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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O EXORCISTADO PODERIA TER DESTRUÍDO A REVOLUÇÃO?

 




O “Exorcistado” defendido pelo Beato Palau seria a instituição oficial na Igreja de um tipo de exorcismo diferente, não quanto à forma de rezá-lo, mas quanto à maneira prática de executá-lo. O plano era que os exorcismos fossem feitos em locais apropriados, numa casa preparada para isso, como se fosse um  hospital, com sacerdotes devidamente preparados e autorizados pela autoridade eclesiástica ao exercício da função. Funcionaria como se fosse uma ordem religiosa criada só para tal fim.

Foi com este propósito que o Beato Palau dirigiu uma correspondência aos padres conciliares reunidos no Concílio Vaticano I, pelos idos de 1870, sob a seguinte denominação: “Observações dirigidas ao Padres do Concílio Romano pela redação do El Exorcistado”.

No final de seu texto, assim concluiu ele:

“PRISÃO DO DEMÔNIO, INFLUÊNCIA DO EXORCISTADO SOBRE O BEM OU O MAL SOCIAL

29. Como é possível que a cura de um ou de mil possessos influa tão diretamente na ruína da impiedade e no bem ou no mal social? Ainda quando sejam expulsos mil ou um milhão de demônios dos corpos humanos, como é possível que fiquem presos e acorrentados os demais que não estão nos corpos? Como é possível que do uso ou desuso do Exorcistado dependa a ruína ou a salvação da sociedade humana?

Solução. É, logo, pode ser. Assim como os franceses formam uma potência independente, que pode ser destruída por outra potência superior, e, para vencê-la, basta que o seja a força que se apresente em batalha, assim é e assim ocorre aqui no mundo da inteligências. Os demônios são anjos revolucionários, e formam no mundo intelectual uma potência ou reino independente e distinto do dos anjos bons e do dos homens. Se está ligado e associado com o homem mau para destruir no homem e através do homem a Cristo e sua Igreja[1], e aqui temos o malefício; e Deus se uniu com o homem para destruir pelo homem a obra do demônio, e eis aqui o Exorcistado.

30. Os demônios constituem juntos uma potência, uma nação, um exército, um só corpo, ao qual a Escritura Sagrada dá o nome de dragão, qui est diabolus et Satanas serpens antiquus (Ap 12, 9). Assim como para prender um boi não é necessário amarrar todo o corpo, senão que basta os chifres ou uma só perna; assim é no intelectual e espiritual. Para prender o demônio basta prender com força o que se nos apresenta visível: não pode render-se esta sem que caia todas as demais, mais ou menos em ruína; porque lidando a cabeça obra ali todo o corpo, e vencida a força que se apresenta em batalha as demais ficam destruídas.

31. A Igreja tem potencial para prender essa potência espiritual invisível que se intitula o demônio: Ecce ego dedi vobis potesta – tem, et aprehendit draconem qui est Satanas et diabolus. Pode ligar-te e arrojar-te ao abismo: tu es Petrus... quodcumque ligaveris... et ligavit, eum y missit in abyssum. Pode encerrar-lhe ali: et bibi diabo claves regni celorum... et clausit et signavit super ilum ne seducant amplus gentes. Tem esta missão, e está comprometida a cumpri-la: Daemones ejicite.

Há algum terreno onde a Igreja pode encontrar o diabo para o prender?

Sim; e esse campo é todo aquele onde se estende o malefício e o Exorcistado. Aqui esta potência espiritual maligna se faz visível daquele modo que é possível para sua condição. Nos corpos possuídos se nos apresenta visível por uma espécie de encarnação: substitui o demônio a alma racional em todas ou parte de suas funções orgânicas, ficando ela entorpecida; e assim realmente é o diabo mulher ou o diabo homem quem opera no possesso; ele é quem fala, é quem luta e é quem vence ou fica vencido.

32. Qual parte dessa potência opera no possesso? A cabeça, porque é ela a que ali se faz visível em representação de todo o corpo; e se ela fica esmagada, o é todo o corpo. Os corpos possessos são aquele átrio anterior onde o forte armado se apresenta ao homem Deus, ou a Deus no homem para batalhar no homem; vencido aqui si fortior eo superveniens vicerit eum, universa arma ejus auferet in quibus confidebat, et spolia ejus distribuet[2] (Lc 11, 21).

Vencida esta força espiritual maligna no campo, onde se no apresenta visível; atada e jogada no abismo; o reino de Satanás fica destruído em todas suas partes e sobre suas ruínas restabelecido o reino de Deus: si in digito Dei ejcio daemonia, profecto per venit in vos regnum Dei.[3]

33. Se o demônio é a cabeça da Revolução, esmagada esta o corpo vira cadáver.

Assim entendemos nós a influência do Exorcistado sobre a ruína ou salvação da sociedade atual toda inteira com todas suas partes.

Apelamos ao tempo e às obras. A que não cai a Revolução sem que antes seja esmagada sua cabeça que é o demônio? Quem a esmagará? Aquela de quem está escrito: Uma mulher te esmagará a cabeça (Gn 3, 15). Quem é esta mulher? A Igreja[4]. Quem é a Igreja? Quanto ao cumprimento desta sublime missão ela é o Papa e os bispos. Sustentamos o Exorcistado porque cremos envolve entre sombras e profundos mistérios aquele ato terrível pelo qual a invicta Judite corta a cabeça do colosso Holofernes, Jael encrava na terra a Sísara (Jz 4, 1-3 e 5,21) e Ester obtém que Aman seja enforcado com o cabresto preparado para Mardoqueu, ficando de um só golpe salvo o povo, o verdadeiro povo, esse povo que estendido nesta data sobre a face da terra, geme sob a mais horrenda escravidão.

34. A Igreja tem seus ministérios ordenados de tal modo ao bem individual que todos se refundem no último objeto ao bem comum geral da sociedade humana.

Pelo que Carlos VII[5] não cinge a coroa do rei de Espanha sem que antes os demônios sejam arrojados ao abismo por um poder espiritual? O tempo o confirmará: é questão de fatos, apelamos ao tempo: nem Carlos VII ocupará em Espanha o trono de São Fernando, nem os reis e príncipes católicos destronados empunharão seus cetros até que a Igreja esmague a cabeça da Revolução: o demônio.

Francisco Palau, presbítero.

 

(FRANCISCO PALAU – ESCRITOS - EDICION PREPARADA POR EULOGIO PACHO EDITORIAL MONTE CARMELO B U R G O S – EL EXORCISTADO – páginas 1392/1394)



[1] Assim o demônio forma também o seu corpo místico, composto de anjos maus e homens.

[2] Se um homem mais forte o atacar e o vencer, tirará toda a armadura em que ele confiava e distribuirá os despojos.

[3] Se eu expulso demônios pelo dedo de Deus, então certamente o Reino de Deus chegou até vós. (Lc 11, 20)

[4] Evidente que a Mulher citada na Sagrada Escritura se refere a Nossa Senhora. No entanto, nada impede que a Igreja possa ser interpretada como executora dessa missão, por ser ela a continuidade do próprio Cristo, o seu Corpo Místico aqui na Terra. Nossa Senhora reina na Igreja para que ela possa esmagar a cabeça da serpente.

[5] Pretendente ao trono espanhol, liderou vários movimentos, inclusive armados, para assumir a coroa, mas nunca conseguiu atingir seus objetivos.


terça-feira, 10 de março de 2026

SÓ UM EXORCISMO UNIVERSAL PODE DESTRUIR A REVOLUÇÃO

 





 

No livro de Plínio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução” está contido todo o desenvolvimento da luta dos filhos das trevas contra a Igreja e a Civilização Cristã nos últimos 5 séculos. Um dos santos que mais entendeu esta temática foi o Beato Palau, descrevendo, denunciando e combatendo a Revolução em toda a sua essência, inclusive manifestando que um dos principais fatores de propulsão da Revolução são o orgulho e a sensualidade.

Segundo o Beato Francisco Palau Y Quer, essa Revolução é a que realiza os anúncios das Sagradas Escrituras relativos à apostasia dos últimos tempos. A análise racional, tranquila e vigorosa dos acontecimentos sociopolíticos contemporâneos o confirmava nesta sua convicção. A Revolução leva a uma catástrofe que o Beato Palau queria evitar. No século XIX a humanidade imergia de modo displicente e veloz na anarquia, impelida pelas tendências desordenadas que alimentam a Revolução, especialmente o orgulho e a sensualidade. Por isso, o Beato Palau concluiu que a dinâmica revolucionária impulsiona o mundo de modo implacável ao caos e ao desaparecimento da ordem social.

 

O que falta para uma intervenção divina

 “Carta de um Diretor” é um texto de autoria do Beato Palau onde o mesmo dá conselhos a uma pessoa sobre problemas espirituais especialmente ligados à situação da Igreja.

A Certa altura ele faz a seguinte indagação:

“...-aquele Pastor tão bom que somente para salvar uma alma desceria, se fosse necessário, segunda vez  do céu e padeceria morte tão cruel como a primeira para tirá-la das unhas do lobo infernal – e sendo o povo espanhol[1] sua grei escolhida, olha sem embargo sem abrir a boca e com indiferença, segundo parece, como uma horda de lobos furiosos se tem lançado sobre ela, a despedaçam a seu prazer e lhe chupam seu sangue? Por que nada faz em defesa de suas ovelhas? Por que mais bem parece que há protegido os projetos dos ímpios?”[2]

Lamenta o beato que os inimigos da Igreja lhe tiram até os últimos recursos, obstruindo todos os meios de salvação, cercando-a com pedras lavradas (Lm 3, 9), havendo necessidade de uma intervenção divina a fim de se eliminar a ação deles. O mistério que se apresenta é exatamente isso: por que não há uma intervenção divina? O que espera a Divina Providência para agir? São Luís Grignion de Montfort já exprimia essa angústia – ó Deus, por que pareceis dormir? Dessa forma o Beato Palau tenta explicar o mistério:

“Como, pois, pode se conceber que assim o permita, que assim o sofra, que não saia em sua defesa? Oh segredo impenetrável! Oh profundo mistério! A fé nos ensina que não falta a Jesus Cristo nem o poder nem o querer. As chagas de seu corpo, especialmente a do costado, pelas quais derramou pela Igreja todo seu sangue, são outras tantas línguas que publicam em altas vozes o imenso amor em que está abrasado seu coração; e tantos passos como deu para a salvação dos homens nos asseguram que da veemência do desejo que lhe anima pela saúde de suas ovelhas.  E, sem embargo da eficácia de seu poder e querer nos salvar, como é que permite que sejamos vítimas do monstro da impiedade? Como nos entrega ao capricho das seitas ímpias? Como não acalma a tempestade, quando só lhe custa ordená-lo? (Mc 4, 39) Por que permite que triunfe a besta feroz da impiedade e abandona à sua voracidade umas almas que tanto ama?”

Após falar de que se trata de um mistério que ele tenta entender, acrescenta:

“Jesus pode salvar a nossa pátria[3] do monstro da impiedade que pretende arrebatar-lhe o tesouro inestimável da Fé. O quer e não o faz, porque não há quem o peça devidamente, isto é, com as condições que exige a verdadeira oração. Não se alarme você, nem precipite seu juízo antes de ouvir as razões em que fundo minha resposta. Você se lembrará que, navegando uma vez Jesus Cristo com seus discípulos pelo lago de Genezaré e dormindo o Senhor sobre a popa do barco, levantou-se espantosa tormenta, na qual a pouca fé dos Apóstolos acreditou que iram naufragar. Durou a tempestade e o perigo enquanto não acudiram a Jesus.  Porém logo que, cheios de confiança, lhe disseram: “Domina, salva nos, perimus. Senhor, salvai-nos, que perecemos” (Mt 8, 25), levantou-se o Senhor, ordenou aos ventos e ao mar, e nesse mesmo momento reinou a mais completa calma e tranquilidade”.

“Assim, na Espanha se encontra a navezinha de Pedro tão agitada pela fúria dos ventos de falsas doutrinas, e pelas ondas de todas as paixões humanas, que as águas vão já entrando nela e põem todos os fieis em iminente perigo de fundir-se no cisma. Jesus está como então dormindo ou se porta ao menos com sua Igreja como se efetivamente dormisse. Pode ordenar aos furacões do erro e às ondas das paixões que se acalmem. Quer fazê-lo... O que está, pois, esperando? Aguarda, por acaso, que choque contra algum obstáculo, que exploda e se desmanche? Por que, pois, não o faz? Que falta? O que falta é que os discípulos vão Lhe despertar, e que lhe digam: “Mestre, não te importa que pereçamos? (Mc 4, 38)”

A imagem nos leva a outra consideração. Jesus Cristo é a Cabeça do Corpo Místico de Cristo, mas, em certas ocasiões, necessita que alerte sobre este Corpo (composto pelos demais homens que Lhe seguem), a fim de que tome certas iniciativas, inclusive esta de pedir à Cabeça que “acorde” e aja defendendo todo o restante de seu próprio Corpo místico, já que nela está todo o poder de alimentá-lo. Quem está dormindo, então: a divina providência ou a parte humana de seu Corpo Místico?

Segue o Padre Palau:

“Espera a que os sacerdotes, animados da fé dos discípulos, subam as grades do santuário, e sem parar até que tenham logrado Lhe despertar, deem gritos aos seus ouvidos, dizendo-lhe como o Profeta Joel: “Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo”. E como os Apóstolos: “Senhor, salvai-nos, que perecemos” (Mt 8, 25). Espera que a Igreja lhe dê gritos, dizendo: “Levantai, por que dormis, Senhor? Livra-nos pela glória do vosso nome”. Espera que lhe peçamos esta graça devidamente.  Quem me desse o poder escrever esta grande verdade com caracteres tão avultados que os pudessem ler e entender tantas almas como em Espanha acreditam possuir o espírito de oração: a Igreja na Espanha caminha precipitadamente para seu extermínio e só a oração pode salvá-la. Sim, só a oração pode salvar do naufrágio a igreja espanhola”.[4]

 

O poder da oração

“Deus em sua providência tem disposto não remediar nossos males nem nos conceder suas graças senão mediante a oração, e que pela oração de uns  sejam salvos outros.”

Após explicar que foram as orações que fizeram vir o Redentor, acresce que as orações deste mesmo Redentor quis depender das dos seus seguidores, membros de seu Corpo Místico, mesmo após sua morte redentora:

“Porém também o é, e o supõem com bastante claridade os livros santos, que para que a oração de Jesus Cristo e os frutos de sua redenção se apliquem a alguma nação ou povo, para que haja quem o ilumine com a pregação do Evangelho e lhe administre os Sacramentos, é indispensável haver alguns ou muitos que com gemidos e súplicas, com orações e sacrifícios tenham conquistado antes aquele povo e  o tenham reconciliado com Deus”.

Ele diz: para que “os frutos sua redenção se apliquem a alguma nação ou povo”, quer dizer, não se trata de aplicar tais frutos aos indivíduos, mas às nações. É preciso que os pecados sociais, praticados coletivamente nas nações, sejam denunciados e reparados. E para que isso ocorra é necessário que os membros do Corpo Místico de Cristo, alma de tais povos, rezem e se ofereçam como vítimas expiatórias de tais pecados. Somente assim, unidas às de Jesus Cristo, tais expiações obterão êxito.

 

Importância do Santíssimo Sacramento nas orações

Agora vem o reverso da medalha. É primordial que nossas orações sejam feitas em torno do Santíssimo Sacramento, a fim de que as mesmas obtenham êxito: “A hóstia santa que neles [nos altares] apresentamos todos os dias ao Pai, acompanhada de nossas súplicas, não é só para renovar a memória da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, senão também para obrigar com ela ao Deus das bondades a que se digne aplicar a redenção de seu Filho à nação, província, cidade, aldeia ou àquela ou aquelas pessoas por quem se celebra ou se ouve a Santa Missa. Nela é propriamente onde se negocia com o Pai a Redenção, ou seja, conversão das nações[5]. Antes que a redenção se aplicasse ao mundo ou, o que é o mesmo, antes que o estandarte da cruz fosse criado nas nações, dispôs o Pai que seu Unigênito, feito carne, negociasse isto com Ele com “súplicas contínuas, com fortes clamores e com lágrimas”  (Hb 5, 7), com angústias de morte e com o derramamento de todo seu sangue, especialmente no altar e na cruz, que levantou por cima do Calvário.”

Em seguida o Beato Palau chama a atenção deste detalhe: antes de plantar a árvore da Religião em algum povo é necessário que seus sacerdotes e governantes, além de todos os fiéis, negociem isso com o Pai, com súplicas, com clamores, com lágrimas e verdadeiro espírito de oração. “Assim como, pois, para plantar de novo a árvore da cruz em algum reino se requer espírito de verdadeira oração nos sacrifícios, assim para que se conserve em toda sua frescura e vigor – mediante as águas salutares dos sacramentos e da  pregação do Evangelho – é também necessário o mesmo espírito nos sacrifícios, segundo o tem disposto a divina Providência”.

 

As orações individuais e as coletivas

Nesse aspecto, precisamos distinguir as orações individuais e as coletivas. As individuais nós a fazemos para suprir nossos problemas pessoais, como é óbvio. É assim que rezamos, por exemplo, o “lembrai-vos” de São Bernardo. Há outras orações, porém, que foram feitas  para se rezar não individualmente, mas em nome de toda a Cristandade, do Corpo Místico de Cristo. É o caso, por exemplo, do nosso Rosário: a Ave-Maria, o Pai Nosso e Salve Rainha são rezadas no plural, em nome da coletividade. O Pai Nosso, inclusive, fala especialmente da vinda do Reino de Deus, que é algo coletivo e não individual. Apenas o Credo se inicia no singular, “creio em Deus Pai”, por querer marcar a Fé em cada indivíduo ser mais importante do que a coletiva.

No caso em que estamos analisando, as orações coletivas têm caráter mais profundo, pois resgatam perante Deus toda a humanidade decaída e não apenas o que reza. O Padre Palau tinha uma noção muito correta a respeito da Revolução universal, e dos males que a mesma causava na Igreja: percebia ele que esse movimento de revolta era proveniente do corpo místico do demônio contra o Corpo Místico de Cristo e que, no seu tempo, já havia conseguido obter sucessos impressionantes, mas que o Beato o via de imediato na Espanha. Posteriormente, tentou ele criar uma Ordem que se dedicasse especialmente ao exorcismo universal dos demônios da Revolução: o Exorcistado. Não se tratava de exorcizar os demônios que costumeiramente possuem corpos humanos, mas daqueles que assumiam corpos, lugares e postos importantes no mundo capazes de fazer a Revolução funcionar. Esteve presente no Concílio Vaticano I, e lá tentou junto aos bispos reunidos criar tal Ordem. No entanto, tal concílio não chegou a ser concluído, pois as tropas de Garibaldi haviam invadido Roma e o Papa, junto com os bispos e cardeais, tiveram que fugir para não morrer.

Talvez se a Ordem do Exorcistado tivesse sido criada não tivesse barrado completamente a Revolução, mas teria lhe causado um grande retrocesso, pois teriam sido exorcizados todos os demônios que no século XIX animavam o espírito revolucionário, ainda hoje imperante no mundo. Seria mais uma forma de oração que cumpriria o que pedia a Divina Providência para se fazer efetiva a destruição da obra iníqua do maligno. No entanto, para que ela tivesse pleno efeito era preciso que fosse posta em prática em toda a Igreja.

 

 

 

 

 



[1] O texto fala do “povo espanhol” mas visa, sobretudo, todo o povo católico em geral.

[2] Extraído de MAESTROS ESPIRITUALES CRISTIANOS - FRANCISCO PALAU ESCRITOS EDICION PREPARADA POR EULOGIO PACHO EDITORIAL MONTE CARMELO B U R G O S - – págs; 31/35

[3] Novamente ele usa termo comparando a Igreja com seu povo na expressão “nossa pátria”.

[4] Mais uma vez o Beato define a situação da Espanha para simbolizar a de toda a Igreja universal.

[5] Mais uma vez ele lembra a redenção coletiva, social, e não apenas individual.


quinta-feira, 26 de junho de 2025

O TREM DA REVOLUÇÃO SEGUNDO O BEATO FRANCISCO PALAU

 



No livro de Plínio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução” está contido todo o desenvolvimento da luta dos filhos das trevas contra a Igreja e a Civilização Cristã nos últimos 5 séculos. Um dos santos que mais entendeu esta temática foi o Beato Palau, descrevendo, denunciando e combatendo a Revolução em toda a sua essência, inclusive manifestando que um dos principais fatores de propulsão da Revolução são o orgulho e a sensualidade.

A Revolução pretende a destruição da Ordem por excelência: “Assim, o que tem sido destruído, do século XV para cá, aquilo cuja destruição já está quase inteiramente consumada em nossos dias, é a disposição dos homens e das coisas segundo a doutrina da Igreja, Mestra da Revelação e da Lei Natural. Esta disposição é a ordem por excelência. O que se quer implantar é, per diametrum, o contrário disso. Portanto, a Revolução por execelência”.[1]

No exemplo a seguir vemos um trem indo em direção de uma catástrofe sem que ninguém o perceba, assim como a Revolução guia os povos modernos, os quais, por castigo, não sentem a presença do perigo. Então, quem guia o mundo moderno não é o maquinista do trem, simbolizando os chefes das nações, mas o próprio Satanás, o qual preparou antecipadamente o desastre, que será o caos e o desespero das populações.

Segundo o Beato Francisco Palau Y Quer, essa Revolução é a que realiza os anúncios das Sagradas Escrituras relativos à apostasia dos últimos tempos. A análise racional, tranquila e vigorosa dos acontecimentos sociopolíticos contemporâneos o confirmava nesta sua convicção. A Revolução leva a uma catástrofe que o Beato Palau queria evitar. No século XIX a humanidade imergia de modo displicente e veloz na anarquia, impelida pelas tendências desordenadas que alimentam a Revolução, especialmente o orgulho e a sensualidade. Por isso, o Beato Palau concluiu que a dinâmica revolucionária impulsiona o mundo de modo implacável ao caos e ao desaparecimento da ordem social. Um exemplo patente de como se caminha para este caos podemos ver como algumas nações são dirigidas hoje em dia, como o Brasil e a Venezuela.

O beato usava como exemplo um acidente ferroviário que abalou seus contemporâneos. Um temporal derribara uma ponte na Catalunha, e um trem expresso – naquela época símbolo embriagador do progresso industrial – sem saber do acontecido, precipitou-se no abismo durante a noite. Ele viu no acidente uma parábola do mundo superficial e despreocupado, portador de restos de cultura e religião, sendo conduzido pela Revolução rumo a uma catástrofe que o bem-aventurado desejava evitar, mas que ninguém queria ouvir falar:

“Uma horrorosa catástrofe anunciada pelos profetas, por Cristo, pelos Apóstolos e por todos os porta-vozes mais autorizados do catolicismo. A sociedade atual, conduzida em massa pelo poder das trevas e pelo poder político, subiu num trem. Mas os maquinistas a levam para os infernos. A estação de onde saiu chama-se Revolução, a próxima estação chama-se Catástrofe Social.”

“Agora o trem circula entre uma estação e outra. Os passageiros não pensam, o Ermitão dá berros fortíssimos: ‘Parem, voltem atrás!’.”

“Mas essa voz, que é a própria voz do catolicismo, é sufocada pelo ruído do trem. (...) A tempestade levou a ponte. Era noite e o trem que partiu de Gerona ia em frente. Os viajantes não sabiam do perigo, mas a ponte não estava ali. As trevas escondiam o risco, até chegar ao abismo. A locomotora deu um pulo e não tinha asas, faltavam os trilhos, só havia o precipício. Ela caiu, arrastando consigo os carros e os passageiros. E as águas os engoliram.”

“Eles não acreditaram no perigo, mas ele existia, era verdadeiro, e a incredulidade não os salvou, mas os perdeu.”

“Os maquinistas e condutores do trem para onde vai a sociedade atual estão ébrios, perderam o juízo. Não vedes que não acertam uma?”

“Descei enquanto puderdes, e jogai-vos nos braços da Igreja, vossa Mãe, e assim vos salvareis.”

 

("Catástrofe social", El Ermitaño, Nº 40, 5-8-1869)

 

 

 



[1] Parte I – Cap. VII, E - de “Revolução e Contra-Revolução”, Ed. Chevalerie Artes Gráficas Ltda - pág. 55

segunda-feira, 6 de abril de 2020

PROFECIAS DO BEATO FRANCISCO PALAU








O padre carmelita Francisco Palau Y Quer, beatificado por João Paulo II no final do século XX, era espanhol e viveu durante o século XIX, deixando profetizada uma próxima renovação da Igreja com a vinda de um Restaurador.
Defendeu ardorosamente a instituição do Exorcistado durante o Concílio Vaticano I e em carta pessoal dirigida ao Papa Pio IX o santo carmelita desejava que a Igreja criasse uma Ordem com o fim específico de exercer o exorcismo com a autoridade suprema da Igreja. Só assim se conseguiria extirpar os males que a Revolução acometia contra a Igreja e a Cristandade.
Por causa de suas teses e da grande atividade apostólica exercida na Espanha, o Pe. Palau foi exilado para Vedrá, na ilha de Ibiza. O próprio
sacerdote conta como era o êremo em que morava: “Desterrado em 1854 “propter verbum Dei” para as ilhas Baleares, a providência me preparou nelas um deserto tal qual meu coração desejava. Temos a oeste da ilha de Ibiza uma gruta sobre a beira de precipícios que tocam os mares, e uma légua a dentro
das águas o mapa marca sob o nome de Vedrá uma ilhota que tem uma légua de circuito. Seus picos, situados sobre o mais profundo do Mediterrâneo, se elevam até os céus e, para que nada faltasse ao solitário, abriu Deus uma fonte
sobre o cume deste monte; o qual dá hospitalidade a todas as aves que vêm durante as noites recolher-se entre as aberturas das rochas. Separado da ilha da Ibiza, ninguém pode aproximar-se dele senão por barco; e suas colunas se levantam tão íngreme sobre as águas que não pode escalá-lo senão os experientes. Aqui é aonde, por temporadas, me retiro para minha vida solitária.
A gruta tem um bote, os ermitões são pescadores, me deixam sobre as pedras
e eu fico só, solitário, certo de não ver nem ser visto por pessoa humana. O
clima é magnífico e o lugar é tão pitoresco que pode apetecer um solitário”.[1]

Quando estava numa de suas costumeiras orações um Anjo manifestou-se ao Beato Palau da seguinte forma:

“Pelo ano 1864, havendo-me retirado para este monte, uma grande voz, que há 20 anos me falava nos desertos sobre os destinos de nossa Ordem, a qual não sabia de onde procedia, me disse com grande força o que segue:
“Eu sou o anjo de que fala o capítulo XX do Apocalipse; a mim está confiada a custódia do pendão do Carmelo e a direção dos filhos desta Ordem.
Eu guardo o trono pontifício de Roma e os muros desta cidade, frente aos demônios e à Revolução que a circunda. Venho a ti enviado por Deus para
instruir-te sobre o futuro da Ordem a que pertences para que saibas a missão que hás de cumprir e sua forma.

“Eu vou abandonar Roma. Tirarei dela o trono pontifício e a cidade será entregue ao poder dos demônios e da Revolução. Roma não será mais o centro da religião de Jesus; degolará a seus sacerdotes e religiosos e outra vez
se constituirá inimiga de Cristo e de sua Igreja. O trono do Sumo pontificado não voltará mais para ela, porque será trasladado para outro lugar”.
“Não podendo eu apenas crer o que via, acrescentou: “Roma será severamente castigada e o dia está muito próximo, dia de pranto e de luto, de sangue e de fogo e, para que vejas quão justas são as vinganças celestes, vem, sobe para o cume deste monte e de lá verás as abominações
introduzidas no lugar santo, preditas por Daniel profeta”.

“Cheio de terror e espanto, eriçados os cabelos, horripiladas as minhas
carnes, eu subi até o cume deste monte: “Olha e observa bem o que há no santuário, observa, cala e guarda o segredo; o mistério da iniqüidade está já consumado, eu vou a castigar aos culpados e o sangue dos justos aplacará a ira de Deus”.

“Eu rezava com grandes instâncias pela Igreja e [o anjo] contestou “As súplicas e orações pela Igreja santa são acolhidas aos ouvidos de Deus. Não rezes por Roma porque o decreto de Deus é irrevogável, o castigo dos culpados e a paciência dos mártires devolverá à Igreja santa sua liberdade, suas glórias e seu esplendor”.

“Elias, grande profeta, e os filhos de sua Ordem sois, e adiante sereis meu dedo de Deus e meu braço nas batalhas contra os demônios e contra a Revolução, e para que a vossa fé no dia das batalhas não falte, Deus me enviou a ti que vives nos desertos, atento à minha voz para instruir-te sobre a matéria e objeto do exorcistado. Eu sou o anjo que tem nas mãos as cadeias e as chaves do abismo. A mim estão sujeitos todos os demônios do inferno e, para que saibas o modo de apresentá-los nas batalhas, devo manifestar-te um mistério. E é o seguinte:

“Criados os anjos e postos no empíreo, Deus nos propôs a Cristo, Deus humanado, por rei, cabeça e príncipe. O supremo de todos os anjos não quis sujeitar-se nem adorá-lo. Lhe seguiram na rebelião uma multidão, mais do que
ninguém possa imaginar e foram todos precipitados aos infernos.
“Deus, para confusão sua e por ordem de sua providência, os deixou neste ar e sobre a terra, e servem de açoite contra os crimes e de prova de
fidelidade do justo. É tão grande seu poder e tal sua malícia contra os homens, que Deus nos mandou guardá-los para serem salvos de sua perversidade.
Sem nós não há homem que possa resistir a seus embustes e enganos e malícia. Nossa batalha contra os demônios começou no empíreo, prosseguiu no paraíso e, dividindo as famílias, os povos, as nações e todas as gerações em dois campos, segue e seguirá até o fim dos séculos. Os demônios guardam nas batalhas contra Cristo e sua Igreja una ordem, e esta não deve ser-te
desconhecida. Se Deus há instituído o sacerdócio para que fosse medianeiro e ministro de suas graças ante os povos, os demônios instituíram a magia e por esta têm comércio, trato e relação com os homens, e se há feito e faz visível, combatendo publicamente a obra de Deus. Quando veio Jesus Cristo, pelo ministério destes (mágicos) se fazia adorar em todo o mundo.
“Jesus os venceu morrendo. Entende o mistério: Jesus ofereceu seu corpo e seu sangue sobre a cruz e, aceita a oferenda pela justiça de Deus,
ficou livre o homem do poder dos demônios, e isto é o que se chama a Redenção. Ordenou Jesus Cristo que a Redenção fosse aplicada por mão
apostólica e, com efeito, deu e comunicou como Deus todo poder sobre os demônios aos apóstolos e discípulos, e em virtude deste poder os demônios
ficaram vencidos e escravos e sujeitos à mão apostólica. Os apóstolos, cheios de fé neste poder sobre os demônios, se dividiram todas as nações do mundo e, encadeados os demônios e vencidos por sua fé, estas se converteram a
Deus. Venhamos a Roma.

“Pedro se dirigiu a Roma e pôs ali o trono do sumo pontificado. Cheio de fé no poder que Jesus lhe havia dado sobre os demônios, os venceu e lançou desta capital onde estavam os príncipes tenebrosos que dirigiam a idolatria do povo e império romano. A batalha se prolongou três séculos inteiros e venceu por fim a fé dos apóstolos no poder que Jesus Cristo lhes havia dado sobre o inferno.

“Triunfante a Igreja em Constantino imperador, comunicou todo seu poder aos sacerdotes e ordenou os exorcistas; e estes foram nosso dedo e nosso braço para mantê-los ligados e encadeados; e a não ser assim, se os demônios houvessem ficado livres e desencadeados, poucos progressos faria a Religião.

“Correndo os séculos em seu curso, a fé sobre a existência dos demônios, sobre seu poder, malícia e influência nos destinos do mundo, sobre
o poder comunicado aos exorcistas sobre eles, sobre a necessidade e importância do ministério destes, foi diminuindo porque nestas batalhas o
jejum, a penitência e a oração há de acompanhar a fé. Entibiando-se o fervor da caridade, também se obscureceu aquela luz que descobre aos exorcistas e manifesta os demônios e suas obras de maldade; e ao passo que se obscureceu a fé sobre tudo o que é matéria e objeto do exorcistado, cessou o exercício deste ministério, e a proporção que este cessou, os demônios tomaram liberdade e força, poder e domínio sobre a terra”.[2]

 O Beato Palau não diz nesta carta o que se segue após a manifestação angélica. Em outra missiva, dirigida ao mesmo signatário acima, afirma que o anjo mandou-o ir ao Bispo de Barcelona e ao Papa Pio IX para falar sobre a
missão que recebera de Deus:

“Dirás ao bispo de Barcelona e ao Pontífice Pio IX: “a hora da batalha já soou, isto manda Deus, expulsai os demônios e curai os estragos e
enfermidades causadas por eles; e se não te crêem, te retirarás, obedece a seus mandatos, se não ouvem minha voz, eu me retirarei de Roma e entregarei a cidade em poder dos demônios péssimos que a rodeiam.
“Cumpre esta missão e marcha à tua gruta de Barcelona. Eu conduzirei ali todos os príncipes infernais do país que, visíveis nos corpos humanos desafiam visivelmente à luta o poder da Igreja. Lança tu os demônios ao inferno e “infirmos curate”.

O padre Palau hesita, dizendo:

“- Eu? Não, este ministério está reservado ao bispo.

“- És tu exorcista?

“- Sou.

“- Pois se és, tu darás conta do sangue e das vítimas que gemem e perecem entre as garras do dragão infernal; cumpre teu dever, que consiste em denunciar à autoridade eclesiástica os demônios que visíveis nos corpos humanos provocam á luta os exorcistas...”

Nova hesitação do Padre:

“- Não há fé neste lugar e demônios e o mundo, todo em peso e em
massa, se levantará contra.

“ – Eu estarei contigo, eu varri os céus dos anjos maus e saberei defender-te contra os homens. Antes de retirar-me de Roma e abandoná-la ao furor dos demônios, eu quero tentar e provar sua fé, quero revelar e descobrir a
incredulidade, quero saiba o mundo até onde chegam as trevas... Acaso não foi dado à Igreja, representada nos exorcistas, plenitude de poder sobre todos seus inimigos? :”ecce ego dedi vobis potestatem super omnem virtutem inimici”
(Lc 10, 19. Que uso se faz desta autoridade? Já o verás logo...” [3]

Estas cartas o Pe. Palau as fez no decorrer do ano 1866, tendo se dirigido diretamente ao Papa Pio IX, numa missiva datada de 17 de dezembro do mesmo ano, à qual acrescentou três documentos que contêm os mesmos dados sobre a necessidade de se criar o exorcistado a fim de conter o avanço dos demônios e da Revolução. A Europa estava sob efervescência
revolucionária e a Igreja sob ataque direto das forças secretas para ser destruída. Em setembro de 1870, Roma é invadida, o Papa foge para não ser morto, a cidade é saqueada e muitos religiosos morrem martirizados. Alguns anos depois é feito um tratado, pelo qual o Sumo Pontífice só poderia reinar no pequeno reduto do Vaticano. Roma passou para o domínio completo das forças do mal. O, Papa a partir daí, ficou no Vaticano como se fosse prisioneiro,
local que só foi reconhecido como Estado independente em 1929 através do tratado de Latrão.

O Beato Palau cumpriu sua missão: avisou as autoridades sobre a necessidade da institucionalização do exorcistado, tema que inclusive ele levantou no Concílio Vaticano I, mas infelizmente não foi ouvido. Talvez os
Planos da Providência tenham mudado após esta vitória aparente dos demônios e da Revolução. Daí se revestirem de capital importância as
profecias que o Pe. Palau nos deixou sobre o Restaurador, que abaixo relatamos.

Quem será o Restaurador

“Restaurará Deus a sociedade humana? Sim: e há de ser logo. Como?
Quando?
“Para a restauração da sociedade atual, isto é o que infalivelmente há de suceder. Primeiro: a sociedade moderna cai, se funde, se dissolve, morre, perecerá. Segundo: Deus e seu Cristo lançado fora do Estado, sairá como leão
das covas, dos desertos e das catacumbas, ostentará a onipotência de seu braço, e aniquilará todo o poder dos poderosos.

“O mundo será redimido uma segunda vez, porque Satanás que é seu verdadeiro tirano outra vez será solto, e livre porá as nações sob seu domínio cruel e despótico; e será redimido uma segunda vez sob a forma que o foi na primeira.

“Quando será isto?

“Morto Jesus na Cruz, o orbe inteiro anunciou a Redenção na queda do tirano. O sol se cobriu de trevas, as trevas cobriram a face da terra, as pedras se partiram chocando umas contra as outras em terremoto universal, abriram-se os sepulcros, a natureza deu testemunho da verdade.

“O dia, a hora em que outra vez fique preso o tirano, e seja precipitado no abismo, a liberdade das nações será proclamada à voz do Arcanjo, com a trombeta de Deus, e a lei do Evangelho será à mesma época anunciada por
uma voz, caindo prostrados e rendidos ante o trono de onde procede a voz, dirão horripilados: “Senhor, não nos gritai mais vozes, falai pela boca de nossos apóstolos ministros de vossa palavra”.

“Naquele dia a voz dos profetas abrirá a terra, e o inferno tragará vivos os apóstolos da mentira à vista dos povos, como tragou Datan, Coré, Abiron sob as ordens de Moisés.

“Naquele dia os profetas enviados por Deus para a Redenção das nações, rechaçarão a força bruta do homem com a força divina. Pela sua voz baixará fogo do céu, à vista dos povos reduzirá a cinzas ao poderoso que tente impedir sua missão: assim lutará a força bruta do homem com a força de Deus, e esta contra aquela.

“Quem prenderá esta péssima fera? Quem a encadeará, e atado o encerrará no abismo outra vez, para que não seduza as nações?

“Um homem. Que homem será este?

“O restaurador prometido por Jesus Cristo à sociedade já dissoluta e em completa anarquia, impotente por si mesma para constituir-se em ordem. Um apóstolo, um profeta, um Moisés, um Elias...

“Quem não vê que esta tempestade, que com trovões e raios ameaça lançar-nos no abismo, não pode por si acabar?... ...necessitamos um Moisés por cuja mão Deus Onipotente rechace a força bruta do homem, sobre a qual se apóia o terror e a maldade, a rechace entrando a religião na batalha com forças pelo menos iguais, a rechace no choque, e a extermine completamente
no dia da vitória. Necessitamos um Josué, porém sob as ordens de um Moisés.
“... Quem dentre os mortais se apresentará em batalha contra Satanás, que desencadeado há seduzido as nações, e à frente de seus reis dá assalto real ao castelo da Igreja Católica? Quem dentre nós se apresentará armado, o prenderá, o encadeará, o precipitará no abismo, e o prenderá ali para que não seduza mais as nações? Quem é este homem, anjo que armado não de aço senão de cadeias, de chaves, de fé, de força espiritual, apresente batalha ao Forte armado, que mantém na incredulidade todas nações? Há de ser um
homem, porque Deus decretou que os demônios serão lançados por mão de homem, e Deus disse ao homem “lançai os demônios”. Quem será este
homem?

“Um anjo baixado do céu, quer dizer, um homem com missão especial de Deus: este homem... será o Restaurador. Enquanto o Forte armado protege as portas da fortaleza, na paz possui tudo quanto há lá dentro, enquanto este
anjo não desça do céu a revolução seguirá exterminando tudo quanto encontre
no caminho...

“Este é o sinal da vinda do Restaurador: os demônios serão expulsos de
todos os terrenos que ocupam, o serão os dos ares que envenenam produzindo tão desastrosas epidemias, o serão os dos corpos humanos, e
então o Exorcistado, e tudo quanto sobre este sagrado ministério pregamos será acreditado, e visto verdadeiro; imensas turbas de tolhidos, cegos, energúmenos, maleficiados, que agora em vão buscam consolo em banhos, em medicinas, e médicos, serão curados repentinamente.

“Quando vires isto, crês que o Restaurador está no meio de vós.

O Restaurador será um novo Moisés, o Moisés da Lei da Graça

“De um momento para outro aparecerá um Moisés, um homem a quem obedecerão os infernos, os céus, os elementos, a natureza inteira. Os prodígios com que comprovará a divindade de sua missão serão tão estupendos, que os que operou Moisés perante o Rei do Egito não são senão uma sombra e figura. Às suas ordens os mares sairão de seu leito e inundarão cidades inteiras; a terra se cobrirá de trevas tão densas que nem sequer se verão na sombra os objetos mais perto. Pela sua voz baixará fogo, enxofre do
céu, e abrindo-se a terra, tragará no inferno vivos aos modernos sacrílegos Datan, Coré, Abiron, e quantos combatam sua missão. Sob a direção deste homem o orbe inteiro batalhará contra os insensatos.

“Seguirão a este Restaurador os eleitos, só os eleitos, aqueles que têm escritos seus nomes no livro da vida, e os demais católicos apostatarão dividindo-se uns dos outros. O que está escrito do filho do homem, se cumprirá
na pessoa deste restaurador “ut comtemnatur et multa palcatur”, será desconhecido, perseguido, desprezado dos católicos, cujos nomes não estão
escritos no livro da vida...

“Satanás será encadeado no abismo pelo novo Moisés e por seus apóstolos, e será com ele sepultada no inferno a maldade da terra...
“Se vem a restauração verdadeira que consiste na conversão a Deus de todas as nações e seus reis, o restaurador não pode ser um rei, senão um
apóstolo; a guerra não converte, senão que arruína, e este apóstolo será Elias, o Elias prometido, seja qual for o nome que ao aparecer se lhe dê. Chame-se João, Moisés, Pedro, o nome importa pouco: a missão de Elias restaurará a
sociedade humana, porque assim Deus o tem em sua Providência ordenado.
“Deus não obra a favor do homem sem o homem, e o homem escolhido por Deus, há de ser um dos que com quem vivemos. Quem será este homem
tão extraordinário, que prenda ao diabo, o encadeie, o lance no abismo e salve por sua mão Deus as nações?

“Quem será este Restaurador?

“Já o temos dito: é Moisés da lei da graça! Que venha! Que venha logo!
“Deus nos há prometido para estes últimos tempos um restaurador: “restituet omina”. A história deste homem é de interesse social geral, de uma importância imensa. Não há que duvidá-lo, o império do mal não pode deter-se em seu rápido curso, porque marchando pela tangente que seus crimes se desvendam, o peso enorme que lhe arrasta para o abismo não permite volta
atrás.

“...Que nos disse Deus sobre o futuro da sociedade humana?...

“Tudo se reduz aos artigos seguintes:

“Primeiro: a formação de um império universal, o império do mal, o
triunfo de satanás no terreno da força política e material.

“Segundo: a volta do Gólgota e da Palestina ao domínio dos católicos, e com a conversão a Deus destas tribos, a entrada em plenitude de todas as nações na Igreja com todos os reis que agora nos recusam.

“Terceiro: a destruição total e completa do império de satanás e dos poderes políticos que agora nos combatem pela ação imediata de Deus.
“Quarto: a conversão a Deus e à Igreja de todas as nações, e de seus reis, a vinda ao mundo de um restaurador com a missão de Moisés, “restituet
omnia”, à frente de uma ordem de apóstolos, os novíssimos, que a Providência tem preparados para a última hora.

“Quinto: satanás desencadeado combatendo a Cristo e a sua Igreja à frente de todos os poderes políticos e materiais da Terra, sua prisão e encadeamento e em sua prisão a ruína de seu império, do império da maldade.
“...Para este dia, que anunciaremos com segurança como político se não tivéssemos a revelação, a Providência nos tem prometido um grande profeta, o Moisés da lei da graça e o choque será horrendo. Este dia terrível está perto,
está próximo, o anunciam próximo os sucessos extraordinários que vemos”.

[1] Carta ao Pe. Pascual de Jesus Maria, Procurador Geral da Ordem do Carmo em Roma - “Francisco Palau – Escritos” – Cartas – págs. 1227/1231

[2] Carta ao Pe. Pascual de Jesus Maria, Procurador Geral em Roma da Ordem do Carmo – “Francisco Palau – Escritos” – Cartas – págs. 1227/1231.

[3] op.cit. pp. 1223/1224