SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

domingo, 19 de novembro de 2017

PAPEL HERÓICO DAS MULHERES EM NOSSA HISTÓRIA



- Valente resistência DAS MULHERES CATÓLICAS aos HEREGES holandeses no Nordeste -
Para fugir da terrível perseguição e das crueldades que os holandeses vinham praticando no litoral do Nordeste, a população se sujeitava a tudo. De Alagoas, da Bahia ou de Pernambuco corriam pelos matagais e serranias multidões de trânsfugas, algumas vezes protegidas pelos nossos guerreiros, com grandes sofrimentos, como relata o Padre Manoel Calado:
"Aqui os tristes ais dos meninos, os suspiros das mães, o desamparo das donzelas descalças, e metidas por a lamas, e passarem os rios com pouca compostura de seus corpos, alheios da honestidade, e recolhimento em que haviam sido criadas (o que sentiam mais que perder as vidas) aqui umas desmaiadas, outras com os pés abertos, porque o descostume de andar não as deixava dar um passo adiante; as pragas que rogavam ao Conde de Banholo (o qual depois que entrou em Pernambuco tudo foi de mal a pior) o ver os amancebados levar a cavalo as mancebas brancas, mulatas e negras, e deixarem ir suas mulheres a pé, e sem saberem parte delas, a fome que todos iam padecendo, o dormirem por os pés das árvores, sem amparo, nem abrigo; não é coisa que se pode escrever, porque muitos dos que o viram com os olhos, como eu, tendo os corações férreos, não se podiam refrear sem derramar grande cópia de lágrimas"  [1]
Em outro episódio, D. Jerônima de Almeida, esposa de Rodrigo de Barros Pimentel (o qual fugira para a Bahia), foi presa em Porto Calvo e levada para Recife por haver agasalhado em sua casa e dado comida a uma tropa de soldados brasileiros que vinham da Bahia em direção de Pernambuco para combater os invasores. Colocaram-na em uma prisão juntamente com seus nove filhos, incomunicável com quem quer que fosse, e, depois de iníquo julgamento, foi condenada a morrer degolada. Sabedoras da notícia, várias mulheres de homens nobres foram até Maurício de Nassau pedir que lhe poupasse a vida. Fazendo-se passar por compassivo, o conde atendeu o pedido das mulheres e deu ordens que D. Jerônima fosse indultada
Quando a situação dos hereges invasores holandeses era quase insustentável, utilizaram-se de mais um artifício diabólico para sobrepujar os nossos. Publicaram um edital, pelo qual ordenavam que "todas as mulheres dos moradores que se haviam retirado com João Fernandes Vieira para os matos, fossem em cinco dias naturais próximo seguintes em busca de seus maridos com seus filhos, e filhas, sob pena de morte, a fogo, e sangue, e perdimento de seus bens, e que passado este termo de cinco dias, senão usaria de clemência, nem piedade com aquelas que tendo seus maridos, irmãos, ou filhos ausentes, se achassem em suas casas". [2]
Houve grande clamor entre as moradoras de Recife: "Umas se prostravam de joelhos, e com as mãos levantadas ao Céu, e os olhos arrasados em lágrimas, pediam a Deus perdão, e misericórdia, outras com os Rosários da Virgem Maria nas mãos, os passavam uma, e muitas vezes, outras se abraçavam com os inocentes filhinhos, e com soluços, e gemidos se despediam deles, outras caiam desmaiadas em terra sem dar acordo de si, outras que nunca haviam saído de suas casas, se não era no tempo da Quaresma, ou nos dias das festas principais à Igreja, e ainda então arrimadas em pajens, por não caírem; vendo-se neste aperto, e estreitura arremetiam com súbito temor a entrar por entre os matos, e ali se punham aos pés das primeiras árvores que achavam, pedindo a misericórdia a Deus, e a proteção, e amparo à Virgem Maria, e aos Santos, de quem eram mais devotas; porque de outra parte não esperavam que lhes pudesse vir socorro, nem remédio". 
Mais tarde, os holandeses começaram a cumprir suas ameaças.  Estavam os insurrectos aquartelados pelas matas do interior pernambucano, sob o comando de João Fernandes Vieira, quando lhes chegou o aviso: já tinham sido levadas prisioneiras a mulher de Francisco Berenguer, D. Antonia Bezerra, a de Antonio Bezerra, D. Isabel de Góis e a de Amaro Lopes de Madeira, D. Luzia de Oliveira.  E a notícia dizia que os inimigos estavam em busca de prender outras mulheres. Sabedor disto, levantou-se Fernandes Vieira e gritou para seus homens: "Vamos acudir por nossa honra, e por nossas mulheres, e filhos, morramos na demanda, pois mais vale uma morte honrada, que mil vidas com afronta.  Porventura não somos nós Portugueses, filhos, e netos de nossos pais, e avós, que em outro tempo foram assombros do mundo? Que fazemos? Como não caminhamos? ". Tal foi o entusiasmo de sua tropa que, ao grito de "vamos! Vamos!" todos partiram com seu general para dar combate ao inimigo.
Quando estavam a caminho, resolveu Fernandes Vieira descansar numa fazenda, porque chovia muito e estavam todos enlameados. Quando dormia, teve um sonho, no qual lhe aparecia Santo Antonio repreendendo-o de descuidado, "e pouco zeloso do serviço de Deus, e das necessidades, e aflições de seus próximos, e que lhe mandava que se levantasse com pressa, e fosse a buscar o inimigo, porque lhe daria seu favor, e adjutório em paga dos serviços que nas suas confrarias havia feito".
Ao se acordar, vendo naquele sonho alguma inspiração divina, o comandante mandou acordar toda a tropa e partir imediatamente. Quando chegaram ao acampamento holandês onde as mulheres estavam cativas, que era apenas uma fazenda, as sentinelas que lá restavam disseram que o inimigo já havia saído em direção de Recife com suas presas. Alguns quilômetros adiante o grupo de Fernandes Vieira se encontra com dois sentinelas inimigos, com os quais trocam tiros, matando um deles. Mais adiante estavam os holandeses aquartelados numa fazenda, já prestes a montar de novo, quando ouvem os tiros e voltam para dentro da casa. Neste local houve uma renhida batalha.
Desesperados, colocaram os hereges as três mulheres prisioneiras numa das janelas da casa da fazenda, juntamente com uma criança de quatro meses de nascida nos braços de uma delas, ameaçando matá-las se os portugueses não parassem de atirar. João Fernandes Vieira, sensatamente, mandou suspender o fogo. Teria que haver negociações. Mandou uma pessoa negociar, com a bandeira branca em sinal de paz, mas os holandeses traiçoeiramente mataram o emissário. Cheios de ódio por causa desta traição covarde, os nossos invadem a casa da fazenda, atirando e matando, livrando da morte as três mulheres e a criança e ainda matando todos os holandeses que estavam ali aquartelados. 
Bem diferente era o tratamento que as mulheres prisioneiras tinham nas mãos de João Fernandes Vieira ou dos portugueses, brasileiros ou negros de modo geral. Logo após o episódio acima, tiveram outro entrechoque no lugar chamado Afogados, onde fizeram prisioneiros dois holandeses e uma mulher que andava com eles. Os dois homens foram postos na prisão para serem interrogados, mas a mulher foi remetida a Recife, com um recado de Fernandes Vieira: que estava devolvendo a mulher para a liberdade e de volta para seus amigos, os holandeses, para demonstrar o cavalheirismo e cortesia com que os portugueses sabiam lidar com as mulheres, tratadas com respeito e sem lhes fazer qualquer agravo como os holandeses costumavam fazer com as nossas mulheres. 
João Fernandes Vieira era um rico comerciante de Recife, outrora amigo dos holandeses, que resolveu apoiar o levante popular para expulsar os invasores. Soube este que dois grandes senhores de engenho haviam perdido quase toda sua riqueza na guerra contra os batavos: os senhores Antonio Cavalcanti e Francisco Berenguer de Andrada, que já pensavam em desertar de tão nobre causa. Chamou-os João Fernandes Vieira para um acordo. Tanto Antonio Cavalcanti quanto Francisco Berenguer tinham dois filhos, um casal de cada um. Que fez Fernandes Vieira? Tratou que se casassem os dois filhos homens com as duas filhas mulheres, sendo que ele, Fernandes Vieira, seria o padrinho e lhes daria como dote engenhos e bens que possuía. Com este presente de padrinho os filhos de ambos os senhores de engenho (quase falidos) ficariam ricos. Perante tal oferta, os dois comandantes voltaram com redobrada coragem para o campo de batalha...





[1]              "O Valeroso Lucideno" - Pe. Manoel Calado - 1648 - "Edições Cultura" - São Paulo, 1943 - vol. I.
[2]              op. cit.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

QUAL A NOVA FASE DA REVOLUÇÃO UNIVERSAL?



Neste ano tivemos algumas datas significativas para a Humanidade. Comemorou-se o centenário das aparições de Fátima, os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, os 500 anos da apostasia e revolta de Lutero e, finalmente, cem anos da implantação do regime comunista na Rússia, a ser relembrado no próximo dia 7 de novembro, data em que os bolchevistas derrubaram o governo provisório e declararam a implantação de um Estado socialista soviético.
A situação do mundo hoje é convulsa e difícil de ser compreendida. Isto porque as coisas que ocorrem parecem não ter lógica, o homem moderno perdeu completamente o sentido de direção, de rumo, de saber para onde vai  o que fazer da vida. E isso ocorre também com governos e até nações inteiras.
Vejamos a situação da ideologia que dominou quase que completamente o século passado: o marxismo e sua consequência política mais imediata que é o comunismo, ou, como alguns chamam também o “capitalismo de Estado”, quando todas as riquezas, fontes de produção e de serviços, além de todos os cidadãos, passam a pertencer única e exclusivamente ao Estado. Vai completar um século que ocorreu um golpe para implantar este regime na Rússia, sendo chamado originalmente de “ditadura do proletariado”. Aos poucos este regime foi invadindo (pela força, astúcia e  rios de dinheiro) os países vizinhos da Rússia, formando um conglomerado de nações cativas sob a alcunha de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em pouco tempo já se implantava no mundo o maior império de que a História já se ouviu falar, dominando a China, grande parte de países asiáticos e da África.
Nas Américas, houve várias tentativas de se implantar tal regime, sendo uma das mais violentas a do México, a menos de dez anos após o golpe na Rússia.  Mas, tanto lá como em outros países, tipo Brasil, Argentina e Chile, além de outros da América do Sul assolados por guerrilhas cruéis, tais tentativas foram frustradas graças a sadias reações das populações. Somente em Cuba tal regime se fez implantar nas Américas, perdurando até hoje com quase sessenta anos de todo tipo de violências e misérias que lhe são afins.
No entanto, a partir da última década do século passado a ideologia marxista comuno-socialista começou a perder fôlego. Vários países se livraram da opressão comunista, como a Hungria, a Polônia, a Lituânia, no Leste Europeu. A própria Rússia abrandou a ditadura do proletariado e instituiu um regime de meias liberdades, sendo porém dominado por partido único (o PC) até hoje. De outro lado, os partidos comunistas e socialistas mais poderosos do mundo começaram a minguar por falta de contingentes ou carência de audiências. O PC italiano, por exemplo, era o mais rico e poderoso do Ocidente, e hoje vive à míngua. Os partidos socialistas mais poderosos dominavam a política na França, Espanha, Portugal  e Grécia, mas já não se pode dizer o mesmo hoje, embora continue a influenciar na promulgação de leis de cunho nitidamente socialistas. O que queremos destacar, porém, é que mediante o fracasso retumbante da doutrina e dos princípios marxistas implantados em vários países, tudo em torno deles fenece e tende a morrer de inanição.
Como se justifica, então, que após um século da primeira experiência comunista na Rússia haver demonstrado seu mais terrível fracasso através dos anos ainda surjam políticos que queiram implantá-la em seu país? Como entender que a Venezuela possa trilhar pelo mesmo caminho já tão sobejamente provado da pobreza, da fome e da miséria, que é a consequência do regime marxista, seja comunista ou socialista?
Talvez a resposta esteja numa tática diferente que a Revolução universal quer aplicar no mundo. Não, o rumo mais avançado da Revolução hoje já não é mais o velho e decrépito comunismo. Muito mais avançou ela (a Revolução universal) na Europa com a corrupção moral e dos costumes, com a retumbante licenciosidade e liberdade sexual e da promiscuidade estonteante nos costumes sociais e morais daquela sociedade. Avançou porque corrompeu e deixou toda a Europa sujeita, por exemplo, ao avanço do islamismo sem provocar qualquer comoção ou reação de rechaço. Mole e sensual, nada faz o europeu para enfrentar a tão absurda “invasão” muçulmana, pior do que se fosse dominado por regime comunista. Acomodou-se também com leis facínoras como as do aborto e eutanásia, ou com leis imorais como aprovação de casamentos homossexuais, gozando placidamente uma vida cheia de deleites sem se incomodar com o resto do mundo, se há guerras e injustiças em outros povos. Fora isso, lá não se fala mais em socialismo, comunismo, marxismo ou coisas congêneres. A fim de manter este clima de vida gozosa e fruitiva, sem qualquer perturbação aparente, a visão de uma regime comunista deve ser afastada para longe.
Mas, alguma coisa nova surgiu por lá e ganha corpo no resto do mundo. É a Revolução feita pelas tão decantadas “redes sociais”. Ela já se fez presente em alguns países. Operou com sucesso na famosa “primavera árabe”, derrubando governos como o do Egito, e já se fez presente na Europa com o movimento chamado de “Indignados”. Nos Estados Unidos teve um similar, com o título de “Ocupem Wall Street”. Esta Revolução, feita assim de forma mágica através das redes virtuais, nada produziu de positivo até agora. Por que? Porque ela mesma se define como sem meta, sem rumo, sem governo, sem partido, enfim, promove caos e anarquia. Sua bandeira é apenas um rosto fantasmagórico com o nome de “anonymus”, indicando que não tem nome, além de não ter rumo certo.
De onde vem tudo isso? Tudo indica que o manual que orienta tais grupos foi elaborado pelo americano Gene Sharp, que tem o nome de “como fazer uma revolução pacífica” ou coisa que o valha. E mesmo que alguns não sigam o manual diretamente, de uma forma indireta sofrem os efeitos do mesmo por aqueles que o aplicam e divulgam suas normas. Por exemplo, todos estes movimentos se dizem “espontâneos”, como se tivessem surgido naturalmente e não pertençam a grupos organizados; não podem ter partidos políticos ou ostentar bandeira disso ou daquilo, tem que ser anônimo, sem ideologia. E se algum grupo se apresenta desta forma está aplicando a tática ensinada por Gene Sharp, Tais métodos de ação são divulgados profusamente via internet.
E que ligação tem o problema da Venezuela com isso? É que a Revolução precisa mostrar ao público um alvo para que essa essa nova fase seja detonada. E nada mais visível para ser combatido do que um regime comunista, implantado exatamente num país outrora senão rico pelo menos em ascensão e há anos sob domínio de leis e governos socialistas. Assim fica mais fácil unir muita gente em torno das redes sociais e combater o inimigo comum. E nisso pode haver muitas vantagens como derrubar um regime opressivo, ditatorial e difusor de fome e misérias. Mas, há também muitas desvantagens como, por exemplo, deixar a sociedade no caos, sem rumo, porque eles não apresentam solução para o que vem depois. O “anonymus” quer apenas o “direito” de estar na rua fazendo protestos, queimando pneus, atirando pedras, destruindo tudo como os “Black blocs”, não possui nenhuma proposta positiva de reconstrução da sociedade em sólida bases morais. Quando Maduro cair, haverá uma organização mais presente nas redes sociais para fazer o mesmo com os que virão depois, sejam comunistas ou não.
A história de Nossa Senhora de Coromoto, a Padroeira da Venezuela, diz um pouco sobre o que espera a Providência daquele povo. A história conta que a Santíssima Virgem Maria apareceu a um cacique na aldeia de Coromoto, mas o mesmo jogou-lhe uma pedra. Naturalmente, a imagem sumiu sem sofrer os efeitos da pedrada, mas ela ficou para sempre gravada milagrosamente na pedra que o índio jogou, e até hoje pode ser vista indelevelmente. Perante tal milagre, o índio se converte com todo seu povo. Assim, a “pedrada” de hoje pode ser a implantação do comunismo, mas espera-se que a Providência reverta isso de forma milagrosa e produza efeitos contrários completamente alheios e diferentes daqueles que os “anonymus” querem disseminar na Venezuela, fazendo com que aquele povo retome o rumo de uma verdadeira civilização cristã. 


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LUTERO: NÃO E NÃO!




* Plinio Corrêa de Oliveira * 

Na bula "Exsurge Domine", de 1520, o Papa Leão X condenou os erros de Lutero, o promotor do espírito de dúvida e da contestação da primeira grande Revolução do Ocidente
Tive a honra de ser, em 1974, o primeiro signatário de um manifesto publicado em cotidianos dos principais do Brasil e reproduzido em quase todas as nações onde existiam as então onze TFPs. Era seu título: "A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: Omitir-se? Ou resistir?" (cfr. "Folha de S. Paulo", 10-4-74).
Nele, as entidades declaravam seu respeitoso desacordo face à "ostpolitik" conduzida por Paulo VI, e expunham pormenorizadamente suas razões para tanto. Tudo – diga-se de passagem – expresso de maneira tão ortodoxa que ninguém levantou a propósito qualquer objeção.
Para resumir numa frase, ao mesmo tempo toda a sua veneração ao Papado e a firmeza com a qual declaravam sua resistência à "ostpolitik" vaticana, as TFPs diziam ao Pontífice "Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe".
Lembrei-me desta frase com especial tristeza lendo a carta escrita por João Paulo II ao cardeal Willebrands (cfr. "L’Osservatore Romano", 6-11-83), a propósito do quingentésimo aniversário do nascimento de Martinho Lutero, e assinada no dia 31 de outubro p.p. data do primeiro ato de rebelião do heresiarca, na igreja do castelo de Wittenberg. Está ela repassada de tanta benevolência e amenidade, que me perguntei se o Augusto signatário esquecera as terríveis blasfêmias que o frade apóstata lançara contra Deus, Cristo Jesus Filho de Deus, o Santíssimo Sacramento, a Virgem Maria e o próprio Papado.
O certo é que ele não as ignora, pois estão ao alcance de qualquer católico culto, em livros de bom quilate, os quais ainda hoje não são difíceis de obter.
Tenho em mente dois deles. Um, nacional é "A Igreja, a Reforma e a Civilização, do grande jesuíta pe. Leonel Franca. Sobre o livro e o autor, os silêncios oficiais vão deixando baixar a poeira.
O outro livro é de um dos mais conhecidos historiadores franceses deste século, Funck-Brentano, membro do Instituto de França, e aliás insuspeito protestante.
Comecemos por citar textos colhidos na obra deste último: "Luther" (Grasset, Paris, 1934, 7ª ed. 352 pp.). E vamos diretamente a esta blasfêmia sem nome: "Cristo – diz Lutero – cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela? Depois com Madalena, em seguida com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar, antes de morrer" ("Propos de table", no. 1472, ed. de Weimar 2. 107 – cfr op. cit. p. 235).
Lido isto, não nos surpreende que Lutero pense – como assinala Funck-Brentano – que "certamente Deus é grande e poderoso, bom e misericordioso (...) mas é estúpido – "Deus est stultissimus" ("Propos de table", no. 963, ed. de Weimar, I, 487). É um tirano. Moisés agia movido por sua vontade, como seu lugar-tenente, como carrasco que ninguém superou, nem mesmo igualou em assustar, aterrorizar e martirizar o pobre mundo" (op. cit. p. 230).
Tal está em estrita coerência com estoutra blasfêmia, que faz de Deus o verdadeiro responsável pela traição de Judas e pela revolta de Adão: "Lutero – comenta Funck-Brentano – chega a declarar que Judas, ao trair Cristo, agiu sob imperiosa decisão do Todo-poderoso. Sua vontade (a de Judas) era dirigida por Deus: Deus o movia com sua onipotência. O próprio Adão, no paraíso terrestre, foi constrangido a agir como agiu. Estava colocado por Deus numa situação tal que lhe era impossível não cair" (op. cit. p. 246).
Coerente ainda nesta abominável seqüência, um panfleto de Lutero intitulado "Contra o pontificado romano fundado pelo diabo", de março de 1545, chamava o Papa, não "Santíssimo", segundo o costume, mas "infernalíssimo", e acrescentava que o Papado mostrou-se sempre sedento de sangue (cfr. op. cit. 337-338).
Não espanta que, movido por tais idéias, Lutero escrevesse a Melanchton, a propósito das sangrentas perseguições de Henrique VIII contra os católicos da Inglaterra. "É lícito encolerizar-se quando se sabe que espécie de traidores, ladrões e assassinos são os papas, seus cardeais e legados. Prouvesse a Deus que vários reis da Inglaterra se empenhassem em acabar com eles" (op. cit. p. 254).
Por isso mesmo exclamou ele também: "Basta de palavras: o ferro! o fogo!" E acrescenta: "Punimos os ladrões à espada, por que não havemos de agarrar o papa, cardeais e toda a gangue da Sodoma romana e lavar as mãos no seu sangue?" (op. cit., p. 104).
Esse ódio de Lutero o acompanhou até o fim da vida. Afirma Fuck-Brentano: "Seu último sermão público em Wittenberg é de 17 de janeiro de 1546; o último grito de maldição contra o papa, o sacrifício da missa, o culto da Virgem" (op. cit., p. 340).
Não espanta que grandes perseguidores da Igreja tenham festejado a memória dele. Assim "Hitler mandou proclamar festa nacional na Alemanha a data comemorativa de 31 de outubro de 1517, quando o frade agostiniano revoltoso afixou nas portas da igreja do castelo de Wittenberg as famosas 95 proposições contra a supremacia e as doutrinas pontifícias" (op. cit., p. 272).
E, a despeito de todo o ateísmo oficial do regime comunista, o Dr. Erich Honnecker, presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Defesa, o primeiro homem da República Democrática Alemã, aceitou a chefia do comitê que, em plena Alemanha vermelha, organizou as espalhafatosas comemorações de Lutero neste ano (cfr. "German Comments", de Osnabruck, Alemanha Ocidental, abril de 1983).
Que o frade apóstata tenha despertado tais sentimentos num líder nazista, como mais recentemente no líder comunista, nada de mais natural.
Nada mais desconcertante e até vertiginoso, do que o ocorrido quando da recentíssima comemoração do quingentésimo aniversário do nascimento de Lutero num esquálido templo protestante de Roma, no dia 11 do corrente.
Deste ato festivo, de amor e admiração à memória do heresiarca, participou o prelado que o conclave de 1978 elegeu Papa. E ao qual caberia, portanto, a missão de defender, contra heresiarcas e hereges, os santos nomes de Deus e de Jesus Cristo, a Santa Missa, a Sagrada Eucaristia e o Papado!
"Vertiginoso, espantoso"- gemeu, a tal propósito, meu coração de católico. Que, sem embargo, com isto redobrou de fé e veneração pelo Papado.

(Folha de São Paulo, 27 de dezembro de 1983)

LUTERO PENSA QUE É DIVINO!



Plinio Corrêa de Oliveira
Não compreendo como homens da Igreja contemporâneos, inclusive dos mais cultos, doutos ou ilustres, mitifiquem a figura de Lutero, o heresiarca, no empenho de favorecer uma aproximação ecumênica, de imediato com o protestantismo, e indiretamente com todas as religiões, escolas filosóficas, etc. Não discernem eles o perigo que a todos nos espreita, no fim deste caminho, ou seja, a formação, em escala mundial, de um sinistro supermercado de religiões, filosofias e sistemas de todas as ordens, em que a verdade e o erro se apresentarão fracionados, misturados e postos em balbúrdia? Ausente do mundo só estaria – se até lá se pudesse chegar – a verdade total; isto é, a fé católica apostólica romana, sem nódoa nem jaça.
Sobre Lutero – a quem caberia, sob certo aspecto, o papel de ponto de partida nessa caminhada para a balbúrdia total – publico hoje mais alguns tópicos que bem mostram o odor que sua figura revoltada espargiria nesse supermercado, ou melhor, nesse necrotério de religiões, de filosofias, e do próprio pensamento humano.
Segundo em anterior artigo prometi, tiro-os da magnífica obra do padre Leonel Franca S. J., "A Igreja, a Reforma e a Civilização" (Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 3ª ed., 1934, 558 pp.).
Elemento absolutamente característico do ensinamento de Lutero é a doutrina da justificação independente das obras. Em termos mais chãos, que os méritos superabundantes de Nosso Senhor Jesus Cristo só por si asseguram ao homem a salvação eterna. De sorte que se pode levar nesta terra uma vida de pecado, sem remorsos de consciência, nem temor da justiça de Deus.
A voz da consciência era, para ele, não a da graça, mas a do demônio!
  1. Por isso escreveu a um amigo que o homem vexado pelo demônio, de quando em quando "deve beber com mais abundância, jogar, divertir-se e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo, para lhe não darmos azo de perturbar a consciência com ninharias (...) Todo o decálogo se nos deve apagar dos olhos e da alma, a nós tão perseguidos e molestados pelo diabo"(M. Luther, "Briefe, Sends breiben und Bedenken", e. De Wette, Berlim, 1825-1828 – cfr. op. cit., pp. 199-200).
  2. Neste sentido, escreveu ele também: "Deus só te obriga a crer e a confessar. Em todas as outras coisas te deixa livre e senhor de fazeres o que quiseres, sem perigo algum de consciência; antes é certo que, de si, Ele não se importa, ainda mesmo se deixasses tua mulher, fugisses do teu senhor e não fosses fiel a vínculo algum. E que se lhe dá (a Deus), se fazes ou deixas de fazer semelhantes coisas?"("Werke", ed. de Weimar, 12, pp. 131 ss. – cfr. op. cit., p. 446).
  3. Talvez ainda mais taxativo é este incitamento ao pecado, em carta a Melanchton, de 1º de agosto de 1521: "Sê pecador, e peca a valer (esto peccator et pecca fortiter), mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo, vencedor do pecado, da morte e do mundo. Durante a vida presente devemos pecar. Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que cometêssemos por dia mil homicídios e mil adultérios"(Briefe, Sendschreiben und Bedenken", ed. De Wette, 2, p. 37 – cfr. op. cit. p. 439).
  4. Tão descabelada é esta doutrina, que o próprio Lutero a duras custas nela conseguia acreditar: "Nenhuma religião há, em toda a terra, que ensine esta doutrina da justificação; eu mesmo, ainda que a ensine publicamente, com grande dificuldade a creio em particular"( Werke", ed. de Weimar, 25, p. 330 – cfr. op. cit., p. 158).
  5. Mas os efeitos devastadores da pregação assim confessadamente insincera de Lutero, ele mesmo os reconhecia: "O Evangelho hoje em dia encontra aderentes que se persuadem não ser ele senão uma doutrina que serve para encher o ventre e dar larga a todos os caprichos"("Wekw", ed. de Weimar, 33, p. 2 – cfr. po. cit., p. 212).
E Lutero acrescentava, acerca de seus sequazes evangélicos, que "são sete vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios. Expulsamos um demônio (o papado) e vieram sete piores"("Werke", ed. de Weimar, 28, p. 763 – cfr. op. cit., p. 440).
"Depois que compreendemos não serem as boas obras necessárias para a justificação, ficamos muito mais remissos e frios na prática do bem (...) E se hoje se pudesse voltar ao antigo estado de coisas, se de novo revivesse a doutrina que afirma a necessidade do bem fazer para ser santo, outra seria a nossa alacridade e prontidão no exercício do bem"("Werke", ed. de Weimar, 27, p. 443 – cfr. op. cit., p. 441).
  1. Todas essas insânias explicam que Lutero chegasse ao frenesi do orgulho satânico, dizendo de si mesmo: "Este Lutero não vos parece um homem extravagante? Quanto a mim, penso que ele é Deus. Senão, como teriam os seus escritos e o seu nome a potência de transformar mendigos em senhores, asnos em doutores, falsários em santos, lodo em pérolas!" (Ed. Wittemberg, 1551, t. 4, p. 378 – cfr. op. cit., p. 190).
  2. Em outros momentos, a opinião que Lutero tinha de si mesmo era muito mais objetiva: "Sou um homem exposto e implicado na sociedade, na crápula, nos movimentos carnais, na negligência e em outras moléstias, a que se vêm ajuntar as do meu próprio ofício"("Briefe, Sendschreiben und Bedenken", ed. De Wette, 1, p. 232 – cfr. op. cit., p. 198). Excomungado em Worms em 1521, Lutero entregou-se ao ócio e à moleza. E a 13 de julho escreveu a outro prócer protestante, Melanchton: "Eu aqui me acho, insensato e endurecido, estabelecido no ócio, oh dor!, rezando pouco, e deixando de gemer pela Igreja de Deus, porque nas minhas carnes indômitas ardo em grandes labaredas. Em suma, eu que devo ter o fervor do espírito, tenho o fervor da carne, da libidinagem, da preguiça, do ócio e da sonolência"(Briefe, Sendscheiben und Bedenken", ed. De Wette, 2, p. 22 – cfr. op. cit. p. 198).
Num sermão pregado em 1532: "quanto a mim confesso – e muitos outros poderiam sem dúvida fazer igual confissão – que sou desleixado assim na disciplina como no zelo, sou muito mais negligente agora que sob o papado; ninguém tem agora pelo Evangelho o ardor que se via outrora" ("Saemtliche Werke", ed. de Plochman-Irmischer, 28 (2), p. 353 – cfr. op. cit. p. 441).
* * *
O que de comum se pode encontrar, pois, entre esta moral, e a da Santa Igreja Católica Apostólica Romana?

("Folha de S. Paulo", 10 de janeiro de 1984)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

QUE MENTALIDADE ESTÁ POR TRÁS DE TRAGÉDIAS COMO A DE LAS VEGAS?




Mais um massacre para a triste história da vida moderna americana, o “american way of life”. O que diverge este dos demais é apenas as características pessoais do agressor e alguns detalhes menores.
Um outro massacre, ocorrido em 2012, teve características parecidas em alguns aspectos. Refiro-me ao ocorrido na escola de Sandy Hook, quando um jovem atirador surgiu de repente matando professores e alunos.
Naquela oportunidade, o ex-governador do Arkansas, Mike Huckabee, declarou que a causa do masscre na escola de Newtown é o fato do Estado haver sistematicamente removido Deus das escolas públicas. As opiniões divergem, de outro lado a maioria dos órgãos da mídia aponta como causa a fácil proliferação de armas naquele país. O que, também, não é verdade.
Mike Huckabbe erra porque Deus não foi removido somente das escolas, mas de toda a sociedade. A começar pelas próprias famílias, onde Deus foi banido da grande maioria dos lares.
Vejamos um pequeno exemplo dessa ausência de Deus: o presidente americano daquela época, Barack Obama, em discurso, dizia que a primeira coisa a fazer quando chegar em casa seria... abraçar os filhos, quando todos esperavam que ele dissesse: rezar com os filhos. Se é ateu e não reza deveria pelo menos pedir aos cristãos que rezassem pelas vítimas. Deu, portanto, mau exemplo, pois muitos de seus concidadãos estavam naquele instante rezando. Quanto ao atual, quando falava do massacre de Las Vegas apenas o classificou como coisa de muita maldade. Nada de orações ou de sentimentos de pesar cristão pelo ocorrido.

Mas, finalmente, que mentalidade é essa que produz tais monstros, capazes de matar tantos inocentes e, depois, suicidar-se?
Monstro é o termo usado pela mídia, e não surpreende que o seja. Mas, dizem, trata-se de um monstro cujo comportamento era padrão, tratando-se (o criminoso) geralmente de alguém de comportamento dito como “normal”.  O assassino de Sandy Hook era um rapaz calmo, estudioso e “bem comportado”. O autor do massacre de Las Vegas é um homem “normal”, sem problemas financeiros, rico e viciado nas roletas de cassinos. Que mentalidade foi gerada nesses homens, tão “pacatos”, para, de repente, explodir em ódio catastrófico?
Vários outros massacres foram produzidos por indivíduos tidos como “bem educados” e de cuja vida não pode se dizer que sofriam carências materiais. Todos eram de classe média e boa situação financeira. Possuíam em sua casa todos os recursos para uma vida dita feliz para os padrões modernos, como televisão, computadores, celulares de última geração e, sobretudo, armas modernas, caras e eficientes para matar. Uns usavam luvas, outros câmaras de filmar, e a maioria, calmamente, sabia mais apertar o gatilho certeiro do que folhear, por exemplo, um livro qualquer sobre moral ou religião. E nenhum deles tinha problema mental grave.
Vamos analisar essas mentalidades. Em primeira lugar, é óbvio, são pessoas sem Deus e sem religião. Em seu interior tais pessoas alimentaram durante anos uma vida inteiramente virtual, cheia de ídolos, de fantasias e de futilidades, vida essa que a educação pela imagem faz brotar e crescer nas pessoas de hoje. Sem manifestar publicamente em seu dia a dia, alimentam ódios pelo mundo real e exterior, o qual representa tudo o que se opõe ao seu mundo virtual e interior. A par disso tais pessoas geralmente posuem tudo o que desejam, seus pais lhes deram boas escolas, roupas caras, boa habitação para morar, mas, especialmente isso, nunca lhes causaram dissabores, nunca disseram “não” a seus caprichos. Alguns pais até achavam bonito e riam quando o filho, desde pequeno, fazia malcriações ou diziam palavrões, chutavam outras crianças, etc. É certo que a maioria não era vista como violenta, pareciam pacatos dentro de casa e no convívio com parentes, vizinhos e amigos. Mas, era como um vulcão que parecia morto e que de repente explode. O jogador de cassino de Las Vegas tem uma característica diferente, pois era filho de um bandido. E nem seus pais, nem seus professores, nem seus amigos e vizinhos viam que ali ardia uma fornalha de ódio.
Por que não viam? Porque vivendo sem religião não aprenderam a prescrutar o interior, a alma das pessoas. Num mundo virtual e superficial, as pessoas de hoje não conseguem ver o que há no interior da alma de cada um. Acostumados a ver tudo cor de rosa, a ver o mundo como uma maravilha destinada ao gozo dos prazeres, não sabem distinguir onde está a maldade. Especialmente, não percebem onde entra a ação preternatural, do demônio e seus asseclas, e muito menos a ação dos Anjos bons.
Agora, para encobrir mais ainda a realidade interior de que falamos, a mídia começa a dar como causa do massacre a proliferação de armas entre os americanos. Sim, não se pode negar que esta pode ser uma das causas, mas não a maior, nem única, nem a principal. A principal e maior  causa é a falta de religiosidade e de princípios morais que campeia em nossa sociedade, e não somente entre tais assassinos, mas entre seus familiares e conterrâneos.
Falou-se acima em “monstros”. Outros criminosos são assim denominados “monstros” pela nossa sociedade. Por exemplo, aqueles que cometem o abominável crime de pedofilia. A alcunha de “monstro” procura esconder onde essa monstruosidade foi gerada. Dentre os pedófilos, por exemplo, a principal causa é a pornografia desenfreada que grassa em nossa sociedade. No dia em que se fechar para sempre a edição de revistas pornográficas e de mulheres nuas, os moteis e os ambientes de perdição sexual, talvez tais crimes sejam menos frequentes, pois as causas, aquilo que vem gerando estas monstuosas taras terão desaparecido.
Do mesmo modo, a causa da monstruosidade praticada em tais massacres não pode estar nas armas, nem em outros instrumentos usados pelos criminosos, mas na vida atéia e sem Deus que se leva, sem levar em consideração que somos assediados cotidianamente por anjos, tanto do mau quanto do bem, com vantagens para os primeiros por causa de vida material e puramente agnóstica. Ao lado da facilidade com que adquirem armas tais, estes indivíduos também, como o resto da população, vivem assistindo filmes policiais de violências inauditas, os quais lhes servem de inspiração. E ninguém ver que também nestes filmes está um dos motivadores de tais mentalidades.
Na década de 60 houve um outro massacre que estarreceu os Estados Unidos: a chacina comandada por Charles Manson numa rica mansão, onde foi morta, mesmo grávida, a atriz Sharon Tate, num ritual diabólico. O assassino confesso, hoje em prisão perpétua, parecia um pacato cidadão, mas foi capaz de efetuar um monstruoso crime juntamente com alguns amigos. Na época não havia ainda a prática de suicídio do criminoso após tais crimes, mas foi ela a primeira a inspirar outros casos.
Parece até que a chacina de Newtown (em 2012) serviu de exemplo para outras que os espíritos malignos inspirariam no futuro, como esta de Las Vega, exemplo por conter traços de frieza, maldade, crueldade e desesperança. É o que tais casos procura incutir nas pessoas: desesperança; ao contrário do que ensina nossa Fé Católica, onde a Esperança é uma das principais virtudes que nos leva a caminhar em busca da vida eterna.

Veja também nossa postagem anterior sobre o mesmo tema: