SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pio XII teria visto o milagre do sol?

Comenta-se que o Venerável Pio XII foi agraciado em vida com duas manifestações sobrenaturais: a visão do milagre do sol, que havia já ocorrido em Fátima no ano de 1917, reproduzido nos jardins do Vaticano, e a aparição de Nosso Senhor durante sua grave enfermidade de 1954. Como o assunto Fátima está candente e atual, vamos tratar da visão do milagre do sol. Recordemos, para começar, que o Papa Pacelli está misteriosamente vinculado à Fátima, pois foi consagrado bispo pelo Papa Bento XV, na capela Sixtina, exatamente na mesma manhã de 13 de maio de 1917 na qual a Santíssima Virgem aparecia aos três pastorinhos. Ademais, durante o seu pontificado se fez eco à petição de Nossa Senhora por intermédio da Irmã Lúcia em Tuy (aparição de 1929) para que o Papa consagrasse a Rússia a seu Imaculado Coração, efetuada em 1952 mediante a carta apostólica “Sacro vergente anno”, embora não tenha havido o concurso de todos os bispos do mundo como o havia pedido a Virgem Maria.
Sabia-se que Pio XII teria visto o mesmo milagre do sol de Fátima nos jardins do Vaticano através de uma homilia que o Cardeal Federico Todeschini, enviado ao lugar das aparições como legado pontifício para encerrar o ano de 1950, pronunciou em 13 de outubro de 1951 e na qual afirmou que o Papa havia visto o mesmo que presenciaram os testemunhos que estavam presentes em Fátima no dia da última aparição (13 de outubro de 1917). Esta revelação foi amplamente difundida pela imprensa da época, chegando-se a imprimir milhares de estampas representando a cena de Pio XII olhando para o sol dançante sobre os jardins vaticanos , mas não se tinha uma versão direta do episódio.
Em novembro de 2008, um dos biógrafos mais conhecidos do venerável Papa, Andréa Tornielli, revelou o descobrimento, entre os papéis privados da família Pacelli, de um autógrafo do Papa em que se lê o relato do que viu mais de uma vez naquele outono jubilar de 1950. O documento é de um extraordinário valor por ser de primeira mão, por sua imediatez e por sua linguagem natural (longe do grande estilo que caracteriza a oratório e os escritos oficiais de Pacelli), e confirma plenamente o que já se sabia por via indireta. Deixemos falar a protagonista com sua próprias palavras. Reproduzimos em seguida o texto original em italiano, seguido da tradução, extraídos do blog Apóstolos de Nossa Senhora de Fátima.

Texto do relato do milagre do sol visto por Pio XII
«Era il 30 ottobre 1950, antivigilia del giorno, da tutto il mondo cattolico atteso con tanta ansia, della solenne definizione dell'assunzione in cielo di Maria Santissima. Verso le ore 4 pom. facevo la consueta passeggiata nei giardini vaticani, leggendo e studiando, come di solito, varie carte di ufficio. Salivo dal piazzale della Madonna di Lourdes verso la sommità della collina, nel viale di destra che costeggia il muraglione di cinta. A un certo momento, avendo sollevato gli occhi dai fogli che avevo in mano, fui colpito da un fenomeno, mai fino allora da me veduto. Il sole, che era ancora abbastanza alto, appariva come un globo opaco giallognolo, circondato tutto intorno da un cerchio luminoso, che però non impediva in alcun modo di fissare attentamente il sole, senza riceverne la minima molestia. Una leggerissima nuvoletta trovavasi davanti. Il globo opaco si muoveva all'esterno leggermente, sia girando, sia spostandosi da sinistra a destra e viceversa. Ma nell'interno del globo si vedevano con tutta chiarezza e senza interruzione fortissimi movimenti.

«Lo stesso fenomeno si ripeté il giorno seguente, 31 ottobre, e il 1° novembre, giorno della definizione; e poi di nuovo l'8 novembre, ottava della stessa solennità. Quindi non più. Varie volte cercai negli altri giorni, alla stessa ora e in condizioni atmosferiche uguali o assai simili, di guardare il sole per vedere se appariva il medesimo fenomeno, ma invano; non potei fissare nemmeno per un istante, rimaneva subito la vista abbagliata.

«Nei giorni seguenti manifestai il fatto a pochi intimi e a un piccolo gruppo di Cardinali (forse quattro o cinque), fra i quali era il Cardinal Tedeschini. Quando questi, prima della sua partenza per la sua missione di Fatima, venne a visitarmi, mi espresse il suo proposito di parlarne nella sua Omelia. Gli risposi: "Lascia stare, non è il caso". Ma egli insistette sostenendo l'opportunità, di tale annuncio, ed io allora gli spiegai alcuni particolari dell'avvenimento. Questa è, in brevi e semplici termini, la pura verità».


(tradução)

Era 30 de outubro de 1950, antes da vigília do dia, esperado com tantas ânsias por todo o mundo católico, da solene definição da Assunção ao céu de Maria Santíssima. Pelas 4 da tarde, fazia meu costumeiro passeio pelos jardins vaticanos, lendo e estudando, como sempre, vários documentos de despacho. Ia subindo desde a praça da Virgem de Lourdes para o topo da colina, pelo caminho da direita que segue paralelo ao longo da muralha. De repente, havendo levantado os olhos dos papéis que tinha na mão, fui surpreendido por um fenômeno que não havia nunca até então visto. O sol, que todavia estava bastante alto, aparecia como um globo opaco amarelado, circundado por um círculo de luz ao redor, o qual, sem embargo, não me impedia de modo algum de mirá-lo fixamente sem causar a mínima moléstia. Só havia adiante uma pequena nuvem. O globo opaco se movia ligeiramente para fora, seja girando, seja vindo da esquerda para a direita e vice-versa. Porém no interior do globo se viam com toda claridade e sem interrupção movimentos fortíssimos.
O mesmo fenômeno se repetiu no dia seguinte, 31 de outubro, e a 1º de novembro, oitava da mesma solenidade. A partir de então nada mais vi. Várias vezes, nos dias seguintes, à mesma hora e com as mesmas ou similares condições atmosféricas, procurei mirar o sol para ver se aparecia o mesmo fenômeno, mas foi em vão. Não conseguia mirá-lo sequer por um instante, pois a vista ficava imediatamente cegada.
Durante os dias seguintes dei a conhecer o fato a poucos íntimos e a um pequeno grupo de cardeais (talvez quatro ou cinco), entre os quais estava o cardeal Tedeschini. Quando este, antes de sua partida para a missão de Fátima, veio visitar-me, comunicou-me seu propósito de falar disso em sua homilia. Eu lhe respondi: “Deixa-o estar, não é o caso”. Porém ele insistiu, defendendo o oportuno de semelhante anúncio, e então expliquei-lhe alguns detalhes do acontecimento. Esta é, em breves e simples termos, a pura verdade.

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