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domingo, 17 de dezembro de 2017

O PRÍNCIPE DA PAZ






O Mundo Católico, e com ele, todos os povos da terra voltam-se no dia 25 de dezembro para a manjedoura de Belém, a fim de adorar, cheio de fé, o Menino que aí repousa, ao admirar um acontecimento cuja explicação em vão se procura nas leis que regem os acontecimentos humanos.
Na época em que vivemos, de ruínas materiais e catástrofes morais, o Natal surge como um ponto luminoso de esperança entre as nações que correm, tateando, inseguras, em busca de uma ordem que lhes assegure um bem-estar ainda não encontrado.
Mas, infelizmente para a maioria dos povos, o Natal não passa de um desses símbolos que exaltam as energias momentaneamente, sem lhes incutir vigor novo e duradouro!
Querem a paz, a concórdia, a felicidade, mas desejam que tudo isso lhes caia do céu, ou brote da terra, sem a menor colaboração própria. O Menino Deus há de necessariamente dar-lhes todo o bem, não tanto pela reimplantação de uma civilização baseada nos princípios que Ele veio trazer à terra, como por um encantamento que uniria inexplicavelmente todos os corações.
Esse Menino que adoramos reverentes e causa a admiração misteriosa aos que não O reconhecem senão de nome, é, sim, o “Príncipe da Paz”(Is 9, 6), que trouxe à terra, na suavidade de Sua pessoa, todo o bem, todo o amor capaz de tornar felizes o universo inteiro e mil mundos, caso existissem!
Mas essa Paz se condiciona a uma só coisa os homens e as nações devem se submeter á Sua Lei, à Seu Evangelho.
Eis a Paz que o Senhor Menino vaio trazer à terra. Paz para cuja implantação devem colaborar todos – nações e indivíduos – com sua docilidade à Lei Divina. Só estes – os homens de real bondade – gozarão da Paz que o Natal trouxe aos homens da terra. Fora disso, toda admiração pelo Menino Deus não passa de uma impiedade mais ou menos consciente, mais ou menos inconsciente. E para os ímpios não há paz.
Oxalá as desgraças que os anos acumulam sobre povos e nações os convertam para o Deus único e verdadeiro e a unidade da Fé torne perene realidade as alegrias do Santo Natal.

 (Plinio Corrêa de Oliveira - "Catolicismo" Nº 336 - Dezembro de 1978)




sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A VERDADEIRA MENSAGEM DE NATAL



Só a boa vontade constrói as moradas de Deus em nossa alma



Os Santos Anjos anunciaram com suas trombetas no primeiro Natal da História: “paz na terra aos homens de boa vontade”, e isto se deu logo após o “glória a Deus no mais alto dos céus”. Enquanto estamos na terra, todos nós precisamos daquela paz anunciada naquele grandioso dia.
Lembremo-nos, porém, de que esta paz é exclusiva aos homens de boa vontade.
Por que a paz é exclusivamente dada aos “homens de boa vontade?” Por que os homens de má vontade não a possuirão? Porque estes são aqueles, que, estando contra a vontade divina, estão em estado de revolta contra Deus. São aqueles chamados também de ímpios e, segundo o Profeta Isaías, “não há paz para os ímpios”.
O que quer dizer “homens de boa vontade”? Quer dizer aqueles homens cujas vontades estejam em completa consonância com a vontade de Deus, aqueles que digam “seja feita a vossa vontade” não só na hora de rezar o Pai-Nosso, mas em todos os atos de sua vida presente, fazendo com que a vontade de Deus seja feita “aqui na terra como no céu”.
Ó homens de boa vontade! Contemplai o Menino Jesus, nascido abandonado num mísero presépio, e fazei-O nascer também em vosso coração! Bem sabeis que vosso coração é tão pobre ou mais do que aquela gruta; tão sujo ou mais do que aquela manjedoura; tão árido e esquecido quanto aquele ermo onde a Sagrada Família procurou abrigo.  Mas ao introduzir nele o Menino Jesus o tornai o lugar mais rico, mais asseado e limpo, mais concorrido do mundo.
E como acolher Jesus Cristo em teu interior? Olhai bem e pensai: é necessário antes de tudo fazer a vontade d’Ele aqui na terra, da mesma forma como os Santos Anjos a fazem no céu, para que possamos estar possuídos de uma boa vontade e obtenhamos a Sua Paz.  Fazendo-O nosso Hóspede, acolhendo-O em nosso coração, transformamos nosso interior em sua morada. 
Como poderá o cristão fazer uma morada para Deus em seu interior? Fazendo com que nele reine a vontade de Deus.
Lembrem-se disto: toda vez que acolhemos bem em nossa casa um parente, um amigo ou simplesmente um visitante, dando-lhe toda a atenção, todo o conforto de que carece, fazemos de nossa casa a sua morada. Assim também, toda vez que recebemos com afeto nosso irmão, mesmo que ele seja defeituoso, seja incômodo ou chato, ou até mesmo mal cheiroso, não está sendo ele nosso irmão apenas pelo sangue ou pela fé, mas muitas vezes porque tem os mesmos defeitos que nós também carregamos. E, neste caso, a sua morada não será apenas a nossa casa, com tudo o que possamos lhe oferecer de conforto, mas o nosso próprio coração, também com tudo o que podemos oferecer de bom para ele. Podemos ir mais longe: toda vez que perdoamos as ofensas que nos são dirigidas, mesmo que os ofensores não se humilhem e nos peçam perdão, estamos fazendo o papel de Deus que a tudo é capaz de perdoar por nosso amor. Esta atitude, refletindo o desejo de Deus para o bom convívio dos cristãos, revela o império de sua vontade em nós.
Agindo assim, irmãos, fazemos também o papel de anjos que são os mensageiros e intercessores de Deus perante os homens.  Por que? Porque os Santos Anjos não são donos dos dons que vêm de Deus para nós e nem daqueles que levam até Deus provenientes de nossas boas obras. Mas mesmo assim eles levam e trazem tais dons sem desfrutá-los. Da mesma forma, quando agimos com paciência suportando e perdoando os defeitos dos semelhantes; quando levamos conforto ou consolo a um necessitado; quando procuramos espelhar em nossas almas as boas virtudes para que os outros as copiem – não é o nosso perdão que levamos ao nosso semelhante, nem é nossa a fortaleza que lhe damos ao consolá-lo e confortá-lo, nem tampouco são nossas aquelas virtudes que espelhamos como exemplo de vida, mas tudo provém de Deus em benefício dos homens. Assim como os Santos Anjos, somos apenas intercessores daqueles dons.
Eis aqui uma receita para sermos bons cristãos: exercitar a nossa boa vontade, unindo-a à de Deus, consolando, confortando, perdoando, suportando incômodos e defeitos, pois foi assim que Jesus Cristo fez ao Se submeter à vontade do Pai celeste desde o nascimento até àquela morte tão cruel. Sempre trazendo esperança aos homens, sempre confortando, consolando, perdoando,  mesmo às custas de tanto sofrimento. Somente vivendo assim, agindo assim, teremos aquela paz cantada pelos Santos Anjos no nascimento de Jesus, que é fruto da glória de Deus mas é também ela mesma parte daquela glória. A morada de Deus dentro de nós é construída principalmente pela Sua vontade: comecemos a cumpri-La neste Natal, pedindo ao Menino Jesus que tome conta de nosso coração!
     





domingo, 20 de dezembro de 2015

O Natal, Festa dos homens de boa vontade



Só a boa vontade constrói as moradas de Deus em nossa alma



Os Santos Anjos anunciaram com suas trombetas no primeiro Natal da História: “paz na terra aos homens de boa vontade”, e isto se deu logo após o “glória a Deus no mais alto dos céus”. Enquanto estamos na terra, todos nós precisamos daquela paz anunciada naquele grandioso dia.
Lembremo-nos, porém, de que esta paz é exclusiva aos homens de boa vontade.
Por que a paz é exclusivamente dada aos “homens de boa vontade?” Por que os homens de má vontade não a possuirão? Porque estes são aqueles, que, estando contra a vontade divina, estão em estado de revolta contra Deus. São aqueles chamados também de ímpios e, segundo o Profeta Isaías, “não há paz para os ímpios”.
O que quer dizer “homens de boa vontade”? Quer dizer aqueles homens cujas vontades estejam em completa consonância com a vontade de Deus, aqueles que digam “seja feita a vossa vontade” não só na hora de rezar o Pai-Nosso, mas em todos os atos de sua vida presente, fazendo com que a vontade de Deus seja feita “aqui na terra como no céu”.
Ó homens de boa vontade! Contemplai o Menino Jesus, nascido abandonado num mísero presépio, e fazei-O nascer também em vosso coração! Bem sabeis que vosso coração é tão pobre ou mais do que aquela gruta; tão sujo ou mais do que aquela manjedoura; tão árido e esquecido quanto aquele ermo onde a Sagrada Família procurou abrigo.  Mas ao introduzir nele o Menino Jesus o tornai o lugar mais rico, mais asseado e limpo, mais concorrido do mundo. E assim estareis realizando o terceiro advento de Jesus Cristo: o primeiro deu-se naquele primeiro Natal; o segundo dar-se-á no fim do mundo; e o terceiro estará ocorrendo enquanto viveres e acolhê-Lo em teu interior.
E como acolher Jesus Cristo em teu interior? Olhai bem e pensai: é necessário antes de tudo fazer a vontade d’Ele aqui na terra, da mesma forma como os Santos Anjos a fazem no céu, para que possamos estar possuídos de uma boa vontade e obtenhamos a Sua Paz.  Fazendo-O nosso Hóspede, acolhendo-O em nosso coração, transformamos nosso interior em sua morada. 
Como poderá o cristão fazer uma morada para Deus em seu interior? Fazendo com que nele reine a vontade de Deus.
Lembrem-se disto: toda vez que acolhemos bem em nossa casa um parente, um amigo ou simplesmente um visitante, dando-lhe toda a atenção, todo o conforto de que carece, fazemos de nossa casa a sua morada. Assim também, toda vez que recebemos com afeto nosso irmão, mesmo que ele seja defeituoso, seja incômodo ou chato, ou até mesmo mal cheiroso, não está sendo ele nosso irmão apenas pelo sangue ou pela fé, mas muitas vezes porque tem os mesmos defeitos que nós também carregamos. E, neste caso, a sua morada não será apenas a nossa casa, com tudo o que possamos lhe oferecer de conforto, mas o nosso próprio coração, também com tudo o que podemos oferecer de bom para ele. Podemos ir mais longe: toda vez que perdoamos as ofensas que nos são dirigidas, mesmo que os ofensores não se humilhem e nos peçam perdão, estamos fazendo o papel de Deus que a tudo é capaz de perdoar por nosso amor. Esta atitude, refletindo o desejo de Deus para o bom convívio dos cristãos, revela o império de sua vontade em nós.
Agindo assim, irmãos, fazemos também o papel de anjos que são os mensageiros e intercessores de Deus perante os homens.  Por que? Porque os Santos Anjos não são donos dos dons que vêm de Deus para nós e nem daqueles que levam até Deus provenientes de nossas boas obras. Mas mesmo assim eles levam e trazem tais dons sem desfrutá-los. Da mesma forma, quando agimos com paciência suportando e perdoando os defeitos dos semelhantes; quando levamos conforto ou consolo a um necessitado; quando procuramos espelhar em nossas almas as boas virtudes para que os outros as copiem – não é o nosso perdão que levamos ao nosso semelhante, nem é nossa a fortaleza que lhe damos ao consolá-lo e confortá-lo, nem tampouco são nossas aquelas virtudes que espelhamos como exemplo de vida, mas tudo provém de Deus em benefício dos homens. Assim como os Santos Anjos, somos apenas intercessores daqueles dons.
Eis aqui uma receita para sermos bons cristãos: exercitar a nossa boa vontade, unindo-a à de Deus, consolando, confortando, perdoando, suportando incômodos e defeitos, pois foi assim que Jesus Cristo fez ao Se submeter à vontade do Pai celeste desde o nascimento até àquela morte tão cruel. Sempre trazendo esperança aos homens, sempre confortando, consolando, perdoando,  mesmo às custas de tanto sofrimento. Somente vivendo assim, agindo assim, teremos aquela paz cantada pelos Santos Anjos no nascimento de Jesus, que é fruto da glória de Deus mas é também ela mesma parte daquela glória. A morada de Deus dentro de nós é construída principalmente pela Sua vontade: comecemos a cumpri-La neste Natal, pedindo ao Menino Jesus que tome conta de nosso coração!
     




sábado, 19 de dezembro de 2015

MARIA E SEU DIVINO INFANTE: INSONDÁVEL UNIÃO





Plínio Corrêa de Oliveira


Coração de Maria, no qual foi formado o Sangue de Jesus, preço de nossa  Redenção . rogai por nós.


Esta jaculatória, da Ladainha do Imaculado Coração de Maria, além de sua particular  unção, encerra um significado sumamente elevado e belo, que vem muito a propósito considerarmos nesta véspera de Natal

“Caro Christi, caro Mariae”

Com efeito, pelas leis comuns da reprodução da espécie, o homem traz consigo algo do sangue do pai e algo do sangue da mãe. Entretanto, o preciosíssimo sangue de Nosso
Senhor Jesus Cristo, bem como sua carne sacratíssima, foram exclusivamente formados de Nossa Senhora. E isto porque, em se tratando de milagrosa concepção da parte de uma Virgem, nela não interveio obra de varão. Motivo pelo qual podemos repetir o que, com inteira propriedade, afirmou Santo Agostinho: caro Christi, caro Mariae. A carne de Cristo é, de algum modo, a própria carne de Maria.
Em Nosso Senhor Jesus Cristo não havia senão o sangue da Santíssima Virgem, que Ela, com amor e comprazimento indizíveis forneceu a seu Divino Filho, o Redentor do gênero humano.

O Homem-Deus se fez escravo de Nossa Senhora

A consideração desse fato tão singular e tão maravilhoso nos ajuda a compreender melhor o que pode ter sido o período em que Nosso Senhor esteve em gestação no corpo de Maria.
Não há maior sujeição nesta terra do que a de uma criança à mãe que a carrega no seio, dando-lhe todos os elementos vitais para a constituição de sua parte física. Ora, durante nove meses consecutivos, Nosso Senhor quis pertencer inteiramente a Nossa Senhora. Jesus, o esperado das nações, o homem tão perfeito que não é simplesmente homem, mas é Homem-Deus . porque a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se uniu hipostaticamente à sua natureza humana . Jesus quis se fazer escravo de Maria.
E desde o instante em que o primeiro elemento do corpo d.Ele começou a existir, como era perfeito! Começou a pensar, começou a orar e, conhecendo perfeitamente de que mãe era filho, deve ter dito a Ela uma palavra de amor. Pode-se calcular qual foi essa primeira palavra de afeto e carinho d.Ele para a Santíssima Virgem, e qual foi a resposta d’Ela ao sentir uma ternura que Lhe vinha do Filho-Deus?
Que terá Ela respondido a Jesus? “Meu Deus”? Ou Lhe terá chamado meu Filho.? Ou, ainda, com maior desvelo e solicitude, tê-Lo-á agradado dizendo “Filhinho”?
Quanta riqueza de alma é preciso ter para responder adequadamente a esse primeiro carinho do Verbo Encarnado! Que noção dos matizes e das situações! Que exímia e completa disponibilidade de alma para corresponder a tudo perfeitamente, e oferecer a Ele esta premissa incomparável: o ato de amor inicial que o gênero humano Lhe tributava!

Crescente e insondável união

Além disso, quantas e quão elevadas disposições de alma Nossa Senhora deve ter  sentido, quando notava o Filho mexer-se dentro d'Ela? Nesses momentos, por certo Lhe vinham pensamentos como este: “Deus se move em Mim! Aquele a quem o Céu e a terra não puderam conter, está no meu claustro, porque Deus assim o quis. Ei-Lo que se move em Mim delicadamente, amorosamente, nobremente, com uma movimentação cheia de símbolos e de mistérios. Ouço, sinto e rezo, porque são mensagens para Eu compreender, são comunicações para Eu entender”...
Oh recolhimento! Oh oração! Oh prenúncio do que deveriam ser ao longo dos séculos as almas eucarísticas que têm a felicidade sem nome de, a cada dia, por alguns instantes ter no seu próprio peito a Nosso Senhor Jesus Cristo! Oh maravilha!
E assim como o Santíssimo Sacramento comunica suas graças e se une às almas que se lhe tornam sacrários vivos, tudo indica que, pelas leis da reciprocidade, à medida que a Santíssima Virgem ia dando de seu próprio corpo a Nosso Senhor, Ele como que retribuía, conferindo-Lhe seu espírito. Nossa Senhora ia crescendo, pois, em união com Ele de modo insondável. De tal modo que, quando a obra puríssima das entranhas d’Ela chegou a seu termo e se encontrava prestes a nascer na noite de Natal, o vínculo entre ambos havia atingido um ápice inconcebível. Ela estava pronta para ser, em todos os sentidos da palavra, a Mãe do Redentor.

Diálogo inimaginável

O longo período de indizível e misterioso convívio cessa. Os Anjos se rejubilam e cantam nos Céus. Numa gruta dos arredores de Belém, Jesus vem ao mundo.
Nosso espírito se sente pequeno, ao procurarmos imaginar o embevecimento de Nossa Senhora ao ver a face do Menino Jesus, e o arroubo que sentiu, quando recebeu d.Ele o primeiro agrado externo... Quando O viu voltar-se para São José e manifestar afeto também a ele. Quando, percebendo que Jesus sentia fome, compreendeu que Lhe competia, com seu leite indizivelmente precioso, saciar o Filho de Deus. Quando, ao vê-Lo passar frio e incômodo na manjedoura, se desdobrou em mil cuidados, para melhor agasalhá-Lo e para Lhe aumentar o conforto no rude tabuleiro que lhe servia de berço. E quando, ao sentir o bafo dos animais que O aqueciam, disse-Lhe com inexcedível amor:
“Meu Deus, tão pouco para Quem é tanto”!
E quando o Menino, sem proferir palavras, respondeu-Lhe no fundo da alma: “O que é pouco para Mim, quando tenho a Vós?” Quem pode imaginar semelhante diálogo?!

Somente por meio de Maria chegamos a seu Divino Filho

Pode-se notar, por essas considerações, como a união de almas entre o Menino Jesus e Nossa Senhora é estritamente insondável para a mente humana.
Entretanto, essa mesma insondabilidade nos faz compreender melhor o papel da Santíssima Virgem como intercessora e medianeira; deve, pois, arraigar-se ainda mais em nossas almas a convicção de que, para nos aproximarmos do Divino Infante, é indispensável achegarmo-nos antes a Nossa Senhora. Ficarmos junto d’Ela, amando-A de todo o coração, é a forma mais segura e acertada de estarmos junto de Deus, porque Deus está sumamente próximo de sua Mãe, tanto quanto Ele o possa estar de uma criatura.
Nossa Senhora é a Porta do Céu, a Arca da Aliança. E assim como aquele Menino veio a nós por meio de Maria, assim também somente podemos chegar a Ele por meio d’Ela.

(Extraído da revista “Dr. Plínio”, nº 21, dezembro de 1999)



sábado, 12 de dezembro de 2015

VEM, DEUS MENINO, VISITAI ESTE MUNDO PERDIDO E SALVAI TUA GLÓRIA, TUA LEI E TUA RELIGIÃO!



Como se não bastasse ,
 NossoDeus e Senhor,
O nascer em tão grande desprezo
e solidão
Vendo o coração de Vossa Mãe  pleno de dor


Pô-Lo em pedra fria pra prestar-Vos adoração
Seguida por gentinha humilde e três reis pagãos
Por Vossa Causa matam crianças: quanta aflição!


Fugistes para longe de tão maldosas mãos,
Porque desde então fostes odiado até à morte!
Rancor repartido com Vossa Mãe e os cristãos:


A Igreja sofreu perseguição de toda sorte
Para gerar a Civilização verdadeira
Feita, em séculos, pelo cristão com braço forte


Tão rejeitado fostes naquela vez primeira
Em que nascestes pequenino e tão amoroso
- Que aquela semente de ódio é hoje touceira


Como se não bastasse ser a Vós tão odioso
Tanto se perseguiu, desprezou, seus seguidores
Do mais sábio doutor ao mais simples e piedoso


Negaram toda a Vossa Obra que em Vossos amores
Na dor fostes Mestre para nosso ensinamento
Em vez de nela prestar a Vós seus louvores


Deixaram de adorar-Vos em Vosso nascimento
Fugiram de Vossa dor e de tanta pobreza
Pois tinham que honrá-Lo só com este ornamento


Terníssima criaturinha, de excelsa beleza!
Mostraste-Vos assim tão pequeno quão amável
E o homem insensível O recusa e despreza


O Natal de Vosso tempo foi quão inefável!
Nos natais seguintes Vossa dor foi aumentando
Até chegar ao nosso século miserável


Adorar-Vos? – Não! – Sacrilégios vão se passando
E a virtude é tida como um grande desabono
Só há desespero – as almas estão se danando!


Este o pesadelo de Vosso primeiro sono:
Coroa de espinhos, cravos, chicotes, cruz e lança
E enquanto Vos matam, ao redor só abandono!


Em Vossa manjedoura, meu Deus, ainda criança
Vos crucificaram, já, nossos atuais pecados
Que nesta vida achamos como terral herança


E como se não bastasse males tão ousados
Querem matar Vossa Mãe, de quem vão invejando
E as almas dos fiéis, que também são crucificados


Querem tornar inútil Vosso sangue, tentando
Esvaziar Vosso Reino dos que predestinastes
Quando nascestes naquele ermo tão miserando


Lembras-Te do primeiro choro que derramastes?
Das espadas que estavam naquele Coração
de Vossa Mãe, tão triste mas não A consolastes?


Ó Rei das dores – a dor nasceu conVosco em vão?

Vem, Deus Menino, visita este mundo perdido
E salvai Tua Glória, Tua Lei e Tua Religião!

(Autor: Juraci Josino Cavalcante -
 Salvador - BA)


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

ERA NECESSÁRIO QUE CRISTO NASCESSE DE MULHER



Eva e Maria.
O Senhor veio e se manifestou numa verdadeira condição humana que o sustentava, sendo por sua vez esta sua humanidade sustentada por Ele, e, mediante a obediência na árvore da cruz, levou a cabo a expiação da desobediência cometida noutra árvore, ao mesmo tempo que liquidava as consequências daquela sedução com a qual havia sido vilmente enganada a virgen Eva, já destinada a um homem, graças à verdade que o Anjo anunciou à Virgem Maria, prometida também a um homem.
Pois, da mesma maneira que Eva, seduzida pelas palavras do diabo, assim Maria foi evangelizada pelas palavras do Anjo, para levar a Deus em seu seio, graças a obediência à sua palabra.
E se aquela se deixou seducir para desobedecer a Deus, esta se deixou persuadir a obedecê-Lo, do que a Virgem Maria se converteu em advogada da virgem Eva.
Assim, ao recapitular todas as coisas, Cristo foi constituído cabeça, pois declarou guerra a nosso inimigo, derrotou ao que num principio, por meio de Adão, nos havia feito prisioneiro, e esmagou sua cabeça, como encontramos dito por Deus à serpente no Gênesis: “Estabelecerei inimizades entre ti e a mulher, entre tua estirpe e a dela; ela te pisará na cabeça quando tu a ferires”.
Com estas palabras se proclama de antemão que Aquele que havia de nascer de uma donzela e ser semelhante a Adão haveria de esmagar a cabeça da serpente.  E esta descendência é a mesma da qual fala o Apóstolo em sua carta aos Gálatas: “A lei se acrescentou até que chegasse o descendente beneficiário da promessa”. E o expressa ainda com mais clareza em outro lugar da mesma carta, quando disse: “Porém quando se cumpriu o tempo, enviou Deus a seu Filho, nascido de uma mulher”. Pois o inimigo não teria sido derrotado com justiça se seu vencedor não tivesse sido um homem nascido de mulher. Já que por uma mulher o inimigo havia dominado desde o principio ao homem, pondo-se em contra dele.
Por esta razão o mesmo Senhor se confessa Filho do Homem, e recapitula em si mesmo aquele homem primordial do qual se fez aquela forma de mulher: para que assim como noutra raça descendeu para a morte a causa de um homem vencido, ascendamos do mesmo modo para a vida graças a um homem vencedor.
.

(Del tratado de san Ireneo; obispo contra las herejías - Libro 5, 19,1; 20, 2; 21, .1: SC 153,, 248,250. 260-264)


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A TERCEIRA VINDA DE CRISTO



Virá a nós a Palabra de Deus.
Sabemos de uma tripla vinda do Senhor. Além da primeira e da última, há uma vinda intermediária.  Aquelas são visíveis, mas esta não. Na primeira, o Senhor se manifestou na terra e conviveu com os homens, quando, como atesta Ele mesmo, O viram e O odiaram.  Na última, todos verão a salvação de Deus e verão ao que traspassaram.
Pelo contrário, a intermediária é oculta e nela somente os eleitos vêem ao Senhor no mais íntimo de si mesmos, e assim suas almas se salvam. De maneira que, na primeira vinda o Senhor veio em carne e fraqueza; nesta segunda, em espírito e poder; e, na última, em glória e majestade.
Esta vinda intermediária é como um camino pelo qual se passa da primeira para a última: na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; nesta, é nosso descanso e nosso consolo.
E para que ninguém pense que é pura invenção o que estamos dizendo desta vinda intermediária, ouvi d’Ele mesmo: O que me ama – nos disse – guardará minha palavra e meu Pai o amará e viremos a ele. Li em outra parte: O que teme a Deus obrará o bem; porém penso que se disse algo mais do que ama, porque este guardará sua palavra. E onde vai guardá-la? No coração, sem dúvida alguma, como disse o profeta: Em meu coração guardo teus conselhos, assim não pecarei contra ti.
Assim é como hás de cumprir a palavra de Deus, porque são ditosos os que a cumprem. É como se a palavra de Deus tivesse que passar pelas entranhas de tua alma; por teus afetos e tua conduta. Faz do bem tua comida, e tua alma desfrutará deste alimento substancioso. E não te esqueças de comer teu pão, não ocorra que teu coração se torne árido: pelo contrario, que tua alma repouse completamente satisfeita.
Se é assim como guardas a palavra de Deus, não cabe dúvida que ela te guardará a ti. O Filho virá a ti em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém, o que o faz todo novo. Tal será a eficácia desta vinda, que nós, que somos imagem do homem terreno, seremos também imagen do homem celestial. E assim como o velho Adão se espalhou por toda a humanidade e ocupou ao homem inteiro, assim é agora preciso que Cristo o possua todo, porque Ele o criou todo, o redimiu todo, e o glorificará todo.
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(Dos sermões de São Bernardo – (Sermão 5 no Advento do Senhor, 1-3; Opera Omnia, edición Cisterciense, 4. 1966. 188-195)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A VERDADEIRA PAZ DO NATAL






Feliz Natal? Geralmente admite-se por feliz o que desfruta alguma bem-aventurança. São bem-aventurados os que só se alegram com os prazeres desta vida? Aqueles que se esquecem egoisticamente de seus semelhantes e só pensam em si?
Não, não vejo nas comemorações dos natais dos últimos tempos como promotoras da verdadeira felicidade. Talvez alguém julgue muito dura esta mensagem; pode ser,  mas é verdadeira. Não admito que possa tornar-se feliz aquele que vai ás compras, enche-se de presentes para distribuir com os parentes e amigos, mas não se lembra do Menino Jesus, não cumpre a mensagem que Ele trouxe ao nascer. Nem sequer aquele que distribui comida e presentes para grande quantidade de gente, em geral pobres, dizendo saciar a fome e alegrá-los naquele dia santo que é o Natal, mas, no entanto, não faz sequer uma pequena oração antes da lauta refeição, nem ergue no lugar um pequeno presépio ou uma outra homenagem Àquele que é motivo dos festejos. Pior ainda é a festa promovida por uma infinidade de gente, onde só se ouve barulho, gritaria, folguedos, pulos e músicas estridentes, mas nada de espírito de oração e contemplação nas coisas celestes. Há ainda os eventos públicos, onde se apresentam corais magníficos, belos espetáculos de luzes cortando os céus, muito brilho e beleza, e uma multidão aplaudindo entusiasmada ao contemplar tamanha grandeza de brilho e fulgor, mas, não se vê, de modo geral, uma alusão, ou mesmo, simples citação, do verdadeiro espírito natalino.
É preciso frisar que nem tudo é assim. Alguns vão à Missa do Galo, lá rezam e se lembram do Menino Jesus e de Sua mensagem, mas, chegando à sua casa logo se esquecem do que presenciaram, ligam a TV ou o computador e vão assistir a tudo o que de despudoramento desvirtua algum propósito, se realmente houve, de mudança de vida. Muitas famílias armam em suas casas um presépio piedoso, alguns simplistas demais ou até mesmo feitos de plásticos, chamam parentes e amigos, enchem a mesa dos melhores e apetitosos alimentos, e comemoram à sua moda familiar aquele Natal, onde se confraternizam e, às vezes, rezam. Outros nem sequer fazem o sinal da cruz. Terminada a comilança e a distribuição de presentes entre si, barriga cheia e o amor-próprio satisfeito com o que ganharam, ninguém se lembra de Quem estavam comemorando ali, nem da mensagem que Ele veio nos trazer ao nascer; vão dormir, em geral também com a cabeça inebriada pela cerveja, pelo vinho ou pelo uísque, a espera de no dia seguinte ir para a praia ou para qualquer outro lugar onde a vulgaridade tornou-o ocasião próxima de pecado.
E a Mensagem trazida pelo Salvador é a mais simples possível: os Anjos a ostentaram bem alto para que todos a vissem e ouvissem – GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE. Uma coisa é decorrente da outra. Isso significa que só haverá paz entre os homens se estes promoverem antes a glória de Deus. E a paz só é concedida aos “homens de boa vontade”, porque os de má vontade, que não dão glórias a Deus nem seguem sua vontade, nunca poderão alcançar a verdadeira paz, nem, portanto, a felicidade natalina.

FELIZ NATAL, HOMENS DE BOA VONTADE.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fatos extraordinários ocorridos no Nascimento de Cristo


O fato extraordinário mais falado no dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é o surgimento da estrela que guiou os Santos Reis Magos até Belém. No entanto, muitos outros fatos extraordinários e milagrosos ocorreram naquele dia, como narra São Boaventura. São Boaventura, frade franciscano que viveu no século XIII, recebeu o título de Doutor Seráfico devido à elevação e clareza de sua doutrina. É de sua autoria o "Sermão XXI - No nascimento do Senhor", pronunciado na igreja de Santa Maria de Porciúncula, o qual se baseia, segundo atesta o próprio Santo, em diversas descrições antigas.




"São estes, segundo diversas descrições, alguns dos milagres manifestados ao povo pecador no dia da natividade de Cristo:

Primeiro - Uma estrela brilhantíssima apareceu no céu, do lado do Oriente, e nela se via a figura de um belíssimo menino em cuja cabeça refulgia uma cruz, para manifestar que nascia Aquele que vinha iluminar o mundo com sua doutrina, sua vida e sua morte.


Segundo - Em Roma, ao meio dia apareceu sobre o Capitólio, junto ao sol, um círculo dourado visto pelo imperador e pela Sibila tendo ao centro uma Virgem belíssima, portando um menino, a fim de manifestar que Aquele que nascia era o rei do mundo, que se dava a conhecer como o "resplendor da glória do Pai e a figura da sua própria substância" (Hebr. 1,3). Vendo este sinal, o prudente imperador ofereceu incenso ao menino, e recusou desde então ser chamado deus.
Terceiro - Em Roma desmoronou o templo da Paz, a respeito do qual, ao ser construído, os demônios se perguntavam quanto tempo duraria; tendo lhes sido respondido: até o momento em que uma Virgem dê a luz. Este foi um sinal de que nascia Aquele que haveria de destruir os edifícios e as obras da vaidade.
Quarto - Uma fonte de azeite de oliveira irrompeu em Roma e fluiu abundantemente, por muito tempo, até o rio Tibre, para ficar patente haver nascido a fonte da piedade e da misericórdia.
Quinto - Na noite da Natividade, as vinhas da Engadda, que produzem bálsamo, floresceram, cobriram se de folhas e produziram licor, para significar que nascia Aquele que faria o mundo florescer, reverdecer e frutificar espiritualmente, e atrair com seus odores o mundo inteiro.
Sexto - Todos os prostituídos, homens e mulhere
s, morreram por toda a terra, conforme disse São Jerônimo, comentando o salmo "A luz nasceu para o justo", para evidenciar que Aquele que nascia vinha reformar a natureza e promover a castidade.
Sétimo - No momento em que a Virgem deu a luz, todos os ídolos do Egito se espatifaram, segundo o sinal que Jeremias dera aos egípcios quando esteve entre eles, para que se entendesse que nascia Aquele que era verdadeiro Deus, único a ser adorado como o Pai e o Espírito Santo.
Oitavo - Logo que o Menino nasceu e foi reclinado no presépio, um boi e um asno ajoelharam se e, como se fossem dotados de razão, O adoraram, para que se compreendesse que nascia Aquele que a seu culto chamava o povo judeu e os gentios.


Nono - Todo o mundo gozou da paz e se colocou em ordem, para que ficasse manifesto que nascia Aquele que amaria e promoveria a paz universal
e marcaria os seus eleitos para a eternidade.
Décimo - No Oriente três sóis apareceram, e aos poucos se transformaram em um só corpo solar, pelo que se mostrava que se aproximava do mundo o conhecimento da unidade e trindade de Deus, e também que a Divindade, a Alma e a Carne
em uma só Pessoa convergiram.


Por tudo isso, nossa alma deve bendizer a Deus e venerá-lo, porque nos libertou e sua majestade, com tão grandes milagres, se manifestou a nós, p
ovo pecador".

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Súplica junto ao presépio


Plínio Corrêa de Oliveira
Comemoramos mais uma vez, Senhor, a festa de vosso Santo Natal. Mais uma vez a Cristandade se apresta a Vos venerar na manjedoura de Belém, sob as cintilações da estrela, ou sob a luz ainda mais clara e fulgente dos olhos maternais e doces de Maria.
A vosso lado está São José, tão absorto em Vos contemplar que parece nem sequer perceber os animais que Vos rodeiam, os coros dos Anjos que rasgaram as nuvens e cantam, bem visíveis, no mais alto dos Céus.
Daqui a pouco se ouvirá o tropel dos Magos que chegam, trazendo no dorso de extensas caravanas presentes de ouro, incenso e mirra, guardados por famulagem sem conta. No decurso dos séculos, outros virão venerar vosso presépio: da Índia, da Núbia, da Macedônia, de Roma, de Cartago, da Espanha, gauleses, iberos, germanos, saxões, normandos e seus descendentes. Aí estão os peregrinos e os Cruzados que vieram do Ocidente para beijar o solo da gruta em que nasceste.
E no meio de tantos, eis-nos aqui também. Estamos de joelhos e Vos olhamos. Vêde-nos, Senhor, e considerai-nos com compaixão. Estamos aqui e vos queremos falar.
• * * *
Nós? Quem somos nós?
Os que não dobram os dois joelhos, e nem sequer um só, diante de Baal. Os que temos a vossa Lei escrita no bronze de nossa alma e não permitimos que as doutrinas do século atual gravem seus erros sobre este bronze, que sagrado vossa Redenção tornou. Os que amamos como o mais precioso dos tesouros a pureza imaculada da ortodoxia e que recusamos qualquer pacto com a heresia, suas obras e infiltrações. Os que temos misericórdia para com o pecador arrependido, e que para nós mesmos, tantas vezes indignos e infiéis, imploramos vossa misericórdia, mas não poupamos a impiedade insolente e orgulhosa de si mesma, o vício que se estadeia e escarnece da virtude. Os que temos pena de todos os homens, mas particularmente dos bem-aventurados que sofrem perseguição por amor à vossa verdadeira Igreja, que são oprimidos em toda a Terra por sua fome e sede de virtude, que são abandonados, escarnecidos, traídos e vilipendiados porque se conservam fiéis á vossa Lei.
Aqueles que sofrem sem que a literatura contemporânea se lembre de exaltar a beleza de seus sofrimentos – a mãe cristã que reza hoje sozinha diante do presépio, no lar abandonado pelos filhos que profanam em orgias o dia de vosso Natal; - o esposo austero e forte que pela fidelidade a vosso Espírito se tornou incompreendido e antipático aos seus; - a esposa que suporta as agruras da solidão da alma e do coração, enquanto a leviandade dos costumes arrastou ao adultério aquele que deveria ser para ela a coluna de seu lar, a metade de sua alma; - o filho ou a filha piedosa, que durante o Natal, enquanto os lares cristãos estão em festa, sente mais do que nunca o gelo com que o egoísmo, a sede dos prazeres, o mundanismo, paralisaram e mataram em seu próprio lar a vida de família; - o aluno abandonado e vilipendiado por seus colegas, porque permanece fiel a Vós; - o mestre detestado por seus discípulos, porque não pactua com seus erros; - o sacerdote que sente erguer-se em torno de si a muralha sombria de incompreensão ou da indiferença, porque se recusa a consentir na deterioração do depósito da Fé que lhe foi confiado; - o católico fiel, asfixiado pela “fumaça de Satanás” que penetrou no Templo de Deus, e que é tratado como um estranho na casa de sua mãe, a Igreja; - o homem honesto que ficou reduzido à penúria porque não roubou.
Estes são, Senhor, os que no momento presente, dispersos, isolados, ignorando-se uns aos outros, entretanto, agora, se acercam de Vós para oferecer o seu dom e apresentar a sua prece.
Prece, antes de tudo, por aquilo que mais amam no mundo, que é vossa Igreja santa e imaculada. Que vossa igreja triunfe por fim deste século de pecado e plasme para vossa maior glória uma nova civilização. Pelos santos, para que sejam mais santos. Pelos bons, para que se santifiquem. Pelos pecadores, para que se tornem bons; pelos ímpios, para que se convertam. Que os impenitentes, refratários à vossa graça e nocivos às almas, sejam dispersados, humilhados e aniquilados por vossa punição.
Prece, depois, por si mesmos. Que os façais mais exigentes na ortodoxia, mais severos na pureza, mais fiéis nas adversidades, mais altivos nas humilhações, mais terríveis para com os ímpios, mais compassivos para com os que, envergonhando-se de seus pecados, louvam de público a virtude e se esforçam seriamente por a conquistar.
Prece, por fim, para que vossa graça, sem a qual nenhuma vontade persevera duravelmente no bem, seja para eles tanto mais abundante quanto mais numerosas forem suas misérias e infidelidades.
(Transcrito do jornal “Última Hora”, terça feira, 24 de dezembro de 1985)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os maiores presentes de Natal da História

Os Reis Magos não só adoraram o Menino Jesus, mas Lhe deram riquíssimos presentes: “E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se, O adoraram; e, abrindo os seus tesouros, Lhe ofereceram presentes (de) ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 11).
Uma pergunta paira no ar: que presentes lhes deram a Sagrada Família em retribuição? É impossível que eles tenham voltado para suas terras sem uma lembrança do Menino Jesus e de Seus Pais. No entanto, o Evangelho é omisso sobre isso.
Esta hipótese da falta dos presentes aos Reis Magos é impossível que se tenha dado por vários motivos. Um deles é por causa da virtude da gratidão, plena em Nossa Senhora e muito viva em São José. E a Santíssima Virgem não só havia sido educada segundo as regras desta gratidão, mas, por ser quem era, recebeu luzes especiais para praticá-la em toda a sua vida. Especialmente naquilo que dizia respeito ao Seu Divino Filho Ela nunca poderia deixar de ficar agradecida com os favores recebidos, retribuindo-os à altura. Interiormente, Ela deve ter prometido ser grata a todos aqueles que buscassem Seu Filho com reconhecimento e oferendas e, mais ainda, para O adorar.
Assim, foi a gratidão, por exemplo, que levou-A a correr à casa de Santa Isabel para transmitir a grandiosa notícia de que o Messias encarnara-Se em seu ventre. Ela sentia a necessidade de ter que extravasar para alguém aquela alegria contagiante que Lhe enchia o coração. A quem dar tal notícia? A quem testemunhar tamanha alegria e felicidade? A São José era impossível, embora fosse seu fiel esposo, pois Sua concepção comportava algo tão milagroso e alto que o seu próprio esposo não entenderia. Esta tarefa competia aos Santos Anjos. Desta forma, a pessoa indicada para extravasar sua grandiosa alegria era mesmo Santa Isabel, pois além de ser mulher (e provavelmente sua confidente) estava também grávida de uma forma milagrosa. E tal foi o entusiasmo e a alegria naquele encontro que provocou o Magnificat.
Agora, quanto aos Reis Magos, que presentes Nossa Senhora lhes teria dado para retribuir o que eles faziam pelo Seu Filho? E claro que muito mais do que presentes de coisas materiais, Ela os cumulou de inúmeras graças celestiais. Mas será que Ela não desejava que os Santos Reis levassem para suas terras algo que lembrasse para sempre aquele sacral encontro? E que tal lembrança fosse perpetuada aos seus descendentes?
Quando a Santíssima Virgem recebeu a Anunciação do Anjo e ficou grávida do Menino Jesus teve, certamente, milhares de meditações e revelações sobre o que fazer daquele momento em diante. E quantas cogitações não deve ter tido sobre a forma de agradecer os favores dados ao Seu Filho!
Por conhecer muito bem as Sagradas Escrituras Ela sabia que os Reis do Oriente viriam adorar o Seu Filho. Sabia que, sendo eles reis, não viriam de mãos vazias. Ora, sabendo disso, Ela não teria se preparado para receber esses reis em sua casa? Provavelmente deve ter preparado todo um cerimonial, todo um ritual e solenes festas para receber tão ilustres visitantes. Dentro destes cerimoniais não estão ausentes as regras de etiqueta e educação, algumas surpresas especiais e presentes. É muito difícil de imaginar o que Ela preparou para aquele momento. Mas podemos supor que foi algo que fizesse perpetuar a memória de Seu Filho divino entre aqueles reis e seus povos, talvez até o fim do mundo.
E estes preparativos e presentes estavam em sua bagagem de viagem, pois mesmo na situação em que se encontravam Ela tinha plena confiança de que as profecias se cumpririam e que alguns reis do Oriente viriam adorar o Menino Jesus, cheios de presentes.
Vamos, agora, imaginar como teria sido a recepção aos Reis Magos e quais presentes lhes teria dado a Sagrada Família. Como eram três os Reis, é provável que tenha durado três dias as visitas, cada um tenha se apresentado cerimoniosamente ao Menino Jesus em dias separados. A cada um que se apresentava, com toques de cornetas de seus serviçais, Nossa Senhora retribuía com belíssimos cânticos em homenagem ao rei e ao seu povo. Após os presentes reais seguiam-se os dEla. Quais teriam sido? Ciente de perpetuar a memória de Seu Filho não pode ter sido alguma coisa efêmera, de pouca duração. Assim, além de um santo Escapulário que impôs a cada um, Ela deve ter dado a graça de conterem misticamente em seu peito o Sagrado Coração do Menino Jesus, que além de santifica-los, duraria até o fim dos tempos. Quanto aos presentes materiais, compete a cada um imaginar o que de mais fabuloso e fantástico exista para retribuir ao que os Reis Magos Lhe ofertara e, de modo especial, que seja algo que perpetue neles a mensagem do Natal.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Meditação sobre o Natal


Junto ao Presepe

Aproxima-se mais uma vez, Senhor, a festa de vosso Santo Natal. Mais uma vez, a Cristandade se apresta a Vos venerar na manjedoura de Belém, sob a cintilação da estrela, ou sob a luz ainda mais clara e fulgente, dos olhos maternais e doces de Maria. A vosso lado está São José, tão absorto em Vos contemplar, que parece nem sequer perceber os animais que Vos rodeiam, e os coros de Anjos que rasgaram as nuvens, e cantam, bem visíveis, no mais alto dos Céus. Daqui a pouco, se ouvirá o tropel dos Magos que chegam trazendo presentes de ouro, incenso e mirra no dorso de extensas caravanas guardadas por uma famulagem sem conta.No decurso dos séculos, outros virão venerar vosso presepe: da Índia, da Núbia, da Macedônia, de Roma, de Cartago, da Espanha, gauleses, francos, germanos, anglos, saxões, normandos. Aí estão os peregrinos e os Cruzados que vieram do Ocidente para beijar o solo da gruta em que nascestes. Vosso presepe encontra-se agora em toda a face da Terra. Nas grandes catedrais góticas ou românicas, nas mesquitas conquistadas ao mouro e consagradas ao culto verdadeiro, multidões imensas se acumulam em torno de Vós, e Vos trazem presentes: ouro, prata, incenso, e sobretudo a piedade e a sinceridade de seus corações.Abre-se o ciclo da expansão ocidental. Os benefícios de vossa Redenção jorram abundantes sobre terras novas. Incas, astecas, tupis, guaranis, negros de Angola, do Cabo ou da Mina, hindus bronzeados, chins esguios e pensativos, ágeis e pequenos nipões, todos estão em torno de vosso presepe e Vos adoram. A estrela brilha agora sobre o mundo inteiro. A promessa angélica já se fez ouvir a todos os povos, e sobre toda a Terra os corações de boa vontade encontraram o tesouro inapreciável de vossa paz. Superando todos os obstáculos, a palavra evangélica se fez ouvir por fim aos povos do mundo inteiro. No meio da desolação contemporânea, esta grande afluência de homens, raças e nações em torno de Vós é, Senhor, a única consolação, a esperança que resta.E no meio de tantos, eis-nos aqui também. Estamos de joelhos, e Vos olhamos. Vede-nos, Senhor, e considerai-nos com compaixão. Aqui estamos, e Vos queremos falar.Nós? Quem somos nós? Os que não dobram os dois joelhos, e nem sequer um joelho só, diante de Baal. Os que temos a vossa Lei escrita no bronze de nossa alma, e não permitimos que as doutrinas deste século gravem seus erros sobre este bronze sagrado que vossa Redenção tornou. Os que amamos como o mais precioso dos tesouros a pureza imaculada da ortodoxia, e que recusamos qualquer pacto com a heresia, suas obras e infiltrações. Os que temos misericórdia para com o pecador arrependido, e que para nós mesmos, tantas vezes indignos e infiéis, imploramos vossa misericórdia -- mas que não poupamos a impiedade insolente e orgulhosa de si mesma, o vício que se estadeia com ufania, e escarnece a virtude. Os que temos pena de todos os homens, mas particularmente dos bem-aventurados que sofrem perseguição por amor à vossa Igreja, que são oprimidos em toda a Terra por sua fome e sede de virtude, que são abandonados, escarnecidos, traídos e vilipendiados porque se conservam fiéis à vossa Lei. Aqueles que sofrem sem que a literatura contemporânea se lembre de exaltar a beleza de seus sofrimentos: a mãe cristã que reza hoje sozinha diante de seu presepe, no lar abandonado pelos filhos que profanam em orgias o dia de vosso Natal; o esposo austero e forte que pela fidelidade a vosso Espírito se tornou incompreendido e antipático aos seus; a esposa fiel que suporta as agruras da solidão da alma e do coração, enquanto a leviandade dos costumes arrastou ao adultério aquele que devera ser para ela a coluna de seu lar, a metade de sua alma, "um outro eu mesmo"; o filho ou a filha piedosa, que durante o Natal, enquanto os lares cristãos estão em festa, sente mais do que nunca o gelo com que o egoísmo, a sede dos prazeres, o mundanismo paralisou e matou em seu próprio lar a vida de família. O aluno abandonado e vilipendiado pelos seus colegas, porque permanece fiel a Vós. O mestre detestado por seus discípulos, porque não pactua com seus erros. O Pároco, o Bispo, que sente erguer-se em torno de si a muralha sombria da incompreensão ou da indiferença, porque se recusa a consentir na deterioração do depósito de doutrina que lhe foi confiado. O homem honesto que ficou reduzido à penúria porque não roubou.Estes são, Senhor, os que no momento presente, dispersos, isolados, ignorando-se uns aos outros, entretanto, agora, se acercam de Vós para oferecer o seu dom, e apresentar a sua prece.Dom tão esplendido na verdade, que se eles Vos pudessem dar o sol e todas as estrelas, o mar e todas as suas riquezas, a terra e todo o seu esplendor, não Vos dariam dom igual.É o dom de si, íntegro e feito com fidelidade. Quando eles preferem a ortodoxia completa às palmas dos fariseus; quando preferem a pureza à popularidade entre os ímpios; quando escolhem a honestidade de preferência ao ouro; quando permanecem na vossa Lei ainda que por isto percam cargos e glória, praticam o amor de Deus sobre todas as coisas, e atingem a perfeição da [vida] espiritual, rija e verdadeira dileção. Não, por certo, do amor como o entende o século, amor todo feito de sensibilidade esparramada e ilógica, de afetos nebulosos e sem base na razão, de obscuras condescendências consigo mesmo, e escusas acomodações de consciência. Mas o amor verdadeiro, iluminado pela Fé, justificado na razão, sério, casto, reto, perseverante, em uma palavra o amor de Deus.E eles Vos formulam uma prece. Prece, antes de tudo, por aquilo que mais amam no mundo, que é a vossa Igreja santa e imaculada. Pelos pastores e pelo rebanho. Sobretudo pelo Pastor dos Pastores e do rebanho, isto é, por Pedro que hoje se chama Pio. Que vossa Igreja, que geme cativa nas masmorras desta civilização anticristã, triunfe por fim deste século de pecado, e plasme para vossa maior glória uma nova civilização. Pelos santos, para que sejam mais santos. Pelos bons, para que se santifiquem. Pelos pecadores, para que se tornem bons, pelos ímpios, para que se convertam. Que os impenitentes, refratários à graça e nocivos às almas, sejam dispersos, humilhados e aniquilados por vossa punição. Que as almas do Purgatório quanto antes subam ao Céu.Prece, depois, por si mesmos. Que os façais mais exigentes na ortodoxia, mais severos na pureza, mais fiéis na adversidade, mais altivos nas humilhações, mais enérgicos nos combates, mais terríveis para com os ímpios, mais compassivos para com os que, envergonhando-se de seus pecados, louvam de público a virtude e se esforçam seriamente por a conquistar.Prece, por fim, para que vossa Graça, sem a qual nenhuma vontade persevera duravelmente no bem e nenhuma alma se salva, seja para eles tanto mais abundante quanto mais numerosas forem suas misérias e infidelidades.

Autor: Dr. Plinio Correia de Oliveira - "Legionário" 22/12/1946