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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

O QUE LUCRARIA A IGREJA EM DOAR SEUS BENS?







Sóror Maria Natália Magdolna. das Irmãs de Santa Maria Madalena nasceu em 1901 perto de Pozsony, na atual Eslováquia. Foi uma mística do século passado e teve visões de Nossa Senhora e Nosso Senhor.. Recebeu as mensagens em húngaro. Sua vida está cheia de acontecimentos históricos e políticos já que viveu quase todo este século. Morreu a 24 de abril de 1992, em odor de santidade.
Magdolna, em húngaro, quer dizer Madalena, devoção tradicional na Hungria em honra de Santa Madalena:  em Budapest há uma igreja em ruínas, comumente chamada de “torre”, construída no século XIII em honra de Santa Madalena: “Mária Magdolna Torony”, Isto é, Torre Maria Madalena, ou também “Templom Magdolna”, igreja de Madalena.
Desde a mais tenra idade percebeu claramente sua vocação religiosa e aos dezessete anos entrou no convento de Pozsony. Aos trinta e três anos, suas superioras a enviaram para a Bélgica, de onde voltou pouco tempo depois porque adoeceu e a remeteram para a Hungria, sua pátria, onde viveu nos conventos de Budapest e Keeskemet.
Na Hungria, começou a ter locuções interiores e visões sobre o destino da Hungria e do mundo, embora desde criança houvesse tido fortes experiências místicas. Estas mensagens são um chamado à reparação dos pecados, à emenda e á devoção ao Coração Imaculado de Maria como a Vitoriosa Rainha do Mundo. A maioria destas mensagens escreveu-as entre os anos de 1939 e 1943.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Sóror Natália aconselhou o Papa Pio XII que não fosse a Castelgandolfo, sua residência de verão, porque seria bombardeada, como de fato o foi.
Sóror Natália teve que transmitir algumas mensagens muito duras à hierarquia católica da Hungria: que repartissem suas riquezas aos pobres, que deixassem seus palácios e que começassem a fazer penitência
Talvez tenha sofrido alguma influência do movimento progressista, em ascensão na Igreja, cuja filosofia defendia a pobreza total, mas não quer dizer que fizesse parte isso das mensagens divinas recebidas, que pedia penitência e não pobreza. Ou então, tudo é possível: alguns viram nisso que a Providência Divina pode ter previsto neste ato (doação dos bens aos pobres) uma forma da Igreja livrar seus bens das mãos dos comunistas que estavam prestes a tomar o poder, embora estando nas mãos do povo não se evitasse que fossem também tomados por eles. Seria até mais fácil.,
Para muitos este chamado à pobreza não somente era uma loucura mas um absurdo. Somente uns quantos fizeram caso do chamado do “Apostolado da Emenda”. Tratada com desdém, não viram nessa mensagem um aviso da Providência para o que viria a ocorrer em seguida. Isto é, o comunismo tomou conta do país e todos os bens da Igreja foram confiscados pelo governo. Então, nem a Igreja, nem os pobres, e sim os donos do novo poder que ficaram donos do patrimônio milenar da igreja.
Somente depois da guerra, quando o cardeal Mindszenty em 1945 foi eleito Primado da Hungria, começou o movimento de reparação de uma forma séria, mas tardiamente, pois a perseguição era total e não deixava a Igreja respirar. muito menos voltar a possuir o que era dela. 
O terror contra o povo húngaro foi três vezes mais severo do que nos países satélites vizinhos. Confiscou todas as suas escolas, dispersou as ordens religiosas e tomou seus conventos e mosteiros. Todo o mundo se inteirou da trágica sorte do Primado da Hungria, o cardeal Joseph Mindszenty, o qual lutou valentemente contra a tirania vermelha. Sóror Natália compartiu a sorte de suas irmãs religiosas e teve que viver escondida, mas sua vida mística continuou e sob a orientação de seu novo diretor espiritual, em 1981, começou a escrever novamente seu diário.
Quem desejar saber maiores detalhes sobre a vida desta mística e a mensagem que lhe foi transmitida pela Divina Providência, chamada de ‘A VITORIOSA RAINHA DO UNIVERSO”, acesse este site
Isto foi oque ocorreu na Hungria no século passado em que predominou o comunismo. Temos home uma situação diferente. A Europa é invadida pelo ceticismo ateu de um lado, e pelo islamismo bárbaro de outro. Outros continentes sofrem  males semelhantes ou piores. Já quase não há mais uma fé católica que justifique a veneração por seus monumentos, suas catedrais, seus conventos e toda a sua riqueza cultural e religiosa. Entregar tais riquezas para a posse de quem? Dos pobres? Que pobres são estes? São católicos que têm realmente fé e veneração por aquilo que vão possuir? Ou são apenas uma multidão de ateus e muçulmanos que hoje povoam a Europa e tantos outros continentes outrora cristãos?
Não se iludam. O resultado disso é que tais monumentos, ou tais riquezas, serão inapelavelmente destruídas, queimadas, algumas transformadas em mesquitas, outras em mansões dos magnatas do petróleo árabe.
É só o que se pode esperar de medida tão insana.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

E Deus escolheu homens para o sacerdócio


Assim como Deus quis criar um Patriarcado genético para daí suscitar as gerações que povoassem a terra, efetivamente criou também uma espécie de Patriarcado espiritual, o sacerdócio, exclusivo dos homens.
No início da humanidade, o sacerdócio era exercido de uma forma rudimentar, não era ainda uma instituição formal criada por Deus. No entanto, as funções próprias do sacerdote eram exercidas só por homens, inicialmente pelos chefes de famílias ou Patriarcas e depois pelos chefes de tribos. Os primórdios do sacerdócio foram praticados por Caim e Abel (Gn 4, 3-4). Um outro provável sacerdócio remoto foi o de Enós, que "começou a invocar o nome do Senhor" (Gên 4, 26). Esta expressão significa fazer imolação a Deus, como se vê em Gênesis 13-4 quando Abraão erigiu um altar para "invocar o nome do Senhor". Quer dizer, vêem-se aí duas funções próprias do sacerdócio sendo exercidas pelos primeiros homens: oferecer holocaustos e invocar o nome de Deus.
O Patriarca Noé talvez tenha sido o primeiro a erigir um altar para a oferenda de sacrifícios de imolação a Deus: (Gên 8, 20). As oferendas a Deus passaram a ser diferentes com o sacerdote Melquisedec (Gn 14, 18), uma pré-figura do Sacrifício da Nova Aliança: "
Alguns altares foram erigidos por Abraão, embora ele não exercesse funções tipicamente sacerdotais (Gên 12, 7). Abraão tinha tomado posse da terra de Canaã. Esteve no Egito, onde não fez sacrifícios, e voltou para Canaã novamente, levantando sua tenda próxima do mesmo altar que anteriormente havia feito (Gên 13, 4). E aí "invocou o nome do Senhor". Outro altar foi construído em Canaã, "ao pé do vale do Mambré" (Gn 13, 18). Mas os rituais ainda não eram perfeitos.
No entanto, o modelo do sacerdócio antigo encontramos em Melquisedec, pois ele é uma prefigura perfeita do Sacerdote Divino, Nosso Senhor Jesus Cristo, e da perfeita Oferenda: é o único caso citado no Antigo Testamento em que as oferendas são em forma de pão e vinho. Melquisedec era sacerdote e rei (de Salém) e sua oferenda foi aceita (Gn 14, 18), mas não consta que tenha sido oficializado aquele tipo de oferenda, pois até à vinda de Jesus Cristo os hebreus ofereciam normalmente vítimas animais, aves e cordeiros.
Em Madian, Moisés foi encontrar um sacerdote, seu futuro sogro, por nome de Raguel ou Jetro. (Ex 18, 12). Foi neste encontro com Moisés que Deus patenteou a importância que o poder espiritual tem sobre o temporal, pois foi Jetro que foi inspirado a ensinar a Moisés a melhor forma de dirigir e julgar o povo (Ex 18, 17-27). Por que Deus não o inspirou ao próprio Moisés? Porque este não tinha recebido o carisma do sacerdócio, embora fosse o principal patriarca e guia do povo. Aarão, irmão de Moisés, tornou-se o mais importante sacerdote dos hebreus, enquanto Moisés não recebeu de Deus o carisma sacerdotal, embora fosse da tribo de Levi, de tradição sacerdotal.


Entre alguns povos pagãos, o "sacerdócio" era exclusivo dos homens
Não há registro de nomes de sacerdotes famosos entre os povos antigos a não ser entre os hebreus, ou os que se relacionaram com aquele povo. Entre os egípcios antigos, a prática do “sacerdócio” era exercida pelos homens, a maioria deles inclusive acumulando o cargo de reis ou faraós. Um sacerdote é citado no Antigo Testamento, cujo nome era Putifar, que se transformou em sogro do Patriarca José, filho de Jacó. (Gn 41, 45 e 50). No entanto, a Bíblia não diz que tipo de sacerdócio exercia, poderia ser pagão ou até mesmo hebreu não se sabe. Antes dos egípcios, a História fala dos caldeus e dos sumérios, donos das primeiras civilizações terrenas, sempre revelando que seus sacerdotes eram homens. Que tipo de "sacerdócio" exerciam? Tudo indica que não só havia entre aqueles pagãos os que preparavam e presidiam as cerimônias de adoração de seus deuses, mas também outros que eram encarregados de mumificar os reis mortos com o fim de lhes "eternizar" a memória, reis ou faraós, aliás, que também eram tidos como deuses, ou, em alguns casos, sacerdotes inspirados por Deus que ofereciam sacrifícios autênticos, como o caso de Jetro, o sogro de Moisés, ou do famoso Melquisedec. Um “sacerdote” pagão famoso no antigo Egito foi Mâneto (séc. III a.C.), mas pelo fato de ter escrito um livro por nome “Aigyptiaka” (Egípcias), aliás em língua grega, fonte de estudos históricos de seu povo.
Somente quando o "sacerdócio" pagão tendeu para a feitiçaria ou necromancia é que começaram a surgir nomes de mulheres. Na Bíblia, o caso mais famoso foi o da necromante de Endor, consultada por Samuel (I Sam 28, 5-25). É de se supor que as mulheres estrangeiras citadas na Sagrada Escritura, que amaram o rei Salomão, eram, pelo menos em maioria, pitonisas, feiticeiras ou "sacerdotisas" de deuses pagãos (I Reis 11, 5-8).
Em alguns locais da Sagrada Escritura se refere a sacerdotes com os nomes de "profetas". É o que ocorreu no tempo de Santo Elias, quando ele teria liquidado com 450 profetas de Baal, um deus fenício ao qual era oferecido vítimas humanas. Então, não seriam aqueles homens somente "profetas" de Baal, mas espécies de sacerdotes ou bruxos.
Uma das feiticeiras mais terríveis desse tempo era Jezabel. Diz-se que ela foi feiticeira, pois era idólatra e tinha grande poder diabólico, mas não porque o afirma textualmente a Sagrada Escritura, que, aliás, não fala explicitamente de feiticeiros mas de idólatras. Era uma mulher ímpia e poderosa (III Reis 16, 31), tendo feito seu marido erigir um altar a Baal e o adorado, além de haver plantado um bosque sagrado.Jezabel mantinha 850 "profetas" idólatras (isto é, sacerdotes ou bruxos), 400 de Baal e 450 de Astarot ou Astarte, mas não se diz que a mesma era também “profetiza” ou “sacerdotisa”..

O Apóstolo São Paulo fala sobre o verdadeiro sacerdócio (Heb 7- 9), mas não sente a necessidade de esclarecer a razão de serem apenas homens a exercer tal ministério.

O verdadeiro sacerdócio ainda hoje é exercido pelos homens

A “questão” do sacerdócio feminino é resumida, mais ou menos, por essa declaração do cardeal progressista E. Schillebeeckx, O. P.: “A exclusão das mulheres do ministério [sacerdotal] é uma questão puramente cultural que hoje não tem sentido. Por que as mulheres não podem presidir a eucaristia? Por que não podem ser ordenadas? Não há argumentos para se opor ao sacerdócio das mulheres... Neste sentido, estou contente com a decisão [da igreja anglicana] de conferir o sacerdócio também às mulheres, e, em minha opinião, trata-se de uma grande abertura para o ecumenismo, mais que um obstáculo, porque muitos católicos caminham na mesma direção” (1)
O tema foi estudado e esclarecido formalmente pela Igreja, que publicou os seguintes documentos: “Instrução da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, “Inter Insigniores”, “A questão da admissão de mulheres ao sacerdote ministerial” (15 de outubro de 1976) e a “Carta Apostólica de João Paulo II”, de 22 de maio de 1994, à qual acrescentou o Cardeal Ratzinger: “Resposta à dúvida sobre a doutrina da Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis”, de 28 de outtubro de 1995.

Qual a principal razão da Igreja não admitir a mulher no sacerdócio?

Existem duas fortes razões: a da Tradição e a da Teologia. De conformidade com a Tradição, tanto Nosso Senhor Jesus Cristo quanto os Apóstolos quiseram preservar o antigo costume de escolher somente homens para o sacerdócio. Neste sentido, verifica-se que houve uma explícita vontade divina, tornada evidente pelos fatos narrados nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Objeta-se costumeiramente que Nosso Senhor não escolheu mulher entre os doze Apóstolos para conformar-se com os costumes judaicos de seu tempo. No entanto, os fatos demonstram claramente que Ele rompia ordinariamente com os costumes judaicos quando se tratava de temas candentes, como, por exemplo o da mulher: conversa publicamente com a samaritana (Jo 4, 7-26), não leva em conta a impureza da hemorroíssa (Mt 9, 20-22), permite que uma pecadora pública (Santa Madalena) aproxime-se d’Ele, beije seus pés e derrama nele perfumes (Lc 7, 36-49), perdoa a adúltera que iria ser apedrejada (Jo 8, 11), não temendo, sequer, ser tido como desrespeitador da lei de Moisés.
Perante tão grande liberdade que manifestava com relação aos costumes de seu povo, muitos deles censurados publicamente por Jesus, que dificuldade teria Ele em chamar algumas mulheres para juntar-se ao grupo dos doze Apóstolos? Pior do que isto foi perdoar a adúltera, receber Madalena, conversar com a samaritana, expulsar os vendilhões do Templo com um chicote. Se Ele tivesse a mesma opinião dos progressistas, isto é, que isto é uma “questão cultural”, como Deus que era, além de homem, seria fácil superar essa “questão”.
Vê-se o mesmo com relação aos Apóstolos no início da Igreja: embora tendo entre eles a própria Mãe de Jesus Cristo, que como tal poderia ocupar lugar de destaque na Hierarquia da Igreja, quem sabe até o cargo de São Pedro, no entanto nunca foi chamada, ou sequer lembrada, para as funções sacerdotais. Quando foram preencher o lugar deixado por Judas, aí tinha surgido a oportunidade de introduzir a primeira mulher entre eles; no entanto, o que fizeram? Submeteram à votação os nomes de dois homens para que um deles fosse o escolhido. Questão cultural também? Mas, como, se eles encontravam-se escondidos no Cenáculo, com medo dos judeus, numa reunião íntima e sem que o povo soubesse de nada?
Se os Apóstolos tivessem permanecido sempre entre os judeus, poderia se colocar a questão cultural. Mas não foi assim, pois logo tiveram que emigrar para o meio de diversos povos, dentre os quais o paganismo permitia “culturalmente” que mulheres fossem sacerdotisas em seus templos religiosos. Oportunidades não faltaram para as mulheres serem ordenadas. São Paulo narra os casos de diversas mulheres que foram suas excelentes colaboradoras. Cita-as nominalmente, como Prisca, Maria, Júnia, Trifena, Trifosa, Perside, Hermas, Patrobas e Olímpia, todas elas chamadas de cooperadoras (Rom 16, 3-15). Lídia foi também uma grande amiga e colaboradora do Apóstolo. Nos Atos dos Apóstolos, São Lucas também fala delas, como Priscila (At 18, 26) ou as “santas mulheres” (At 1, 14).
No início da Igreja, algumas seitas gnósticas e heréticas quiseram que a Igreja admitisse mulheres no sacerdócio, mas a idéia foi prontamente recusada pelos Padres daqueles tempos, dando prosseguimento não só à Tradição como também a um princípio teológico baseado na vontade de Cristo.
O outro argumento que se soma ao da Tradição é o da fundamentação teológica, baseada na expressa vontade divina. O ministério sacerdotal é sinal sacramental de Cristo Sacerdote e Vítima. Os sinais sacramentais não são meramente convencionais, são símbolos naturais que representam ou significam por uma natureza semelhante. Desta forma, o pão e o vinho para a Eucaristia são sinais adequados por representar o alimento fundamental dos homens, a água para o Batismo por ser o meio natural de se limpar, lavar, etc. Isto vale não só para as coisas mas também para as pessoas. Portanto, se nos sacramentos é necessário que se expresse um sinal de Cristo, o mesmo pode-se dizer do sacerdócio, por ser Ele o supremo Sacerdote; o ministério afim somente pode ser exercido com uma pessoa da mesma natureza. A Encarnação do Verbo fez-se numa pessoa do sexo masculino, e isto é uma questão de fato que tem relação com toda a Teologia.
Os progressistas também refutam que, ao encarnar-se, Cristo não representa com sua masculinidade o varão mas sim a humanidade. Desta forma, não é o varão que representa adequadamente Cristo no sacerdócio, mas toda a humanidade, incluindo as mulheres. Ora, os sinais sacramentais têm que guardar os sinais adequados, isto é, devem ser o mais específico possível. Se a Eucaristia só é válida sob a forma do pão e do vinho, como então colocar-se outros alimentos em seu lugar sob o pretexto de que o trigo e a uva os compõem? Com relação ao sacerdócio, somente o homem possui em sua essência e natureza um sinal adequado ao de Cristo Sacerdote.

A palavra final da Igreja

A fim de dar uma palavra final sobre o assunto, também tratado por Paulo VI através da Declaração “Inter Insigniores” , em 15.10.1976, o Papa João Paulo II publicou uma Carta Apostólica, sob o título de (que pode ser lida clicando aqui) “Ordinatio Sacerdotalis”.
Pode também ser visto importante vídeo na TV Arautos sobre o tema do sacerdócio.

(1) “Soy un teólogo feliz”: Entrevista c/ F. Strazzati, Sociedad de Educación Atenas, Madrid 1994, pp. 117-118


Esclarecimento do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sobre a ordenação de mulheres

Declarações do Cardeal-Patriarca de Lisboa à Revista “Ordem dos Advogados”, sobre a Ordenação de Mulheres


ESCLARECIMENTO

1. Numa entrevista concedida à revista “Ordem dos Advogados”, a entrevistadora pôs-me a questão da ordenação de mulheres. A minha resposta provocou reacções várias e mesmo indignação. Devo confessar que nunca tratei deste assunto sistematicamente. Sempre me referi a ele ou respondendo a perguntas de entrevistadores, ou a perguntas do público no diálogo que se seguia a conferências minhas sobre variados temas. As reacções a esta entrevista obrigaram-me a olhar para o tema com mais cuidado e verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reacções. Sinto-me, assim, na obrigação de expor claramente o meu pensamento, em comunhão com o Santo Padre e com o Magistério da Igreja, obrigação minha como Bispo e Pastor do Povo de Deus (cf. LG. nº 25).
2. O não conferir a mulheres o sacerdócio apostólico, através da ordenação sacerdotal, é uma tradição que radica no Novo Testamento, no próprio Jesus Cristo e na maneira como lançou as bases da Sua Igreja.
Nosso Senhor Jesus Cristo leva à plenitude a criação e dessa plenitude faz parte a harmonia de homens e mulheres, na sua diferença complementar e na sua igual dignidade, dando pleno cumprimento à narração da Criação: “Deus criou o homem à Sua Imagem; à Imagem de Deus Ele o criou; homem e mulher Ele os criou” (Gen. 1,27). Esta complementaridade do homem e da mulher na história da salvação, atinge a sua plenitude na relação de Cristo e de Maria. O lugar e a missão de Maria inspiram fortemente a Igreja, na complementaridade da missão. A contemplação de Nossa Senhora é importante para compreender o rosto feminino da Igreja.
Quando Jesus escolheu os seus Apóstolos, escolheu homens embora fosse sempre seguido por mulheres que O acompanham até à Cruz. É certo que a consideração cultural e social da mulher na sociedade judaica, não facilitaria a escolha de mulheres para a missão de apóstolos. O Santo Padre Bento XVI, no II vol. de “Jesus de Nazaré”, reconhece que, no testemunho da Ressurreição, na tradição sob a forma de profissão, são referidos apenas homens, talvez porque na tradição judaica, apenas eram aceites como testemunhas em tribunal os homens, o testemunho das mulheres sendo considerado não credível.
Esta forma de discriminação social não impede de sublinhar o papel decisivo das mulheres: “na tradição sob a forma de narração as mulheres têm um papel decisivo”. A diferença de ministério não diminui a dignidade da missão. Cito Bento XVI: “Na sua estrutura jurídica, a Igreja está fundada sobre Pedro e os onze, mas, na forma concreta da vida eclesial, são sempre as mulheres que abrem a porta ao Senhor”[1].
3. Depois do Pentecostes começa o tempo da Igreja, que continua o ministério de Jesus Cristo. A sucessão apostólica é dinamismo fundante e fundamental da Igreja nascente. Os Apóstolos impõem as mãos a homens que continuarão o seu ministério apostólico. O facto de não constarem mulheres entre estes sucessores e cooperadores, não significa uma minimização da mulher, mas a busca daquela complementaridade entre masculino e feminino, plenamente realizada na relação de Cristo com Maria. Nas Igrejas paulinas aparecem mulheres em grande relevo e com responsabilidade, quer na missão, quer na dinamização das comunidades cristãs. Mas o Apóstolo não lhes impõe as mãos. Na Igreja de Roma é conhecida a importância das “virgens” mártires.
Nestes primeiros tempos da Igreja é notória a harmonia entre o facto de o sacerdócio apostólico ser conferido a homens e a importância e dignidade das mulheres na Igreja. A dignidade fundamental de todos os fiéis procede da sua união a Jesus Cristo, o único Sacerdote. Toda a Igreja participa dessa dignidade, pois ela é um Povo Sacerdotal. A Primeira Carta de São Pedro é clara: “Vós, como pedras vivas, prestai-vos à edificação de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (2,5); “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido, para anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou das trevas à Sua luz admirável” (2,9).
Todos os membros da Igreja, homens e mulheres, participam desta dignidade real e sacerdotal, que exprimem sobretudo quando celebram a Eucaristia. Esta expressão supõe continuamente a presidência de Jesus Cristo, Cabeça da Igreja e Seu Senhor, que Ele exerce através do sacerdócio apostólico que, “in personna Christi”, garante a toda a Igreja a vivência da sua dignidade sacerdotal. Esta harmonia foi vivida e construída, de forma indiscutível, ao longo dos séculos. O ministério dos sacerdotes ordenados encontra a sua verdade na vivência da Igreja como Povo Sacerdotal.
4. A questão da ordenação de mulheres para o ministério do sacerdócio apostólico surge recentemente, sobretudo nos países ocidentais e explica-se por fatores diversos:
* Os movimentos de promoção da mulher, que defendem, não apenas a sua dignidade, mas a sua igualdade de direitos e funções nas sociedades modernas. Os movimentos feministas concretizaram esta luta na reivindicação de as mulheres serem iguais aos homens em todas as funções da sociedade. Os critérios teológicos da grande Tradição da Igreja são substituídos por critérios culturais e sociológicos.
* A perda da consciência da dignidade sacerdotal de todos os membros da Igreja, reduzindo a expressão sacerdotal ao sacerdócio ordenado.
* A compreensão do sacerdócio ministerial como um direito e um poder, não percebendo que ninguém, homens e mulheres, podem reivindicar esse direito, mas sim aceitar o chamamento da Igreja para o serviço, que inclui o dom da própria vida.
Este dado novo da sociedade provocou uma reflexão teológica e as mais claras intervenções do Magistério sobre esta matéria. A teologia séria, num primeiro momento, valorizou esta longa tradição da Igreja, mas não excluiu que se tratasse de uma questão aberta, na atenção que se deve prestar à atuação do Espírito Santo, na busca da expressão do mistério da Igreja nas realidades novas.
5. O mais recente Magistério dos Papas interpreta esta tradição ininterrupta, que tem a sua origem em Cristo e no corpo apostólico, não apenas como uma maneira prática de proceder, podendo mudar ao ritmo da ação do Espírito Santo, mas como sendo expressão do próprio mistério da Igreja, que devemos acolher na fé. Cito o texto do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”: “Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia atualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc. 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
Somos, assim, convidados a acatar o Magistério do Santo Padre, na humildade da nossa fé e continuarmos a aprofundar a relação do sacerdócio ministerial com a qualidade sacerdotal de todo o Povo de Deus e a descobrir a maneira feminina de construir a Igreja, no papel decisivo da missão das nossas irmãs mulheres.
6. Neste ano em que celebro 50 anos da minha ordenação sacerdotal, grande manifestação da bondade de Deus para comigo, foi bom prestar este esclarecimento aos meus diocesanos. Seria para mim doloroso que as minhas palavras pudessem gerar confusão na nossa adesão à Igreja e à palavra do Santo Padre. Creio que vos tenho mostrado bem que a comunhão com o Santo Padre é uma atitude absoluta no exercício do meu ministério.
Lisboa, 6 de Julho de 2011
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca


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[1] Bento XVI, Jesus de Nazaré, II vol., ed. Portuguesa, pag. 214


terça-feira, 12 de maio de 2009

Na Itália, Arcebispo proíbe comunhão na mão

O Arcebispo de Bolonha, Cardeal Carlo Caffarra, decidiu proibir a comunhão na mão em três igrejas de sua jurisdição e pediu aos sacerdotes muita cautela para evitar que se sigam cometendo abusos contra a Eucaristia.
Conforme informou a imprensa local, o Escritório de Pastoral das Comunicações Sociais da Arquidiocese de Bolonha publicou um comunicado oficial com as novas disposições do Cardeal.
O texto recorda que há vinte anos, em 1989, “entrava em vigor a resolução da Conferência Episcopal Italiana, que autorizava, com a aprovação da Santa Sede, a distribuição da Sagrada Comunhão na mão”.
Entretanto, precisa que nos últimos tempos se receberam notificações de graves abusos sobre esta decisão pelo que o Cardeal Caffarra decidiu que na Catedral de São Pedro, a Basílica de São Petrônio e o Santuário da Virgem de São Lucas, “a comunhão se distribua aos fiéis unicamente sobre a língua”.
Segundo uma carta do pró-vigário geral de Bolonha, Dom Gabriele Cavina, originaram-se “graves abusos”, porque “existem pessoas que levam as Sagradas Espécies para tê-las como ’souvenires’”, “quem as vende”, ou pior “quem as leva para profaná-las em ritos satânicos”.
O sacerdote explicou que, “por desgraça, se repetiram casos de profanação da Eucaristia aproveitando a possibilidade de receber o Pão consagrado na palma da mão, sobre tudo, mas não exclusivamente, nas grandes celebrações ou nas grandes Iglesias que são lugares de passagem de numerosos fiéis. Por este motivo é bom para controlar o momento da Santa Comunhão a partir do cumprimento das normas comuns por todos bem conhecidas”.
O Cardeal Caffarra pediu que durante as Missas, “os servidores ajudem ao Ministro, na medida do possível, vigiando para que cada fiel, depois de ter recebido o Pão consagrado o consuma imediatamente ante o Ministro e por nenhum motivo seja levado dali, ou colocado no bolso ou em sacos ou em qualquer outro lugar, ou caia no chão e seja pisado”.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Dom Cappio recebe prêmio na Alemanha

Todos lembram da greve de fome que o bispo Dom Cappio fez contra o que denominou de "desvio do Rio São Francisco?" Pois bem, a exemplo de outros ativistas, com cobertura fenomenal da mídia e de ONGs internacionais como José Rainha (o ativista do MST que chegou a receber um prêmio do governo da Bélgica), agora chegou a vez dele receber o salário por sua boa atuação na "defesa do meio ambiente". Vejam o informe da CNBB:

Por causa de sua luta em defesa da vida dos povos ribeirinhos e da preservação do Rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, recebe no sábado, 9, o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, concedido pela Fundação Kant. Em 2008, o bispo já havia recebido, aqui no Brasil, o premio Pax Christi Internacional, entidade que tem sua sede em Bruxelas.
Concedido a cada dois anos a personalidades que se destacam na defesa dos direitos humanos, o Prêmio Kant será entregue na cidade alemã de Freiburg. Será homenageado também o professor de Antropologia e ativista de direitos humanos, Jeff Halper, que protestou contra a destruição de casas de palestinos na Faixa de Gaza. O relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Richard Falk, estará presente.
Prêmio plural
“É um prêmio plural que simboliza as lutas populares do povo do nordeste na preservação do Rio São Francisco e da vida do povo ribeirinho. Nele estão presentes os indígenas, os quilombolas e várias ONGs”, disse dom Cappio ao explicar porque aceitou o prêmio.
Segundo dom Cappio, a premiação é um reconhecimento, no exterior, “das iniciativas do povo da base em defesa da vida”. Ele lamenta que o Governo brasileiro, “eleito por esse segmento”, não reconheça essas lutas. “O Governo brasileiro devia ser o primeiro a valorizar essas lutas do povo em defesa da vida, mas se faz de cego, surdo e mudo e continua alheio, trabalhando na contramão da história”, afirmou, numa referência explícita à transposição do Rio São Francisco, cujas obras continuam, executadas pelo exército.
Acompanhado do assessor Rubem Siqueira e da intérprete Andrea Ziegler, dom Cappio cumprirá uma extensa agenda de 20 dias nas cidades alemãs de Frankfurt, Berlim, Bonn, Bremen. “Serão encontros com o episcopado alemão, com entidades governamentais e com parlamentares”, esclarece. Dom Cappio visitará ainda a cidade austríaca de Graz e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, na cidade francesa de Strassbourg.
No dia 21, o bispo faz um pronunciamento no 32º Kirchentag, o mais importante evento religioso em solo alemão, promovido pela Igreja Luterana. Em 2008, o encontro reuniu 20 mil pessoas. A viagem será viabilizada pela colaboração entre Missão Central dos Franciscanos, Fundação Kant, Misereor, Adveniat, KOBRA.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Padres progressistas tentam apoio católico à candidata abortista e imoral do PT

Todos sabem que Marta Suplicy, a candidata do PT à prefeitura de São Paulo, tem vida públida marcada por ações imorais. Além de conhecida “sexóloga”, pseudo ciência que propaga a imoralidade na juventude, a política petista defende afrontosamente o aborto e o homossexualismo. Chegou a participar de congressos homossexuais e colocar para tramitação, quando era deputada, um projeto de legalização das uniões gays. Preocupados em perder a eleição no maior reduto eleitoral do País, os ideólogos de Brasília (leia-se PT) tentaram armar uma aprovação dos católicos à candidata petista, usando para isto da influência de padres progressistas, antigos aliados do partido. Apesar da oposição da Arquidiocese de São Paulo, um grupo de padres progressistas, que se autoproclamaram “Fórum de Católicos pela Justiça”, distribuíram milhares de panfletos apoiando Marta. O próprio Lula chegou a falar deste apoio como uma esperança de apoio religioso à sua candidata, já que os evangélicos se decidiram pelo outro candidato. Segundo a imprensa, o grupo foi liderado pelos padres Tarcísio Marques e Júlio Lancelotti, sendo que este último (isto mesmo!) é aquele sacerdote que lidava com os marginais da casa do menor infrator de São Paulo e sofreu chantagem por, supostamente, praticar atos indecorosos com um deles. Houve pronta reação de grupos católicos contra tão insólita adesão, que pretendia fazer reviver os velhos tempos em que os progressistas falavam demagogicamente, a uma só voz, com a esquerda petista. A propósito, segue abaixo a nota do bispo auxiliar de São Paulo, Dom Pedro Luiz Stringhini, em que desautoriza os membros do “Fórum de Católicos pela Justiça” usar o nome dos católicos para apoiar uma política abortista e imoral a cargo político.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Informo e esclareço o que segue. No dia 17 de outubro de 2008, às 9:00 h, aconteceu, na Região Episcopal Belém, Arquidiocese de São Paulo, uma reunião, com a participação de cerca de 200 pessoas, dentre as quais 40 padres, sendo 9 padres da Região Episcopal Belém. Dessa reunião, resultou um manifesto de apoio à candidata Marta Suplicy, que disputa a Prefeitura de São Paulo, intitulado “Católicos pela Justiça, em favor dos mais Pobres”.
Dois dias antes, quando eu soube que havia sido marcada uma reunião, para a qual os padres estavam sendo convidados, eu estava reunido com 12 padres. Expressei-lhes minha contrariedade e _aconselhei_ a que os padres da Região não participassem.
Na sexta-feira, enquanto acontecia a reunião (e eu me dirigia a Itaici para a Assembléia das Igrejas do Estado de São Paulo) já começaram a chegar telefonemas e mensagens de católicos e outros protestando contra a presença dos padres e o referido apoio.
Imediatamente, da estrada, telefonei à secretaria da Região, pedindo que avisassem aos 63 párocos da Região que estava _proibida_ a divulgação, nas Igrejas, da referida nota, pelo já tão conhecido motivo de que a participação da Igreja na sociedade existe em vista do bem comum e da justiça, mas não é partidária e, por isso mesmo, jamais se posiciona em favor deste ou daquele candidato/a. Por isso, a Igreja não aprova a participação de padres em apoio a um manifesto de caráter político, partidário, eleitoral. O evangelho, nesse domingo, exortava a “dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21).
Assim foi feito e, do que pude me informar, hoje, segunda-feira, de fato não ocorreu a divulgação. E o clima nas 250 comunidades da Região Belém é de grande serenidade (cf. At 9,31). O povo ama sua Igreja, participa de sua missão evangelizadora e reconhece o imenso bem que realiza, em nome de Jesus Cristo, na defesa da vida e na solidariedade aos pobres. Peço perdão aos católicos que se sentiram ofendidos e, em nome das comunidades e seus padres, desejo transmitir paz e serenidade através dos mesmos meios de comunicação, que prontamente se empenham na divulgação de incidentes como o acima relatado. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).
Em Cristo Jesus, fraternalmente,
Dom Pedro Luiz StringhiniBispo Auxiliar de São PauloRegião Episcopal BelémSão Paulo, 20 de outubro de 2008.Ano Santo Paulino