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quarta-feira, 31 de julho de 2013

A verdadeira "Igreja das ruas"


Num de seus discursos feitos no Brasil, dirigido aos argentinos, o Papa Francisco frisou bem que a Igreja tem que ir às ruas.  O que quer dizer isso, da Igreja ir às ruas?

Com sua mensagem essencialmente espiritual toda e qualquer manifestação da Igreja é no campo meramente religioso, penetrando às vezes no campo temporal apenas quando há questões morais e de doutrina envolvidas, de tal sorte que seja necessária sua intervenção. Por exemplo, os religiosos são normalmente aconselhados pelos bispos a não se envolverem em política partidária; é significativo o último caso do bispo Fernando Lugo, paraguaio, que se candidatou a presidente, mas foi afastado de ordens por causa disso.

Muitos podem pensar que a idéia da Igreja sair às ruas quer dizer que os católicos, doravante, engrossarão o número dos que fazem manifestações políticas do tipo das que houve ultimamente no Brasil. Ou então que deverão também participar de comícios e manifestações de cunho marcadamente político-partidárias.

Não, não se trata disso. Com seu caráter meramente espiritual e superior a todos os setores sociais, a Igreja, através de seus fiéis, já vem se manifestando nas ruas de nosso país. São comuns tais manifestações em nosso povo, como as dezenas ou centenas de procissões de Corpus Christi, a do Círio de Belém (no Pará), a da nossa Padroeira, em Aparecida, a do Bom Jesus da Lapa, na Bahia, a do Pai Divino, em Goiás, etc.  E não são poucos os que participam destas romarias e procissões.  Na de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira de Fortaleza, as multidões da última somavam mais de um milhão de peregrinos na rua. É ou não é uma manifestação típica dos católicos?

Mas, se já são tão comuns o que deseja o Papa ao conclamar a Igreja a sair às ruas? Será que ele deseja que os católicos façam passeatas e manifestações mais freqüentes contra o aborto? Ou que se manifestem publicamente contra a corrupção política? Pela moralidade pública? Enfim, são tantos os problemas morais perante os quais os católicos podem se manifestar! Participar deles como anônimos não é caso, pois já o fazem: toda e qualquer manifestação que houve nestes últimos dias a presença de católicos foi uma constante. O importante é que o evento seja feito sob a bandeira da Igreja, patrocinada por ela e organizada pelos católicos, não é verdade? Se não for assim, não se pode dizer que os católicos saíram às ruas como tais.

Vamos agora resumir o pensamento do Papa. Ele deseja, então, que os católicos saiam do comodismo (a Igreja não é uma ONG, disse ele), e, com o título de católicos, guiados por seus bispos, se manifestem publicamente sobre questões em que a Igreja é mestra e mãe, que são as questões morais e doutrinárias, demonstrando à toda a sociedade a força da nossa Igreja. Não bastam as procissões e congressos eucarísticos, os católicos têm que se manifestar na praça pública e defender os princípios morais e religiosos de sua Igreja. E só isso basta, pois se os motivos das manifestações de rua não forem estes ela não será mais católica.

Mas, esta conclamação não é uma novidade: Bento XVI já o fez anteriormente, por ocasião da visita que lhe fez os bispos brasileiros em outubro de 2010. 
Eis, na íntegra, o que disse ele:




DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA NACIONAL
DOS BISPOS DO BRASIL (REGIONAL NORDESTE V)
EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
Amados Irmãos no Episcopado,
«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna.
 Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).
Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância.
 Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal?Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem,82).
Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3).
 Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. Gaudium et spes 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17 de setembro de 2010).
Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.
Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana
 



terça-feira, 30 de julho de 2013

O impacto de Francisco



Quando o Papa Francisco deixou o solo brasileiro já era consagrado, tanto pela mídia quando pela opinião geral, com apoteótica saudação de um homem simples, humilde, sincero e popular. Sua simplicidade começou a se sobressair desde o momento em que foi eleito no Conclave, quando então fez declarações impactantes neste sentido: afirmou que foram buscar um Papa no “fim do mundo”; não desejaria usar o anel de ouro, mas de prata; iria residir na casa “Santa Marta”, onde, segundo ele, reside muita gente com os quais quer conviver, etc. Aos poucos foram surgindo outras afirmações impactantes, inclusive uma suposta aceitação dos membros da teologia da libertação; chegaram a afirmar que ele dissera que gostaria de ler um livro de Leonardo Boff e outras afirmações condescendentes com os membros daquele movimento, que, outrora, foi censurado por papas anteriores. Declarou aos jovens da JMJ, alto e bom som, antes de embarcar do Rio para Roma: “sejam revolucionários!”. Trata-se, talvez, da afirmação ou conclamação mais impactante que o mesmo fez até hoje. Mereceria uma explicação pelo seu porta-voz, uma vez que a atitude revolucionária é visceralmente contrária ao espírito cristão.
Mas, é preciso frisar, não é novidade que um Papa aja da forma como o vem fazendo o Papa Francisco. O primeiro foi João XXIII, que tomou várias atitudes impactantes em seu pontificado, todas elas na linha de modernização e de menosprezo por alguns resquícios do passado. Com a conclamação do Concílio, João XXIII iniciou uma série de atitudes nessa linha, deixando campo livre para diversas manifestações de grupos modernistas e progressistas, a ponto de mudarem quase que completamente os rituais sagrados da Santa Missa. Com a atitude ecumênica, deixou para sempre uma como que nova missão da Igreja: atrair os irmãos separados. Mas, não só os irmãos separados – o ecumenismo passou a querer atrair todos os não católicos, de judeus a ateus. E teve como dolorosa lição o solene desprezo de tais “irmãos”, os quais além de não desejarem nunca a união com a Igreja, a desprezam e se aproveitam do ecumenismo para arregimentar os próprios católicos para suas fileiras. Enquanto a preocupação maior era os “irmãos separados”, os próprios filhos eram abandonados nas mãos dos lobos.
Com Paulo VI não foi diferente. Uma de suas primeiras medidas foi abolir, algum tempo após a sua eleição, o tradicional sólio pontifício em que o Papa era carregado solenemente pelos membros da nobreza italiana (hoje, temos o “papamóvel”).  Suprimiu em 1970 a Guarda Palatina do Vaticano, que atuava desde o século XIX.  Ao mesmo tempo que deu continuidade a medidas de condescendências com os revolucionários dentro da Igreja, fez, ele mesmo, várias coisas neste caminho. Uma das atitudes mais constrangedoras foi a passividade perante o avanço do comunismo no mundo. Paulo VI, inclusive, prestigiou pessoalmente os padres e religiosas que colaboravam com a seita vermelha, e a outros que faziam agitação sem declarar abertamente o apoio ao comunismo. Foi o caso, por exemplo, do apoio dado a D. Pedro Casaldáliga, um bispo espanhol que veio ao Brasil com visíveis propósitos de incrementar guerrilhas e subversões sociais.
Após PauloVI, veio João Paulo I, com um sorriso que esbanjava simpatia e popularidade. Mas durou pouco. Sua morte misteriosa ainda hoje não foi inteiramente esclarecida. Seu pontificado de pouco mais de um mês prometia ser algo de impactante, mas, provavelmente, carregado de sentidos ainda tradicionais da Igreja. João Paulo II o substituiu e realizou um antigo desejo: o de escolher um Papa não italiano. Nos primeiros anos de seu pontificado, João Paulo II procurou trilhar a mesma linha de Paulo VI, deixando marcas profundas de condescendências com os erros dos membros do clero e procurando, acima de tudo, promover o ecumenismo. Ao longo dos anos, porém, foi sendo feita uma transformação paulatina, até que os rumos fossem alterados. Talvez o atentado sofrido na Praça de São Pedro, exatamente no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, tenha produzido alguma reviravolta em seu pontificado. O último sinal de seu ecumenismo ficou gravado na reunião promovida no ano 2000, no monte Sinai, entre ele e os dirigentes das principais religiões do mundo. Aos poucos, porém, seu pontificado foi tomando rumos diferentes daqueles que o iniciou. Foi uma das peças importantes no desmoronamento do comunismo em seu país e no resto do Leste europeu, embora nunca tenha condenado explicitamente a seita vermelha. Talvez a atitude mais marcante contra o comunismo tenha sido a reprimenda pública feita a um padre guerrilheiro da Nicarágua.
Sendo assim, Bento XVI assumiu seu pontificado já no meio de uma guinada de rumos, numa mudança tênue, mas constante, com sentidos um tanto tradicionais. Procurou enriquecer os rituais, os símbolos que antes eram desprezados, e tomou muitas atitudes disciplinares e teológicas necessárias. Deixou de dar ênfase ao ecumenismo, embora o mesmo continuasse atuante por causa de correntes ainda defensoras da comunhão geral e aglutinação das religiões numa só. Sua atitude menos compreendida até hoje foi a renúncia. Deixou o trono de São Pedro numa situação que alguns consideraram semelhante a de São Pedro que fugia de Roma com medo do martírio.
Enfim, chegamos ao impactante Francisco. Suas atitudes, tidas como simplistas e afetivas junto ao povo, deixa, entretanto, um vazio em outros setores da Igreja. Todos sabem que lavra dentro da Igreja um grande incêndio de religiosos que tramam uma Revolução, não aceitam a autoridade do Papa, alguns nem dos bispos, subvertem os rituais e os fazem cada vez mais prosaicos e até ofensivos ao culto divino, difundem, assim, a falta de fé em vez da sacralidade ou então da própria santidade. São estes que causam o afastamento dos fiéis e não seria a missa pop e as danças litúrgicas que fariam trazê-los de volta. E há tanta impunidade para religiosos que cometem até crimes horrendos, alguns contra a castidade e contra a infância, por causa dessa condescendência geral com os revolucionários que tomou conta da Igreja. Esta, sim, é a principal causa do afastamento de fiéis.
Ninguém se iluda: a conclamação de Francisco na JMJ, no sentido de que todos devem ser missionários para pregar o Evangelho, não surtirá os efeitos desejados se não houver uma profunda reforma interna, nos homens, nas almas, na espiritualidade, na própria disciplina interna da Igreja. Quem é que vai pregar este Evangelho? Não digam que são a maioria daqueles rapazes e daquelas moças que estavam na praia de Copacabana dançando, pulando, gritando, alguns em trajes de banho, em vez de rezando e dando culto a Deus! Não venham me dizer que a alegria das danças agrada a Deus! Não venham me dizer que aquela gente vai conseguir levar o Evangelho aos demais do jeito que estavam ali! Terminada a JMJ, todos voltam para suas casas e a vida vai continuar a ser a mesma. Alguns com as fotos, os vídeos, com muitas saudades da presença suave e sorridente de Francisco, mas, nada mais! O efeito impactante de coisas tão superficiais dura pouco!
Tudo indica que chegou para a Igreja o seu Domingo de Ramos. Nessa bonança e alegria, todos estão contentes e ao lado do Papa. Mas, como ocorreu a Cristo, se vierem dias mais dolorosos e tristes, todos o abandonarão.  Como prevê a imagem da última visão que a Irmã Lúcia disse ter visto, onde o Papa sobe, sozinho, uma colina e é morto por seus inimigos...
Se um dia isto ocorrer produzirá um impacto muito maior do que aqueles produzidos por Francisco.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Que futuro está reservado a Cuba depois da visita do Papa?

Realmente, a viagem de Bento XVI à América Central vai deixar marcas mais profundas em Cuba do que no México. Mesmo porque o tema abordado pelo Papa no México foi mais a violência do tráfico de drogas do que a ideológica e política: mais difícil, inclusive, de ser combatida porque trata-se de algo enviscerado em toda a sociedade. Quanto a Cuba, não: trata-se de uma violência institucionalizada pelos donos do poder - uma seita socialisa que tinha pretensões de dominar o mundo, e que lá se mostrou tão radical que seu principal dirigente (Fidel) chegou a dizer, após a queda do Muro de Berlim, que Cuba seria o último país a deixar o comunismo. Se trata-se de um vaticínio futurista, feito há mais de 20 anos, parece que estamos próximos de vê-lo concretizar-se. Como já era esperado, o Papa teve um encontro com o tirano: talvez por causa de algum acordo que o Vaticano fizera para se concretizar a viagem a Cuba. Esperam os comunistas, com esse ato hipócrita, comover alguém a acreditar que Fidel está realmente se convertendo? De outro lado, verifica-se como a autoridade do Papa tem peso e importância: de tal forma que o maior inimigo da Igreja (o comunismo na figura de um de seus mais legítimos representantes) se curva perante ele e exige que se receba um de seus ídolos para com isso tentar conquistar a opinião pública.
Lembremo-nos de que estamos diante de um Papa que, quando era Cardeal, publicou uma obra em que dizia que o comunismo era "a vergonha do século XX". Lembremo-nos também que foi logo após a visita de João Paulo II à Polônia em meados da década de 80 (em plena efervecência da era da "perestroika" de Gorbachev) que os muros daquele regime desumano começaram a ruir por toda parte. Somente Cuba, Coréia e China (e não sei se mais alguma republiqueta africana), permaneceram fiéis ao credo vermelho em toda a sua radicalidade. Pois, se algum país anda por aí ostentando a foice e o martelo (Vietnã é um deles) o que nota-se é uma verdadeira corrida pelo ouro do capitalismo, inclusive do falso colosso chinês - que é comunista pela metade, isto é, por causa de um partido único, mas vive sustentado pela mais alta burguesia do Ocidente.
Talvez vejamos cumprir em breve a promessa que Nossa Senhora fez em Fátima, quando disse: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!" Quem sabe se tal triunfo já não esteja tão perto de ocorrer; talvez se incie, como sugerimos anteriormente, com a mudança do nome da "Praça da Revolução", onde o Papa celebrou uma missa em Havana, para "Praça da Revelação", pois lá se revelou que, mesmo após décadas de pregação de ateísmo, socialismo, comunismo e tantos outros "ismos" daquela seita materialista, o povo continua firmemente católico.

Abaixo, alguns vídeos sobre esta última viagem do Papa. Se a maioria deles foi gravado em Cuba é porque, realmente, os problemas lá chamam mais a atenção de toda a humanidade.


Reportagem da Agência Eclésia sobre visita ao México




Santuário da Virgem da Caridade do Cobre




Papa Bento XVI em Santiago de Cuba - 400 anos de N.Sra.da Caridade




Papa evoca em Cuba os presos, discriminados e perseguidos





Homilia de Bento XVI em Havana




Entrega da Rosa de Ouro à Virgem da Caridade do Cobre



sábado, 24 de março de 2012

O Papa em Cuba


A viagem do Papa a Cuba parece que está chamando mais a atenção da mídia do que a viagem ao México. Ainda no avião, em entrevista aos jornalistas, Bento XVI já dizia que o regime comunista está ultrapassado e não resolve os problemas do povo cubano. Em aparente resposta, e mantendo o mesmo tom de mudança, o regim repondeu que respeitava a opiniãoo do Papa. Nunca respeitou até hoje, porque vai respeitar agora? Um mistério que só o futuro nos vai revelar. Criaram até um site oficial do governo comunista sobre a visita do Papa. Um amigo meu até dizia que os textos desse site parecem até ser feitos por alguns religiosos da igreja católica cubana, quem sabe até bispos, tal a linguagem moderada e cheia de conotações católicas, pois - comunistas, nunca souberam falar dessa maneira!
O texto abaixo é de autoria do site oficial do governo cubano, portanto não mereceria inteira confiança. No entanto, parece que é de autoria do famoso Frei Beto, um religioso, um católico, um dominicano, que hoje não se sabe se ainda pertence à sua ordem ou de ainda é católico sequer. Quem foi frei Beto?
Sua história é bem diversificada, e a maioria dos autores que se referem a ele são esquerdistas e, portanto, suspeitos. Frei Beto foi o mentor político e ideológico de Lula em sua ascensão do sindicalismo à política; o fato mais clamoroso de sua atuação naqueles idos da dedada de 60 foi quando ele traiu seus companheiros e entregou o terrorista Marighela para ser morto pelas forças de segurança (o referido marginal encontrava-se “escondido” no convento dos dominicanos onde Frei Breto morava em São Paulo) ; depois, com a mudança de orientação política, largou Lula e seguiu outros caminhos; defensor da Teologia da Libertação, quando a Igreja puniu Frei Boff com um “silêncio obsequioso”, ficou mais calado do que o punido; Frei Beto sempre tentou demonstrar que o comunismo seria a “redenção” da humanidade e, para tanto, organizou até uma viagem à Rússia em pleno império do comunismo internacional para fazer propaganda do regime. Depois, publicou um livro fazendo apologia de seu ídolo, Fidel Castro.
Extraímos o texto abaixo de um site suspeito, do governo cubano, cujo regime, como todos sabem, é ditatorial, desumano e anticristão, mas agora, com a vinda do Papa, hipocritamente procura mostrar-se simpático. Tudo indica que a autoria do mesmo é de Frei Beto. Vejam quanta hipocrisia e mentira na pena de um homem que se diz ainda religioso! O texto está em espanhol porque, fácil de entender para nós, brasileiros, não mereceria o trabalho de uma tradução.


Para disgusto y fracaso de las presiones diplomáticas de la Casa Blanca, el papa Benedicto XVI llegará a Cuba el 26 de marzo. Se quedará tres días en la isla, después de entrar en América Latina por México. El 28 de marzo celebrará una misa en la plaza de la Revolución, en La Habana.
Benedicto XVI celebrará en Santiago de Cuba -la histórica ciudad del cuartel Moncada, donde Fidel Castro inició su lucha revolucionaria en 1953- los 400 años de la aparición de la Virgen de la Caridad del Cobre.
En 1988, después que el papa Juan Pablo II terminase su visita a Cuba, participé en un almuerzo ofrecido por Fidel a un grupo de teólogos. En cierto momento un teólogo italiano manifestó, desde lo alto de su izquierdismo, su indignación por el hecho de que el pontífice hubiera expuesto a la Virgen de la Caridad adornada con una corona de oro.
Fidel no escondió su malestar. Y reaccionó diciendo: “La Virgen del Cobre no es sólo la patrona de los católicos de Cuba. Es la patrona de la nación cubana”. Y relató cómo su madre, Lina Ruz, católica devota, hizo que él y Raúl prometieran que si salían vivos de la Sierra Maestra, vendrían a depositar sus armas en el santuario, a fin de pagar la promesa que ella había hecho. En 1983, al visitar el santuario por primera vez, vi allí las armas.
Por esas “cristocoincidencias” que sólo la fe explica y las encuestas aclaran, la Virgen de la Caridad y Nuestra Señora Aparecida tienen tanto en común como Cuba y Brasil. Como dijo Ignacio de Loyola Brandão: “Cuba es una Bahía con suerte”. Ambas imágenes fueron encontradas durante la colonización: allí, en 1612, la española; aquí, en 1717, la portuguesa: Las dos en el agua. Las dos encontradas por tres pescadores. Allá, en el mar; acá, en el río Paraiba. Y ambas son negras.
El papa llegará a Cuba en el momento en que el país pasa por cambios sustanciales, aunque sin abandonar su proyecto socialista. Se está dando un proceso progresivo de desestatización, de apertura a la iniciativa privada, y en los últimos meses fueron liberados más de dos mil presos.
Ahora las relaciones entre el gobierno y la Iglesia Católica pueden ser calificadas de excelentes. Ya no quedan en la isla residuos del clero de origen español y formación franquista, que tanto fomentó el anticomunismo durante los primeros años de la Revolución, en que un sacerdote promovió la oprobiosa Operación Peter Pan: convenció a los padres de 14 mil niños de que iban a perder la patria potestad y de que sus hijos pasarían a manos del Estado… Llevó a los niños para Miami, sin padres ni madres, y el resultado, como se puede imaginar, fue catastrófico. La Revolución no fue derrotada por la invasión de Bahía Cochinos, patrocinada por el gobierno de Kennedy, y muchos de aquellos niños no pudieron escapar de un futuro de delincuencia, drogas y otros trastornos. Miles de ellos nunca pudieron ser localizados por sus familias.
Tanto el Vaticano como los obispos cubanos son contrarios al bloqueo que los EE.UU. imponen a la isla. Se podrá estar en desacuerdo con muchos aspectos del socialismo de aquel país, pero nadie nunca ha visto la foto de un niño cubano viviendo en la calle, o familias bajo los puentes, o mafias de narcotraficantes. En La Habana un cartel exhibe a un niño sonriendo con esta frase bajo la foto: “Esta noche 200 millones de niños dormirán en las calles del mundo. Ninguno de ellos es cubano”.
Cuba tiene muchos defectos, pero no el de negar a once millones de habitantes los derechos humanos fundamentales: alimentación, salud, educación, vivienda, trabajo y arte (incluyendo el cine y elBuena Vista Social Club). Lo cual mereció elogios de Juan Pablo II durante su visita de siete días, una de las más prolongadas de su pontificado.
Hoy Cuba recibe, proporcionalmente, más turistas que el Brasil. Lo que es una vergüenza para nuestro país de dimensiones continentales y con tantos atractivos. La diferencia es que Cuba promueve no sólo el turismo de solaz (tiene playas paradisíacas) sino también el turismo científico, cultural, artístico y deportivo.
La Revolución Cubana resiste desde hace 54 años, a pesar de los actos terroristas con el país, descritos al detalle en el best-seller de Fernando Morais, Los últimos cinco soldados de la guerra fría (2011). Y al hecho de tener que soportar en su litoral la base estadounidense de Guantánamo, que le roba parte de su territorio para usarlo como cárcel de supuestos terroristas secuestrados en lugares lejanos.
A lo mejor la resistencia cubana es otro milagro más de la Virgen de la Caridad…
Frei Betto es escritor, autor de “Sinfonía universal. La cosmovisión de Teilhard de Chardin”, entre otros libros.


Será que o povo cubano algum dia foi consultado se aprova ou não a tal da revolução que o oprime até hoje?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

É lícito ironizar os inimigos da Igreja de Deus



Charles Dwkins é um ateu que a mídia chama de “militante”, quer dizer, está em luta contra Deus. Uma luta muito desigual, levando-se em consideração que Deus, com sua onipotência, vence sempre; mas um tanto equilibrada se levarmos em consideração aqueles que estão do lado do Bem, ultimamente em desvantagem. Levando até às últimas conseqüências sua militância, o desarrazoado ateu resolveu processar o Papa em sua recente visita à Inglaterra.
Ele e o jornalista britânico Christopher Hitchens contrataram os advogados Geoffrey Robertson e Mark Stephens para buscar meios de abrir um processo legal contra o Papa. Emm comunicado, Stephens disse que há três possíveis abordagens: uma queixa à Corte Penal Internacional, na Holanda; uma ação popular por "crimes contra a humanidade" ou uma ação civil. Eles argumentarão que o Papa não tem imunidade diplomática, pois o Vaticano não é um membro com direito a voto nas Nações Unidas.
Quando Bento XVI esteve na Alemanha, o mês passado, o assunto voltou a ser ventilado, mas desta vez com menos ênfase do que na primeira. É que os mentores da ação ficaram tão desmoralizados que somente teimaram em voltar a falar do assunto com muita prudência e pouco alarde.
A propósito, nos últimos dias está circulando um vídeo no Youtube em que o zoólogo é ironizado pelos católicos. Embora o vídeo use um personagem odioso (Hitler), numa cena de filme que reflete alguns dos momentos de cólera do ditador, é bastante significativa a comparação com o ateu, o qual, neste particular (descrença em Deus) não difere muito do ex líder nazista.
Uma pergunta se impõe: é lícito aos católicos ironizar os inimigos da Igreja? Quem responde a essa pergunta é o Padre Félix Sardá y Salvani, autor de um famoso Best-seller que recebeu elogiosa carta do Vaticano, cujo título é “El Liberalismo es Pecado”. Eis como ele aborda a questão:
“Efetivamente não é pouco freqüente a acusação que se faz ao apologista católico de levar sempre o debate para o campo pessoal; e quando se lança a algum dos nossos a increpação de ter feito um ataque pessoal, parece aos liberais, e aos que têm ressaibos de liberalismo, que não é necessário dizer mais nada para o condenar.”.
Em seguida o autor passa a dar argumentos históricos em que famosos polemistas do passado, inclusive o próprio Santo Agostinho, não só escreviam contra os fautores de erros mas até mesmo os ironizavam, concluindo: “De onde tirou, pois, o liberalismo a novidade de que ao combater os erros se deve prescindir das pessoas e acariciá-la? Atenha-se ao que lhe ensina sobre isso a tradição cristã, e deixe os ultramontanos defenderem a fé como sempre foi ela defendida na Igreja de Deus... (cf. “El Liberalismo es Pecado”, Dom Félix Sardá y Salvani, Ed. Ramón Casals, Barcelona, 1965, pp. 60/62).
Vejam o vídeo, com legenda em português.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A intolerância religiosa e o ateísmo os tornaram mal-educados e semi-bárbaros


A viagem de Bento XVI à Alemanha, a julgar pela mídia, estava ameaçada de tornar-se uma das mais tumultuadas das últimas feitas na Europa. Nem sequer a visita à anglicana e radical Inglaterra traria tantos problemas para a Igreja. Ocorre que a Alemanha, nação de onde surgiu o Protestantismo, originou daquela revolta o maior índice de ateísmo da Europa. Na ex-católica Baviera, por exemplo, 60 por cento da população se declara hoje como “não religiosa”, quer dizer, atéia. Apenas 9% se declara católica. O jornal “Ghe Guardian” a classificou como a “capital atéia da Europa”.
Apesar de tudo, uma manifestação contra o Papa que foi realizada na “capital atéia da Europa” não reuniu mais do que 9 mil pessoas. Apesar de contar com um sem número de organizações que a idealizaram, como grupos de homossexuais, anticlericais e anarquistas de todo o gênero. Mas tem sido sempre assim: também na Inglaterra e na Espanha os manifestantes anticlericais não conseguiram reunir senão alguns gatos pingados, cuja repercussão na mídia mostra apenas um teatro armado por uma minoria turbulenta. Basta dar uma olhada no vídeo abaixo e ver a ínfima minoria de manifestantes, cujo destaque é demasiadamente grande para sua pequenez e importância.
É comum nesse tipo de manifestação o uso do surrado e hipócrita jargão antipedófilo, sempre acompanhado de blasfêmias e ações indecorosas perante o público. Uma agência católica chamou atenção para o fato de que, geralmente, todos esses clamores antipedófilos são, concomitantemente, omissos ou favoráveos ao aborto. Uma manifestação feita em Berlim contra a visita do Papa não continha senão esse tipo atitude, grosserias de todo tipo, falta de educação e de ética, demonstrando o quanto o protestantismo e o ateísmo fez decair moralmente aquela gente. Uma prova dessa intolerância ridícula e agressiva é a ameaça de alguns parlamentares de se ausentarem da Câmara dos Deputados (o Bundestag) como protesto pela visita que Bento XVI vai fazer àquela casa.
A chanceler alemã, Ângela Merkel, apenas manifestou o aspecto “ecumênico” da visita do Papa, querendo auferir rendimentos para sua religião. Ela está ressaltando o fato de que em 2017 vai completar 500 anos da apostasia daquele povo do Catolicismo, como se isso fosse uma data de memorável louvor. Mais uma vez surge a velha tese da “unidade cristã” fora da Igreja.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Novos indicadores continuam a demonstrar o sucesso da visita do Papa à Espanha


Vejam os dados que nos dá a agência Forum Libertas, da Espanha, sobre a recente viagem do PAPA:

O sucesso da visita do Papa a Barcelona, entre 6 e 7 de novembro, para consagrar a nova Igreja da Sagrada Família é medido não só pela ampla aceitação social e leitura positiva que teve sobre o parecer social e a mídia . Outro aspecto que destaca os benefícios desta visita pastoral são algumas sondagens que diferentes meios de comunicação de vários tipos foram criados para seus leitores.
Este é o caso da estação de televisão TV3 regional e de rádio RAC1. No site da televisão dependente do Governo da Tripartite uma pesquisa na Internet, pergunta: "Será que a visita do Papa foi um sucesso?". Os resultados não podem ser mais positivos: 85,5% acreditavam que sim, enquanto os eleitores que acreditam que não, chegou a 14,5%.
Na mesma linha, a pergunta que lançou RAC1 (caracterizada pela manutenção de um tom beligerante com a Igreja Católica) aos seus ouvintes a ser abordado da mesma maneira que a TV3: "A visita do Papa é um sucesso". 81% dos ouvintes de RAC1 achou que sim, enquanto 19% disseram que não.
Observe que em ambas as pesquisas as ordens de grandeza são muito semelhantes, apesar de ser de diferentes perfis de mídia. Além disso, em termos sociológicos, todo o contexto da opinião de que mais de 80% significa que praticamente todo o mundo.
Sociologia, em termos de avaliação estima que entre 50% e 60%, o resultado é "Será que podemos fazer", mas para ter certeza que "sim" é apenas de 60% obtido certeza absoluta. Nos dois inquéritos, TV3 e RAC1 está acima de 80%, o que revela um "claro que sim." Portanto, é um sucesso em dois meios de linha editorial diferente, embora ambos longe de uma linha próxima ao catolicismo, especialmente RAC1.

Jornais anticlericais perdem leitores

Outra maneira é interessante notar o jornal “La Vanguardia”, que se dedicou sem reservas e com um grande qualidade profissional para cobrir a visita do Papa. Contrasta com esta linha o “El Periódico" da Catalunha, que assumiu a partir do anúncio da visita do Papa à Espanha uma atitude radicalmente oposta e, muitas vezes, beligerante.
Na última rodada da pesquisa, em 2010, o mais lido diário revelou que La Vanguarda foi o jornal mais lido na Catalunha à frente da concorrência, ponto final. Ao longo das quatro rodadas do levantamento que o Centro d'Estudis d'opinio (CEO) fez no ano passado, pode-se ver como La Vanguardia, sempre à frente, tem vindo a ganhar terreno sobre o segundo maior jornal.
Assim, embora a diferença no primeiro segmento seja de um ponto percentual (La Vanguardia, foi lido por 31,8% dos cidadãos que assiduamente lê jornal, contra 31% dos que lêem El Periódico); na segunda rodada a diferença cresceu 1,7% (32,6 de La Vanguardia, em comparação com 30,9% do El Periódico), o terceiro de 6,7% (35,1% vs 28,2%) e trimestre, que foi feita apenas a diferença de público entre os dois jornais é de 12 pontos percentuais. Ou seja, 39% dos leitores de jornal preferem La Vanguardia, enquanto de outro lado 27% o El Periodico.
Por outro lado, o diário El Pais, o viés anti-católico tradicional, ainda não excede 10% e situou-se em uma proporção de 9,3% dos leitores na última pesquisa do CEO. Outro jornal que tem uma linha editorial de esquerda desde a sua criação é o jornal Avui, o qual diminuiu de 7,2% de leitores no início do ano para 4,5%.
Esses dados mostram que o jornal que tem procurado a melhor visita do Papa (a notícia que encheu muitas páginas da mídia nos últimos meses que coincidem com esta última onda) tem sido o mais lido, com uma clara tendência ascendente, enquanto aqueles que têm mantido uma posição anticlerical perderam leitores.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Visita à Espanha: autoridade papal se impõe perante a mídia

Cerca de 35% dos espanhóis, aproximadamente 16,5 milhões de expectadores com mais de 4 anos, contataram ao menos um minuto com a programação especial que prepararam as cadeias de televisão sobre a visita do Papa a Santiago de Compostela e Barcelona. Estes dados foram divulgados pelo painel de audiência de televisão da “Kantar Media”. No total se efetuaram 31 programas especiais da passagem do Papa pela Espanha, com uma duração de 58 horas, entre o sábado e o domingo, sem contar os informativos normais de cada fim de semana nas cadeias generalistas, conforme um estudo de “Barlovento Comunicação” para a Europa Press.
Entre os momentos mais vistos da visita encontra-se a homilia do domingo na Sagrada Família, assistida ao vivo por 870 mil pessoas (13.1 pontos de audiência), somando-se ainda as pessoas que o viram na cobertura de alguns canais fechados. Somente na Catalunha, quase 25% das pessoas viram ao vivo a cerimônia de dedicação da basílica da Sagrada Família, transmitida pelos canais TV3 e 3/24 de Televisão de Catalunha (TVC), segundo informou uma televisão autônoma em comunicado.
A missa que presidiu o Papa na praça do Obradoiro registrou outro pico de audiência em “La 2” (593 mil e 47% do “share”) e intereconomia (199.000 e 1,6% do “share”), assim como nas autônomas que ofereceram esta homilia.

Segundo a agência Forum Libertas, a audiência de TV na Catalunha no domingo alcançou a cifra histórica de 331 minutos por espectador e o pico foi alcançado na transmissão da Sagrada Família. Quase 1,7 milhões de catalões e 12,4 milhões de espanhóis seguiram pela TV os passos de Bento XVI. Por ocasião da consagração da basílica da Sagrada Família se chegou a atingir um pico de 1,68 milhões de pessoas (24,2% da população da Catalunha).
Deve se considerar que nos programas de maior audiencia, quer dizer aos domingos e feriados, na Catalunha apenas se supera os 250 minutos por pessoa. Para se comparar, o casamento do príncipe real Dom Felipe havia batido em 2004 um recorde de audiência, com 292 minutos. O especial “Benedicto XVI en la Sagrada Família” da TV3, com 6 horas de duração, conseguiu com que aquele canal fosse o mais visto no horário, atingindo 5,8 pontos a mais do que a segunda colocada, a TVE. É bom lembrar também que o europeu, de modo geral, não é tão ligado às TVs como, por exemplo, o brasileiro.
Para calar ainda a boca dos que falavam de suposto prejuízo financiero com a visita do Papa, um estudo do “Kantar Media” revela que somente em termos publicitários houve um impacto económico de 66,5 milhões de euros. Isto quer dizer que se alguém quisesse alcançar o mesmo desempenho publicitário deveria gastar esta soma para obter o resultado. A Kantar Media destaca que das 6.026 notícias geradas, mais da metade foram em jornais impressos (3.567 notícias), seguidos de longe pela televisão (1.269) e o rádio (1.190).
O impacto noticioso na imprensa espanhola
Até à chegada do Papa alguns jornais davam bastante destaque aos grupos de confrontação de contrários, focando pequenos grupos de homossexuais que pretendiam obscurecer a viagem de Bento XVI com manifestações burlescas e imorais. Após a chegada do Pontifice, porém, estas notinhas e noticias foram se rareando, enquanto subiam de cotação as noticias prestigiosas ao Papa.
Ocorreu o mesmo fenômeno por ocasião da recente visita à Inglaterra, quando toda a mídia se rendeu ante Bento XVI e foi obrigada a divulgar noticias prestigiosas sobre sua visita. No caso da Inglaterra, a beatificação do Cardeal Newman foi o ponto alto; e agora, no caso da Espanha, a dedicação da Basílica da Sagrada Família.
De todos os periódicos, somente três jornais, “El Mundo”, “El País” e “Público”, optaram por repercutir o alheamento de Zapatero à visita do Papa, parecendo um visível intuito de diminuir o prestígio do Pontífice, haja vista que não foi recebido pelo Primeiro Ministro em sua chegada. No entanto, o maior diário de Madri, o ABC, escolheu por manchete principal uma grande imagem do Papa na entrada da basílica da Sagrada Família com os dizeres: “Por La vida y La família”. O diário “Avui” escolheu o momento do Angelus e pôs a manchete “Família Sagrada”. Também o “La Razón” se refere à família em sua manchete “Que los españoles vivan como uma sola família”. Nos subtítulos e nos textos não se vê nenhuma nota desabonadora e nenhum comentário sobre escândalos ou qualquer coisa que pudesse empanar o brilho da viagem do Pontífice.
O jornal “La Vanguardia” colocou como manchete “Gaudi, Roma, Europa” e os dizeres: “O chefe do Executivo afirma que o Estado reconhece o peso da Igreja para garantir a liberdade de todos”. Em outro subtítulo o jornal assinala também o papel da Igreja em defesa da familia.
Até mesmo um jornal denominado “Periódico da Catalunha”, um dos mais críticos com o Papa e a Igreja, colocou em sua manchete “Coberto de Glória”, com o subtítulo “O Papa se rende à Sagrada Família”. Os textos apenas comentam sobre as cerimônias e as personalidades presentes.
Todavia, para o jornal “El Mundo” a viagem do Papa estava em segunda ordem.
Sua manchete principal é sobre política local. Mas logo abaixo, como que forçados, colocaram uma noticia sobre o Pontífice com a seguinte manchete: “O Papa pede que os espanhóis “vivam como uma só familia”. Da mesma forma, o jornal “El País” chamou a atenção para o distanciamento de Zapatero com o Papa e nada de noticia sobre a dedicação do templo. Mas parece ter sido o único que quis distoar do geral.
Fontes: ACI Prensa/Europa Press/ Forum Libertas

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Papa consagra a igreja do arquiteto de Deus

A propósito do templo que o Papa fez a dedicação ontem, a igreja da Sagrada Família em Barcelona, há uma controvérsia animada principalmente pela imprensa. O templo é uma das obras consideras patrimônio da humanidade, mas, mesmo assim, há vozes contrárias à sua conclusão. A razão? Trata-se de uma bela obra arquitetônica que louva a Deus por sua beleza, harmonia e maravilhoso. Dentre os contrários, conta-se, por exemplo, personalidades do mundo revolucionário como Le Corbusier e Miró. A dedicação do altar da nova basília irá, certamente, animar os construtores a concluir a obra, e da forma como a imaginou seu autor.
Segundo comentários insuspeitos de um jornal português "Na Sagrada Família de Barcelona encontramos o último grito tecnológico." Isto quer dizer que para se concluir o templo há a necessidade de muita teconologia moderna, diferente da que se usava no início de sua construção.
Uma das novas técnicas é usada por um dos trabalhadores que faz um pequeno molde para uma maqueta. Na parede, uma placa atribui uma frase a Gaudí: “O trabalho é fruto da colaboração e esta só se pode fundamentar no amor. É por isso que é preciso afastar os que são fermento de ódio.”
Comenta o jornal: "O debate sobre o (des)respeito para com a obra de Gaudí continua a ser um dos mais importantes no que diz respeito à intervenção na Sagrada Família. Corre por blogues, pela imprensa, pela televisão. Há ano e meio, a historiadora e crítica de arte María del Mar Arnús escrevia no El País um “Alerta vermelho” em defesa de Gaudí".
“O que se está a fazer na Sagrada Família é ilegal, insustentável, desnecessário e imoral. [...] Sem um processo de trabalho definido, contrário ao estabelecido por Gaudí, e sem nenhum respeito pelo seu legado, as obras do templo deram lugar, ao largo destes anos, a uma contínua adulteração.”
No blogue El Fenômeno Gaudí, Luis Gueilburt defende que a única solução para resolver esses e outros problemas relacionados com a herança de Gaudí seria a criação de uma verdadeira fundação.
O arquitecto David Mackay, da MBM Arquitectes (um dos ateliers que concebeu a Aldeia Olímpica de Barcelona), é um dos nomes mais importantes que se opõem à ideia de terminar as obras. E também fala do desrespeito pela herança gaudiniana.

Já em 1964, Mackay assinara uma carta em que se manifestava contra a ideia de prosseguir as obras do templo. Com ele, estavam o arquiteto Le Corbusier, os artistas Antoni Tàpies e Joan Miró ou o escritor Camilo José Cela. E ainda padres e teólogos, expoentes da época na Igreja Católica na Catalunha.
“Se considerarmos o edifício adicional como uma maqueta à escala real, já que segundo os arquitetos atuais se baseia no modelo de Gaudí, o templo teria de ser acabado sem o acrescento de símbolos ou outros elementos decorativos”, diz Mackay à Pública. Há pormenores introduzidos “que nada têm que ver com a mente criativa de Gaudí e o seu sentido táctil”.
Bento XVI celebra «gênio» de Gaudí
Da agência "Ecclesia"

Bento XVI celebrou este Domingo, em Barcelona, o “gênio” de Antoni Gaudí ao dedicar ao culto a igreja da Sagrada Família, um "milagre arquitetônico" que elevou à categoria de basílica.
Segundo o Papa, que falava perante uma igreja repleta, obras como esta ajudam a “mostrar ao mundo o rosto de Deus, que é amor e o único que pode responder ao desejo de plenitude do homem”.
“Essa é a grande tarefa, mostrar a todos que Deus é o Deus da paz e não da violência, da liberdade e não da coação, da concórdia e não da discórdia”, disse na homilia da Missa de consagração do templo, em construção há mais de 125 anos.
Para Bento XVI, esta celebração é de “grande significado” numa época em que “o homem pretende edificar a sua vida de costas para Deus, como se já não tivesse nada a dizer-lhe”.
“Gaudí, com a sua obra, mostra-nos que Deus é a verdadeira medida do homem”, apontou.
Depois da homilia e das ladainhas, tem lugar propriamente o rito da dedicação que simboliza a intenção de consagrar a igreja a Deus.
Com Bento XVI celebram 25 cardeais, bispos - incluindo D. Manuel Clente, bispo do Porto - e padres, num total de 1100 membros do clero, que se somam a 450 religiosos e religiosas e 800 cantores, para além de autoridades políticas, com destaque para os reis de Espanha. 50 mil pessoas acompanham a celebração no exterior do templo.
O Papa falou na igreja-símbolo de Barcelona como uma “síntese admirável entre técnica, arte e fé”.
Nesse sentido, agradeceu a todos os que trabalharam neste templo expiatório – assim denominado por ser construído apenas com donativos privados -, lembrando uma “longa história de sonhos, trabalho e generosidade”.
Bento XVI elogiou em particular o «pai» deste projeto, Antoni Gaudí, (1852-1926), cujo processo de beatificação está em curso, "arquiteto genial e cristão conseqüente, com a chama da sua fé ardendo até ao final da sua vida, vivida em dignidade e austeridade absoluta”.
“No coração do mundo, diante do olhar de Deus e dos homens, num humilde e gozoso ato de fé, levantamos uma imensa mole de matéria, fruto da natureza e de um incomensurável esforço de inteligência humana, construtora desta obra de arte”, assinalou ainda.
Para Bento XVI, esta obra é um “sinal visível do Deus invisível” e une “a realidade do mundo e a história da salvação”.
Gaudí, precisou, “introduziu pedras, árvores e vida humana dentro do templo, para que toda a criação convirja para o louvor divino, mas ao mesmo tempo colocou fora os retábulos, para pôr diante dos homens o mistério de Deus, revelado no nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo”.
O arquiteto catalão, acrescentou, cumpriu “uma das tarefas mais importantes de hoje, superar a cisão entre consciência humana e consciência cristã”.
“A beleza é a grande necessidade de homem, é a raiz da qual brota o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo”, assegurou Bento XVI.
O Papa deixou uma nota pessoal, confessando a sua “alegria” pelo fato de a basílica estar ligada à “figura de São José”, com quem partilha o nome (Joseph, ndr).
A primeira intervenção em Barcelona concluiu-se em catalão, com uma evocação a Nossa Senhora, pedindo que “os pobres possam encontrar misericórdia, os oprimidos alcançar a verdadeira liberdade e todos os homens se revistam da dignidade de filhos de Deus”.

Barcelona e Compostela: Deus faz sentido no século XXI
Viagem de Bento XVI deixa um testamento espiritual sobre a essência do Cristianismo

A viagem-relâmpago de Bento XVI a Espanha, de 6 a 7 de Novembro, fica para a história do pontificado como uma síntese das preocupações de Joseph Ratzinger sobre a Europa do século XXI, progressivamente afastada da fé em Deus.
Em Santiago de Compostela e Barcelona, o Papa deixou uma espécie de testamento espiritual a partir de dois locais altamente simbólicos: o Santuário galego - e os caminhos que até lá levam centenas de milhares de pessoas – e a basílica catalã da Sagrada Família, de Gaudí.
Vários temas uniram as sete intervenções em solo espanhol: peregrinação e descoberta de Deus, fé e laicismo, caridade e solidariedade, beleza e defesa dos valores transcendentes.
Logo no avião que o transportou de Roma a Compostela, Bento XVI demonstrou consciência de que esta mensagem nem sempre é bem recebida e apontou o dedo a um laicismo e secularismo “agressivo”, que a tenta mesmo calar.
Em Santiago, lançou um apelo a toda a Europa, para que dê uma “nova pujança às suas raízes cristãs” e defendeu que “a Europa da ciência e das tecnologias, da civilização e da cultura, tem de ser, ao mesmo tempo, uma Europa aberta à transcendência e à fraternidade com os outros continentes”.
Na catedral galega, o Papa vestiu a capa do peregrino, com a Cruz de Santiago e a concha, afirmando que “quem peregrina a Santiago, no fundo, fá-lo para encontrar-se, sobretudo, com Deus” e que os caminhos desta peregrinação ajudaram a moldar a “fisionomia espiritual” da Europa.
“Como mais um peregrino” - expressão repetida por Bento XVI para dar conta do seu estado de espírito -, explicou que “o cansaço do andar, a variedade das paisagens, o encontro com pessoas de outra nacionalidade” abrem os peregrinos ao “mais profundo e comum que une os seres humanos”.
A Deus leva também, em Barcelona, o “gênio” de Antoni Gaudí, autor de um "milagre arquitetônico" que o Papa elevou à categoria de basílica.
No dia do “batismo” da Sagrada Família, visitada por milhões de pessoas todos os anos, Bento XVI disse que a mesma ajuda a “mostrar ao mundo o rosto de Deus, que é amor e o único que pode responder ao desejo de plenitude do homem”.
O arquiteto catalão, acrescentou, cumpriu “uma das tarefas mais importantes de hoje, superar a cisão entre consciência humana e consciência cristã”.
Com várias intervenções a questionar a auto-suficiência de uma sociedade cada vez mais centrada na técnica, o Papa defendeu que “a beleza é a grande necessidade de homem, é a raiz da qual brota o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança”.
Além da beleza, Bento XVI deixou claro de que o testemunho cristão passa pela “alegria, coerência e simplicidade” com que os crentes concretizam a sua fé, também no seu compromisso como “cidadãos”.
Como esperado, algumas passagens tiveram um peso político específico, em especial com a crítica indireta às políticas do governo espanhol em matérias como o aborto ou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Em Barcelona, o Papa recordou que a Igreja se opõe a “todas as formas de negação da vida humana” e defende a “ordem natural no âmbito da instituição natural”.
Bento XVI pediu que se “defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável desde o momento da concepção” e que a natalidade seja “valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente”.
Junto da basílica, falou na “dignidade e o valor primordial do matrimônio e da família”, “esperança de humanidade, na qual a vida encontra acolhimento, desde a sua concepção ao seu declínio natural”.
Simbolicamente, a última paragem foi uma obra social dedicada a pessoas com deficiência, pessoas que entram no grupo de “pobres e desfavorecidos” para quem o Papa pediu “justiça”.
Ali, apelou ainda a um esforço solidário por parte dos membros da Igreja, num momento de crise, assinalando que a “caridade é o sinal distintivo” da condição de cristão.
Bento XVI lembrou os avanços da medicina, nas últimas décadas, desejando que sejam acompanhados “pela crescente convicção da importância de um esmerado cuidado humano para o bom resultado do processo terapêutico”.
“É imprescindível que os novos desenvolvimentos tecnológicos no campo médico nunca surjam em detrimento do respeito da vida e dignidade humana”, declarou.
Mais uma vez, a certeza de que o progresso humano, por si só, não é garantia de humanidade. Por isso, antes de partir, o Papa pediu que a Espanha e a Europa saibam “preservar e fomentar” o seu “rico patrimônio espiritual”, moldado pela fé cristã.
Este esforço, assinalou, é “uma via privilegiada para transmitir às novas gerações os valores fundamentais, tão necessários para edificar um futuro de convivência harmônica e solidária”.
Compostela e Barcelona foram o destino da 18ª viagem do Papa ao estrangeiro, a segunda de Bento XV à Espanha, que em Agosto de 2011 ali voltará, para a Jornada Mundial da Juventude, em Madrid – fazendo do nosso país vizinho o mais visitado no atual pontificado.





Assista o vídeo da consagração da Igreja

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bento XVI convida fíéis a acompanhá-lo na visita à Espanha

As manifestações ruidosas contrárias à ordem social são sempre feitas por materialistas, ateus, socialistas, comunistas e, ultimamente, também por homossexuais. Estes são aqueles que acusam a Igreja de intolerante - intolerantes eles agora com a Igreja porque não aceita seus princípios errôneos que corrompem a sociedade. Apesar destas turbas anarquistas ainda ser minoria, conseguem largo espaço na mídia. Não ocorre o contrário, quando verdadeiras multidões sempre acompanham o Papa para onde ele vai, como se vê no vídeo abaixo, mas não obtêm o espaço que merecem na mídia. A viagem do Papa à Espanha marcará mais um episódio nesta luta dos intolerantes que não conseguem ver a Igreja com seu líder e chefe supremo ser venerado e acolhido com tanto entusiasmo por seus fiéis.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Bento XVI no Reino Unido: alguns aspectos da mídia como reflexo da opinião pública


Um dos maiores êxitos da viagem de Bento XVI à Inglaterra foi ter obrigado a mídia, de modo geral, a reconhecer a importancia do Papa e da Igreja. Sim, por que as noticias prestigiosas divulgadas não foram frutos de alguma simpatía recôndita que os homens da imprensa têm pelo Papa. Algo de mais profundo aconteceu, e um fato inconteste é que eles foram obrigados a falar bem do Papa porque a opinião pública o exigiu. Ficaria muito mal para eles esconder esta realidade palpitante da importancia da influencia do Papa e da Igreja.
A própria BBC, costumeiramente hostil à Igreja, diz numa manchete:”Multidão recebe o Papa”. O The Times, por sua vez, publica: “Bento XVI, seja bem vindo à Grã-Bretanha” e o “The Guardian” anda foi mais enfático: “Ele veio, viu e venceu”, referindo-se ao éxito da viagem papal. Todos os jornais ingleses, o The Sun, o The Independent, o Sunday Times, o Sunday Telegraph, etc., colocaram manchetes semelhantes.
O Daily Telegraph reconheceu o éxito da visita num editorial onde diz: “Algo inesperado aconteceu: o público britânico escuta com curiosidade genuína e com respeito ao Papa. Católicos e não católicos reconhecem que o líder espiritual mais influente do mundo está aquí para enviar uma mensagem não só para o Reino Unido, mas também para uma audiencia internacional…”
É claro que não deixou de respingar notas e comentários desabonadores em algumas notinhas de menor destaque, geralmente fazendo referência aos recentes escândalos de pedofilia. Mas ficou patente que as vozes ouvidas a esse respeito sao aquelas mesmas que costumeiramente atacam a Igreja sobre qualquer tema.
Incapaz de mentir, as imagens diziam tudo. E como elas estão hoje facilmente acessíveis ao público, não adiantaria falar de algum fiasco do evento. Tinha-se que falar a verdade, embora a mesma fosse contrária ao que muitos desejariam que ocorresse.
O próprio Papa falou sobre o papel da mídia em uma parte do discurso durante o encontro com a rainha Elizabeth II no Palácio de Holyrood Scotsman : "[...] Desde as suas opiniões são uma audiência tão ampla, a mídia britânica tem uma responsabilidade mais pesada do que a maioria e uma maior oportunidade para promover a paz das nações, o desenvolvimento integral dos povos e a difusão dos verdadeiros direitos humanos ".
O tema dos meios de comunicação social foi um dos pontos abordados nas diversas reuniões e discursos, mas não foi o único ou central. Já em entrevista a jornalistas durante o vôo de Roma a Gasglow estavam sobre a mesa para abordar o essencial e principais motivações deste Estado e viagem apostólica de Bento XVI , a segunda de um Papa , 28 anos após a histórica visita de João Paulo II em 1982.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A viagem do Papa ao Reino Unido excede todas as expectativas

Talvez o Cardeal Walter Kasper tenha se excedido em suas declarações de que o Reino Unido está parecendo um país do “terceiro mundo”. O termo é pejorativo e se refere a um país atrasado economicamente; portanto, não diz respeito ao problema do ateísmo e da fé como quis deixar claro aquele prelado. Mas a assertiva poderia ter sido feita após a visita do Papa, a fim de não parecer uma indelicadeza, esclarecido, porém, que se refería específicamente à intolerancia religiosa. O país todo não agiu da forma como diz a mídia, mas houve fortes demonstrações de intolerancia religiosa, tanto por parte de certos setores céticos, agnósticos e ateus, por vezes infiltrados na própria mídia, como por parte da militância anti-religiosa, especialmente dos ativistas homossexuais. Estes, com extrema ousadia e falta de respeito para com o visitante, tentaram até mover processos jurídicos contra a presença do Papa. Houve também um movimento para impedir o governo de arcar com os custos de estadia de Bento XVI, o que constitui uma falta de educação e de hospitalidade, próprio de ditaduras e de países atrasados. Certos setores de imprensa divulgaram, días antes, falsas impressões sobre certa apatía dos ingleses com a visita do Pontífice, dando a entender que o mesmo era impopular na Inglaterra. Com as vivas aclamações feitas por enormes mulidões que afloraram em todos os eventos que o Papa promoveu por lá, ficou muito claro que tudo não passa realmente de tentativa de diminuir ou de menosprezar o papel da Igreja nos días que correm.

O papa falou para seis, mas foi ouvido por sesenta mihões
O êxito da visita de Bento XVI pode-se resumir nestas breves palabras do Primeiro-Ministro británico, David Cameron, que ao agradecer ao Papa pela sua visita afirmou que o mesmo "falava para um país de seis milhões de católicos ", mas foi " ouvido por 60 milhões de cidadãos . " De outro lado, o Arcebispo de Cantuária elogiou as boas relações entre as religiões e fala de "extremamente feliz ocasião "
A visita do Papa terminou com um apelo aos británicos no sentido de incentivar o testemunho católico para os desafios atuais. Na cerimônia de despedida realizada no Aeroporto de Birmingham agradeceu a recepção que teve nestes quatro dias e pediu a todos para seguir o exemplo do cardeal Newman, cujo testemunho coerente de vida mostra como responder aos desafios da cultura contemporânea.
"Foi muito comovente o que foi realizado aqui em Birmingham ", disse o Pontífice na beatificação do Cardeal Newman. “Estou convencido de que com o seu grande legado da doutrina e espiritual, ainda tem muito a nos ensinar sobre a vida e o testemunho cristão no meio dos desafios do mundo atual , os desafios que ele previu com clareza impressionante. "
Nesse contexto , o primeiro-ministro britânico David Cameron, exaltou a possibilidade de que o Santo Padre com a sua visita abriu as portas para o diálogo intercultural e interconfessional . Além disso, desejou que as relações entre o Reino Unido e a Santa Sé sejam reforçadas. "Especialmente na cooperação para o desenvolvimento internacional, o cuidado ambiental e a construção de uma sociedade civil, com um renovado senso de valores compartilhados e objetivos comuns."

O que o Papa espera ter contribuído com a viagem

Bento XVI disse esperar que suas reuniões nos dias de hoje , " contribuam para a criação e fortalecimento das excelentes relações entre a Santa Sé e o Reino Unido , sobretudo na cooperação internacional, o cuidado ambiental e a construção de uma sociedade civil com um renovado senso de valores compartilhados e objetivos comuns".
Por seu turno, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi, descreveu a visita como um sucesso " espiritual " e que, segundo ele , Bento XVI foi feliz porque "as pessoas estão interessadas no que tínhamos a dizer." "Centenas de milhares de pessoas ouviram a mensagem do Papa ", disse Lombardi ao fazer o balanço após a cerimônia de terceiro e último dos quatro días, ainda na Missa de beatificação do Cardenal Henry Newman , que reuniu uma multidão em torno de 50.000 pessoas. Na noite de sábado, na vigília de oração desenvolvida após a véspera , havia pelo menos 80.000 pessoas no Hyde Park em Londres.
O Beato Cardeal John Newman foi considerado um precursor do Concílio Vaticano II , em especial suas idéias sobre a relação entre fé e razão, tendo seu trabalho alcançado grande reconhecimento no mundo católico a ponto de em 1879 haver sido feito cardeal pelo Papa Leão XIII.
John Newman foi declarado Venerável pelo Papa João Paulo II em 1991,e seu processo acelerou em 2009 quando os peritos do Vaticano confirmaram a validade de um milagre atribuído a ele nos EUA, onde um diácono que sofria de uma doença grave foi recuperado depois de rezar ao Venerável. O Vaticano está investigando agora um segundo milagre , no México , abrindo o caminho para a canonização do fundador do Oratório de São Felipe Néri , na Inglaterra.

A visita vai ajudar a promover a fé neste país

"Acho que uma das melhores coisas é justamente a percepção de que muitas das previsões que foram feitas provaram erradas. " Isto foi afirmado hoje pelo arcebispo de Canterbury, Rowan Williams , a Rádio Vaticano. " A principal coisa que eu quero dizer ", disse ele , é que a oportunidade tem sido extremamente feliz e as boas-vindas que o Papa recebeu dos bispos anglicanos foi extremamente positiva ." A viagem de Bento XVI , continuou ele, "foi uma ocasião vedaderamente abençoada, e as pessoas têm saído às ruas para expressar sua fé. "

"O conflito é notícia sempre melhor para uma manchete de jornal , não a harmonia ", falou Rowan. "Minha oração e minha esperança para esta visita ", Williams concluiu , "é ajudar a promover a fé neste país e ajudar as pessoas a reconhecer que muitas pessoas acreditam piamente em Deus."



Assim, concluiu a viagem 17 ª de Bento XVI, durante sua estada no Reino Unido, um país cada vez mais secular, também advertiu contra uma " secularismo agressivo "e" marginalização " do cristianismo.

domingo, 19 de setembro de 2010

Aspectos da visita do Papa à Inglaterra

Apresentamos alguns vídeo sobre a visita do Papa à Inglaterra

Roteiros da viagem


Aclamação do povo na chegada à Inglaterra







Discurso na cathedral do Prciosíssimo Sangue

CARDEAL NEWMAN BEATIFICADO EM VISITA HISTÓRICA

Birmingham, Inglaterra - Bento XVI beatificou este Domingo em Birmigham, Inglaterra, o Cardeal John Henry Newman, uma das maiores figuras eclesiais no século XIX. Perante mais de 50 mil pessoas, que assinalaram com palmas o momento solene, o Arcebispo de Birmingham, D. Bernard Longley, pediu formalmente que o Papa beatificasse John Henry Newman e o vice-postulador da causa de canonização leu uma pequena biografia.
Bento XVI proferiu, em seguida, a fórmula de beatificação, anunciando que a festa litúrgica do Beato Newman será celebrada a 9 de outubro, precisamente a data da sua conversão, em 1845.
Um retrato do novo beato foi destapado e as suas relíquias colocadas junto ao altar, antes de o Papa cumprimentar o Arcebispo local e o vice-postulador da causa do Cardeal Newman, que continuará agora a trabalhar para a sua canonização, último degrau da «escada» de santidade já percorrida.
Esta é uma opção simbólica, mostranto que o Papa quer apresentar o Cardeal inglês, respeitado por crentes e não crentes, como modelo de pensador e líder espiritual numa altura em que a Igreja Católica atravessa um momento delicado.
Forte influência na vida e pensamento de Joseph Ratzinger, Newman é reconhecido como um notável escritor, pregador e teólogo, que James Joyce apelidava o “maior dos escritores ingleses em prosa”.
Nascido em Londres a 21 de fevereiro de 1801 e falecido a 11 de agosto de 1890, John Henry Newman converteu-se do anglicanismo ao catolicismo aos 44 anos.
Antes da sua conversão, foi uma das figuras principais do Movimento de Oxford, que procurava aproximar das suas raízes a Igreja Anglicana da Inglaterra, na qual era clérigo.
Após a sua conversão foi ordenado padre católico em Roma, no ano de 1847, e encorajado pelo Papa Pio IX regressou à Inglaterra, onde fundou o oratório de S. Filipe Néri.
Escritor prolífico, como recorda o Vaticano na sua biografia oficial, Newman abordou diversas matérias com destaque para a relação entre fé e razão, a natureza da consciência e o desenvolvimento da doutrina cristã, obras que lhe valeram grande reconhecimento do mundo católico e que influenciaram mesmo o Concílio Vaticano II, nos anos 60 do século XX.
Em 1879, com 78 anos de idade, foi criado Cardeal por Leão XIII, tendo morrido no ano de 1890, em Birmingham.
A 22 de janeiro de 1991, o Cardeal Newman foi declarado venerável por João Paulo II, uma vez comprovada a heroicidade das suas virtudes.
Durante o processo de beatificação, os seus restos mortais foram transladados do pequeno cemitério de Rednall Hill, nos subúrbios de Birmingham, onde estava enterrado juntamente com Ambrose St. John, também convertido ao catolicismo, para o Oratório São Felipe Néri de Birmingham.
Bento XVI sempre teve um interesse pessoal nesta causa e é um apreciador da teologia do Cardeal Newman, já desde os tempos em que era um jovem seminarista na Alemanha, o que justifica que, pela primeira vez no atual pontificado, o Papa abra uma excepção à prática que implementou e presida pessoalmente a uma beatificação.
"Newman pertence deveras aos grandes doutores da Igreja, porque ele toca ao mesmo tempo o nosso coração e ilumina o nosso pensamento", disse o então Cardeal Ratzinger sobre este Cardeal inglês, em 1990.
A beatificação, a primeira a ter lugar em solo inglês, acontece após a Congregação para as Causas dos Santos ter reconhecido em 2008 que a cura de uma lesão na coluna vertebral de Jack Sullivan, diácono permanente de Boston, Massachussets, não encontrava “explicação médica”, podendo ser considerada como milagre.
O Cardeal Newman foi uma figura muito popular no seu tempo: a sua conversão teve grande impacto na sociedade vitoriana e restaurou o prestígio da Igreja Católica na Inglaterra.
A sua autobiografia espiritual “Apologia pro vita sua” (1864) é vista por muitos como a maior obra do gênero desde as célebres “Confissões”, de Santo Agostinho.
É este o homem escolhido por Bento XVI para o momento mais importante da sua primeira visita de Estado ao Reino Unido, que decorre desde 16 de setembro, um Cardeal inglês que o atual Papa apresentou recentemente com “extraordinário exemplo de fidelidade à verdade”, mesmo “à custa de um considerável sacrifício pessoal".
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Fonte: AGÊNCIA ECCLESIA


O Papa define o Beato Cardeal Newman “uma figura de doutor da Igreja para nós e para todos", e também uma ponte entre anglicanos e católicos
Edimburgo (Agência Fides) - Durante a viagem no avião rumo ao Reino Unido, para a sua 17ª Viagem Apostólica em vista da beatificação do Cardeal John Henry Newman, o Papa Bento XVI encontrou-se com os jornalistas do vôo papal. Respondendo às perguntas de alguns deles, apresentadas por Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa deteve-se na figura do Cardeal Newman com as seguintes palavras:
"O Cardeal Newman é principalmente por um lado, um homem moderno, que viveu todo o problema da modernidade, que viveu também o problema do agnosticismo, a impossibilidade de conhecer a Deus, de crer. Um homem que teve ao longo de sua vida em caminho, no caminho de deixar-se transformar pela verdade, em busca de grande sinceridade e grade disponibilidade, para conhecer melhor e para encontrar, acertar o caminho para a verdadeira vida. Esta modernidade interior do seu ser e de sua vida, significa a modernidade de sua fé. Não é uma fé em fórmulas de uma época passada: é uma fé pessoal, vivida, sofrida, encontrada num longo caminho de renovação e conversões. E um homem de grande cultura, que por um lado, participa na nossa cultura cético hoje – à questão se pode entender alguma coisa sobre a verdade do homem, do ser ou não, e como podemos obter a convergência das probabilidades. Um homem que, por outro lado, com uma grande cultura do conhecimento dos Padres da Igreja, ele estudou e renovou a gênese interior da fé e reconheceu a sua figura e construção interior. Ele é um homem de grande espiritualidade, de um grande humanismo, um homem de oração, de uma profunda relação com Deus e uma relação pessoal, por isso também de uma relação profunda com os outros homens do seu e do nosso tempo. Eu diria esses três elementos: modernidade da sua existência, com todas as dúvidas e os problemas de nosso ser de hoje; grande cultura, o conhecimento dos grandes tesouros da cultura da humanidade, a disponibilidade de busca permanente, de renovação contínua; e espiritualidade: vida espiritual, vida com Deus, dão a este homem uma excepcional grandeza para o nosso tempo. Por isso, é uma figura de Doutor da Igreja para nós e para todos, e também uma ponte entre anglicanos e católicos". (SL) (Agência Fides 17/09/2010
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Homilia de Bento XVI
O serviço concreto a que foi chamado o Beato John Henry incluía a aplicação entusiasta de sua inteligência e sua prolífica pluma a muitas das mais urgentes “questões do dia”. Suas intuições sobre a relação entre fé e razão, sobre o lugar da religião revelada na sociedade civilizada, e sobre a necessidade de uma educação esmerada e ampla foram de grande importância, não somente para a Inglaterra vitoriana. Hoje também seguem inspirando e iluminando a muitos em todo o mundo. Gostaria de render especial homenagem à sua visão da educação, que fez tanto por formar o ethos que é a força motriz das escolas e faculdades católicas atuais. Firmemente contrário à qualquer enfoque redutivo ou utilitarista, buscou lograr condições educativas em que se unificasse o esforço intelectual, a disciplina moral e o compromisso religioso. O projeto de fundar uma Universidade Católica na Irlanda lhe brindou a oportunidade de desenvolver suas idéias a respeito, e a coleção de discursos que publicou com o título “A Idéia de uma Universidade” sustenta um ideal mediante o qual todos os que estão imersos na formação acadêmica podem seguir aprendendo. Mais ainda, em que melhor meta podem se fixar os professores de religião do que no famoso chamado do Beato John Henry por leigos inteligentes e bem formados: “Quero um laicato que não seja arrogante nem imprudente na hora de falar, nem polêmico, mas homens que conheçam bem sua religião, que se aprofundem nela, que saibam bem onde estão, que saibam o que têm e o que não têm, que conheçam seu credo a tal ponto que possam dar contas dele, que conheçam tão bem a história que possam defendê-la” (A Posição Atual dos Católicos na Inglaterra, IX, 390)? Hoje, quando o autor destas palavras é elevado aos altares, peço para que, através de sua intercessão e exemplo, todos os que trabalham no campo da educação e da catequese se inspirem com maior ardor na visão tão clara que ele nos deixou.

(Excerto do sermão do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Santa Missa de Beatificação do Cardeal John Henry Newman, Cofton Park de Rednal – Birmingham).