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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

O DESFILE DA FIDELIDADE

 




A propósito de comemorar-se neste último dia 12 de outubro também a data do descobrimento da América, relembramos a grandiosa comemoração antecipada feita a 30 anos na oportunidade de seus 500 anos.

 São Paulo, sexta-feira, 3 de janeiro de 1992 - Pátio do Colégio

Neste histórico local, berço da cidade de São Paulo, a TFP dá início ao VIII Encontro de Correspondentes e Esclarecedores com um monumental desfile, dando início às comemorações dos 500 anos (1492-1992) da ação missionária e civilizadora da América.

O imponente desfile percorreu as principais ruas do centro de São Paulo, com a presença de milhares de pessoas, entre sócios, cooperadores, correspondentes e esclarecedores da TFP, cujas delegações vieram de 111 cidades localizadas em 18 estados brasileiros. Representantes do Canadá, Estados Unidos,  Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Áustria, Hungria, África do Sul, Filipinas, Austrália e ainda de Cuba e da China no exílio estão presentes.

Na foto acima o imponente desfile passando pelo Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, com destaque aos eremitas com os hábitos que depois se tornaram oficiais nos Arautos do Evangelho.

Na oportunidade foram proclamados alguns “slogans” através de megafones, conforme abaixo reproduzimos:

I – Há cinco séculos / a esquadra dos reis católicos / aportou na América. / Foi um dia de felicidade e de glória / para a Igreja e a Cristandade.

II – De fato, / abrindo para as nações europeias – a rota do Novo Mundo, /a esquadra de Colombo franqueou / para o Divino Salvador / as portas do nosso continente. (nessa hora se entoou o cântico “Queremos Deus”)

III – Com o descobrimento / teve início a expansão / missionária e civilizadora / destinada a difundir / a luz do Evangelho / aos infelizes povos índios / que a Igreja sempre amou.

IV – Os desditosos silvícolas / arrastando a milenar rotina de suas condições de existência / pareciam fadados / a jamais atingir os esplendores ; da civilização europeia do século XV.

V – Toda a desdita – foi-se desfazendo para os silvícolas / na medida em que iam tomando contato / com a Igreja e a civilização cristã.

VI – Especial homenagem das TFPs americanas / aos papas / aos monarcas / aos descobridores e aos missionários / sem os quais talvez ainda fosse selvático / o solo que pisamos / e fossem meras tabas os aglomerados humanos aqui existentes.

 

VIII ENCONTRO DE CORRESPONDENTES DA TFP

 

Realizou-se também naquela data um encontro de correspondentes e esclarecedores da TFP, o qual teve como principal conferencista o seu presidente o Dr. Plínio Corrêa de Oliveira e a participação do padre lituano Francisco Gavenas, SVB.

Na sessão inaugural deste encontro o Dr. Plínio focalizou a importância da atuação da entidade e de suas congêneres existentes em outros países, especialmente de seus correspondentes e esclarecedores.  Na oportunidade foi feito o lançamento do livro “Bispo, Prisioneiro e Mártir do Comunismo”, de autoria do padre lituano Francisco Gavenas, SVB, prefaciado pelo mesmo Dr. Plínio.

Após seu discurso o padre Gavenas concedeu ao Dr. Plínio Corrêa de Oliveira uma homenagem ao colocar-lhe uma faixa denominada “Justa”, que a exemplo da antiga coroa de louros dos romanos também é outorgada na Lituânia aos heróis nacionais. Tal honraria foi decorrente do monumental abaixo-assinado promovido pela TFP em prol da libertação da Lituânia do regime comunista, obtendo mais de 5 milhões e assinaturas.

Nos dias seguintes foi desenvolvido denso e variado programa, com temas como “Atualidade da mensagem de Fátima”, “Para onde caminha o ocidente cristão” e “O mundo pós-comunista: aspectos diversos”. O Encontro contou com a participação de mais de 1.500 pessoas, vindos de 18 estados brasileiros e de vários países estrangeiros (cerca de 17) onde havia entidades análogas às TFPs.

No encerramento do mesmo, Dr. Plínio proferiu uma conferência abordando o tema “Às portas do terceiro milênio: apreensões, esperanças, reminiscências”. O orador, interrompido várias vezes pelos aplausos, discerniu os graves riscos da conjuntura histórica atual e as razões que devem fundamentar a confiança de nossos contemporâneos em Deus, no limiar do 3º milênio.

  

                                     (Padre Fransisco Gavenas homenageando Dr. Pínio)



terça-feira, 17 de março de 2020

A SEMELHANÇA DOS BOATOS CRIADOS CONTRA A TFP E OS ATUAS CONTRA OS ARAUTOS DO EVANGELHO





BOATOS – Técnicas de espalhar boatos na opinião pública

(O artigo a seguir foi publicado em 1969, mas nele Dr. Plínio Corrêa de Oliveira descreve uma técnica de espalhar boatos e calúnias contra os católicos da TFP, a qual fielmente se repete hoje contra os Arautos do Evangelho)




“Certos indícios levam a supor que existe – aboletada alhures – uma máfia progressista a espalhar, de tempos em tempos, boatos contra a TFP. Com efeito, não há fumaça sem fogo. Nem efeito sem causa. E sem a hipótese de um foco de disseminação único, é difícil explicar como – simultaneamente e em vendaval – certas críticas surgem contra a TFP em ambientes inteiramente diversos. Tanto mais quanto elas se apoiam nos mesmos pressupostos infundados, bem como nos mesmos argumentos capciosos, e se propagam com as mesmas cautelas.
Eu seria simplório – note-se bem – em afirmar que participam de tal máfia quantos disseminam, acerca da TFP, tais objeções. Com efeito, há uma técnica de fabricar e dar  propulsão aos boatos, como para elaborar e por em circulação qualquer fator de publicidade: um slogan, um anúncio, um livro ou um jornal. O boato bem engendrado corresponde à psicologia de certas famílias de almas ou de certos setores da opinião. Ele dá corpo e palavra a prevenções vagas, ressentimentos difusos, ou impressões indefinidas. Uma vez lançado, ele encontra, esparsos aqui, lá ou acolá, elementos (dos quais muitos cercados da consideração geral) que por assim dizer o esperavam, e assim avidamente lhe dão crédito. Tais elementos, depois de degustar o boato, o disseminaram, mais ou menos como – perdoe-nos o leitor a trivialidade da comparação – quem come cebola e lhe difunde o cheiro ao falar. E assim o forte hálito dos boateiros pode fazer com que, em uma nação inteira, o cheiro encebolado de uma mesma lorota se propague. Como se vê, a disseminação dos boatos anti-TFP constitui um processo que tem muito de natural.
O que tem ele de artificial? – É a sistemática simultaneidade com que o boato nasce em lugares que não têm comunicação entre si. É também sua irracionalidade, eu diria antes o cunho inteiramente arbitrário de seu conteúdo. E, por fim, a sua tática rigidamente uniforme: - lançado, ele se difunde até que seja refutado; - refutado, ele silencia sempre; - silenciado, ele se conserva na moita até que a refutação fique esquecida; - e esquecida a refutação, ele volta à carga exatamente como antes. Assim é que, infatigável, vai e vem a lorota. Tanta uniformidade e tanto método são incompatíveis, em geral, com a natureza fantasiosa e caprichosa da mentira.
Uma característica curiosa desse sistema é sua forma de veiculação. Nunca escolhe ele a palavra escrita: ser-lhe-ia fatal o desmentido ou refutação. O boato anti-TFP se incuba sempre no cochicho de parente a parente, ou de amigo e amigo, em rodas mais ou menos íntimas. E jamais “trabalha” quando pressente alguém da TFP.
Insisto quanto à artificialidade. Por mais natural e espontânea que seja em tese a difusão de um boato, parece-me muito difícil que possa repetir-se infatigavelmente como as ondas do mar, contra uma mesma entidade, sem que uma máquina ardilosa o saiba engendrar ou reviver na hora “certa”, dar-lhe forma alada e vento propício, inocular-lhe a preferência exclusiva pelo cochicho, etc., etc.
Claro é que, entre os difusores inadvertidos do boato estão meus amigos “sapos”.  Creio mesmo que sem a “saparia” não haveria tais boatos. Mas não são só eles. E é nisto que a habilidade dos fabricantes de boato me parece mostrar o melhor de seu sinuoso talento.
Exemplifico.
Para tornar a TFP antipática, o boato difundiu que constituímos um grupo pequeno e fechado de aristo-plutocratas, empenhados em defender seus privilégios contra tudo e contra todos. Seríamos, pois, uns inimigos do bem comum.
Provas? O boato as exibe: é a palavra “propriedade” em nosso lema. São as campanhas que fizemos em 1964 contra a reforma agrária.
Este material para cochicho assim mal alinhavado, esse conjunto de “clichês” sugestivos, essa cebola de forte odor e fácil aceitação junto aos imaginativos, se põe a circular, entre os indecisos. Por contágio, muita gente alheia à máfia, a difunde.  Onde há falta de clima ou de interesse, um “mafioso” ajuda a difusão, temperando a cebola conforme as apetências do ambiente. E por fim, a “operação cebola”  atinge a amplitude desejável.
Os “suporters”  mafiosos do boato ajudam-no também em outro ponto básico. É em resistir – pela repetição obstinada – à evidência dos fatos.
Somos um punhadinho de gente? Entretanto, nossas manifestações públicas surpreendem pelo número.
Somos uns aristoplutocratas? Basta analisar nossa gente quando sai em campanha de rua, para ver que nos recrutamos em todas as classes sociais, especialmente nas mais modestas... onde mais rara é a “saparia”.
Somos defensores de todos os abusos possíveis e imagináveis da propriedade? – Por que? Só porque em nosso lema proclamamos o direito de propriedade? Então afirmar um direito é ipso facto apoiar-lhe os abusos? Uma Faculdade de Direito, que tem por missão definir e ensinar todos os direitos, é então uma escola de abusos? Dada essa contra-objeção, o indivíduo não “mafioso” talvez se renda à evidência. O mafioso, ou a vítima da máfia, isto é, por exemplo, algum “sapo” fortemente “encebolado”, este não. Ele salta para outro ponto. Apesar de ter atacado há instantes a palavra “propriedade” em nosso lema, ele afirma, desenvolto, que o mal não está aí. Está em nossos livros e publicações. Lá é que vem, bem clara, a lista das teses abusivas, insustentáveis, reacionárias, extremistas, que propugnamos. Tão certo está disto o “sapo”, que forçosamente alguém oculto por detrás dele lho disse.
E ele acreditou. Aperte-se o “sapo”: em qual de nossos livros, em que página estão definidos e propugnados estes abusos? Em que artigos do mensário “Catolicismo”?  Ou, então, em qual de meus artigos ou entrevistas na imprensa diária ou nas mais variadas revistas? O “sapo” não sabe, porque não leu. Tartamudeia, então, e para safar-se do apuro lança um insulto: “Sabe o que mais? Vocês são uns extremistas de direita”.
No que, meu “sapo” boateiro e encebolado? No que Você discorda de nossas publicações? No que Você vê extremismo? Afirmo que como nós pensa, acerca da propriedade, a maioria maciça dos brasileiros...  Vá ler, para depois argumentar!
O “sapo” se cala e sai. Vai espalhar alhures o cheiro da cebola.
De longe, tento alcançá-lo com uma pergunta: “Quando, afinal, Você me dirá bem concretamente como são as reformas de base que Você quer”?
Mas o “sapo” está longe. Ao som desta pergunta incômoda, o “sapo” é como o boato. Tem asas...
(artigo Extremismo de direita, cebolas e sapos alados – FSP, 28.12.69)



segunda-feira, 14 de outubro de 2019

PREPARA-SE HOJE A MESMA PERSEGUIÇÃO HAVIDA NA VENEZUELA EM 1984?








A perseguição venezuelana de 1984

O Texto a seguir foi divulgado por EX ARAUTOS MINAS GERAIS, anteriormente já publicado por nosso blog em 24.08.2017 quando já estava no auge a plena perseguição que hoje se move contra o povo daquele país por um governo tirano e socialista. Procede a indagação: perante a perseguição caluniosa movida atualmente contra os Arautos do Evangelho, com características semelhantes às de 1984, não se vislumbra que pretendem o mesmo tais perseguidores, inimigos de nossa Fé e a serviço do inimigo comum dos cristãos? A todo custo eles pretendem afastar de seu caminho aqueles que possam impedi-los de expandir seu império sobre os homens, daí usar de recursos vis, baixos, verdadeiramente canalhas, para conseguir seus objetivos. Vejam o texto a seguir e deduzam se algo semelhante não pode estar ocorrendo nos dias de hoje (no método e no tipo de calúnias), embora possa se dizer que o clima não é o mesmo da Venezuela daqueles anos, principalmente por causa do grande desprestígio que hoje goza a mídia oficial.


“Aqueles que não lembram o passado estão condenados a repeti-lo”. Essa frase, do escritor George Santayana (pseudônimo de Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás), parece ser bastante adequada para a história que vamos transcrever. Trata-se de uma narração escrita em 1988, para o livro ‘Um homem, uma Obra, uma Gesta – Homenagem a Plinio Corrêa de Oliveira”. Lendo-a, conseguimos entender de onde vem a impressão de ‘déjà-vu’ que acontece quando nos deparamos com algumas das calúnias da ‘seita anti-arautos‘. É um fenômeno que se repete: quando a doutrina cobra uma postura, incomoda, e não pode ser refutada, apela-se para uma perseguição basicamente emocional ou baseada em questões deturpadas. Confiram:


O Núcleo Venezolano de Defensa de la Tradición, Familia y Propiedad foi fundado em outubro de 1971, a partir de um grupo de universitários que haviam conhecido a Plinio Corrêa de Oliveira e aderido a seus ideais. Essas pessoas também instituíram a “Asociación Civil Resistencia”, conhecida pela revista universitária “Resistencia”, e que foi a denominação mais conhecida do grupo de discípulos de Dr. Plinio naquele país.
Dentre as ações memoráveis, destaca-se a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que vertera lágrimas milagrosamente em Nova Orleans (EUA), que chegou à Venezuela sob os auspícios da TFP, em 1976, sendo venerada por mais de 150 mil pessoas. Em 1978 a entidade difundiu em campanha pública milhares de exemplares do texto “Diálogos Sociais”, onde, em linguagem simples e acessível, era exposta a doutrina social católica sobre temas do momento: propriedade privada, livre iniciativa, família etc.
Em 1984, ante a possível aprovação de projetos de lei que poderiam afetar a fundo o futuro do País, a Associação Civil Resistencia julga seu dever fazer ouvir sua voz no campo dos princípios. Publica então o manifesto O socialismo gerou a maior crise sócio-econômica das últimas décadas – e a lei de Custos, Preços e Salários vai agravá-la. O documento mostrava que a Venezuela estava sendo conduzida gradualmente para onde não queria nem devia ir: rumo ao Estado socialista.
O semanário “Tribuna Popular”, do Partido Comunista, ataca violentamente, em primeira página, a campanha de Resistencia.
Apenas trinta e seis dias depois da campanha de Resistencia a respeito da lei de Custos, preços e salários, o governo socialista do Presidente Lusinchi começa a desencadear contra a entidade o mais violento “estrondo publicitário” da história do País, dando origem a verdadeira perseguição ideológico-religiosa.
A polícia caraquenha invade o imóvel da sede social da entidade, alegando ter recebido denúncia (anônima) de que ali havia menores seqüestrados. Procede ela à vistoria, obviamente nada encontrando.
Depois de um pequeno hiato, a campanha publicitária toma no mês de outubro proporções gigantescas.
Em poucas semanas, cerca de 600 notícias de jornais contra Resistencia são publicadas tão-só em Caracas (das quais 100 em apenas dois dias…), sendo levadas ao ar nada menos que 20 horas de programação de TV. As acusações estapafúrdias se repetem sem cessar, como, por exemplo, a de que todos os anos, no mesmo dia, um membro de Resistencia praticava o suicídio ritual.
Resistencia e o Bureau Tradicão, Família, Propriedade (também atingido pelo “estrondo”) se defendem serenamente, refutando uma a uma, sem exceção, todas as acusações concernentes a seus respectivos âmbitos. As portas das redações dos jornais se fecham para suas respostas, mas elas são publicadas como anúncios pagos. Não há tréplicas. Os instigadores do “estrondo publicitário” retomam as mesmas acusações, como se nada tivesse sido dito pela TFP em sua defesa (o mesmo método de sempre, em todos os lugares…).
De seu lado, o ministros do Governo Lusinchi se associam ao coro, comparecendo diversas vezes à televisão para atacar Resistencia.
Cinco ou seis famílias – os jovens de Resistencia eram cinqüenta – se mostram inconformes com o fato de seus filhos colaborarem com Resistencia. De início, começam a molestá-los. Depois se põem a difamar publicamente o conjunto dos jovens de Resistencia, entre os quais seus próprios filhos, pela imprensa e televisão, fato inconcebível, e até do qual o público venezuelano não conhecia precedentes. Pouco depois, pedem à Procuradoria Geral da República e à Polícia Política (DISIP) que retirem a liberdade de movimento dos jovens de Resistencia, proibindo-os de ausentar-se do País, e ao mesmo tempo solicitam aos corpos de segurança do Estado que os interroguem em presença de psicólogos, para averiguar se sofreram “lavagem cerebral“ em Resistencia ou na TFP brasileira, que haviam visitado durante as férias.
Os órgãos policiais do Governo socialista Lusinchi, que pareciam estar à espera da desconcertante iniciativa dos pais inconformes, no dia seguinte ao pedido se colocam em ação, começando imediatamente os interrogatórios e prolongando-os por oito dias. Alguns dos jovens têm que permanecer até onze horas consecutivas na polícia, sem que lhes seja permitido comer e, em muitos casos, nem beber. A ferocidade policial é alternada com provocações e diversos processos de pressão moral e psíquica.
Tudo lhes foi perguntado, desde qual era a influência da cor vermelha em sua vida, até assuntos íntimos. Ou relativos à liturgia. Ao mesmo tempo, mulheres da polícia os coagiam com convites lascivos, narrações obscenas, e deboches. Alguns tiveram que se submeter a exames toxicológicos, testes psiquiátricos e neurológicos e “avaliações” antropométricas.
A sede de Resistencia volta a ser vistoriada (e o é quatro vezes em poucas semanas…), sem que seja possível impugnar de forma documentada a associação. Sempre ‘suposições’. Diante da nítida perseguição policialesca, esses jovens (o mais velho mal chegava aos 30 anos) reafirmam publicamente sua profissão de fé católica e se mantêm firmes na sua adesão aos princípios da organização que integram. Seria, portanto, de esperar que, da parte da Hierarquia da Igreja da Venezuela, lhes chegasse alguma palavra de conforto. Em vez disto, Resistencia foi atacada publicamente por um Bispo e vários Sacerdotes. O Cardeal José Ali Lebrun, Arcebispo de Caracas (que recebera em seu Palácio, abençoara e desejara sorte ao candidato presidencial marxista, o ex-guerrilheiro comunista Teodoro Petkoff), nega-se a receber os membros de Resistencia quando estes lhe solicitam uma entrevista, e até quando a ele recorrem pelo telefone, o Prelado corta a ligação depois de lhes fazer uma áspera invectiva. Nos mesmos dias, recebe demoradamente em audiência o grupinho de pais hostis. Nenhum dos membros do Episcopado venezuelano responde, nem sequer nos limites mínimos de cortesia prescritos pelas boas praxes, a uma filial e respeitosa circular, em que Resistencia pede alguns esclarecimentos e se põe à disposição para qualquer elucidação.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito
Na segunda semana de novembro, o “estrondo publicitário” é marcado, sobretudo, por uma tumultuosa sessão da Comissão de Política Interior do Congresso para interpelar os dirigentes de Resistencia. Nela, os discursos anti-Resistencia se sucedem, e os dirigentes da entidade têm poucas oportunidades para se fazerem ouvir. O discurso inicial, do deputado David Morales Bello, Presidente da Comissão, já prejulga Resistencia, pois afir­ma tratar-se de uma associação legal apenas na aparência, mas ilegal nos fatos, por violar a Constituição. O deputado não aduz qual­quer prova a suas acusações. Os outros dis­cursos são do mesmo gênero: a Comissão con­dena Resistencia antes mesmo de começar a ouvi-la…
Em sentido contrário, o deputado Dr. José Rodri­guez Iturbe, democrata-cristão, levanta-se pa­ra pedir que seja examinado, antes de mais nada, se há provas dos fatos alegados, e quais deles são ilegais. Sua proposta é acolhida agressivamente pela mesa.

A suspensão das atividades por decreto
O fechamento de Resistencia e do Bu­reau pelo governo socialista sobrevém no dia 13 de novembro de 1984, em meio a uma sucessão frenética de acontecimentos.
No dia anterior, o Comitê Executi­vo da Ação Democrática, partido integran­te da Internacional Socialista, ao qual es­tá filiado o Presidente Lusinchi, pedira formalmente que Resistencia fosse fecha­da, e que não se permitisse sua atuação no País.
Pela manhã do dia 13, realiza-se um de­bate na TV, de quase três horas, ao qual com­parecem os jovens de Resistencia, tendo ter­minado com vantagem para estes, co­mo prova o fato de o Governo ter proibido a reprise do programa, já anunciada pela emissora de televisão.
Estranhamente, como “adivinhando” que algo de sensacional estava por suceder, um batalhão de jornalistas e fotógrafos apre­senta-se nos portões da sede, acompanhados pelos pais inconformes. Surge também uma chusma de agitadores (alguns dos quais por­tando paus e facões) liderados por dois depu­tados socialistas dos que mais se destacaram na luta contra Resistencia.
A polícia fora prevenida com insistência pe­la entidade visada, mas entretanto não compare­ce. Seguem-se brados de slogans, o arromba­mento do grande portão, a invasão dos jar­dins e o apedrejamento da sede. Tudo com transmissão simultânea pela TV.
No começo da noite, quando o show re­volucionário chega a seu climax, comparece diante das câmaras de televisão o Ministro da Justiça, Manzo Gonzales, e lê o decreto da suspensão das atividades de Resistencia e do Bureau, decreto esse assinado por ele e pe­lo Ministro do Interior, Octavio Lepage, em nome do Presidente Lusinchi.

Até adversários estranham
Nos dias seguintes, conhecidas persona­lidades do mundo político, jurídico e jornalís­tico venezuelano – inclusive o ex-presidente Rafael Caldera – saem a público para mani­festar sua estranheza ante a medida ditatorial do Governo Lusinchi. A maioria delas diz não concordar com Resistencia, mas verbera com vigor esse atentado contra o regime de liberdade, juridicamente vigente no País. O Cardeal Lebrun, contudo, declara que “as autoridades competentes do País atuaram con­forme as leis do Estado proibindo o funciona­mento da organização”.
A TFP brasileira fez publicar comunica­do intitulado Perseguição ideológico-religio­sa na Venezuela – Nuvem negra baixa sobre o País irmão, o qual põe em realce a inocên­cia de Resistencia e o inequívoco caráter per­secutório da atitude governamental. Es­se comunicado foi publicado pelas diversas TFPs em alguns jornais de toda a América do Sul.

O veredito da Justiça
A batalha prosseguiu, entretanto, jun­to ao Poder Judiciário, onde tramitavam vá­rios processos de caráter penal, civil e admi­nistrativo em que Resistencia e o Bureau ora eram autores, ora réus.
Os mais importantes eram duas averiguações penais, que termina­ram, ambas, inocentando completamente Resistencia.
A primeira dessas vitórias se concre­tizou em 19 de dezembro de 1984, quando a Procuradoria (Fiscalía) Geral da Nação desis­tiu de formalizar recurso à Corte Suprema de Justiça contra a sentença absolutória das instâncias inferiores, com o que foi encerrada a investigação originada da primeira vis­toria na sede da entidade – em agosto de 1984 – por não existir nada que indicasse a prática de qualquer delito por parte dos mem­bros da associação.
No segundo processo penal houve mui­tas delongas e vicissitudes; finalmente, no dia 30 de dezembro de 1985, o Juiz do 14° Juiza­do Criminal de Primeira Instância do Distri­to Federal, Dr. Saúl Ron Braasch, declarou terminada a averiguação judicial “por não se revestirem de caráter penal os fatos denuncia­dos”. E no dia 15 de maio de 1986 o Juiz do 10° Juizado Superior Criminal proferiu senten­ça definitiva, que confirmou a decisão de pri­meira instância, declarando que a ação penal estava extinta por se tratar de coisa julgada.
Era o veredito inapelável da Justiça, mostrando que a atroz perseguição carecia de qualquer fundamento.

Exílio voluntário
Mas, como se compreenderá facilmente à vista dos fatos acima narrados, considerando o procedimento violento e arbitrário do go­verno, os militantes de Resistencia se sentiram privados do benefício das garantias legais con­feridas aos cidadãos venezuelanos pela consti­tuição. E entenderam ser preferível deixar sua Pátria querida, à espera de dias melhores em que pudessem retornar para servir nela a cau­sa da civilização cristã. Em consequência, muitos deles emigraram e passaram a integrar as TFPs de outros países.
Posteriormente foi possível comprovar que muitas das acusações veiculadas contra Resistencia foram alimentadas pelo norte-americano Lyndon LaRouche, mentor de uma rede de organizações cívicas, culturais, financeiras e políticas, e de uma cadeia de agências de notícias. Esse aparato midiático alimentou de inverdades delirantes o “estrondo” venezuelano em toda a duração (cfr. “Ultimas Noticias”, Caracas, 13-10-84 e “2001”, Caracas, 14-2-85). Posteriormente, Lyndon LaRouche foi condenado a 15 anos de prisão pela Justiça norte-americana, por estelionato (“Folha de S. Paulo”, 28-1-89).


HÁ MAIS DE 30 ANOS QUE SE PERSEGUEM CATÓLICOS NA VENEZUELA

https://quodlibeta.blogspot.com/2017/08/ha-mais-de-30-anos-que-se-perseguem.html


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

INTERPELAÇÃO AOS COMUNISAS ATÉ HOJE SEM RESPOSTA




Há pouco dias morreu o maior símbolo da idolatria de uma  personalidade comunista, Fidel Castro, deixando em seu lugar o seu irmão e uma gerontocracia que tiraniza aquela ilha há mais de 50 anos. Todos conhecem o resultado da tirania socialista em Cuba, tendo deixado aquele povo numa situação triste e miserável. No entanto, a situação de países como Cuba, Coréia do Norte e tantos outros que teimaram em manter o regime não encontra culpados na política e na mídia mundiais de hoje. Mas, foram interpelados na mesma época em que a URSS implodia, no final de 1989 para meados de 1990. 
A “Folha de São Paulo”, edição de 14 de fevereiro de 1990, estampou manifesto da TFP (datado do dia 11 do mesmo mês), da lavra de Plínio Corrêa de Oliveira, sob o título de “Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio”, seguido de um subtítulo “A TFP apresenta uma análise da situação – no mundo – no Brasil”. Naquele documento, Dr. Plínio começa por mostrar o grande descontentamento que estava lavrando como verdadeiro incêndio no mundo soviético. Descontentamento com “D” maiúsculo, segundo ele. Em seguida, passa a demonstrar que este descontentamento transformou-se no maior brado de indignação da História. Escreveu textualmente Dr. Plínio naquela oportunidade: “Se se desenrolarem desse modo os acontecimentos no mundo soviético, sem encontrarem em seu curso obstáculos de maior monta, o observador político não precisa ser muito penetrante para perceber o ponto terminal a que chegará. Ou seja, a derrubada do poder soviético em todo o imenso império até há pouco cercado pela cortina de ferro, e a exalação, do fundo das ruínas que assim se amontoarem, de um só, de um imenso, de um tonitruante brado de indignação dos povos escravizados e opressos".
Mais adiante, cita ele os que devem ser interpelados: "II – Interpelação aos responsáveis diretos por desgraça tão imensa: os supremos dirigentes da Rússia soviética e das nações cativas Esse brado se dirigirá, antes de tudo, contra os responsáveis diretos por tanta dor acumulada ao longo de tanto tempo, em tão imensas vastidões, sobre uma tão impressionante massa de vítimas. E, a menos que a lógica tenha desertado totalmente dos acontecimentos humanos (deserção trágica, que a História tem registrado, mais de uma vez, nas épocas de completa decadência, como a deste fim de século e de milênio), as vítimas de tantas calamidades unirão seu ulular para exigir do mundo um grande ato de justiça para com os responsáveis. Tais responsáveis foram, por excelência, os dirigentes máximos do Partido Comunista russo que, na escala de poderes da Rússia soviética, sempre exerceram a mais alta autoridade, superando até à do governo comunista. E, “pari passu”, os chefes de PCs e de governos das nações cativas. Pois eles não podiam ignorar a desgraça e a miséria sem nome em que a doutrina e o regime comunistas estavam afundando as massas. E, contudo, não titubearam em difundir essa doutrina e impor esse sistema”. Em seguida, Dr. Plínio passa a interpelar outros grupos que contribuíram para tanta desgraça no mundo: os ingênuos, os moles, os colaboracionistas (voluntários ou não) do comunismo no Ocidente.
A interpelação atinge também aos historiadores otimistas e superficiais que amorteceram a reação dos povos livres contra as tramas do comunismo internacional, os homens públicos do Ocidente que pouco fizeram para libertar as vítimas da escravidão soviética, além de muitos outros que carrearam rios de dinheiro para manter aquele regime. Finalmente, interpela os dirigentes dos diversos PCs disseminados pelo mundo nestes termos: Nada viram de tanta desgraça que ocorreu naquele império desumano durante 7 décadas? E se viram porque nada contaram, nada disseram? Será que nas visitas que fizeram à URSS nada indagaram do que ocorria de fato, se eram verdadeiras ou não as denúncias de atrocidades e de desrespeito sumário aos direitos humanos? Se verificaram “in loco” o trágico fracasso do comunismo na URSS por que o queriam para suas pátrias?
A surpresa veio quando uma grande voz, de uma autoridade do Vaticano, disse a verdade: “Quem foi esse varão? – Um teólogo de renome mundial, uma alta figura da vida da Igreja, em síntese o Cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, futuro Papa Bento XVI. E o que disse ele? Eis suas palavras: "Milhões de nossos contemporâneos aspiram legitimamente a reencontrar as liberdades fundamentais de que estão privados por regimes totalitários e ateus, que tomaram o poder por caminhos revolucionários e violentos, exatamente em nome da libertação do povo. Não se pode desconhecer esta vergonha de nosso tempo: pretendendo proporcionar-lhes liberdade, mantêm-se nações inteiras em condições de escravidão indignas do homem" (Instrução sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação", Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de agosto de l984, nº XI, 10). Ele disse tudo isso, e só isso, e a opinião pública ocidental estremeceu. Anos depois, a gigantesca crise em que se acha o mundo soviético veio provar que não só o Purpurado tinha razão, mas que, ainda, suas valentes palavras não haviam sido senão um quadro sumário de todo o horror da realidade.”
Dr. Plínio alenta o desejo de que um dia a opinião pública mundial fará uma grande interpelação a esses políticos: “Mas para isso tudo chegará oportunamente o dia. E, nesse dia, a opinião pública perguntará mais agudamente aos chefes dos PCs, em todo o Ocidente, por que continuaram comunistas, apesar de saberem a que miséria o comunismo havia arrastado as nações juguladas por Moscou. Ela lhes exigirá que expliquem por que, conhecendo a situação miserável da Rússia e das nações cativas, consentiram em chefiar um partido político que não tinha outro objetivo senão arrastar para essa situação de penúria, escravidão e vergonha os próprios países do mundo livre, em que haviam nascido. Por que, enfim, haviam querido, com tanto afinco, esse resultado tenebroso, que não hesitaram em ocultar a seus próprios asseclas a verdade que a alguns – pelo menos – teria feito desertar, horrorizados, das fileiras vermelhas. Esta atitude dos líderes comunistas das várias nações livres, conjurados com Moscou para desgraçarem cada qual a respectiva pátria, há de ser considerada, pela posteridade, um dos grandes enigmas da História. Desde já esse enigma começa a espicaçar a curiosidade dos que têm a agudez de vistas suficiente para perceber o problema e debruçar-se interrogativamente sobre ele”