, mas bem definida para eles: uma situação em que toda a terra seja dominada por uma entidade comum, mas na realidade anárquica e destituída do caráter regencial que deve ter todo governo. O corpo místico do demônio nunca conseguiria ser implantado em toda a terra tendo características bem definida e com finalidades bem explícitas. Isso causaria uma recusa monumental de todos os homens. Por causa disso a própria república universal não é uma coisa bem clara para o povo, é algo nebuloso.
4. Enfim, a ausência aparente do poder é uma característica que a Revolução sempre teve em mira. Foi o ponto alto da Revolução da Sorbonne de 1968: diziam que os objetivos não eram o poder, mas a destruição deste. A fim de caracterizar aquela revolução como se fosse uma coisa espontânea e sem diretriz de regência do poder, eles não aceitavam nenhuma organização oficial fazendo parte do movimento, e os panfletos e manifestos não deveriam ter autor, sendo comum os pixamentos em paredes para dizer que ali estava a voz popular e não de nenhuma organização.
5. Será que não ocorre algo parecido nos dias de hoje? A opinião publica sempre foi manobrada pela mídia oficial, representada pelas emissoras de rádio e TV e pelas revistas e jornais. Este predomínio, no entanto, nunca conseguiu fazer com que a maioria aderisse aos desígnios da Revolução. Pelo contrario, o que se notou foi uma afastamento completo da opinião pública, por exemplo, do socialismo e do comunismo. Estas bandeiras foram abandonadas pela Revolução em prol de algo mais profundo e inadvertido. De repente, os mentores da Revolução descobriram que seria mais abrangente para seus objetivos que fosse desmontado o poder da mídia oficial, e em seu lugar surgisse outra, inteiramente espontânea e do meio popular. Trata-se das redes sociais. A internet passou a ser o instrumento dos protestos, dos indignados, daqueles que pretendem mudar os rumos da política de um país, mas não dispõem de meios para isso. E foi assim que fizeram experiências inéditas, como a “primavera árabe”, os “indignados” da Europa e o movimento “ocupem wall street” nos EUA. As pessoas se comunicavam pelos seus celulares, divulgavam suas propostas de revoltas e depois combinavam sair às ruas para protestar. A coisa pegou, pois muita gente se sente importante em participar de algo que muda os rumos da política e da história, nem tanto indo às ruas mas simplesmente publicando o que bem lhe aprouver, e sem precisar sair de casa. É por isso que há tantas “fakes news” nas redes sociais, pois ali é como uma “terra de ninguém”, onde qualquer um diz o que quer e publica o que bem lhe aprouver sem qualquer constrangimento. Foi detonada uma onda de revolução baseada na liberdade de expressão mais radical e profunda, pois a depender exclusivamente de cada indivíduo e não da mídia oficial.
6. Precisamos ver sobre tais prismas a onda conservadora que varre o mundo, demonstrando força popular tão intensa que está destruindo o poder dos regimes socialistas e comunistas ainda remanescentes. Aparentemente, isso é uma coisa boa, pois conseguimos deitar por terra regimes tão maléficos. Mas, o que vem depois? O que é que se constrói em cima de um regime socialista ou comunista que cai? Nada. Geralmente, o caos. Vejam o exemplo do Egito, que derrubou uma ditadura, mas até hoje o país não se encontrou, e caminha para outra ditadura. A “primavera árabe” nada trouxe de benefício duradouro nem no Egito, nem nos outros países onde predominou. De outro lado, as “primaveras” que derrubam regimes nunca funcionou em certos países, como Cuba, China, Coréia do Norte, etc., pois estes já caminham para o caos e anarquia da forma como estão sendo governados, indicando que o movimento é dirigido a certos regimes e em determinados países.
7. Agora vejamos o caso do nosso Brasil. O movimento conservador que hoje domina as redes sociais está desmantelando a esquerda, e isso é muito bom. Nota-se, inclusive, que as forças secretas parecem ter interesse nisso, pois a própria maçonaria, oficialmente, fez campanha pelo impeachment de Dilma, e provavelmente apóia Bolsonaro. Talvez tenha visto que rumos a coisa estava tomando e fez opção apenas para participar do poder. Mas, há indícios de orientação dada por organizações mais poderosas da Europa, como foi o caso em outros países. Lutando por uma causa boa, que é a destruição das esquerdas, a maioria da população não percebe que está para vir depois disso apenas o caos e a anarquia. Por quê? Por que o Brasil, pela forma como está organizado legalmente, é um país quase ingovernável. Tanto um governo de esquerda quanto de direita pouco conseguiria fazer em prol de seus ideais. A prova disso é que o PT passou tantos anos no governo e não conseguiu implantar um regime inteiramente socialista. Conseguiu algo, mas muito pouco em comparação daquilo que são seus planos. O próprio ex governador da Bahia, Jaques Wagner, lamentou isso, achando que deveriam ter sido mais radicais e implantado completamente um regime tipo Cuba. Ora, se o país está assim, ingovernável, qualquer um que assuma o poder só terá fracassos pela frente. Nesse caso, as força secretas optaram por apoiar intensamente um candidato conservador, que represente realmente o pensamento das aspirações de grande maioria da população, para, no poder, causar frustração ao povo, simplesmente porque além de não conseguir fazer o que prometeu talvez seja até desmoralizado perante seu público e venha a cair. Isso deve causar maior desesperança nos poderes políticos, objetivo maior da Revolução e das forças malignas. E tudo em nome de uma nova revolução, feita pelas redes sociais, dita pacífica. Eles não têm pressa e esperam que depois dessa fase as esquerdas ressurjam com nova roupagem mais agradável, quem sabe abertamente tribalistas, pacifistas, etc.
8. O manual que segue o pessoal dirigente dos sites e dos grupos de comunicação na internet é o mesmo. Pode-se ver que é o mesmo por causa da unidade no modo de proceder. Este manual foi publicado pelo americano Gene Sharp, e está disponível para qualquer um pela internet. Lá, o autor dá regras de “como fazer uma revolução pacífica”. Prestem atenção, por exemplo, que os grupos que saem às ruas têm o cuidado e não pertencer (ou não demonstrar que pertencem) a nenhum partido ou representação oficial; todas as manifestações devem ser pacíficas, isto é, sem quebrar nada, sem agredir ninguém; notem que os blacks blocs já não saem às ruas, nem se fala mais neles. O candidato Bolsonaro prega que não tem compromissos com partido e se inscreveu no mais fraco de todos; faz apologia aberta de usar as redes sociais e despreza a mídia oficial, recusando até de comparecer a debates pela TV. É uma demonstração de que as redes sociais aglutinam muito mais do que a mídia oficial, atraindo milhões em torno de seus ideais. Ideais que já existiam na mente de cada um, mas faltava quem hasteasse a bandeira e os levasse a termo.
9. Enfim, onde vamos parar? Sim, vamos parar em bom porto. Não por causa dos mentores de tal revolução, mas por causa do bom senso que deve predominar na população. Mal imaginavam os idealizadores de tal movimento revolucionário que a opinião pública sadia e nacionalista iria crescer tanto e se solidificar, constituindo num cerne duro capaz de dar novos rumos à nação. Espera-se que não seja o caos e anarquia que predomine, pois nosso povo, de tradições cristãs, tem propósitos tão grandiosos que deverá impulsionar doravante nossos governantes para a construção de um Brasil novo e completamente contra-revolucionário. Mesmo que as esquerdas ganhem as eleições não têm mais condições de implantar seus programas mais radicais, ou serão obrigados e deixar o cargo e recuarão sempre, porque finalmente temos já formada uma opinião pública visceralmente oposta a tais programas. Acredito que esta opinião pública tão coesa e sadia tenha sido fruto do Anjo do Brasil, trabalhando com nossos santos e fundadores para a formação de uma nova sociedade que antecede o Reino de Maria. As redes sociais foram meros veículos para a divulgação de tal mentalidade.

OBS: Estamos apenas reeditando nossa postagem de 16.10.2018, com o título ONDE VAMOS PARAR?

https://quodlibeta.blogspot.com/2018/10/onde-vamos-parar-1.html