SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

terça-feira, 3 de abril de 2018

BEATO HERMANO E HAWKING, PARALÍTICOS DE ONTEM E DE HOJE





Nas últimas centúrias, as pessoas mais elogiadas foram as que se dedicaram às ciências ditas exatas, como a física, a matemática, ou aquelas simplesmente chamadas de “ciências”. Um que se destacou no século passado por causa de intensa propaganda na mídia foi o astrofísico inglês Stephen William Hawking, considerado a maior inteligência do século (dizem que superior até a de Einstein). Era também ele cosmólogo e matemático, dando aulas na famosa universidade de Cambridge.
A publicidade em torno de tal cientista é realçada pelo sentimentalismo, haja vista que Hawking encontrava-se paralítico há dezenas de anos, era alimentado por outros e se locomovia por meio de cadeira de rodas, por sinal equipada com o que há de mais moderno em equipamentos eletrônicos. Como não falava de forma audível, pois havia sido submetido a uma traqueostomia, respondia às perguntas que lhe faziam digitando o teclado de um computador instalado em sua cadeira.
O gênio fazia viagens internacionais e era conferencista disputado. No entanto, assistir a uma exposição dele não era nada fácil, não era uma experiência muito agradável. O computador, ligado a um sintetizador de voz, era o interlocutor, enquanto o conferencista ficava completamente passivo na cadeira, movimentando apenas as mãos. Após algumas horas ouvindo aquela voz desincorporada e meio metálica, pedia-se aos assistentes que conversassem uns com os outros ou lessem jornais.
Hawking publicou o livro, “A Brief Hostory of Time” (Uma Breve História do Tempo), onde resumiu seus estudos sobre a relatividade e a mecânica quântica. Apesar de sua enorme divulgação (milhões de exemplares vendidos), poucos realmente conseguiram entender o pensamento do autor na obra. Um crítico comparou-a com outra sobre o culto  budista, “Zen and the Art Motorcycle Maintenance” (O Zen e a Arte de Manutenção da Motocicleta), que Hawking tomou como elogio.
O oposto de Hawking, também entrevado, foi o Beato Hermano Contractus, que viveu no século XI, em plena idade Média, constantemente transportado nos braços dos outros, como se fosse uma criança, mas considerado “A Maravilha do Século”, tal a sua genialidade.  Naquele tempo não havia a máquina moderna de propaganda para atrair simpatias e aplausos, havia mais autenticidade neste maravilhamento.
O Beato Hermano nasceu em 1013, em Baden, na Alemanha, e faleceu em 1054. Era também chamado de Hermano de Reichenau, OSB, pertencia, portanto, à ordem beneditina. Chegava a mexer apenas um pouco a língua e as mãos e, apesar disso, foi o maior sábio de seu tempo. Matemático e astrônomo de gênio, foi também historiador, compositor talentoso e poeta inspirado. São dele as composições sacras “Ave Maris Stella” e muitas outras, além de lhe terem atribuído a autoria da “Alma Redemptoris Mater” e da “Salve Regina”. Esta última teve o acréscimo feito por São Bernardo dois séculos depois, de uma jaculatória: “Ora pro nobis Sancta Dei Denitrix”
Inventou alguns instrumentos, como o astrolábio e uma máquina de calcular. Era tão admirado que recebeu visitas famosas, como a do Papa São Leão X e do imperador da Alemanha, Henrique III.
Como o Beato Hermano era diferente de Hawking! Ateu e pretensioso este, católico e humilde aquele. Ao contrário do arrogante físico inglês, o Beato Hermano considerava-se o último dos ignorantes. Escreveu ele numa obra sobre o astrolábio, seu invento: “Fui eu, Hermano, que fiz este livro, eu, o rebotalho dos pobres de Cristo, que anda a reboque dos aprendizes filosóficos, mais lento de espírito do que um jumentinho”.
Comparemos os dois gênios. Qual deles merece maior admiração? Ambos gênios de seu século, ambos paralíticos, mas, um temente a Deus e humilde, e o outro ateu e irreverente; um amante da Bondade e santo, enquanto o outro, espírito encharcado de orgulho e descrente.
Cada um, a seu modo, espelha a própria época em que viveram.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

ORIGEM DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO DESTERRO VENERADA NO CONVENTO DE SANTA CLARA EM SALVADOR, BAHIA





Pouco depois de se dar princípio à Cidade de São Salvador, ou Bahia de todos os Santos, foi isto pelos anos de 1560 sendo Governador Mem de Sá, se erigiu uma Ermida no Sertão, ou alguma cousa distante da nova povoação; aonde uns devotos, não sem destino do Céu (porque havia escolhido aquele lugar para Palácio), colocaram as imagens de Jesus, Maria e José. Imagens de vulto formadas de madeira, o menino, e São José com seus bordões. Era esta Ermida feita de tábuas e o teto coberto de folhas de palma. O sítio desmatá-lo-iam; mas afrouxando a devoção, tornou a crescer o mato; e assim era muito infestada de animais ferozes e peçonhentos, com cobras jibóias ou de veados muito grandes, jacarés e outros que saíam das lagoas que lhe ficavam vizinhas. E, ou fosse que se acabasse de todo a devoção, ou que o temor de cair dos dentes daquelas feras cruéis e medonhas, fez que se acabasse totalmente o ir a venerar a Senhora à sua Ermida. E assim se perdeu a devoção; e quando algumas pessoas (se iam lá) levavam armas de fogo para se evitar qualquer perigo.
Pelos anos de 1567, sendo ainda Governador o referido Mem de Sá, se diz por tradição comum, que fora um homem (ou Nossa Senhora lhe inspirou que lá fosse). Ia este a cavalo para aquela parte e vendo Ermida, ou casa de palha, perguntou a uns negros o que aquilo era, e eles lhe responderam: era a casa de Nossa Senhora do Desterro; mas que se não podia lá ir, porque era aquele sítio muito reparo o homem, no que os presto referiram; e assim se resolveu a entrar na Ermida e ir fazer oração à Senhora do Desterro. Foi chegando, se apeou e entrou dentro a encomendar-se à Senhora.
Depois de fazer a sua oração, saiu para fora e assentou-se à porta da Ermida, e ali encostado, dizem, que adormeceu. Despertou logo todo sobressaltado; porque se viu cingido e cercado de uma grande jibóia, ou securiubam (1) a qual já fazia diligência pelo tragar. Neste tempo, e neste perigo, invocou em seu favor à Senhora do Desterro, e com ela animado puxou de uma navalha, que também dispôs Deus que a levasse consigo; tal golpe e com tal sucesso lhe deu pela garganta que a degolou e caiu morta aquela fera e animal espantoso. Reconhecendo logo de onde lhe viera o socorro, entrou dentro da Ermida a dar graças à Senhora, que o havia livrado da morte. E depois saindo fora, carregou como pôde no cavalo aquele medonho animal, e com ele se foi à praça da Cidade, apregoando a grande maravilha e o favor que a Senhora lhe fizera. Tem aquele animal a pele tão dura, que dizem por encarecimento que tem sete couros. E é esta tão dura que parece impenetrável, porque para o abrirem não bastavam os machados. E aqui se viu o mais o portentoso do milagre, que sendo aquela pele tão dura e tão impenetrável , a fez o favor de Maria Santíssima tão e tão branda no pescoço que com uma navalhada pôde aquele homem degolar aquela grande fera. Esfolaram-na e depois encheram a pele de algodão, e com a navalhinha na boca a foram oferecer à Senhora do Desterro, em memória do benefício que fizera em livrar da morte aquele seu devoto.
Com este grande milagre se ascendeu o povo em fervorosa devoção para com a Senhora do Desterro, e tanto que o mesmo Governador Mem de Sá pediu a todos os moradores que tinham pretos, aos que tinham seis, que dessem três, e aos que tinham quatro, que dessem dois, e assim aos mais, para irem roçar todo aquele mato, que estava em o circuito da Ermida da Senhora. Limpa toda a terra até o sítio da casa da Senhora, trataram de lhe edificar outra mais grande e capaz de pedra e cal, e alevantar casas junto a ela. E o mesmo Governador mandou ali edificar uma casa nobre, ou palácio, para sua vivenda. E depois se foram fazendo tantas casas, que a Cidade se estendeu até aquele sítio. O mesmo Governador desejou logo, que naquele mesmo sítio se edificasse um Convento para religiosas, que perpetuamente louvassem a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, e fez as diligências possíveis para que estes seus desejos se efetuassem. E porque ele o não pôde conseguir em sua vida, o recomendou à Câmara daquela Cidade. E tão certo estava de que a Senhora do Desterro havia de ser servida naquele lugar por religiosas, que na sua morte deixou ao Padre Reitor do Colégio da Companha (2) daquela Cidade mil cruzados em depósito, para que assim que chegassem as religiosas a tomar posse daquela casa lhes entregasse para a ceia daquele dia; como em efeito o executou, indo logo entregá-los ás religiosas. E reparando elas na aceitação, o Padre Reitor as certificou, de que aquele dinheiro era seu, e que se lhe havia deixado em legado para quando elas chegassem.
Isto mesmo testemunha ainda hoje uma companheira das Madres Fundadoras, que vive no Convento de Santa Clara da Cidade de Évora (de onde saíram para fundar) neste presente ano de 1705, a qual disse que estes mil cruzados depositaram logo as Madres Fundadoras, para se dar com ele princípio a obra do seu Convento. O ano em que as Fundadoras saíram do seu Convento de Évora, foi o de 1676 em oito de novembro. E tomaram posse do Convento novo na Cidade da Bahia em nove de março de 1677. As Fundadoras eram a Madre Soror Margarida da Coluna, que ia por Abadessa, a Madre Soror Luiza de São José por Vigária, as outras duas eram a Madre Soror Maria de São Raimundo e Soror Jerônima do Presépio. E teve muito de mistério, que todas quatro voltaram a Portugal e foram para o seu Convento, aonde se restituíram todas em oito de novembro de 1686. Gastando dez anos justos e completos nesta obra, que podíamos dizer fora profetizada por aquele pio e devoto Governador Mem de Sá. Esta casa da Senhora do Desterro é juntamente paróquia daquele distrito; se o era já quando as religiosas tomaram posse não me constou; mas já o devia ser. A imagem da Senhora é de talha estofada, e por ornato lhe põem um rico manto, e assim a Senhora como São José; e o soberano menino se vem com varas de prata por bordões, a sua estatura da Senhora são cinco palmos. Obrou sempre, e obra muitos milagres. A sua festividade se faz sempre com grandeza em dia de Reis, na qual se acaba o seu septenário.
NOTAS: 1) Tudo indica que o autor quer se referir à cobra sucuri.
2) Refere-se à Companhia de Jesus.
(Transcrito do livro “Santuário Mariano e História das Imagens Milagrosas de Nos-sa Senhora” – de Frei Agostinho de Santa Maria – Em Lisboa – 1722- págs. 28/30).
(O trabalho de Frei Agostinho (“Santuário Mariano...”) foi feito sob encomenda do Bispo, Dom Sebastião Monteiro da Vide, que viu a necessidade de documentar todas as imagens milagrosas de Nossa Senhora que haviam na Bahia).

domingo, 1 de abril de 2018

STABAT MATER





(Comentários de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira sobre a Santíssima Virgem Maria)

Cântico muito apropriado para alimentar nossa piedade nos dias da Semana Santa, o Stabat Mater mereceria um comentário tão extenso quanto grande é sua beleza e unção. Porém, não sendo possível nos estendermos como desejaríamos, analisarei algumas passagens, baseando-me numa tradução a qual, infelizmente, não possui o mesmo sabor do texto original em latim.

A situação mais trágica de toda a História

“Estava a Mãe dolorosa, ao pé da Cruz, lacrimosa, e o Filho pendente dela.
Dura espada lhe rasgava a alma pura, com dor; tristeza e gemidos”.

Após a apresentação desse quadro, seguem-se algumas orações:

“Eia Mãe fonte de amores, fazei que essas fortes dores eu sinta e convosco chore.
Fazei que a alma se me inflame, para que a Cristo Deus só ame e só busque o seu agrado.
Santa Mãe, isso vos peço, fique o peito bem impresso das chagas do Crucificado.
Fazei-me, enquanto viver, com meu Jesus condoer, convosco chorar deveras”.

A cena aqui descrita, de Nosso Senhor pendente da Cruz e Nossa Senhora em pé (pois este é o significado de stare, em latim), chorando, é a mais patética de toda a história do mundo.
Nunca houve situação mais trágica do que essa, nem nada que se lhe compare. Diante desse quadro que deveria comover todos os homens, adquire especial relevo aquelas várias preces.

Caráter sagrado das relações mãe-filho

Para compreendermos o inteiro alcance desse cântico, convém consideramos a relação Filho-Mãe.
No alto do Calvário se encontra Nosso Senhor, na força de sua idade, pregado na Cruz, exposto a um tormento indizivelmente agudo, com o Corpo todo chagado devido aos maus tratos anteriores, a coroa de espinhos ferindo-Lhe a cabeça, prestes a exalar sua alma. Passou por todas as dores e se acha no fim da agonia. D’Ele se poderia dizer, metaforicamente, como o fez a Sagrada Escritura: “Já não era um homem, mas um verme” (Sl 21, 7), e reputado “como um leproso”  (Is 53, 4), de tal maneira estava desfigurado,, chagado e lanhado.
Conforme predissera o Profeta Isaías, do alto da cabeça até a planta dos pés não havia em Jesus parte sã. Ora, a pessoa nessa situação pungente, própria a despertar a compaixão de todo o mundo, é ao mesmo tempo o Homem-Deus. Sendo o Inocente, e sofrendo o martírio mais injusto, humilhado pela ralé mais infame, tudo quanto contra Ele se executava assumia uma gravidade verdadeira infinita. Cometia-se, portanto, um pecado imenso, algo que deveria levantar de indignação até as pedras.
Pois bem, ao pé da Cruz estava a Mãe do Supliciado.
Nada se respeita tanto no mundo quanto uma mãe que chora junto a seu filho morto. Isso faz cessar todas as hostilidades, ápodos, qualquer espírito de vingança, toca e inclina as almas para a misericórdia. É a fraqueza feminina no que tem de mais sublime, a condição de mãe posta diante do que há de mais doloroso: o falecimento de seu próprio filho.
Tais sentimentos se verificam inclusive em se tratando do pior dos criminosos, digno da maior compaixão, justamente condenado à morte. Quando, nas vésperas de sua execução, anuncia-se a visita da mãe dele, tudo se suspende. A irritação despertada contra o sentenciado como que recebe um parênteses, todos acolhem sua progenitora com respeito e a conduzem junto ao filho que ela deseja consolar. E esse réu, objeto  da reprovação geral, enquanto está com sua mãe adquire – pela sua condição de filho – uma respeitabilidade a qual pareceria impossível em semelhante facínora. Ninguém o a tormenta nem o incomoda. Suspende-se o curso da justiça, até que o contato com sua mãe tenha cessado.
Tudo isso porque a relação mãe-filho é sagrada, envolve reservas de ternura inimagináveis. Em razão do que ela tem de sacrossanto em si, aplaca as cóleras e impõe toda forma de respeito.

Misérias da sensibilidade humana

Ora, no Calvário está a mais perfeita de todas as mães, chorando a ofensa feita a Deus com uma profundidade de sentido que não podemos sequer imaginar. Em face dessa cena compungente ao extremo, era de se presumir que a piedade humana naturalmente se enternecesse.
Se presenciássemos a crueldade de alguém que mata sua cachorra, abandonando à própria sorte os filhotes dela sem terem quem lhes procure alimento, sentiríamos uma impressão desagradável, teríamos pena. Pois somos assim, e nos enternecemos – às vezes exageradamente – com a dor sofrida pelos animais.
Então, se temos Fé e acreditamos que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e morreu na Cruz para nos salvar, que Nossa Senhora existiu e estava ao pé da Cruz, deveríamos ter nossa alma partida de dor e nada poderia nos falar tanto quanto essa situação. Entretanto, devido à miséria da sensibilidade humana, dá-se algo de inconcebível: os mesmos que se deixam comover pelo infortúnio de um bicho, diante da Paixão se tornam “glaciais”, e dizem: “Já sabemos disso, hããã...”  A Morte de Nosso Senhor é uma das estações da Via Sacra. Dos que a rezem , quantos não têm a atenção voltada para outros assuntos? E quantos, mais numerosos, nem sequer dela participam, alegando ocupações mais importantes?
Essa indiferença humana é tão marchante que, depois de apresentar esse quadro, muito judiciosamente o Stabat Mater acrescenta quatro orações nas quais pedimos a Deus algo que deveria borbulhar do fundo das almas: o sentimento de arrependimento, compunção, gratidão; o desejo de aproveitar para si os frutos dessa Redenção, daquelas lágrimas, daquele Sangue, para progredirmos na prática do bem.
Por que existe tal indiferença? Porque esse tema é bonito, elevado, santo, grandioso demais. E pela sua natureza decaída com o pecado original, o homem se tornou tão ruim que, em presença de algo muito sublime, santo e elevado, fica completamente insensível. Há todos os motivos para chorar e se compungir, mas não chora nem sente compunção.

Pedir a graça da verdadeira compunção

Cumpre termos presente que o autêntico movimento de piedade provém de um ato de Fé e amor a Deus, frutos da vida sobrenatural recebida por nós através da graça. Não a podemos adquirir por simples méritos de nossa natureza.
Assim, temos de pedir e desejar ardentemente essa graça insigne: que a Paixão de Nosso Senhor não seja para nós uma coisa morta, poeirenta e distante, ocorrida há séculos, e sim algo de vivo que nos diz respeito diretamente, e nos toque no fundo da alma como sucedeu a todos os santos.
Esse “tocar no fundo da alma” não significa apenas um mero sentimento de tristeza, mas também de solidariedade para compreendermos a inteira relação do holocausto de Jesus conosco, movendo-nos a um ato de genuíno amor a Deus e de correspondência ás graças.
Nosso Senhor e a Santíssima Virgem sofreram todas essas dores na intenção de salvar os homens, e mesmo que fosse para resgatar só a mim, as teriam padecido. Eles me conheciam pessoalmente no momento desse sacrifício, pensaram em mim e o aceitaram para me redimir. Assim, hei de corresponder a tanta misericórdia, deixarei de pecador e progredirei na virtude. Quero salvar almas e implantar o Reino de Maria na Terra, como a plena retribuição àquilo que na Paixão foi realizado.
É, portanto, esse movimento de alma, sensibilizada pela Paixão, que devemos pedir nas orações.
A esse propósito, tomo a liberdade de evocar um exemplo pessoal. No meu tempo de menino, quando me preparava para me confessar e fazer a Primeira Comunhão, minha governanta alemã, Fraülein Mathilde, dizia-me: “Faça seu exame de consciência”.
Eu o fazia e escrevia as faltas num papel, pois era muito distraído e receava me esquecer. Chegando na igreja, a governanta me mandava ajoelhar e rezar o ato de contrição. Em seguida me perguntava:
- Você se arrependeu?
- Não...
- Então reze a Via Sacra!
Terminada a oração, a mesma pergunta:
- Você se arrependeu?
Eu perdia a face diante de tanta maldade que era a minha ausência de arrependimento, mas não queria fazer uma confissão sacrílega, e respondia: “Não”. Ela decretava: “Faça novamente a Via Sacra!”
Afinal, para conseguir me livrar de tanta Via Sacra, excogitava qualquer emoção ligeiramente “arrependitiva” e a governanta declarava: ‘Vai logo para o confessionário, senão essa contrição desaparece”.
E eu, compenetrado de minha tremenda vilania – pois era um homem que não se arrependia de nada, tendo de se confessar rapidamente antes que se esvaísse  aquele mínimo sentimento de culpa -, pensava: “É verdade, deixa eu pegar minha ‘contriçãozinha’ no pulo; do contrário, não  sei o que será de mim”.
Claro está, essa governanta possuía uma idéia errada do que era o sentimento de contrição. Na realidade, não se trata de simples choramingar nem de uma dor sensível, mas é tomar profundamente a sério os dados fornecidos pela Fé, cogitando, por exemplo, no seguinte: até a última gota do Sangue de Nosso Senhor teve de ser derramada, quando a lança perfurou o próprio símbolo do amor, que é o Sagrado Coração. Ele sofreu tudo por mim! Então, a que conclusões devo chegar?
Essa seriedade da alma é a compunção. Muitos santos a tiveram acompanhada de pranto, que é um grande dom: o das lágrimas. Mas este, embora muito conveniente não é necessário para o autêntico arrependimento.
Portanto, em virtude dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos pedir a graça da verdadeira compunção. E nesse intuito – sem procurar um “calorífero emocional” – será mesmo louvável que recitemos piedosamente uma Via Sacra.

Tesouros de lógica e virtude

Compreendemos, então, como o Stabat Mater é bem constituído.
Ele coloca diante de nós o mais comovente dos quadros, e nos leva a fazer pedidos de que esta situação trágica de fato nos comova, reconhecendo a fundo a maldade e a dureza humanas, insensíveis a tanta dor.

“Eia Mãe fonte de amores, fazei que essas fortes dores eu sinta e convosco chore”.

Quer dizer, que eu me solidariza convosco. Concedei à minha alma uma participação na vossa dor.

“Fazei que a alma se me inflame, para que a Cristo Deus só ame e só busque o seu agrado.”

Depois da solidariedade, implora-se algo mais alto: uma união tal que eu só ame a Ele, Cisto Jesus.

“Santa Mãe, isso vos peço, fique o peito bem impresso das chagas do Crucificado”.

Note-se como está bem graduado e pensado: solidariedade, amor exclusivo, participação no sofrimento d’Ele aqui na Terra. Quero ter impressas em mim a chagas de Jesus.
E por fim:

“Fazei-me, enquanto viver, com meu Jesus condoer, convosco chorar deveras”.

Pede-se a graça da perseverança, para que durante minha existência inteira essa disposição de alma permaneça viva. Amém.
Percebe-se, dessa forma, a maravilha de Fé, lógica, coerência e humildade contida nessa oração. E esta outra característica, não menos bela: posto diante de Cristo crucificado, o fiel não se dirige diretamente ao Redentor, mas a Nossa Senhora, sabendo ser Esta o caminho mais certo e seguro de chegar a Ele. Então, aceitando a mediação universal de Maria, roga-Lhe sua intercessão para que suas preces sejam ouvidas pelo Senhor Jesus.
Na verdade, o Stabat Mater é uma poesia tão singela, tão simples, que requer profunda analise para se compreender e admirar os tesouros de teologia e virtudes nela encerrados.


(Transcrito da revista “Dr. Plínio”, nº 84, março de 2005)


domingo, 25 de março de 2018

O ARCANJO DA ANUNCIAÇÃO




(COMENTÁRIOS DE DR. PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA SOBRE A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA)

No mês de março a Igreja celebra a Anunciação de Nossa Senhora e Encarnação do Verbo, um dos maiores mistérios da fé católica. Muito se tem falado de belos e profundos aspectos desta festa, com, por exemplo, o maravilhoso significado da união da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade com a natureza humana, em ordem à Redenção do mundo, ou a grandeza e a humildade de Maria, aceitando a sublime vocação de ser a Mãe do Criador. Menos ressaltada é a atitude do Arcanjo São Gabriel neste acontecimento de primordial importância para a humanidade.
Creio, portanto, não ser sem interesse voltarmos um pouco nossa atenção para a figura e o papel angélico portador da mensagem de Deus para a modesta Virgem de Nazaré.


Pelo teor da missão se percebe a magnitude do príncipe celeste

Podemos ter uma idéia de quem é São Gabriel se considerarmos o valor da missão de que foi incumbido pelo Altíssimo.
Com efeito, sendo os Anjos constituídos de natureza muito mais elevada que a nossa, as tarefas a que são prepostos têm relação direta com suas características próprias, motivo pelo qual as funções angélicas não são assumidas por eles tão arbitrariamente como se faz entre os homens. Quer dizer, no nosso caso, ninguém será, por exemplo, datilógrafo ou embaixador por natureza: na hora do aperto, um embaixador se avia como datilógrafo, e um datilógrafo, por relevantes interesses pessoais, acaba sendo bom embaixador. No caso dos Anjos, pelo contrário, cada um está destinado a desempenhar uma função específica, de acordo com sua própria essência. Não se tratará, necessariamente, de tarefas tão extraordinárias como a da Anunciação, mas das ordinárias dos Anjos no Céu em face de Deus.
Na aplicação desse princípio, houve uma decisiva razão de conveniência para se conferir a missão de anunciar a Encarnação do Verbo a São Gabriel: era ele o Arcanjo que, por sua essência, estava á altura dessa dignidade. E, portanto, medindo o valor da incumbência dada e ele, podemos deduzir algo de sua glória, virtudes e esplendor.
Que dizer dessa missão?
Antes de tudo, é elevadíssima. É a missão-chave na História da humanidade. Esse Anjo foi enviado a Nossa Senhora para revelar-Lhe a chegada da plenitude dos tempos, o fim do reino do demônio, o esmagamento do domínio do mal, a remissão do gênero humano, a abertura das portas do Céu. O Anjo incumbido de pedir a Nossa Senhora seu consentimento para isso, e de anunciar o mistério da Maternidade Virginal, esse Anjo portou a mais elevada mensagem que se possa ter transmitido em toda a História.
Segundo o ensinamento dos teólogos, os astros são movidos por Anjos. Procuremos imaginar a grandeza de um Anjo que mova, por exemplo, toda a Via Láctea. Que valor, que força. Brilho e categoria de espírito deve ter um Anjo desses! Agora, o que é mover uma poeira de estrelas como a Via Láctea, em comparação com o tocar a alma de Nossa Senhora, com o agir sobre o coração imaculado d’Ela, transmitindo-Lhe essa mensagem única e obtendo sua adesão?
Não há comparação possível. Daí se compreende a excelsitude da missão e do missionário.
Por outro lado, gradua-se a importância do mensageiro não só pela natureza da mensagem, mas também pela importância respectiva de quem a mandou e de quem a recebe; Um rei que tem uma comunicação muito importante para alguém de categoria superior, a envia por meio de um fidalgo da sua corte. Mas, se a mensagem for de menor alcance e o destinatário, uma pessoa comum, ele a manda através de um empregado qualquer.
Ora, a Santíssima Virgem era a Rainha do Céu e da Terra, a obra-prima de Deus, destinada a ser Mãe do Verbo. Logo, somente um Anjo da mais alta dignidade poderia ser escolhido para levar a Ela as palavras divinas. Mais uma vez, vemos por aí a estupenda grandeza do celeste mensageiro.


Senso hierárquico e exaltação da virgindade

A partir desses sublime acontecimento, poderíamos deduzir também duas perfeições do espírito de São Gabriel, a meu ver muito salientes nos quadros de Fra Angélico que retrataram a cena da Anunciação.
Em primeiro  lugar, um notável senso de hierarquia.
Quando São Gabriel se dirigiu a Nossa Senhora, Ela não era ainda a Mãe de Deus. Passou a sê-lo no momento em que aceitou a comunicação e, em conseqüência, a milagrosa e fecunda intervenção do Espírito Santo. Como, por natureza, os Anjos são superiores aos homens, até o instante em que a Virgem pronunciou o “fiat”, São Gabriel estava se dirigindo a alguém que lhe era inferior, embora A estivesse convidando para ser sua Rainha.
De outro lado, a mensagem trazida por ele significava uma tal predileção de Deus por Nossa Senhora que A situação acima do paralelo com qualquer Anjo, por mais elevada que fosse a categoria deste, incluindo São Gabriel. Donde o singular senso de hierarquia que o vemos manifestar, e que Fra Angélica expressa de modo inexcedível nos seus afrescos: é o Anjo imbuído de um respeito profundo e de uma entranhada veneração por Nossa Senhora, como quem toma a superioridade de sua própria natureza e a põe abaixo, por causa dessa grandeza da missão de Maria. Por sua vez, Nossa Senhora responde ao Anjo também inclinada e com toda a deferência, porque Ela recebia a mensagem de Deus e porque, como criatura humana, era inferior ao Anjo.
O episódio tem um perfume de um mundo de respeito mútuo, de superioridades recíprocas, nas quais Nossa Senhora acaba sendo incomparavelmente maior do que o Anjo, indicando bem o senso de hierarquia incluído nesse ato.
E, cumpre frisá-lo, senso de hierarquia e de disciplina oposto ao non serviam (não servirei) de Satanás. Muitos teólogos afirmam que o demônio se revoltou contra Deus porque não quis reconhecer o Verbo encarnado como objeto de sua adoração, e menos ainda aceitar uma mera criatura humana como sua rainha. Parece ter sido este o ponto que exacerbou ao extremo o seu orgulho e polarizou de forma irrefreável o movimento de insubordinação que grassava no seu espírito em relação à vontade divina.
São Gabriel fez o contrário. Cheio de adoração e amor a Deus, foi portador dessa mensagem que colocava, sob certo ponto de vista, o reino angélico abaixo do reino humano. Colocado diante de sua nova Rainha, tão inferior a ele por natureza, dobrou-se como o mais respeitoso e venerador dos súditos e cortesãos.
A esse alto senso de hierarquia podemos acrescentar outro aspecto: uma como que castidade celestial.
As se dirigir à Virgem das Virgens para anunciar que Ela será Mãe sem deixar de ser virgem, São Gabriel faz uma esplendorosa exaltação da virgindade, além de revelar uma espécie de obra-prima de pureza realizada por Deus: diante desse fato tão imenso da Encarnação, Nosso Senhor resolveu violar todas as regras da natureza para salvar a virgindade perfeita  de Nossa Senhora, e conferiu uma nova glória ao gênero humano, fazendo d’Ela a Esposa do Divino Espírito Santo e Mãe de um Filho gerado milagrosamente, sem concurso de homem.
São Gabriel estava, assim, incumbido de trazer à Terra a mensagem que é uma das maiores glorificações da castidade já conhecidas na História. Não será difícil compreender, portanto, a ligação toda especial com a virtude de pureza que esse Arcanjo deveria ter.
Senso de hierarquia, de disciplina, humildade, vinculação com a pureza e a virgindade, virtudes do embaixador divino, contrárias ao orgulho e à “sensualidade” do demônio, inimigo irreconciliável de Deus e de Nossa Senhora. A velha serpente foi pisada e esmagada de modo avassalador nesse sublime mistério da fé cristã. E se um Fra Angélico acrescentasse na sua pintura o detalhe  da cabeça do demônio sob os pés de São Gabriel, retrataria um fato profundamente real.

Pedir a humildade, a pureza e o amor a Nossa Senhora

Dessas breves considerações podemos inferir que motivos não nos faltam para pedirmos a São Gabriel que interceda por nós junto a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, a fim de alcançarmos essas duas graças tão indispensáveis para nossa perfeição espiritual:  primeiro, a de termos genuíno senso de hierarquia, humildade sincera, intenso amor á superioridade (ainda que aqueles que sejam mais do que nós em certos aspectos, sejam menores por vários outros); em segundo lugar, a graça de possuirmos o gosto ilibado da pureza, da castidade, enquanto princípio, valor moral, e não apenas como predicado físico. Humildade e pureza que, sem dúvida, são dois dos traços distintivos da santidade específica de São Gabriel.
Sabe-se que os Santos e os Anjos são chamados a favorecer os católicos, obtendo-lhes o fortalecimento nas virtudes peculiares com que eles mais glorificam a Deus. São Francisco nos alcança o espírito de pobreza; Santo Inácio, a lógica soberana, inflexível e incomparável dos Exercícios Espirituais; São Bento, o gosto da liturgia e da contemplação. E assim por diante, o que os Anjos e os Santos mais têm, mais eles dão.
Se São Gabriel espelha as mencionadas virtudes em tão alto grau, ele foi posto por Deus para obtê-las em favor dos mais necessitados. Não deixemos, portanto, de recorrer a esse extraordinário intercessor que nos foi dado pela Providência, rogando-lhe conceder-nos a mesma veneração, o mesmo entranhado respeito e amor que ele manifestou por sua Rainha e Senhora, Maria Santíssima, Mãe do Verbo Encarnado.


(Revista “Dr. Plínio”, nº 60, março de 2003)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A VERDADEIRA "CULTURA" INDÍGENA




A vida promíscua dos índios hoje não é muito diferente quando os nosso primeiros colonizadores chegaram ao Brasil no século XVI. Naquele tempo foi na forma abaixo que nos relataram onde havia a verdadeira “cultura” indígena.
A promiscuidade é responsável por muitas das aflições oriundas de certos flagelos, como por exemplo os insetos parasitos chupadores de sangue humano. Existem várias espécies de piolhos, pulgas, percevejos, carrapatos e outros parasitos que infestam o convívio das tabas indígenas. Em geral produzem efeitos terríveis para o homem: causam coceiras e comichões, além de transmitir diversas doenças, dentre as quais a peste bubônica.
São três os tipos de piolhos: o da cabeça, o do corpo e o da virilha. O piolho do corpo como raramente é encontrado na pele, pois prefere esconder-se na roupa, era pouco comum entre os índios. Quanto ao piolho da cabeça era mais comum, vivendo em cardume nos fios de cabelo. Tais insetos aumentam consideravelmente em ambientes de intensa promiscuidade e falta de asseio. O piolho da virilha propaga-se muito entre os de vida sexual promíscua, o que é comum entre os indígenas.
Existem mais de 1.600 espécies de pulgas; enquanto que poucas atacam especificamente o homem, todas são transmissoras de doenças. Das pulgas que infernizam a vida dos índios as mais comuns são a pulga do rato e o penetrante bicho-de-pé. As pulgas do rato (“Xenopsylla cheopis”) são encontradas em clima tropical e é transmissora da peste bubônica. É comum encontrar-se referências a bicho-de-pé entre os índios, os quais não os tiram.
Os percevejos são insetos de hábitos noturnos. Durante o dia escondem-se em frestas e gretas de casas ou habitações mal construídas, de madeira ou palha. O incômodo maior do percevejo é sua picada e o mal cheiro que exala quando é esmagado.
Os carrapatos também não produzem maiores danos a não ser o incômodo de sua comichão. Em geral agarram-se tenazmente às suas vítimas. Embora seja observado sua existência preferentemente onde existem animais do campo, como gado bovino, sabe-se que sua origem é nas matas, pois não prolifera em pastagens limpas e bem cuidadas.
Algumas espécies de ácaros parasitam o homem e podem ser vetores de doenças graves. Seus sintomas são também a grande comichão e a sensação de calor quando a vítima se deita para dormir: trata-se da sarna, que não só infesta cães e gatos, mas também o homem.
Ora, o controle profilático de tais insetos só se faz por um meio: asseio sanitário e vida social não promíscua. Como poderiam os indígenas viver sem tais flagelos se conviviam comunitariamente em palhoças, aos montes, dormindo em redes infectas ou no chão, despidos e sem qualquer proteção a não ser o fogo? Gabriel Soares de Souza descreve como encontrou tal flagelo entre os índios:
“Digamos logo dos mosquitos, a que chamam “nhitinga”... Estes são amigos de chagas, e chupam-lhe a peçonha que; e se vão pôr em qualquer cossadura da pessoa sã, deixam-lhe a peçonha nela, do que se vêm muitas pessoas a encher de boubas.  Estes mosquitos seguem sempre em bandos as índias, que andam nuas, mormente quando andam sujas do seu costume...”
A quantidade dos mosquitos que há entre os índios é proporcional ao tamanho da selva onde moram. Assim, continua Gabriel Soares o seu relato, nomeando-os como “marguis”, “pium”, nhatium-açu”, etc. Detém-se ele mais detalhadamente sobre pulgas e piolhos:
“Pulgas há no Brasil, a que os índios chamam tunguaçu, e nenhuns piolhos do corpo entre a gente branca;  entre os índios se criam alguns nas partes em que dormem, como estão sujas, os quais são compridos com feição de pernas, com os piolhos ladros, e fazem comichão no corpo.
“(...) e que os índios chamam tungas, os quais são pretinhos, pouco maiores que ouções. Criam-se em casas despovoadas, como as pulgas em Portugal, e em casas sujas de negros que as não limpam, e dos brancos que fazem o mesmo, mormente se estão em terra solta e de muito pó, em os quais lugares estes bichos saltam como pulgas nas pernas descalças; mas nos pés é a morada a que eles são mais inclinados, mormente junto das unhas...”[1]
Do que se tem notícia, o único meio usado pelos índios para combater os insetos é o fogo. Este por sua vez causa-lhes problemas nos olhos, pois tendo que se manter sempre aceso à noite o excesso da fumaça é prejudicial. Os insetos, como piolhos, pulgas e percevejos, porém, proliferam no próprio corpo humano, atraídos pela sujeira ou mesmo se aculturando no ambiente em que moram os agrupamentos humanos. Esta é uma das razões que explicam as constantes migrações de tribos: dentro de pouco tempo uma taba torna-se um lugar insuportável de se viver, e a única cultura que lá fica é a destes insetos.




[1]  “Tratado Descritivo do Brasil em 1587” – Gabriel Soares de Sousa – Typografia José Ignácio da Silva, 1879, págs. 222 e 253