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sexta-feira, 12 de março de 2021

O VÍNCULO MATERIAL POR ONDE LÚCIFER PRETENDE REGER OS HOMENS

 


            1)    Como os demônios são puros espíritos, necessitam de vínculos materiais para usar sua influência sobre os homens, assim como precisam também dos homens para externar em atos seu ódio contra Deus; não teria havido o pecado original nem a morte de Cristo na Cruz sem a participação dos homens, assim como os atos cometidos contra a Sagrada Eucaristia e outras profanações;

2)    Este vínculo material poderá ser útil para: a) reger os homens: b) instaurar seu corpo místico; c) implantar seu reino entre nós.

3)    Este vínculo material poderia ser o quê? Assim como os mandingueiros e feiticeiros usam de patuás, objetos enfeitiçados e outros recursos para atingir seus objetivos, da mesma forma os demônios usam de vínculos materiais para usar suas influências, e tais vínculos vão desde os simples objetos de uso pessoal dos homens como até mesmo árvores ou acidente geográficos (como vulcões ou crateras). A partir dali eles comandam o exército satânico que age sobre toda a terra, mas o principal vínculo é mesmo o próprio homem.

 

A Doutrina Católica sobre o inferno

“Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: “Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele”  (I Jo 3, 14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos. Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este o estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os Bem-aventurados que se designa com a palavra “inferno”.

“Jesus fala muitas vezes da “Geena”, do “fogo que não se apaga”, reservado aos que recusam até o fim de sua vida crer e converter-se, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo.  Jesus anuncia em termos graves que “enviará seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha ardente” (Mt 13, 41-42), e que pronunciará a condenação: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno!” (Mt 25, 41).

“O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morreram em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, “o fogo eterno”.  A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira”[1].

O inferno é denominado com vários nomes na Sagrada Escritura. Assim, o  Profeta Isaías o chama de "Tofet"  nesta passagem: "Praeparata est enim ab hero Thopheth, a rege praeparata, profunda, et dilatata. Nutrimentum  eius, ignis et ligna multa: flatus Domini sicut terrens sulphuris succedens eam"  - Desde muito tempo, Tofet[2] tem sido preparada por seu dono, pelo rei foi preparada, profunda e larga. Seu alimento é o fogo e muita lenha; o sopro do Senhor, como uma torrente de enxofre, a mantém acesa. (Isaías 30, 33).  "Sheol" era outro termo usado no Antigo Testamento, que queria dizer inferno, mas no sentido apenas de "mansão dos mortos", sem indicar que se referia ao lugar dos suplícios eternos. No entanto, já no Deuteronômio, o termo habitação dos mortos era tido como lugar de suplício, como se vê nesta frase:  Um fogo se acendeu no meu furor, e arderá até ao fundo da habitação dos mortos, devorará a terra com todos os seus germes e abrasará os fundamentos das montanhas. (Deut. 32, 22). 

Foi no Novo Testamento que surgiu o termo "geena", palavra hebraica originada da fusão das expressões "ge-hinnon", isto é, vale de Hinnon. Era um lugar considerado maldito pelos hebreus por causa do sacrifício que se faziam das crianças ao ídolo Moloch . O santo rei Josias, na restauração que fez de Israel destruiu o templo de Moloch e transformou o lugar em depósito de lixo (II Reis 23, 10).  Por motivos higiênicos mantinham ali um fogo constantemente aceso. Com o tempo, a palavra "geena"  passou a ser utilizada como símbolo da maldição e Jesus usou-a para designar o próprio inferno.

Segundo a Doutrina Católica, há dois tipos de penas principais que sofrem os condenados no inferno: a pena do dano (ou da privação) e a  pena do sentido (suplício dos sentidos). À primeira corresponde o afastamento voluntário de Deus, que é a essência do castigo infernal, consistindo em ver-se a alma privada da visão beatífica de Deus. Segundo São Tomás de Aquino “A inveja de ver uma criatura feita de barro ocupar o seu lugar, faz sofrer mais o demônio que as chamas do inferno”, quer dizer, neles a pena do dano é maior por causa do Sumo Bem que perderam, tendo em troca apenas ódio e inveja. À pena dos sentidos (não sofrida pelos anjos maus, mas pelos réprobos) consiste nos tormentos causados externamente por meios sensíveis, que a Escritura chama de o “fogo eterno”, quando todos os sentidos são privados de sua função. São as penas corporais. Ao sentido da visão é concedida uma tremenda escuridão; ao da audição, alaridos, gritos estridentes, ranger de dentes. etc.; ao olfato, o cheiro nauseante do enxofre e de outras substâncias sufocantes;  ao paladar, é concedido o saboreamento de substâncias ácidas, azedas, tórridas, etc. E assim, a cada sentido, o réprobo terá uma correspondente substância que o sufoca e suplicia. E isto para sempre, eternamente...

Santa Francisca Romana, que foi privilegiada pelas constantes visões de Anjos, teve também uma visão do inferno. Mas o Arcanjo Rafael esteve sempre ao seu lado para explicar os mistérios da morada infernal. Na entrada, Santa Francisca viu escritas estas palavras: “É aqui o lugar infernal, sem esperança nem intervalo, onde não há nenhum repouso”. Em poucas palavras está dito que o inferno é “um lugar”, quer dizer, não é uma coisa simbólica ou fruto de imaginação mas “um lugar”, algo real e não fictício, onde não há nenhuma esperança porque o destino ali é eterno, sem intervalo porque as coisas se sucedem continuamente sem parar e sem repouso porque lá se sofre todos os males sem nenhum alívio.

Também no inferno há uma certa divisão, como se fosse uma “hierarquia”. Está ele dividido por três espaços.  No inferior, ou no fundo do inferno, encontram-se os piores demônios. Aqueles que foram criados por Deus como Serafins, Querubins e Tronos antes da queda. No espaço superior a estes estão os demônios que eram Dominações, Potestades e Principados, e no de cima encontram-se os demônios que eram simplesmente Virtudes, Arcanjos e Anjos.

Lúcifer, que é o chefe supremo dos demônios, antes da queda era um Serafim. Imediatamente subordinados a ele encontram-se os três maiores príncipes infernais. Em ordem decrescente de maldade, temos primeiramente o demônio chamado Asmodeu, promotor do vício da carne, que era um Querubim. Em seguida vem Mamon, o demônio da avareza, que tinha sido um Trono antes da queda no inferno. Finalmente, temos Belzebu, que promove a idolatria, sortilégios e encantamentos, e antes da queda era uma Virtude.

O domínio de Lúcifer é de terror e de ódio. Ele tem poder absoluto sobre todos os demônios, mesmo os de escalas intermediárias. Sua cabeça toca a parte superior do inferno, e seus pés vão até às últimas profundezas, estando ele assim presente em todas as três divisões infernais.  

Nem todos os demônios estão no inferno. Segundo foi revelado a Santa Francisca Romana, um terço deles não sai dos abismos infernais senão com permissão especial de Deus, quando às vezes cumprem desígnios divinos castigando a humanidade.  Os dois terços restantes estão espalhados pelos ares e sobre a terra onde, contudo, sofrem as dores do inferno.  Segundo a Santa, os demônios dos ares desencadeiam saraivas, tempestades e outros fenômenos atmosféricos com o objetivo de enfraquecer as almas, especialmente aquelas apegadas aos vícios. São Tomás de Aquino diz que referidos demônios serão finalmente precipitados no inferno juntamente com os réprobos após o Juízo Final.

Quando alguém peca, mesmo sem que tenha havido tentação diabólica mas apenas um impulso das más inclinações, um demônio pode ser solto das masmorras infernais. Isto não quer dizer que ele saia literalmente do inferno, mas apenas que passará a agir e influir entre os homens, a começar daquele que pecou. Assim, quanto mais os homens ofendem a Deus com seus pecados, seja por tentação ou não, mais demônios “saem” do inferno e passam a nos tentar ou tentar nos reger. De outra parte, os chamados “demônios dos ares”  crescem em poder para agir sobre a matéria.

Deste modo, quando uma pessoa comete um pecado mortal o demônio passa a exercer grande poder sobre ela, pois o pecado afasta Deus da alma daquela pessoa. Não é somente no momento de pecar que ele está como que na posse daquela pessoa, mas todo o tempo em que durar o pecado sem que ela o confesse e obtenha a absolvição do Sacerdote. Da mesma forma, quando toda uma sociedade ou nação comete determinados pecados faz aumentar o poder dos demônios sobre ela, perdurando tal poder até o momento em que tais pecados forem reparados perante Deus. É por isso que o espiritismo, a umbanda, a magia negra, a cabala e tantas formas de bruxedos podem surtir certos efeitos no mundo de hoje, porque as almas, cheias de pecados, estão sujeitas às influências mefistofélicas. Se todos, ou a grande maioria, vivesse em estado de graça, estas coisas nunca teriam eficácia entre os cristãos. O poder do demônio reside, pois, no fato de estarmos afastados de Deus, de Sua Igreja e de Seus Sacramentos.

Ninguém deve se impressionar com este poder, pois Deus coloca à disposição do homem os recursos com que ele poderá derrotar tal inimigo. Através das orações, de um sincero arrependimento e confissão de seus pecados, comunhão, etc., a pessoa pode se reconciliar com Deus, introduzir novamente Nosso Senhor Jesus Cristo em seu coração e, com o auxílio da Graça divina e do Anjo da Guarda, perseverar sem pecados e manter-se puro até à morte. Da mesma forma, qualquer povo ou nação que tenha cometido vários pecados e estiver sob influência do poder diabólico pode livrar-se dele fazendo penitências e desagravos coletivos a Deus. Foi para isto que Nossa Senhora apareceu em Fátima e pediu a todos que rezassem e fizessem penitências.  Penitência! É este o maior pedido que Nossa Senhora fez em Fátima.

 

Onde fica o inferno e a razão de suas penas na visão de São Boaventura

Muitos indagam sobre a localização tanto do inferno quanto do purgatório e do Paraíso celeste. Embora seja um assunto de pouca importância, alguns teólogos dignos de crédito, como São Boaventura, falam principalmente sobre a localização do inferno. Trata-se, como se vê abaixo, de um lugar material determinado e não apenas uma situação espiritual de aflição e ausência de Deus como muita gente imagina:

"Com relação à pena infernal há de saber isto: a pena infernal se verifica num lugar material situado debaixo da terra, no qual serão atormentados eternamente todos os réprobos, tanto homens como espíritos malignos.  E serão atormentados por um mesmo fogo material, que abrasará e afligirá espíritos e corpos – sem consumir, contudo, os corpos, apesar de os atormentar sempre – a uns mais, a outros menos, conforme o tenham merecido. E com este tormento do fogo terão também seu tormento todos os demais sentidos, e se acrescentará a pena do verme e a privação da vista de Deus, de maneira que nessas penas haverá variedade, e junto com a variedade haverá acerbidade, e junto com a acerbidade haverá interminabilidade, a fim de que se verifique para suplício dos réprobos, que “o fumo dos tormentos deles subirá pelos séculos dos séculos”.[3]

 

O templo do demônio

O poder do corpo místico de Satanás está, desta forma, baseado em diversos “templos” (corpos humanos), isto é, pessoas humanas que o acolheu em suas entranhas com a prática de atos abomináveis contra Deus e a Ordem do Universo. E quando tais atos se tornam público, sem que haja uma reação contrária dos verdadeiros filhos de Deus, o poder do corpo místico de satanás aumenta entre os homens.

Não se fala abertamente num templo ou construção destinada ao culto de satanás. Nunca se falou senão de templos dedicados aos ídolos, que eram demônios que se faziam ser adorados como entidades sobre-humanas. Somente a partir do império da Revolução se passou a falar em seita diabólica e templos satânicos, alguns existentes no mundo atual.

Com relação ao interior da alma humana, porém, o templo de satanás sempre existiu e lá predominou em algumas pessoas. Desde que a pessoa faça de seu corpo e de sua alma instrumentos dos desígnios de satanás, estará “ipso facto”  construindo seu templo interior. E isto pode ocorrer quando a pessoa atenta contra a glória de Deus, se revolta contra a Ordem do Universo e rejeita o Reino de Deus.

Existem outros que vão mais longe e se entregam a satanás para conseguir fama e poder, fazendo-se instrumento para dar ao príncipe das trevas e para si maior poder, prestígio e influência entre os homens. Chegam a ter verdadeira submissão a satanás.  Alguns chegam até a lhes prestar culto.

Como edificar então o templo de satanás no interior de sua alma?  Inicia-se com a destruição do templo de Deus que há no seu interior: sufocando-se as virtudes com a prática de vícios e pecados, rejeitando dons e inspirações da graça divina e dando ouvidos às insinuações diabólicas. Pratica-se toda a inversão de valores, seja na fé, com o sincretismo ou a heresia, ou mesmo com os pecados contra natureza, como a sodomia. Estava nesta situação o povo quando Moisés escreveu no Deuteronômio: “Sua vinha vem da vinha de Sodoma e dos subúrbios de Gomorra; sua uva é uva de fel, e seus cachos amargosíssimos. O seu vinho é fel de dragões e veneno incurável de áspides. Porventura não estão guardadas estas coisas junto a mim e seladas nos meus tesouros?  A mim pertence a vingança e eu lhes darei a paga a seu tempo, para que o seu pé resvale; está próximo o dia da perdição e os seus tempos se apressam a chegar” (Deut 32, 32-35)

Tudo isto acarreta mais força e poder para construir o reino de satanás e seu corpo místico. Ver o exemplo da bruxaria e das missas negras.que têm suas cerimônias de iniciação com atos de luxúrias desbragadas, desde o estupro de crianças até o homossexualismo. O prazer nestes atos abomináveis é o da satisfação em desonrar as leis naturais de Deus e com isso atrair a posse diabólica. Praticam tais atos para mais demonstrar o ódio a Deus naqueles rituais e assim atrair mais a força e o poder satânico sobre si. Existem vários relatos que falam da prática de tais atos, inclusive em rituais de iniciação de bruxaria.

            A blasfêmia, porém, é o ato de maior ódio contra Deus e no Antigo Testamento era punida com a morte: “Qui blasphemaverit nomem Domini, morte moriatur: lapidibus opprimat eum omnis multitudo” – O que blasfemar o nome do Senhor, seja punido de morte: todo o povo o apedrejará.  (Lev 24, 16). São Tomás de Aquino diz “Omne peccatum comparatum blasphemie levius est” – Qualquer outro pecado se torna leve comparado com a blasfêmia. Confirma-o Santo Agostinho: “Pecam mais os que blasfemam a Deus triunfante no céu, do que aqueles que o crucificaram vivo nesta terra”. E da mesma forma São Bernardino de Sena: “A  língua do blasfemador é uma espada que traspassa o coração de Deus”.  E ainda São João Crisóstomo “Propter blasphemias, et fames, et terremotus, et pestilentiae fiunt” – Por causa das blasfêmias vêm à terra as fomes, os terremotos e as pestes.

O poder do corpo místico de satanás está, desta forma, baseado em diversos “templos” (corpos humanos), isto é, pessoas humanas que o acolheu em suas entranhas com a prática de atos abomináveis contra Deus e a Ordem do Universo. E quando tais atos se tornam público, sem que haja uma reação contrária dos verdadeiros filhos de Deus, o poder do corpo místico de satanás aumenta entre os homens.

O templo divino mais perfeito é o próprio Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por extensão, os corpos dos demais homens, desde que participantes do Corpo Místico de Cristo. Conforme São Paulo, este é o verdadeiro templo de Deus:  “Porventura não sabeis que os vossos membros são templo do Espírito Santo, que habita em vós, que vos foi dado por Deus e que não pertenceis a vós mesmos?” (I Cor 6, 19).

 

A regência através dos corpos místicos

 

Definição: O que é um corpo: algo feito da matéria, portanto, visível, com massa, componentes e estrutura material. Místico é algo que se refere ao sobrenatural, à vida espiritual, sobrepairando sobre a matéria. Um corpo místico é algo que é visível, tem componentes e estrutura material, mas sua vida  própria é sobrenatural (ou preternatural), quer dizer, está acima da simples matéria. Diz-se que é um corpo porque é uma unidade, embora formada de variedade e diversidade, como costumeiramente falamos de um corpo social, de um corpo docente, corpo discente, corpo de bombeiros, etc.

Tipos de corpos místicos:  Existem apenas dois corpos místicos – um autêntico, o de Cristo; e um outro que quer aparentar misticismo, que é o corpo místico de satanás. Só existem estes dois corpos místicos porque só há um antagonismo universal irreconciliável, e eles se manifestam para ficar visíveis aos homens que queiram aderir a um ou a outro.

Composição: O Corpo Místico de Cristo é composto pelos membros da Igreja de Cristo, sendo Ele mesmo a Cabeça deste corpo. O corpo místico do demônio é a oposição a este corpo de Cristo, que o combate, formado pelos seus sectários ou que obedecem suas ordens. Seria uma espécie de “igreja de satanás”, por antonomásia a de Cristo, formada por um exército de ímpios e precitos.

Qualidades dos membros: Para pertencer ao Corpo Místico de Cristo é necessário pertencer à Sua Igreja, quer dizer, ser batizado e professar a Doutrina Cristã, mantendo-se unido à Cabeça pela fidelidade nas obras. Pertence ao corpo místico de satanás aquele membro que morreu (espiritualmente) e se separou da Igreja de Cristo, podendo ser um membro ativo ou passivo, quer dizer, fazer guerra declarada contra o Corpo Místico de Cristo ou então agir veladamente. Tendo sido um que já foi batizado, haver renegado sua fé e passar a ter uma vida pagã e contrária aos princípios cristãos.

Dois passos seguem quem vai participar do corpo místico de satanás: primeiro morrer no Corpo Místico de Cristo (se já for cristão) e, em seguida, separar-se do mesmo Corpo. A morte de um membro do Corpo Místico de Cristo se dá com o pecado, e sua separação se dá através do não arrependimento, pertinácia no erro e impiedade, ou mesmo a heresia e o cisma declarados. Assim como as virtudes pessoais se refletem no corpo social e beneficiam outros membros do Corpo Místico de Cristo, da mesma forma os vícios e pecados (tanto de quem é deste Sagrado corpo quanto de quem é do corpo oposto de satanás) influenciam também para alimentar o corpo de satanás.  O pecado, mesmo o individual (sem a adesão do próximo) faz a alma morrer para o Corpo Místico de Cristo, mas ela pode renascer pelo Sacramento da Confissão e voltar imediatamente a ser um membro vivo. Porém, quando o pecado é social, coletivo (tem a adesão de outros), aí teremos uma participação efetiva na construção do corpo místico de satanás. Uma alma assim morta pode também ser renascida pelo Sacramento da Confissão, embora a pessoa possa ter ficado instantaneamente fazendo parte daquele corpo estranho. Só se pode dizer que ela fará parte efetiva na construção do corpo místico de satanás se, além de morta, manter-se propositadamente separada da Igreja e não aceitar a reconciliação. A alma da pessoa nessa condição pode renascer, mas o corpo místico a que pertence e contribui com seus pecados sociais, não; por isso, aquele que se reconciliou com o Corpo Místico de Cristo não pode continuar contribuindo com seus pecados, individuais ou sociais, para com o de satanás, mesmo indiretamente, pois estará caracterizando uma situação de completa incompatibilidade entre os dois corpos místicos.

 

Em que situação pode-se dizer que um pecado é “social”?

Um pecado pode ter a participação de uma outra pessoa, de duas ou mais pessoas, e também por toda a sociedade, daí podendo-se chamar de “pecado social”. E a participação nesse pecado social pode ser de forma ativa ou passiva. De forma ativa é quando a pessoa comete com outra ou individualmente um pecado que é comum na sociedade, é visto como coisa natural por todos. O adultério, por exemplo, é visto hoje como a coisa mais natural do mundo, mas se a pessoa o rejeita não somente em seu interior, mas se recusa a praticá-lo, está em oposição a um pecado social. Se, pelo contrário, a pessoa o pratica, mesmo em desejo, mesmo sem ser com outra pessoa, estará participando de um pecado coletivo, que é cometido por toda a sociedade de uma forma ativa. Ele poderá ser um pecado que chamamos de “passivo” quando a pessoa o tolera, cala-se diante dele e não procura corrigi-lo, por exemplo, dentre as pessoas que estão sob sua direção. De uma forma ou de outra é um pecado social, e ao praticá-lo a pessoa estará não somente deixando de participar do Corpo Místico de Cristo (torna-se um membro morto), mas contribui para a construção do corpo místico de satanás. Se permanecer cometendo vários pecados sociais poderá, um dia, ser membro efetivo deste maldito corpo místico, mesmo que não seja de maneira formal. Quando isso poderá ocorrer, somente analisando cada caso, pois a adesão ao corpo místico de satanás é algo muito difícil de se caracterizar, a não ser naqueles que fazem propósitos explícitos ao participar de seitas diabólicas.

No entanto, podemos dizer que há alguns pecados sociais que fazem com que viva na sociedade o corpo místico do demônio, como, por exemplo, o pecado do liberalismo e do relativismo. Pelo liberalismo as pessoas se julgam livres do jugo da Lei Divina e completamente livres para as práticas de tudo o que sua vontade determinar. E pelo relativismo cria-se a concepção, coletiva e comum a todos, de que o mal se confunde com o bem, tudo é normal, não há uma Religião verdadeira, todas são válidas, a moral é o que cada um julga ser válida para seu convívio social, a moda imoral pode ser aceita sem nenhuma objeção, etc. Não há predomínio maior do corpo místico de satanás sobre todos do que através destes dois pecados sociais.

 

O corpo místico de satanás

Em rigor, Corpo Místico é apenas a Igreja, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo como continuação d’Ele mesmo. Ela é um Corpo porque constituída de pessoas humanas, portanto de uma sociedade inteira de pessoas, e é Místico porque tem natureza sobrenatural e é alimentado pelas graças divinas. Diz-se, assim, que o Corpo Místico de Cristo é a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana.  Este Corpo Místico é assim chamado porque Nosso Senhor fundou a Sua Igreja com características mais místicas do que terrenas, mais sobrenaturais do que naturais. Segundo São Paulo, Ele é a Cabeça dessa Igreja e nós, como seus membros, somos o Corpo, portanto, a continuidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lúcifer, o chefe dos demônios, cuja pretensão era que  ele mesmo fosse o ser a se encarnar como homem e formar um corpo místico, sempre teve como objetivo copiar, macaquear, as coisas divinas e desta forma enganar os homens e levá-los a uma total perdição. Sempre com essa funesta pretensão, está em seus planos fundar também um corpo místico que seja algo parecido com Aquele fundado pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O corpo místico do demônio, pois, existe: seria a igreja satânica. Mas, não de uma forma oficial como a Igreja Católica; não com características bem claras do satanismo; não tão visível, mas um corpo místico obscuro, invisível, secreto, sem uma denominação própria para não chamar a atenção.

Dir-se-ia que é impossível que existam dois corpos místicos: o de Jesus Cristo e o de satanás. De um certo modo, apenas o Corpo Místico de Cristo é autêntico e preenche os requisitos de um verdadeiro corpo místico; enquanto que o do demônio, embora possa ser chamado como tal por assimilação, não é um verdadeiro corpo místico, pois as qualidades do mesmo são obscuras e secretas e não possui os requisitos essenciais para tanto. Desta forma, a designação de corpo místico de satanás, aqui dada, é por assimilação ao verdadeiro Corpo Místico, que é o de Cristo, e não por ser verdadeiro.

Assimilação de que modo? Assimilar é se assemelhar, se parecer com algo em um ou mais aspectos. Poderíamos classificar essa assimilação em dois aspectos principais: a institucionalização e fim a que se destina. Quanto à institucionalização, dir-se-ia que não há assim tanta assimilação, pois nunca satanás fundou uma igreja, pelo menos oficialmente, como o fez Jesus Cristo. No entanto, como se trata de algo secreto, não visível, isto é, um corpo místico inteiramente contrário do de Cristo, essa institucionalização poderia ter ocorrido de uma forma reservada sem que os homens o soubessem. Mas, como não se sabe que a mesma já ocorreu poderemos dizer que nesse particular não há nenhuma assimilação.

Não, não foi feita uma fundação formal, mas pelos fatos ocorridos na História da humanidade poderemos deduzir que essa igreja satânica foi, verdadeiramente, criada. Quando e como? Não se sabe, e talvez nunca chegue a se saber. O que se deduz que ela tenha sido criada é sua ação perante os homens: há séculos que homens se congregam secretamente para combater o Corpo Místico de Cristo através de agremiações, de braços místicos armados em conluios secretos e, para tanto, contam com auxílio de forças preternaturais poderosas. A existência dessas organizações com ares de corpo místico satânico é incontestável, elas existem há muitos séculos. Quando deu-se seu início, sua criação, não se sabe exatamente. Talvez tenha sido já quando Elias combateu os chamados falsos profetas que seguiam a bruxa Jesabel e o Rei Acab, ou tenha sido a partir daí que surgiu o embrião desse corpo místico, a ponto de Deus haver poupado Santo Elias e o colocado, vivo, no Paraíso a fim de voltar para os combates no fim do mundo. 

Mas há uma outra assimilação que não deve ter ocorrido naqueles tempos. Trata-se da assimilação quanto à finalidade. O fim de ambos os corpos místicos é a adoração de seus fundadores: o de Cristo visa adorá-Lo e glorificá-Lo, e o de satanás também visa a adoração a Lúcifer. É provável que até a vinda de Cristo não tenha sido definida ainda tal finalidade no corpo místico de satanás, pois foi com este fim que o demônio tentou Jesus no deserto. Era necessário que alguém o adorasse para que tal finalidade fosse estabelecida em sua “igreja”. Então, quando isso se deu início?  No período de 5 séculos de Revolução.

Desde a Antiguidade até à Idade Média havia na humanidade a adoração de ídolos, mas nunca se falou em adorar o próprio demônio. Com o advento da Revolução, no final da Idade Média, foi-se, aos poucos, sendo pregada aos homens a adoração de satanás. De inicio, não de uma forma explícita e declarada, para não assustar. Mas, aos poucos, os homens foram admitindo esta finalidade até que no século XX ela se tornou mais clara e aceita por muitos.  Vivemos, pois, numa época em que o corpo místico de satanás já cumpre dois requisitos de assimilação macaqueada com o de Cristo: sua institucionalização e sua finalidade.

Mas há outros requisitos. Um deles é a mística. O corpo místico ou a igreja de satanás tem sua mística, não se trata de algo meramente físico e material, composto só de homens, seus objetos, seus locais, seus prédios, etc., mas de uma instituição que tem rituais, iniciações, segredos, poderes metafísicos e preternaturais, com os quais rege as ações de seus membros. Nem é preciso falar da mística da Igreja, toda ela visível e estuante de vitalidade, através dos santos mistérios, dos rituais, dos sacramentos, da adoração divina, etc. A Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo, é uma instituição essencialmente mística e divina.

 



[1] Catecismo da Igreja Católica - questões n. 1033 a 1038

[2] Tofet - Significa fogo: lugar famoso situado na confluência da torrente de Cedron com o vale de Enon, onde sacrificavam crianças a Moloch (2Rs 23, 10).  Tofet ou Moloch torna-se um dos lugares que simboliza o inferno.

[3] “Obras de San Buenaventura” – Editora BAC -  volume I – pág. 511.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

OS CORPOS MÍSTICOS E A "BAGARRE"

 



Antes de tudo, algumas definições: o Corpo Místico de Cristo corresponde à Santa Igreja Católica Apostólica, Romana, em toda a sua extensão, terrena e divina (quer dizer, militante e gloriosa ou reinante). O corpo místico de Satanás seria o inverso, ou seja, um grupo formado por homens e anjos maus que combatem o Corpo Místico de Cristo e formariam uma espécie de “igreja satânica”. Quanto ao termo “bagarre”, significa confusão ou caos em francês, e foi utilizado pelo Dr. Plínio Corrêa de Oliveira para caracterizar a situação caótica e confusa do mundo de hoje, com seu auge chegando a um tal clímax que somente a palavra “bagarre” para o caracterizar.

De algum modo fica até fácil que se entenda o Corpo Místico de Cristo, pois a Igreja é uma instituição divina palpável e presente entre os homens. No entanto, o corpo místico de Satanás, ou a “igreja do demônio”, como age nas trevas (apesar de também estar presente é quase invisível), nos cria dificuldades ao se querer defini-la em um sentido metafísico ou filosófico mais preciso. Mas, apesar disso, ele existe e atua...

Como é que um ser humano participa de um corpo místico? Pertence ao Corpo Místico de Cristo todo homem batizado na Santa Igreja Católica e nela perseverante na freqüência de seus Sacramentos e na adesão ao primado de Pedro. Poder-se-ia dizer que pertence ao corpo místico de Satanás todo homem que peca, que se revolta contra Deus, mas este pecado (ou estado de revolta) teria uma característica especial que o faz cumpridor dos planos de Satanás na destruição da verdadeira Igreja. Assim, um católico mesmo estando em pecado mortal continua a ser membro do Corpo Místico de Cristo (embora seja temporariamente um membro morto pela falta da graça divina). A fim de que ele passe a pertencer inteiramente ao corpo místico de Satanás terá que cometer tais pecados ou chegar a um tal estado de revolta que o faça inteiramente a serviço do inimigo da Criação e das almas.

É esta última condição que quero analisar.  Ora, os pecados podem ser individuais e coletivos, isto é, o homem peca sozinho ou com os demais; ou peca apenas com uma pessoa ou com um grupo de pessoas. Assim, os pecados coletivos podem levar os homens a constituir um corpo místico de Satanás. O pecador quando peca sozinho expulsa Deus do interior de sua alma, mas é ainda considerado (sendo católico) membro do Corpo Místico de Cristo (um membro morto mas a espera da ressurreição ou volta para o mesmo Corpo)  e sujeito à remissão pela graça da Confissão. No entanto, ele pode pecar com outra pessoa e, naquele instante, cria um vínculo pecaminoso com outro na revolta contra Deus. Indo mais adiante, pode haver um grupo de pessoas ou uma sociedade inteira que cometa determinados pecados, e aí no caso teríamos uma “sociedade mística de Satanás” atuando contra Deus.

Exemplos: o pecado do liberalismo, do laicismo, do estado totalitário, no campo social, e os pecados de divórcio, amor-livre, sodomia e taras sexuais no âmbito moral. Há também um pecado coletivo, muito comum entre pagãos, que é o espírito de vingança, que pode levar à guerra e ao mata-mata do banditismo. E este pecado de espírito de vingança tornou-se muito comum no Brasil. Basta verificar que, ao ocorrer determinado crime, as pessoas gritam logo “por justiça”, isto é, querem de qualquer forma ver o criminoso punido. Mas essa punição é desejada mais como vingança do que como justiça. Todos estes pecados levam às sociedades a participarem do corpo místico de Satanás através dos pecados individuais ou coletivos de seus membros.

Imagina-se que a sociedade dita satânica, ou o seu corpo místico, só seria composta de bruxos, magos ou satanistas. Mas, não; estes poderiam até ser os elementos de proa, o seu “corpo docente”, mas todo o restante do corpo místico de Satanás é composto por todos aqueles que cometem pecados coletivos e levam toda a sociedade a descaracterizar ou destruir, se possível  fosse, a Igreja de Cristo entre os homens.

 

O caminho da desesperança, a “bagarre”

O pecado coletivo que estaria detonando a “bagarre” seria o da falta de Confiança, ou o da Desesperança, corolário de um conjunto de outros pecados coletivos. E este tem crescido assustadoramente nos últimos dias. Trata-se de um pecado contra o Espírito Santo, pois levando ao desespero, leva também à perdição eterna. E há muitos anos que se repetem os crimes chamados de “serial killer”, matança indiscriminada de pessoas.  É a consumação máxima do desespero, o qual pretende se espalhar despoticamente sobre o resto da população.

O atirador geralmente é um possesso. E pertencendo ao corpo místico de Satanás por causa de um pecado coletivo: o da desesperança. O demônio quer que haja este tipo de ataques, de matanças em massa, a fim de aumentar a desesperança entre as pessoas. Tudo indica que o atirador age por impulsos diabólicos, demonstrando rara perícia no manejo das armas e na frieza das execuções.

O normal é que na sociedade as pessoas tenham confiança e esperança. A confiança natural, até mesmo uns nos outros, e a esperança de dias melhores. Mas, impera hoje em dia a desconfiança e a desesperança.

 

A comoção social

E sempre foi assim: cada passo dado na sociedade pecaminosa, cada susto dado, abre um precedente e cria nas almas das pessoas propensão para achar aquilo normal, embora de início cause comoção. Muitos dos crimes hediondos que hoje se pratica, com a conseqüente difusão em massa pela mídia, vai aos poucos acostumando as pessoas com o império do mal. No caso concreto, o império da desesperança.

De início, causava impacto as ações de bandidos à mão armada assaltando e matando, mas, com o tempo tais ações foram ficando tão comuns que até a população que se diz ordeira chega a praticá-las como coisa natural.

E “naturalmente” vão também criando falsos mártires com intuito de alimentar mais ainda a comoção social  as revoluções urbanas.

Vários “mártires” foram apresentados pela Revolução à opinião pública como herói, mas, na maioria das vezes, não passaram de elementos fracos, pusilânimes ou até mesmo covardes. Um exemplo é o facínora argentino “Che” Guevara, na realidade um fracassado sinistro, sem nenhum valor heróico sequer para a seita dele, mas apresentado como tal para ser “venerado” pelo público. Quem o “venera”, de algum modo, incentiva a atuação do corpo místico de Satanás.

Nos dias atuais a coisa tem destaque diferente. Ao longo dos anos o crime foi tendo sempre uma nota de novidade, causando um primeiro impacto na opinião pública e depois se banalizando. A série de assassinatos em massa que se iniciou nos Estados Unidos teve obviamente a mão satânica, nesta perspectiva, de se criar um estado de torpor na opinião pública, mas criando ao longo dos anos como que uma nova “escola” de violência. De revolta principalmente contra a Ordem.

E de desespero. A nota comum deste desespero é o suicídio do assassino logo após os massacres. De tal forma isto virou “novidade” que, logo depois do primeiro caso, já ocorreram diversos assassinatos de cônjuges, namorados ou amantes em que o criminoso se suicida em seguida. Será que já houve tantos casos assim em épocas passadas? Não sei, acho que não.

 

O mundo virtual pode levar à desesperança

O certo é que Satanás nunca age sozinho quando se trata desta guerra contra Deus e Sua Obra. Sozinho ele apenas deu aquele brado famoso “non serviant”, mas precisou da anuência de Adão e Eva para se praticar o primeiro pecado, do apoio dos homens para a revolta de Babel e de todas as revoltas já havidas contra Deus, inclusive o deicídio, que Satanás não teria perpetrado sem o concurso dos homens. As profanações dos Santíssimos Sacramentos que ocorrem não se fariam sem o concurso dos homens. Ele precisa de um corpo místico aqui na terra para continuar sua guerra contra Deus... E é através dos membros deste corpo místico que é cometido os crimes mais infames e, conseqüentemente, o crescimento deste mesmo corpo místico.

Quantos e quantos detentores da mesma mentalidade não existem no mundo de hoje, apenas a espera de uma “ordem” preternatural para executar seus desígnios! E de tal forma que possa dar rumos à história.

Com o surgimento do chamado mundo virtual da internet, ficou mais fácil atingir a mentalidade das pessoas com pensamentos ignóbeis e até atrair prosélitos para o corpo místico de satanás. O sujeito vive num falso mundo, o virtual, e o tem como verdadeiro; mas, ao acordar para o mundo real que o circunda fica frustrado e passa a querer destruí-lo, pois para ele o mundo de sua imaginação criado nas redes sociais, o mundo virtual, é o seu verdadeiro mundo.

Um exemplo. Após assistir o filme “Código Da Vinci”, na Itália, um jovem vê um sacerdote na rua e, sem pestanejar, o mata. Na polícia, o assassino diz que viu naquele padre o “inimigo” que ele tanto odiava, que era apenas um personagem do filme. Este criminoso é um dos milhares que andam por aí, sendo preparados diante das telas de cinemas, da TV ou de computadores para agir de forma real. Quer dizer, o virtual transformou-se em realidade na hora em que ele deveria manifestar todo o ódio nutrido interiormente pela película. É nesse mesmo mundo virtual que é gerado e nutrido um crescente número de tarados sexuais, viciados em vídeos e propagandas pornográficas, a agir em qualquer hora contra a sociedade, especialmente contra os inocentes.

Assistimos hoje a uma enxurrada de insinuações virtuais, tanto pela internet quanto pela TV e pelo cinema. Várias mentes estão sendo possuídas para agir em certos momentos, naqueles momentos em que o demônio queira que tome novos rumos o caminho para a desesperança... Um assistente virtual é um potente candidato a ser membro do corpo místico de satanás.

O corpo místico de Cristo

Até onde chegaremos? É claro que a Providência suscita alguns que mantém viva a Fé e a Confiança. Especialmente a Esperança. Uma das principais diferenças práticas entre estas virtudes é que a Confiança, de modo geral, se refere ao dia a dia, aos problemas cotidianos, às necessidades mais imediatas da pessoa humana, enquanto que a Esperança se refere a algo mais distante, ao porvir. Confia-se na assistência divina às nossas necessidades materiais, como alimentação e vestimenta, mas espera-se sempre por dias melhores, por um futuro mais feliz ou pela salvação eterna. Nós confiamos firmemente na Providência para socorrer as necessidades do Apostolado, mas esperamos algo mais além, que é a vitória de Nossa Senhora e a implantação de Seu Reino, como coisa futura, embora com a mesma certeza de atendimento.

Que a Santíssima Virgem tenha piedade de nós e nos dê paz de alma para saber vencer este pandemônio. Foi para nos animar a esta vitória que Ela disse em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.

O triunfo do Imaculado Coração de Maria é o triunfo do Sagrado Coração de Jesus, é o trunfo do Corpo Místico d’Ele, composto daqueles que foram batizados, crêem e professam a doutrina de Cristo em união com a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

 

 

Ver também:

CIVILIZAÇÃO DO PECADO, DAS GUERRAS E DOS HORRORES DAS EPIDEMIAS

 

https://quodlibeta.blogspot.com/2020/04/civilizacao-do-pecado-das-guerras-e-dos.html

 


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

OS CORPOS MÍSTICOS E A "BAGARRE"






Antes de tudo, algumas definições: o Corpo Místico de Cristo corresponde à Santa Igreja Católica Apostólica, Romana, em toda a sua extensão, terrena e divina (quer dizer, militante e gloriosa ou reinante). O corpo místico de Satanás seria o inverso, ou seja, um grupo formado por homens e anjos maus que combatem o Corpo Místico de Cristo e formariam uma espécie de “igreja satânica”. Quanto ao termo “bagarre”, significa confusão ou caos em francês, e foi utilizado pelo Dr. Plínio Corrêa de Oliveira para caracterizar a situação caótica e confusa do mundo de hoje, com seu auge chegando a um tal clímax que somente a palavra “bagarre” para o caracterizar.
De algum modo fica até fácil que se entenda o Corpo Místico de Cristo, pois a Igreja é uma instituição divina palpável e presente entre os homens. No entanto, o corpo místico de Satanás, ou a “igreja do demônio”, como age nas trevas (apesar de também estar presente é quase invisível), nos cria dificuldades ao se querer defini-la em um sentido metafísico ou filosófico mais preciso. Mas, apesar disso, ele existe e atua...
Como é que um ser humano participa de um corpo místico? Pertence ao Corpo Místico de Cristo todo homem batizado na Santa Igreja Católica e nela perseverante na freqüência de seus Sacramentos e na adesão ao primado de Pedro. Poder-se-ia dizer que pertence ao corpo místico de Satanás todo homem que peca, que se revolta contra Deus, mas este pecado (ou estado de revolta) teria uma característica especial que o faz cumpridor dos planos de Satanás na destruição da verdadeira Igreja. Assim, um católico mesmo estando em pecado mortal continua a ser membro do Corpo Místico de Cristo (embora seja temporariamente um membro morto pela falta da graça divina). A fim de que ele passe a pertencer inteiramente ao corpo místico de Satanás terá que cometer tais pecados ou chegar a um tal estado de revolta que o faça inteiramente a serviço do inimigo da Criação e das almas.
É esta última condição que quero analisar.  Ora, os pecados podem ser individuais e coletivos, isto é, o homem peca sozinho ou com os demais; ou peca apenas com uma pessoa ou com um grupo de pessoas. Assim, os pecados coletivos podem levar os homens a constituir um corpo místico de Satanás. O pecador quando peca sozinho expulsa Deus do interior de sua alma, mas é ainda considerado (sendo católico) membro do Corpo Místico de Cristo (um membro morto mas a espera da ressurreição ou volta para o mesmo Corpo)  e sujeito à remissão pela graça da Confissão. No entanto, ele pode pecar com outra pessoa e, naquele instante, cria um vínculo pecaminoso com outro na revolta contra Deus. Indo mais adiante, pode haver um grupo de pessoas ou uma sociedade inteira que cometa determinados pecados, e aí no caso teríamos uma “sociedade mística de Satanás” atuando contra Deus.
Exemplos: o pecado do liberalismo, do laicismo, do estado totalitário, no campo social, e os pecados de divórcio, amor-livre, sodomia e taras sexuais no âmbito moral. Há também um pecado coletivo, muito comum entre pagãos, que é o espírito de vingança, que pode levar à guerra e ao mata-mata do banditismo. E este pecado de espírito de vingança tornou-se muito comum no Brasil. Basta verificar que, ao ocorrer determinado crime, as pessoas gritam logo “por justiça”, isto é, querem de qualquer forma ver o criminoso punido. Mas essa punição é desejada mais como vingança do que como justiça. Todos estes pecados levam às sociedades a participarem do corpo místico de Satanás através dos pecados individuais ou coletivos de seus membros.
Imagina-se que a sociedade dita satânica, ou o seu corpo místico, só seria composta de bruxos, magos ou satanistas. Mas, não; estes poderiam até ser os elementos de proa, o seu “corpo docente”, mas todo o restante do corpo místico de Satanás é composto por todos aqueles que cometem pecados coletivos e levam toda a sociedade a descaracterizar ou destruir a Igreja de Cristo entre os homens.

O caminho da desesperança e os “serial killer”
O pecado coletivo que está detonando a “bagarre” seria o da falta de Confiança, ou o da Desesperança, corolário de um conjunto de outros pecados coletivos. E este tem crescido assustadoramente nos últimos dias. Trata-se de um pecado contra o Espírito Santo, pois levando ao desespero, leva também à perdição eterna. E há muitos anos que se repetem os crimes chamados de “serial killer”, matança indiscriminada de pessoas, especialmente nos Estados Unidos da América, com destaque para o estado da Flórida.
Vamos começar analisando um caso no Brasil (país, onde não ocorrem tais eventos como lá na América do Norte): a 7 de abril de 2011 no Rio de Janeiro, um jovem entra atirando numa escola, mata vários garotos e depois se suicida. Trata-se apenas da repetição de uma cena já vista em outros países. É a consumação máxima do desespero, o qual pretende se espalhar despoticamente sobre o resto da população.
O atirador deveria estar possesso. E pertencendo ao corpo místico de Satanás por causa de um pecado coletivo: o da desesperança. Este pecado, ou situação espiritual, é estimulado (embora não seja o principal fator) pelo mundo virtual, hoje profuso. O homem vive num mundo irreal, ilusório e virtual e, de repente, transforma este mundo em realidade. Ele “acorda” de seu mundo interior, todo feito de revoltas contra a Ordem do Universo, querendo destruir o mundo real que há em volta dele.
O demônio quer que haja este tipo de ataques, de matanças em massa, a fim de aumentar a desesperança entre as pessoas. E tudo indica que o atirador agiu por impulsos diabólicos, demonstrando rara perícia no manejo das armas e na frieza das execuções das crianças. Um homem em seu estado normal não teria tanta frieza. Deveria estar possesso...

O massacre da Noruega (julho de 2011)
Os acontecimentos mundiais há muito tempo que não são mais analisados segundo certa lógica sociológica ou, por assim dizer, política e social. Aliás, tal é o caos que nada mais parece ter lógica para quem analisa certos fatos que ocorrem atualmente. 
Um deles foi o atentado perpetrado pelo “serial killer” norueguês. Os meios de comunicação o descrevem, geralmente, com dois aspectos: um de certa simpatia e outro de completa aversão. A simpatia vem por conta de seu porte físico, seu cabelo louro, seus olhos azuis, enfim, sua cultura e sua ascendência um tanto simpática. A aversão vem, unicamente, por causa de sua “ideologia”, na qual ele era descrito como “fundamentalista cristão de direita” e mostrado sempre numa foto em que posou ao lado de uma cruz suástica nazista.
Para se analisar tal episódio temos que ter alguns pressupostos. Primeiro: a Revolução é dirigida por forças secretas, onde o próprio Satanás dá algumas ordens e tenta cumprir certo plano. Segundo: cada lance ou cada passo importante dado pela Revolução é executado por um ou mais homens, geralmente possuídos por alguns demônios e sob “ordens” ou meras insinuações dos mesmos ou de seus chefes. O demônio, por si mesmo, não teria poder para agir com tanta desenvoltura. Tem que haver o concurso dos homens, além da permissão de Deus, é claro.
Nesse aspecto, alguns lances ocorridos nos últimos anos têm sido feitos segundo uma técnica chamada de “acupuntura social”. Trata-se de uma técnica de manobrar a opinião pública, usando artifícios, a modo de agulhas de acupuntura (que toca em algumas partes do corpo para surtir efeito em outras), fazendo com que as pessoas passem a agir de forma diferente, e até contrárias, a seus princípios por causa de algum fator emocional passageiro.
Um exemplo: o atentado a bombas em Madri no ano 2004, quando o efeito produzido na opinião pública foi a derrota do candidato direitista (que nas pesquisas iria ganhar com folga) e a vitória do desprestigiado partido socialista. Foi tal a rejeição emocional para o governo que causou sua derrota política. Quer dizer: um atentado cometido por muçulmanos, contra as guerras do oriente, teve como objetivo a derrota de seus inimigos na eleição espanhola.
Difícil dizer ou falar sobre alcance político do atentado contra as torres gêmeas em 2001, mas houve uma mudança da opinião pública ao considerar a fragilidade do colosso americano, ferido gravemente em seu íntimo por um indivíduo só (Bin Laden), o qual figurava na mente das pessoas como uma figura magra, esquálida, triste e melancólica, até mesmo meio idiota, mas atrevidamente enfrentando a maior potência do mundo.
Parece que o atentado na Noruega tem também uma finalidade de “acupuntura social”. Vejamos. O terrorista afirma que seu principal objetivo era criticar o governo por causa de sua tentativa de flexibilizar a entrada de imigrantes no país. Esta é uma questão que se discute muito na Europa, com alguns países tentando amenizar as leis para permitir que levas de imigrantes penetrem naquele continente. Discute-se entre os políticos, mas a opinião pública não é muito simpática à idéia. Agora, parece ter mudado o pensamento das pessoas por causa de um lance emocional de um  bárbaro atentado. A agulhada de acupuntura consistiu num atentado que chocou a opinião de tal forma que a fez apoiar a entrada de imigrantes, coisa antes impossível.
Unamos os pressupostos acima com o atentado em si. Surgiu entre as notícias a informação de que o “serial killer” era maçom, e de grau elevado. Culto, inteligente, maçom de grau elevado, resolve espalhar na internet sua ideologia denominada “cristã de direita” e contrária ao projeto governista de relaxar as leis de imigração. Como é que pode ser considerado inteligente um indivíduo que pensa que um atentado de tal monta faria as pessoas apoiar sua causa? É claro que o objetivo foi o contrário, isto é, não visava conseguir apoio mas rejeição de suas idéias, embora não demonstrasse ser esse seu objtivo. E quem o fez agir assim? Seus compromissos com as seitas secretas e com o “chefe” supremo delas, Satanás. O qual, para cumprir seu desígnio, o possuiu antecipadamente talvez em suas sessões secretas...
O que pode ter ocorrido nos dias que se seguiram ao atentado? Vários governos europeus (especialmente da França e Alemanha) manifestaram o propósito de modificar suas legislações a fim de flexibilizar as imigrações, especialmente provenientes dos países em guerra na África, como Síria, Líbia e tantos outros . Estaria sendo preparada assim a “grande invasão” muçulmana de que fala as profecias do passado? É o que está ocorrendo no momento.
Repentinamente a opinião pública mundial se volta para o mesmo problema nos Estados Unidos da América, quando uma onda de imigrantes ameaça suas fronteiras, todos vindos dos países da América Central, região assolada por governos esquerdistas e com graves problemas sociais e políticos que os americanos, bem pertinho deles, não conseguiram resolver ou ajudar a solucioná-los. Muitas vidas estão em perigo nesse arriscado jogo político, onde empurram massas humanas em direção de algo em que não se vislumbra nenhuma esperança de sucesso. Para tanto, umas tantas vidas humanas nada representam para os corifeus da Revolução universal.

A comoção social
E sempre foi assim: cada passo dado na sociedade pecaminosa, cada susto dado com casos como esse, abre um precedente e cria nas almas das pessoas propensão para achar aquilo normal, embora de início cause comoção. Muitos dos crimes hediondos que hoje se pratica, com a conseqüente difusão em massa pela mídia, vai aos poucos acostumando as pessoas com o império do mal. No caso concreto, o império da desesperança.
De início, causava impacto as ações de bandidos à mão armada assaltando e matando, mas, com o tempo tais ações foram ficando tão comuns que até a população que se diz ordeira chega a praticá-las como coisa natural.
E há também os falsos heróis, apresentados como “modelos” de revolta contra a ordem. Monsenhor Delassus conta um caso sintomático. Dois elementos das forças secretas foram executados em certa cidade italiana em meados do século XIX. A constância e orgulho demonstrado por ambos foi motivo de alegria pelos seus prosélitos (embora fossem insignificantes na seita) pois aquilo representava um choque na opinião pública. Poderiam ser tidos como “mártires” e mudar o sentido de martírio. Foram eles “pioneiros” em criar esta nova concepção de martírio na opinião pública. Vários “mártires” foram apresentados pela Revolução à opinião pública como herói, mas, na maioria das vezes, não passaram de elementos fracos, pusilânimes ou até mesmo covardes. Um exemplo é o facínora argentino “Che” Guevara, na realidade um fracassado sinistro, sem nenhum valor heróico sequer para a seita dele, mas apresentado como tal para ser “venerado” pelo público. Quem o “venera”, de algum modo, incentiva a atuação do corpo místico de Satanás.
Nos dias atuais a coisa tem destaque diferente. Ao longo dos anos o crime foi tendo sempre uma nota de novidade, causando um primeiro impacto na opinião pública e depois se banalizando. A série de assassinatos em massa que se iniciou nos Estados Unidos teve obviamente a mão satânica, nesta perspectiva, de se criar um estado de torpor na opinião pública, mas criando ao longo dos anos como que uma nova “escola” de violência. De revolta principalmente contra a Ordem.
E de desespero. A nota comum deste desespero é o suicídio do assassino logo após os massacres. De tal forma isto virou “novidade” que, logo depois do primeiro caso, já ocorreram diversos assassinatos de cônjuges, namorados ou amantes em que o criminoso se suicida em seguida. Será que já houve tantos casos assim em épocas passadas? Não sei, acho que não.

O mundo virtual pode levar à desesprança
O certo é que Satanás nunca age sozinho quando se trata desta guerra contra Deus e Sua Obra. Sozinho ele apenas deu aquele brado famoso “non servian”, mas precisou da anuência de Adão e Eva para se praticar o primeiro pecado, do apoio dos homens para a revolta de Babel e de todas as revoltas já havidas contra Deus, inclusive o deicídio, que Satanás não teria perpetrado sem o concurso dos homens. As profanações dos Santíssimos que ocorrem não se fariam sem o concurso dos homens. Ele precisa de um corpo místico aqui na terra para continuar sua guerra contra Deus... E é através dos membros deste corpo místico que é cometido os crimes mais infames e, conseqüentemente, o crescimento deste mesmo corpo místico.
Sobre o massacre do Rio, muitos depoimentos foram dados por psicólogos e especialistas, mas nenhum deles atentou para as verdadeiras causas deste mal. Em geral falam de problemas de psicoses, de frustrações familiares, enfim, de algum problema humano comum nos dias de hoje, mas não chegam sequer a sugerir o problema preternatural. Quantos e quantos detentores da mesma mentalidade não existem no mundo de hoje, apenas a espera de uma “ordem” preternatural para executar seus desígnios! E de tal forma que possa dar rumos à história.
Um outro exemplo. Após assistir o filme “Código Da Vinci”, na Itália, um jovem vê um sacerdote na rua e, sem pestanejar, o mata. Na polícia, o assassino diz que viu naquele padre o “inimigo” que ele tanto odiava, que era apenas um personagem do filme. Este criminoso é um dos milhares que andam por aí, sendo preparados diante das telas de cinemas, da TV ou de computadores para agir de forma real. Quer dizer, o virtual transformou-se em realidade na hora em que ele deveria manifestar todo o ódio nutrido interiormente pela película. É nesse mesmo mundo virtual que é gerado e nutrido um crescente número de tarados sexuais, viciados em vídeos e propagandas pornográficas, a agir em qualquer hora contra a sociedade, especialmente contra os inocentes.
Assistimos hoje a uma enxurrada de insinuações virtuais, tanto pela internet quanto pela TV e pelo cinema. Várias mentes estão sendo possuídas para agir em certos momentos, naqueles momentos em que o demônio queira que tome novos rumos o caminho para a desesperança...
Surgiu assim uma nova “onda”, que pretende ser sucessora dos hippies ou dos punks: trata-se dos “freaks” (em inglês), mas já denominados de “frikis” no Japão e na Espanha. Estes últimos são produto acabado do jovem introvertido que vive num mundo virtual, chamados por um psicólogo espanhol de “autistas consentidos”. Formando comunidades “freaks” vão criar um mundo “real” diferente daquele em que vivem e inteiramente afinados com seus ídolos de jogos e de cinemas. E para tanto já elegeram uma palavra-talismã de forte efeito: empatia. Alguns chegaram a ter tanta empatia por um ídolo, um cantor de uma banda que se matou, que resolveram seguir o ídolo e se matar também. Um deles, um gaúcho de apenas 16 anos (por sinal filho de família muito rica), cometeu o suicídio de acordo com orientações captadas pela internet, deixando tudo registrado, vídeos, etc: o objetivo seria causar impacto entre seus familiares, uma espécie de “vingança”, uma revolta inusitada...
Até onde chegaremos? É claro que a Providência suscita alguns que mantém viva a Fé e a Confiança. Especialmente a Esperança. Uma das principais diferenças práticas entre estas virtudes é que a Confiança, de modo geral, se refere ao dia a dia, aos problemas cotidianos, às necessidades mais imediatas da pessoa humana, enquanto que a Esperança se refere a algo mais distante, ao porvir. Confia-se na assistência divina às nossas necessidades materiais, como alimentação e vestimenta, mas espera-se sempre por dias melhores, por um futuro mais feliz ou pela salvação eterna. Nós confiamos firmemente na Providência para socorrer as necessidades do Apostolado, mas esperamos algo mais além, que é a vitória de Nossa Senhora e a implantação de Seu Reino, como coisa futura, embora com a mesma certeza de atendimento.
Quanto ao pecado da desesperança, caminha-se para ele através da desconfiança: desconfia-se hoje de tudo e de todos; desconfia-se não só das pessoas, mas das instituições sociais, como do governo; desconfia-se dos comerciantes e dos empresários de modo geral. E pela desconfiança perde-se a esperança na solução dos problemas. Crê-se que tudo está perdido, não há mais saída para nada. É a desesperança, caldo de cultura da “bagarre”. Neste sentido, a morte é o ponto alto dessa desesperança, e a morte será a “moeda corrente” da “bagarre”, causando desesperança nuns, embora haja confiança noutros por causa da Fé vivida no cotidiano.
Quem viver, verá! Muitos outros massacres estão por vir, o mata-mata está muito próximo, pois as forças da mídia virtual estão preparando muitos elementos para cumprir tão nefastos desígnios. E, cúmulo da desesperança, seguidos de suicídios.
Que a Santíssima Virgem tenha piedade de nós e nos dê paz de alma para saber vencer este pandemônio que se aproxima.




sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O PECADO DE ADULTÉRIO E O CORPO MÍSTICO DE SATANÁS



O corpo místico de Satanás





Em rigor, Corpo Místico é apenas a Igreja, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo como continuação d’Ele mesmo. Ela é um Corpo porque constituída de pessoas humanas, portanto de uma sociedade inteira de pessoas, e é Místico porque tem natureza sobrenatural e é alimentado pelas graças divinas. Diz-se, assim, que o Corpo Místico de Cristo é a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana.  Este Corpo Místico é assim chamado porque Nosso Senhor fundou a Sua Igreja com características mais místicas do que terrenas, mais sobrenaturais do que naturais. Segundo São Paulo, Ele é a Cabeça dessa Igreja e nós, como seus membros, somos o Corpo, portanto, a continuidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
“Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim, o corpo não se consiste em um só membro, mas em muitos” (I Cor 12,12-14).

Lúcifer, o chefe dos demônios, cuja pretensão era que ele mesmo fosse o ser a se encarnar como homem e formar um corpo místico, sempre teve como objetivo copiar, macaquear, as coisas divinas e desta forma enganar os homens e levá-los a uma total perdição. Sempre com essa funesta pretensão, está em seus planos fundar também um corpo místico que seja algo parecido com Aquele fundado pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O corpo místico do demônio, pois, existe: seria a igreja satânica. Mas, não de uma forma oficial como a Igreja Católica; não com características bem claras do satanismo; não tão visível, mas um corpo místico obscuro, invisível, secreto, sem uma denominação própria para não chamar a atenção.
Dir-se-ia que é impossível que existam dois corpos místicos: o de Jesus Cristo e o de satanás. De um certo modo, apenas o Corpo Místico de Cristo é autêntico e preenche os requisitos de um verdadeiro corpo místico; enquanto que o do demônio, embora possa ser chamado como tal por assimilação, não é um verdadeiro corpo místico, pois as qualidades do mesmo são obscuras e secretas e não possui os requisitos essenciais para tanto. Desta forma, a designação de corpo místico de satanás, aqui dada, é por assimilação ao verdadeiro Corpo Místico, que é o de Cristo, e não por ser verdadeiro.
Assimilação de que modo? Assimilar é se assemelhar, se parecer com algo em um ou mais aspectos. Poderíamos classificar essa assimilação em dois aspectos principais: a) a institucionalização; b) o fim a que se destina. Quanto à institucionalização, dir-se-ia que não há assim tanta assimilação, pois nunca satanás fundou uma igreja, pelo menos oficialmente, como o fez Jesus Cristo. No entanto, como se trata de algo secreto, não visível, isto é, um corpo místico inteiramente contrário ao de Cristo, essa institucionalização poderia ter ocorrido de uma forma reservada sem que os homens o soubessem. Mas, como não se sabe que a mesma já ocorreu poderá alguém dizer que nesse particular não há nenhuma assimilação.
Não, não foi feita uma fundação formal, mas pelos fatos ocorridos na História da humanidade poderemos deduzir que essa igreja satânica foi, verdadeiramente, criada. Quando e como? Não se sabe, e talvez nunca chegue a se saber. O que se deduz que ela tenha sido criada é sua ação perante os homens: há séculos que homens se congregam secretamente para combater o Corpo Místico de Cristo através de agremiações, de braços místicos armados em conluios secretos e, para tanto, contam com auxílio de forças preternaturais poderosas. A existência dessas organizações com ares de corpo místico satânico é incontestável, elas existem há muitos séculos. Quando deu-se seu início, sua criação, não se sabe exatamente. Talvez tenha sido já quando Elias combateu os chamados falsos profetas que seguiam a bruxa Jesabel e o Rei Acab, ou tenha sido a partir daí que surgiu o embrião desse corpo místico, a ponto de Deus haver poupado Santo Elias e o tenha colocado vivo no Paraíso a fim de voltar para os combates no fim do mundo. 
Mas há uma outra assimilação que não deve ter ocorrido naqueles tempos. Trata-se da assimilação quanto à finalidade. O fim de ambos os corpos místicos é a adoração de seus fundadores e construção de um reino: o de Cristo visa adorá-Lo e glorificá-Lo e a implantação de Seu Reino, e o de satanás também visa a adoração a Lúcifer e o império de seu reino. É provável que até a vinda de Cristo não tenha sido definida ainda tal finalidade no corpo místico de satanás, pois foi com este fim que o demônio tentou Jesus no deserto. Quer dizer, ele pretendia naquele momento iniciar alguém que o adorasse e depois espalhasse esta novidade entre os homens. Era necessário que alguém o adorasse para que tal finalidade fosse estabelecida em sua “igreja”. Então, quando isso se deu início?  É provável que no período de 5 séculos de Revolução, quando, finalmente se erigiu a igreja de satanás e se propagou o seu reino.
Desde a Antiguidade até à Idade Média havia na humanidade a adoração de ídolos, mas nunca se falou em adorar o próprio demônio. Com o advento da Revolução, após a Idade Média, foi-se, aos poucos, sendo pregada aos homens a adoração de satanás. De inicio, não de uma forma explícita e declarada, para não assustar. Mas, aos poucos, os homens foram admitindo esta finalidade até que no século XX ela se tornou mais clara e aceita por muitos.  Vivemos, pois, numa época em que o corpo místico de satanás já cumpre dois requisitos de assimilação macaqueada com o de Cristo: sua institucionalização (embora não explícita e formal) e sua finalidade.
Mas há outros requisitos. Um deles é a mística. O corpo místico ou a igreja de satanás tem sua mística, não se trata de algo meramente físico e material, composto só de homens, seus objetos, seus locais, seus prédios, etc., mas de uma instituição que tem rituais, iniciações, segredos, poderes metafísicos e preternaturais, com os quais rege as ações de seus membros. Nem é preciso falar da mística da Igreja, toda ela visível e estuante de vitalidade, através dos santos mistérios, dos rituais, dos sacramentos, da adoração divina, etc. A Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo, é uma instituição essencialmente mística e divina, mas de uma forma visível, enquanto o de satanás existe de uma forma secreta.

Os pecados contra a natureza e o adultério
Quando o pecado é cometido só por uma pessoa, caracteriza-se um delito individual, mas o cristão não se separa do Corpo Místico, sendo considerado um membro doente ou defeituoso e ainda ligado ao Corpo principal. Com o arrependimento e a  penitência feita, consumados numa confissão bem feita a um sacerdote, o membro volta à normalidade em seu Corpo.
Diferente é quando se comete um pecado social, isto é, peca-se não sozinho, mas com alguém ou com a sociedade em que vive. Quer dizer, o chamado “pecado social” pode se caracterizar quando se peca com alguém ou participa do pecado coletivo de toda a sociedade, um pecado comum a todo o corpo social, por exemplo, apoiando o socialismo, o comunismo, leis abortistas, o próprio adultério público, etc. Nestes casos de pecados coletivos, tão mais graves contra Deus, a pessoa poderá passar a pertencer, embora sem consciência do fato, ao corpo místico de satanás, pois está em atitude militante contra o Corpo Místico de Cristo. Por causa disso a Igreja excomunga oficialmente aqueles que cometem certos pecados sociais graves, e essa excomunhão separa oficialmente a pessoa do Corpo Místico de Cristo, e, ipso facto, o leva a fazer parte do corpo místico de satanás.
Qual é a diferença? É que o pecado coletivo, nesse caso, não é apenas um ato de rebeldia individual contra Deus, mas um ato coletivo, fazendo parte de uma espécie de conjuração formada por duas ou mais pessoas (ou toda uma sociedade) em união com o tentador que faz parte também daquele pecado. Então, a primeira célula de um corpo místico de satanás começa com duas pessoas, e passa a tomar vulto e aumenta ao inseri-las no restante dos pecadores comuns a eles.
Quanto ao adultério, ele representa tanto um pecado comum a duas pessoas quanto à toda sociedade. No primeiro caso isso se dá quando a traição não é pública, é reservada. No segundo é quando o caso é público e corrobora um pecado social coletivo em que todos aprovam aquele tipo de atitude. Num e outro caso a pessoa,  embora não seja excomungada, passa a colaborar com a construção do corpo místico de satanás, embora possa pertencer ainda ao Corpo Místico de Cristo. Fica numa situação anômala, estranha, em que faz de um corpo e produz efeitos para outro. Também nesta situação a pessoa pode se arrepender, fazer penitência e voltar à normalidade no Corpo Místico de Cristo.
Mas, é preciso tomar cuidado, pois se ficar cometendo amiúde tais tipos de pecados o corpo místico de satanás vai exigir que ela faça mais para seu crescimento. Estes são os casos em que vários pecadores públicos fazem apologia declarada e formal em prol do adultério, da fornicação, da promiscuidade sexual, do homossexualismo e de tantos outros pecados contra a natureza. Quando ocorrer de não somente praticarem tais pecados, mas os divulgarem á toda a sociedade, transformando-se em ativistas dos mesmos, aí, sim, as pessoas passam a fazer parte oficialmente do corpo místico de satanás. Estão incluídos neste maldito corpo místico todos os ativistas que atuam contra os princípios morais cristãos, contra a família, e promovem a promiscuidade sexual e moral na sociedade. Também podem pertencer a tal maldito corpo místico aqueles que têm obrigação de combater a favor do Corpo Místico de Cristo, mas, pelo contrário, causam embaraços ou até opõem graves obstáculos ao seu crescimento social.