SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

domingo, 30 de maio de 2010

A Virgem dos Reis foi esculpida pelos Santos Anjos

Hoje é dia de São Fernando de Castela (século XIII), Patrono de Sevilha, dos engenheiros da infantaria do exército e da juventude espanhola, cujo corpo permanece incorrupto até hoje na Espanha. Relatamos abaixo, em homenagem ao seu dia, como se deu o milagre que fez nascer a devoção a uma imagem sete vezes secular: Nossa Senhora dos Reis ou a Virgem dos Reis.
O cerco sobre Sevilha já durara muito tempo e São Fernando sofria muito com esta demora. O pobre homem vivia agora em contínuas vigílias de orações e penitências. Três vezes por semana se flagelava até empapar de sangue a terra. No entanto, era consolado por alguns religiosos que o acompanhavam, como seu confessor Dom Remondo e frei Domingos, um santo homem que havia sido discípulo de São Domingos de Gusmão. Confiado humildemente no que ouvia de seu confessor e do outro religioso, continuava na sua empresa sem deixar transparecer que sofria terríveis dramas interiores de consciência.
Outro temor que o atormentava era imaginar que poderia morrer ali sem conseguir conquistar Sevilha para Seu Senhor, Jesus Cristo, e assim deixar de cumprir sua missão. Consolava-o porém a idéia de que seu filho e sucessor no trono, Dom Alfonso, iria continuar sua empresa.
A rainha D. Joana percebia claramente que seu santo esposo estava sofrendo muito com aquela situação, mas que sua santidade aumentava com isto e crescia muito nele uma grande devoção à Santíssima Virgem, Mãe de Deus. Ouviu ele queixar-se várias vezes de que os homens não sabiam fazer as imagens da Virgem Santa Maria com um rosto que sorrisse como Ela realmente o faz. Deduziu a boa rainha que seu santo esposo, se dizia isto, provavelmente era porque havia visto a Santíssima Virgem. Pensou que seria para ele uma grande alegria ter uma imagem de Santa Maria que a retratasse mais fielmente.
Enviou a rainha algumas cartas para Burgos pedindo que lhe mandassem um artífice, o melhor que houvesse por lá.
Já se passara um mês e nada do artífice chegar. O calor no acampamento era intenso e horroroso, muitos adoeciam e morriam, e as coisas andavam prenunciando terríveis calamidades para frente. A rainha estava impaciente com a demora da chegada do artífice que solicitara quando um dia se lhes apresentou dois escultores. Segundo contam as crônicas sobre a história da Virgem dos Reis, eram dois anjos. Chegavam em boa hora, pois o próprio rei não os vira e ela queria mandar fazer a encomenda de uma forma reservada. Pediu a um capitão que arranjasse um local onde os dois homens pudessem trabalhar sem que ninguém o soubesse. Levaram-nos então para uma torre e lá permaneceram encerrados até que um dia mandaram avisar à rainha que tinham terminado sua obra.
A rainha foi ao local apreciar a obra de arte. Ela havia pedido que os artífices se esmerassem no rosto da Virgem e o fizesse da forma como seu esposo desejaria que fosse. Ficou a rainha comprazidíssima com a imagem, pois seu rosto tinha uma expressão amável e dulcíssima. Tudo fazia crer que realmente eram anjos os dois artífices daquela belíssima imagem, pois logo desapareceram sem se declararem quem eram ou receber o pagamento de seu trabalho. Deixou D. Joana a imagem naquele mesmo local e voltou à sua tenda para providenciar com suas damas as vestes e adereços da Virgem. Costuraram sem parar os ricos panos reais com as mais formosas sedas que mandaram buscar em Granada. As roupas foram bordadas de ouro e pedrarias. Foram encomendados os sapatos, o véu e tudo o que faltava para ornamentar a imagem sem que São Fernando de nada tomasse conhecimento.
Preparada a imagem, D. Joana chama Dom Remondo, o confessor do rei, e lhe mostra para saber dele se realmente o rei gostaria da expressão do rosto e da beleza daquela imagem. O religioso concordou em que realmente a expressão do rosto era muito piedosa. Era preciso levar a imagem até à capela real sem que São Fernando a visse. Assim, quando o mesmo saíra, Dom Remondo, que também tinha a chave da capela, entrou no interior dela com a imagem e a colocou no altar principal.
Que surpresa teve o rei quando pela manhã foi à capela fazer suas orações matinais! Tão viva foi a recordação que a imagem lhe dera da Mãe de Deus que, todo o tempo que duraram a Santa Missa e as orações dos clérigos, o rei permaneceu absorto contemplando a Senhora que ali via pela primeira vez. Somente escultores angélicos poderiam realmente transmitir para a madeira algo da expressão divinal da Virgem Maria.
- Esta é a Virgem dos Reis! – falou o rei para os circunstantes.
A rainha olhava de lado, contentíssima por ver que o rei permanecia ajoelhado e comprazido aos pés da Virgem.

(Fonte: “Nuestra Señora en el Arzon”, de C. Fernandez de Castro, A. C. J., publicada em 1948 pela Editora Escelicer, S.L., de Cádiz, Espanha).

Abaixo, um vídeo da procissão que se realiza anualmente em Sevilha, no mês de agosto, em honra da "Virgen de los Reyes"




Nenhum comentário: