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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O QUE DISSERAM ALGUNS PAPAS SOBRE NOSSA SENHORA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS

 



Bento XIV, Bula Gloriosæ Dominæ:

"Nossa Senhora é o rio que traz aos miseráveis mortais todas as graças e presentes de Deus".

Pio VII, Bula Ampliatio privilegiorum ecclesiae Beatæ Mariæ Virginis ab angelo salutatae in cenobio Fratrum Ordinis Servorum Beatæ Mariæ Virginis:

"Nossa Senhora é, pois, a dispensadora de todas as graças de Deus aos homens" (gratiarum omnium dispensatricem).

Pio IX, Bula Ineffabilis Deus (dogma da Imaculada Conceição):

"E depois reafirmamos a Nossa mais confiante esperança na beatíssima Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação ao mundo; naquela que é glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e coroa de todos os Santos; seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo; poderosíssima mediadora e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito; fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa."

Papa Leão XIII, Iucunda Semper Expectatione:

8. Para este mesmo fim, em perfeita harmonia com os mistérios, tende a oração vocal. Procede, como é justo, a oração dominical dirigida ao Pai celeste. Em seguida, após haver invocado o mesmo Pai com a mais Pobre das orações, do trono da sua majestade a nossa suplicante volve-se para Maria, em obséquio à lembrada lei da sua, mediação e da sua intercessão, expressa por S. Bernardino de Sena com as seguintes palavras: "Toda graça que é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo, de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós" (S. Bernardino de Sena, Sermo VI in Festis B. M. V., De Annunciatione, a. 1, c. 2).


Leão XIII, Iucunda Semper Expectatione:

"20. E Deus, ó Veneráveis Irmãos, que "na sua misericordiosa bondade nos deu uma Mediadora tão poderosa" (S. Bernardo, De C II Praerogativis B. M. V., n. 2), "e quis que tudo nos viesse pelas mãos de Maria" (S. Bernardo, Sermo in Nativitatem B. M. V., n. 7), pela intercessão e pelo favor dela acolha propício os votos e satisfaça as esperanças de todos. Como auspício, pois, destes bens, juntamos de todo coração para vós, para o vosso clero e para o vosso povo a Bênção Apostólica."

Leão XIII, Adjutricem Populi:

4. Impossível seria, pois, dizer que amplitude e que eficácia hajam adquirido os seus socorros, quando ela foi levada para junto de seu divino Filho, àquele fastígio de glória que convinha à sua dignidade e ao esplendor dos méritos. Com efeito, de lá do alto, consoante os desígnios de Deus, ela começou a velar sobre a Igreja, a assistir-nos e a proteger-nos como uma mãe; de modo que, depois de ter sido a cooperadora da redenção humana, tornou-se também, pelo poder quase ilimitado que lhe foi conferido, a dispensadora da graça que em todos os tempos jorra dessa redenção.

Por isto, com bem razão as almas cristãs, obedecendo como que a um instinto natural, sentem-se arrastadas para Maria, para lhe comunicarem com toda confiança os seus projetos e as suas obras, as suas angústias e as suas alegrias; para recomendarem com filial abandono suas pessoas e suas coisas à bondade e solicitude d'Ela. Por este justíssimo motivo, todos os povos e todos os ritos têm-lhe tributado louvores, que têm vindo sempre crescendo com o sufrágio dos séculos. Donde os títulos a ela dados de "Mãe nossa, nossa Mediadora" (S. Bernardo, Sermo II in Advento Domini, n. 5), "Reparadora do mundo inteiro" (S. Tharasius, Oratio in Praesentatione Deiparae), "Dispensadora dos dons celestes" (In Off. Graec., 8 dec., post oden 9).

Leão XIII, Octobri Mense:

"... assim, tal como não se pode ir ao Pai Supremo senão pelo Filho, não se pode chegar a Cristo senão por Sua Mãe".

Leão XIII, Fidentem Piumque Animum

7. E quem quererá considerar excessiva e censurar a grande confiança depositada no auxilio e na proteção da Virgem? Todos estão de acordo em admitir que o nome e a função de perfeito Mediador não convém senão a Cristo: porque só Ele, conjuntamente, Deus e Homem, reconciliou o gênero humano com seu sumo Pai: "Um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus Homem, aquele que a si mesmo se deu como preço de resgate por todos" (1 Tim. 2, 5-6). Mas se, como ensina o Angélico, "nada proíbe que algum outro se chame, sob certos aspectos, mediador entre Deus e os homens, quando dispositiva e ministerialmente coopera para a união do homem com Deus" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 26 a. 1), como é o caso dos Anjos, dos Santos, dos profetas e dos sacerdotes do velho e do novo Testamento, sem dúvida alguma tal título de glória convém, em medida ainda maior, à Virgem excelsa.

Com efeito, é impossível imaginar outra criatura que tenha realizado ou esteja para realizar uma obra semelhante à dela, na reconciliação dos homens com Deus. Foi ela que, para os homens fadados à eterna ruína, gerou o Salvador; quando, ao anúncio do mistério de paz trazido à terra pelo Anjo, ela deu o seu admirável assentimento, "em nome de todo o gênero humano" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 30 a. 1). Ela é aquela "da qual nasceu Jesus", sua verdadeira Mãe, e por isto digna e agradabilíssima "Mediadora junto ao Mediador”.


8. Como estes mistérios são sucessivamente propostos, no Rosário, à meditação dos fiéis, segue-se que esta oração põe em evidencia os méritos de Maria na obra da nossa reconciliação e da nossa salvação. Ninguém - assim pensamos pode subtrair-se a uma suave emoção ao contemplar a Virgem, ou quando visita a casa de Isabel para lhe dispensar os divinos carismas, ou quando apresenta seu filho pequenino aos pastores, aos reis, a Simeão. E que não sentirá a alma fiel quando refletir que o Sangue de Cristo, derramado por nós, e os membros nos quais ele mostra ao Pai as feridas recebidas "como penhor da nossa liberdade", não são outra coisa senão carne e sangue da Virgem? E, na realidade: "A carne de Jesus é carne de Maria; e, embora sublimada pela glória de ressurreição, todavia a natureza dessa carne permaneceu e permanece a mesma que foi tomada de Maria" (De Assumptione B. M. V., c. V, inter operas S. Augustini, PL, XL, Incerti Auctoris ac Pii, col. 1141-1145).

S. Pio X, Ad Diem Illum (50 anos do Dogma da Imaculada Conceição)

8. Mas não foi apenas para seu próprio louvor que a Virgem ministrou a matéria de sua carne ao Filho unigênito de Deus, que haveria de nascer com membros humanos (S. Beda Ven. lib. IV in Luc. XI), e que ela preparou, desta forma, uma vítima para a salvação dos homens; sua missão foi também velar por esta vítima, nutri-la e apresenta-la ao altar, no tempo estabelecido. Por isto, entre Maria e Jesus reinou perpétua sociedade de vida e sofrimentos, que nos permite aplicar a ambos estas palavras do Profeta: A minha vida vai se consumindo com a dor e os meus anos com os gemidos (Sl 30, 11). E quando chegou a hora derradeira de Jesus, vemos a Virgem "aos pés da cruz", horrorizada certamente ante a visão do espetáculo, "mas feliz porque seu Filho se oferecia como vítima pela salvação dos homens e, ademais, de tal modo partícipe de suas dores que teria preferido padecer os tormentos que cruciavam o seu Filho, tal lhe fosse dado fazer" (S. Bonav., 1 Sent., d. 48, ad Litt., dub. 4). — Em conseqüência dessa comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a Virgem fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade decaída (Eadmeri Mon., De Excellentia Virginis Mariæ,c. IX) e, portanto, dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por seu sangue.

9. Não se pode dizer, sem dúvida, que a dispensação destes tesouros não seja de alçada própria e particular de Jesus Cristo, porque fruto exclusivo de sua morte e por Ele mesmo, em virtude de sua natureza, o mediador entre Deus e os homens. Contudo, em vista dessa comunhão de dores e de angústia, já mencionada, entre a Mãe e o Filho, foi concedido à Virgem o ser, junto do Filho unigênito, a medianeira poderosíssima e advogada de todo o mundo (Pio IX, Bula Ineffabilis). O manancial, pois, é Jesus Cristo: E todos nós recebemos de sua plenitude (Jo 1, 16), do qual todo o corpo coligado e unido por todas as juntas que mutuamente se auxiliam, segundo a operação da medida de cada membro efetua o aumento do corpo de si mesmo em caridade (Ef. 4, 16). Como nota com acerto S. Bernardo, Maria é, na verdade, o aqueduto (Serm. De Temp., in Nativ. B. V., De Aquæductu, n. 4); ou então, essa parte média que tem por missão unir o corpo à cabeça e transmitir àquele os influxos e eficácias desta, o que vale dizer: o pescoço. Sim, diz S. Bernadino de Sena, ela é o pescoço de nossa Cabeça, pelo qual comunica todos os dons espirituais a seu corpo místico (S. Bern. Sen., Quadrag. de Evangelio æterno serm. X, a. III, c. 3). Torna-se, por conseguinte, evidente que não atribuímos à Mãe de Deus uma virtude geradora da graça, virtude esta que é só de Deus. Contudo, porque Maria excede a todos em santidade e em união com Cristo, e por ter sido associada por Ele à obra redentora, ela nos merece de congruo, segundo a expressão dos teólogos, o que Jesus Cristo nos mereceu de condigno, sendo ela ministra suprema da dispensação das graças . Ele (Jesus) está sentado à direita da Majestade nas alturas (Heb 1, 3). Ela, Maria, está à direita de seu Filho: O refúgio mais seguro, o mais valioso amparo de quantos se acham em perigo; nada, pois, temos a temer sob sua conduta, seus auspícios, seu patrocínio, sua égide (Pio IX, Bula Ineffabilis).

Bento XV, Inter Sodalicia:

"Com efeito ela sofreu e quase morreu com seu Filho sofredor e moribundo, abdicou dos seus direitos maternos para salvação dos homens, e tanto quanto lhe pertencia, imolou seu Filho para apaziguar a justiça de Deus, de modo que se pode justamente dizer que ela resgatou, com Cristo, o genero humano. Conseqüentemente, todas as graças que recebemos do tesouro são distribuidas pelas mãos da dolorosa virgem."

"Assim, toda graça e bênção vem a nós por meio de Nossa Santa Senhora. Portanto, além da intercessão dos santos, deve ser incluida a influencia dela, a quem os Santos Padres, saudaram com o título Mediatrix omnium gratiam "

Pio XII, Ad Cæli Reginam:

37. E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria - de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.

38. Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao seu Filho. "Tu finalmente, canta S. Sofrônio, superaste em muito todas as criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?" "A esses louvores acrescenta S. Germano: "A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos". João Damasceno chega a escrever o seguinte: "É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".

9. Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela - imune de toda a mancha do pecado, e toda bela apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus".

40. Nem a bem-aventurada virgem Maria teve apenas, ao seguir a Cristo, o supremo grau de excelência e perfeição, mas também participou ainda daquela eficácia pela qual justamente se afirma que o seu divino Filho e nosso Redentor reina na mente e na vontade dos homens. Se, de fato, o Verbo de Deus opera milagres e infunde a graça por meio da humanidade que assumiu - e se utiliza dos sacramentos e dos seus santos, como instrumentos, para salvar as almas; por que não há de servir-se do múnus e ação de sua Mãe santíssima para nos distribuir os frutos da redenção? "Com ânimo verdadeiramente materno para conosco - como diz o mesmo predecessor nosso, de feliz memória, Pio IX - e ocupando-se da nossa salvação, ela, que pelo Senhor foi constituída rainha do céu e da terra, toma cuidado de todo o gênero humano, e - tendo sido exaltada sobre todos os coros dos anjos e as hierarquias dos santos do céu, e estando à direita do seu unigênito Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor - com as suas súplicas maternas impetra com eficácia, obtém quanto pede, nem pode deixar de ser ouvida". A esse propósito, outro nosso predecessor, de feliz memória, Leão XIII, declarou que foi concedido à bem-aventurada virgem Maria um poder "quase ilimitado" na distribuição das graças; S. Pio X acrescenta que Maria desempenha esta missão "como por direito materno".


Paulo VI, Signum Magnum:

2. Mas de que modo coopera Maria no crescimento dos membros do Corpo Místico na vida da graça? Em primeiro lugar mediante a sua incessante súplica, inspirada por uma ardente caridade. A Virgem Santa, embora feliz pela visão da augusta Trindade, não esquece os seus filhos que caminham como Ela outrora na «peregrinação da fé» (L.G. 58). Contemplando-os em Deus e vendo bem as suas necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está «sempre vivo a interceder por eles» (Heb 7,25), deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira (cfr. L.G. 62). Desta sua ininterrupta intercessão junto do Filho pelo Povo de Deus, tem estado a Igreja desde os primeiros séculos persuadida, como testemunha esta antiquíssima antífona que, com algumas ligeiras diferenças, faz parte da oração litúrgica tanto no Oriente como no Ocidente: «à tua protecção nos acolhemos ó Mãe de Deus; não desprezes as nossas súplicas nas necessidades, mas salva-nos de todos os perigos ó (tu) que só (és) a bendita». Nem se pense que a intervenção maternal de Maria traga prejuízo à eficácia predominante e insubstituível de Cristo, nosso Salvador; pelo contrário, ela tira a sua força da mediação de Cristo e é dela uma prova luminosa (cfr. L.G. 62).

12. O que deve ainda estimular mais os fiéis a imitar os exemplos da Virgem Santíssima, é o facto de o próprio Jesus, tendo-lha dado por Mãe, implicitamente a ter apontado como modelo a imitar. De facto, é natural que os filhos tenham os mesmos sentimentos que as mães e reproduzam os seus méritos e virtudes. Portanto, assim como cada um de nós pode repetir com S. Paulo: «O Filho de Deus amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim» (Ga 2,20; cfr. Ef 5,2), do mesmo modo com igual confiança pode acreditar que o Salvador Divino lhe deixou, também a ele, em herança espiritual a Sua própria Mãe, com todos os tesouros de graça e de virtude de que a tinha cumulado, a fim de que os derramasse sobre nós, como efeito da Sua poderosa intercessão e da nossa corajosa imitação. É por isso que com razão S. Bernardo afirma: «Vindo a Ela o Espírito Santo, encheu-a de graça para Ela mesma; inundando-A novamente o mesmo Espírito, Ela tornou-se superabundante e transbordante de graça também para nós».

"Deus Filho comunicou a Sua Mãe tudo o que adquiriu pela Sua vida e pela Sua morte, os Seus méritos infinitos e as Suas virtudes admiráveis, e fê-la tesoureira de tudo o que o Pai lhe deu em herança; é por ela que Ele aplica os Seus méritos aos Seus membros, que comunica as Suas virtudes e distribui as Suas graças; é o Seu misterioso canal, o Seu aqueduto, por onde faz passar docemente e abundantemente as Suas misericórdias.

 


segunda-feira, 7 de julho de 2025

GRAVES ERROS DE ALGUNS PAPAS QUE NÃO ENVOLVERAM A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA

 



 


O Papa sofre influência direta do Espírito Santo, que guia a Igreja através de inspirações a seu Corpo Místico e ao Vigário de Cristo na terra. No entanto, há influência externas de outras naturezas, como as do mundo, dos próprios fieis, dos bispos e cardeais, etc., as quais podem induzir o Pontífice a corrigir falhas ou até a cometer erros. Mosenhor Henri Delassus, em sua obra “La Conjuration Antichrétienne”, publicada em 1910, relata episódios em que a vidente Catharina de Emmerich visitava misticamente o Papa de seu tempo trazendo-lhe orientações sobre como proceder em casos duvidosos. Houve outros casos em que simples fieis davam orientação aos Papas através de visões místicas, como, por exemplo, o fez Santa Catarina de Siena no caso do cisma do Ocidente.

Há casos, porém, em que surgem outras influências más, oriundas de pessoas do mundo, mas que são próximas ao Papa. Nunca, porém, nenhum Papa cometeu erro de doutrina, de moral, de fé, fazendo prevalecer sempre o dogma da infalibilidade pontifícia nessas matérias.

E o Papa pode errar?

Transcrevemos parte do texto divulgado pela Gaudium Press, de autoria de Luís Toniolo, onde conclui desta forma:

“Posto o ensinamento sobre a Infalibilidade na Pastor Aeternus, cabe levantar algumas perguntas frequentes sobre esta autoridade papal.

O Papa erra?

Sim. A Pastor Aeternus deixa bem claro que este carisma de indefectibilidade se estende somente em matéria de Fé e moral. Isso quer dizer que o Papa pode errar em outras matérias que não tenham ligação diretamente com a Fé. Por exemplo, o Romano Pontífice pode errar em matéria de ciência, política e arte. Seus gostos estéticos podem ser lamentáveis, entretanto, em nada sua infalibilidade estará maculada.

O Papa pode pecar?

Sim. Infelizmente – dói dizer – nem todos os Papas foram santos. Entretanto, seus ensinamentos, ao menos aqueles que proferiram, com os lábios ou por escrito, não contêm erros contra a Fé. Se suas obras, como a dos fariseus no tempo de Jesus, não condizem com sua doutrina, ainda neste caso permanece intacta a infalibilidade.

É preciso rezar pelo Papa?

Em tempos de crise, a busca da verdade se torna mais intensa, pois quando as nuvens toldam os céus do mundo, o homem procura uma estrela, um farol, algo que possa guiar-lhe nas incertezas e nas dúvidas, na escuridão do erro e do pecado.

Nestas horas, falsas luzes podem levar ao naufrágio a barca de Pedro.

É papel do Papa, faz parte de seu ministério, é sua missão, dizer ao mundo onde está a Verdade.

Rezemos pelo Papa. Por Luis Toniolo”.[1]



[1] Texto publicado por ocasião do 150º aniversário da promulgação do dogma da infalibilidade pontifícia em julho de 2020-   Pastor Aeternus: o Papa não erra (I) | Gaudium Press   -  Pastor Aeternus: o Papa não erra (II) | Gaudium Press

 

Um pontificado cheio de erros foi o do cardeal Roderic Llançol i de Borja, o famoso Alexandre VI (1492-1503). Mas, erros mais na linha moral, dos costumes e administrativos. Seu pontificado foi tido como um paradigma de corrupção moral, inclusive causando escândalos contra a castidade, tendo filhos através de relacionamentos pecaminosos com algumas damas. Provocou uma verdadeira invasão secular dentro da Igreja e muito nepotismo: nomeou dezenas de parentes para altos cargos na Igreja. Foi acusado até de cometer o pecado de simonia. No entanto,  Alexandre VI protegeu as ordens religiosas, aprovando Congregações recém-fundadas e a evangelização do Novo Mundo e da Groenlândia.  Não exarou nenhum documento público com erros de fé e de moral.

Com relação a assuntos de outras naturezas, como, por exemplo, de problemas políticos, de administração interna ou de ordem disciplinar, houve diversos casos de erros cometidos pelos Papas. A começar pelo próprio São Pedro, o qual foi advertido por São Paulo por acatar os erros dos que exigiam que os novos cristãos não hebreus fossem circundados juntamente com o batismo, conforme narra os Atos dos Apóstolos.

Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e "resistiu em face" a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo.

São Paulo dizia que apenas se exigisse que fossem batizados na religião cristã. São Pedro era de opinião contrária, seguido por outros apóstolos que desejavam ser fiéis à tradição mosaica. A questão causou controvérsias, havendo intervenção divina do Espírito Santo, como o caso do centurião Cornélio (At 10, 34-48), e outros citados nos Atos (At  11, 1-9 e 10, 11-16). Quer dizer, o divino Espírito Santo assiste a Igreja como um todo, inspirando não somente os pastores mas também os fieis e apóstolos que formam o Corpo Místico de Cristo.

Mesmo após os sonhos ou visões de São Pedro a questão ainda não ficou completamente resolvida, conforme relata o próprio São Paulo em sua Epístola aos Gálatas (2, 11-14), pois São Pedro e outros apóstolos tinham receio de aparecer publicamente com os gentios convertidos e não circundados. Na oportunidade, São Paulo chamou de hipócritas àqueles que procediam diferente a respeito do tema da convivência com os gentios convertidos, batizados, mas não circundados.

Vejamos dois casos de erros graves, mas que assim mesmo não tiveram nenhum efeito sobre a  infalibilidade pontifícia. O que poderia fazer com que um Papa, por exemplo, ordene o fechamento de ordens religiosas tão benéficas e úteis à Igreja como foi o caso dos Templários e da Companhia de Jesus? Isso pode ter sido causado pela forte influência do mundo, representado pela sociedade em que vivia, e seus assessores, os bispos e cardeais da cúria romana, os quais também sofrem influência do mundo. É como se um guerreiro envolvido numa luta primordial quisesse amputar dois órgãos de seu corpo para enfrentar assim o inimigo no combate.

 

SUPRESSÃO DA ORDEM DOS TEMPLÁRIOS, FIM DA IDADE MÉDIA

De um modo natural o mundo influencia primordialmente os monarcas. O direito romano convenceu alguns reis a usar o poder estatal como se fosse uma forma suprema de soberania, impondo inclusive o seu poder absoluto sobre o resto da sociedade (chamaram-nos então de “reis absolutistas”), sem excluir um suposto direito de ser superior à própria Igreja. São os antecessores dos socialistas e comunistas modernos. Assim, Filipe IV, chamado “Filipe o Belo”, rei de França (de 1285 a 1314), neto do grande São Luís IX, tomou algumas atitudes ditatoriais para impor o poder estatal. Numa delas mandou esbofetear o Papa Bonifácio VIII em praça pública a fim de deixar patente a todos sua soberania até sobre o Papado. Em seu reinado houve o famoso cisma do Ocidente (em Avignon) e o início da “guerra dos cem anos” entre Inglaterra e França. Pode ter tido origem também ao apelido de “déspotas esclarecidos” dado a alguns monarcas, em virtude de pautar seus procedimentos com base nas ideias dos filósofos que então surgiam na época.

Naquele tempo a Ordem dos Templários era um dos sustentáculos da ação apostólica da Igreja, detendo não somente poder de influência religiosa mas também financeira. Com graves problemas de dívidas e tendo de recorrer a empréstimos, Filipe “o Belo” julgou que poderia se apoderar da suposta riqueza daquela Ordem para suprir suas necessidades, e assim urdiu um plano. Não conseguindo junto dos Templários recursos para financiar seus negócios reais,  usou a sua influência sobre o Papa Clemente V para acabar com a Ordem e confiscar todos os seus bens. Para isso, colocou em prática uma estratégia de descrédito, acusando os Templários de heresia, imoralidade, sodomia e diversos outros crimes. Com base nisso pediu e conseguiu criar uma inquisição contra eles. Uma  ordem de prisão foi redigida em 14 de setembro de 1307 (no dia da Exaltação da Santa Cruz), e no dia 13 de outubro de 1307 (uma sexta-feira), todos os cavaleiros que estavam em território francês foram presos. Foi a partir daí que surgiu a superstição de se dizer que a sexta feira quando cai no dia 13 dá azar.

Entre 19 de outubro e 24 de novembro de 1307, 138 prisioneiros Templários foram interrogados em Paris sob torturas, a fim de conseguir confissões que comprometessem a Ordem. Numa carta do papa Clemente V ao rei, datada de 27 de outubro de 1307, deixa a entender os protestos do Pontífice para com os meios pelos quais os cavaleiros eram interrogados e as confissões lhe eram arrancadas.

Mas, o Papa não resiste e começa a ceder. Alguns dias depois, em 22 de novembro de 1307, pela bula Pastoralis præminentiæ o próprio Papa recomenda a prisão dos Templários em outros países da Europa, dando a entender que estava cedendo completamente aos desejos do rei ou de alguma sociedade secreta à qual o mesmo pertencia.

A partir de 1310, a Igreja institui sua própria investigação sobre a Ordem, na qual chegaram a depor 573 cavaleiros. Todos em defesa da Ordem e afirmando que as confissões foram arrancadas no tribunal inquisitorial francês por meios de tortura. Em 16 de outubro de 1311, o papa Clemente V abre o Concílio de Vienne, no qual se concluiu que, com base nos inquéritos eclesiásticos, bem como também nos civis, não havia fatos palpáveis de culpabilidade.

Mesmo assim, a Ordem dos Templários é suspensa em 22 de março de 1312, pela bula 'Vox in Excelso". Em seguida, o papa Clemente V, através bula "Ad providam" de 2 de maio de 1312, transfere todos os bens dos Templários para a Ordem dos Hospitalários, exceto os de Portugal, de Castela, de Aragão e de Maiorca, os quais ficariam na posse interina dos monarcas, até o Conselho decidir qual o seu destino. Essa transferência visava proteger temporariamente os bens da Ordem que o rei tencionava desapropriar como se fossem do reino.

No adro da Igreja de Notre-Dame, em Paris, instalaram um cadafalso, para no dia 18 de março de 1314 anunciar a sentença de prisão perpétua aos cavaleiros Tiago de Molay, Hughes de Pairaud, Geoffroy de Charnay e Geoffroy de Gonneville. Em meio ao anúncio da sentença, De Molay e Geoffroy de Charnay levantaram-se bradando sua inocência e a de todos os Templários, que todos os crimes e heresias a eles atribuídos foram inventados. No mesmo dia, armou-se uma fogueira próxima ao jardim do palácio onde foram queimados Tiago de Molay e Geoffroy de Charnay. Registra-se no episódio uma das ações que mancham o bom nome das inquisições que se faziam contra hereges e cismáticos, desta vez usada contra bons religiosos e comprometendo o próprio Papado e o nome da Igreja. O mesmo tipo de “inquisição” foi usado também, um século depois, contra Santa Joana D’Arc, época também em que findou a famosa “guerra dos cem anos”.

O chamado "Pergaminho de Chinon" ao declarar que Clemente V pretendia absolver a ordem das acusações de heresia, e que poderia ter dado eventualmente a absolvição ao último grão-mestre, Jacques de Molay, e aos demais cavaleiros, suscitou a reação da monarquia francesa, de tal forma que obrigou o papa Clemente V a uma decisão covarde, sancionada em 1312, durante o Concílio de Vienne, através da bula "Vox in excelso", a qual declarava que o processo não havia comprovado a acusação de heresia, mas, mesmo assim afirma que, “pelo bem da Igreja”, a Ordem deveria ser suprimida.

Séculos depois, após a descoberta nos arquivos do Vaticano da ata de Chinon, assinada por quatro cardeais, declarando a vontade de dar a inocência dos Templários, o rumoroso processo foi recordado em uma cerimônia realizada no Vaticano, a 25 de outubro de 2007, na Sala Vecchia do Sínodo, na presença do monsenhor Raffaele Farina, arquivista bibliotecário da Santa Igreja Romana, de monsenhor Sergio Pagano, prefeito do Arquivo Secreto do Vaticano, de Marco Maiorino, oficial do arquivo, de Franco Cardini, medievalista, de Valerio Manfred, arqueólogo e escritor, e da escritora Barbara Frale, descobridora do pergaminho e autora do livro "Os Templários".

Os cavaleiros Templários, enquanto ordem simultaneamente militar e monástica, ativa e contemplativa, tinham como missão original levar a Terra Santa ao controle cristão.

 

Supressão da Companhia de Jesus

O clima criado pelo Humanismo e o Iluminismo, no século XVIII, era de completo ceticismo com relação à Religião e de apego ao racionalismo e à soberania do poder estatal. Tais correntes conseguiram juntar filosofia à politica. Era o clima que havia se iniciado já no tempo de Filipe “o Belo” e continuava a imperar entre os reinos europeus. A Revolução Francesa de 1789 foi um exemplo de explosão de uma elite burguesa contra a ordem sacral que provinha da Idade Média, deixando reflexos profundos em toda a Europa. Em Portugal não conseguiram usar o mesmo sistema utilizado na França, mas, perante uma monarquia eivada dos erros imperantes em toda a Europa, levaram a efeito a perseguição aos padres Jesuítas, prejudicando assim toda a Igreja: o principal ministro do rei, Marquês de Pombal, foi usado como o principal e ardoroso perseguidor da Ordem Religiosa que seguia mais a ortodoxia católica. Sob pretextos diversos, como um suposto regicídio e a guerra contra os povos das Missões no Brasil, acusou os Jesuítas de traição à pátria, levando muitos a serem sumariamente executados e outros para o desterro. Estava ali sendo iniciado um longo processo de perseguição à Companhia de Jesus que culminaria mais tarde com sua total supressão.

Vejamos, a seguir, como foi que o mundo conseguiu influenciar até mesmo a decisão de um Papa. O Marquês de Pombal teve tanto apoio de certo clero decadente que conseguiu que fosse nomeado seu irmão para dirigir uma inquisição formada para julgar o missionário jesuíta Padre Malagrida, o qual foi condenado e executado num processo espúrio e injusto. Tinha ocorrido um terremoto em Lisboa e o padre Malagrida fez uma homilia dizendo que tinha sido castigo por causa dos pecados cometidos, especialmente pelo famoso Marquês de Pombal. Essa homilia foi impressa e distribuída pelos católicos pela cidade, causando uma má impressão pública do governante. Este, irritado contra o que disse o padre armou esta falsa inquisição, a qual terminou por mandar executá-lo com torniquetes. O inquisidor, irmão do próprio Marquês de Pombal, havia recebido tal poder diretamente de Roma.

Havia sido alimentado também dentro da própria Igreja um clima de ciúmes e invejas contra os Jesuítas, já que a Ordem tinha grande supremacia religiosa, intelectual e moral. Eles mantinham elementos da fina flor da sociedade em suas fileiras, além de posições invejáveis nas cortes com professores, pregadores e confessores,  assim como destaque por certo predomínio científico. E, acima de tudo, suas missões perante os aborígenes obtinham sucesso enorme ainda naqueles tempos. De outro lado, os padres da Companhia vinham realizando uma bem-sucedida luta contra erros e desvios doutrinários, como o jansenismo, encontrando forte oposição em alguns setores religiosos.

Tal era esse clima dentro da Igreja que, ao serem presos os jesuítas da Ilha dos Açores, religiosos de outras ordens aplaudiram a medida publicamente, conforme relata Eckart: “Nos Açores deu-se ainda uma vergonhosa particularidade: É que houve Religiosos de diversas Ordens que, ao ver os Jesuítas levados cativos a desfilar pelas ruas a caminho do cárcere, aplaudiram radiantes com graçolas sarcásticas e dísticos satíricos. Houve mesmo quem do púlpito desse graças, e explodisse em manifestações de regozijo pela desgraça dos Jesuítas”.

Assim, neste ambiente adverso até dentro da própria Igreja o Papa Clemente XIV resolve suprimir a Ordem em 1773, colocando o Superior Geral, Lorenzo Ricci, em prisão no Castelo de Sant’Angelo e exigindo que os demais deixassem a Ordem. Não havia clima para se repetir o que fizeram com a Ordem dos Templários, inquisições falsas e mortes, mas algumas prisões e deportações, causando um dano irreparável em toda a Igreja, principalmente por prejudicar as inúmeras missões jesuíticas espalhadas pelo mundo.

Na época havia 39 Províncias, 669 colégios, 237 casas de formação, 335 residências missionárias, 273 missões e mais de 22 mil membros, entre irmãos leigos, seminaristas e sacerdotes. Por exemplo, havia no Brasil um seminário jesuíta que continha cerca de 500 internos: ficava no lugar chamado Belém de Cachoeira, na Bahia, onde hoje só há ruínas. Estudou nele um Santo brasileiro, Santo Antonio de Santana Galvão, e foi lá que o Padre Bartolomeu de Gusmão fez suas primeiras experiências com o balão, levando-o depois para Lisboa. Apesar de um ato injusto nem por isso os sacerdotes se revoltaram, mas simplesmente cumpriram todas as determinações emanadas do Papa.

O Padre Lorenzo Ricci, antes de falecer, deixou a seguinte declaração:

“Na certeza de que em breve Deus me vai chamar a Si, dada a minha avançada idade e os longos trabalhos por que passei, muito superiores à minha fraqueza, entendo que devo preventivamente cumprir um dever que me pesa, pois pode facilmente acontecer que a doença me venha a impedir de o fazer “in articulo mortis”.

“Considerando-me, portanto, prestes a comparecer perante o tribunal da Justiça e Verdade infalível, que é o tribunal de Deus, depois de longa e madura consideração, e depois de ter suplicado humildemente ao meu misericordiosíssimo Redentor e terrível Juiz não permita que eu, num dos últimos atos da minha vida, me deixe levar da paixão ou ressentimento da alma para um fim menos ordenado,  mas só pelo sentimento do dever, para fazer justiça á verdade e á inocência:

“I. Declaro e protesto que a extinta Companhia de Jesus não deu motivo algum para a sua supressão. Declaro-o e protesto com aquela certeza moral que pode ter um Superior bem informado acerca das coisas de sua Ordem.

“II. Declaro e protesto que eu não dei motivo algum, nem sequer leve, para a minha prisão. Declaro-o com aquela plena certeza que cada um tem das próprias ações. Faço este protesto somente porque ele é necessário à reputação da extinta Companhia de Jesus, da qual fui Prepósito Geral.”

 

Restauração

No entanto, ao contrário dos Templários, a Companhia de Jesus foi restaurada em 1814 através da Encíclica “Solicitudo omnium ecclesiarum” do  Papa Pio VII. Antes disso, a partir de 1782, a Igreja já permitira que a Ordem permanecesse apenas na Rússia e na Polônia.

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sábado, 10 de maio de 2025

INICIA-SE NOVA ERA NA FESTA DE SÃO MIGUEL?

 




No dia 8 de maio, dia em que foi eleito Leão XIV, também é a data em que antigamente se festejava São Miguel Arcanjo, por causa da sua primeira aparição no monte Gargano. Há outra data, 29 de setembro, onde o Arcanjo é festejado juntamente com São Gabriel e São Rafael.  

Vejamos o que São Miguel disse ao Beato Palau, após falar sobre os castigos a cair sobre Roma:“Não podendo eu apenas crer o que via, acrescentou: “Roma será severamente castigada e o dia está muito próximo, dia de pranto e de luto, de sangue e de fogo e, para que vejas quão justas são as vinganças celestes, vem, sobe para o cume deste monte e de lá verás as abominações introduzidas no lugar santo, preditas por Daniel profeta”. 

Que tipos de abominações fala o Profeta Daniel do tempo dele e que se repetem hoje? As abominações que entraram no lugar santo eram, de modo geral, as cerimônias idolátricas. Nos tempos modernos é a "fumaça de satanás" de que fala Paulo VI. Que significa isso? Quer dizer que o corpo místico do demônio entrou no lugar sagrado, mas sob a forma de fumaça, quer dizer, não é um corpo verdadeiro de doutrinas e princípio, mas algo esfumacento, como é ainda hoje o modernismo, o progressismo católico e a teologia da libertação. Tudo isso entrou no lugar sagrado, mas sob a forma de fumaça. Compara-se com a do tempo de Daniel apenas porque trata-se de abominações, coisas detestáveis do ponto de vista dos mandamentos divinos.

 

Quem foi Daniel e o que viu ele de abominações

De origem nobre do reino de Judá, foi deportado ainda muito jovem para a Babilônia, tendo convivido com os israelitas no cativeiro desde o governo de Nabucodonosor até Dario. Foi chamado várias vezes, ora por São Miguel (9, 13), ora pelos outros anjos, como “Varão de desejos”.

O rei Nabucodonosor mandou que trouxessem para seu palácio alguns jovens de linhagem real e filhos de príncipes, que fossem justos e sem defeitos, a fim de serem instruídos. Entre eles estavam Daniel, Ananias, Misael e Azarias. O profetismo foi concedido especialmente a Daniel, mas de algum modo todos os outros jovens participaram desta vocação, pois “Deus deu a estes jovens a ciência e o conhecimento de todos os livros e de toda a sabedoria” (Dan 1, 17). Quando o rei condenou os jovens a morrer na fornalha e eles passeavam contentes no meio do fogo, Nabudonosor disse que o aspecto do quarto jovem era semelhante ao do “filho de Deus” (3, 92). Por haver interpretado corretamente vários sonhos dos reis babilônicos, Daniel foi elevado a altos cargos do reino.

Seus dons proféticos começaram, pois, com a interpretação de sonhos e depois passou a ter visões angélicas de cunho profético mais profundo. Interpretou inicialmente o sonho de Nabucodonosor sobre os quatro grandes impérios (2, 28-45), depois outro sonho do mesmo rei sobre uma grande árvore que prefigurava a derrocada de seu reino (4, 17) e, finalmente, as frases escritas por mão misteriosa na parede onde o rei Baltasar realizava um festim com os vasos sagrados de Israel (5, 18-28) e que anunciava também a desgraça deste desditoso rei. Daniel iniciou suas visões com a do carneiro e do bode (8, 3-26), representativos dos dois grandes impérios que se confrontariam, o medo-persa e o grego. Em seguida vieram as grandes visões angelicais e apocalípticas.

Revelou possuir grande argúcia e discernimento ao deslindar dois casos importantes: a acusação injuriosa contra Susana (cap. 13) e a fraude do ídolo Bel, tido como devorador dos alimentos (14, 13). No primeiro caso, uma simples pergunta aos velhos que acusavam a casta Susana pegou-os na mentira: debaixo de qual árvore encontrava-se ela na ocasião do delito? Como os dois velhos responderam separadamente os nomes de árvores diversas, ficou caracterizado que mentiam. Quanto ao ídolo, Daniel desconfiava que eram os sacerdotes que comiam os alimentos dados ao ídolo, e aí só foi colocar cinza no recinto do templo durante a noite: ao amanhecer as inúmeras pegadas lá encontravam-se denunciando os impostores.

Por diversas vezes Daniel foi condenado à morte, a última sob o reinado de Ciro que o condenou à cova dos leões: não só passeou ileso entre as feras como foi alimentado milagrosamente pelo profeta Habacuc, levado até Daniel por um anjo com o fim de levar-lhe alimento (14, 32-38).

Daniel adquiriu tal prestígio que “comia à mesa do rei, que tinha elevado em honra acima de todos os seus amigos’ (14, 1), e o sucessor de Baltasar, Dario, o nomeou um dos três chefes dos sátrapas que governavam o reino babilônico.

O fato de São Miguel comparar as abominações de hoje com as do tempo de Daniel é muito significativo, do mesmo modo que afirme ter deixado Roma sob o poder dos demônios e sob pena de castigos divinos que virão brevemente. Pode-se dizer que tais castigos já se  iniciaram na invasão de Garibaldi a Roma, por volta de 1867, sendo que quem mais sofreu tais castigos foi o clero romano. Mas, a cidade ficou sob o poder do demônio, conforme disse São Miguel, estando portanto sujeita a castigos mais terríveis, ainda pendentes.

 

O começo dessa era que ora termina

Podemos dizer que a decadência de toda a sociedade moderna começou no declínio da Idade Média, quando então a Revolução iniciou seu rumo à destruição do Corpo Místico de Cristo. No entanto, ela manifestou aspectos mais marcantes depois da Revolução Francesa de 1789. Nessa época, verificamos já uma grande decadência do clero, muitos padres apoiando abertamente a Revolução e uma completa falta de fidelidade aos princípios cristãos que os moviam antigamente ao martírio. Houve até padres que cometeram abominações terríveis nesse período, alguns regicidas e apóstatas.

No século XIX houve várias manifestações que demonstraram como estava a decadência do clero, especialmente denunciada na mensagem de La Salette que, a certa altura, disse o seguinte:

“Os padres, ministros de Meu Filho, os padres, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade ao celebrar os santos mistérios, pelo amor ao dinheiro, o amor da honra e dos prazeres, os padres que chafurdam na lama da impureza. Sim, os padres pedem vingança, e a vingança está suspensa sobre todos eles. Malditos os padres e as pessoas consagradas a Deus, os quais, por suas infidelidades e sua vida indigna, crucificam novamente meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam aos céus e pedem vingança, e a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais pessoa para implorar misericórdia e perdão pelo povo; não existem mais almas generosas; não existem mais pessoas dignas do sacrifício para oferecer a Vítima sem mancha ao Eterno em favor do mundo”.[1]

Nas revelações da Beata Ana Catarina de Emmerich consta toda a denúncia da atuação de uma falsa igreja que já tentavam criar dentro do próprio Corpo Místico de Cristo. No entanto, para se construir a falsa teriam que destruir a verdadeira, sendo necessário a ação do que ela chamou de demolidores, conforme afirmou: “Para os trabalhos de demolição no interior da Igreja há também engenheiros que podemos facilmente nomear: um ataca a Sagrada Escritura, outro a Teologia, um terceiro a filosofia, este a História, aquele o culto. Sobretudo, há associações internacionais encarregadas, como vimos, de disseminar no pública, e particularmente na juventude, o espírito refratário ao dogma”.

Mas, tais demolidores não somente atacavam os princípios, mas perseguiam os santos. Um exemplo foi o caso de Santo Antonio Maria Claret, expulso de Cuba, de onde era bispo, e de onde saiu a amaldiçoando. Sua maldição foi tão terrível que aquele país foi o primeiro onde dominou o comunismo nas Américas, e permanece até hoje sem esperanças de libertá-lo tão cedo. Nesse caso, talvez o maior erro do clero local foi não ter defendido tão grande santo contra a perseguição que lhe moveu a maçonaria local, da qual alguns deles faziam parte.

Santo Antonio Maria Claret assim lamentou a decadência de seu tempo numa oração abrasada:

 “Ó Imaculada Virgem e Mãe de Deus, Rainha e Senhora da graça, dignai-Vos por caridade lançar um compassivo olhar para este mundo perdido. Notai como todos abandonaram o caminho que vosso Santíssimo Filho se dignou lhes mostrar, esqueceram de suas Santas leis, e se perverteram tanto que se pode dizer: Non est qui faciat bonum, non est usque ad unum – Não existe quem faça nenhum bem sequer (Sal 52, 4).

“Nele se extinguiu a santa virtude da fé, de modo que quase ela não é encontrada na Terra. Ai! extinta essa divina luz, tudo é obscuridade e trevas e não sabem onde caem. Entretanto, juntos vão com passo apressado pelo largo caminho que os conduz à eterna perdição. E quereis Vós, minha Mãe, que eu sendo irmão desses infelizes, olhe com indiferença a sua total ruína? Ah não! Nem o amor que tenho a Deus, nem o que tenho ao próximo podem tolerar.”[2]

Em outras partes do mundo também se manifestavam as abominações emanadas de dentro do clero. Um outro exemplo tivemos aqui no Brasil, fato que se deu alguns anos antes, mas manifestando como era o clima de infiltração da maçonaria dentro da Igreja.

Conforme Dom Duarte Leopoldo e Silva,[3] a revolta pernambucana de 1817, foi uma revolução de padres. Sete anos depois, em 1824, eclodiu outra revolta da mesma natureza, cognominada de “Confederação do Equador”. A lista dos que participaram do movimento abrange, no avultado número, cônegos e governadores do Bispado, vigários e coadjutores, regulares e seculares, dos quais dois se suicidaram, quatro foram supliciados e muitos condenados à pena comum de prisão.

Entre os prisioneiros havia 57 religiosos. Todos ou quase todos esses padres eram membros das sociedades secretas, reunidas sob as denominações de “academias” ou “areópagos”, onde se cultivavam as ideias libertárias da Revolução Francesa. Tem-se dito que essas lojas maçônicas eram simplesmente “nacionalistas”, como ao depois pretenderam e pretendem se passar como simples entidades filantrópicas. Como quer que seja, é certo que, à sombra do mistério que as envolvia, se desenvolveram doutrinas absolutamente contrárias à ortodoxia católica que, a seu tempo, se encontraram em campo aberto contra a Igreja.

Dom Duarte comenta em sua obra que “o espírito de tolerância que, então como hoje, apregoavam os adeptos dos “mistérios democráticos”, bem lhes serviu para iludir incautos e até sacerdotes, ilustres talvez nas ciências profanas, mas ignorantes das ciências eclesiásticas, pouco ou nada cultivadas em um país que não possuía seminários regulares bem dirigidos”. No entanto, o clima entre aqueles que estudavam na Europa não era dos melhores. “Os poucos que, em Portugal, iam beber as ciências eclesiásticas, voltavam ainda mais contaminados”. Uma honrosa exceção foi Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, preso no Brasil por ordem da maçonaria e morto depois sob suspeita de assassinato em Roma.

A fumaça de Satanás, no dizer de Paulo VI em relação à crise religiosa do século XX, já penetrava no santuário desde longas datas, como se vê. No século XX, as infiltrações maçônicas no clero cresceram muito, não tendo hoje nada que possa calcular o tamanho e o alcance de tal fato.

Por diversas cidades nordestinas, do interior e das capitais, pregavam essas dezenas de padres a revolta libertária e a implantação de uma república. Da mesma forma como no século XX o clero progressista pregou a Teologia da Libertação, com a diferença que hoje divulgam o socialismo utópico enquanto naqueles tempos apregoavam a derrocada da monarquia e a implantação da república. No século XX, tivemos muitos deles não somente pregando o socialismo, mas vestindo roupas e portando armas de guerrilheiros, atuando inclusive nas guerras urbanas e rurais dos comunistas.

Ao entrarmos no século XX já despontava uma enorme heresia, denunciada por São Pio X sob o nome de “Modernismo”. Inicialmente, através de um “decreto” intitulado “Lamentabili sane exitu”, publicado em 1907, condenou 65 proposições modernistas. Pouco tempo depois publicou a famosa encíclica “Pascendi domini gregis”, considerando o modernismo como a síntese de todas as heresias. Posteriormente, ainda obrigou todos os clérigos a prestar um juramento antimodernista denominado “Sacrorum antistitum”, sujeitando à excomunhão aquele que o recusasse.

Mesmo assim o modernismo cresceu sob a forma de progressismo, adquirindo aspectos alarmantes.

 

Fim de uma era?

Alguns comentaristas da mídia andaram dizendo que a eleição de Leão XIV pode representar o fim de uma era. Que era é essa? A do domínio do progressismo e dos prosélitos da TL, pelo menos na cúpula da Igreja? Embora seja ele também progressista, diz-se que é da linha moderada. Há suspeitas de que a eleição dele foi tramada por tais elementos (revolucionários infiltrados no clero), visando objetivos escusos: colocar um representante da ortodoxia católica no sólio pontifício a fim de que o mesmo tome medidas rigorosas contra o progressismo, mas causando impacto negativo no povo, a ponto de justificar perante a opinião pública uma perseguição aberta e até a ruína de tudo o que cerca o cargo. E, nesse caso, a perseguição seria mais abrangente, atingindo todos aqueles que comungam os mesmos ideais conservadores, sob o completo beneplácito e até apoio integral da opinião católica, seja progressista ou não.

Uma das táticas da Revolução: quando quer destruir um inimigo, como por exemplo a monarquia como já ocorreu algumas vezes, tal ou a própria Igreja, escolhe alguém que o simbolize e o põe no cargo (ou deixa que assuma), cujo objetivo é destruí-lo juntamente com a instituição. Assim, o ideal para eles, ao tentar destruir a Igreja e o Papado, é escolher um legítimo representante dessa Instituição, que seja leal e ortodoxo em seus princípios, pois, quando o mesmo for destruído ruirá com ele tudo o que ele representa. Não seria coerente com este modo de agir deles, por exemplo, colocar no sólio pontifício um Papa progressista para, logo em seguida, mover uma feroz perseguição contra ele e lhe fazer guerra até sangrenta, inclusive contra seus fieis seguidores. Nesse caso, estariam liquidando perante a opinião pública o símbolo do progressismo. Então, o certo é colocar um conservador, ou um progressista moderado com cara de conservador, pois assim morreria o símbolo e com ele a instituição.

Se for esta a forma da trama, pode-se ocultar por detrás disso também os desígnios da Providência, fazendo ascender ao Papado um ortodoxo, fazendo-o sofrer juntamente com seus leais fieis um martírio para, em seguida, ressurgir a face do Corpo Místico de Cristo totalmente reformada, sendo que, neste período, certamente, São Miguel terá destruído todos seus inimigos com os castigos anunciados pelo Beato Palau.

Algumas visões proféticas, como de Catarina de Emmerich, falam que na metade do século XX vários demônios "sairiam" do inferno com permissão divina para vir à terra e fazer terrível perseguição à Igreja. Isso coincide com o sonho do Papa Leão XIII  o qual teve uma visão no final da missa em que via o inferno e depois a terra coberta de escuridão e de um abismo com uma legião de demônios espalhada pelo mundo para destruir a Igreja. Enquanto ele pensa que tudo está perdido, vê São Miguel aparecendo e repelindo os espíritos malignos para o abismo. Estava  certo de que São Miguel só poderia intervir quando houvesse um número bastante substancial de pessoas enviando-lhe múltiplas orações fervorosas. Após esta visão, ele  escreve uma oração e ordena que seja recitada ao final das missas, coisa tornada obrigatória a partir de São Pio X, mas suprimida na época do Vaticano II, mesmo tempo previsto nas visões de Catarina de Emmerich. Muito sintomático que, agora,  no antigo dia de São Miguel (8 de maio), seja eleito Leão XIV, com esperanças de se cumprir o que viu e desejava o predecessor Leão XIII.

Vamos supor que tal Papa ortodoxo resolva excomungar e até amaldiçoar todos os maus que infestam a Igreja internamente propagando nela o corpo místico do demônio. Nesse caso, eles lhe fariam uma feroz perseguição midiática na opinião pública, a qual hoje em dia é completamente contrária a medidas drásticas como estas. Isso faria com que o público aceitasse pacificamente uma perseguição cruel e violenta contra o Papa e seus seguidores. Imediatamente após a posse de Leão XIV já começam a se manifestar elementos da mídia tentando macular seu nome e apostolado, e assim vão continuar num crescendo até atingir o objetivo final. Vejam que após a posse de Francisco houve um recuo na campanha de calúnias que havia no reinado de Bento XVI, sendo que esta pode recrudescer agora talvez até mais violenta.

Poderemos assim chegar ao auge da crise religiosa de nossos tempos, já denunciada nas aparições de La Salette e Fátima, mas ocultada por eles com receio da opinião pública. O embate, o impacto e choque final entre conservadores e progressistas chegaria ao seu ponto alto, culminando talvez até com intervenções divinas. Para aqueles que forem amaldiçoados, destruição; aos que receberem as bênçãos do Papa, proteção especial e até milagrosa perante conflitos terríveis que advirão. O que nos deixa em dúvida são aqueles que são denominados irrisoriamente de “falsa direita”, os quais se dizem conservadores mas atuam com intenções de cisma e divisões: se converterem-se, serão abençoados, porém, se continuarem nesse caminho poderão cair sob as maldições também.

Nossa esperança está na proteção de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, da qual Leão XIV é fiel devoto e, certamente, estará derramando suas bênçãos sobre os bons, os quais “terão muito o que sofrer” segundo a mensagem de Fátima. Estaremos, então, de volta à nova era, do Reino de Maria, mas antecedida por novo ciclo de mártires, os quais, como vítimas expiatórias exorcísticas, estarão sofrendo para que os demônios demolidores sejam expulsos de volta para o inferno.



[1] Tanto em Sallete quanto em outras aparições Nossa Senhora sempre deixava uma mensagem para ser revelada depois, chamada de “segredo”, e o conteúdo era sempre a decadência do clero. Muitos videntes foram até perseguidos por clérigos por causa desse tipo de mensagens.

[2] Texto copiado de “Autobiografia de Santo Antonio Maria Claret”, págs. 157 a 164 e comentado por Dr. Plínio Corrêa de Oliveira numa reunião de 27.07.1994.

[3] “O Clero e a Independência” – Dom Duarte Leopoldo e Silva – Centro Dom Vital, Rio, 1823.