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sábado, 4 de outubro de 2025

O QUE FALTA AO BRASIL PARA SER UM COLOSSO?

 



  


 

 

Na segunda semana de agosto de 1995, recebeu Dr.  Plínio um pedido de seus discípulos, especialmente dos mais jovens, de que tecesse comentários ilustrativos da doutrina exposta em seu livro “Revolução e Contra-Revolução”, ou “R-CR”, como costumava chama-lo abreviadamente.

Dr. Plínio atendeu com afabilidade o pedido, começando por comentar os dizeres da página anterior, constantes na introdução da obra, escrita em 1959.

Falando especialmente de sua Pátria, para a qual sempre desejou a única verdadeira grandeza – a de professar unanimemente e com seriedade a religião Católica Apostólica Romana -, as palavras transcritas a seguir foram as últimas dirigidas a seus compatriotas nua reunião plenária, cerca de 20 dias antes de ser prostrado pela doença que o levaria à morte em 3 de outubro daquele ano.

 Notem a razão dessa afirmação (o período transcrito na página anterior) (*). Ela não é solta no ar. O Brasil possui uma extensão territorial imensa, equivalente, no conjunto latino-americano, às dimensões dos Estados Unidos na América do Norte, ou à vastidão russo-eslava na Europa e Ásia. Isso significa uma superfície colossal.

Além de senhores dessa magnitude geográfica, os brasileiros se dizem habitualmente católicos. Sê-lo-ão na realidade? Se o forem, então nosso país passa a ser uma potência enorme, à vista de todo o prestígio que ele terá no meio católico. E depois, em virtude deste prestígio, uma potência que tende ao mundial. Pois, quase que pelo simples fato de existir – quase, ou seja, não de maneira completa – o Brasil é um colosso.

Esta asserção entre pelos olhos, mas levanta uma outra indagação: “Por que o Brasil não é esse colosso? O que lhe falta para ser essa eminência?”

Surge então a pergunta essencial: “Qual é a grave lacuna do Brasil? Qual o seu grande problema?”

Eis a questão a respeito da qual, fundamentalmente, foi escrita a “R-CR”.

 

Tudo crescia no Brasil, menos o amor a Deus

Em alguns espíritos talvez se levante a seguinte interrogação: “Por que é tão importante se conhecer a causa desse não-colossismo do Brasil?”

Eu respondo: pela simples razão de que só se pode retificar o mal corrigindo as suas causas.

Assim, devemos considerar que é dado ao Brasil crescer muito em riqueza, e no tempo em que a “R-CR” foi escrita, de fato ele vinha dilatando suas riquezas. Por toda parte as estradas de ferro e de rodagem, as vias fluviais, as comunicações por transportes aéreos, etc., iam se expandindo, de modo a entusiasmar. Entretanto, esse gigante não se colossificava.

Por quê? Porque no Brasil tudo aparentemente crescia, menos o amor a Deus. E, não se desenvolvendo esse amor, tudo permanecia parado, à espera do único fator que é a verdadeira causa de todo progresso.

Podia a nação sorrir de contentamento diante dos mais variados sinais de avanço e modernidade. Novas cidades, novos centros comerciais e industriais desabrochavam aqui, lá e acolá. Entretanto, uma coisa é positiva: apesar de tudo isto, o florescimento das vias de piedade estava estancado. Sobretudo achavam-se estagnadas a virtude da Caridade, a devoção a Nossa Senhora, à causa católica no que ela tinha de mais profundo.

 

O declínio das Congregações Marianas

Com efeito, o que no Brasil havia de mais essencial, de mais vibrante e de mais cheio de seiva católica, não só não crescia, mas decrescia: era o movimento das Congregações Marianas.

Por uma misteriosa concatenação de causas – cuja análise suporia uma longa e inoportuna explicação – o Brasil conheceu uma imensa explosão de crescimento católico por ocasião das eleições para a Assembleia Constituinte de 1934.

Naquela época, existiam no país alguns partidos políticos inexpressivos, sem importância e sem verdadeiro peso no cenário nacional. O grosso da Nação desejava um Brasil Católico, Apostólico e Romano, em que as leis e doutrinas do Estado fossem todas conformes às doutrinas da Igreja, e no qual, de outro lado, os anseios da população se identificassem claramente com os anseios católicos.

Em suma, aparecera uma população sobretudo de jovens que queria um Brasil jovem, um Brasil onde tudo se pautasse pela Doutrina da Igreja, ativa e imperativamente, de maneira a ninguém ter a coragem de almejar o contrário. Esta grande aspiração coletiva se corporificou no movimento das Congregações Marianas, o qual, por sua vez, se corporificou de modo especial em algumas congregações de uma vitalidade particularmente intensa.

Quando vieram as eleições de 1934, esse desejo explodiu, e em todas as Congregações Marianas do país o que se pediu foi a marianização, a catolicização do Brasil. Antes de tudo, exigia-se a proibição do divórcio. Ainda não tínhamos essa iníqua lei, e os congregados batalhavam contra ela. A par dessa proibição, queriam eles também a imposição do ensino católico obrigatório.

Quer dizer, pelo que as leis do tempo estabeleciam, o Brasil deveria ter um ensino todo ele católico, seja no âmbito público como no particular. Por causa disso, nas escolas oficiais e extra-oficiais, a matéria ensinada deveria ser católica. Os professores dessas matérias deveriam ser católicos, e a medula do pensamento lecionado nessas matérias deveria ser o pensamento católico.

 

Penitenciárias de ontem e de hoje

O Brasil não se conformava, ainda, com a ideia de que nas suas penitenciárias públicas não houvesse o ensino oficial da doutrina católica para os prisioneiros, para aqueles que estavam assenhoreados pelo Estado. Se o tivessem, poderiam eles se capacitar da veracidade do Catolicismo. E então, a esses miseráveis prisioneiros, vítimas dos vícios da época e dos vícios da Nação, seria dada a oportunidade de se modificarem e de – pelo menos em grande número de casos concretos – passarem a praticar verdadeiramente a religião católica.

A esse propósito, lembro-me de uma ocasião em que visitei a penitenciária de São Paulo, na companhia de uma personalidade que era ali recebida oficialmente. Recordo que visitamos a penitenciária inteira, e depois fomos conduzidos pelo diretor a uma espécie de sala de concerto, na qual os prisioneiros se sentaram em cadeiras adequadas. Quando chegou o momento, o maestro da fanfarra da penitenciária começou a fazê-los cantar o arrependimento do mal que tinham feito, a tristeza que sentiam, a vontade de fazer o bem, e a pedir, por meio de orações a Nossa Senhora, que a Providência alterasse a eles no fundo do coração, regenerando-os. E que fizesse os filhos deles parecidos, não aos pais criminosos, mas ao contrário do mau exemplo que eles tinham dado, etc.

Enquanto se ouvia aquela música, impressionei-me vivamente, muito bem surpreendido com o que se cantava. Não tinha prestado atenção no visitante, nem no diretor da penitenciária. Quando olhei para os dois, eles choravam de emoção, de alegria e de vontade de que aqueles pedidos se realizassem, e que assim se remodelasse, até às suas profundidades, o nosso imenso Brasil.

Ora, quando se vai a uma penitenciária de hoje, o que se encontra?

Tráfico de drogas, defeitos de caráter moral de toda ordem, inclusive tendência de permitir a homossexualidade, alegando-se que dessa maneira a vida a dois se torna mais alegre para o homem. Sem mencionar a decadência do ensino religioso, quando há!

Mas, se fosse apenas isto, como seria feliz o Brasil!

Como o Brasil é infeliz... Hoje percebemos a degringolada e o tremendo desvio em que a estagnação de nosso amor a Deus lançou o país, impedindo-o de ser essa potência católica cuja ausência eu lamento logo nas primeiras páginas da “R-CR”.

 

“Tornamo-nos um colosso porque nos tornamos de Deus”

De tudo o acima dito, resta a conclusão de que devemos conhecer e combater o mal em virtude do qual o Brasil não é um colosso. Importa-nos saber que temos muitíssimos para sermos um colosso, mas que não o somos. E o que falta para sermos o que deveríamos ser, é aquilo que nós não temos, não possuímos, e que nos toca realizar em nós, dolorosa, esforçada e combativamente. Cumpre que, na vida de todos os dias, no modo de agir, de pensar, de progredir, todos os brasileiros entendam que devemos recolossificar-nos, por assim dizer. Devemos crescer, e crescer em  profundidade, em raízes, em sulco, em força, e não apenas em território, nem apenas em riqueza.

Assim, raiará para o Brasil o momento em que possamos dizer: “Tornamo-nos um colosso porque nos tornamos de Deus!”[1]

 

(*) – Eis o texto a que ele se refere:

“O estudo da Revolução e da Contra-Revolução excede de muito, em proveito, este objetivo limitado.

Para demonstrá-lo, basta lançar os olhos sobre o panorama religioso de nosso País. Estatisticamente, a situação dos católicos é excelente: segundo os últimos dados oficiais, constituímos 94% da população. Se todos os católicos fôssemos o que devemos ser, o Brasil seria hoje uma das mais admiráveis potências católicas nascidas ao longo dos vinte séculos de vida da igreja.

Por que, então, estamos tão longe deste ideal? Quem poderia afirmar que a causa principal de nossa presente situação é o espiritismo, o protestantismo, o ateísmo ou o comunismo? Não. Ela é outra, impalpável, sutil, penetrante como se fosse uma poderosa e temível radioatividade. Todos lhe sentem os efeitos, mas poucos saberiam dizer-lhe o nome e a essência”.

Mais adiante, ele, o próprio Autor, a define: “Esse inimigo tem um nome: ele se chama Revolução”.

(Extraído de “Revolução e Contra-Revolução”, Chevalerie Artes Gráficas e Editora Ltda, 1993, Introdução, págs. 4/5)

   

 



[1] Revista “Dr. Plínio”, n. 13, abril de 1999, págs. 22/26

quarta-feira, 17 de junho de 2020

PEQUIM HERDOU DE MOSCOU O PAPEL DE “FERA” ?






PEQUIM HERDA DE MOSCOU O PAPEL DE “FERA”

(Pequeno trecho de artigo publicado por Dr. Plínio Corrêa de Oliveira em janeiro de 1960, onde o mesmo analisa profeticamente o papel  que a China desenvolveria futuramente na propagação da Revolução em sua fase mais cruel, que é a difusão do comunismo no mundo. Note-se que tudo o que ele diz nesse artigo começou a ficar mais evidente uma década depois, quando Nixon foi à China e carreou fortunas de dinheiro para sustentar o comunismo naquele país)

Ora, a China é precisamente uma nação que em sua imensa maioria jamais foi cristã. Se bem que de seu glorioso passado imperial lhe advenham muitas tradições formalmente opostas ao comunismo, é preciso lembrar que o processo de ocidentalização a que ela já está sujeita há um século – arredondamos um tanto a cifra –, a proclamação da república, a penetração dos germes terríveis da Revolução que grassa no Ocidente, o espírito igualitário, laicista e sensual que infelizmente impregna quase tudo quanto a China vem importando, o prolongado período de guerras internas que abalaram todos os seus quadros sociais até a queda de Chang-Kai-Chec e o advento do comunismo, tudo enfim vem concorrendo de há muito para debilitar a resistência oposta pelas estruturas e tradições chinesas ao comunismo. Ademais, se é verdade que a Igreja tem prosperado muitas vezes (e nem sempre, note-se de passagem) com as perseguições, também é verdade que estas costuma destroçar tudo quanto não é católico. O protestantismo, por exemplo, sofreu um tremendo retrocesso com o nazismo, a igreja cismática foi quase aniquilada na Rússia bolchevista. Pois o que ali se encontra com esse nome é mais um fantasma suscitado pelos maquiavéis do Kremlin para efeitos de propaganda, do que propriamente uma seita religiosa.
Assim, o marxismo encontra, numa China em que sobre o velho tronco pagão se insere o venenoso enxerto neopagão, verdadeiramente uma terra de eleição.
De onde, engrandecer a China às expensas da Rússia é transferir gradualmente a preponderância para o pior dos elementos do mundo comunista.
Ora, é neste processo que está em curso no presente momento. Constitui ele o verso da medalha da "aproximação" da União Soviética com o Ocidente. A China comunista vai ocupando lentamente a Ásia. Infiltrou-se rumo ao sul, até fazer estremecer Singapura e a Austrália. Deglutiu o Tibet com uma selvageria de canibal. A Índia estremece diante dela. Em palavras mais breves, um continente quase inteiro está ameaçado com o crescer deste polvo. E o Micado, o Xá, o Rei da Jordânia ou o Generalíssimo Chang-Kai-Chec sentem que em breve estarão passando pelas mesmas aperturas de Nehru, senão do Dalai Lama.

(Plínio Corrêa de Oliveira – trecho do artigo “A Revolução em 1960”, publicado em janeiro daquele ano no jornal de cultura católica “Catolicismo”).



quinta-feira, 21 de maio de 2020

BAHIA: POESIA, HISTÓRIA E FÉ







Não há um brasileiro que, ao escutar comentários a respeito da Bahia, não experimente a sensação de ter ouvido algo semelhante a uma melodia tocada por um afinado instrumento musical. Vem-lhe à mente, de imediato, a idéia da Bahia dos sonhos, das poesias, dos maravilhosos panoramas marítimos; a Bahia dos oradores, dos literatos, de mil coisas! A Bahia de um glorioso passado, porque ela traz consigo toda uma história de fé católica heróica, perseverante, vitoriosa.
É um Estado repleto de belezas, com suas características que encantam a todos, com suas baianas idosas, o seu falar cantante, suas pitorescas ladeiras, sua gastronomia célebre, seus monumentos e artes admirados por gente do mundo inteiro. E esse charme da Bahia, mais do que em seus cenários e tesouros artísticos, reflete-se na alma do seu povo, herdeira de uma tradição cristã que escreveu uma das mais esplendorosas páginas da história de nosso País.
Com efeito, quando foi preciso que o Brasil afirmasse sua unidade de fé e seu patriotismo face ao invasor estrangeiro, soube a Bahia abraçar a missão de se erguer e defender tais valores. Coragem e denodo católicos que se coadunam de modo esplêndido com suas riquezas naturais e aquelas engendradas pelo talento de seus filhos.
Bahia florida, poética, retórica, eu a contemplei nas suas igrejas, nos seus conventos, em suas ruas estreitas e calçadas, nas rendas e nos coloridos dos trajes, das fachadas das casas, na suas praias que estão entre as mais espetaculares da Terra.
Sobretudo falo dessa Bahia antiga, remanescente de um Brasil anterior à Revolução Francesa, e que ainda conserva algo do que se poderia chamar o Ancien Regime brasileiro.
É essa Bahia, mais que a do progresso atual, que se deve compreender, amar e por ela ter entusiasmo, pois faz resplandecer melhor sua alma católica. Essa alma que, em seus maiores dias, não hesitou em manifestar um intenso amor a Deus, acima de todas as coisas neste mundo.

(Plínio Corrêa de Oliveira - Revista “Dr. Plínio”, n. 104, novembro de 2006, pp. 30/34)



terça-feira, 25 de junho de 2013

Por uma reforma moral


(A análise imparcial dos males da atual Constituição, feita por Dr. Plinio, caiu no ostracismo)

Discute-se a prerrogativa de um plebiscito com o objetivo de uma “reforma política”. Precisamos, realmente, de uma reforma política ou de uma “reforma moral?”

Alguns anos atrás, numa conferência para familiares de seus seguidores em São Paulo, Dr. Plínio foi solicitado a dar uma sugestão para melhorar a situação do Brasil. Como hoje, várias perguntas eram feitas naquela época: o que fazer para diminuir a criminalidade? O que fazer para melhorar a moralidade pública? O que fazer, ou que lei deve ser aprovada, para fazer o Brasil sair deste caos e seguir seu rumo histórico de forma pacífica?

Para responder a tantas perguntas foi necessária uma só resposta, dada naquela época por Dr. Plínio:

- Na situação em que nos encontramos, nenhuma lei ou medida mudará o rumo do país. Uma lei só é necessária: que se cumpram os 10 de mandamentos da Lei de Deus e tudo o mais virá por acréscimo.

Isto é, se os políticos cumprirem os mandamentos divinos serão seguidos pela população; ou então, se a população em peso seguir tais mandamentos, os políticos, forçosamente, também o farão. Não há outra saída. A solução para todos é tornar-se verdadeiro cristão. As outras leis serão decorrentes do cumprimento da Lei de Deus. Se todos cumprissem os mandamentos divinos não haveriam corruptos, nem entre os políticos, nem entre a própria população; não haveria tantas violências e injustiças.

Falamos de reforma moral em vez de reforma política. Mas, um governo pode pleitear perante a população uma “reforma moral?” Pode. Nem tudo aquilo que um governante faz é baseado nas letras da Constituição. Há discursos sobre tantas coisas, sobre problemas nacionais os mais diversos, sem que estejam previstos na Constituição. Então, por exemplo, a convocação de uma cruzada por uma reforma moral pode ser feita por qualquer cidadão investido de qualquer cargo político. E, com certeza, seria bem aceita pela população. Seria como convocar todos para alfabetizar os ignorantes.

Mas, perdendo tempo em discussões inúteis e inócuas, a mídia convoca diariamente os melhores juristas para saber se é legítima a convocação de um plebiscito para a propalada “reforma política”. Se tais juristas, em sua maioria, cumprissem antes de tudo os preceitos morais, não haveria a menor dúvida entre eles do caminho a seguir. Pois a lei existe em função de regras morais vividas pela sociedade; estas regras estão na base de tudo, sem elas nem existiria a nação.

No entanto, a Suprema Corte decide não em função das leis morais, mas da letra escrita na constituição; e, às vezes, até mesmo para atender pressões internacionais. E assim, aprovaram aberrações imorais como o casamento homossexual e a expulsão de populações pacíficas e trabalhadores de terras tidas como “indígenas”, experiências com embriões humanos, libertação de criminosos, etc. Há mais, mas citei apenas algumas das aberrações que o STF,tem aprovado nos últimos anos. Tudo isso para fazer eco a alguns ávidos por mudanças que não são, nem de longe, os anseios de nosso povo. Há suspeitas fundadas de que todas essas medidas foram aprovadas sob pressão da própria ONU, o órgão que mais promove o aborto, o casamento homossexual e tantas aberrações morais que campeiam no mundo de hoje.

Os últimos protestos se dirigem também contra uma organização internacional, a FIFA, por querer mandar no Brasil, mas não se fala contra a ONU, uma organização espúria que tem feito tanto mal ao nosso país com imposição de medidas legais que ferem profundamente o sentimento cristão de nosso povo. Por que os protestos não falam contra o aborto? Porque essa minoria que protesta também é destituída de sentimentos morais, nem se sabe exatamente o que eles representam ou o que querem.

Os princípios morais de uma “reforma política”

Em primeiro lugar temos que analisar onde se encontra a legitimidade do poder político. Eis algumas análises, sob o ponto de vista moral:

1. O povo pode escolher um político numa eleição, nomeia-o, aclama-o, mas não é quem lhe confere os poderes próprios ao cargo, como o de legislar ou de aplicar as leis: isso cabe à “carta magna” elaborada por uma elite de notáveis;.

2. O poder político só pode ser tirado por uma comissão de notáveis que tenha recebido tal prerrogativa (no mundo moderno, pelos deputados eleitos pelo povo). Isto é, pode eleger e colocar o político no cargo, mas na hora de tirá-lo só quem pode fazê-lo são seus pares políticos. É verdade que os que “cassam” mandatos políticos receberam do povo uma procuração para fazê-lo, mas aí temos dois pesos e duas medidas: para colocar o sujeito no cargo a eleição é feita pelo povo, mas para tirá-lo não é o povo que decide. Não seria justo que houvesse também uma “deseleição” para tirar o sujeito do cargo se este não cumprir o que lhe exigia o mandato? Esta idéia tão propalada de que a simples eleição criteriosa vai moralizar a vida pública não funciona, pois ela vem sendo pregada a tantos anos e não se vê o seu resultado prático.

3. A nossa Constituição não foi fruto dos anseios de nosso povo, mas de conciliábulos de uma minoria. Não há qualquer autenticidade de suas deliberações, porquanto muitas delas são contrárias aos sentimentos morais da nação. É por isso que causa até hoje tanta confusão. Há uma grande quantidade de artigos que estão indefinidos, a espera de que os políticos o façam; enquanto outros foram definidos de forma açodada e errada. Uma delas é a definição de família, tida como um simples ajuntamento de duas pessoas ou mais, quando, no senso moral de nossa população família é fruto de um casamento entre homem e mulher com seus respectivos filhos.

Uma boa lição de moral dos políticos para o povo brasileiro era se todos renunciassem a seus cargos e os pusessem a disposição; ou então se aceitassem pacificamente o fim dos partidos políticos, tidos como meros antros de formação de quadrilhas, e criassem um sistema de representação política através das classe sociais. Talvez fosse uma reforma revolucionária e única no mundo, uma lição para os políticos de outros países que sofrem os mesmos problemas de representatividade. Mas, não seria uma verdadeira reforma que atenderia os anseios de nossa população?

Que tipo de reforma vai ser submetida à apreciação do povo? Aquela que os anseios e necessidade de ordem e paz da população ou, mais uma vez, apenas para atender aos interesses dos grupos partidários?
Parece que a presidente perdeu uma boa oportunidade de manter alta sua popularidade, aliás, toda ela baseada em meras medidas demagógicas de assistencialismo social.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um povo à altura do Cruzeiro do Sul







Brasileiros de um espírito patriótico, alertado e atualizado! Brasileiros movidos pelo espírito cristão, indissociável de toda alma verdadeiramente brasileira!

Brasileiros aqui se congregam para afirmar perante o país que é bom pensar nas grandezas do futuro, que é necessário trabalhar para que o Brasil vá adiante no caminho de potência emergente que vai trilhando neste momento. Mais do que sonhar com um futuro grandioso, é preciso trabalhar para realizar e antecipar esse futuro.

Mas isso não basta. É preciso também lutar!

Porque a vida não é só feita de esperanças, a vida não é só feita de anelos: ela é feita também de riscos, ela é feita de aleivosias, ela é feita de perigos.

E ai do varão, ai do chefe de família, ai do chefe de empresa, ai do chefe civil, militar ou eclesiástico, que não tenha os olhos igualmente abertos para esse aspecto da realidade: o “inimicus homo” de que nos fala a Escritura, que ronda em torno de cada homem, em torno de cada setor da atividade social, em torno de cada nação do mundo contemporâneo, pronto para se atirar sobre ela, no momento em que encontre condições favoráveis para isso.
Atinge verdadeira grandeza o povo que une a luta ao trabalho
Nesta circunstância é bem certo que importa pensar também no perigo.
Mas, não me parece que o pensar no perigo e nos prepararmos para ele, congregarmos e o concitarmos os nossos concidadãos a lutar contra ele, seja algo dissociado das nobres preocupações da faina diária e da construção de um Brasil sempre maior.

Pelo contrário, professor de História que sou – habituado desde minha remota juventude a me debruçar sobre os fatos históricos á procura das Leis com que Deus pauta a existência, o porvir dos povos, e neles inscreve os sinais de sua Misericórdia e de sua Justiça -, sempre me chamou a atenção um fato que tem a sua projeção sobre a realidade natural, até no mundo animal, e até mesmo no vegetal.

Esse fato que a História ensina é o seguinte:
Não é verdade que atinge a grandeza, a grandeza efetiva, a grandeza durável, a grandeza plena, aquele povo que apenas trabalhou pela sua própria grandeza.
A grandeza é atingida, sim, pelos povos que trabalham, não há dúvida. A Providência na quer, nem abençoa, povos que não trabalham.
Mas a grandeza verdadeira se adquire quando, ademais, o homem – tomando conhecimento desta regra de que ele encontrará em seu caminho o adversário a agredi-lo na justiça de suas vias e na santidade de seus propósitos --, prepara-se para a luta, enfrenta a luta, confia na Providência e vence nessa luta!
Os povos que só são trabalhadores não chegam à verdadeira grandeza. Os povos só trabalhadores não alcançam a verdadeira grandeza.
Os povos que sabem aliar a luta ao trabalho, fazendo do trabalho uma luta e da luta um trabalho, entregando-se operosamente à luta e ardorosamente ao trabalho; os povos que sabem unir esses dois aspectos de sua atividade, esses povos, são o signo da Cruz, tornam-se verdadeiramente grandes.
As intempéries, as dificuldades, quanto maiores, tanto mais preparam uma nação para a sua grandeza, quando ela é grande ao enfrentá-las.

Pensando na grandeza do Brasil

E então eu penso no nosso Brasil...

No nosso Brasil de proporções continentais, habitado por um povo que – é bem verdade – a imigração tornou heterogêneo, mas que vai se amalgamando numa superior unidade de espírito, na qual a inteligência, a sutileza, a capacidade de trabalho e o desejo de progredir se afirmam dia a dia mais.

Eu penso nesse país e nesse povo, e penso comigo: quando o Brasil tomar para si esse dever de aliar luta e trabalho, qual será a sua grandeza?

Ninguém poderá dizê-lo.

Ele terá a grandeza de alma proporcionada ao vigor da luta que, no terreno psicológico como no terreno material, as circunstâncias lhe tenham imposto e ele saiba travar.

Ele terá, ao mesmo tempo, a grandeza de seu território, a grandeza de sua riqueza. Ele será um povo de lutadores, que saberá como nunca trabalhar. Ele será um povo de trabalhadores que soube provar que é formidável na luta.

Sobre ele, eterno, imutável, brilhará o Cruzeiro do Sul, que já Pedro Álvares Cabral viu quando as naus com signo de Cristo vieram aportar em nosso território.

E o Brasil de hoje, voltando-se para o Brasil de ontem, e voltando o olhar enlevado para o Brasil de amanhã, o Brasil de hoje, creio eu que, na afirmação uníssona de todos os nossos corações, poderá exclamar:

“Vivemos dias amargos. Mas, pela graça de Deus, soubemos ser grandes, à altura de nosso povo, de nosso território, à altura do Sinal da Cruz que está esculpido nos nossos céus!”



(Extraído da revista “Dr. Plínio”, nº 66. Setembro de 2003).