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sábado, 23 de novembro de 2024

SOLENIDADES DE TODOS OS SANTOS, FINADOS E O PURGATÓRIO

 



 Do século IV em diante, as Igrejas do Oriente celebravam uma festa comum a todos os mártires da terra. Santo Efrém compôs, para esta circunstância, um hino em que se via que em Edessa aquela festa estava fixada no dia 13 de Maio.

Na Síria, era celebrada na sexta-feira depois da Páscoa.

Numa homilia sobre os mártires, o grande São João Crisóstomo a ela se refere colocada no primeiro domingo depois de Pentecostes.

A festa dos Mártires de Toda a Terra, com o correr dos tempos, transformou-se na de Todos os Santos, instituída em honra da Bem-aventurada Mãe de Deus, a Virgem Maria, e dos santos mártires, pelo Papa Bonifácio IV, o pontífice Gregório IV, mais tarde, decretou que a festa, já celebrada de diferentes maneiras por diversas Igrejas, seria levada a efeito, com solenidade, em honra de todos os santos, perpetuamente.

A missa de Todos os Santos foi composta acidentalmente, mas é bela: O Introito de Santa Ágata, o Gradual de São Ciríaco, o Ofertório adaptado do de São Miguel alia-se à Alleluia e à Comunhão tirada dos textos evangélicos. O Evangelho é o das Beatitudes.

Quanto à colocação da festa a 1 de novembro, pensa-se quem como em todas as religiões as solenidades eram marcadas pelo ritmo das estações, que o cristianismo não tenha escapado a esta regra.

Entre os celtas, o 1 de novembro era dia de grandes solenidades. Foi a festa de Todos os Santos instituída para cristianizar as cerimônias tão queridas dos anglo-saxões e dos francos? Roma celebrava-a aos 13 de maio e somente a adotou a 1 de novembro depois que sofreu galicanas influências.

Rapidamente, a festa tornou-se popular, mais ainda quando completada com a comemoração dos fiéis defuntos.

Que bela festa! É como se Todos os Santos e Finados fosse uma só festa. Dum lado, a Igreja militante, sobre a terra, roga à Igreja triunfante do céu, e doutro lado, roga pela Igreja sofredora e paciente do purgatório. E as três Igrejas são uma única Igreja.

A caridade, mais forte do que a morte, uniu-as do céu à terra, e da terra ao purgatório, E é pelo mesmo sacrifício que nós agradecemos a Deus, a glória com a qual cumula os santos do céu, e imploramos a misericórdia para os santos do purgatório, santos ainda não perfeitos.

Tal sacrifício é Jesus mesmo, que santifica, uns e outros, de quem esperamos a graça de nos santificar a nós mesmos. Assim, todos se reúnem em vós, ó Jesus! Somos felizes!

Eu vos saúdo, ó bem-aventurados amigos de Deus, santos de todos os séculos e de todos os lugares do mundo! Regozijamo-nos, e muito, de tão inumerável multidão de santos. Regozijamo-nos da benevolência de Deus, que vos tem no purgatório, misericordioso, e na glória, os que tem no céu: unimo-nos a vós para louvá-lo e bendizê-lo por todo o sempre. Uni-vos vós a nós também: assim podereis obter-nos da misericórdia de Deus a graça de vos imitar. Sabeis, pela experiência, o que somos nós, os homens: fracos, miseráveis, levados ao mal, cercados de perigos por todos os lados. E qual é nosso maior inimigo? Ah., nosso maior inimigo somos nós mesmos! Rezai, pois, pedi por nós, bons e santos irmãos, a fim de que, logo, sejamos como sois; a fim de que, como vós sejamos doces e humildes de coração; a fim de que, como vós, nos conheçamos a nós mesmos; rezai, pedi para que saibamos carregar nossa cruz; para que sigamos o divino Mestre, até que, afinal, todos a vós nos reunamos, para amá-lo e bendizê-lo de todo o coração e para todo o sempre.

Considerai, ó almas, a grande, imensa profissão de santos que avança através dos séculos, da terra ao céu, que iremos engrossar, se Deus quiser.

O primeiro, aquele que rompe à frente, é o primeiro homem que foi morto sobre a terra - Abel. Abel, que Nosso Senhor mesmo canonizou, dando-lhe o nome de justo, no Evangelho. Foi Abel, a um só tempo, pastor, sacerdote e mártir.

Pastor de ovelhas, oferece-as, como sacerdote, em sacrifício a Deus. Ele, que imolava, foi imolado como mártir, por Caim, seu irmão. Embora morto, fala ainda pelo sangue. Símbolo de Jesus Cristo, é como o porta-cruz da grande procissão. E, do mesmo modo como se faz na procissão de domingo de Ramos, entrará na igreja do céu, quando Jesus Cristo, o sacerdote por excelência, abrir de par em par as portas da cruz, a sua cruz e, pelo sangue, o seu sangue. Símbolo de Jesus Cristo, pelo sacrifício e pela morte, ele o é ainda pelo caráter de ressurreição. Porque Eva nos ensina que Deus lhe deu Seth para ser substituto da primeira sociedade.

Depois de Abel, o primeiro justo, vem-lhe no encalço pai e mãe, nossos primeiros pais. Porque, logo que compreenderam a voz de Deus, Adão e Eva deixaram de ter duro o coração. Esperança, desde então, dos Filhos da mulher, que devia esmagar a cabeça da serpente, fizeram penitência das faltas e obtiveram o perdão. O Espírito Santo diz-nos, ele mesmo, na Escritura, que a Sabedoria, que é Jesus Cristo, que atende duma extremidade à outra com poder e a tudo com doçura dispõe, tira do pecado aquele que foi criado pelo pai do mundo e lhe dá a virtude de dominar todas as coisas.

Tais palavras, tiradas do livro da Sabedoria, são uma como canonização. Ainda hoje, as tradições orientais falam da longa penitência do primeiro homem.

Na ilha de Ceilão há uma alta montanha com o nome de Pico de Adão, onde se pretende que o primeiro homem chorou amargamente a falta através dos séculos, Uma tradição particular dos judeus quer que o velho Adão esteja sepultado em Jerusalém, no lugar mesmo onde o novo Adão reparou o mal das gentes. Afinal, no segundo século da era cristã, um espírito excessivo sustentou que Adão foi condenado, por toda a Igreja pelo erra que cometera.

A santa Escritura mesma, canonizou um dos primeiros ancestrais que vivia ainda: Henoc, pai de Matusalém. O livro dos Gênesis diz-nos: "Henoc caminhou com Deus."

O apóstolo São Judas dizia dos ímpios que blasfemavam contra o Evangelho: Henoc, o sétimo depois de Adão, dele profetizou, quando disse: Eis que vem o Senhor com os santos para exercer o julgamento de todos os homens, e tomar dentre eles todos os ímpios, ímpios de todas as impiedades e de todas as palavras duras que tais ímpios pecadores contra Ele proferiram.

São Paulo, o Doutor dos Gentios, disse, na Epístola aos hebreus: Pelo mérito da fé, Henoc foi elevado, para que não visse a morte; não mais foi visto, porque Deus o transportou alhures. Presume-se que para o paraíso, para um lugar de delícias, cheio dos frutos da arvora da vida, dos quais se alimenta.

Crê-se, geralmente, que no fim dos séculos, no fim do mundo cristão, Henoc virá como representante do mundo primitivo, com Elias, representante do mundo judaico, prestando testemunho do Cristo contra o inimigo capital.

Outro santo, do qual todos descendemos, aparece na procissão, na grande procissão: Noé, profeta e pregador do mundo antigo, pai e pontífice do mundo novo, que nos salvou do dilúvio por meio da arca, símbolo da Igreja católica. Foi canonizado. Vemo-lo no Gênesis, no livro da Sabedoria, no Eclesiástico, em São Pedro nas duas epístolas e em São Paulo na epístola aos hebreus.

São Pedro chama-o, na segunda epístola, o oitavo pregador da justiça, o que dá a entender que os outros oito ancestrais nossos, antes do dilúvio, pregaram também a justiça e a penitência.

Ao sair da arca, o segundo pai do gênero humano, como sacerdote, e pontífice, a Deus ofereceu um sacrifício - e Deus teve-o por agradável, dando a palavra de não mais amaldiçoar a terra e os homens, que deviam multiplicar-se.

Deus abençoou Noé e os três filhos: abençoou-os e, neles, todo o gênero humano e, neles, nós mesmos. Não só nos abençoou, quando os ancestrais abençoou, senão que fez conosco uma aliança, como com quem quer que eleve e da benção, dá-nos o arco-íris com as doces nuanças.

Há coisa mais consoladora ainda. Os contemporâneos de Noé perderam a vida do corpo no dilúvio: não encontraram, porém, a vida, a salvação da alma? São Pedro diz: "Com efeito, é melhor sofrer se Deus assim quiser, fazendo bem, que fazendo mal porque também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo, pelos injustos, para nos oferecer a Deus, sendo efetivamente morto segundo a carne, mas vivificado pelo Espírito. No qual ele também foi pregar aos espíritos que estavam no cárcere, espíritos que outrora foram incrédulos, quando nos idas de Noé a paciência de Deus estava esperando a sua conversão, enquanto se fabricava a arca."

Os mais doutos e os mais célebres intérpetres entendem, de comum acordo, que os contemporâneos de Noé não acreditavam nas predições do dilúvio, estribados na paciência de Deus: quando, então, viram a realização das predições, o mar transbordando numa fúria incontida e as chuvas caindo em torrentes, creram e arrependeram-se.

O dilúvio destruiu-lhes os corpos, mas salvou-lhes as almas. Estavam todos detidos nas prisões do purgatório quando Jesus Cristo, morto na carne sobre a cruz, apareceu, no espírito - ou na alma - pregando-lhes, anunciando-lhes a boa-nova; era-lhes o Salvador. Findavam-se-lhes as penas, e, então, com os santos patriarcas, acompanhá-lo-iam na entrada triunfante no céu.

Ah! Quem não louvará a grande, imensa bondade de Deus, todo Ele votado à salvação das almas, para isto se servindo das mais terríveis calamidades, que lhe vem da justiça? Quem não votará a tão bom Pai a mais irrestrita confiança, vendo que os mesmos lhe haviam por tão longo tempo abusado da paciência, não se convertendo senão na última hora, não lhe imploraram em vão a misericórdia?

Atrás de Noé e dos Santos do primeiro mundo, vemos, na grande procissão, Abraão, Isaac, Jacó, Melquisedec, Jó, José, e os demais patriarcas: Moisés, Aarão, Josué, Eleazar, Gedeão, Samuel, Davi, Isaías, Daniel, os outros profetas, os Macabeus e todos os anciãos justos dos quais fala São Paulo aos hebreus, "que, pela fé, conquistaram reinos, consumaram os deveres da justiça e da virtude, receberam o prometido das promessas, fecharam a fauce dos leões, detiveram a violência do fogo, evitaram o fio das espadas, curaram-se de doenças, encheram-se de coragem e de força nos combates, pondo em fuga exércitos estrangeiros; mulheres houve, até, que recuperaram ressuscitados os mortos; uns foram torturados, não querendo o resgate, para alcançarem melhor ressurreição; outros sofreram ludíbrios e açoites e, além disso, cadeias e prisões; foram tentados, foram passados a fio de espada, andaram errantes, cobertos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, angustiados, aflitos; eles, de quem o mundo não era digno, tiveram de andar errando pelos desertos, pelos montes, pelas covas e pelas cavernas.

E todos esses louvados por Deus, com o testemunho prestado `sua fé, não receberam imediatamente o objeto da promessa, tendo deus disposto alguma coisa melhor para nós, a fim de que eles, sem nós, não obtivessem a perfeição da felicidade.

Por isso nós também, cercados por tão grande nuvem de testemunhas, deixando todo o peso que nos detém e o pecado que nos envolve, corramos com paciência na carreira que nos é proposta, pondo os olhos no autor e consumador da fé, Jesus, o qual, tendo-lhe sido proposto gozo, sofreu na cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus.

Em verdade não vos aproximastes do monte palpável e do fogo ardente, do turbilhão, da obscuridade, da tempestade, do som da trombeta, e daquela voz tão retumbante, que os que ouviram suplicaram não se lhes falasse mais.

Vós, porém, aproximaste-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, Da Jerusalém celeste e da multidão de muitos milhares de anjos, da igreja dos primogênitos, que estão inscritos o céu, e de Deus, juiz de todos, e dos espíritos dos justos perfeitos, e de Jesus, mediador da nova aliança, e da aspersão daquele sangue que fala melhor que o de Abel. Nestas palavras do Apóstolo vemos o conjunto da procissão, incluindo os anjos que vem atrás. A primeira parte espera que Jesus lhes abra a porta do céu, e, além num angélico cortejo, as criancinhas que por Ele morreram em Belém e nos arredores. Em seguida, lá está a santa Mãe. Ei-la, lindíssima, com os apóstolos, os mártires, as virgens, e a inumerável multidão de santos de todos os clãs, línguas, sexo, estados, de todos os séculos, de todos os países.

Não nos esqueçamos de saudar, na imensa procissão, os santos do país, de nosso tempo, de nosso família, porque não há família cristã que não tenha santos canonizados antecipadamente por Nosso Senhor. Não disse Ele aos apóstolos: Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino do céu? E então? Qual a família que não tem um pequenino morto, morto na graça do batismo? Lá estão todos no céu.

Perguntaram os apóstolos a Nosso Senhor: "Mestre, quem será grande no reino dos céus?" Jesus puxando para si uma criancinha, abraçou-a, terna, comovidamente, e respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, que se não vos converterdes nem vos fizerdes como esta criança, não entrareis no reino dos céus. Aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, esse será grande no reino celeste". Honremos, pois, esses pequenos santos de nossas famílias, esses grandes do eterno reino. Invoquemo-los mesmo, a fim de que nos obtenham a permissão de participar da grande, imensa, procissão. E que, saídos da terra, entremos no céu, na glória de Deus. Assim seja.

  

COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS


Vimos que a Igreja triunfante do céu, a Igreja militante da terra e a Igreja sofredora do purgatório, paciente, nada mais são que uma só e mesma Igreja; que a caridade, mais forte que a morte as uniu do céu à terra, e da terra ao purgatório. São como três partes duma só e mesma procissão de santos, procissão que avança da terra ao céu.

As almas do purgatório participarão daquela procissão um dia. Sim, porque ainda não tem, bem brancas, as vestimentas de festa, a roupa nupcial ainda guarda nódoas, aquelas nódoas que somente o sofrimento limpa.

Vimos, então, como os contemporâneos de Noé, aqueles que não fizeram penitência senão no momento do dilúvio foram encerrados em prisões subterrâneas, até que Jesus Cristo lhes aparecesse, anunciando-lhes a libertação, quando de sua descida aos infernos.

Como os fiéis da Igreja triunfante, os fiéis da Igreja militante e os fiéis da Igreja sofredora e paciente, são membros dum mesmo corpo - que é Jesus Cristo - e tanto uns como outros participam, interessam-se, condoem-se da glória, dos perigos, dos sofrimentos duns e doutros, tal qual os membros do corpo humano. Vejamos um exemplo: o pé está em perigo de saúde ou sofre dores: todos os membros do corpo jazem em comoção. Os olhos olham-no, as mãos protegem-nos, a voz chama por socorro, para afastar o mal ou o perigo. Uma vez afastado o mal, regozijam-se todos os membros.

É o que acontece com o corpo vivo da Igreja universal. E vemos os heróis da Igreja militante, os ilustres Macabeus, assistidos pelos anjos de Deus e pelos santos de Deus, especialmente pelo grande sacerdote Onias e pelo profeta Jeremias, rogar e oferecer sacrifícios por esses irmãos que estavam mortos pela causa de Deus, mas culpados desta ou daquela falta.

No dia seguinte, depois duma vitória, Judas Macabeu e os seus surgiram para retirar os mortos e depositá-los no sepulcro dos antepassados e encontraram sobre as túnicas dos que estavam mortos coisas que haviam sido consagradas aos ídolos de Jamnia, que a lei proibia aos judeus tocar. Foi, pois, manifesto a todos que era por isso que haviam sido mortos. E todos louvaram o justo julgamento do Eterno, que descobre o que está escondido, e suplicaram-lhe que fosse esquecido o pecado cometido.

Judas exortou o povo a que se preservasse do pecado, tendo diante dos olhos o que viera pelo pecado dos que haviam sucumbido. E, depois de ter feito uma coleta, enviou a Jerusalém duas mil dracmas de prata, para que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado dos mortos, agindo muito bem, pensando que estava na ressurreição. Porque se não tivesse esperança de que os que vinham de sucumbir ressuscitassem um dia, seria supérfluo e tolo rogar pelos mortos.

Judas, porém, considerava que uma grande misericórdia estava reservada aos que estão adormecidos na piedade. Santo e piedoso pensamento! Foi por isso que ofereceu um sacrifício de expiação pelos defuntos, para que fossem livres dos pecados.

Tais são as palavras e reflexões da Escritura santa, segundo o texto grego, e as mesmas, mais ou menos, no latino.

Nosso Senhor mesmo adverte, bastante claramente, que há um purgatório, quando nos recomenda em São Mateis e São Lucas: "Conciliai-Vos com vossos inimigos (a lei de Deus e a consciência) enquanto estais em caminho para irdes ao príncipe, não seja que este inimigo vos entregue ao juiz, o juiz ao executor, e que sejais metido numa prisão. Em verdade vos digo, dela não saireis, enquanto não pagardes o último óbolo."

Segundo essas palavras, está bem claro que há uma prisão de Deus, onde se é arrojado por dívidas pras com sua justiça, e donde não se sai - senão quando tudo estiver pago.

Nosso Senhor, em São Mateus, disse-nos ainda: "Todo pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste século nem no futuro". Onde se vê que os outros pecados podem ser perdoados neste século e no futuro, como o livro dos Macabeus diz expressamente dos pecados daqueles que estavam mortos pela causa de Deus.

Do mesmo modo, no sacrifício da missa, a santa Igreja de Deus lembra os santos que com Ele reinam no céu, a fim de lhes agradecer pela glória e nos recomendar à sua intercessão. Doutro lado, suplica a deus que se lembre dos servidores e servidoras que nos precederam no outro mundo com a chancela da fé, dignando-se conceder-lhes a estadia no refrigério na luz e na paz.

A crença do purgatório e a oração pelos mortos acham-se em todos os doutores da Igreja, bem como nos ato dos mártires, notadamente nos atos de São Perpétuo, escritos por ele mesmo.

Todos os santos rogaram pelos mortos. Santo Odilon, abade de Cluny, no século XI, tinha um zelo particular pelo que dizia respeito ao refrigério das almas do purgatório. Foi movido pela compaixão, pensando no sofrimento das almas do purgatório que, adiantando-se à Igreja, ordenou se rogasse pelas almas, tendo, destinado para isso um dia especial. Eis como Santo Odilon animou tal instituição, começando pelas terras que lhes estavam afetas ao sacerdócio. (...)

Quanto ao purgatório, nada de certo se sabe. Eis porém, o que se lê nas revelações de Santa Francisca de Roma, revelações que a Igreja autoriza a crer, sem, entretanto, a elas nos obrigar.

Numa visão, a santa foi conduzida do inferno ao purgatório, que, igualmente está dividido em três zonas ou esferas, uma sobre a outra.

Ao entrar, Santa Francisca leu esta inscrição:

Aqui é o purgatório, lugar de esperança, onde se faz um intervalo.

A zona inferior é toda de fogo, diferente do inferno, que é negro e tenebroso. Este do purgatório tem chamas grandes, muito grandes e vermelhas. E as almas. Ali, são iluminadas, interiormente, pela graça. Porque conhecem a verdade, assim como a determinação do tempo.

Aqueles que tem pecado grave são enviados a este fogo pelos anjos, e aí ficam conforme a qualidade dos pecados que cometeram.

A santa dizia que, por cada pecado mortal não expiado, naquele fogo ficaria a alma por sete anos.

Embora nessa zona ou esfera inferior as chamas do fogo envolvam todas as almas, atormentam, todavia, umas mais que as outras, segundo sejam mais graves ou mais leves os pecados.

Fora esse lugar do purgatório, à esquerda, ficam os demônios que fizeram com que aquelas almas cometessem os pecados que agora expiam. Censuram-nas, mas não lhes infligem quaisquer outros tormentos.

Pobres almas! Fá-las sofrer mais, muito mais, a visão desses demônios do que o próprio fogo que as envolve. E, com tal sofrimento, gritam e choram, sem que, neste mundo, consiga alguém fazer uma ideia. Fazem-no, contudo, humildemente, porque sabem que o merecem, que a justiça divina está com a razão. São gritos como que afetuosos, e que lhes trazem certa consolação. Não que sejam afastadas do fogo. Não, a misericórdia de Deus, tocada por aquela resignação, das almas sofredoras, lança-lhes um olhar favorável, olhar que lhes alivia o sofrimento e lhes deixa entrever a glória da bem-aventurança, para onde passarão.

Santa Francisca Romana viu um anjo glorioso conduzir aquele lugar a alma que lhe havia sido confiada, à guarda, e esperar do lado de fora, à direita. É que os sufrágios e as boas obras que os parentes, os amigos, ou quem quer que seja, lhes fazem especialmente por intenção da alma, movidos pela caridade, são apresentados, pelos anjos da guarda, à divina majestade. E os anjos, comunicando às almas o que por elas fazemos nós, aliviam-nas, alegram e confortam. Os sufrágios e as boas obras que fazem os amigos, por caridade, especialmente pelos amigos do purgatório, aproveita principalmente a quem os faz, por causa da caridade. E ganham as almas e ganhamos nós.

As orações, os sufrágios e as esmolas feitos caridosamente pelas almas que já estão na glória, e que já não necessitam, revertem às almas ainda necessitadas, aproveitando a nós também.

E os sufrágios que se fazem às almas que jazem no inferno? Não os aproveita nem uma nem outra - nem as do inferno, nem as do purgatório, mas unicamente a quem os faz.

A zona ou região média do purgatório está dividida em três partes: a primeira, cheia duma neve excessivamente fria; a segunda, de pez fundido, misturado a azeite em ebulição; a terceira, de certos metais fundidos, como ouro e prata, transparentes. Trinta e oito anjos aí recebem as almas que não cometeram pecados tão graves que mereçam a região inferior. Recebem-nas e transportam-nas dum lugar a outro com grande caridade: não lhe são os anjos da guarda, mas outros que, para tal, foram obrigados pela divina misericórdia.

Santa Francisca nada disse, ou não a autorizou a dizê-lo o superior, sobre a mais elevada região do purgatório.

Nos céus, os anjos fiéis tem sua hierarquia: três ordens e nove coros. As almas santas, que sobem da terra, ficam nos coros e nas ordens que Deus lhes indica, segundo os méritos. É uma festa para toda a milícia celeste, mais particularmente para o coro onde a alma santa deverá regozijar-se eternamente em Deus.

O que Santa Francisca viu na bondade de Deus a deixou profundamente impressionada, sem que pudesse falar da alegria que lhe ia no coração. Frequentemente, nos dias de festa, sobretudo depois da comunhão, quando meditava sobre o mistério do dia, o espírito, arrebatado ao céu, via o mesmo mistério celebrado pelos anjos e pelos santos.

Todas as visões que tinha, submetia-as Santa Francisca de Roma à Mãe, Santa Igreja. E, pela mesma mãe, a Igreja, foi Francisca canonizada, sem que nada de repreensível se achasse nas visões que tivera.

Nós, pois, vos saudamos, ó almas que vos purificais nas chamas do purgatório. Compartilhamos as vossas dores, os sofrimentos, principalmente daquela dor imensa e torturante de não poderdes ver a Deus.

Ai de nós! Sem dúvida que há entre vós parentes nossos e amigos: sofrerão, talvez por nossa culpa. Quem dirá que não lhes demos, nesta ou naquela ocasião, motivos de pecar? Falta-lhes pouco tempo para que se tornem inteiramente puras. Que nos acontecerá, a nós que tão pouco velamos por nós mesmos? Almas santas e sofredoras, que Deus nos livre de vos esquecer jamais! 

Todos os dias, à missa e às orações, lembrar-nos-emos de vós todas. Lembrai-vos, pois, também de nós. Lembrai-vos, principalmente, quando estiverdes no céu. Como lá vos desejamos ver! Como no céu desejamos ver-nos convosco! Assim seja.

 (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p.111 à 118 e 129 à 137)  

 

 

 

 

terça-feira, 2 de novembro de 2021

O PAI NOSSO DE SANTA MATILDE

 

Santa Matilde (895-968) era filha de nobres e foi educada junto a um mosteiro beneditino. Casou-se com Henrique I, rei da Alemanha, mas soube resistir bem às tentações do poder. Teve cinco filhos, a quem procurou ensinar a fé cristã, e era também considerada como “a mãe do povo”, graças às obras que realizava em prol de muitos. Após a morte do marido, porém, seus filhos se deixaram levar pela ganância e acusaram a própria mãe de desperdiçar os bens com os pobres. Ela se retirou a um convento, de onde intercedia com oração e sacrifícios pela conversão dos filhos amados. Eles enfim tomaram consciência da injustiça que estavam cometendo, pediram perdão e retornaram aos princípios do Evangelho. Matilde continuou ajudando ainda mais pessoas pobres até partir para o Reino verdadeiro no ano de 968. Sua festa celebra-se a 14 de março.

Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima a fim de que Ela servisse para a libertação das Almas do Purgatório, com a remissão dos seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que Eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou a Santa Matilde as intenções do Pai Nosso Pelas Almas. E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de Almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de Almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres Almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU

 Peço-Vos humildemente: Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, que perdoeis às Almas do Purgatório, por não Vos terem amado nem prestado toda a honra que Vos é devida, a Vós, Seu Senhor e Pai, que por pura graça as adotastes como Vossas filhas. Pelo contrário, por causa dos pecados, fecharam os seus corações onde Vós queríeis habitar para sempre. Em reparação destas faltas, ofereço-Vos o amor e a veneração que o Vosso Filho Encarnado Vos testemunhou ao longo da Sua Vida terrestre e ofereço-Vos todos os atos de penitência e de reparação que Ele cumpriu e pelos quais apagou e expiou os pecados dos homens.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome: elas pronunciaram-No muitas vezes distraidamente e tornaram-se indignas do nome de cristãos pela sua vida de pecado. Em reparação das faltas que cometeram, ofereço-Vos toda a honra que o Vosso Filho Bem Amado rendeu ao Vosso Nome, por palavras e atos ao longo de toda a Sua Vida terrestre.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório porque não procuraram nem desejaram o Vosso Reino, com intenso fervor e empenho, este Reino que é o único lugar onde reina o verdadeiro repouso e a paz eterna. Em reparação pela indiferença em fazer o bem, ofereço-Vos o desejo do Vosso Divino Filho através do qual Ele quis ardentemente torná-las, a elas também, herdeiras do Seu Reino.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não se terem sempre submetido com devoção à Vossa Vontade. Elas não procuraram cumprir a Vossa Vontade em todas as coisas e muitas vezes cederam a agiram fazendo unicamente a sua própria vontade. Em reparação da sua desobediência, ofereço-Vos a perfeita conformidade do Coração cheio de Amor do Vosso Filho à Vossa Santa Vontade e a submissão total que Ele Vos testemunhou obedecendo-Vos até à Sua Morte na Cruz.

 O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não terem recebido sempre o Santo Sacramento da Eucaristia com intenso desejo. Receberam-No muitas vezes sem recolhimento, sem amor, ou indignamente ou mesmo negligenciando recebê-Lo.Em reparação de todas estas faltas que cometeram, ofereço-Vos a plena santidade e o grande recolhimento de Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Divino Filho, bem como o ardente amor,através dos quais nos ofereceu este dom incomparável.

 PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório todas as faltas de que se tornaram culpadas sucumbindo aos sete pecados capitais etambém quando não quiseram amar, nem perdoar aos seus inimigos. Em reparação de todos estes pecados, ofereço-Vos a Oração cheia de Amor que o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor dos seus inimigos quando estava na Cruz.

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, porque muitas vezes não resistiram às tentações e paixões, mas seguiram o Inimigo de todo o bem e abandonaram-se às fraquezas da carne. Em reparação de todos estes pecados em múltiplas formas, dos quais se reconhecem culpadas, ofereço-Vos a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe ao mundo assim como a Sua Vida Santíssima, o Seu trabalho e penas, o Seu sofrimento e a Sua Morte crudelíssima.

 MAS LIVRAI-NOS DO MAL

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, livrai-nos de todos os flagelos, pelos méritos do Vosso Filho Bem-Amado e conduzi-nos, bem como às Almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória eterna, que se identifica conVosco.

Amen

(Extraído de http://www.paroquias.org/oracoes/?o=143

https://pt.aleteia.org/2018/11/20/o-pai-nosso-que-jesus-ensinou-a-santa-matilde-pelas-almas-do-purgatorio/ 

 




domingo, 1 de novembro de 2020

TRÊS HORAS NO PURGATÓRIO

 




 “Sol de Fátima” publicou o testemunho de Frei Daniele, companheiro inseparável do Padre Pio. Este interessante relato sobre a experiência de Frei Daniele e o Purgatório, e posterior ressurreição do mesmo, foi transformado em livro pelo Padre Remigio Fiore, cujo título é, em italiano, “Omagio a Fray Daniele”. Aprovação eclesiástica de Monsenhor Serafino Spreafico, bispo capuchinho, em 29.7.1998, Convento de Santa Maria de las Gracias, San Giovanni Rotondo Foggia.

 Eis a tradução do relato de Frei Daniele, extraído do italiano.

 “Tenho levado minha vida fazendo o trabalho que me correspondia: de porteiro, sacristão, pedir esmolas e cozinheiro. Com freqüência saía com a mochila às costas para pedir esmolas de porta em porta. Fazia compras todos os dias para o convento. Todos me conheciam e me queriam bem. Sempre que comprava alguma coisa me faziam descontos, e aquelas poucas liras que recolhia, em vez de entregá-las ao superior as conservava para a correspondência, minhas pequenas necessidades e também para ajudar os militares que batiam à porta do convento.

Logo depois da guerra, encontrava-me em San Giovanni Rotondo, minha terra natal, no mesmo convento do Padre Pio. Pouco tempo depois comecei a sofrer algumas dores no aparelho digestivo e fui a uma consulta médica, e o médico me diagnosticou um mal incurável, um tumor.

Pensava já na morte e fui contar tudo ao Padre Pio, o qual – depois de me haver escutado – bruscamente me disse; “Opera-te!” Fiquei confuso a reagindo lhe disse: “Padre, não me vale a pena. O medico não me deu nenhuma esperança. Agora sei que devo morrer”.  “Não importa o que te disse o médico: opera-te, porém em Roma em tal clínica e com tal professor”.

O Padre me disse isto com tal força e com tanta segurança que lhe contestei: “Sim, Padre, o farei”. Então ele me olhou com doçura e, comovido, acrescentou: “Não temas, estarei sempre contigo”.

Na manhã seguinte saí de viagem para Roma, e estando sentado no tem percebi ao meu lado uma presença misteriosa: era o Padre Pio que mantinha a promessa de estar comigo.

Quando cheguei a Roma soube que a clínica era “Regina Elena” e que o professor chamava-se Ricardo Moretti. Pelo entardecer ingressei na clínica. Parecia que todos me esperavam, como se alguém houvesse anunciado minha chegada e me acolheram imediatamente.

Às 7 da manhã estava já na sala de operações. Prepararam-me a intervenção. Apesar da anestesia, permaneci desperto e me encomendei ao Senhor com as mesmas palavras que Ele dirigia ao Pai antes de morrer: “Pai, em tuas mãos encomendo meu espírito”.

Começaram os médicos a intervenção e eu ouvia tudo o que diziam. Sofria dores atrozes, mas não me lamentava, pelo contrário, estava contente de suportar tanta dor que oferecia a Jesus, já que aqueles sofrimentos purificavam minha alma de meus pecados. Instantes depois adormeci.

Quando recobrei a consciência disseram-me que havia estado três dias em coma antes de morrer.  Apresentei-me perante o Trono de Deus. Via a Deus, mas não como juiz severo, senão como Pai afetuoso e cheio de amor. Então compreendi que o Senhor havia feito tudo por amor, e fazia-o por mim desde o primeiro ao último instante de minha vida, amando-me como se fosse a única criatura existente sobre a terra.

Não obstante, dei-me conta também de que não somente não havia me mudado este imenso amor divino, senão que o havia descuidado totalmente. Fui condenado a passar duas ou três horas no Purgatório.

Mas, como? – perguntei-me – somente duas ou três horas? E depois poderei permanecer para sempre próximo a Deus, eterno amor? Dei um pulo de alegria e me senti como filho predileto. A visão desapareceu e encontrei-me já no Purgatório.

As duas ou três de Purgatório foram dadas sobretudo por havia faltado ao voto de pobreza, quer dizer, por haver conservado para mim umas poucas liras,como disse antes.

Eram umas dores terríveis que não sabia de onde vinha, mas as sentia intensamente. Os sentidos com os quais havia ofendido mais a Deus neste mundo, os olhos, a língua... experimentava muita dor e era uma coisa incrível porque ali embaixo, no Purgatório, a gente se sente se tivesse corpo e conhece ou reconhece aos demais como acontece no mundo.

Entretanto, embora não houvesse passado mais que alguns instantes com aquelas penas, parecia-me já que fosse uma eternidade. O que mais faz sofrer no Purgatório não é tanto o fogo – também muito intenso – mas aquele sentir-se afastado de Deus – e o que mais aflige é haver tido todos os meios a disposição para a salvação e não haver sabido aproveitar-se deles.

Foi então quando pensei ir a um irmão de meu convento para lhe pedir que rezasse por mim que estava no Purgatório. Aquele irmão ficou maravilhado porque sentia minha voz mas não me via, e me perguntou: “Onde estás, porque não te vejo?”

Insisti, e vendo que não tinha outro meio para chegar até ele, mas meus braços se cruzavam mas não chegava. Somente então dei-me conta de que estava sem corpo. Contentei-me com insistir para que rezasse muito por mim para que saísse do Purgatório.

Mas como? – dizia para mim mesmo – não deveria permanecer somente duas ou três no Purgatório? E já transcorreram trezentos anos? Pelo menos assim me parecia. De repente se me apareceu a Bem-aventurada Virgem Maria e lhe pedi insistentemente, lhe suplique, dizendo-Lhe:

“Oh Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, consegue-me do Senhor a graça de voltar à terra para viver e trabalhar somente por amor de Deus!”

Acudi também ao Padre Pio e igualmente supliquei-lhe: “Por tuas atrozes dores, por tuas benditas chagas, padre Pio, roga por mim a Deus para que me liberte destas chamas e me conceda continuar o Purgatório na terra”.

Depois não vi nada mais, ,mas me dei conta de que o Padre falava à Virgem. Alguns instantes depois se me apareceu novamente a Bem-aventurada Virgem Maria; era Santa Maria das Graças, mas estava sem o Menino Jesus, inclinou a cabeça e me sorriu. Naquele mesmo momento voltei a tomar posse de meu corpo, abri os olhos e estendi os braços. Depois, com um movimento brusco, libertei-me do lençol que me cobria. Estava contente, havia recebido a graça. A Santíssima Virgem havia me escutado.

Imediatamente depois, os que velavam e rezavam, assustadíssimos, se precipitaram para fora da sala a buscar enfermeiros e doutores. Em poucos minutos a clínica estava abarrotada de gente. Todos acreditavam que eu era um fantasma e decidiram fechar bem as portas e desaparecer, por certo temor aos espíritos.

Pela manhã seguinte levante-me e sentei-me numa cadeira. Apesar de que a porta estivesse cuidadosamente vigiada, alguns lograram entrar e me pediram que lhes explicasse o que me havia sucedido. Para lhes tranqüilizar, disse-lhes que estava chegando o médico de plantão, ao qual tinha que dizer o que me havia passado. Correntemente, os médicos não chegavam antes das dez, mas naquela manhã não eram nem sete, e disse aos presentes:

“Olhai que o médico está chegando; agora está abastecendo o carro em tal posto”.  Mas ninguém me acreditava. E eu continuava dizendo-lhes:

“Agora está atravessando a avenida, leva a jaqueta sobre o braço e passa a mão pela cabeça como se estivesse preocupado, não sei o que tem”.

Mas ninguém dava crédito a minhas palavras. Então disse: “Para que me acrediteis, que não minto, os confirmo que agora o médico está subindo no elevador e está para chamar à porta”. Apenas havia terminado de falar, abre-se a porta e entra o médico ficando todos os presentes maravilhados. Com lágrimas nos olhos o doutor disse:

“Sim, agora creio em Deus, creio na Igreja e creio no Padre Pio”.

Aquele médico que antes não acreditava e cuja fé era como água de rosas, confessou que àquela noite não havia conseguido fechar os olhos pensando na minha morte, que ele havia comprovado, sem dar mais explicações. Disse que apesar do atestado de óbito que havia feito, voltava para certificar-se do fato, pois lhe sucedera naquela noite muitos pesadelos, porque aquele morto (que era eu) não era um morto como os demais e que efetivamente não havia se enganado”.

 (SOL DE FATIMA, número 188, pagina 26-27. noviembre-diciembre, 1999),

Fonte:





PAI NOSSO DE SANTA MATILDE PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

 



Santa Matilde (895-968) era filha de nobres e foi educada junto a um mosteiro beneditino. Casou-se com Henrique I, rei da Alemanha, mas soube resistir bem às tentações do poder. Teve cinco filhos, a quem procurou ensinar a fé cristã, e era também considerada como “a mãe do povo”, graças às obras que realizava em prol de muitos. Após a morte do marido, porém, seus filhos se deixaram levar pela ganância e acusaram a própria mãe de desperdiçar os bens com os pobres. Ela se retirou a um convento, de onde intercedia com oração e sacrifícios pela conversão dos filhos amados. Eles enfim tomaram consciência da injustiça que estavam cometendo, pediram perdão e retornaram aos princípios do Evangelho. Matilde continuou ajudando ainda mais pessoas pobres até partir para o Reino verdadeiro no ano de 968.

Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima a fim de que Ela servisse para a libertação das Almas do Purgatório, com a remissão dos seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que Eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou a Santa Matilde as intenções do Pai Nosso Pelas Almas. E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de Almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de Almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres Almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU

 Peço-Vos humildemente: Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, que perdoeis às Almas do Purgatório, por não Vos terem amado nem prestado toda a honra que Vos é devida, a Vós, Seu Senhor e Pai, que por pura graça as adotastes como Vossas filhas. Pelo contrário, por causa dos pecados, fecharam os seus corações onde Vós queríeis habitar para sempre. Em reparação destas faltas, ofereço-Vos o amor e a veneração que o Vosso Filho Encarnado Vos testemunhou ao longo da Sua Vida terrestre e ofereço-Vos todos os atos de penitência e de reparação que Ele cumpriu e pelos quais apagou e expiou os pecados dos homens.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome: elas pronunciaram-No muitas vezes distraidamente e tornaram-se indignas do nome de cristãos pela sua vida de pecado. Em reparação das faltas que cometeram, ofereço-Vos toda a honra que o Vosso Filho Bem Amado rendeu ao Vosso Nome, por palavras e atos ao longo de toda a Sua Vida terrestre.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório porque não procuraram nem desejaram o Vosso Reino, com intenso fervor e empenho, este Reino que é o único lugar onde reina o verdadeiro repouso e a paz eterna. Em reparação pela indiferença em fazer o bem, ofereço-Vos o desejo do Vosso Divino Filho através do qual Ele quis ardentemente torná-las, a elas também, herdeiras do Seu Reino.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não se terem sempre submetido com devoção à Vossa Vontade. Elas não procuraram cumprir a Vossa Vontade em todas as coisas e muitas vezes cederam a agiram fazendo unicamente a sua própria vontade. Em reparação da sua desobediência, ofereço-Vos a perfeita conformidade do Coração cheio de Amor do Vosso Filho à Vossa Santa Vontade e a submissão total que Ele Vos testemunhou obedecendo-Vos até à Sua Morte na Cruz.

 O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório por não terem recebido sempre o Santo Sacramento da Eucaristia com intenso desejo. Receberam-No muitas vezes sem recolhimento , sem amor, ou indignamente ou mesmo negligenciando recebê-Lo. Em reparação de todas estas faltas que cometeram, ofereço-Vos a plena santidade e o grande recolhimento de Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Divino Filho, bem como o ardente amor, através dos quais nos ofereceu este dom incomparável.

 PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM  NOS TEM OFENDIDO

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório todas as faltas de que se tornaram culpadas sucumbindo aos sete pecados capitais e também quando não quiseram amar, nem perdoar aos seus inimigos. Em reparação de todos estes pecados, ofereço-Vos a Oração cheia de Amor que o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor dos seus inimigos quando estava na Cruz.

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

 Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às Almas do Purgatório, porque muitas vezes não resistiram às tentações e paixões, mas seguiram o Inimigo de todo o bem e abandonaram-se às fraquezas da carne. Em reparação de todos estes pecados em múltiplas formas, dos quais se reconhecem culpadas, ofereço-Vos a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe ao mundo assim como a Sua Vida Santíssima, o Seu trabalho e penas, o Seu sofrimento e a Sua Morte crudelíssima.

 MAS LIVRAI-NOS DO MAL


Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, livrai-nos de todos os flagelos, pelos méritos do Vosso Filho Bem-Amado e conduzi-nos, bem como às Almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória eterna, que se identifica conVosco.

Amen

(Extraído de  http://www.paroquias.org/oracoes/?o=143

https://pt.aleteia.org/2018/11/20/o-pai-nosso-que-jesus-ensinou-a-santa-matilde-pelas-almas-do-purgatorio/

 



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

ATUAÇÃO DOS SANTOS ANJOS TAMBÉM NO PURGATÓRIO

 


          Mesmo no Purgatório os Anjos não deixam de se preocupar com as almas que eles eram protetores na terra.  Vez por outra eles vão ao Purgatório para consolá-las, e chegada a hora delas saírem e irem para o Céu, eles vêm alegremente acompanhados de São Miguel para cumprir tal tarefa.  Alguns santos admitem até que os Anjos da Guarda não abandonam os seus protegidos sequer quando as almas vão para o Purgatório, continuando a velar lá  por eles.

Além disso, procuram inspirar as pessoas na terra para que rezem e mandem celebrar missas por seus protegidos que estão no Purgatório. Um exemplo marcante da atuação angélica em prol de uma alma que sofre no Purgatório temos na vida de Santa Lidwina de Scheedam, que viveu no século XV. Certa feita a santa procurou saber de seu Anjo o destino de uma pessoa que ela tinha muito em conta porque rezara por ela na hora da morte. O Anjo lhe respondeu que aquela alma, a muito custo, salvou-se mas sofria horrivelmente no Purgatório. A santa aceitou a proposta para sofrer mais por aquela alma e o Anjo a levou a um lugar espantoso, parecendo as muralhas do inferno; aproximaram-se de um poço, em cujas bordas estava sentado e triste um Anjo. Perguntando que Anjo era aquele, o seu guia disse que era o Anjo da Guarda daquela pessoa que ela aceitou sofrer para livrar do Purgatório, cuja alma estava encerrada naquele poço.

Suplicou a santa que lhe fosse permitido ver o estado daquela alma. O Anjo descobriu então a tampa do poço, de onde saiu um medonho vulto humano, todo incandescente, que gemia: “Ó Lidwina, serva de Deus, quem me dera contemplar a face do Altíssimo!”. A santa não pôde agüentar a visão, saindo do êxtase.

Algum tempo depois apareceu-lhe o Anjo da Guarda daquela alma, desta vez menos triste e dizendo que ela havia saído daquele Purgatório mais profundo para um menos terrível, o chamado “Purgatório ordinário”, de onde as almas já saíam direto para o Céu.

Santa Francisca Romana dizia que quando morre uma pessoa, o Anjo da Guarda, conhecedor dos seus méritos, conduz sua alma para as regiões inferiores do Purgatório e coloca-se ao lado dela. O Anjo fica assim a seu lado para apresentar a Deus as orações feitas em favor daquela alma e intercede  para que lhe seja abreviada a pena.  Isto é confirmado por Santa Maria Madalena de Pazzi e Santa Margarida de Alacoque, que também foram levadas até o Purgatório e viram que cada alma tinha um anjo tutelar a seu lado. É evidente que o Anjo nada sofria das penas que ali se passa, pois sua presença é apenas quanto ao seu poder de ação.

Uma vidente polonesa, Santa Faustina Kowalska, teve a seguinte visão do purgatório:

"Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e dentro deste uma grande quantidade de almas sofredoras. Essas almas rezam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o maior sofrimento delas. Responderam-me que o maior sofrimento delas é a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas no purgatório. As almas chamam Maria de "Estrela do Mar".  Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento. (Ouvi uma voz interior) que me disse: "a Misericórdia de Deus não deseja isso, mas a Justiça manda". Desde esse momento me encontro mais unida às almas sofredoras". ("Diário da Serva de Deus Irmã Faustina Kowalska..." - pág. 328.)

 Numa impressionante e maravilhosa revelação sobre o Purgatório, foi publicada a obra “Le Manuscrit du Purgatorie”, traduzida para o português e publicada pelas Edições Paulinas em 1953. Nela há depoimentos feitos por uma alma do Purgatório, uma freira falecida que apareceu à outra do mesmo convento, na França. A autenticidade deste documento foi confirmada por autoridades religiosas e teólogos.

A respeito da presença do Arcanjo São Miguel no Purgatório, o manuscrito diz:

“Nós vemos São Miguel como se vêem os Anjos, eles não têm corpo. São Miguel vem ao Purgatório buscar todas as almas que já estão purificadas porque é ele quem as conduz ao céu. Sim, é verdade, ele está entre os Serafins, como me disse Monsenhor. É o primeiro Anjo do Céu. Nossos Anjos da Guarda vêm também nos ver, mas São Miguel é muito mais belo do que todos eles! Quanto à Santíssima Virgem, nós a vemos com o seu corpo. Ela vem ao Purgatório nas suas festas e volta para o céu com muitas almas. Enquanto Ela está conosco, não sofremos. São Miguel a acompanha, mas enquanto São Miguel está só, nós sofremos”.  (“O Manuscrito do Purgatório” – Ed. Paulinas . Págs. 38/39.)

 Foi feita à alma da freira algumas perguntas:

 - Qual é o melhor meio de glorificar a São Miguel?  .      

“O meio mais eficaz de o glorificar no céu e na terra é recomendar quanto possível a devoção às almas do Purgatório e fazer conhecer a grande missão que ele tem junto das almas sofredoras. Ele é o encarregado de levá-las do lugar de expiação e introduzi-las depois da satisfação, no céu, morada eterna. Cada vez que uma alma vem aumentar o número dos eleitos, Deus é glorificado por ela e esta glória de certo modo reflete sobre o glorioso ministro do céu. É uma honra para ele apresentar ao Senhor das almas que irão cantar as infinitas misericórdias e unir seu reconhecimento aos dos eleitos por toda eternidade. Eu não posso vos fazer compreender todo o amor que o celeste Arcanjo tem por seu divino Mestre e o amor que por sua vez Deus tem por São Miguel e bem como a grande piedade que São Miguel tem por nós. Ele nos dá coragem no sofrimento quando nos fala do céu. Dizei ao Padre que se ele quiser dar um grande prazer a São Miguel, recomende muito a devoção às almas do Purgatório. Não se pensa muito nisto neste mundo! Quando se perdem os parentes e amigos, fazem algumas orações, choram durante alguns dias, depois... tudo se acaba! As almas ficam abandonadas! É verdade que elas merecem muito porque não rezaram pelos mortos quando na terra, e o divino Juiz só nos dá no outro mundo o que fazemos neste. As pessoas que deixaram esquecidas as almas do Purgatório, serão esquecidas também, mas se lhes tivessem dado a inspiração de rezar pelos defuntos, e lhes feito conhecer o que é o Purgatório, talvez elas tivessem procedido de oura maneira, de modo muito diferente...

Quando o permite, podemos nos comunicar diretamente com o Arcanjo, à maneira dos espíritos e como as almas se comunicam entre si.”

 - Como se festeja São Miguel no Purgatório?

“No dia de sua festa, São Miguel vem ao Purgatório e volta para o céu com muitas almas, principalmente as almas que lhe tiveram devoção na terra.”

 - Que glória recebe São Miguel da sua festa na terra?

“Quando se faz a festa de um santo na terra, ele recebe no céu uma glória acidental. Ainda mesmo que não o festejem na terra, em memória de alguma ação especial heróica que praticou neste mundo, ou da glória que deu a Deus em alguma ocasião, nesta época, recebe no céu uma recompensa especial que consiste numa maior glória acidental, junta com a que lhe dão na terra.

“A glória acidental que recebe o Arcanjo São Miguel é superior a de todos os outros santos, porque esta glória de que vos falo, é proporcionada à grandeza do mérito daquele que a recebe, como também o valor a ação que mereceu esta recompensa”.  (“O Manuscrito do Purgatório” – Ed. Paulinas . Págs. 42/43)

- As promessas feitas em favor daqueles que rezam o terço de São Miguel são verdadeiras?

“As promessas são reais, mas não se deve acreditar que as pessoas que rezam o terço por rotina e sem o procurar fazer com perfeição, sejam logo tiradas do Purgatório. Seria um erro. São Miguel faz muito mais ainda do que promete, mas os que estão condenados a um longo Purgatório, não os retira assim tão depressa! É verdade que a lembrança da devoção ao Santo Arcanjo alivia muito as almas, mas que sejam de todo libertadas do Purgatório, não. Eu que o diga, eu posso bem servir de exemplo!... A libertação imediata só a terão as pessoas que trabalharam para a sua perfeição, e que tiveram pouca coisa a expiar no Purgatório.

“A França é bem culpada, infelizmente ela não está só! Neste momento não há um reino cristão que não procure aberta ou surdamente expulsar Deus do seu seio. As sociedades secretas e o diabo fomentam estas revoltas. É agora a hora do príncipe das trevas. Deus há de mostrar que só Ele é o Senhor único! Talvez não seja feito isto com doçura, e fará sentir o seu poder, mas nos próprios castigos Jesus é misericordioso. São Miguel há de intervir na luta pessoal da Igreja. Ele é o chefe desta Igreja tão perseguida, mas que não será aniquilada como pensam os maus. Quando há de intervir São Miguel, eu não o sei. É preciso rezar muito nesta intenção, invocar o Arcanjo lembrando-lhe os títulos que tem, pedir-lhe a intercessão junto daquele sobre o qual tem tanto poder!  “Que não se esqueçam da Santíssima Virgem! A França é o seu reino privilegiado. Ela o salvará”.  (“O Manuscrito do Purgatório” – Ed. Paulinas . Págs. 64/65)

A Bem-aventurada Emília Bicchieri costumava recomendar às suas religiosas que não bebessem água entre as refeições, e oferecessem esta pequena mortificação pelas almas do Purgatório, em união com a sêde de Nosso Senhor na cruz. Dizia ela: “Colocai estas gotas nas mãos do vosso Anjo da Guarda, para ele diminuir com elas o ardor das chamas do Purgatório”. A irmã Cecília, que fazia esta mortificação como recomendada, um dia faleceu e, passados alguns dias, apareceu à Bem-aventurada Emília, dizendo:

- Ainda vos lembrais, Madre, daquele copo de água que tanto me custou a sacrificar?  Pois bem, pouco tempo depois da minha morte, o meu Anjo apareceu no Purgatório trazendo o copo na mão e, em recompensa dessa leve mortificação, feita por obediência, apagou com a água as chamas que me atormentavam e agora estou feliz por toda a eternidade.