Mostrando postagens com marcador Opinião pública. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião pública. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de dezembro de 2025

PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA E A OPINIÃO PÚBLICA

 


Antigamente a perseguição religiosa era feita a ferro e fogo, mas hoje tudo mudou e os métodos são mais psicológicos, tentam indispor os perseguidores perante a opinião pública. E nisso tem se empenhado muito a imprensa falada, escrita e da TV, comumente chamada de mídia.

A coordenação dos métodos utilizados na onda de perseguição que se levantou contra os Arautos do Evangelho faz supor uma só origem, dando a impressão que tudo procede de uma só organização que visa destruir tudo o que procede da Santa igreja Católica e produz bons efeitos na sociedade.  Como essa organização consegue arregimentar algumas pessoas com tal finalidade é um mistério.

Toda entidade, seja ela civil, militar ou religiosa, sempre tem elementos que dela participa e depois, ao sair, se tornam seus desafetos, procurando combate-la e, no caso, até denegri-la pelos motivos ao mais variados. Por inveja, por espírito de vingança ou, em alguns casos, ludibriado por falsas promessas de inimigos externos. Muitos dos detratores são pessoas que tentaram cometer alguns erros dentro da entidade e foram expulsos ou saíram por causa disso, e, em muitos dos casos, vão a público fazer algumas acusações de coisas que elas mesmo tentaram praticar e não conseguiram.

Vamos aqui analisar o problema debaixo do que pensa a opinião pública. Classificamos dois tipos de opinião pública. A primeira é aquela manobrada pela mídia, toda sujeita a influxos das manchetes de jornais e das emissoras de rádio e TV, que não pensa por si mesma, mas apenas repete aquilo que os manobradores de plantão lhes implantam na cabeça. A segunda é composta do povo legítimo, que pensa por si e não segue tudo o que querem lhes empurrar mente a dentro. É nesse público que trabalha os Arautos do Evangelho. Espontâneo, não precisa que ninguém lhes diga o que devem fazer, pois sua consciência o indica nas ocasiões propícias.

A opinião pública artificial, acostumada com os jornais de violência e crimes, move-se apenas por impulsos e não consegue abstrair de uma simples notícia ou reportagem o que está por detrás de tudo. É este o público trabalhado há muitos anos pelas TVs, especialmente pela Globo. Quanto a esta, movendo um público leviano acostumou-se e reproduzir em suas reportagens apenas a aparência das coisas, e joga no público os informes de maneira açodada e sem consistência, porque o objetivo é apenas causar comoção social, mesmo que esta comoção ultraje a honra e dignidade das pessoas honradas. Para eles, isso pouco importa. Foi isso o que fizeram com os professores e proprietários da Escola de Base, em São Paulo, um rumoroso caso de difamação e calúnia sem qualquer consistência, o qual terminou fazendo fechar a escola e acabar com a vida de todos os envolvidos no caso. Já tentaram caluniar inúmeras vezes a TFP, especialmente nos anos 80 do século passado, tendo esta se defendido galhardamente e deixado os caluniadores sem credibilidade perante a opinião pública. Os sucessores da TFP, Arautos do Evangelho, são vítimas constantes destas perseguições midiáticas.

No entanto, quem perde prestígio perante a opinião é a imprensa. Vejam o exemplo abaixo:

"A Igreja é imaculada e indefectível"

Este foi o título do artigo, de autoria de Monsenhor João Clá, publicado em abril de  2010, defendendo o clero católico contra uma intensa campanha de calúnias veiculada pela mídia no mundo inteiro.  Por simples denúncias, jornais e TVs passaram a veicular todo tipo de notícias escandalosas maculando a boa fama e a honra de diversos sacerdotes e bispos. Havia casos escabrosos, como o da cidade de Boston, em que dezenas de pessoas, em geral já maduras, acusavam padres de violências morais supostamente praticadas há dezenas de anos, quando os acusadores eram ainda crianças. Mesmo assim, a justiça aceitava as denúncias, visando, sempre, extorsões financeiras além da desonra moral. A arquidiocese de Boston foi obrigada a fazer um acordo com a justiça, pois não tinha condições financeiras de arcar com o pagamento das expensas judiciais.

Após a publicação do citado artigo de Monsenhor João Clá, aos poucos a campanha de calúnias foi diminuindo, até se acabar completamente. Como reconhecimento, seria justo que o órgão do Vaticano premiasse os Arautos e Monsenhor João Clá por ter publicado obra tão auspiciosa em defesa da boa fama e da honra do clero em todo o mundo, especialmente a do Papa Bento XVI, muito visado nas calúnias. Pelo contrário, o que houve foi ingratidão e nenhum reconhecimento daquele benefício recebido.

 No entanto, a credibilidade ao Papado sempre aumenta, enquanto a mídia cai no desprestígio popular, conforme notícia a seguir transcrita:  

Fracasso da mídia em sua campanha difamatória contra o Papa

Foi revelado agora um dos sintomas do fracasso da mídia em sua burlesca campanha de difamação contra Bento XVI e a Igreja. O jornal que comanda esta campanha é o The New York Times, porta-voz de outros inúmeros órgãos de imprensa que lhe fazem eco, tentando implicar Bento XVI com supostas ocultações de casos de abusos sexuais cometidos entre sacerdotes, de modo especial americanos. Após ficar demonstrado a falsidade das acusações, o diário viu ficar completamente comprometida sua credibilidade. Agora acaba de ser publicada uma pesquisa, feita pelo próprio jornal, na qual se revela que o apoio ao Papa disparou entre o povo norte-americano. 88% dos católicos pesquisados asseguram que os escândalos sexuais cometidos por presbíteros e religiosos não afetam o seu trato com sacerdotes. De outro lado, é superior a 80% a percentagem de católicos que afirmam que o ocorrido não influi nada em sua decisão de assistir à missa, enquanto cerca de 79% continuam dando sua colaboração financeira para a Igreja.

Melhora a imagem do Papa Bento XVI

A figura de Bento XVI sai muito fortalecida na pesquisa, já que em apenas dois meses aumentou em 16 pontos sua simpatia pelo público, aumentando de 27 para 43% a percentagem de católicos que têm uma opinião muito positiva do Papa por sua firmeza na atual crise.

Entre os católicos praticantes a percentagem dos que estão conformes com a atuação da Igreja alcança 75%, chegando a 91% os que acreditam na capacidade do Vaticano em enfentar os escândalos. Por último, o estudo destaca que nove entre dez pesquisados disseram que os abusos são tão comuns na Igreja como fora dela.

Fonte: InfoCatólica, de 11 de maio de 2010

 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

O OLHAR DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NA EXPUSÃO DOS VENDILHÕES DO TEMPLO

 


 A propósito de tanta Bondade que atraía e causava fascínio, comenta o padre Berthe: “Todos reconheceram ao homem de semblante grave, de olhos penetrantes, de longa cabeleira a flutuar sobre os ombros, de fisionomia meiga e subtriste, que inspirava, mesmo às crianças, respeito e afeição”. E mais adiante: “E ao mesmo tempo que aos ouvidos lhes ressoava aquela voz forte e meiga, não podiam os ouvintes deixar de contemplar o semblante celestial do profeta. E do seu rosto viam irradiar uma bondade sobre-humana que a todos lhes cativava e roubava os corações”.[1]

Procu­rou Ele conquistar o coração das pessoas. E uma vez fez um teste perguntando: o que dizem por aí do Filho do Homem?

Nosso Senhor nos ensina como enfrentar o entrechoque de opiniões

Depois que passou 40 dias no deserto jejuando, haver vencido o demônio e sido batizado por São João, Nosso Senhor fez o milagre das Bodas de Caná e, após percorrer toda a Palestina pregando e fazendo muitos milagres, dirigiu-se a Jerusalém preparado para enfrentar a opinião dominante e a seita judaica que mandava na Cidade Santa.  Que fez Ele? Procurou convivência pacífica com as correntes dominantes? Fez pactos, alianças? Nada disto! Dirigiu-se ao Templo, onde devia apresentar-se como o Messias tão esperado e já anunciado. Lá encontrou, no entanto, uma situação constrangedora. Os comentários são, novamente, do padre Berthe: “Graças à cumplicidade dos sacerdotes, certos costumes abusivos e verdadeiramente sacrílegos tinham convertido esse átrio num verdadeiro mercado. Aí vendiam vinho, azeite, sal, pombas, cordeiros, e todos os objetos exigidos para os sacrifícios. Os cambistas, instalados aos seus balcões, serviam aos estrangeiros moeda judaica; já que só ela corria no Templo. Conversavam e altercavam neste lugar santo como numa praça pública”. [2]

Todos sabem o que Ele fez.  Aceso de santa ira, chicoteou e expulsou os vendilhões do Templo. Talvez fosse para este momento que Nosso Senhor vinha mais se preparando, pois aí Ele enfrentou o teste mais duro com a opinião pública, antes de Sua Paixão e Morte na cruz. Não era conhecido ainda como Profeta pelo povo de Jerusalém; não tinha, portanto, autoridade popular para tal ato. A Autoridade que possuía era d’Ele mesmo, por ser Deus. No entanto Ele o fez como homem, embora arrojadamente. Que ocorreu? O povo aplaudiu calorosamente, pois todos sabiam que se devia respeitar o Templo e ninguém ousou contestar ou enfrentar Jesus Cristo nesta hora. Sua ação foi, pois, um ato de conquista de simpatia da opinião pública. O entrechoque foi sentido apenas pelos fariseus, sacerdotes e doutores que se perguntavam entre si com que direito vinha aquele audacioso Galileu mandar no Templo e condenar os usos autorizados pelo Sinédrio. E que Templo era aquele, dominado por gnósticos!

Para se ter uma idéia de como andavam as coisas no Templo de Jerusalém, vejamos como o descrevia William Thomas Walsh:

“...Num mercado, justamente ali dentro, ou bem à mão, podiam comprar pombos, cabritos ou cordeiros para o sacrifício, se antes já não o houvessem feito, mas tinham de pagar também uma pequena taxa de inspeção.

“Alguns dos peregrinos pobres e dos galileus reclamavam contra os preços. Na verdade, os bufarinheiros do templo tratavam por vezes de elevá-los desaforadamente. Certa vez, por exemplo, cobravam um denário de ouro romano por um casal de pombos, até que um membro da família de Hillei interveio e forçou-os a baixar o preço de novo para ¼ de um denário de prata. Caridade predileta dos judeus ricos era pagar o sacrifício dos pobres. Certa ocasião, quando os cúpidos comerciantes tinham deixado o pátio do Templo quase sem animais, Rabi Baba Bem Buta burlou-os, trazendo 3 mil carneiros, quebrando assim o mercado, de modo que os plebeus pudessem cumprir suas obrigações”.[3]

Mais adiante, William Thomas Walsh descreve o episódio do Templo como ele imagina que teria ocorrido conforme seus estudos:

“No dia seguinte, ainda cheio de grandiosas esperanças, estava Simão Pedro com o Senhor, junto à Porta Especiosa, observando as multidões de graves peregrinos que se apressavam em atravessar o Pátio dos Gentios para oferecer seus sacrifícios. Um levava duas pombas numa gaiola, outro um cordeiro, outro um cabrito, enquanto outros ainda compravam aves ou animais no bazar, ao longo de um dos maciços muros, ou levavam-nos para serem inspecionados e dados por bons. Uma multidão esperava em fila diante de algumas mesinhas postas sobre o chão de mármore polido por cambistas itinerantes. O tinido das moedas ressoava acima do chilrear dos pássaros, do balir dos carneiros, do mugir do gado e do murmúrio das vozes humanas.

“Contemplando tudo isso num relance, Jesus apanhou algumas cordas que jaziam ao lado dos engradados dos pombos, reuniu-as destramente em forma de chicote e passou por diante do atônito Simão, com uma serena e terrível determinação, dirigindo-se para as mesas e bazares.  Algo nEle fez que até mesmo os guardas do Templo se afastassem apressadamente para os lados. Um poeta cristão, de descendência judaica, um homem de não pequena visão interior[4]  afirma que, mesmo encolerizado, Seu rosto jamais se contorceu ou avermelhou, como o dos outros homens, porque não era paixão, mas justiça impessoal divina que O acionava.  Aos vendedores dos pombos disse Ele concisamente: “Tirai daqui isto e não façais da casa de Meu Pai casa de negócio!” Mas quando chegou aos bois e aos carneiros, descarregou-lhes nas costas o chicote de cordas, assestando-lhes grandes e vibrantes açoites com seus poderosos ombros e braços, até que eles semearem o pânico em todas as direções, entre os aterrorizados  espectadores e mercadores. Os cambistas ficaram sentados, paralisados de medo, à medida que Ele ia batendo de mesa em mesa. Moedas de todas as nações e siclos de prata do santuário tiniam sobre os blocos de mármore e rolavam sob os pés da multidão que fugia desatinada.

“Simão Pedro não havia esperado nada de semelhante. Mas observava tudo com certa altivez crescente. Quem, senão o Messias ousaria agir tão atrevidamente em tal lugar? Quem, senão Ele, poderia dizer naquele tom de real certeza: “A casa de Meu Pai?”  [5]

Na Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, há o seguinte comentário de São Jerônimo sobre o episódio de expulsão dos vendilhões do Templo:

E sobre a frase: ‘Expulsou todos os que ali estavam vendendo e comprando’, comenta o mesmo Jerônimo: ‘Dentre todos os milagres que Cristo fez, este me parece o mais admirável: que um só homem, naquela época ainda desprezível, tenha podido, a golpes de um simples chicote, expulsar tão numerosa multidão. É que de seus olhos se irradiava como que um fogo celestial e em sua face brilhava a majestade da divindade’ (S. T. III, q. 44, a. 3, Ad I).

 



[1] “Jesus Christo, Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo” – Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., Einsiedeln, Suíça 1925)

[2] “Jesus Christo, Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo” – Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., Einsiedeln, Suíça 1925)

[3] “O Apóstolo São Pedro”, pp. 28

[4] Trata-se de Fray Luís de Leon, em “Los Nombres de Cristo”

[5] “O Apóstolo São Pedro”, pp. 60/61

segunda-feira, 24 de julho de 2023

A OPINIÃO PÚBLICA E O MUNDO

 



 

A primeira e principal definição de “mundo” refere-se ao Universo criado por Deus, especialmente o nosso mundo material, também chamado de “cosmos”. Diz-se, desta forma, que Deus criou o mundo e que toda a Criação foi destinada a formar um só conjunto em torno do Criador, um sistema formado por criaturas no qual estas tenham vida comum, hierarquicamente colocados uns dependendo de outros.

Uma outra definição de mundo, mais específica e muito citada na Sagrada Escritura, refere-se à sociedade em que vivemos e convivemos. Este seria todo o conjunto formado pela família, os vizinhos, a cidade e a nação em que nascemos e vivemos constituindo o mundo nessa linguagem sociológica e moral. E este mundo influencia poderosamente as pessoas, ou para o bem ou para o mal, sendo mais forte a influência para o mal. Assim, como nossas inclinações pessoais são mais fortes para a prática do mal, do mesmo modo também os costumes vividos nesse mundo. E por causa disso este “mundo” é dividido em dois: o do Bem, composto pelas pessoas que cumprem socialmente os Mandamentos da Lei de Deus e formam o Corpo Místico de Cristo, e o do Mal, formado por aqueles que ferem tais mandamentos e procuram socialmente formar o corpo místico do demônio.

Um famoso teólogo moderno define assim o mundo:

“Por sua própria complexidade é difícil defini-lo. Em última análise, é o ambiente anticristão que se respira entre as pessoas que vivem totalmente esquecidas de Deus e completamente entregues às coisas da terra. Esse ambiente hostil constitui-se e manifesta-se em quatro formas principais:

1º) Falsas Máximas, em direta oposição ao Evangelho. O mundo exalta as riquezas, os prazeres, a violência, a fraude e o engano, posto a serviço do próprio egoísmo, da liberdade absoluta e total para entregar-se a toda sorte de excessos de pecados. “Somos jovens, devemos desfrutar a vida”;

2º) Zombaria e Perseguições contra a vida de piedade; contra os vestidos decentes e honestos; contra os espetáculos morais, que são qualificados como ridículos e  chatos; contra as santas leis do matrimônio, que julgam antiquadas e difíceis de praticar;

3º) Prazeres e Diversões cada vez mais abundantes, refinados e imorais; cinemas, televisão, teatro, centros de perversão, modas indecentes, etc. Pensa-se e vive-se somente para o prazer e para diversão;.

4º) – Escândalos e Maus Exemplos quase contínuos, ao ponto de somente sair á rua, abrir uma revista, olhar uma vitrine, ouvir uma conversa, sem que apareçam com toda crueza uma incitação ao pecado sob alguma de suas formas. “O mundo inteiro está no poder do maligno” (I Jo 5, 19).”[1]

 Se todas as pessoas deste mundo, desta sociedade, praticarem costumes sérios e castos, isso pode nos influenciar para a mesma prática. A honestidade, por exemplo, sendo vivida por todos será modelo para a prática desta virtude. No entanto, não é isso que ocorre na maioria das sociedades. As tendências naturais de todos, as inclinações pessoais, sendo propensas para a facilidade da prática do mal, no dia a dia torna-se uma prática comum e social. O sistema de vida inteiramente baseado neste mundo pecaminoso é chamado pela Igreja de “mundanismo”, e de “mundano” todo aquele que leva esta vida. No Catecismo da Igreja Católica essa vida é assim reprovada: “Todos os fiéis de Cristo “devem dirigir retamente seus afetos para que, por causa do uso das coisas mundanas, por causa do apego às riquezas contra o espírito da pobreza evangélica, não sejam impedidos de tender à perfeição da caridade”.(Tópico 2545).

O pecado do mundo

Esta expressão, usada por São João, é explicada dessa forma pelo Catecismo da Igreja Católica: “As consequências do pecado original e de todos os pecados dos homens conferem ao mundo em seu conjunto uma condição pecadora, que pode ser designada com a expressão de S. João; “O pecado do mundo” (Jo 1, 29). Com esta expressão quer-se exprimir também a influência negativa que exercem sobre as pessoas as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são frutos dos pecados dos homens”. (tópico 408).

O “pecado do mundo” é o mesmo que “pecado social”, isto é, um pecado coletivo, ou vida social toda pecaminosa, e que termina por formar uma sociedade inteiramente baseada no pecado.  A partir do momento em que o Cordeiro de Deus tirar o pecado deste mundo, este passará a ser um outro mundo, o mundo da virtude e do caminho até Deus.

Por causa disso a maioria das pessoas é levada a pecar por causa do mundo, por verem os outros fazerem aquilo com naturalidade. Trata-se, portanto, de um importante e poderoso impulso ao pecado. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse “eu venci o mundo”, Ele se referia ao mundo pecaminoso e contrário às leis divinas; de outro lado, também falava que não veio para acabar com o mundo, destruí-lo, mas reforma-lo, aí referindo-se tanto ao convívio social de modo geral como o próprio Universo.

Há momentos, também, em que Nosso Senhor se refere à paz, distinguindo bem a que pertence ao mundo e à sua paz. Disse, por exemplo, que não veio trazer a paz, mas a espada (Mt 10, 34); mas entre os Apóstolos desejou sua paz a todos (Jo 14, 27), ressaltando que não se referia à “paz como o mundo a dá” e sim a sua paz. No primeiro caso, Ele se referia à paz do mundo, o mundo de pecado, enquanto no segundo estava falando da paz verdadeira que só Ele pode trazer ao mundo através de suas graças divinas. Santo Agostinho define a paz “como a tranquilidade na ordem”, quer dizer, não há verdadeira paz sem ordem. Portanto, a paz do mundo é falsa. 

Por si mesmo, esse mundo social não é mal nem é bom, assumindo características boas ou más de acordo com a convivência, com a vida levada pelos homens em determinada sociedade, ou determinado mundo.

E para que esse mundo se forme ou se mantenha existe uma opinião pública, que predomina no comportamento geral das pessoas. Nesse caso, essa “opinião pública” não é apenas o resultado dos pensamentos comuns da sociedade, mas do que estes conseguem impor na vida social.

Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica quando fala deste mundo. No tópico 311 diz: “Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino último por opção livre e amor preferencial. Podem, no entanto, desviar-se. E, de fato, pecaram. Foi assim que o mal moral entrou no mundo, incomensuravelmente mais grave do que o mal físico. Deus não é de modo algum, nem direta nem indiretamente, a causa do mal moral.[2] Todavia, permite-o, respeitando a liberdade de sua criatura e, misteriosamente, sabe auferir dele o bem: Pois o Deus todo-poderoso..., por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal”.[3]

E desde o começo da humanidade que isso ocorre, até mesmo com o primeiro casal, pois aquele “mundo” tão pequeno, formado por apenas um casal, foi importante para se cometer o pecado original. Adão não foi tentado pela serpente, mas por Eva, e ele, envolvido por ela, fazia parte daquele mundo que o fez pecar: “As consequências do pecado original e de todos os pecados dos homens conferem ao mundo em seu conjunto uma condição pecadora, que pode ser designada com a expressão de S. João; “O pecado do mundo” (Jo 1, 29). Com esta expressão quer-se exprimir também a influência negativa que exercem sobre as pessoas as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são frutos dos pecados dos homen” (tópico 408).

Estas expressões do Catecismo, “situações comunitárias” e “estruturas sociais”, mostram o que se resulta da opinião pública, a qual influencia a vida cotidiana em comum e leva todos a ter concepções certas ou erradas sobre o mal, sendo que, por fraqueza, o homem é mais propenso à prática do pecado.

Como vimos acima o mundo constitui-se tanto naquilo que Deus preparou para o convívio nosso quanto no que nós mesmo formamos, proveniente do que concebemos da doutrina e da lei divina ou de outros princípios que nós mesmo criamos, isto é, daquilo que deduzimos de nossos pensamentos e de nossas opiniões. O resultado geral deste mundo, seja ruim ou bom, é consequência da opinião pública, pois todo o convívio social se manifesta num pensamento coletivo, assim como este serve para nutrir, animar e conservar a vida em comum de todos.

Na Sagrada Escritura, especialmente no Novo Testamento, este mundo é várias vezes referido como produto do mal, como esta de Isaías: “Punirei o mundo por causa da sua maldade e os ímpios por causa da sua iniquidade, porei fim à arrogância dos soberbos, humilharei a altivez dos tiranos”  (Is 13, 11). São João, já no início de seu Evangelho condena este mundo que não recebeu e não reconheceu Cristo, a “luz do mundo”: “Ele era a luz verdadeira que ilumina todo homem; ele vinha ao mundo. Ele estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não o reconheceu” (Jo 1, 9-10); mas em outra oportunidade diz: “o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29); portanto, este mundo pode se transformar num outro por força do Cristianismo, confirmado por mais essa passagem: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem n’Ele crê não é julgado; que não crê já está julgado; porque não creu no nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz ” (Jo 3, 16-19).

Nosso Senhor Jesus Cristo mostra qual a faceta do mundo de pecados, o mundanismo, nessa frase: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo, por isso, vos odeia.” (Jo 15, 18-19). Adiante diz que venceu este mundo: “No mundo tereis tribulações, mas tendes coragem: eu venci o mundo”  (Jo 16, 33).

“Agora, porém, vou para junto de Ti e digo isso ao mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. Eu lhes dei tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. Não peço que os tireis do mundo, mas que os guarde do maligno. Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade: tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E, por eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade; Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um  Como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim.

Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes conheceram que tu me enviaste. Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhece-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”  (Jo 17, 13-26).

Da mesma forma, em sua epístola São João condena este mundo desta forma: “Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa com sua concupiscência; mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. (I Jo 2, 15-17). Na mesma carta repete algumas vezes tal condenação: “Não vos admireis irmãos, se o mundo vos odeia” (I Jo 3, 13); “Vós, filhinhos, sois de Deus e vós os vencestes. Porque o que está em vós é maior do que aquele que está no mundo”  (I Jo 4, 4); “E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo”  (I Jo 5, 4); “Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do maligno” (I Jo 5, 19).

São Paulo em suas cartas usa de linguagem semelhante para condenar o mundo: “...E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito”  (Rom 12, 2). “Renovar a mente” significa mudar de opinião, de mentalidade, com a mudança de vida. Em outra carta ele chama o mundo de “este século”: “Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste século? Deus não tornou louca a sabedoria deste século? Com efeito, visto que o mundo por meio da sabedoria não reconheceu a Deus na sabedoria de Deus, aprouve a Deus pela loucura da pregação salvar aqueles que creem” (I Cor 1, 20-21). Na mesma carta condena o mundo como possuído de loucura e fraqueza: “Vede quem sois irmãos, vós que recebestes o chamado de Deus; não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de famílias prestigiosas. Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura possa vangloriar-se diante de Deus” (I Cor 1, 26-30). Mas, não deixa de transmitir esperança em que este mundo mude: “Foi Deus que em Cristo reconciliou o mundo consigo”  (II Cor 5, 19);  “Com efeito, a tristeza segundo Deus produz arrependimento que leva á salvação e não volta atrás, ao passo que a tristeza segundo o mundo produz a morte” (II Cor 7, 10). Embora nada levemos deste mundo: “Pois nós nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma dele podemos levar”  (I Tim 6, 70).



[1] Teologia da Perfeição Cristã – Cap. II, “A luta contra o mundo” – Pe. Antonio Royo Marin

[2] Nota n. 367  do Catecismo: “Cf. Sto. Agostinho, De libero arbítrio, I, 1.2; Sto. Tomás de Aquino, S. Th. I-II,79.1.

[3] Nota n. 368 do Catecismo: “Cf. Sto. Agostinho, Enchir. 3,11: CCL 46, 53 (PL 40, 236)”.


domingo, 17 de maio de 2020

FASCÍNIO, UM DOS MEIOS EFICAZES PARA DOMÍNIO DA OPINIÃO PÚBLICA






O que é fascínio? Trata-se de uma atração. Não uma atração qualquer, mas um chamamento muito forte para determinada coisa, tão forte que se torna irresistível. Para tal atração se torna difícil resistir dado sua força de empuxe. Trata-se portanto de uma atração irresistível.
São Tomás disse que os símiles se alegram, se atraem (“Similis simili gaudet”) e em decorrência os opostos se repelem. Quer dizer que esta atração só é possível entre as pessoas que tenham alguma similaridade. Só funciona entre os bons, ou que possuam algo de bondade; ou entre os maus, ou que possuam algo de maldade. Mas o bom não fascina o mau, nem o mau fascina o bom, a não ser de uma forma imperceptível.
E toda atração supõe que haja uma inclinação preexistente. Inclinar-se é pender para determinada coisa. Como todos os homens possuem inclinações tanto para o bem quanto para o mal, o fascínio poderá exercer sua influência para um e outro a depender das inclinações recônditas da alma de cada um.
Assim, o homem se fascina pela música, pela dança, pela tecnologia, pelo gozo da vida, pela vida paradisíaca e é ao mesmo tempo atraído fortemente por todas estas coisas. a televisão, por exemplo, exerce um fascínio impressionante sobe as pessoas, a tal ponto que praticamente inebria seus espectadores. Existem pessoas que se fascinam pela sensualidade, pelo liberalismo extremado, pelo socialismo igualitário, outras pelo deboche, pela irreverência, etc. Há sempre um ponto de inclinação para onde as pessoas podem se fascinar.
Verificamos assim que as coisas revolucionárias aparentemente fascinam hoje mais fortemente do que as da Contra-Revolução. Elas adquiriram um poder de conquista no senso comum das pessoas, no modo de julgar o bom e o apetecível. De outro lado as coisas da Contra-Revolução tendem, por sua natureza, a se tornar árduas, insípidas e inapetecíveis. Para que a Contra-Revolução se defina e se propague ela terá que usar recursos pouco revolucionários, e hoje pouco fascinadores por si mesmos, como folhetos, livros, conferências, teatros, músicas clássicas, etc. Destes recursos alguns podem fascinar mais do que outros, mas eventualmente, e não todo o sempre.

O fascínio pessoal
Não há recurso de fascinação mais forte e eficiente do que as pessoas. O porte humano, a educação, a bondade, a circunspecção, o modo de falar, o modo de se vestir. Se fosse possível a um revolucionário fascinar os maus ele o faria por causa de seus cabelos desgrenhados, seu olhar sanguinolento, sua roupa esfarrapada e suja; o Contra-Revolucionário, pelo contrário, fascina os bons por causa de seu cabelo bem penteado, seu olhar casto, sua roupa limpa e decente. Se uma pessoa leva diversas outras a caminhar mais em direção da Revolução por causa de maus atributos pessoais, falta de educação, rispidez, indiscrição, etc., o Contra-Revolucionário levará para o campo oposto as pessoas que gostam de bons atributos, boa educação, finura de espírito, discrição em tudo.
Agora, se nós tivermos um grupo de pessoas que congregam as mesmas qualidades e espelham o mesmo espírito, elas conseguirão fascinar muito mais fortemente para si os demais atuando em conjunto do que agindo isoladamente. Um façanhudo revolucionário da França de 1789, ou mesmo um bolchevista de 1917, impressionavam mais pelo aspecto intimidador, causavam medo e terror, e "atraíam" mais pela força bruta. Um grupo de tais revolucionários em ação multiplica este predomínio intimidador. Esta “fascinação”  é falsa. Por isso é que a Revolução optou pela tática de fascinar pelo engodo, pelo orador labioso, pela música, pelo romantismo, pelo cinema, pela mídia encantadora e pela TV.
Para que os Contra-Revolucionários consigam fascinar eles terão que agir em grupo e fazer com que seu grupo se apresente na sociedade todo inteiro, manifestando-se com todas as suas boas qualidades e demonstrando uma coesão esplendorosa de seus atributos, de seu espírito, de sua maneira de ser. E os recursos utilizados para isto podem ser todos aqueles meios lícitos de se mostrar ao público: pela música, pela oração, pelo modo de se apresentar, pelos cerimoniais, etc.

O fim último: o amor a Deus
O fim último do fascínio deve ser o amor a Deus. Deus manifesta o Seu amor às criaturas fascinando-as. Se a Revolução fascina para afastar as pessoas do amor a Deus, a Contra-Revolução deve ter como fim último levar todos à prática deste amor. Mas para isto não é suficiente fazer conferências, pregar doutrinas e princípios. Basta que as doutrinas e princípios sejam coerentemente vividos pelos Contra-Revolucionários que as pessoas se sentirão atraídas fortemente, isto é, fascinados naquela direção. É intuitivo.
Não basta somente ensinar o que é a bondade, o que é a gentileza, o que é o cavalheirismo, a ortodoxia e a coerência de princípios doutrinários. Basta que nos modos, no linguajar, no vestir, na música, em todo o nosso ser, pratiquemos a bondade, a gentileza, sejamos cavalheiros e vivamos coerentemente de acordo com a doutrina e os princípios que defendemos, de dia e de noite, a todo o momento. As pessoas vão ver e se fascinar, dizendo: que maravilhoso! que beleza! fenomenal!

Primeiro passo: o maravilhamento, uma graça externa
O fascínio atrai, como se disse, irresistivelmente, como que arrasta as pessoas em determinada direção. Mas o primeiro passo para isso é causar maravilhamento.  Um centurião romano, São Pacômio, quando ainda era pagão voltava da guerra e teve que acampar com seus soldados próximos a uma localidade de cristãos. Tal foi o seu maravilhamento vendo o procedimento dos cristãos que pediu para ser um deles, tornando-se depois não só cristão, mas mártir e santo.
São Francisco de Sales diz que esta graça externa, que nós chamamos de maravilhamento, é um impulso ou comoção provocado por Deus nos corações das pessoas para excitá-los ao bem. E desta forma “como um vento sagrado, nos impele para a atmosfera do santo amor, move a vontade, e pela impressão de um certo gozo celeste (pode ser um flash?), enternece-a, dilatando e desenvolvendo a inclinação natural que ela tem para o bem, de forma que esta mesma inclinação lhe sirva de meio para prender o nosso espírito; e tudo isto, como já disse, se faz “em nós e sem nós”, porque é a graça divina que nos precede desta maneira”.[1]  Para que se cause tal maravilhamento é necessário um desdobramento de si mesmo, um crescimento, uma ascese tal, que somente um milagre para que possamos chegar a tal ponto. Mas aquilo que não conseguimos fazer sozinhos, isolados, poderemos atingir juntos, é claro que por uma graça divina toda especial dada por Nossa Senhora. E é tal a unção, o enlevo, o ar celestial que orvalha quando os Contra-Revolucionários estão juntos que irremediavelmente os outros se maravilharão. Poderão se maravilhar por causa dos rostos, das roupas, das vozes, das etiquetas ou até mesmo por verem o quanto sofrem abnegada e desinteressadamente, ou ouvindo falar sobre a cruz e as durezas da vida.  Depois de se maravilhar, caminhar juntos.

Diferença entre fascínio e admiração ou maravilhamento
O fascínio é uma atração, é o pender para determinado objetivo ou pessoa, é o caminhar irresistível em direção ao objeto de dileção. A admiração é apenas o pasmo, a contemplação enlevada pelo mesmo objeto, pessoa, ou algo que lhe digam respeito. O maravilhamento é a admiração cheia de entusiasmo.  Assim, alguém pode admirar mas permanecer estático e não ir ao encontro do objeto que contempla. Alguém pode admirar, por exemplo, a sinceridade de um seu inimigo. Isso ocorria até entre inimigos em guerra, como se conta o caso de um muçulmano que ordenou receber bem os soldados de São Fernando em frente a seu castelo porque o admirava como homem bravo e leal.
Ocorreu também com muitos adversários do Senhor Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, que era admirado até por seus inimigos, mas nenhum deles fascinou, ou se fascinou pelo Dr. Plinio, pôs-se logo em movimento o “anti-fascínio” para não mudar de comportamento. Fascinado, ele teria que ceder interiormente e se inclinar para o seu adversário, que é o primeiro passo para a conversão. Num segundo passo esta pessoa deve se entusiasmar e se maravilhar, mas somente o fascínio a fará acordar e caminhar em direção do objeto fascinador.   

O fascínio maravilha e arrasta
Por que? Porque o fascínio tem o condão de fazer caminhar, de atrair em direção dos fascinadores, fazendo com que os outros desejem ser semelhantes a eles.  Quando nasce o desejo vem depois a vontade e os passos seguintes em direção da conversão. São vários passos, mas aí tudo passa a depender da própria pessoa. Primeiro, desejar ser igual, ou pelo menos parecer com os Contra-Revolucionários; depois, desejar ser um deles e caminhar juntos na mesma Causa.
O fascínio faz-nos ter um comprazimento interior em contemplar espelhado em outrem o bem que amamos, uma espécie de gozo interior, uma alegria, um entusiasmo por ver aquele bem sendo posto em prática. 
É como se alguém estivesse dormindo e sonhasse com algo de fantástico e maravilhoso. Acorda e vê que aquele algo existe e está bem na sua frente. Mas para desfrutá-lo tem que sair de sua modorra sonolenta, levantar-se e ir em busca do bem que encontrou. Mas se achar alguém que lhe ajude a levantar-se pegando em sua mão, sua vontade será mais fortalecida e mais decidida.
Vejamos como São Francisco de Sales nos conta o exemplo da conversão de São Pacômio:
“São Pacômio, quando era ainda soldado muito jovem, e sem conhecimento de Deus, alistado sob a bandeira do exército que Constâncio levantara contra o tirano Maxêncio, veio com o regimento a que pertencia aquartelar-se perto duma pequena cidade, não muito distante de Tebas, onde não somente ele, mas todo o exército se achou em extrema penúria de víveres.
Tendo isto chegado ao conhecimento dos habitantes da pequena cidade, que por um feliz acaso eram fiéis a Jesus Cristo, e por conseqüência amigos e caritativos para com o próximo, imediatamente forneceram aos soldados tudo o que precisavam, mas com tanta solicitude, urbanidade e desvelo, que Pacômio, transportado de admiração, perguntou que nação era aquela, tão benévola, afável e generosa. Disseram-lhe que eram Cristãos, e inquirindo novamente sobre a lei e maneira de viver deles, soube que acreditavam em Jesus Cristo, Filho único de Deus, e que faziam bem a toda sorte de pessoas, com a firme esperança de receber uma ampla recompensa no Céu. Ah! Teotimo, o pobre Pacômio, apesar de sua boa índole, dormia ainda nesse tempo no leito da infidelidade; e eis que de repente, Deus bate à porta do seu coração, e pelo bom exemplo daqueles cristãos, como por uma doce voz, chama-o, acorda-o, e dá-lhe a primeira impressão do calor vital do seu amor.  Apenas ouviu falar, como acabo de dizer, da amantíssima lei do Salvador, cheio duma nova luz e consolação, retirou-se à parte, e refletindo algum tempo em si mesmo, levantou as mãos ao céu, e com um profundo suspiro, exclamou:  “Ó Senhor Deus, que fizestes o céu e a terra, se vos dignardes lançar os vossos olhos sobre a minha baixeza, e sobre a minha aflição, para me dardes o conhecimento da vossa Divindade, prometo servir-vos, e obedecer toda a minha vida aos vossos mandamentos”.  Depois desta súplica e promessa, o amor do verdadeiro bem e da piedade tomou um tal aumento nele, que nunca mais cessou de praticar mil e mil exercícios de virtude”.[2]
Mais adiante São Francisco de Sales comenta: “Por certo aquele transporte de admiração que ele teve, outra coisa não foi, senão o seu acordar, pelo qual Deus tocou, como o sol toca a terra, com um raio de luz, que o encheu dum grande sentimento de gozo espiritual”...[3] 
Quer dizer, São Pacônio fascinado, maravilhou-se; maravilhado encheu-se de entusiasmo, isto é, de Deus, da graça divina; cheio de entusiasmo, converteu-se; convertido, tornou-se santo.

Autor; Juraci Josino Cavalcante
(espero com este texto contribuir para que se possa entender como age a opinião pública e  até como  conquista-la)


[1] “Tratado do Amor de Deus”, de São Francisco de Sales”,  Liv. Apostolado da Imprensa, págs.. 104/105.


[2] Op. Cit.

[3] “Tratado do Amor de Deus”,  Liv. Apostolado da Imprensa, págs. 104/105.



terça-feira, 14 de maio de 2019

IRMÃ DULCE E A OPINIÃO PÚBLICA




Na primeiro edição após a morte da Irmã Dulce (13 de março de 1992) o jornal "A Tarde", de Salvador, publicava em primeira página uma foto da multidão que acorreu para homenagear o "Anjo Bom da Bahia", também chamada de “Anjo Bom do Brasil”. Foi o enterro mais multitudinário de toda a história da Bahia, e talvez do Brasil (calcula-se em mais de 300 mil pessoas que acompanharam o féretro). Qual a razão? Por ter sido uma freira dedicada exclusivamente ao exercício da caridade cristã, papel saliente das Ordens femininas, e por ter levado sua vocação ao grau de heroísmo, Irmã Dulce cativou o coração de uma grande multidão de fiéis. No estudo da vida dos santos muitos aspectos vão aos pouco sendo analisados e revelados: uma característica da futura Beata e Santa era a divulgação de seu trabalho perante o público. Segundo um estudioso de sua vida ela foi uma exemplar "marqueteira" de sua obra. E não o fez por promoção pessoal, isso não, pretendia simplesmente que seu trabalho fosse divulgado e com isso conseguisse mais apoio, mais ajuda para transformá-lo numa ação social de grande envergadura. Daí a razão de hoje encontrarmos muitas fotos dela, algumas muito importantes para se avaliar sua obra, embora muito antigas, datando das primeiras décadas de sua atividade pastoral.
Após a constatação do segundo milagre (um homem cego há 14 anos recuperou a visão milagrosamente), a Beata será canonizada no segundo semestre deste ano.

A respeito do físico frágil e apequenado da Irmã Dulce, no entanto com uma alma tão grande e ardorosa, divulgamos abaixo os comentários do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira que (apesar de terem sido feitos a propósito de Dom Chautard, outra alma santa) se aplicam muito bem a ela:

"Se na era do romantismo a opinião pública se inclinava para as almas delicadas, subtis, frágeis, exageradamente delicadas, exageradamente subtis, diríamos exageradamente frágeis se a fragilidade já não fosse em si mesma um defeito e um exagero, em nossos dias, quando a luta pela vida da alma e do corpo impõe um esforço incessante, a admiração se volta mais freqüentemente para as almas poderosas, fortes, realizadoras, enérgicas. E, como tudo quanto é humano é sujeito a exagero, somos propensos não raras vezes a glorificar a força física dos boxeurs e atletas, ou a força quase hipnótica de certos ditadores, como valores absolutos e supremos.
Nisto, como em tudo, um sadio equilíbrio se impõe. E deste equilíbrio é mestra a Igreja Católica, fonte de toda virtude.Entre a força e a delicadeza de alma não há incompatibilidade, desde que uma e outra sejam retamente entendidas. E uma alma pode ao mesmo tempo ser delicadíssima sem nenhuma fraqueza e fortíssima sem nenhuma brutalidade".
(Extraído da revista "Catolicismo", n. 52, de abril de 1955)


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O ANJO DO BRASIL MOVE A OPINIÃO PÚBLICA?





Pouco se fala sobre o papel dos Santos Anjos na formação da opinião pública. O assunto é um tanto difícil de abordar porque envolve questões de Fé e não da ciência empírica. No entanto, analisando alguns fatos podemos verificar que não se compreende alguns deles sem que não tenha havido intervenção angélica. E, no caso que abordamos, visando influenciar a opinião pública.
Vamos analisar dois, ocorridos no Brasil nestes últimos dias. O primeiro deles foi o incêndio do Museu Nacional do Rio. e o segundo foi o atentado a Bolsonaro. Os personagens  que provocaram  os episódios são nada recomendáveis, pois é notório que o fogo se originou não somente de incúria e desleixo, mas de maldade mesmo, talvez  tenha sido até proposital, e o atentado ao candidato partiu de um fanático opositor. Alguns representantes do pensamento esquerdista chegaram até a aplaudir o incêndio, satisfeitos porque ali foi destruída a memória do que eles consideram um mal existente no nosso passado, enquanto outros também aplaudiram a tentativa de matar o candidato.
Tudo isso pesado, vejamos como ficou a opinião pública. Antes do incêndio do museu havia grande apatia da população pela memória histórica do nosso país. O incêndio, repentinamente, fez despertar grande interesse e zelo por tal memória, mudando em muitas pessoas a forma como via aquele patrimônio. Mas, a intenção dos revolucionários não era essa, é claro. A intenção foi destruir a memória material, enquanto que, por um movimento psicológico causado pelo trauma da tragédia, surgiu um despertar da opinião pública. Sem que ninguém tivesse sido o responsável por isso. A não ser, como analisamos aqui, o Anjo do Brasil.
Talvez até o fato tenha sido um sintoma de que esse Anjo tenha deixado aquele local, pois o fato demonstra que o fogo tenha sido obra mesmo dos anjos maus que tomaram seu lugar. E pra onde terá ido nosso Anjo? Não, os anjos não ocupam lugar material. Mas atuam sobre determinados lugares. Como ali estava representado materialmente o lugar de onde se originou nossa independência, tudo indica que o Anjo do Brasil atuava sempre ali na proteção de nosso povo. Mas, não é difícil para ele escolher outro lugar  para agir, como parece que foi o que ocorreu.
O segundo caso que vamos analisar foi a do atentado a um dos candidatos a presidente, ocorrido exatamente na Semana da Independência. Ora, a opinião pública que se formou em torno desse candidato é o substrato do que há de mais sadio em nosso pais, povo conservador e contrário aos ideais marxistas que a esquerda tanto defende. No entanto, essa opinião, mesmo sendo esmagadora maioria, não encontra eco na grande mídia, jornais, revistas, rádio e TV, assim como nas elites político-partidárias. Por exemplo, a esmagadora maioria é contrária ao aborto, mas não é secundada por tais órgãos oficiais que não a faz ouvir,
O candidato em questão, por representar o pensamento conservador, vem adquirindo grande popularidade nas redes sociais e com sua candidatura em ascensão.  Mas, não tem boa aceitação entre os partidos políticos e nas mídias oficiais. Por causa disso, o tempo disponível que ele possui para a propaganda partidária na TV não chega a alguns segundos.  De repente, numa manifestação que fazia em Minas Gerais, um fanático opositor o agride com um faca, pretendendo matá-lo. Após o atentado, todos os canais de TV e demais órgãos da imprensa foram obrigados a divulgar a grande afluência de público em torno do mesmo na ocasião em que noticiavam o ataque. Houve então um fato que comoveu toda a opinião pública e forçou tais órgãos a divulgar aquilo que eles não queriam. E se espalhou pelo país uma avalanche de apoios inesperados ao candidato, fortalecendo mais ainda sua campanha política. Não estamos analisando aqui o candidato em si, mas a opinião pública que o apóia.
No entanto, o autor do atentado, sendo um delinqüente, está  longe de ter tido pretensões de promover o candidato. Pelo contrário, ao matá-lo o tiraria definitivamente do pleito. Muitos dos que o aplaudem também não imaginam que contribuem para aumentar a opinião pública favorável a Bolsonaro. Assim, nosso Anjo protetor permite que alguns maus espíritos atuem em alguns lugares, através de algumas pessoas, e até contra algum expoente bom da opinião nacional, mas cujo efeito é o crescimento mais ainda da opinião conservadora no Brasil.
Estamos assim perante dois fatos que demonstram que os Santos Anjos também atuam na formação da opinião pública. E, no caso, a fim de crescer mais ainda o pensamento sadio de nosso conservadorismo, que é a essência de nossa sociedade mas é ocultada pelos órgãos da mídia oficial.