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terça-feira, 9 de junho de 2020

O QUE A MÍDIA NÃO FALA SOBRE O RACISMO NOS ESTADOS UNIDOS







A propósito da onda de protestos recentes nos Estados Unidos da América, ocasionada pela morte de um negro por um policial branco, surgiu repentinamente uma organização mundial sob o epíteto de Antifas, com pretensões de combater não tanto o ódio racial, mas o fascismo político.
Vê-se nessa ocasião uma semelhança do que ocorreu em 1992, quando uma onda de violência racial foi detonada por causa do clamor provocado pela mídia, especialmente por canais de TV. A diferença é que, naquele ano a motivação foi exclusivamente racial, enquanto que nos dias de hoje o racismo foi apenas o pretexto para a ação política de elementos de esquerda e adeptos de uma nova ordem mundial anárquica condizentes para a desordem social.
Vejamos como os fatos se deram naquele ano, quando a comoção social foi detonada por canais de TV da mesma forma que hoje.

O ódio racial que explodiu em Los Angeles, em 1992, deixando 53 mortos e mil feridos, foi excitado pela mídia

Tudo ocorreu porque um júri popular absolveu em Los Angeles quatro policiais brancos que no ano anterior haviam espancado um motorista negro durante uma blitz. Um vídeo amador havia documentado as agressões e foi ostensivamente divulgado por canais de TV, promovendo grande comoção social entre os negros. Nas reportagens, as TVs destacavam o fato de todos os membros do jurado não serem negros, dando grande realce ao ódio racial. Em pouco tempo havia manifestações violentas de negros contra brancos, queimando lojas, destruindo e matando. Em dezenas de grandes cidades, como Houston, Las Vegas e São Francisco foi ateado o ódio racial. Passeatas reuniam milhares de negros em cidades como Nova York, onde só se via incêndios, arruaças, depredações e... mortes. A partir da divulgação das notícias em todas as emissoras do mundo, o destaque era para o ódio racial dos brancos, como que “desculpando” ou justificando as violências praticadas pelas comunidades negras em revolta.[1] Segundo a tônica geral da mídia, o ódio racial parte quase sempre dos brancos, quando não é sempre assim. Segundo dados estatísticos, o racismo tem origens mais profundas.

Violência de negros contra brancos nos EUA é mais de 25 vezes maior que o inverso, mas jornais escondem dados

Os ataques de brancos contra negros são acontecimentos comuns, muito mais frequentes do que os de negros contra brancos, ou negros contra negros? Os dados omitidos na cobertura da imprensa mostram o contrário. Vejam tais dados, que resumimos abaixo, divulgados por jornalista da insuspeita revista “Veja”:
1)  Assassinatos:
– Entre 93 e 94% dos negros assassinados nos EUA são mortos por outros negros.
O ex prefeito de Nova York Rudy Giuliani foi chamado de racista pelo ativista negro Michael Eric Dyson por dizer, no calor do debate, que “policiais brancos não estariam lá (nas comunidades negras) se vocês não estivessem se matando uns aos outros”. Depois o ex-prefeito teve de explicar na CNN:
“Eu disse a mesma coisa que o presidente dos Estados Unidos disse e fui acusado de ser racista. O presidente disse ‘porque as comunidades minoritárias normalmente estão sujeitas a mais crimes, elas precisam de aplicação da lei mais do que ninguém’. Quando ele disse isso, ele não foi acusado de ser racista. Quando eu disse, o meu adversário disse que eu era um racista. Se houver grandes quantidades de crime na comunidade, nós colocamos mais policiais lá. Se não fizéssemos isso, seríamos racistas (também). Se eu colocar todos os meus policiais na Park Avenue e nenhum dos meus policiais onde estão ocorrendo cinco vezes mais crimes, então eu serei acusado de racista. A polícia vai aonde o crime é cometido.”
Em outra oportunidade, declarou:  “Até o momento em que me tornei prefeito, milhares de negros estavam sendo mortos a cada ano. Quando deixei o cargo, o número havia baixado para cerca de 200. Eu provavelmente salvei mais vidas de negros como prefeito de Nova York do que qualquer prefeito na história desta cidade. Eu gostaria de ver se o dr. Dyson já salvou tantas vidas em sua comunidade como eu salvo, e eu fiz isso por ter de usar policiais em áreas de negros onde havia uma quantidade enorme de crimes.”
2) Crimes violentos não letais:
Os dados da Pesquisa Nacional de Vitimização de Crime (NCVS, na sigla em inglês) sobre crimes violentos não letais cometidos em 2010 – último ano disponível – são os seguintes:
– Brancos contra negros: 62.593;
– Negros contra brancos: 320.082.
Logo: negros cometem 5 vezes mais crimes violentos contra brancos do que o contrário.
Mas estes são números absolutos. Proporcionalmente, ainda é pior.
– População branca: 197.000.000.
– População negra: 38.000.000.
– Crimes violentos de brancos contra negros por cada 100 mil brancos = 62.593 x 100.000/197.000.000 = 32.
– Crimes violentos de negros contra brancos por cada 100 mil negros = 320.082 x 100.000/38.000.000 = 842.
Logo:
– Taxa de crimes violentos de negros contra brancos é mais de 25 vezes maior do que o contrário.
No caso específico de “agressão agravada”, a diferença ainda aumenta:
– Brancos contra negros: 1.748.
– Negros contra brancos: 67.755.
Logo:
– A taxa de crimes de “agressão agravada” de negros contra brancos é 200 vezes maior do que o contrário.
Nos casos de roubo e estupro, há um dado curioso (e aqui vou inverter a ordem, em nome do suspense):
– Negros contra brancos: 13.000 estupros; 39.000 roubos.
– Brancos contra negros: 0!
Isso mesmo: o número de estupros e roubos de brancos contra negros relatados na pesquisa é tão infinitesimal que o dado foi arredondado para zero.
“Para atiçar o fogo do ressentimento racial em face desses fatos contrários”, como escreve David Horowitz, “os defensores dos direitos civis fingem que as estatísticas mentem ou que apenas mencioná-las é um ato de racismo. Eles nos dizem que os criminosos negros não são, na verdade, os criminosos; o verdadeiro culpado é o ‘sistema branco e injusto de justiça’”.
Escreve Horowitz:
“Nenhum membro da imprensa perturbou seu dueto [Obama e Hillary] salientando que os afro-americanos cometem muitos mais crimes proporcionalmente do que os brancos. Isto é ‘privilégio de pele negra’ e ilustra como as atitudes racistas anti-brancos tornaram-se predominantes na cultura política.
Por pura repetição e falta de informação corretiva, os mitos de ‘privilégio de pele branca’ deixaram uma marca profunda na cultura em geral e na cultura dos negros americanos em particular. De acordo com uma recente pesquisa do Washington Post e da ABC News, 84% dos negros norte-americanos acham que o sistema de justiça os trata de forma injusta. Mas, se é verdade que os negros são presos em maior número do que sua representação na população, também é verdade que eles cometem crimes em número muito maior do que sua representação garantiria. Os afro-americanos são 12,6% da população dos EUA, mas eles são responsáveis por 38,9% de todas as detenções em casos de crimes violentos – incluindo 32,5% de todos os estupros, 55,5% de todos os roubos e 33,9% de todas as ‘agressões agravadas’. Isto porque eles são presos por crimes que não cometeram? Eles são apenas ‘culpados por serem negros’? Na verdade, as estatísticas são compiladas por meio de entrevistas com as vítimas destes crimes violentos, o que, no caso de crimes cometidos por negros, são em sua maioria negras elas próprias. Em 2010, autores negros eram responsáveis por 80% de toda a violência contra os negros (incluindo 94% dos homicídios), enquanto autores brancos representavam apenas 9% de toda a violência contra os negros.
Outro fato inconveniente para os promotores do mito racial ‘sistema de injustiça’ é que muitas cidades de alta criminalidade com população de maioria negra e altas taxas de prisão de negros são dirigidas por prefeitos afro-americanos e chefes de polícia afro-americanos. Entre eles estão Detroit, Jackson, Birmingham, Memphis, Flint, Savannah, Atlanta, e Washington. Conhecedor dos métodos usados pela polícia para combater o crime e da contribuição desproporcional de negros para as taxas de criminalidade, o ex-chefe de polícia negro de Los Angeles Bernard Parks disse: ‘Não é culpa da polícia quando eles param homens das minorias ou os colocam na cadeia. É culpa dos homens das minorias por cometerem o crime. Na minha mente, não é uma grande revelação que, se os oficiais estão à procura de atividade criminal, eles vão olhar para o tipo de pessoas que estão listadas em relatórios de crimes.’ Mas esta atitude sensata não penetrou na liderança do Partido Democrata, nem no moralmente degradado movimento dos direitos civis neste país.”
Nada disso você lê nos jornais. Nada isso importa à militância. Os casos Trayvon Martin e Michael Brown mostraram que a esquerda agora quer que os negros também tenham o “direito” de espancar ou tentar pegar a arma de autoridades sem correr o risco de serem mortos.
E se você acha que Giuliani, Horowitz e eu só constatamos esses fatos porque somos brancos, assista ao “épico massacre moral e intelectual”[2]  imposto pelo radialista negro Larry Elder no âncora esquerdista branco da CNN Piers Morgan sobre a violência inter-racial, na ocasião da morte de Martin: “O racismo não é mais um dos principais problemas da América. O problema número 1 entre as pessoas negras é o alto número de negros nascidos fora do casamento: 75%. Em 1960, 5% de todas as pessoas deste país haviam nascido fora do casamento. Atualize-se, Piers. O número agora é de 43%. Olhe para isso, para os crimes, para o abandono dos estudos – está tudo conectado”, ensinou Elder.
Pois é. Os fatos são coisas teimosas. E, felizmente, não dependem da cor de ninguém. [3]
Repete-se, nos dias de hoje, onda semelhante de violências supostamente raciais, demonstrando que o detonador deste ódio é a própria mídia e também que há mais ódio de negros contra negros do que de brancos contra negros.
Tornado um movimento político criminoso e terrorista pelo presidente americano, já se sabe que o Antifas nada tem de anti-racista, muito menos de democrata.

Os distúrbios de 1992 estão assim registrados na wikipédia:
 Os distúrbios de Los Angeles em 1992 foram desencadeados em 29 de abril de 1992, quando um júri absolveu oficiais do Departamento de Polícia de Los Angeles, três brancos e um hispânico, acusados ​​de agressão contra o motorista negro Rodney King após uma perseguição em alta velocidade. A agressão dos policiais foi filmada. Milhares de pessoas na área de Los Angeles se revoltaram ao longo dos seis dias após o veredito provocando um conflito racial.
Saques, assaltos, incêndios, assassinatos e danos materiais ocorreram, causando cerca de US$ 1 bilhão de prejuízo. Ao todo, 53 pessoas morreram durante os tumultos e milhares mais foram feridas.Reginald Denny, um motorista de caminhão branco que passava pelo local dos distúrbios, foi arrancado de seu caminhão e agredido violentamente quase até a morte, tornando-se involuntariamente um símbolo da agressão e violência dos dias dos distúrbios.
Os tumultos começaram no dia 29 de abril e iniciaram-se na região sul da cidade de Los Angeles, espalhando-se em seguida por toda a região metropolitana do Condado de Los Angeles. Como a polícia local não conseguiu lidar com a situação após quase uma semana de protestos, o Corpo de Fuzileiros Navais e a Guarda Nacional da Califórnia foram chamados para patrulhar as ruas, e, no sexto dia após o início, os tumultos finalmente cessaram. Após o final dos protestos, uma profunda reforma na polícia de Los Angeles foi realizada, o que incluiu a demissão do chefe de polícia, e os policiais envolvidos foram novamente julgados.


terça-feira, 24 de março de 2020

O PÂNICO DA PANDEMIA E O GRANDE MEDO DA REVOLUÇÃO FRANCESA






O clima de pânico mundial criado pela ação da mídia por causa da pandemia do coronavirus teve um antecedente a nível regional na França do século XVIII. Este pânico coletivo foi chamado de “la grande peur” ou grande medo. Vejamos como tudo ocorreu naquele tempo.

O grande medo  
   Após a tomada da Bastilha a França foi invadida por uma misteriosa onda de medo, causada por supostas ou verdadeiras investidas de revolucionários contra as populações, com ameaças de saques e mortes.  Bruscamente, mais ou menos a partir de 20 de julho de 1789, uma notícia corre em vários lugares, na Normandia, em Dauphiné, na Alsácia, em Auverne, em toda parte. Quatro mil brigadas armadas, diziam, chegam, pilham tudo, incendeiam as casas, queimam as lavouras, executam inocentes. Os sinos tocam a rebate em várias localidades. Em algumas havia um ataque verdadeiro, mas na maioria tudo não passava de alarme falso com o objetivo único de propagar o medo, o pânico.  Dos lugares em que os ataques eram verdadeiros partem velozes correios para avisar as populações vizinhas. Estas tocam os sinos, armam os cidadãos e se preparam para rechaçar o ataque. Na grande maioria nada acontece, mas o medo fica.
Passado o medo, os cidadãos continuam armados. Logo chegam até eles os agitadores tentando açulá-los contra a aristocracia. De tal modo o medo havia tomado conta da população que conta-se de uma mulher em Mont d’Or que se refugiou numa perigosa rocha escarpada, tendo se utilizado de cordas para chegar até seu esconderijo, lugar de difícil acesso até para um forte homem. Em alguns lugares a violência explode incontida. Nos arredores de Mamers, Madame de Bonneval e Madame de Malets são surradas por seus aldeões, que lhes quebram os dentes. Em seguida trucidam M. Beauvois, matam o lugar-tenente do marechal e queimam vivo o velho conde de Falconière. Mais outras três pessoas são assassinadas. Estas notícias se espalham como rastilho de pólvora e o pânico aumenta. Todos têm medo.
Diversos historiadores comprovam que este medo foi provocado artificialmente pela ação de mais de 1.500 sociedades secretas (as famosas “Sociétés du Pensées”) que existiam na França, de onde saíam os mensageiros para espalhar as notícias, falsas ou verdadeiras. Que objetivos tinham em mente? Propagar simplesmente o medo entre a população? Imediatamente, sim, mas remotamente se pretendia fazer com que este medo amortecesse nas pessoas o desejo de esboçar qualquer reação contra as forças revolucionárias. O medo era um fator capitulacionista para o futuro. Nos lugares em que as hordas revolucionárias chegassem de verdade as pessoas de bem estariam dispostas muito mais a ceder do que lutar. O medo lhes havia tirado completamente a vontade de resistir.

O terror
Após o “grande peur”  veio o terror. Mas alguns resolveram resistir e lutar. Quando isto ocorreu, como os contra-revolucionários da Vendéia, a Revolução passou a usar o terror contra eles. O martírio de Maria Antonieta foi sucedido por levas de guilhotinamentos em Paris, implantando na França um período de terror jamais visto até então.  Depois da rainha foram executados os revolucionários moderados, os girondinos. Em Paris, as execuções foram aumentando gradativamente: em outubro de 1793 foram guilhotinadas 51 pessoas, em dezembro 68, em janeiro do ano seguinte 71, no outro mês 73 e em março 127. Em maio foram executadas um total de 358 pessoas no mês, isto somente em Paris. Até a fase final do terror foram eliminadas na capital da França mais de 1.500 pessoas, incluindo os 108 que acompanharam Robespierre no final de julho do mesmo ano.
O terror continuou furioso o seu curso, disposto a matar todas as reações que pudessem se esboçar contra os revolucionários. A sanha terrorista não se restringiu a Paris, mas à toda França. Nem todos os que morriam eram pessoas de posição social ou política. De 12 mil pessoas que foram condenadas à morte em toda a França, 7.500 eram lavradores, moços de charruas, operários e pequenos negociantes. Um historiador assim classifica esta fase do terror revolucionário: “Os historiadores que pretendem por todas as formas apresentar-nos as hecatombes montanhesas como lamentáveis excessos de uma réplica legítima, ficam bastante embaraçados a partir de 1794. Por isso, no desejo cego de ilibarem o sistema, vêem-se na necessidade de atirarem sobre um homem – Robespierre – a responsabilidade de todos os crimes que não conseguem explicar de outra maneira. A ambição de Robespierre, a hipocrisia de Robespierre, a crueldade de Robespierre são expressões que aparecem em todas as páginas. Desculpa pueril! O Terror é a própria essência da Revolução, porque a Revolução não é uma simples mudança de regime, mas uma revolução social, um empreendimento de expropriação e de extermínio...”[1] 
Durante a Revolução Bolchevista, na Rússia em 1917, e todos os golpes de estado comunistas havidos no século XX, nada mais fizeram tais revolucionários senão repetir o método aplicado na Revolução Francesa de 1789.  Um era cópia do outro, e todos copiavam os franceses. O terror tomou conta de todas as Rússias, da China, dos países do Leste europeu, de Cuba, enfim, onde o comunismo se instalou, seja através de levas e mais levas de fuzilamentos sumários, sem julgamentos e sem defesa para as vítimas, ou mesmo através de agressões violentas feitas por grupos armados contra cidadãos indefesos.  Aqueles que não aceitavam o regime e resolviam lutar eram calados pelo terror...



[1] Pierre Gaxote, “A Revolução Francesa”, pág. 258.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

A AÇÃO PRETERNATURAL NA PROMOÇÃO DE COMOÇÃO SOCIAL




A respeito do massacre de Orlando, observamos que, deliberadamente, houve intervenção demoníaca com vistas a provocar uma comoção social e com isso levar a opinião pública mundial a aderir à causa homossexual. E isso ocorreria ao promover os chamados “mártires do mal”, isto é, aqueles que morrem pela causa diabólica. Há exemplos históricos.
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Deus permite a ação diabólica para enganar os homens?

No Antigo Testamento há uma referência sobre a ação diabólica para enganar os homens:
“Eu vi o Senhor sentado sobre o seu trono e todo o exército do céu ao redor dele, à direita e à esquerda. O Senhor disse: Quem enganará Acab, rei de Israel, para que ele marche e pereça em Ramot de Galaad? Um disse uma coisa, outro outra. Mas um espírito maligno adiantou-se, apresentou-se diante do Senhor e disse: Eu o enganarei. O Senhor disse-lhe: de que modo? Ele respondeu: Irei e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. O Senhor disse: Tu o enganarás e prevalecerás; sai e faze assim” (I Reis 22, 19-23).
Esta passagem na Escritura serve para comprovar como se daria no plano espiritual a atuação dos profetas do mau, que estariam agindo por permissão divina e sob influência diabólica. Quanto a esta, também teria permissão divina para agir sem intermediários e com intuito, não de enganar, mas de provar os justos  como ocorreu com Jó: “Porém, certo dia, tendo-se os filhos de Deus (isto é, os anjos) apresentado diante do Senhor, encontrou-se também Satanás entre eles”  (Jo 1, 6). Assim, os demônios só conseguem agir mediante permissão divina, “apresentando-se” perante Ele para reclamar certas liberdades de ação.
Este poder angélico aumenta ou diminui conforme a ação humana, pois quando os homens pecam e se afastam de Deus, os Anjos se afastam não só dos mesmos homens que pecaram mas daquilo que gira em torno deles: dos objetos, das casas, de tudo que os cerca, e até de seus órgãos e células corporais. Ao se afastar dos homens, os anjos deixam um “espaço” vazio, já que tudo o que é material deve ser dirigido pelo espiritual, e os demônios vêm ocupar este “espaço”, influenciando tanto na alma humana quanto naquilo que o cerca.  De outro lado, quando os homens praticam as virtudes e se aproximam mais de Deus, os Anjos se acercam deles, fazendo tudo para seu bem. Já no batizado de uma criança o demônio é expulso e o Anjo assume seu lugar.
Tudo isso nos leva a considerar, por exemplo, o universo dos imponderáveis, bons ou maus, que impregnam ou infestam certos ambientes que foram marcados por atos humanos no decorrer da História, relacionando-se tais imponderáveis com a guerra entre anjos e demônios, o bom e o mau espírito, a bondade e a maldade.
Assim, tornaram-se abençoados todos os objetos, todas as coisas materiais, as pedras, os grãos de areia, as gotas d'água, enfim, tudo aquilo em que Nosso Senhor Jesus Cristo tocou ao executar um ato de Sua Bondade. Tudo aquilo que foi tocado pelo seu sacratíssimo sangue que brotou de seu Sagrado Corpo ficou abençoado por toda a eternidade, sendo guardado pelos Santos Anjos. Estas bênçãos se perpetuam pela presença dos anjos nestes locais, nestes objetos materiais, que ali ficam guardando-os como memória  de tudo o que ocorreu. Seria o que na Igreja se chama de "sacramentais".
O contrário ocorreu em lugares em que tenha havido episódios revolucionários e que tenha sido manifesto um fato da conjuração dos demônios com certos homens.  Naqueles lugares ficariam marcados nas pedras, nas plantas, no chão, nos objetos os “sinais” malditos daquelas ações por intermédio de substâncias infernais que os contaminariam. Isto sem falarmos nas pessoas que ficariam como que “infectadas” pela influência, direta ou indireta, dos demônios, causando-lhes até mesmo possessões.
Um exemplo histórico foi relatado por Mons. Henri Delassus em sua obra “La Conjuration Antichrétienne”. No dia 23 de novembro de 1825 foram executados dois revolucionários de pouca expressão, Targhini e Montanari. Ambos foram tidos pelos próprios revolucionários como loucos pelo que temerariamente faziam, mas elogiados pelo fato de haverem enfrentado a morte com constância e orgulho. A própria maçonaria reconhecia que aquilo representava uma proclamação das sociedades secretas e uma tomada de posse das almas. Pois ali haviam dois mártires, mártires das forças secretas, mártires de satanás. Comentário das forças secretas:
“No entanto, é realmente uma obra muito má fazer assim heróis e mártires. A multidão é tão impressionável diante do cutelo que corta a vida; essa multidão passa tão rapidamente de uma emoção à outra; ela se prende tão rapidamente a admirar os que afronta com denodo o supremo instante, que, depois daquele espetáculo, sinto-me eu mesmo completamente desconcertado e pronto a fazer como a multidão...
Mais adiante:
“Um dia, se triunfarmos, e para eternizar nossa vitória for preciso gotas de sangue, não se deve conceder ás vítimas o direito de morrer com dignidade e firmeza. Tais mortos não são bons senão para manter o espírito de contrariedade e para dar mártires ao povo...”.  Quer dizer, houve uma conjuração entre os demônios e aqueles malditos “mártires” para desdenhar da Ordem e do Bem, resignar-se na hora da morte com constância através de alguma força preternatural, e com isso se criar uma mística de apreço pelos ideais que eles defendiam. Naquele momento, naquele dia, e naqueles lugares e nas pessoas, houve uma ação diabólica que ficou para sempre marcada.  Algum dia esta ação será anulada por outra ação oposta, com a ajuda dos Santos Anjos e o holocausto de um contra-revolucionário.

Os anjos maus também regem as coisas materiais

A Doutrina Cristã nos ensina que, quando os homens cometem pecados os anjos bons se afastam deles de tudo o que os cercam, os quais passam a ser regidos pelos demônios. Como afirma São Francisco de Assis: "Se o diabo consegue com sua habilidade apossar-se de um cabelo do homem, o transforma com presteza em viga. Nem desiste enquanto não tenha podido por muitos anos derrubar ao que tentou, esperando ceda no final. Este é seu ofício; dia e noite não tem outra preocupação". Ocorre também o que Nosso Senhor disse no Evangelho: “Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer com esta geração má”  (Mt 12, 43-45)
Ao afirmar que o espírito imundo saiu do homem, Nosso Senhor quis dizer que o demônio resolve por sua livre vontade abandonar aquela pessoa em busca de outro lugar. Pois de outra forma Ele diria que o espírito imundo teria sido expulso do homem. Então, isto quer dizer que aquela pessoa não está na posse da amizade e da regência divinas. A prova é que o espírito imundo ao voltar encontra aquela alma como se fosse uma casa desocupada, varrida e arrumada. “Desocupada”, quer dizer, a Santíssima Trindade não a possui, não a rege, a alma ainda está em estado de pecado e predisposta a receber o demônio como hóspede e regente.
O mesmo ocorre com as sociedades humanas, as cidades, os estados, as nações, os povos em geral.  Quando estes se distanciam de Deus através de pecados coletivos, todos os anjos bons que estão lhes protegendo se afastam, pois o espírito angélico abomina o pecado. “Miseros facit populos peccatum” – O pecado torna os povos miseráveis  (Prov 14, 34).  Este “afastar-se”  não é total e definitivo, pois os seres angélicos ficam sempre fazendo algo para que os homens retornem à amizade divina e deixem o pecado. Mas, ao afastar-se, deixam vazios os "lugares" que ocupavam na direção das almas, das cidades, dos prédios, das praças, das instituições, etc. Aí então os demônios passam a ocupar tais lugares e inspirar, influenciar, a propagação de sua nefasta ação.
Quando a sociedade humana peca sucessivamente durante um longo período de tempo, os demônios que se locupletam de tais homens e coisas vão cada vez mais crescendo em poder de influência, enquanto que os Santos Anjos vão cada vez menos tendo tal poder e influência.  Assim, conseguem os anjos malditos ditar (por inspiração e direção em sociedades secretas) as ciências, as artes, a cultura, fazendo com que tudo se inverta na sociedade para a construção de um reino contrário ao de Deus e convergente para a adoração de Lúcifer. A tentativa de impor uma filosofia de cunho abertamente homossexual faz parte hoje de tais planos contrários a Deus.
Neste sentido, constituem-se em postos chaves alguns demônios, com a missão específica de fazer com que os homens acreditem especialmente num reino de felicidade plena e de prazeres aqui na terra. Assim, poderão mais facilmente se esquecer da vida eterna e continuar na vida de pecados. Tais demônios poderão ser chamados de “mantenedores”, isto é, anjos maus encarregados especificamente de “manter”  o “status quo” de uma aparente paz e tranqüilidade, fazendo com que os homens acreditem que caminham para a paz e felicidade perfeitas. Expressão semelhante os demônios se utilizaram no Antigo Testamento, em Zacarias 1, 10-12 e Job 2, 2, dizendo que “percorreram a terra” e a encontraram “em repouso”, quer dizer, com tudo em ordem, quando, na realidade, imperava o mal.
Tentam controlar a ciência humana, a tecnologia, o progresso, a riqueza econômica e financeiras, fazem com que funcione perfeitamente os mecanismos tecnológicos que alimentam a vida humana baseada no gozo da vida. Os anjos bons nada podem fazer porque tudo está a depender dos próprios homens que aceitam a regência diabólica. A não ser que recebam de Deus uma ordem para “correção de rumos”. Neste caso, começarão a funcionar errados todos os dispositivos sociais que levam ao prazer e à felicidade terrena, através de desastres, de defeitos, de panes nos diversos sistemas, nos governos, no comércio, etc.  E os homens nada fazem? Cada um continuará cumprindo o seu papel, exercendo sua atividade, seja de comerciante, de banqueiro, de piloto de avião, mas de repente a sociedade sentirá que as coisas não funcionam mais como antes, os aviões caem, o dinheiro some, a pobreza começa a causar desespero... é a hora dos anjos. Eles descem e começam a inspirar os homens para que busquem a Deus.

Como se aplicam os princípios acima ao massacre de Orlando

Primeiramente, se houve uma intervenção diabólica de grande vulto houve, antes de tudo, a permissão divina.  É como se repetisse hoje aquela “reunião” de anjos ao redor de Deus, tanto à direita quanto à esquerda, descrita na Sagrada Escritura (I Reis 22, 19-23). O plano diabólico seria causar uma quantidade de mártires homossexuais que causasse impacto no mundo e assim, através de uma grande comoção social, movesse muitas pessoas a apoiar o movimento. Mas, os demônios não conseguem fazer nada sem o concurso dos homens. E que tipo de homem poderia realizar tal trabalho? Teria que ser alguém possuído por uma filosofia diabólica, como o são os muçulmanos.  E para realizar seu intento, o sujeito ou era ou simulou ser homossexual a fim de sondar o local do crime. Assim, o indivíduo estava possuído de duas filosofias que não encontram apoio na maioria da população, mas, pelo contrário, muita rejeição.
O resultado é que o ato promoveu uma comoção em seu primeiro impacto, despertando elementos já preparados para atuar e conquistar adeptos para a causa deles; mas quando a opinião pública ficou sabendo que o bandido era muçulmano e também homossexual ficou arrefecida em muitos a adesão à causa gay. Assim, os planos diabólicos de conquistar a opinião pública para a causa homossexual se vê frustrada e não consegue atingir seu objetivo.
Então, se Deus permitiu a possessão diabólica em um homem para a prática de tal barbaridade é porque Ele também tem seus planos. E um deles, com certeza, é fazer ver aos adeptos do homossexualismo militante que os castigos divinos estão começando a ser mais trágicos e terríveis. Muitos daqueles que escaparam do massacre podem hoje estar pensando nisso. E nunca chegariam a imaginar tal coisa se a vidinha gozosa e pecaminosa continuasse sem sobressaltos.







sábado, 19 de abril de 2014

Comoção social



Espalhou-se por toda parte a categoria de programas de TV cujo objetivo é promover comoção social. Trata-se de programas especializados em fazer reportagens sobre crimes e violências de um modo geral. Geralmente, até os horários de tais programas são os mesmos nos diversos canais deTVs, ou após meio-dia (no horário do descanso do almoço dos trabalhadores) ou no final da tarde, quando chegam em casa cansados da labuta diária. A técnica é a mesma. Quando surge a notícia de algum crime os repórteres saem às ruas com todo o seu aparato publicitário, alguns até com helicópteros, a fim de que seus espectadores sejam “bem informados” de tudo o que ocorre, em riquezas de detalhes. As filmagens, as entrevistas, todas as coberturas jornalísticas, têm um único objetivo: causar comoção social, haja vista que, em geral, a população nada ganha com a divulgação escandalosa e ostensiva de tais crimes. Os repórteres são treinados e orientados para pronunciar palavras que causem choques psicológicos na população, alguns dizem bravatas contra os meliantes e, com isso, conseguem a simpatia e o aplauso de seu público. Há, inclusive, uma técnica subliminar de provocar entre o povo o desejo de “justiça” (perante um crime hediondo, por exemplo), quando, muitas vezes, não é bem justiça que se pretende, mas simplesmente vingança. O que significa para o povo a aplicação da justiça? Segundo o conceito comum é a aplicação de um castigo, de uma penalidade, e com isso reparar o mal cometido pelo delinquente. No entanto, há males que são irreparáveis, como vidas que se perdem nos casos de assassinatos, e nesse caso não há justiça que consiga supri-las. Era necessário que a população fosse orientada a fim de que ficasse bem patente que “fazer justiça” nem sempre redunda em condenação, pois a justiça também perdoa. Aliás, o ato de perdoar é mais nobre do que o de condenar. Não seria mais nobre que tais repórteres insinuassem na população o desejo de perdoar, mais do que condenar? Acontece que o desejo de tais reportagens não é provocar um bem social, no caso a pacificação das almas indignadas com os crimes, mas, muito pelo contrário, provocar comoção social e revolta. O mesmo efeito ocorre com as greves de polícias. Provocam uma acerbação da comoção social em cadeia. Já há na população, de modo geral, uma completa ausência do respeito a certos direitos. A honestidade, por exemplo, não é mais uma virtude social. Há uma tendência generalizada pela desonestidade, o que pode ser demonstrado por um sintoma rotineiro: nenhum veículo, seja de carga ou não, fica incólume de saques quando quebra em certas estradas ou certas ruas. Pode-se dizer que o povo se acha, nesses casos, no direito de roubar, haja vista que, sendo o ato praticado uma ação comunitária, não se prevê nenhuma punição. Nesses casos quase ninguém reclama na TV por justiça, aquela mesma justiça cujo conceito deve ser o castigo do culpado. Quando ocorrem as greves de polícia, levas de pessoas (alguns são bandidos, mas a maioria se diz cidadão de bem) saem pelas ruas invadindo e saqueando lojas. Qual a causa disso? A primeira é a completa carência que o povo tem do conceito de honestidade, de respeito aos direitos de propriedade, de respeito pelo alheio. A segunda é que, já tendo tais inclinações desonestas, tais pessoas são propensas a agir por causa da ausência do Estado no policiamento das ruas. Vem-me agora a seguinte pergunta: essa ausência já é patente mesmo sem greve da polícia, pois é fraco o policiamento de nossas cidades, mas, mesmo assim, por que não fazem saques e arrastões nos dias em que não há greve? É por que o simples anúncio de greve cria na mente destas pessoas a idéia, a confirmação, da ausência do Estado. E no caos, cada um faça como bem lhe aprouver.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ORIGENS PRETERNATURAIS DA COMOÇÃO SOCIAL




Que utilidade tem para um telespectador ou leitor de jornal, aqui no Brasil, ficar sabendo que um carro atropelou e matou dez pessoas no interior da Índia; ou que um sujeito estuprou várias mulheres em qualquer parte do mundo; ou que um atirador matou dezenas de pessoas nos Estados Unidos e se suicidou em seguida;  ou, ainda, que crianças estão sofrendo assédios e ataques de pedófilos em várias partes do mundo? Que utilidade há para nós em saber, e ver, um sujeito pular do alto de um prédio rumo à morte? Que utilidade, enfim, teve uma notícia, com a filmagem exposta na TV, onde se vê um preso assassinar outro barbaramente dentro da cadeia? Nenhuma utilidade? Não, há uma utilidade, sim, não para o público, mas para os promotores de uma nova revolução: causar comoção social.
 Comoção é abalo, agitação de ânimo; social, quando ela parte de um ânimo coletivo.  É possível haver um ânimo coletivo? Sim, quando há disposição semelhante entre as pessoas que convivem entre si, no modo de agir coletivamente. Se o ânimo é pacífico produz a paz social, mas se é abalado por comoções promove o contrário: clima de contendas, de rivalidades, etc.
A paz social ocorre quando os ânimos encontram-se em ordem, sem abalos ou agitações, permitindo às multidões um agir coletivo sereno, reto e pacifico, com vistas ao bem comum.
O senso de orientação permite às pessoas e aos povos saber  conduzir-se , inclusive perante a perspectiva do futuro, próximo ou remoto.  A perda desse senso de orientação leva as pessoas a perder  também a paz interior, segurança no agir, até atingir à comoção conjunta com os outros habitantes da mesma localidade.
Quais são os agentes (modernamente falando) dessa comoção social?  Em primeiro lugar está a mídia e os corifeus da Revolução.  Como se sabe, a mídia é composta pelos órgãos de imprensa, rádios, jornais e TVs; quanto aos corifeus da Revolução, estão eles em todas as partes, até na própria mídia, mas em geral são compostos por grupos organizados secretamente nas universidades e outras organizações, dirigidos às vezes por interesses ou grupos internacionais, filosóficos e ideológicos. Tem se destacado ultimamente dentre tais grupos revolucionários os anarquistas, e o mais atuante, o chamado “black bloc”, um movimento que visa destruir toda a estrutura social vigente  e a volta ao tribalismo.
É claro que, antes de tudo, devemos levar em consideração as fontes de onde se originam os fatos, as notícias, que é, além dos protagonistas dos mesmos, a própria policia e a justiça que os leva aos jornais. Entretanto, é preciso notar que o próprio demônio (por ser um anjo regente dos revolucionários, e inteligente como é) procura produzir os fatos que possam gerar comoção social. Isso não é mais feito, como antigamente sempre o foi, pela pura ação das forças secretas, grupos revolucionários ou as pessoas isoladamente. Hoje, podemos dizer que a ação diabólica representa papel preponderante nestas ações. Ele possui, é certo, seus agentes humanos, mas, às vezes,  age também por si mesmo.  Segundo os princípios da “Regência Universal”, o demônio conseguiu os “direitos” de regência sobre seus seguidores, servos ou apenas “alienados” e, ou os impele a agir ou age por eles.  Assim, quando um anjo das trevas possui de fato um atirador para fazer um massacre nos Estados Unidos, como tem acontecido com frequência ultimamente, outros demônios inspiram órgãos da mídia a dar àquele fato o destaque necessário a criar uma comoção em toda a sociedade.
A possessão, vista como a clássica posse dos corpos humanos, já não é tanto visível quanto outrora. No mundo moderno, o que ele põe em uso é um tipo de possessão diferente, onde a regência sobre os maus é feita por efeitos indiretos e não pela imposição da força. Em primeiro lugar, há a regência sobre os homens em estado de pecado, cegando-os, levando-os a agir por impulsos e desregradamente.  Depois vem a fase seguinte, que é a dureza de coração, a qual faz as pessoas ficarem inflexíveis e sem piedade ou cordura perante os semelhantes. Isso não ocorre somente com bandidos, mas até mesmo com pessoas tidas como boas e ordeiras e que praticam certos pecados. Os chamados “atos irrefletidos” dos indivíduos passam a ser feitos conjuntamente, mas já agora sob a regência diabólica. Tendo, pois, a regência sobre indivíduos e grupos sociais, fica fácil aos anjos das trevas levá-los a atingir seus objetivos, dentre os quais está a comoção e, como consequência desta, a desesperança.
Coadjuvando esta ação de regência dos anjos maus (que é direta sobre as pessoas possuídas pelo espírito de revolta e cheias de pecados),  vem a ação da mídia excitando as populações através do realce que dão aos atentados, aos crimes hediondos, as tragédias “inexplicáveis”, cuja repercussão na população é de desânimo, desesperança, etc. Se prestarmos atenção, verificaremos que todo noticiário que envolve tragédias é  feito deixando propositadamente várias dúvidas ou falta de esclarecimento aos ouvintes:  o destaque é dado ao crime insolúvel, ao bandido que ainda não foi preso, ao roubo e tráfico de drogas feitos bem próximos de delegacias ou de viaturas policiais – até mesmo o fato de faltar água nas mangueiras dos bombeiros é chamado a atenção, com o visível intuito de causar a descrença e desconfiança da população na ação dos órgãos policiais.
Isso demonstra que há uma certa regência diabólica para a condução de tais fatos, com o fim de causar desesperança nas populações. Como se viu, não se caracteriza tal regência como uma possessão clássica, mas um domínio coletivo sobre grupos de indivíduos com vistas a um fim específico.
Como ocorre uma comoção social? De modo geral se inicia excitando nas populações uma predisposição ao inconformismo: todo crime bárbaro é apresentado com destaque e se dá a entender que sempre ficam impunes – o que campeia é a impunidade – servindo isso para gerar e incrementar o inconformismo; astutamente a mídia incita a que se peça “justiça”, quando, na realidade, as pessoas estão manifestando o desejo de vingança. Contribui também para incrementar tal inconformismo a ineficácia dos órgãos policiais e da própria justiça, esta última com sua morosidade e real impunidade. Da mesma forma, serve para incrementar tal comoção as manifestações dos inconformados, em geral passeatas e bloqueios de ruas com pneus queimados, às vezes simplesmente protestando contra a violência – coisa inócua e ineficaz para tal fim.  Pois não são manifestações desordenadas, em geral feitas por elementos exaltados que poderia ter como efeito a diminuição da violência urbana; pode até inspirar o aumento da mesma, pois o bloqueio de ruas e estradas já é uma violência em si.
O que é justiça? O que é justiça social? A definição mais básica de justiça diz que é dar a cada um o que lhe é devido ou que lhe é direito, no caso, o mérito ou o castigo.  No entanto, quando o povo é insuflado a “pedir justiça”, muitas vezes se está incrementando o desejo de vingança pura e simplesmente. Ademais, a justiça verdadeira não visa somente o castigo, mas também o perdão.  A  perda desse sentimento de perdão leva as pessoas a desejar até mesmo fazer justiça com as próprias mãos. Assim, a justiça social é a distribuição da mesma a toda sociedade, mas inclui castigo e perdão. As anistias existem pra isso e estão previstas em todos os estatutos legais.
No final, sempre ocorre que essa inconformidade não gera a paz de alma das pessoas, mas uma comoção interior, e, no âmbito geral uma comoção social. Aqui entra o anjo das trevas para, através da comoção social, produzir o espírito de desesperança em todo o corpo social, levando as pessoas a praticar atos irrefletidos de toda natureza, até chegar ao suicídio. Como tem sido comum ultimamente: o assassinato de uma pessoa (ou mais) da própria família (sendo o mais comum da própria esposa) seguido de suicídio do criminoso. Há coisa mais diabólica do que isso? Pois bem: mais diabólico ainda é o destaque do fato que a mídia dá em seguida, não gerando outra coisa senão comoção coletiva, pois esta se constitui no caldo de cultura de outros crimes e suicídios que virão depois.
Vejamos, abaixo, alguns exemplos:
Veladamente nota-se um estímulo às torcidas de futebol insatisfeitas com o fracasso de seus times, as quais são levadas a agir intempestivamente praticando violências inauditas nos estádios e até nas ruas, ocorrendo às vezes crimes de mortes entre elas. No entanto, ninguém censura a mídia quando elogia alguma torcida por ser “fanática” – no caso de futebol o fanatismo é plenamente justificável, embora tenha produzido tantos crimes e violências.  
Mas, os casos mais comuns, que são usados pelos instrumentos de promover comoções sociais são:  crimes de estupros, pedofilias, assassinatos chocantes e brutais, crimes políticos e contra crianças, velhos e mulheres (chegou-se a dar destaque a violências contra índios, e fala-se a toda a hora em assassinatos de negros), os altos impostos dos governos, a questão da droga sem solução, a violência em família (pais contra filhos e filhos contra pais, ou marido contra mulher e vice-versa), altos salários de “marajás”,  propinas, etc. Qualquer notícia dos gêneros acima facilmente movimenta em segundos um batalhão de repórteres e câmaras de TV.  Estas estão sempre presentes em alguns casos com a idéia de ação imediata, dando a impressão à população de que aqueles casos são corriqueiros. Em todas as capitais e principais cidades do Brasil há uma infinidade de programas televisivos dedicados exclusivamente a divulgar cenas de violências. Muitos deles com caro aparato de cobertura, composto até de helicópteros.
O último caso mais clamoroso de comoção social foi o da boate Kiss, de Santa Maria. O clamor por justiça tornou-se até um apelo insano, pois não se fala, em nenhum momento, em perdoar os culpados. De outro lado, quando os inconformados comemoram a data do evento, ou quando fazem alguma manifestação sobre o mesmo, fazem apenas “um minuto de barulho”, dando a entender que são pessoas desregradas e descontroladas, sem saber o que fazer para de alguma forma reparar a dor que sofre as famílias das vítimas. E por que não, um minuto de oração?  É disso que mais precisam as almas dos falecidos naquele trágico evento... Falamos de um caso clamoroso, que chamou a atenção de todo o Brasil; mas, casos semelhantes, embora de menor gravidade, ocorrem diariamente em nossas grandes cidades, ocupando a maior parte do noticiário de jornais, rádios e TVs.
O caso mais clamoroso de comoção social produzida pela mídia foi o ocorrido em Ruanda, quando uma etnia entrou em luta contra outra e perpetrou um genocídio.  Depois ficou se sabendo que tudo foi promovido por um canal de TV e uma emissora de rádio. Os culpados foram julgados e condenados, pois tudo foi apurado por organizações internacionais. Os  fatos, embora cheios de lances romanescos do cinema, estão retratados no filme “Hotel Ruanda” e podem ocorrer a qualquer hora também no Brasil, não por etnias, mas por grupos organizados. No caso de Ruanda foram mortas mais de 800 mil pessoas, por motivos torpes e étnicos.  Os casos esparsos, de menor gravidade, que ocorrem em vários países (como o Brasil e Estados Unidos) parece indicar que é um mero treinamento para um grande e trágico lance de comoção geral que a mídia está preparando em todas as nações. E, como visto, contando com a ação diabólica que lhes fornece diariamente a matéria prima que são os crimes hediondos que causam comoções sociais.
Veja postagem sobre o  genocídio de Ruanda:

A Rádio e Televisão Livre de Mil Colinas (RTLM), através de seu proprietário, Ferdinand Nahimana, e o jornal “Kangura”, por intermédio também de seu dono, Hassan Ngeze, extremista hutu, fizeram diversas reportagens conclamando os hutus à vingança. Um outro que foi responsabilizado diretamente pelo genocídio, conforme julgamento feito na própria ONU, foi o jornalista Jean-Bosco Barayagwiza, co-proprietário da RTLM. As transmissões da TV eram feitas sob toques marciais de tambores para incitar o ódio dos hutus contra os tutsis. Os jornalistas, em suas reportagens, exortavam abertamente a população ao massacre.
Um ex-repórter da RTLM, Georges Ruggin, declarou que a emissora recebia informações de milicianos hutus sobre operações que pretendiam desencadear e emitia boletins radiofônicos que ajudavam a localizar e capturar as vítimas, a grande maioria civis, e até mesmo padres e freiras. (dados tirados da “Folha de São Paulo”, 04.12.2003, A-13)