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domingo, 17 de março de 2024

EXEMPLOS QUE CONFIRMAM O PODER DA INTERCESSÃO DE SÃO JOSÉ

 







(Extraídos do livro ―”Tesouro de Exemplos”, do padre Francisco Alves, C.SS.R., - Editora Vozes, 1958)

 

1. A estatuazinha de São José

 

Dois carroceiros estavam carregando suas carroças com os escombros de um casarão que fora demolido. Eram bons e honrados, mas, em matéria de religião, completamente indiferentes e ignorantes. De repente um eles tirou com sua pá do montão de entulho uma estatuazinha de São José.

- Toma – disse ao seu companheiro – um deusinho...

- Não o quebres: isto te traria má sorte.

- Tu crês em contos de avozinhas?

- É melhor que mo dês, pois, embora não sendo muito de igreja, prefiro levar um santinho para minha casa a atirá-lo no carro. Isso me sairia mal depois.

- Tens razão, replicou o outro, lembrando-se talvez do tempo de sua primeira comunhão: é melhor levá-lo...

Passaram-se anos. O carroceiro era já um velho inválido, estendido num leito de madeira carcomida. No quarto, duas cadeiras desconjuntadas, uma mesinha cambaleante e uns pedaços de cobertores. Acabava seus dias na miséria. A seu lado uma netinha de treze anos...

- Vovô, o Sr. quer, eu vou chamar o padre que nos dá catecismo; ele é muito bom.

- Não, filha, ainda não estou tão mal...

É sempre assim. Os pobrezinhos nunca julgam estar muito mal. Mas S. José cuidou dele.

- Mariazinha, traga a estátua de S. José que está ali... ela quer me falar... eu a ouço...

- Pobre vovô, a febre devora-o...

Põe-lhe nas mãos a imagem de São José e põe-se a chorar. Parece-lhe chegado o momento de insistir:

- Vovozinho, o Sr. quer falar com o vigário? Ele é tão bom, o Sr. o conhece...

- Falar? Falar é coisa muito vaga; diga-lhe que quero confessar-me, ouviu?

- Obrigada, meu S. José. Salvais a quem vos respeitou; obrigada, obrigada, dizia a menina, correndo em busca do padre. Reconciliado com Deus, e beijando a estatuazinha, dizia às pessoas presentes:

- Não vos esqueçais de Deus, dos deveres religiosos, da missa aos domingos. Eu não fazia nada disso e estou arrependido. S. José me salvou. Alguns dias depois o velho carroceiro morria santamente abraçado á estatuazinha do seu grande benfeitor S. José. (Págs. 73/74)

 

2. A pomba mensageira de São José

 

Há acontecimentos que parecem novelas: que os nossos leitores tomem-nos a seu gosto. A família do Sr. B... sua esposa e uma filha, Josefina, de 20 anos, havia gozado em N. uma bela fortuna; mas, a enfermidade do pai e alguns maus negócios a havia obrigado a viver só do trabalho da filha. A moça era inteligente, enérgica, alegre e, o que é mais, piedosa. Um dia, porém, voltou para casa com uma notícia triste: não quiseram pagar-lhe as costuras, e comunicaram-lhe que, por algumas semanas, não haveria trabalho. Que fazer? Que comer? Mas ela não desanima; confia, não nos homens, mas no paternal auxílio de seu poderoso patrono S. José, cuja festa será celebrada no dia seguinte. Senta-se, escreve num papelzinho a sua situação penosa e abrindo uma gaiola onde tem uma pombinha mansa, ata-lhe debaixo da asa a sua missiva e, beijando-a, solta-a dizendo:

- Vai querida, aonde te guia S. José a fim de que encontres pão para nós e para ti. Passada meia hora, se muito, eis que se apresenta à entrada da casa um moço que pede para falar com Josefina; acompanhava-o um criado com pesado embrulho. Diante da família admirada conta que, sendo devoto de S. José, lhe prometera atender o primeiro pedido de auxílio que se apresentasse. Ora, apenas fizera a sua promessa, entrou pela sua janela uma pombinha em cuja asa viu um papelzinho e a petição a S. José.

- Estou, disse, montando uma oficina de costura e já que Josefina procura trabalho, aqui lhe trago algum e, por ser a primeira vez, pago-lhe adiantado. No volume achava-se discretamente envolvida uma nota de Cr$ 100,00. Os três infelizes não puderam deixar de exclamar cheios de admiração:

- Como S. José é bom! Obrigado, Santo bendito! Era a abundância, após a miséria mais atroz. Mas não parou aí a liberalidade de S. José. Como Josefina teve de ir com freqüência à oficina, logo chamaram a atenção seus finos modos, sua habilidade no trabalho e a fina educação que recebera. Entrou em relações com a família de seu chefe, que logo encontrou boa colocação para o pai de Josefina, melhorando assim a situação do lar. Não sabemos se Josefina se dirigiu a S. José, como fazem muitas moças, para arranjar um bom esposo; o certo é que o encontrou na pessoa de seu chefe e protetor. Na sala de sua casa vê-se em lugar de honra uma estátua de S. José e debaixo dela uma pombinha de ouro com o letreiro: ―A mensagem de São José. (Págs. 74/75).

 

3. São José chama o padre para uma doente

 

Certo dia, apresentou-se na casa paroquial um ancião desconhecido, pedindo ao padre que fosse socorrer uma agonizante. Ele mesmo o acompanharia até á casa. Como a rua era de má fama e a noite se aproximava, o padre desconfiou de alguma cilada, mas o ancião insistiu:

- É preciso que o senhor vá logo, porque se trata de administrar os sacramentos a uma velha que está nas últimas. Partiu o padre levando o Santíssimo e os Santos Óleos. A noite era glacial, mas o velho parecia não senti-lo; ia adiante até chegar a uma casa de péssima reputação; teve o padre um momento de vacilação e temor, mas o ancião animou-o dizendo:

- Eu o esperarei aqui. Bateu o padre à porta repetidas vezes e, como não abrissem, o ancião deu umas pancadas esquisitas e a porta abriu-se imediatamente.

- O Sr. entre, suba a escada, abra a porta do fundo do corredor e encontrará a agonizante. Disse essas palavras com tal força e autoridade que o padre não vacilou mais. Encontrou estendida numa cama miserável uma mulher abandonada que repetia a gritos:

- Um padre! Um padre! Deixar-me-eis morrer sem padre?...

- Filha, aqui estou, sou o padre que a Sra. Chama. Um ancião foi buscar-me... Ela não queria acreditar.

- Não, nesta casa não há ninguém que queira ir em busca de padre e não conheço tal ancião.

Afinal, convencida, acusou os pecados de sua longa vida de pecadora e com tanta dor e arrependimento o fez que o padre se admirou de encontrar tais sentimentos numa pessoa há tanto anos afastada de Deus. Arrumou o padre a mesinha e acendeu as velas para o viático e a extrema-unção. Nesse ínterim várias pessoas entraram e saíram, parecendo não notar a presença do padre. Depois de administrar-lhe todos os sacramentos, perguntou-lhe o padre se havia conservado alguma prática religiosa que lhe mereceu tal benefício em tão grande necessidade.

- Nenhuma, disse, a não ser uma oraçãozinha que rezava todos os dias a S. José para que me concedesse uma boa morte.

Consolado, o padre assistiu ao último suspiro da convertida. Nem à porta nem no caminho encontrou o ancião, e ficou convencido de que não era outro senão o misericordioso patrono da boa morte, o glorioso S. José. (págs. 75/76)

 

4. São José e as crianças

 

a) Nas horas em que não havia ninguém na igreja, notou o irmão sacristão que um menino de cinco anos vinha passar longo tempo do altar de S. José. Ora encostado à grade, ora de joelhos e ora assentado, ali permanecia horas olhando para o Santo. O bom Irmão sentiu-se impelido a fazer esta breve invocação:

- Ó bom S. José, ouvi a oração desse pequenino, não lhe recuseis a graça que vos pede com tanta piedade e inocência! O pobrezinho rezava pela conversão do pai...

- Amiguinho, disse-lhe o sacristão, se você quer dirigir a S. José uma bela oração, diga: ―S. José, rogai por nós

Tomou-o ao pé da letra o menino e, trocando de oração, começou a ir e vir diante do Santo e, ajoelhando-se, dizia:

―S. José, rogai por nós; S. José, rogai por nós!

Nisso se ocupava quando chegou sua mãe para buscá-lo. Teve que sair. Duas horas depois, o papai, que havia doze anos não se confessava, entrou na igreja para reconciliar-se com Deus

b) Um menino da Diocese de Montpellier contava assim um favor que alcançara de São José:

―Quando brincava na esquina de uma rua, fui atropelado por um carro que me esmagou contra uma parede; meu corpo tornou-se uma massa informe. O médico não dava nenhuma esperança. Meus pais apressaram-se a chamar um padre para me dar a extrema-unção. Uma religiosa amiga, muito devota de S. José, enviou-me um cordão bento do Santo. Pedia-me que me encomendasse a Ele com fé e confiança. Assim o fiz. Dormi logo depois e tive um sonho muito esquisito. Parecia-me estar vendo S. José, que garantia a minha cura. Anunciou-me, além disso, que eu seria padre. Despertei alegre e contei a visão à minha mãe. O sonho realizou-se. Até esta data estou bom e são... e não penso senão em ser sacerdote...(págs. 76/77).

 

5. Padroeiro da boa morte

 

―São José teve a felicidade de morrer nos braços de Jesus e de Maria, e não pode deixar de vir com eles, visível ou invisivelmente, para receber seus devotos. Num paróquia de Lyon (França) vivia um piedoso ancião, muito devoto de S. José, que não cessou durante cinqüenta anos de pedir-lhe a graça de uma boa morte. Para isso rezava, pela manhã e à noite, fervorosas orações, jejuava e fazia alguma esmola todas as quartas-feiras. Para ele, o dia da festa de S. José (19 de março) era o mais belo do ano. A 15 de março de 1859, na idade de 86 anos, caiu doente. Pediu imediatamente os santos sacramentos e recebeu-os com uma fé que comoveu a todos os assistentes. A 19 de março mandou celebrar uma santa missa e pediu que lhe rezassem as orações dos agonizantes. O sacerdote estava a terminar a consagração, quando o doente, erguendo os olhos ao céu, cruzando os braços, pronunciou distintamente os santíssimos nome de Jesus, Maria e José, e exalou suavemente o último suspiro. Sua alma voou para o céu precisamente no momento em que o sacerdote, no Memento, ia pedir a Deus que recebesse as almas dos fiéis no lugar do refrigério, da luz e da paz eterna‖. (págs.. 77/78)

 

6. Recuperou a vista

 

―Em Vinovo, aldeia pouco distante de Turim, na Itália, uma moça chamada Maria Satardero teve a desgraça de perder totalmente a vista. Desejando recuperá-la, fez uma visita a S. João Bosco, que então construía, com as esmolas do povo de Turim, a magnífica igreja de Maria Auxiliadora. A moça, depois de ter rezado diante da imagem de Nossa Senhora, falou com S. João Bosco, que lhe perguntou:

- Faz muito tempo que perdeu a vista?

- Sim, muito; faz um ano que não vejo nada.

- Tens consultado os médicos?

- Ah, padre, já não sabem o que receitar-me.

- Distingues os objetos grandes ou pequenos?

- Não; como disse, não vejo nem pouco nem muito.

- Mas não vês a luz desta janela?

- Não, senhor; nada.

- Queres recuperar a vista?

- Sr. padre, sou pobre e preciso dela para ganhar a vida.

- Servir-te-ás da vista para proveito de tua alma e não para ofender a Deus?

- Prometo-o sinceramente.

- Confia, pois, em Nossa Senhora e S. José.

E, em tom solene, D. Bosco acrescentou:

- Para a glória de Deus, da SS Virgem Maria e de S. José, dize: o que tenho na mão? A moça abre os olhos, que antes não viam nada, e diz:

- Uma medalha, de Nossa Senhora.

- E isto, o que é?

- Um ancião com a vara florida; é S. José.

Estava operado o milagre. Pode-se imaginar a alegria da moça e de seus pobres pais!... (págs. 78/79)

 

7. Um lobo que se torna cordeiro

 

Estava no hospital uma infeliz mulher que, há vinte e dois anos, abandonara sua família para se entregar aos vícios mais vergonhosos. Fora, enfim, internada naquela casa pela polícia. A vida que levara, de tal modo a embrutecera que parecia louca; e o médico, não descobrindo nela nenhuma doença, queria despedi-la do hospital para que não perturbasse os verdadeiros enfermos. Pediram-lhe as religiosas que a deixasse alguns dias ainda, enquanto recorriam a S. José. Bem inspiradas, vestiram-na com o hábito e com o cordão de S. José e puseram-se a pedir com fervor que ele tivesse compaixão daquela pobre alma.

O auxílio de S. José não se fez esperar. Poucos dias depois a mulher recobrou a paz, confessou-se com muita dor e arrependimento. Era um verdadeiro lobo e tornou-se tão manso cordeiro que pediu a seu protetor lhe alcançasse antes a morte que voltar à vida de pecado. Atendeu o Santo a tão pios desejos, vindo a convertida a falecer com os mais sinceros sentimentos de dor. Antes da morte pediu humildemente perdão a todos os que escandalizara com seus vícios‖ (pág. 79).

 

8. Padroeiro dos impossíveis

 

Jazia em seu leito de agonia um infeliz apodrecido de vícios, sem o menor remorso, zombando de Deus e desprezando todos os auxílios da religião para a hora suprema. Vendo-o zombar, com riso satânico, de seus esforços para salvar-lhe a alma, resolveram seus parentes recorrer a São José. Este grande Santo havia de fazer com que o misericordioso Coração de Jesus se compadecesse daquele infeliz. Era o mês de março. O sacerdote, os parentes e amigos dirigiram ao Padroeiro da boa morte fervorosas súplicas.

Maravilhoso o poder da oração! Naquela manhã de 19 de março, festa de São José, o próprio doente pediu a confissão e fez questão que chamassem o padre de quem mais zombara até então. Confessou-se com o mais sincero arrependimento e, pouco depois, faleceu... (págs. 79/80)

 

9. O viajante e São José

 

Foi a 18 de março de 1888. Viajava um sacerdote no trem de Mogúncia a Colônia, quando, ao passar por Bonn, notou que seu vizinho se persignou, juntou as mãos e se pôs a rezar.

- Amanhã é festa de São José!... talvez que seja seu patrono, disse o padre.

- Não, Sr., mas minha esposa chama-se Josefina... e gostaria de estar amanhã em sua companhia. Tenho, porém, outro motivo de dar graças; e, se interessar ao senhor, contar-lhe-ei a minha história, pois um sacerdote a entenderá.

- Certamente.

- Quando menino, recebi de minha boa mãe uma educação piedosa. Infelizmente, bem cedo morreu minha mãe; meu pai não se ocupou de minha educação religiosa e logo abandonei todas as práticas de piedade. Encontrei, mais tarde, uma jovem excelente e, desejando fazê-la minha esposa, fingi sentimentos religiosos que não possuía. Uma vez casados, quase morreu de pesar, quando lhe abri meu coração e me pus a zombar de suas devoções. Há cinco anos, na sua festa onomástica, fiz-lhe um rico presente, mas ela, quase receosa, me disse:

- Há outro presente que me faria mais feliz.

- Qual?

- A tua alma, querido, respondeu entre soluços.

- Pede-me o que quiseres: eu o farei.

- Vem comigo amanhã, dia de São José, à Igreja de N. N. Haverá sermão e bênção.

- Se for só isso, podes enxugar tuas lágrimas, que te acompanharei. A igreja estava repleta; o pregador, muito moço, deixou-me frio e indiferente; contudo disse uma coisa que me impressionou:

―Jamais invocou alguém a proteção de São José sem que sentisse o seu auxílio. Tende firme confiança de que correrá em socorro de todo aquele que o invocar na hora do perigo, ainda que seja pecador ou mesmo incrédulo

Ao sairmos da igreja, disse-me minha esposa:

- Meu amigo, muitas vezes estarás em perigo em tuas viagens; prometes-me que, chegando o caso, dirás esta breve oração:

―São José, rogai a vosso divino Filho por mim

- Assim o farei; não é nada difícil.

Pouco depois, viajava por este mesmo lugar em que nos encontramos; éramos sete no compartimento. De repente, um apito de alarma e já um formidável choque nos atirava pelos ares. Não tive tempo de dizer mais que: ―São José, socorro! Tudo foi coisa de um instante. Ao voltar a mim, vi meus companheiros horrivelmente despedaçados e mortos. Eu sofrera apenas leves contusões. Desde aquele dia retomei as práticas religiosas e repito, sempre com grande confiança: ―São José, socorrei-me! (págs. 80/81)

 

10. São José e o primeiro asilado

 

Em 1863 chegava a Barcelona um grupo de Irmãzinhas dos Pobres para fazer a sua primeira fundação na Espanha. Foram muito bem recebidas pelos catalães, que precisavam não pouco de um asilo para tantos infelizes velhos abandonados que costuma haver nas grandes capitais. O Asilo foi, como de costume, colocado sob a proteção de São José, a quem chamam as Irmãs de Procurador da Casa. No começo, por falta de local, admitiam somente mulheres velhas. Mas, eis que São José, um belo dia, lhes traz o primeiro velho. Era um homem de 80 anos que se apresentou, dizendo à Irmã:

- Venho aqui para internar-me.

- É impossível, replicou a Superiora; ainda não podemos receber nenhum homem.

- Seja, mas não há remédio; ficarei assim mesmo.

- Como se chama o Sr.?

- Chamo-me José.

- Este nome chamou a atenção das Irmãs; além disso era dia consagrado a São José.

Não há remédio, recebê-lo-emos em nome de São José. O velho não possuía mais que farrapos e estava coberto de insetos. Roupa de homem não havia. A Superiora, chamando duas Irmãs, disse-lhes:

- Saiam as senhoras a procura de roupa, enquanto vamos lavá-lo e penteá-lo. Durante este breve colóquio ouviu-se a campainha da portaria: era uma senhora desconhecida que, entregando um embrulho, se retirou sem nada dizer. Abriram e viram, com grande surpresa, que era um traje completo para homem. O pobre velho chegou ao cúmulo da alegria; não menos, porém, as Irmãs que compreenderam que São José as convidava a ampliar seus planos de caridade. O Asilo cresceu tranqüila e constantemente e dentro de poucos anos abrigava mais de duzentos velhos sem que lhes faltasse o pão de cada dia, nem as carinhosas atenções das boas Irmãs. (pág. 82).

 

11. Lenda sobre o poder de São José

 

Havia um homem, devoto de São José, que não se preparou para a morte e, mesmo assim, quis entrar no céu. Mas São Pedro, vendo-o chegar manchado, fechou-lhe a porta e deixou[1]o sentado no corno da lua. Entretanto, não faltou quem fosse contar o caso a São José, o qual se apresentou diante do trono de Deus para pedir graça para seu devoto. O Senhor negou-lhe a graça. São José disse que era um devoto seu.

―Devoto que acende uma vela a ti e duas ao demônio?...

São José, porém, decidido a vencer, disse:

- Se meu devoto não entrar no céu, eu me vou embora.

- Pois, vai-te! – disse o Senhor.

São José, que não esperava essa resposta, de chapéu na mão dirigia-se para a porta; mas, no meio do caminho, virou-se e disse:

- Se eu for, não irei só; deve ir comigo minha esposa.

- Pois que vá!

- Mas levando minha esposa, devo levar tudo que lhe pertence...

- Pois leva tudo! – disse o Senhor.

- Tenho uma lista completa. – E São José, em pé no meio do paraíso, começou a ler:

―Rainha dos Anjos!– E já todos os Anjos voam para a porta. Rainha dos Patriarcas! e eles vão se enfileirando perto da porta; Rainha dos Mártires! Vão também eles para a porta. E quando São José ia cantar: Rainha de todos os Santos! Disse o senhor:

- Olha, José; corre, vai dar um banho no teu devoto e, depois, fá-lo entrar no céu; porque, se me empenho em não deixá-lo entrar, por justiça fico sozinho no céu! (págs. 259/260).

 

São José não falha

 

Estrangeiro, quer me responder? Os missionários do Verbo Divino, Pe. Goetz e o Irmão Gervásio tiveram uma ocorrência na China, que escapa à compreensão humana. Irmão Gervásio tinha sido acompanhante do cientista Dr. Filchner através do Tibete para a Índia. Certo dia acompanhou o padre de Kaotai para atender uma doente nas montanhas do sul, chamadas Montanhas do Tribunal. Foram três dias a cavalo. Percorridos mais de 200 km, estavam finalmente no lugar. A doente já havia morrido. Aborrecidos e deprimidos, os missionários trataram de voltar. Haviam descido metade da região montanhosa, quando, à beira da estrada, um moço os esperava e pediu para verem a mãe dele. O jovem conduziu-os uns 10 a 15 km fora da estrada principal, a um lugarejo. Numa casa de pau a pique, achava-se uma velhinha doente. Esta logo os foi abordando com perguntas fora de série.

―Estrangeiro, quer me responder de verdade às minhas perguntas?

―Sem dúvida, mãezinha! Que perguntas tem?

―Existe um Deus em três figuras? Existe na outra vida um lugar de alegria para os bons, e um lugar de horror para os maus? É certo que Deus veio a esta terra, para morrer pelos homens e lhes abrir o lugar da felicidade? Estrangeiro, isso tudo é verdade? O padre confirmou tudo cheio de admiração, perguntando a si próprio, donde a doente tinha estes conhecimentos?

―Bem, o senhor traz água consigo? - prosseguiu a anciã. Lava-me para que eu possa entrar no lugar da felicidade! Donde sabia que o padre trazia água batismal? A forma decidida da doente tinha qualquer coisa de infantil, ao mesmo tempo de muito bem pensado. Pe. Goetz deu-lhe mais umas instruções e a batizou .Foi aí que a doente cheia de alegria, exclamou ainda:

―O Senhor traz consigo também o pão. Não o pão comum, mas é o próprio Deus. Dê-me do pão! O missionário efetivamente trazia o Santíssimo sobre seu peito. A doente sabia isso também. Deu-lhe a santa comunhão e a ungiu com o óleo dos enfermos, após tudo isso, disse-lhe:

―Até aqui a senhora me fez perguntas, agora eu vou perguntar. Onde aprendeu as verdades da fé? Conviveu tempos atrás com cristãos católicos ou evangélicos?

―Não, estrangeiro‖

―Leu então em livros cristãos?

―Nem sei ler estrangeiro, nem eu sabia que podem existir livros assim.

 ―E donde tem esses conhecimentos da fé?

―Eu só pensei que assim devia ser, e há uns 10 anos vivi sempre de acordo com isso. Também ensinei os meus filhos todos, nessa convicção, assim pode lavá-los (batizá-los) a todos.

―E sabia que hoje nós iríamos passar por aqui?

―Sim, com plena certeza. Tive um sonho e vi um senhor mais velho. Ele me disse para mandar meu filho para a estrada e para chamar os dois estrangeiros. Eles iriam me levar para um bom lugar para depois da morte. Os missionários estavam perplexos e emocionados. A disposição cheia de candura da velha doente em face da morte era tão simples que não deixava margem nenhuma de dúvida. Para despedida, deram-lhe um santinho de São José, o padroeiro dos agonizantes. Foi aí que a anciã irradiou de alegria deslumbrante:

―Este eu conheço. Ele me visitou. Esteve várias vezes aqui. Foi ele que me mandou chamá-los na estrada. O que a velha chinesa teve, fora sonho ou visão? Ela mesma não sabia fazer a distinção, e para ela isso não tinha a mínima importância. O importante lhe era o quanto dele aprendera. Os missionários tiveram muita, muita coisa para pensar com este caso. Mais tarde ficaram sabendo que a dita mulher falecera na noite após o batismo. ( Autor: A. M. Weigl - Edições Rosário - 1992 – Curitiba-PR (Ludwig Lenzen) Pag. 202 a 204).


quarta-feira, 12 de outubro de 2022

SÃO JOSÉ E A CASTIDADE

 



 



 

O mais Santo de todos os santos

“Sem dúvida, São José é o maior santo da História, dotado com uma vocação mais alta do que a dos Apóstolos e a de São João Batista, como apontam autores abalizados. Esta afirmação se apóia no fato de o ministério de São José estar intimamente unido à pessoa e missão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, participando de modo misterioso, conforme será tratado em momento oportuno, do plano hipostático. Tal proximidade com Deus feito Homem permitiu-lhe beneficiar-se como  ninguém, depois de Nossa Senhora, dos efeitos da Encarnação, tendo sido santificado de forma superabundante por esse Menino Divino que o chamaria de pai, embora São José não tenha concorrido para sua geração natural” [1]

São José, escolhido para ser o esposo da Santíssima Virgem Maria, e Mãe de Deus, tinha uma virtude essencial para o desempenho de tão alta e sublime missão: a Castidade ou virgindade perpétua.  Segundo os santos e teólogos mais notáveis, permaneceu virgem e casto até os últimos de seus dias. Santo Afonso Maria de Ligório o confirma numa famosa obra.:

São José permaneceu virgem por causa da companhia de Maria

“Assegura São Jerônimo que ele tem por certo que São José permaneceu sempre virgem devido à companhia de Maria, pois apostrofando ao herege Helvídio, que negava a virgindade de Maria, argumenta assim: Tu dizes que Maria não permaneceu sempre virgem, e eu sustento ainda mais, que o mesmo São José permaneceu virgem devido a Maria. Diz um autor que a Santíssima Virgem foi tão amante desta virtude que em troca de conservá-la houvera estado prestes a renunciar até á dignidade de Mãe de Deus. Isto se baseia na resposta que Maria deu ao Arcanjo: “Como será isso, pois não conheço varão?”, e nas palavras com que terminou: “Faça-se em mim segundo tua palavra”, significando com isso que prestava seu consentimento apoiada nas palavras do anjo, que a havia assegurado que seria mãe por obra tão só do Espírito Santo”. [2]

A citação de Santo Afonso se refere a uma carta de São Jerônimo dirigida a Helvídio, um herege que era contra a virgindade de Nossa Senhora e causou grande disputa dentro da Igreja daqueles tempos.

A força de São José está ligada á sua Virgindade

Monsenhor João Scognamíglio Clá Dias assim se refere á santidade de São José

“Caro leitor, nesta obra o Autor deseja apresentar-lhe o genuíno perfil do grande Patriarca da Igreja, a fim de fomentar, com toda a ênfase, a autêntica devoção em relação à sua extraordinária figura. São José foi um herói insuperável, um verdadeiro Cruzado da Luz; em síntese, o homem de confiança da Santíssima Trindade. Sua força está profundamente ligada à sua virgindade, pois a pureza íntegra é a única capaz de originar no coração humano as energias necessárias para enfrentar as dificuldades com ânimo resoluto e total certeza da vitória” [3]

São José e o  refúgio da Castidade, a Gruta onde nasceu Jesus?

Na mesma obra de Monsenhor João S. Clá Dias, encontramos o seguinte e tão sublime relato sobre a virtude da castidade em São José:

“Durante a adolescência, o convívio com os primos, em sua maioria mais velhos que ele, desvendou ao olhar imaculado de São José a feiura de um pecado para o qual jamais experimentou a menor inclinação da vontade ou da sensibilidade: a impureza.

Naquele tempo a imoralidade grassava entre os judeus de modo velado,mas não menos diabólico. Em determinado momento, por inveja em relação a José, aqueles meninos decidiram perdê-lo e, instigados pelo demônio, procuravam tratar de temas indecentes diante dele.

São José era de uma pureza incomparável. Não há nos Céus Anjo que se assemelhe a ele. Por isso, logo que notava as primeiras insinuações retirava-se do ambiente. Mas, insistentes e insidiosos, os primos começaram a segui-lo. Como já conheciam a colina que costumava frequentar, não era mais conveniente isolar-se ali, pelo risco de lhe armarem alguma ocasião de pecado.

Foi então que encontrou outro lugar, próximo a Belém, onde podia contemplar o céu, permanecer a sós com Deus e evitar qualquer ataque contra a pureza. Aquele passou a ser, para São José, orefúgio da castidade. Era um pequno conjunto de grutas, mais ou menos espaçosas, nas quais desafogava seu coração com Deus e implorava-Lhe que pusesse fim à lamentável situação, não só de seus primos, colmo de boa parte do povo eleito. Ele suplicava ao Divino Vingador que fizesse cessar as ofensas contra sua suprema majestade.

Por que tardava tanto o Messias que deveria restaurar todas as coisas? Vinha-lhe então à mente um trecho do profeta Malaquias: “Ele é como o fogo do fundidor, como a lixívia dos lavadeiros” (3,2 ). E ansiava pelo advento d’Aquele que destruiria o reino do pecado e renovaria a face da terra.

Anos mais tarde, quando a Sagrada Família subisse a Belém para recenseamento de César Augusto e São José percebesse que não poderia levar Maria para uma hospedagem qualquer, o primeiro local que se lembraria diante do iminente nascimento de Jesus seria o “refúgio da castidade”. Era o abrigo adequado, onde o Filho de Deus viria ao mundo com a discrição e o recato necessários. Era também o único lugar digno de hospedar o Casal virgem em cujo seio nasceria, por obra do Espírito Santo, o Virgem por excelência, pois ali jamais se cometera pecado algum.”  [4]

São José e a Virgem Santíssima, pureza semelhante

“O Pe. Suárez afirma que para exercer o elevadíssimo ofício que lhe foi confiado pela Providência, São José precisava de suma pureza e santidade. E esta “se prova porque já antes de contrair matrimônio com a Virgem era um varão justo e perfeito, como consta tanto pelas palavras de São Mateus – ‘José, seu esposo, como era justo’ (Mt 1, 9) – quanto pelos Santos e histórias que antes citamos; pois uns e outros referem que, pela elevadíssima opinião de santidade de que São José gozava, foi tido por idôneo para que lhe fosse confiada a guarda e virgindade de Maria, e isto não sem especial inspiração do Espírito Santo; e, por último, consta o mesmo por que, até aqueles esponsais, conservou íntegra sua virgindade e castidade, que logo consagrou a Deus, unidas à castidade e virgindade de sua Esposa. E não se pode duvidar que depois de desposar a Virgem Santíssima cresceu de um modo maravilhoso em virtude e santidade, vivendo, como vivia na terra, a vida do Céu”  (SUÁREZ, SJ, Francisco, Mistérios de La vida de Cristo, Disp. VIII, sec.2, n. 1, In; Obras, Madrid, BAC, 1948, t. III. P. 272).

Também o Pe. Isolano assevera que “a vida de São José foi virginal em voto, palavras e obras. Com efeito, ele fez o voto de virgindade, como já se disse, guardando-o com a maior pureza de palavra e obra. Suas conversas assíduas eram com a Virgem Santíssima, cuja pureza alcançou o limite mais sublime. [...] A Santíssima Virgem e São José parecem ter também uma pureza semelhante, pois seus corpos estavam limpos, iluminados pela virgindade; suas almas eram santas; seus costumes estavam igualados pela mútua caridade; seus desejos e suas obras eram por Cristo e com Cristo; sua dignidade, ser Mãe de Cristo e pai putativo, respectivamente, [...] José, sol que deslumbra por sua branquíssima pureza, que mereceu chamar-se pai do Filho de Deus e ser esposo de sua Mãe, a Virgem Santíssima, e que ofuscou com a claridade de sua alma o brilho dos demais Santos, chegando quase a igualar à intacta pureza de sua Esposa”  (ISOLANO, op. cit. PI,c.16, p. 429; P.III, c.11, p. 562-563) [5]

São José, conservado casto no matrimônio virginal com Maria[6]

No matrimônio, São José conservou sua íntegra castidade, conforme escreveu o Papa São João Paulo II:

“20. Na Liturgia, Maria é celebrada como tendo estado «unida a José, homem justo, por um vínculo de amor esponsal e virginal». (31) Trata-se, de fato , de dois amores que , conjuntamente, representam o mistério da Igreja, virgem e esposa, a qual tem no matrimônio de Maria e José o seu símbolo. «A virgindade e o celibato por amor do Reino de Deus não só não se contrapõem à dignidade do matrimônio, mas pressupõem-na e confirmam-na. O matrimônio e a virgindade são os dois modos de exprimir e de viver o único Mistério da Aliança de Deus com o seu povo», (32) que é comunhão de amor entre Deus e os homens.

Mediante o sacrifício total de si próprio, José exprime o seu amor generoso para com a Mãe de Deus, fazendo-lhe «dom esponsal de si». Muito embora decidido a afastar-se, para não ser obstáculo ao plano de Deus que nela estava a realizar-se, por ordem expressa do anjo ele manteve-a consigo e respeitou a sua condição de pertencer exclusivamente a Deus.

Por outro lado, foi do matrimônio com Maria que advieram para José a sua dignidade singular e os seus direitos em relação a Jesus. «é certo que a dignidade da Mãe de Deus assenta tão alto, que nada pode haver de mais sublime; mas, por isso mesmo que entre a Santíssima Virgem a José foi estreitado o vínculo conjugal, não há dúvida de que ele se aproximou como ninguém dessa altíssima dignidade, em virtude da qual a Mãe de Deus ocupa lugar eminente, a grande distância de todas as criaturas. Uma vez que o casamento é a comunidade e a amizade máxima a que, por sua natureza, anda ligada a comunhão de bens, segue-se que, se Deus quis dar José como esposo à Virgem, deu-o não apenas como companheiro na vida, testemunha da sua virgindade e garante da sua honestidade, mas também para que ele participasse, mediante o pacto conjugal, na sua excelsa grandeza. (33)”

NOTAS:

(32) Exort. Apost. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), n. 16: AAS 74 (1982), p. 98.

(33) Leão XIII, Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): l.c., pp. 177-178.

Comenta o padre Reginald Garrigou-Lagrange: “Leão XIII na encíclica “Quanquam pluries”, de agosto de 1899, escrita para proclamar o patrocínio de São José sobre a Igreja universal. Ele diz: “Certamente a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada pôde ser criado acima dela. No entanto, como José foi unido à bem-aventurada Virgem pelo laço conjugal, não se pode duvidar que ele se tenha aproximado, mais do que ninguém, dessa dignidade super-eminente pela qual a Mãe de Deus ultrapassa tanto todas as naturezas criadas.

A união conjugal é, com efeito, a maior de todas; em razão de sua própria natureza, ela acompanha-se da comunicação recíproca dos bens dos dois esposos.

Se, pois, Deus deu à Virgem José como esposo, certamente não somente o deu como apoio na vida, como testemunho de sua virgindade, guarda de sua honra, mas o fez também participar, pelo laço conjugal, da eminente dignidade que ela recebeu.”[7] 

A mais firme resolução de sua vida: manter-se casto

Encontramos na obra de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, sobre São José, a narração de um belo episódio sobre sua castidade:

“Outro personagem que o arrebatava era Urias, um dos mais valorosos generais de Davi (cf; II Sm 11, 7-13).Impressionava-o, sobretudo, seu gesto de fidelidade quando, durante uma guerra, foi chamado a Jerusalém pelo rei, que pretendia disfarçar o horrível pecado de adultério cometido com sua esposa Betsabeia. Nessa ocasião Urias não quis repousar em sua própria casa, mas dormiu na porta do palácio real, com os outros servos. Ao ser-lhe interrogado o motivo desse procedimento, ele respondeu: “A Arca se aloja debaixo de uma tenda, assim como Israel e Judá. Joab, meu chefe, e seus suboficiais acampam ao relento, e teria eu ainda a coragem de entrar em minha casa para comer, beber e dormir com minha mulher? Pela tua vida, não farei tal coisa (II Sm 11, 11). Ou seja, tão extrema era a dedicação deste corajoso oficial que, a fim de não perder a disposição para a luta e o sacrifício, guardou castidade perfeita durante sua permanência em Jerusalém.

“Infelizmente o Rei Davi, como paga a tanta fidelidade, cometeu outro crime: mandou colocá-lo no posto mais arriscado do combate, expondo-o a morte certa (cf. Sm, 11, 14-17). Urias não teve sua recompensa nesta vida, mas, com toda a segurança, o Divino Juiz concedeu àquele indomável soldado o prêmio da glória.

“São José pensava na beleza da atitude de Urias e desejava imitá-la, mas não apenas uma vez, pois sua alma era guiada por parâmetros do Céu, onde todos vivem “como os Anjos de Deus” (Mt 22, 30 e ninguém se casa. Bem entendia que o Messias seria um Rei incomparavelmente mais sublime que o próprio Davi, e julgava ser vontade do Altíssimo pôr ao seu serviço homens que mantivessem perpétua castidade, livres de laços familiares e consagrados a Ele por inteiro e em todas as circunstâncias.

“Por esse motivo São José percebeu ser desígnio divino que se conservasse virgem, como único meio de cooperar na salvação da humanidade. E para isso era necessário alhear-se dos meios sociais da época, especialmente corrompidos pela impureza. Corte tão radical não custou muito ao Santo Patriarca, tanto ele admirava a pureza em sua mais integra manifestação. Dessa forma, aos vinte e um anos São José era um silencioso artesão dedicado ao trabalho e ao recolhimento, à espera de ver despontar o dia da libertação, a vinda do Messias” [8]

São José, modelo de pureza e castidade matrimonial

A Igreja nos apresenta São José como perfeito modelo de pureza e castidade, eis porque sempre foi casto e virgem e manteve intacta tal virtude após o matrimônio com a Santíssima Virgem Maria. Teve a insigne vocação de ser pai custódio do Senhor e de protetor da virgindade de Sua Mãe Santíssima, assumindo assim a dupla condição de Pai e Esposo Virgem. A esse respeito, escreveu São Tomás: “José quis despedir a Maria não para unir-se a outra mulher nem por suspeitar nela alguma falta, senão por reverência, cheio de um santo temor de viver ao lado de uma tão grande santidade. E, casado com Maria, pelo testemunho de José se comprovou o nascimento virginal de Cristo” (Suma Teológica 3, q. 29, a. 1).

 

A revelação da virgindade e parto de Nossa Senhora a São José

A respeito do episódio em que São José tomou conhecimento da concepção virginal de Maria, Frei Luís de Granada, OP, teceu os seguintes comentários:

“Depois da sagrada concepção do Filho de Deus nas entranhas virginais de nossa Senhora, diz São Mateus evangelista que José, percebida a gravidez da sacratíssima Virgem, não conhecendo seu mistério, sendo um homem justo e não querendo difamá-la, quis ir embora secretamente e deixá-la (Mt 1,19).

Aqui, primeiramente, se apresenta considerar a santidade deste glorioso patriarca, que devemos medir e valorizar pelo serviço para que Deus o escolheu, que foi o de ser esposo da sagrada Virgem, como também senhor e tido como pai de seu Filho. Duas grandíssimas dignidades! Em conformidade com essas, lhe foi dada a graça e a santidade. Em razão da graça, é de se crer que lhe foi dada uma pureza e castidade angélica, para que assim trata-se a Virgem com aquela pureza e reverência que merecia ser tratada aquela Senhora. Comparadas a ela, as mesmas estrelas do céu não eram limpas.

Diz, pois, o santo evangelista, que por ser justo, não quis José difamar a Virgem, mas tomar sobre si a pena e se afastar, deixando-a. Esta é uma das provas e argumentos da verdadeira justiça, que, para ser verdadeira, tem de ser acompanhada de misericórdia, como a de Deus. Porque a mesma lei de Deus lhe punha o punhal na mão. Mas como isto era em favor do ofendido, ele renuncia em Deus o direito que lhe cabe, e como o quer achar para com os seus mais misericordioso que rigoroso, assim procura que o ache seu próximo, tal qual ele queria achar Deus.

Por este motivo também é muito de se notar e imitar até onde deve chegar um homem antes de que abra a boca sobre a fama alheia. Porque, podendo o santo homem usar neste caso o direito que parecia ter de sua parte, quis antes perder terra e casa do que abria a boca contra a fama de uma pessoa que, como lhe parecia, era culpada.

Que dirão aqui os linguarudos e maldizentes, que sem ter nada com isto e mesmo sem saber com certeza os fatos abrem a boca contra as famas alheias e deixam manchada e destruída a fama dos outros, que alguns estimam mais do que à própria vida?

Ó línguas de escorpiões e basiliscos! Que olhando empeçonham os ares e matam os que os olham! Mas vós, envenenando os ouvidos de quem vos ouve matais os presentes e os ausentes, que, quando chegam a saber dessas infâmias, muitas vezes perdem, perdendo a paciência, as almas!

Mas quem poderá explicar o que se passava no coração da sacratíssima Virgem por este tempo? Porque não ignorava a prudentíssima Virgem o que ia pelo coração do esposo, pois não ignorava a ocasião que para tanto havia. Ela o olhava com aqueles olhos e aquele amor e reverência que merecia ser olhado um esposo tão santo, dado pela mão de Deus.

Qual seria, então, a compaixão, a pena e o sofrimento que a santa Virgem padeceria durante todo este tempo, vendo, diante de seus olhos, nos olhos e no rosto do esposo a seta que ele trazia fincada no coração?

Pois, se é tão própria nos bons a virtude da misericórdia e compaixão, quanto mais nesta rainha da misericórdia, qual seria a compaixão que teria daquele a quem tanto amava e via tão sofrido e com tanto motivo para isso?

E não deixemos de considerar também, nessa mesma ocasião, a mansidão, a paciência e a discrição da Virgem, e a obediência e conformidade com a divina vontade, nesta provação e em todas as outras que lhe pudessem vir. Nela oferecia a Deus seu coração e sal cruz com grande humildade e obediência, apresentando a Ele sua inocência e a ferida do esposo sofredor, suplicando remédio par ale, mas oferecendo-se, outra vez, como escrava não só para recebê-lo em suas entranhas, mas também para padecer por esta obediência tudo quanto fosse sua vontade.

Nem é digna de menor consideração a confiança que ela teria neste transe tão duro, fiando-se naquela infinita Bondade. Esperando que Ele olharia par a sua inocência e dos eu esposo, provendo a ambos do competente remédio. Pois se a santa Suzana, estando já condenada a morrer apedrejada pelo que não merecia, tinha seu coração, diante das pedras, cheio de confiança, esperando remédio do defensor da inocência, quanto maior confiança teria a Virgem, que tantas maiores prendas tinha da divina misericórdia?

Desta confiança vinha à sua alma uma paz tão grande e uma tranqüilidade e serenidade de consciência que o mar não está tão quieto quando dormem todos os ventos, nem tão sereno o céu, quando o vento frio afastou todas as nuvens, quanto estava aquela alma bendita em meio a tão grande tempestade. Porque se a paz é fruto da justiça e esta é filha legítima da confiança, que tão grande paz teria quem tinha na justiça uma tão grande confiança?” [9]

 

(Extraído de “A FELICIDADE ATRAVÉS DA CASTIDADE”, págs.144/152. Desejando receber o texto integral desta obra, favor enviar mensagem para o email juracuca@gmail.com – Juraci Josino Cavalcante)



[1] “SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?...” Mons. João S. Clá Dias – págs. 25/27

[2] Obras Ascéticas de San Alfonso Maria de Ligorio – As Glórias de Maria – BAC – págs. 914/918

[3]  “SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?...” Mons. João S. Clá Dias – pág. 25)

[4]  “SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?...” Mons. João S. Clá Dias -– págs. 62/65

[5] “SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?...” Mons. João S. Clá Dias – pág 63, nota n. 12)

[6] Exortação Apostólica “Redemptoris Custos”, de João Paulo II sobre a figura e a missão de São José a vida de Cristo e da Igreja – 15 de agosto de 1989

[7] Pe. Reginald Garrigou-Lagrange O.P  http://www.permanencia.org.br/revista/teologia/jose.htm

[8] “SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?...” Mons. João S. Clá Dias – págs. 69/71)