SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O SACROSSANTO OLHAR DE JESUS CRISTO





O Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, ao longo de sua vida pública, teceu alguns  comentários sobre o olhar de Nosso Senhor. Em uma famosa Via Sacra, por exemplo:  “Vós, Senhor,  o fitaste (Pilatos) por longo tempo com aquele olhar que em um segundo operou a salvação de Pedro. Era um olhar em que transparecia vossa suprema perfeição moral, vossa infinita inocência, e, entretanto, ele Vos condenou”.
A Beata Anna Catharina Emmerich narra em detalhes o tocante episódio em que os olhares de Nosso Senhor e São Pedro se encontraram naquele momento. Segundo ela, após haver negado Nosso Senhor pela primeira vez, São Pedro encontrou-se por acaso com Seu Mestre, o qual lançou-lhe terrível olhar de repreensão: “O Senhor lançou a Pedro um olhar sério de repreensão. Pedro ficou como que esmagado pela dor. Mas, lutando com o medo e ouvindo alguns dos circunstantes dizerem: ‘Quem é esse sujeito?’, saiu novamente para o pátio, tão abatido e tão confuso pelo medo, que andava cambaleando a passos lentos. Vendo-se, porém, observado, entrou de novo no átrio, aproximou-se da fogueira, ficando ali bastante tempo sentado, até que diversas pessoas, que fora lhe tinham notado a confusão, entraram, começando de novo a provocá-lo, falando mal de Jesus e de suas obras. Um deles, chamado Cássio e mais tarde Longino, disse então: ‘É verdade, também és daquela gente; és Galileu, tua linguagem prova-o’. Como Pedro quisesse sair com um pretexto, impediu-o um irmão de Malcho, dizendo: ‘O que? Não te vi com eles no horto das oliveiras? Não feriste a orelha de meu irmão?’  Tornou-se Pedro então como insensato, pelo pavor que o dominou e livrando-se deles, começou a praguejar (tinha um gênio violento) e jurar que absolutamente não conhecia esse homem e correu do átrio para o pátio interior. Foi à hora em que o galo cantou de novo; os soldados conduziram Jesus, nesse mesmo momento, da sala circular, pelo pátio para o cárcere que ficava sob a sala. Virou-se, porém, o Senhor e olhou para Pedro com grande dor e tristeza; lembrou-se Pedro então da palavra de Jesus: ‘Antes do galo cantar duas vezes, negar-me-ás três vezes’, e essa lembrança pesou-lhe com terrível violência sobre o coração. Fatigado pela angústia e o medo, tinha-se esquecido da promessa presunçosa de querer antes morrer do que O negar e do aviso profético de Jesus;  mas à vista do Mestre, esmagou-o a lembrança do crime que acabara de cometer. Tinha pecado, pecado contra o Salvador, tão cruelmente tratado, condenado, inocente, sofrendo tão resignado toda a horrível tortura. Como desvairado de contrição, saiu apressadamente pelo pátio exterior, a cabeça velada e chorando amargamente; não temia mais ser interrogado; teria então dito a todos quem era e que pecado lhe pesava na consciência” .(Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus” – Mir Editora – São Paulo, 1999 – págs. 189/190)

O OLHAR DE JESUS FULGURA COMO O SOL
Nas palavras do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira fomos colher um precioso comentário sobre o olhar de Jesus:
“Em Jesus, o semblante, as expressões da face e até o timbre da voz não são senão comentários ao que mais O exprime, isto é, seu olhar. Este é sumamente ordenado e feito de gradualidades. Quando fulgura, é como um sol. Quando não, mostra-se sempre de um certo modo, semelhante ao que representa o barítono para a música vocal: nem muito alto nem muito baixo.
“Não é um olhar que sai de si para penetrar nos outros, a não ser raramente. Antes, convida que se entre nele, para entabular elevados colóquios conosco.
“Olhar muito sereno, aveludado quase... No fundo, porém, revelando uma sabedoria, retidão, firmeza e força que nos enchem ao mesmo tempo de encanto e de confiança.
“A meu ver, todas as perfeições existentes na ordem do Universo – a das estrelas como as de uma Gruta de Capri, ou as de qualquer outra maravilha – estão contidas no olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo, e os estados de alma d’Ele correspondem a todas as belezas do mundo. Por isso, ao apreciarmos algum esplendor da criação, seria bastante proveitoso meditarmos na excelência do olhar d’Ele que se acha espelhada naquela grandeza criada.
“Por exemplo, quando estou sozinho e contemplo o céu todo estrelado acima de mim, experimento a curiosa impressão de que sou visto, e de que aquele firmamento todo converge sobre mim. Esta é a sensação que se tem quando Nosso Senhor nos olha. É todo um céu que se debruça sobre nós. Mas quando somos nós que nos pomos a fitá-Lo e colhemos o fundo de seu olhar, nos sentimos melhor do que ao sermos olhados por Ele.
“Pois ali, no conjunto dos olhares d’Ele, a ordem do Universo se reflete inteiramente, as regras da estética se resumem de modo perfeito, os princípios da lógica se articulam de maneira admirável. Numa palavra, o “pulchrum” e o significado interno de tudo quanto existe estão contidos no olhar de Nosso Senhor.
“De sorte que, por exemplo, ao conversar com Lázaro, com Marta ou com Maria Madalena, a fisionomia, a voz e o olhar de Jesus – sem indiscrição alguma – iam muito naturalmente mudando, e em sua expressão se podia compreender um número incontável de coisas.
Olhar que acompanha a História

“Por isso mesmo, considero o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo como se fosse quase outro Evangelho, e uma prodigiosa “leçon des choses”.
“De fato, Jesus é Rei do Universo e, portanto, Rei da História. Não o é apenas da história das nações, mas também da existência individual de cada um de nós. E os desígnios d’Ele vão se fixando e se traçando na medida em que a nossa trajetória neste mundo se desenvolve. Ele vai olhando para nós, e se pudéssemos vê-Lo em cada momento, teríamos o sentido daquilo que estamos vivendo a cada passo.
“Imaginemos Nosso Senhor por ocasião da multiplicação dos pães, considerando o povo reunido em torno d’Ele: “Tenho piedade desta multidão” (Mt 15, 32). É concebível que Ele tenha proferido essa frase com os olhos fechados? Não pode ser.
“Se os olhos de Jesus não estivessem abertos enquanto Ele falava ou caminhava, teria atraído aquela multidão? Claro está que, se assim o quisesse, Nosso Senhor tocaria aquelas almas mesmo sem lhes dirigir o olhar. Porém, não procedeu dessa forma, e foi o olhar d’Ele que as atraiu.
“Outra passagem do Evangelho na qual me parece que o divino olhar do Salvador se reveste de maior expressividade é o momento em que Jesus, flagelado e coroado de espinhos, foi apresentado ao povo por Pilatos. Para mim, excetuando o instante em que Nosso Senhor fita o Apóstolo Pedro que acabara de negá-Lo, não há episódio no Evangelho onde o papel do olhar se manifesta tão evidente como no “Ecce Homo”. Tanto mais quanto, naquela circunstância, o Redentor não proferiu qualquer palavra, permanecendo num majestoso silêncio.
“Cumpre ressaltar, aliás, o fato impressionante de que os algozes de Nosso Senhor, quando O esbofetearam durante a Paixão, não suportaram o divino olhar que os fitava. Para consumar as suas atrocidades contra Jesus, tiveram de Lhe vendar os olhos..
Devoção ao Sacrossanto olhar

“Essas considerações nos fazem compreender bem que noite tremenda se fez para o mundo quando o olhar d’Ele se extinguiu! Noite na qual se teria vontade de pedir a Deus que nos levasse desta Terra. Pois uma vez que alguém se habituou ao convívio daquele olhar, tendo este se apagado, nenhum sentido restaria para se continuar a viver no mundo. Para fazer o quê? Turismo em alguma linda cidade européia? Visitar Paris, conhecer Viena? Como estas nos parecem pobres e insípidas, em comparação com a graça de ver aquele divino olhar! As maravilhosas jóias da casa d’Áustria, a extraordinária coroa do Sacro-Império, nada seriam para o homem sobre quem pousaram os olhos misericordiosos do Salvador.
“Muito embora a devoção ao Sagrado Coração de Jesus me fale tanto à alma, na realidade toca-me ainda mais a devoção ao olhar d’Ele. Talvez, pela razão mesma de ser o olhar a melhor expressão do coração. E esta seria, caso não o impugnasse a Teologia, a “devoção ao Sacrossanto Olhar...”.
“A partir dessa idéia, poder-se-ia introduzir no “Anima Christi” outras invocações como: olhar padecente, olhar misericordioso, olhar de divino Juiz... penetrai em mim e fazei-me entrar em vós. Poder-se-ia, igualmente, compor uma “Ladainha dos olhares de Jesus”, a qual reluziria de uma beleza arrebatadora.
“Concluo, fazendo notar que, quando se analisa assim o Evangelho, encontram-se nele profundidades insuspeitadas. Suas páginas constituem um tesouro repleto de “nova et vetera” – coisas antigas e recentes.
“Tudo quanto acima foi dito nos revelou algo imensamente valioso, mas é natural que se procurem também outras gemas preciosas nesse tesouro. As jóias que acabamos de admirar, a nós nos regalam, porque são as meditações que se acrescentam ao cântico antigo, em função de nossa vida, nossas batalhas e nossos sofrimentos nesta terra de exílio”
Em outras oportunidades Dr. Plínio teceu comentários sobre o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme relatamos adiante:
“Se nós pudéssemos fazer uma coleção dos timbres de voz de Jesus ensinando como Mestre!... Ninguém foi Mestre como Ele, que é o Divino Mestre! Explicando com clareza, com sabedoria, com profundidade, horizontes extraordinários, mas com uma simplicidade de desconcertar. Seu ensino é tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundo! Santo Agostinho dizia que o ensinamento d’Ele era como um rio no qual um elefante se afogaria e um cordeiro passaria sem molhar senão os pés.
“Como nós gostaríamos também de, por exemplo, colecionar os seus sucessivos olhares! Para falar senão em dois: o olhar para São Pedro, que o converteu e o fez chorar a vida inteira, e um olhar para Nossa Senhora. Escolham o momento. Talvez o momento do último olhar nesta vida. Com certeza, antes de morrer, Eles trocaram um olhar em que transpareciam o carinho e adoração da parte d’Ela, e o amor indizível, o apreço extraordinário e o carinho da parte d’Ele, ao se separarem.
“Como seria a história de todos os seus olhares? E como seria o olhar d’Ele expulsando os vendilhões do Templo? Para Pilatos, desprezando toda a covardia do Procurador romano? E o olhar de repreensão aguda e severa para Anás e Caifás?
(Extraído da revista “Dr. Plínio”, janeiro de 2004, págs. 18/20)


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O QUE SERÁ DO BRASIL?






Pela primeira vez o PT consegue eleger alguém para um cargo de grande importância em 1988, quando Erundina foi eleita prefeita de São Paulo. Todos sabem no desastre que se deu, mas mesmo assim Lula conseguiu, após 3 tentativas (89, 92 e 96), ser eleito presidente sem nunca ter sido prefeito ou governador.
O fenômeno foi antevisto e é mais ou menos explicado por Dr. Plínio nos artigos que escrevia na “Folha de São Paulo”, dentre os quais um deles falava do que ele chamava fator “F”. A expressão bem representa o espírito do nosso povo: “deixa ficar para ver como vai ser”, ou coisa semelhante. Então o fator “f” é uma tentação de se acomodar e deixar como está para ver como é que fica.
Logo ao ser eleita, Erundina fez uma declaração dirigida à FIESP, com intuito de acalmar aqueles que imaginavam que ela iria aplicar um programa violento contra a propriedade privada. Eis o que ela disse:
"Garanto que podem ficar tranqüilos. Não vamos revolucionar a administração municipal. Não estamos propondo uma solução socialista para a cidade. Queremos governar com competência e transparência, e isso interessa ao empresariado" ("Jornal da Tarde", 18/11/88).
Quando Lula foi eleito tentou também acalmar os empresários e o mercado e não falou em aplicar os programas radicais da esquerda socialista. Era necessário deixar primeiro o povo adormecer no fator “F” para depois investir contra o direito de propriedade a a livre iniciativa.
Como vimos, o PT veio e “ficou” no poder durante tanto tempo, 13 anos (sem contar o tempo de seu vice que ainda perdura). Durante esse período fez várias tentativas de aplicar seu programa socialista, mas encontrou sérios obstáculos na opinião pública mais sadia de nosso povo, e somente o aplicou em parte. E continuaria “ficando” no poder se não fosse despertada a opinião pública contrária a tal adormecimento.
Vejam o que Dr. Plínio comentava sobre o início do poder petista em 1988, num artigo publicado na “Folha de São Paulo” intitulado “O que será do Brasil”?:
“Este pendor a ficar não se pode confundir com um conservantismo ideológico, pois é essencialmente temperamental.
Ora, por uma curiosa, por uma trágica contradição da história, precisamente este fator "F" foi, ao meu ver, uma das causas mais profundas da situação em que nos deixou a Constituinte de 88. Isto é, um Brasil desfigurado por uma transformação socialista espantosa, profunda e quase geral.
Do fator "F", ou de algo análogo, quase não se fala hoje, nos comentários políticos. Mas foi precisamente ele que levou, de modo subconsciente, a grande maioria dos componentes das classes às quais cabe a missão natural de preservar o regime da livre iniciativa e da propriedade privada – industriais, comerciantes, agricultores, proprietários de imóveis urbanos, titulares de cargos públicos ou privados altamente remunerados – às inércias profundas, às imprevidências cegas, aos votos dados às apalpadelas nas eleições para a Constituinte. E, depois, às esperanças fátuas, às previsões de um otimismo infantilas quais prognosticavam vitórias que não viriam. Tudo para desfechar em cambalachos de bastidores, os quais privaram as ditas classes conservadoras, de qualquer eficiência séria na Constituinte. Por fim, contaram elas quase como favores, e até como êxitos, entregas de terreno, de alcance insondável.
Pensei em tudo isso, lendo nos jornais que a nova prefeita de São Paulo, sobrevoando de helicóptero a capital de nosso Estado, julgou de bom alvitre enviar uma mensagem à Federação das Indústrias, cujo vistoso prédio ela divisava no momento. O texto dessa comunicação tinha um significado intencional amável e pacificante. Ei-lo: "Garanto que podem ficar tranqüilos. Não vamos revolucionar a administração municipal. Não estamos propondo uma solução socialista para a cidade. Queremos governar com competência e transparência, e isso interessa ao empresariado" ("Jornal da Tarde", 18/11/88).
Mas essa mensagem tinha também um segundo sentido óbvio, com o qual a missivista não atinou: "Não tenham medo de mim, porque tenho a intenção de ser-lhes boazinha". O que leva o leitor a pensar: "No dia em que ela se zangue, ai da Fiesp".
Qual o prefeito da Monarquia ou da República que imaginara ter cabimento uma tal mensagem dirigida à maior potência econômica do país?
Não pense o leitor que eu vá deduzir daí que Da. Erundina fez um disparate. Ela apenas deixou transparecer uma verdade. É que na presente República, nova em folha, a iniciativa privada é pouco mais do que um camundongo nas mãos do Estado.
isto porque os proprietários de empresas ou de imóveis rurais ou urbanos, adormecidos pelo fator "F", deixaram que as coisas descambassem para uma situação em que "ficou" nada, ou pouco mais do que nada.
Involuntariamente, o fator "F" se suicidou.
No que dará este Brasil em que nada mais tem possibilidades sérias de ficar?
Nada, não! Fica o Brasil! E é na esperança de que este não se deixe contagiar indefinidamente pelo efeito letal desse suicídio do fator "F", que aqui consigno estas reflexões.
(Plinio Corrêa de Oliveira – “Folha de São Paulo”, 28 de novembro de 1988).


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

COMUNISMO: A VERGONHA DE NOSSO TEMPO




INTERPELAÇÃO AOS COMUNISTAS ATÉ HOJE SEM RESPOSTA

Há pouco tempo morreu o maior símbolo da idolatria de uma  personalidade comunista, Fidel Castro, deixando em seu lugar o seu irmão e uma gerontocracia que tiraniza aquela ilha há quase 60 anos. Pouco tempo depois o tirano colocou um sucessor no cargo, um títere dominado pelo PC. Todos conhecem o resultado da tirania socialista em Cuba, tendo deixado aquele povo numa situação triste e miserável. No entanto, a situação de países como Cuba, Coréia do Norte e tantos outros que teimaram em manter o regime não encontra culpados na política e na mídia mundiais de hoje. Mas, foram interpelados na mesma época em que a URSS implodia, no final de 1989 para meados de 1990. 
A “Folha de São Paulo”, edição de 14 de fevereiro de 1990, estampou manifesto da TFP (datado do dia 11 do mesmo mês), da lavra de Plínio Corrêa de Oliveira, sob o título de“COMUNISMO E ANTICOMUNISMO NA ORLA DA ÚLTIMA DÉCADA DESTE MILÊNIO”, seguido de um subtítulo “A TFP apresenta uma análise da situação – no mundo – no Brasil”. Naquele documento, Dr. Plínio começa por mostrar o grande descontentamento que estava lavrando como verdadeiro incêndio no mundo soviético. Descontentamento com “D” maiúsculo, segundo ele. Em seguida, passa a demonstrar que este descontentamento transformou-se no maior brado de indignação da História. Escreveu textualmente Dr. Plínio naquela oportunidade: “Se se desenrolarem desse modo os acontecimentos no mundo soviético, sem encontrarem em seu curso obstáculos de maior monta, o observador político não precisa ser muito penetrante para perceber o ponto terminal a que chegará. Ou seja, a derrubada do poder soviético em todo o imenso império até há pouco cercado pela cortina de ferro, e a exalação, do fundo das ruínas que assim se amontoarem, de um só, de um imenso, de um tonitruante brado de indignação dos povos escravizados e opressos".
Mais adiante, cita ele os que devem ser interpelados: "II – Interpelação aos responsáveis diretos por desgraça tão imensa: os supremos dirigentes da Rússia soviética e das nações cativas Esse brado se dirigirá, antes de tudo, contra os responsáveis diretos por tanta dor acumulada ao longo de tanto tempo, em tão imensas vastidões, sobre uma tão impressionante massa de vítimas. E, a menos que a lógica tenha desertado totalmente dos acontecimentos humanos (deserção trágica, que a História tem registrado, mais de uma vez, nas épocas de completa decadência, como a deste fim de século e de milênio), as vítimas de tantas calamidades unirão seu ulular para exigir do mundo um grande ato de justiça para com os responsáveis. Tais responsáveis foram, por excelência, os dirigentes máximos do Partido Comunista russo que, na escala de poderes da Rússia soviética, sempre exerceram a mais alta autoridade, superando até à do governo comunista. E, “pari passu”, os chefes de PCs e de governos das nações cativas. Pois eles não podiam ignorar a desgraça e a miséria sem nome em que a doutrina e o regime comunistas estavam afundando as massas. E, contudo, não titubearam em difundir essa doutrina e impor esse sistema”. Em seguida, Dr. Plínio passa a interpelar outros grupos que contribuíram para tanta desgraça no mundo: os ingênuos, os moles, os colaboracionistas (voluntários ou não) do comunismo no Ocidente.
A interpelação atinge também aos historiadores otimistas e superficiais que amorteceram a reação dos povos livres contra as tramas do comunismo internacional, os homens públicos do Ocidente que pouco fizeram para libertar as vítimas da escravidão soviética, além de muitos outros que carrearam rios de dinheiro para manter aquele regime. Finalmente, interpela os dirigentes dos diversos PCs disseminados pelo mundo nestes termos: Nada viram de tanta desgraça que ocorreu naquele império desumano durante 7 décadas? E se viram porque nada contaram, nada disseram? Será que nas visitas que fizeram à URSS nada indagaram do que ocorria de fato, se eram verdadeiras ou não as denúncias de atrocidades e de desrespeito sumário aos direitos humanos? Se verificaram “in loco” o trágico fracasso do comunismo na URSS por que o queriam para suas pátrias?
A surpresa veio quando uma grande voz, de uma autoridade do Vaticano, disse a verdade: “Quem foi esse varão? – Um teólogo de renome mundial, uma alta figura da vida da Igreja, em síntese o Cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, futuro Papa Bento XVI. E o que disse ele? Eis suas palavras: "Milhões de nossos contemporâneos aspiram legitimamente a reencontrar as liberdades fundamentais de que estão privados por regimes totalitários e ateus, que tomaram o poder por caminhos revolucionários e violentos, exatamente em nome da libertação do povo. Não se pode desconhecer esta vergonha de nosso tempo: pretendendo proporcionar-lhes liberdade, mantêm-se nações inteiras em condições de escravidão indignas do homem" (Instrução sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação", Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de agosto de l984, nº XI, 10). Ele disse tudo isso, e só isso, e a opinião pública ocidental estremeceu. Anos depois, a gigantesca crise em que se acha o mundo soviético veio provar que não só o Purpurado tinha razão, mas que, ainda, suas valentes palavras não haviam sido senão um quadro sumário de todo o horror da realidade.”
Dr. Plínio alenta o desejo de que um dia a opinião pública mundial fará uma grande interpelação a esses políticos: “Mas para isso tudo chegará oportunamente o dia. E, nesse dia, a opinião pública perguntará mais agudamente aos chefes dos PCs, em todo o Ocidente, por que continuaram comunistas, apesar de saberem a que miséria o comunismo havia arrastado as nações juguladas por Moscou. Ela lhes exigirá que expliquem por que, conhecendo a situação miserável da Rússia e das nações cativas, consentiram em chefiar um partido político que não tinha outro objetivo senão arrastar para essa situação de penúria, escravidão e vergonha os próprios países do mundo livre, em que haviam nascido. Por que, enfim, haviam querido, com tanto afinco, esse resultado tenebroso, que não hesitaram em ocultar a seus próprios asseclas a verdade que a alguns – pelo menos – teria feito desertar, horrorizados, das fileiras vermelhas. Esta atitude dos líderes comunistas das várias nações livres, conjurados com Moscou para desgraçarem cada qual a respectiva pátria, há de ser considerada, pela posteridade, um dos grandes enigmas da História. Desde já esse enigma começa a espicaçar a curiosidade dos que têm a agudez de vistas suficiente para perceber o problema e debruçar-se interrogativamente sobre ele”

terça-feira, 16 de outubro de 2018






ONDE  VAMOS PARAR?
1.    É indiscutível que as forças secretas ainda têm certo domínio sobre os rumos da Revolução, haja vista seu grande poderio sobre as finanças, a política e os vários ramos da atividade humana. Em palestras para seus discípulos, a certa altura Dr. Plínio havia dito que a Revolução estava derrotada, ela havia sido vencida, estava morta. Mas, não entrou em maiores detalhes, pois certamente ele quis dizer que ela havia sido derrotada em seus planos maiores de implantação do reino de Satanás. Sim, ela não chegou a atingir seu objetivo maior. Mas, seu predomínio sobre a humanidade continuava, e sempre vai crescendo e se tornando cada vez mais sufocante e imperante.
2.    Por causa desse predomínio sobre os rumos da humanidade a Revolução continua seu curso, embora rastejando como se fosse uma cobra ferida em sua cabeça. No entanto, tudo indica que ela não dispõe hoje de líderes capazes de levar a termo seus objetivos mais radicais. O que se nota hoje é uma total carência de tais lideres. Falta aquele homem carismático que consiga carregar multidões atrás de si. De tal forma esta carência de líderes é evidente que o Papa Francisco já reclamou disso, e anos atrás um dirigente da ONU se referiu a essa carência de líderes, lamentando que a humanidade andava sem rumos por causa disso. Barack Obama, pensando talvez que tal líder fosse o Lula chegou a dizer “esse é o cara”. Talvez tenha sido a última esperança revolucionária, hoje afundado num mar de ilícitos e preso por causa de seus crimes.
3.    Mesmo rastejando e ferida de morte, que rumos a Revolução tem em mira hoje, sempre dirigida pelas forças secretas e por hordas de demônios que cada dia que passa saem dos infernos com tais fins?  O objetivo final delas sempre foi a república universal, coisa meio etérea para muitos, mas bem definida para eles: uma situação em que toda a terra seja dominada por uma entidade comum, mas na realidade anárquica e destituída do caráter regencial que deve ter todo governo.  O corpo místico do demônio nunca conseguiria ser implantado em toda a terra tendo características bem definida e com finalidades bem explícitas. Isso causaria uma recusa monumental de todos os homens. Por causa disso a própria república universal não é uma coisa bem clara para o povo, é algo nebuloso.
4.    Enfim, a ausência aparente do poder é uma característica que a Revolução sempre teve em mira. Foi o ponto alto da Revolução da Sorbonne de 1968: diziam que os objetivos não eram o poder, mas a destruição deste. A fim de caracterizar aquela revolução como se fosse uma coisa espontânea e sem diretriz de regência do poder, eles não aceitavam nenhuma organização oficial fazendo parte do movimento, e os panfletos e manifestos não deveriam ter autor, sendo comum os pixamentos em paredes para dizer que ali estava a voz popular  e não de nenhuma organização.
5.    Será que não ocorre algo parecido nos dias de hoje? A opinião publica sempre foi manobrada pela mídia oficial, representada pelas emissoras de rádio e TV e pelas revistas e jornais. Este predomínio, no entanto, nunca conseguiu fazer com que a maioria aderisse aos desígnios da Revolução. Pelo contrario, o que se notou foi uma afastamento completo da opinião pública, por exemplo, do socialismo e do comunismo. Estas bandeiras foram abandonadas pela Revolução em prol de algo mais profundo e inadvertido. De repente, os mentores da Revolução descobriram que seria mais abrangente para seus objetivos que fosse desmontado o poder da mídia oficial, e em seu lugar surgisse outra, inteiramente espontânea e do meio popular. Trata-se das redes sociais. A internet passou a ser o instrumento dos protestos, dos indignados, daqueles que pretendem mudar os rumos da política de um país, mas não dispõem de meios para isso. E foi assim que fizeram experiências inéditas, como a “primavera árabe”, os “indignados” da Europa e o movimento “ocupem wall street” nos EUA.  As pessoas se comunicavam pelos seus celulares, divulgavam suas propostas de revoltas e depois combinavam sair às ruas para protestar. A coisa pegou, pois muita gente se sente importante em participar de algo que muda os rumos da política e da história, nem tanto indo às ruas mas simplesmente publicando o que bem lhe aprouver, e sem precisar sair de casa. É por isso que há tantas “fakes news”   nas redes sociais, pois ali é como uma “terra de ninguém”, onde qualquer um diz o que quer e publica o que bem lhe aprouver sem qualquer constrangimento. Foi detonada uma onda de revolução baseada na liberdade de expressão mais radical e profunda, pois a depender exclusivamente de cada indivíduo e não da mídia oficial.
6.    Precisamos ver sobre tais prismas a onda conservadora que varre o mundo, demonstrando força popular tão intensa que está destruindo o poder dos regimes socialistas e comunistas ainda remanescentes. Aparentemente, isso é uma coisa boa, pois conseguimos deitar por terra regimes tão maléficos. Mas, o que vem depois? O que é que se constrói em cima de um regime socialista ou comunista que cai? Nada. Geralmente, o caos. Vejam o exemplo do Egito, que derrubou uma ditadura, mas até hoje o país não se encontrou, e caminha para outra ditadura. A “primavera árabe” nada trouxe de benefício duradouro nem no Egito, nem nos outros países onde predominou. De outro lado, as “primaveras” que derrubam regimes nunca funcionou em certos países, como Cuba, China, Coréia do Norte, etc., pois estes já caminham para o caos e anarquia da forma como estão sendo governados, indicando que o movimento é dirigido a certos regimes e em determinados países.
7.    Agora vejamos o caso do nosso Brasil. O movimento conservador que hoje domina as redes sociais está desmantelando a esquerda, e isso é muito bom. Nota-se, inclusive, que as forças secretas parecem ter interesse nisso, pois a própria maçonaria, oficialmente, fez campanha pelo impeachment de Dilma, e provavelmente apóia Bolsonaro. Talvez tenha visto que rumos a coisa estava tomando e fez opção apenas para participar do poder. Mas, há indícios de orientação dada por organizações mais poderosas da Europa, como foi o caso em outros países. Lutando por uma causa boa, que é a destruição das esquerdas, a maioria da população não percebe que está para vir depois disso apenas o caos e a anarquia. Por quê? Por que o Brasil, pela forma como está organizado legalmente, é um país quase ingovernável.  Tanto um governo de esquerda quanto de direita pouco conseguiria fazer em prol de seus ideais. A prova disso é que o PT passou tantos anos no governo e não conseguiu implantar um regime inteiramente socialista. Conseguiu algo, mas muito pouco em comparação daquilo que são seus planos. O próprio ex governador da Bahia, Jaques Wagner, lamentou isso, achando que deveriam ter sido mais radicais e implantado completamente um regime tipo Cuba.  Ora, se o país está assim, ingovernável, qualquer um que assuma o poder só terá fracassos pela frente. Nesse caso, as força secretas optaram por apoiar intensamente um candidato conservador, que represente realmente o pensamento das aspirações de grande maioria da população, para, no poder, causar frustração ao povo, simplesmente porque além de não conseguir fazer o que prometeu talvez seja até desmoralizado perante seu público e venha a cair. Isso deve causar maior desesperança nos poderes políticos, objetivo maior da Revolução e das forças malignas.  E tudo em nome de uma nova revolução, feita pelas redes sociais, dita pacífica. Eles não têm pressa e esperam que depois dessa fase as esquerdas ressurjam com nova roupagem mais agradável, quem sabe abertamente tribalistas, pacifistas, etc.
8.    O manual que segue o pessoal dirigente dos sites e dos grupos de comunicação na internet é o mesmo. Pode-se ver que é o mesmo por causa da unidade no modo de proceder. Este Manuel foi publicado pelo americano Gene Sharp, e está disponível para qualquer um pela internet. Lá, o autor dá regras de “como fazer uma revolução pacífica”. Prestem atenção, por exemplo, que os grupos que saem às ruas têm o cuidado e não pertencer (ou não demonstrar que pertencem) a nenhum partido ou representação oficial; todas as manifestações devem ser pacíficas, isto é, sem quebrar nada, sem agredir ninguém; notem que os blacks blocs já não saem às ruas, nem se fala mais neles. O candidato Bolsonaro prega que não tem compromissos com partido e se inscreveu no mais fraco de todos; faz apologia aberta de usar as redes sociais e despreza a mídia oficial, recusando até de comparecer a debates pela TV. É uma demonstração de que as redes sociais aglutinam muito mais do que a mídia oficial, atraindo milhões em torno de seus ideais. Ideais que já existiam na mente de cada um, mas faltava quem hasteasse a bandeira e os levasse a termo.
9.    Enfim, onde vamos parar?  Sim, vamos parar em bom porto. Não por causa dos mentores de tal revolução, mas por causa do bom senso que deve predominar na população. Mal imaginavam os idealizadores de tal movimento revolucionário que a opinião pública sadia e nacionalista iria crescer tanto e se solidificar, constituindo num cerne duro capaz de dar novos rumos à nação. Espera-se que não seja o caos e anarquia que predomine, pois nosso povo, de tradições cristãs, tem propósitos tão grandiosos que deverá impulsionar doravante nossos governantes para a construção de um Brasil novo e completamente contra-revolucionário. Mesmo que as esquerdas ganhem as eleições não têm mais condições de implantar seus programas mais  radicais, ou serão obrigados e deixar o cargo e  recuarão sempre, porque finalmente temos já formada uma opinião pública visceralmente oposta a tais programas. Acredito que esta opinião pública tão coesa e sadia tenha sido fruto do Anjo do Brasil, trabalhando com nossos santos e fundadores para a formação de uma nova sociedade que antecede o Reino de Maria. As redes sociais foram meros veículos para a divulgação de tal mentalidade.

domingo, 7 de outubro de 2018

INFLUÊNCIA DA TV NO SECTARISMO RELIGIOSO ISLÂMICO







Sob o título de “Toda a Verdade - Televisões Extremistas, Difundindo o Medo”, a BBC de Londres divulgou reportagem onde é mostrada a influência dos canais de TV entre os países árabes de religião muçulmana. O principal foco é mostrar a disseminação do ódio entre xiitas e sunitas.  É evidente que este é apenas um aspecto a ser analisado, pois há outras reportagens que mostram o ódio ostensivo que os canais de TV muçulmanos vomitam contra os judeus e contra o Ocidente cristão. O teor da reportagem foi legendado em português e publicado no Youtube, mas, posteriormente, foi retirado talvez por motivos inerentes às complicações com o poder muçulmano na mídia.
Eis abaixo um relato do que se diz ali.
Uma das primeiras indagações é até que ponto os canais de TV muçulmanos são influentes na propagação do sectarismo e do ódio pregando apenas mensagens de caráter religioso. O que ocorre é que o conteúdo religioso do islamismo, por si mesmo, prega o ódio contra todas as outras religiões e, por isso, qualquer pregação tende para ódio sectário. A reportagem pesquisou três países onde tais canais de TV são mais atuantes: Iraque, Egito e Kuwait. Faltou falar da Al-Jazira, do Catar, uma TV de maior penetração inclusive no Ocidente por se apresentar com um tipo de jornalismo mais liberal e ocidentalizado, mas umas das emissoras que mais contribuiu para disseminar o ódio contra os americanos entre os muçulmanos.
Londres, além de abrigar algumas comunidades muçulmanas, é uma das cidades europeias de onde procedem programações e emissões de sinais para o mundo islâmico, dentro ou fora da Europa. Um dos homens mais ricos e influentes do setor é o xeque Abu Al Muntaser, que reside na capital britânica.
Após a revolução chamada de “primavera árabe” (a partir de 2011), dezenas de estações de TV começaram a atuar naqueles países (Iraque, Egito e Kuwait, principalmente) aproveitando-se de uma nova mentalidade que surgiu, fruto do que se chama no Ocidente de “liberdade de expressão”, coisa praticamente inexistente nos regimes ditatoriais anteriores. O repórter da BBC acompanhou alguns canais por um período de seis meses a fim de montar a reportagem.
O que constataram é que a característica principal do ódio sectário predomina entre as duas principais facções muçulmanas: xiitas e sunitas, especialmente na Síria e no Iraque, onde são mais divididos do que em outros países.
No Iraque, na época em que Saddam governava eram os sunitas que dominavam,  e são minoria no país. Derrubado Saddam, os xiitas se alçaram ao poder, e logo começaram as rivalidades e ódios entre os dois grupos, situação incrementada pelos canais de TV sectários, segundo a BBC. Hoje há muito mais massacres entre estes grupos do que no tempo de Saddam Hussein. Pois, se antes havia tal ódio não existia quem os açulasse de forma tão intensa como a televisão.
Um exemplo da forma como atuam é mostrada. Todos os discursos odiosos feitos nas mesquitas são transmitidos com destaque, especialmente se atacam os sunitas. Numa transmissão de TV, por exemplo, um “clérigo” xiita fala mal da mulher de Maomé, que tem seu nome de Ashia no idioma deles. Com a divulgação disso, poucos dias depois o sujeito é linchado numa aldeia sunita.
Na ditadura de Saddam cerca de 10 canais de TV religiosos foram suspensos num só ano por pregarem o ódio sectário, dentre eles o canal Al Anwar 2, xiita, mas depois da queda do mesmo voltou a funcionar por causa da introdução das leis de “liberdade de expressão”  do novo governo.  E voltou com a mesma programação odiosa. Incentivando inclusive os seus adeptos a ir para a guerra da Síria. Outro canal que atiça o ódio religioso é Ahl Al-Bayt, fechado e reaberto sem haver mudado sua maneira de atuar. Há denúncias de que este último canal usa os Estados Unidos da América como base de operação, isto é, estúdios e geração de imagens, sem qualquer medida do governo americano para coibir tal abuso.
No Egito, todos os canais de TV religiosos são sunitas, e procuram em sua programação despertar na população o ódio contra os xiitas. Um dos casos mais assombrosos foi um massacre ocorrido na aldeia de Zawiet Abu Mosselem, em junho de 2013, no sul do Cairo, ocasião em que um “clérigo” xiita e alguns seguidores foram linchados porque havia feito discurso difamante na TV. Quando o mesmo canal de TV transmitiu o massacre o fez de modo a suscitar o desejo de vingança dos que foram assassinados.
Um dos maiores controladores de canais de TV do Egito chama-se Nile Sat. cuja emissão é feita via satélite, como se sabe muito cara. Esse canal afirma manter uma rede de mais de 700 outros canais, grande parte deles religiosos. O controle de tais canais é feito nos moldes das ideias ocidentais de “liberdade de expressão”, não havendo qualquer censura sobre seus conteúdos. Um canal só pode ser excluído ou suspenso se “violar a lei” ou “por quebra de contrato”.
No tempo que Mubarak governava foi suspenso o canal Safa TV por incitar o ódio sectário. Hoje está funcionando livremente em nome da “liberdade de expressão”, mas pregando o ódio.
450 mil dólares anuais é quanto custa gerir um canal de TV religioso entre aqueles países, mas ninguém sabe de onde vem tal quantia. A fim de camuflar os verdadeiros financiadores (os ricos donos de petróleo), os principais canais fazem costumeiramente campanha para arrecadar donativos entre seus telespectadores. O repórter da BBC descobriu, no entanto, que um dos principais doadores é um rico empresário do Kuwait, chamado Khalid Al-Opaymi, que se esconde para não ter seu nome envolvido.
O Kuwait é um país de maioria sunita, mas não há registro de hostilidades entre eles e os xiitas no país. Tudo indica que esta convivência pacífica é por acordo entre as elites, para manter seus negócios lá longe da fuga de capitas dos ricos ocidentais. No entanto, é de lá que saem os maiores recursos para alimentar a guerra entre sunitas e xiitas nos países vizinhos. Por exemplo, este Khalid citado antes é apontado como principal armador de grupos que lutam contra o governo do Irã.
O número de canais de TV religiosos que pregam o ódio sectário entre muçulmanos foi calculado em 120, sendo que os mais radicais chegam a 20, os quais agem de forma mais ostensiva.
Os repórteres também descobriram que a maioria dos recursos que alimentam trais canais de TV vêm da Europa e dos Estados Unidos, sendo grande parte de Londres. Muitos deles são geridos a partir da capital britânica, alguns até com estúdios instalados lá. Um dos dirigentes desta rede em Londres é o xeque Yasser Al Habib, o qual comprou uma igreja (não diz se era católica ou anglicana) por um milhão de libras e a transformou numa mesquita. Está localizada na periferia de Londres, num lugar chamado Fulmer. Dentro da mesquita funciona um estúdio de TV por 24 horas diárias sem parar, chamado “Fadak TV” , e é destinado aos xiitas de todo o mundo islâmico, calculado em 20 milhões de telespectadores aproximadamente. A lei inglesa, também baseada na “liberdade de expressão” e, talvez, para não afastar prováveis rendas que o xeque deixa por lá, nada faz para censurar ou proibir as emissões odiosas da Fadak TV.
A BBC descobriu também em Londres uma organização chamada “Servants of  Mahdi”, que procede do Iraque e é destinada a angariar fundos para tais canais. Em Londres há também uma TV sunita, chamada Wesal Farsi, cuja matriz fica na Arábia Saudita, mas faz campanha aberta contra o regime do Irã.  Todos estes canais têm funcionamento via satélite e podem ser assistidos em outros países.