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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Igreja promove reconciliação em Ruanda

O genocício de Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das últimas grandes catástrofes promovidas pelo próprio homem. E, comprovadamente, o massacre teve participação ativa da mídia, conforme nossa postagem de 05.08.2008: "Genocídio de Ruanda teve participação ativa da mídia" .
Decorridos mais de dez anos do genocídio, os padres palotinos estão promovendo a reconciliação entre as duas etnias que se degladiaram naquela época.
A Fundação Ajuda à Igreja que sofre (AIS) e o Programa ECCLESIA, do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja, prosseguem a sua divulgação de breves documentários sobre a Igreja perseguida em várias partes do mundo. Os programas são transmitidos no espaço televisivo da Igreja Católica na RTP 2, pelas 18h30.

O segundo documentário, transmitido a 12 de Agosto, intitula-se "Ruanda: reconciliação". Em 1994, milhares de pessoas morreram barbaramente, nas mãos dos militares e milicianos ligados ao antigo regime. Durante três meses seguidos, foram assassinadas cerca de 800 mil tutsis e hutus oposicionistas, naquilo que ficou conhecido como o Genocídio de Ruanda.

Após este massacre, os Padres Palotinos deram início a uma campanha evangélica, à qual deram um nome local: Isanamutima, que significa reconciliação. Segundo o Padre Zdzisław Pawłowski "todos os que sobreviveram, neste país ou fugidos no estrangeiro, sofreram e nenhum saiu ileso, sem feridas psicológicas ou espirituais. Apesar de 'seguir em frente' ser uma necessidade humana, a perspectiva das pessoas continua a ser orientada pelo que aconteceu. Um peso poderoso que toda a comunidade – de Ruanda e da Igreja de Ruanda – todos nós, nos esforçamos por apagar".

Em Ruhango, a centenas de quilómetros de Kibeho, foi construído o maior santuário de África dedicado a Deus Misericordioso: O Centro de Reconciliação Jesus Misericordioso. Consagrado em 1998, é um local de contínua oração e adoração do Sacramento Sagrado. Um local de retiro e orientação espiritual. Todos os meses centenas de pessoas de toda a Ruanda assistem a uma espantosa missa e serviço de cura celebrada aqui.

A AIS - Ajuda à Igreja que Sofre ajudou a construir 50% deste Centro. Segundo o Padre Stanislaw Urbaniak, a Ajuda à Igreja que Sofre não só teve um papel importante na construção deste centro, como possibilita que os ruandeses lá vão, se reconciliem entre si, se reconciliem com Deus e com o ser humano em geral.

Um dos testemunhos apresentados neste documentário mostra uma impressionante história de perdão de uma rapariga que assistiu à morte do seu pai. O assassino cortou um dedo do seu pai e obrigou-a a comê-lo. Depois de um retiro no santuário de Jesus Misericordioso visitou o assassino, na prisão, para lhe dizer «Eu perdoo-te».

O ciclo de documentários prossegue a 19 de Agosto, com a reportagem "Bulgária: uma noviça durante 44 anos". África domina as duas últimas transmissões, com os programas "Etiópia: pouco a pouco", a 26 de Agosto, e "Zimbabué: saído das trevas", a 2 de Setembro.

AIS

Em todo o mundo existem milhões de pessoas que sofrem perseguição religiosa. Ajudar quem passa por estas situações e informar a opinião pública sobre as mesmas tem sido o mote da acção da AIS, uma organização internacional sem fins lucrativos, dependente da Santa Sé, cujo objectivo é apoiar projectos pastorais nos países onde a Igreja Católica está em dificuldade.

A Organização tem secretariados nacionais em 17 países da Europa – incluindo Portugal -, na América e na Austrália, apoiando mais de cinco mil projectos todos os anos em cerca de 140 nações de todos os continentes.

A Fundação AIS depende única e exclusivamente da generosidade e boa vontade dos nossos benfeitores, uma vez que não recebemos qualquer tipo de ajuda institucional do Estado ou da UE.

Assista no youtube um vídeo, em inglês, sob o tema "Reconciliação" de Ruanda.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Testemunhos de católicos que salvaram judeus durante o "holocausto"

Em vista da visita de Bento XVI à Terra Santa, a Fundação Internacional Raoul Wallenberg lançou um apelo internacional para obter testemunhos de judeus salvos por católicos durante o Holocausto. "Durante a Segunda Guerra Mundial, um grande número de mulheres e homens católicos no continente europeu arriscaram suas próprias vidas para salvar os judeus perseguidos pelos nazistas. Somente uma parte destes salvadores foi devidamente reconhecida", explica a Fundação, em nota publicada por Zenit. A Fundação Internacional Raoul Wallenberg tem, entre seus objetivos, trazer à luz estas histórias de heroísmo e criar programas educativos para transmitir esses legados de coragem às jovens gerações. Esta campanha, iniciada pela Fundação Wallenberg, coincide com a visita do Papa Bento XVI a Israel, de 8 a 15 de maio, "e é uma forma de celebrar a presença do Sumo Pontífice na Terra Santa e o abraço fraterno entre católicos e judeus que a mesma simboliza", explica. As pessoas que possuem ou acreditam possuir informações ou evidências relacionadas com histórias de resgate protagonizadas por católicos podem contatar a Fundação por correio eletrônico (dannyrainer@irwf.org), ou por telefone + 1 212 7373275 (Nova Iorque), + 54 11 4382 7282 (Buenos Aires), + 972 2 62579916 (Jerusalém).

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Papa lembra a grande fome que matou milhões na URSS

Neste domingo ao meio-dia, depois da recitação do Angelus, dirigindo-se a um grupo de peregrinos ucranianos, na respectiva língua, Bento XVI evocou os 75 anos da "grande carestia" que causou milhões de mortos na Ucrânia e noutras regiões da União Soviética, durante o regime comunista. Assegurando a sua oração por todas as vítimas inocentes daquela terrível tragédia, o Papa exprimiu fervorosos votos de que "nunca mais nenhum ordenamento político venha a negar os direitos da pessoa humana e a sua liberdade e dignidade". Finalmente, invocou a Mãe de Deus "para que ajude as Nações a avançar na via da reconciliação e a construir o presente e o futuro no respeito recíproco e na busca sincera da paz". Na alocução antes do Angelus, recordando que se celebra neste último domingo do ano litúrgico a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo, Bento XVI fez notar que Jesus recusou o título de Rei quando este era entendido em sentido político, mas “durante a sua paixão reivindicou, diante de Pilatos, uma singular realeza, depois de – pouco antes – ter declarado que o seu reino não era deste mundo: “De fato, a realeza de Cristo é revelação e atuação da realeza de Deus Pai, que tudo governa com amor e justiça. O Pai confiou ao Filho a missão de dar aos homens a vida eterna amando-os até ao supremo sacrifício, e ao mesmo tempo conferiu-lhe o poder de os julgar, pois se fez Filho do homem, em tudo semelhante a nós”. Referindo depois o Evangelho do dia – a parábola do juízo final, Bento XVI observou que “as imagens são simples, a linguagem é popular, mas a mensagem é extremamente importante: é a verdade sobre o nosso destino último e sobre o critério com o qual seremos avaliados. “Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me, e assim por diante”. Uma página universalmente conhecida…“Esta página faz parte da nossa civilização. Marcou a história dos povos de cultura cristã: a hierarquia dos valores, as instituições, as múltiplas obras sociais e de assistência. De fato, o reino de Cristo não é deste mundo, mas conduz ao seu cumprimento todo o bem que, graças a Deus, existe no homem e na história. Se pomos em prática o amor pelo nosso próximo, segundo a mensagem evangélica, então damos espaço à senhoria de Deus, e o seu reino realiza-se no meio de nós. Se, pelo contrário, cada um pensa só nos próprios interesses, o mundo vai inevitavelmente em ruína”.“O reino de Deus não é uma questão de honras e de aparências, mas sim, como escreve São Paulo, “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” – sublinhou o Papa. “O que o Senhor tem a peito é o nosso bem: que cada um tenha a vida, e que especialmente os seus filhos mais pequenos possam ter acesso ao banquete por ele preparado para todos”: “No seu Reino eterno Deus acolhe todos os que se esforçam, dia após dia, por pôr em prática a sua palavra. Depois da recitação do Angelus, Bento XVI recordou ainda que nesta segunda-feira, em Nagasaki, no Japão, terá lugar a beatificação de 188 mártires, todos japoneses, homens e mulheres, mortos na primeira metade do século XVII. "Nesta circunstância tão significativa para a comunidade católica e para todo o país do Sol Levante", o Papa assegurou a sua "proximidade espiritual". Bento XVI referiu também outra beatificação, no próximo sábado, em Cuba: a do Irmão José Olallo Valdés, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. E confiou à sua celeste protecção "o povo cubano, especialmente os doentes e os trabalhadores do mundo da saúde".

domingo, 16 de novembro de 2008

Novo genocídio é denunciado pela Igreja

A agência FIDES publica denúncia de bispos africanos, onde se prenuncia novo genocídio, este agora no Congo. Os Bispos do Comitê Permanente da Conferência Episcopal congolesa (CENCO) lançam um “grito de dor e de protesto”, declarando-se “comovidos e aflitos com a tragédia humana no leste e no nordeste da República Democrática do Congo”.Numa mensagem enviada à Agência Fides com o título “A República Democrática do Congo chora por seus filhos, está inconsolável”, os membros do Comitê Permanente da CENCO afirmam que no leste do País acontece um “genocídio silencioso á vista de todos”. “Os grandes massacres gratuitos da população, o extermínio dos jovens, os estupros sistemáticos usados como arma de guerra: uma crueldade de uma violência imensa ocorre de novo contra as populações que pedem somente para poder viver de modo digno sobre a própria terra. Quem tem interesse nesse drama?”.Os Bispos criticam tanto os Capacetes Azuis ONU (“o fato mais deplorável é que as violências ocorrem à vista de pessoas impassíveis, dos que receberam o mandato de manter a paz e proteger a população civil”) como no governo central (“os nossos governantes se mostram impotentes diante da gravidade da situação, dando a impressão de não estar à altura dos desafios da paz, da defesa da população e da integridade do território nacional”) e mais uma vez destacando que “os recursos naturais da RDC alimentam a ganância de algumas potências. Com efeito, todos os conflitos acontecem nos espaços econômicos e em torno das jazidas minerais”.Na mensagem, também reiteram “a existência de um plano de balcanização, que nós sempre denunciamos, conduzido através dos intermediários. Temos a impressão de que existe grande cumplicidade. Pedimos ao povo congolês que não ceda nunca a qualquer idéia de balcanização do territorio nacional. Recomendamos que não aprovem jamais a discussão sobre as fronteiras internacionais do País, estabelecidas e reconhecidas pela Conferência de Berlim e pelos acordos sucessivos”. A Conferência de Berlim (1884-85) levou à divisão da África entre as Potências européias, definindo as fronteiras entre as diversas colônias, cujos traçados foram reconhecidos como linhas de fronteira intangíveis dos novos Estados independentes da então Organização para a Unidade Africana (que depois se tornou a União Africana), em 1963. Para cessar o conflito, os Bispos fazem apelo à comunidade nacional e internacional para aumentar a ajuda humanitária às populações dos campos de desabrigados, convidando a população congolesa a “um movimento nacional para viver como irmãos e irmãs na solidariedade e coesão nacional; pedem ao governo congolês “que exerça as funções do poder para proteger a população e as fronteiras” e fazem um apelo à comunidade internacional para que “se empenhe com sinceridade no respeito ao direito internacional”.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Genocídio de Ruanda teve participação ativa da mídia

A AFP divulga hoje uma notícia dando conta que o governo ruandês está acusando a França de participação ativa no genocídio de 1994. No total, 13 políticos e 20 militares franceses são acusados e processados pela Justiça de Ruanda, conforme inquérito que eles mesmos concluíram. O genocídio ruandês deixou, segundo a ONU, cerca de 800.000 mortos, entre a minoria tutsi e os hutus moderados. O atual governo ruandês, dirigido pela minoria tutsi, acusou em várias ocasiões a França de ter treinado e armado os autores do genocídio, o que Paris sempre desmentiu. Kigali rompeu no final de 2006 as relações diplomáticas com Paris depois que o juiz francês Jean-Louis Bruguière reclamou que o presidente Paul Kagame fosse julgado por sua suposta participação no atentado contra o avião do ex-presidente ruandês Juvenal Habyarimana em 6 de abril de 1994, fato que foi detonador do genocídio.
Vejamos como as coisas aconteceram na visão da mídia internacional:
O genocídio
Em Abril de 1994 a morte num atentado ao avião do presidente Juvenal Habyarimana e o avanço da Frente Patriótica Ruandesa produziu uma série de massacres no país contra os tutsis, e causou um deslocamento maciço de pessoas para campos de refugiados situados na fronteira com os países vizinhos, em especial o Zaire (hoje República Democrática do Congo). Em Agosto de 1995 tropas do Zaire tentam expulsar estes refugiados para Ruanda. Quatorze mil pessoas são devolvidas a Ruanda, enquanto que outras 150.000 se refugiam nas montanhas. Mais de 500.000 pessoas foram assassinadas e quase cada uma das mulheres que sobreviveram ao genocídio foram violentadas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados. O Tribunal criminal internacional, teve voto unanime contra o Dr. Gerard Ntakirutimana, médico missionário que exercia a medicina no hospital pertencente a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mungonero, o qual foi condenado por genocídio e por crimes contra a humanidade e sentenciado a 25 anos de prisão pela morte de duas pessoas e por atirar em refugiados Tutsis em vários locais. Ele foi condenado por fazer parte de ataques contra Tutsis na Colina de Murambi e Colina de Muyira em várias datas. Elizaphan Ntakirutimana, pai do Dr. Gerard Ntakirutimana e pastor presidente da associação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Mugonero, no oeste de Rwanda, foi também condenado a 10 anos de prisão por crimes menores. Elizaphan levou os atacantes para Igreja Adventista de Murambi em Bisesero onde era pastor presidente e ordenou a remoção do telhado do edifício, a fim de localizar os Tutsis que lá estavam abrigados. O ato conduziu às mortes de muitos dos que estavam no local. Ele também levou os atacantes a vários locais para localizar e matar Tutsis.
De acordo com a BBC, centenas de Tutsis que procuraram refúgio na igreja e no hospital Adventista enviaram uma carta a Elizaphan pedindo socorro. A carta, segundo a BBC incluia a frase: " Nos desejamos informar-lhe que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias". A resposta de Elizaphan Ntakirutimana foi de que eles deviam se preparar para morrer. As Milícias de Hutu, segundo as testemunhas chegaram pouco tempo depois com ambos os Ntakirutimanas. Só alguns Tutsis sobreviveram. Os Ntakirutimanas disseram no tribunal que eles tinham deixado a área antes das matanças. Elizaphan Ntakirutimana fugiu para os Estados Unidos depois das matanças, mas foi extraditado para a Tânzania. Seu defensor foi um dos mais caros advogados dos Estados Unidos, Dr. Ramsay Clark. O ICTR já realizou nove julgamentos, com 10 condenações e uma absolvição. Oito casos envolvendo 20 suspeitos. A expectativa é que mais seis casos deveriam ser concluídos até o ano de 2003. Foram mortos pelo menos meio milhão de pessoas, a grande maior parte da minoria étnica Tutsi, em atos de violência praticados pela maioria Hutu que estava governando o pais. No entanto, outro adventista foi o responsável pela salvação de 1268 tutsi e hutu abrigando-os no Hotel Mille Collines em Kigali. Paul Rusesabagina ficou mundialmente conhecido ao ser retratado no filme Hotel Ruanda. Paul Rusesabagina, residente na Bélgica, afirma que se não forem tomadas posturas duras contra o Tribalismo em Ruanda o genocídio poderá ocorrer novamente, desta vez pelas mãos dos tutsis, governantes do país desde o fim da matança.
Participação criminosa da mídia não é sequer mencionada
Ruanda tinha em 1993 uma população de 8,1 milhões de habitantes. Feito o censo de 2003, 9 anos após o bárbaro assassinato em massa feito em 1994, o país conta com apenas 7,8 milhões de habitantes. Realmente, houve um descenso, um decrescimento da população e, certamente, o genocídio foi a causa. Mas as coisas não aconteceram por acaso. A Rádio e Televisão Livre de Mil Colinas (RTLM), através de seu proprietário, Ferdinand Nahimana, e o jornal “Kangura”, por intermédio também de seu dono, Hassan Ngeze, extremista hutu, fizeram diversas reportagens conclamando os hutus à vingança. Um outro que foi responsabilizado diretamente pelo genocídio, conforme julgamento feito na própria ONU, foi o jornalista Jean-Bosco Barayagwiza, co-proprietário da RTLM. As transmissões da TV eram feitas sob toques marciais de tambores para incitar o ódio dos hutus contra os tutsis. Os jornalistas, em suas reportagens, exortavam abertamente a população ao massacre.
Um ex-repórter da RTLM, Georges Ruggin, declarou que a emissora recebia informações de milicianos hutus sobre operações que pretendiam desencadear e emitia boletins radiofônicos que ajudavam a localizar e capturar as vítimas, a grande maioria civis, e até mesmo padres e freiras. (dados tirados da “Folha de São Paulo”, 04.12.2003, A-13)