SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Não há incompatibilidade entre Darwin e a Bíblia?

Acredito que as palavras do presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, mons. Gianfranco Ravasi, não foram muito claras ou mal interpretadas. Disse ele que, "a priori", não há incompatibilidade entre Darwin e a Bíblia. Coincidentemente, na mesma data, o representante da Igreja Anglicana fez na Inglaterra pronunciamento semelhante, quer dizer, estão dizendo que Darwin tinha razão. Num encontro com jornalistas, Dom Ravasi quis deixar patente que a teoria da evolução das espécies não entra em choque com a narração bíblica. Estes dois pronunciamentos são de moldes a amaciar o que se chama "tolerância" das religiões para com as teses ou teorias científicas, é a busca de um diálogo. Será isto possível?
Quanto ao fato da Igreja reconhecer que houve uma evolução na criação das espécies, acho que não há nenhuma novidade sobre isso. A Teologia, desde a Idade Média o afirma. Um exemplo é São Boaventura, o qual, disocorrendo sobre isso diz que a Criação do Universo foi feito "por etapas". Trata-se de uma lógica muito simples: para Deus e seus anjos, que estão fora do tempo, o Universo foi criado por um só ato e de uma só vez; porém para nós, que vivemos no tempo, não é bem assim, e tudo foi feito realmente de uma forma "evolutiva", gradual. Veja aqui o que diz São Boaventura:
"O princípio da Criação de forma gradual (ou evolutiva), porém não espontânea: a) Deus poderia ter criado o mundo num só ato; b) Preferiu, porém, fazê-lo de forma sucessiva: 1º. ) Para manifestar a distinção de sua Sabedoria e Bondade; 2º.) Por motivo da conveniente correspondência entre os dias os tempos e as operações; 3º. ) – Porque desde o princípio deveria se produzir as sementes das obras que haviam de se produzir, prefigurando os tempos futuros. 4º.) – Naqueles sete dias se antecipou, como semente, a distinção de todos os tempos que vão surgindo no decurso das sete idades. c) Também se pode dizer “de certo modo” que fez o mundo de uma só vez – então os sete dias há que se referir à consideração angélica, quer dizer, à maneira como foi comunicado aos anjos a Criação. Contudo, a primeira maneira de falar é mais conforme a Escritura e à autoridade dos santos".
(Obras de San Buenaventura – BAC - vol. I, págs. 242/247)
Mas há uma coisa em que não coincidem o pensamento da Igreja com o de Darwin, e aí não é possível diálogo: é que Darwin nega que existe Deus e que foi Ele o Criador do Universo e o mentor dessa evolução que ele tanto defendeu; tanto Darwin quanto seus seguidores dizem que o Universo e os seres foram criados por uma "evolução natural" ou "evolução espontânea". Deus não existe em suas cogitações. Aí a incompatibilidade entre Darwin e a Bíblia é total. Além do mais, as teses de Darwin não são hoje pacificamente aceitas pela comunidade científica, muitos discordam até de que tenha havido "evolução", outros que esta evolução tenha sido natural ou espontânea e até há um grupo que admite que tenha uma inteligência dirigindo o curso da evolução, é a tese do "design inteligente" já admitida por muitos cientistas, até mesmo ateus e agnósticos. Veja postagem anterior, onde relaciono alguns destes cientistas a propósito do caráter inquisitório da SBPC que impediu um deles de fazer uma conferência em São Paulo defendendo seu ponto de vista contrário ao de Darwin.

Nenhum comentário: