quinta-feira, 20 de junho de 2013
Vitória dos radicais
(quem será o Conh-Bendit brasileiro?)
A situação em que se encontra o Brasil é comparável à de um doente em que uma terrível doença ataca todos os órgãos e cujas células começam a morrer e dizimar umas as outras. Os principais órgãos, formados pelas elites políticas, trabalham enfermos desde a proclamação da república em 1889, causando um tremendo mal-estar em todo o corpo social. O qual jaz doente sem encontrar em si mesmo solução para seu caso. E o pior: não há um médico que possa aplicar naquele corpo gangrenado uma medicação eficiente, pois o doente se recusa a ser medicado. Por que recusa? Porque perdeu o senso de orientação, o sendo de direção para lhe nortear e guiar seus passos. Não se busca mais os caminhos normais para a solução dos problemas, e por isso se vai atrás da cura em fórmulas mágicas da panacéia anarquista. Todos gritam ao mesmo tempo, pedindo tudo ao mesmo tempo, sabendo que tais gritos não vão solucionar seus problemas.
Dentro deste panorama, pergunta-se: quais os próximos passos desta revolução que se faz espontânea e se diz ter nascida do povo? Não se pode vislumbrar os próximos passos a não ser num exercício de imaginação, ou de quase adivinhação. Primeiramente, os radicais precisam se posicionar, acampar, se instalar, numa praça, numa rua, numa cidade, e a partir daí, com a conivência, se possível, das autoridades, formar “comandos” com os quais precisam continuar avançando. É por isso que eles insistem tanto em invadir prefeituras ou quaisquer prédios públicos. Como não pretendem tomar o poder, pois não é própria da anarquia a assunção de cargo público (esta a razão de não aceitarem siglas partidárias em seu meio), as autoridades podem julgar que serão inofensivos ali instalados. Formarão “tribos” e poderão compor uma nova sociedade, toda ela igualitária, sem governo, sem lei entre si a não ser de seus comandos. Por enquanto, só podemos analisar o que já fizeram até agora. Por exemplo, nesta última manifestação.
Na hora de escolher mais um motivo para sair às ruas os responsáveis pelas manifestações de rua no Brasil viram um só: comemorar a vitória de haver conseguido as autoridades recuarem e terem reduzido o preço das passagens de ônibus. Quando soube desta motivação lembrei-me do célebre episódio de Pirro, o qual perdeu a guerra ganhando a batalha. Sim, porque a vitoria não foi dos que desejavam protestar contra certas coisas erradas de uma forma “pacífica”, mas dos radicais, que querem, a todo custo, botar fogo no país. Se prestarmos bem atenção, o foco de todo o noticiário das TVs foi sobre a ação dos vândalos e arruaceiros, quase não se ouviu ecoar a voz dos que ostentavam seus cartazes ou pixavam seus slogans nas paredes. O destaque foi, realmente, dos radicais.
Por qual razão os pacifistas perderam para os radicais? Simplesmente porque não querem chegar até às últimas conseqüências e temem uma reação contrária da população. Esta, vendo o perigo que nos traz a ação dos radicais terá que apoiar os pacifistas, onde julgam encontrar uma revolução menos dolorosa. Mas, não seguirão estes últimos porque não indicam um caminho, um rumo a seguir, tudo é confuso entre eles, falta-lhe um líder e um lema. Quanto aos radicais, vão continuar avançando e, talvez, com mais adesões a crescer, porque sempre haverá alguém que quer ir até às últimas conseqüências e radicalizar junto com eles. É sempre assim quando estoura uma revolução: os radicais vão na frente para arrastar os demais que vêm atrás.
Veio-me a propósito, novamente, a lembrança do que ocorreu na Revolução da Sorbonne de 1968. Os moderados ou “pacifistas”(pelo menos na aparência), liderados pelo estudante francês-alemão Daniel Cohn-Bendit (que depois virou político da ecologia), deixaram o movimento “morrer” por falta de fôlego, mas os radicais avançaram. Tanto que chegaram a se estruturar em grupos terroristas, como aconteceu com dois deles ao formar as “Brigadas Vermelhas” e o “Baden-Meinhof”, que atuaram na Itália e Alemanha respectivamente. Eram todos universitários e um dia chegaram a ser doutores. Mas não pararam por aí. Um grupo mais feroz deu seu apoio ao “Khmer Vermelho”. Como se sabe o “Khmer Vermelho” foi o grupo guerrilheiro mais violento que já houve, tendo eliminado mais de 2,5 milhões de pessoas no Camboja quando assumiu o poder daquele país. Um dos filósofos que muitos julgavam “moderados” em 1968 era Jean-Paul Sartre, mas este chegou a condenar o terrorismo apenas na Europa, apoiando os grupos armados que haviam no Brasil. Ao visitar um ativista do grupo Baden-Meinhof na cadeia, chegou a declarar que o “terrorismo era justificável no Brasil”, mas não na Europa. Por analogia, era justificável também na Ásia, no Camboja.
A violência dos grupos armados de esquerda deixou um legado de um verdadeiro rastro de sangue que até hoje enxovalha nosso país. Foram eles que criaram o famoso "Comando Vermelho", foram eles que inauguraram a "moda" de assaltos a bancos para financiar as guerrilhas, foram eles que protagonizaram as cenas de crime e de sangue mais violentas em nosso país. Todo o banditismo que há atualmente no Rio e em São Paulo, e suas ramificações pelo resto do país, nasceu, foi parido, na "montanha vermelha", são filhos da esquerda.
Estão sendo hoje treinados entre os vândalos e arruaceiros que acompanham o movimento de protestos no Brasil os futuros terroristas, talvez de um terrorismo diferente, mais avançado, talvez até mais cruel. Quanto aos outros que fazem pacificamente as manifestações, um dia descobrirão muito tarde que colaboraram com tais radicais, os únicos vitoriosos nos últimos dias. Colaboraram como? Simplesmente saindo às ruas sem ordem, sem direção, sem senso de orientação, de uma forma anárquica, causando desgoverno na própria polícia e impedindo-a de barrar os radicais da violência. Toda a mídia derrama rasgados elogios aos manifestantes pacíficos, mas, não demonstram que é por detrás deles, nas costas deles, ou até mesmo na frente deles, que os vândalos cometem tantos crimes e arruaças. Se o Ministério Público quiser responsabilizá-los pelos crimes poderá enquadrá-los no tipo “culposo”, quando não há a intenção, mas culpa, involuntária ou não, pelos crimes ocorridos. E, assim, a vitória dos radicais se deve à presença dos moderados nas ruas... os quais só obterão vitórias semelhantes ás de Pirro em Roma.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Os protestos da classe média brasileira representam todo o povo?
A propósito das manifestações de protesto que estão sendo realizadas no Brasil, venho observando os seguintes aspectos:
1. Embora note-se claramente que o movimento é composto de uma minoria, a mídia o vem apresentando como se fosse toda a população brasileira. Não é possível que numa população de 190 milhões de habitantes, um grupelho calculado em pouco mais de 300 mil em todo o país seja suficiente para retratar todo um povo. De outro lado, tanto as lideranças como os participantes das passeatas não são pessoas do povo, mas membros das classes mais altas, que nem sequer usam o transporte coletivo. Pelo menos cinco que foram presos por fazerem arruaças são altos funcionários federais, conforme notícias da TV.
2. A diversidade das reivindicações. Passe livre nos ônibus, combate à corrupção, controle dos gastos do governo com a copa do mundo, são talvez as principais, mas, há uma infinidade de cartazes reclamando de tudo. São coisas que nunca vão ser atendidas, o que faz do movimento uma coisa inócua. Isso indica que, na realidade, o objetivo é outro. E dizem que estamos querendo “mudar” o Brasil, o que demonstra que a pretensão é de caráter mais profundo. Que mudança será essa? Ninguém sabe, ninguém diz. Porque se disserem que são anarquistas e desejam que impere o desgoverno, ficarão muito mal vistos pela população.
3. A disponibilidade para ir às ruas. Pode surpreender a alguém que uma população toda acomodada em casa por detrás de um computador tenha tido disposição para sair às ruas, o que demonstraria haver uma certa parcela destes viciados na internet a querer sair de seu mundo virtual para o real. E quando saem, querem impor sua vontade e seu programa de vida aos demais, inclusive com violência como agem os arruaceiros. Não se diga que estão nas ruas pedindo aumento salarial nem qualquer coisa que mexa com seus bolsos, pois todos são pessoas que desfrutam de uma boa vida. Esta é a “massa de manobra”, o “caldo de cultura”, de uma nova revolução, a qual, inclusive, já estreou em outros países como o Egito e a Síria. Eles pensam que são os atores de uma peça importante, mas, na realidade, são vítimas de uma certa “lavagem cerebral” operada nos meios em que vivem e na internet. Na mídia eletrônica é alimentada, por exemplo, uma grande camada desta população que “adora” animais: e se descobrem alguém que maltrata um deles, caem em cima desta pessoa sem piedade - nem consideram que o homem também é um animal. Os fatores que podem levar tais pessoas a sair do comodismo do computador para ficar disponível para atuar e sair às ruas deve ser o político-social e a necessidade de afirmação pessoal.
4. O exibicionismo. Não há uma só reportagem que não mostre um grupinho, ou um indivíduo isoladamente, fazendo barulho para ser visto com seu cartaz ou ouvido seus berros e slogans. Esta necessidade de ser visto e ouvido é uma carência de pessoas de certa camada social, em geral vítimas do ostracismo e do anonimato, mas, que desejam de qualquer maneira manifestar aos outros seus pendores e pensamentos. Deste meio é que surgem também os mais violentos, em geral oriundos de grupos politizados nas universidades pelos intelectuais de esquerda.
5. Os cartazes, slogans e “palavras de ordem”. Quando alguém pronuncia uma “palavra de ordem” não está manifestando sua opinião, mas de alguém que lhe ditou o que deve dizer, se não o termo não se chamaria “de ordem”, quer dizer, dita por ordem de alguém ou alguns que comandam. Da mesma forma, os cartazes com slogans retratam geralmente uma frase curta destinada a influenciar as pessoas a agir por impulso e sem análise detida de seu conteúdo: “desculpe, estamos mudando o Brasil”; “se o transporte é público deve ser gratuito”, “abaixo a PEC 37”, são algumas destas mensagens curtas. Não são daquelas do tipo de grevistas, pedindo aumento salarial ou a demissão de uma autoridade, mas, em geral, anunciando um dito “messiânico” e salvador, com uma solução mágica para os problemas atuais.
6. O hino nacional. Tornou-se um abuso o uso do hino nacional em qualquer manifestação pública, seja no futebol, seja nas passeatas, seja em qualquer inauguração de cunho político. Embora a maioria não saiba entoá-lo, o fato de tais grupos tentar fazê-lo apenas demonstra a utilização de um recurso demagógico para impressionar os que assistem. As bandeiras e o hino nacional compõem um quadro de certo “nacionalismo” utópico para atrair e enganar os incautos e esconder motivações ocultas de grupos revolucionários.
7. A motivação pacífica. Nunca houve uma revolução sem derramamento de sangue, não há pacifismo que perdure entre revolucionários. De modo que, mesmo aqueles que dizem que são pacíficos, ordeiros, querem apenas manifestar sua opinião e negociar com as autoridades, na realidade não adotam um certo tipo de violência, mas se comportam coniventes e até apóiam a violência moral ao querer pressionar outras pessoas a aderir e aceitar aquilo que pregam. O ponto principal de qualquer revolução não é a paz, mas o derramamento de sangue, a eliminação de pessoas, pois os elementos que a dirigem têm isso como objetivo: alguns dizem que vão tirar as pessoas do cargo pacificamente, mas, resistindo estes, apóiam os que os matam. Eles, geralmente, nunca aceitam as decisões que venham contrariar seus objetivos. Por exemplo, as autoridades argumentam que é impossível reduzir o preço das passagens de ônibus, mas, os revoltosos, inflexíveis, não aceitam os argumentos e desejam intransigentemente que suas idéias sejam aceitas e até impostas de qualquer forma, mesmo que a redução das passagens venha prejudicar a coletividade toda. E esta imposição não é uma violência moral de um grupo, ou contra as autoridades, ou mesmo contra os que não lhes dão apoio?
Já marcam para o dia 1 de julho uma “greve nacional”, certamente com apoio das centrais sindicais e outras organizações sociais. Então, isso quer dizer que há uma central que comanda, marca datas e eventos, nada é espontâneo e oriundo do povo. Se chegarem a tanto terão movimentado uma grande parte da classe média brasileira, que não é pequena, dizem ser composta de mais de 50 milhões de pessoas. Se apenas 10% da classe média aderir a tal greve (serão 5 milhões, e todos possuem computadores), ou ao movimento de modo geral, teremos o maior movimento político que já houve no mundo, mas não deixará de ser uma minoria, minoria essa movida por outros que a impulsionarão para objetivos que ela desconhece e não deseja. O que farão para aumentar a pauta de reivindicações e convencer a tanta gente para sair ás ruas, só o futuro nos dirá.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Uma Sorbonne brasileira?
(oferta hipócrita de flores aos policiais)
Pouquíssimas pessoas estão entendendo o que acontece no Brasil. Entender tais coisas exige que se conheçam algumas realidades mais profundas. As agitações em São Paulo deixam a população atônita, perplexa e confusa, pois tudo é assim complicado e inexplicável, como o são todos os problemas do homem de hoje. Esse clima foi o mesmo que antecedeu ou que se seguiu aos primeiros dias da revolução da Sorbonne de 1968. Naquele ano, num primeiro instante, os revoltosos protestavam contra a decisão de uma daquelas faculdades parisienses de se proibir doravante a residência conjunta de moças e rapazes nas casas estudantis. Logo depois, as manifestações eram contra a Universidade e sua forma de dirigir os cursos universitários, passando depois para os protestos contra a polícia, contra o governo, contra a guerra do Vietnã, contra o capitalismo, contra o poder, contra a família, contra qualquer tipo de autoridade, etc., etc. Quando as manifestações estavam em seu ponto alto, surgiram adesões importantes para manter o ânimo dos revoltosos, e veio o apoio das centrais sindicais, de jornalistas esquerdistas, de intelectuais, etc., E o objetivo não era tomar o poder, mas acabar com todo tipo de poder: idéia anarquista em sua essência. Essa idéia anarquista, resumida na célebre frase “é proibido proibir” tomou conta de toda a sociedade ocidental, estando hoje o Brasil colhendo seus frutos.
No Brasil, os fatos se assemelham: o protesto contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus, ao lado das arruaças e depredações, tem já o apoio de algumas centrais sindicais e de políticos, intelectuais e jornalistas. Não sei por que, os índios não aderiram ainda ao movimento. Dizem que não há um só entre eles que use o transporte coletivo, pois são quase todos da classe média ou média-alta, que anda pra cima e pra baixo montado em seus carros de luxo. Não, ninguém quer derrubar o governo, nem quer assumir o poder – é a anarquia mesmo que se quer implantar no Brasil, isto é, a ausência de governo. A par disso, jornais divulgam que a inflação aumenta e que diminui a popularidade da presidente em decorrência disso. Como se fosse realmente conseqüência de causa e efeito. De outro lado, o dólar sobe, a bolsa cai, como ocorre no resto do mundo. Tudo noticiado num só pacote, a idéia geral é de desgoverno, de anarquia. E as notinhas e cochichos fervilham de todos os quadrantes: milionários começam a retirar seus recursos do Brasil e um dos motivos é uma lei socialista que querem aprovar no país, atingindo de cheio as empresas mineradoras. Querem copiar lei semelhante feita na Venezuela, de onde saíram prejudicadas várias empresas internacionais do ramo de exploração mineral. E tais empresas pesam na bolsa.
Como se vê, parece estar havendo um clima pré-revolucionário de grande alcance, com o incentivo da mídia internacional: a BBC e as grandes redes noticiosas mais famosas do mundo distorcem os fatos e dizem que se trata do reflexo de uma insatisfação popular, que a revolta é de “estudantes” e que o povo brasileiro vai ás ruas da mesma forma como o fizeram alguns no Egito, na Síria e em alguns países árabes. Lá denominaram as revoltas de “primavera árabe” ( o povo egípcio nem árabe é) e andaram espalhando por aí que foi uma coisa “espontânea”, como querem que seja espontânea toda e qualquer revolução, como a Francesa de 1789, a russa de 1917, a da Sorbonne de 1968,, etc. Uma “espontaneidade” dirigida...
Ninguém diz que tudo não se trata senão de uma revolta orquestrada por grupos organizados, fora do povo e contrária ao mesmo. Ninguém divulga as organizações que estão por detrás de tudo e quais seus objetivos ideológicos, filosóficos... Pelo contrário: dizem que tudo é fruto de insatisfação popular. E a repressão da polícia é vista por estes órgãos da mídia como a demonstração de intransigência e intolerância do Governo, ou dos governos, pois, nesse momento, são envolvidos no mesmo diapasão os governos federais, estaduais e municipais. Nem sequer destacam que o estadual é a oposição do municipal e do federal e que não se entendem em matéria política e até mesmo administrativa. Todos os três são envolvidos no mesmo “pacote” e apresentados como culpados por tudo o que ocorre. Torna-se necessário que sejam assim acusados para que se apresente na opinião pública a idéia de uma completa anarquia, de desgoverno, caos...
Os próprios grupos que engrossam os protestos não se entendem e nem são da mesma origem, pelo menos pela aparência. Tanto são vistos aqueles que portam cartazes conhecidamente esquerdistas como outros que protestam contra o Partido governante, de esquerda, e seus próceres mais influentes. Quer dizer: “direita” e esquerda envolvidos na mesma direção. Quem entende? Ocorre que não é para se entender mesmo: o objetivo é causar confusão, deixar as pessoas desorientadas e “desgovernadas”, pois os princípios do anarquismo exigem que o desgoverno, a anarquia, seja total, inclusive, e principalmente, na opinião pública.
Perca do “senso de orientação”
Todo animal possui um sentido que se chama “senso de orientação” ou de direção, pelo qual ele sabe para onde vai e onde buscar alimento e segurança. Este sentido ou senso no homem, porém, é muito mais requintado e elevado por causa de sua alma imortal. Assim, o homem usa tal senso para programar seu futuro, sua vida, posicionar-se na sociedade e compreender o mundo político que o rege. Se não entende o que ocorre na sociedade, onde a tônica é o desgoverno, o caos, a anarquia, o indivíduo perde este senso de orientação no que diz respeito ao futuro da sociedade em que vive. Desnorteado vai passar a agir como mero autômato, sujeito aos influxos de grupos organizados que o impelirá a agir por impulsos. Veremos, assim, uma sociedade composta de autômatos, irracionais, cujo resultado final será a luta entre si, contra tudo e contra todos, onde campeará um clima de violência propício ao “mata-mata”, e cada um por si. É para lá que caminhamos. É para este “tipo” de sociedade, de homens sem senso de orientação, que nos está impelindo os arruaceiros que lutam contra o aumento de passagens de ônibus.
Táticas de guerrilhas urbanas não nascem entre o povo
Muitas coisas estão imiscuídas entre nosso povo, mas não nascem dele e, muitas vezes, são voltadas contra ele mesmo. Um exemplo é o banditismo, que existe, atua e se esconde entre nosso povo, mas não nasceu dele e sim de grupos externos que formam as quadrilhas. O mesmo pode-se dizer daqueles que se especializam em táticas de “guerrilhas urbanas” com o fim de tumultuar e fazer com que impere a anarquia. Em geral, tais grupos nascem dentro de grupos organizados de partidos políticos, universidades e sindicatos, mas nunca se originam da população, isto é, não é nada autêntico e natural do povo. São oriundos de grupos organizados que pregam um sistema de vida, no caso atual, a ausência de poder, de governo, ou seja, o anarquismo.
Tais grupos das chamadas “guerrilhas urbanas” aprendem todas as táticas modernas de enfrentamento contra a polícia, inclusive com técnicas psicológicas para irritar os policiais e fazê-los agir com violência e lhes causar vítimas e mártires. Alguns anos atrás, em Salvador, uma grevista cuspiu no rosto de um policial com visível intuito de provocá-lo e, como o mesmo reagiu dando-lhe uma cassetetada, o flagrante foi apanhado por um fotógrafo que certamente já estava combinado e aguardando o momento. A foto do revide do policial foi aproveitada pela grevista para fazer sua própria propaganda política: ela hoje é deputada. Na mesma capital baiana houve fatos insólitos alguns anos atrás, por ocasião também de uma manifestação contrária ao aumento de passagens de ônibus. Vou descrevê-los.
O movimento sempre se autoproclama “estudantil”, pois assim consegue atrair a simpatia do público, mas é dirigido e composto por uma miscelânea de atividades pertencentes a diversas correntes de sindicatos e partidos políticos de esquerda. Mas, na frente têm que estar os estudantes. A tática consistiu em arrebanhar vários jovens, menores de idade e pertencentes a colégios do nível primário, colocando-os como testas-de-ferro, na frente das passeatas, ocasião em que os mesmos eram orientados a sentar-se no chão, em cima de suas mochilas, quando a polícia chegava para dispersá-los. Ali sentados em frente aos ônibus, impediam que os mesmos circulassem de uma forma “pacífica”. Ai do policial que batesse numa “criança” daquelas. Ainda bem que o Ministério Público foi advertido e fez um bom trabalho, processando aqueles que haviam aliciado os menores para desordens públicas, um crime um tanto difícil de se constatar, pois necessita-se de investigação entre os próprios estudantes. Parece que a solução foi responsabilizar os pais dos mesmos, fazendo com que denunciassem aqueles que iam aos colégios aliciar seus filhos.
O movimento que se dizia popular e espontâneo (sempre querem dar a entender isso) foi traído por causa dos mesmos refrões, mesmas músicas, mesmas táticas e mesmos horários de reuniões e passeatas. Era impossível que uma coisa popular e espontânea tivesse tanta organização e fizesse tudo combinado, com táticas e horários programados.
O mesmo ocorre em São Paulo, na atual campanha contra os transportes coletivos. Existem diferenças de táticas apenas em aspectos exteriores, mas, na essência, dá-se o mesmo.
Assistimos, assim, um prolongamento da Revolução da Sorbonne, de 1968, executado num lapso de tempo tão longo, isto é, 45 anos depois!
segunda-feira, 27 de maio de 2013
A Revolução pisa em seu próprio rabo
“A Revolução e o papel higiênico” é o título
de artigo publicado por Roberto Pompeu de Toledo, na edição de 22.05.2013 da
revista “Veja”. O articulista está criticando a “Revolução Bolivariana” da
Venezuela pelo fato de um ministro venezuelano afirmar que “ a Revolução trará
ao país o equivalente a 50 milhões de rolos de papel higiênico”. A grotesca
afirmação foi feita a propósito da escassez de gêneros de primeira necessidade
por que passa aquele país como conseqüência, inevitável, do controle socialista
da economia. Mas, foi a propósito do termo “Revolução” que Roberto Pompeu fez
comentários mais judiciosos.
“Já faz dois séculos e meio que a palavra “revolução”
paira, como sonho ou pesadelo, sobre os processos políticos, mundo afora. Os
eventos fundadores do fenômeno são a Revolução Americana e, principalmente, a
Francesa. Com os franceses, “revolução” virou sinônimo de refundação do mundo.
Tanto eles acreditaram nisso que revogaram o antigo calendário e instituíram um
novo. Impunha-se que o tempo começasse
de novo, do zero. O caráter refundador da “revolução radicalizou-se com as
revoluções comunistas, no século XX, a começar da Bolchevique. E ganhou acentos
místicos com a promessa de criação de um mundo novo, marcado pela paz, pela
generosidade e pela fraternidade, e povoado por um “homem novo”. “Revolução”
passava a equivaler a purgação dos pecados e renascimento. O marxismo ateu irmanava-se às religiões ao
prometer um futuro de bem-aventurança, e ganhava delas ao localizá-las não no
Céu, mas na Terra mesmo”
“ O problema é que as revoluções, segundo indicaram os
fatos, nestes últimos dois séculos e meio, abrigam em si o germe da
destruição...”
O que há de novidade nas afirmações acima? É
que elas partem de um articulista bem lido, de um órgão de imprensa que se diz
o paladino dos princípios da Revolução Francesa (Igualdade, Liberdade e
Fraternidade), mas que, provavelmente, foi mandado falar mal da Revolução (no
caso, um braço dela, que é a da Venezuela) por causa de seu público que o
exige. Pelo que se vê, a palavra “Revolução” já não tem tanto atrativo como
antigamente; pelo contrário, é sinônimo de desgraças.
Na mesma edição de “Veja”, às páginas 116 e
117, há uma pequena reportagem sobre outro fiasco da Revolução, com o título de
“Os ossos do socialismo”, onde se comenta o fracasso de uma experiência
coletivista feita na primeira colônia inglesa dos Estados Unidos da América,
Jamestown, no início do século XVII. É
claro que todas as experiências coletivistas fracassaram, especialmente as do
comunismo do século XX. A novidade da colônia americana acima citada é a
antiguidade do caso. A revista não entra em detalhes de onde partiu a idéia,
mas já desde o século XVI, quando o protestantismo deu seu grito de revolta, já
havia experiências semelhantes. Uma delas feita, inclusive, com a seita dos
Anabatistas.
Na colônia americana em destaque, ocorreu uma
verdadeira desgraça: a falta de estímulo na produção gerou fome e miséria. A
fome era tão grande que os colonos chegaram a praticar canibalismo. É um bom
exemplo a ser mostrado na Venezuela. Transcrevo, abaixo, excertos da
reportagem:
“Jamestown,
um forte triangular nas proximidades do Rio James, foi fundada em 1607. No
início, a relação entre os ingleses e os integrantes da tribo powhatan era
amigável. Os índios davam-lhes alimentos em troca de peças de metal.
“Não
havia moeda naqueles tempos. Tudo era feito por escambo”, diz o arqueólogo
americano William Kelso, que encontrou os ossos de Jane. Foi naquele período
que uma menina de 11 anos, Pocahontas, se enamorou do capitão John Smith, que
liderava os colonos. A relação entre os dois, edulcorada recentemente em
desenho animado pela Disney, acabou em 1609, quando o capitão foi ferido e
retornou à Europa. Os colonos já não tinham nada para oferecer aos índios em
troca de comida. Findo o comércio, começaram as hostilidades. “Os índios
sitiaram o forte. Ninguém podia sair para conseguir alimentos”, diz Kelson.
Situação parecida aconteceu em outro colônia, Plymouth, fundada pelos colonos
que chegaram no navio ‘ Mayflower” e que também adotaram a propriedade
comunitária. Eles venderam a roupa do corpo aos índios em troca de milho.
Outros roubaram grãos dos índios. Alguns se tornaram seus escravos.
“No
auge da penúria de 1609, em Jamestown, centenas de novos habitantes chegaram em
navios de suprimento, entre os quais Jane, e comeram todo o alimento disponível
em três dias. A fome veio em seguida. Segundo um relato posterior do então
governador, George Percy, os moradores devoraram cavalos, cachorros, gatos e
ratos. Depois, comeram sapatos e todo o couro que encontraram. Quando as opções
se esgotaram, começou o canibalismo. Percy contou que ordenou a execução de um
de seus homens, que matou e canibalizou a esposa grávida.
“Se não
fosse o sistema de produção fracassado, a situação dificilmente teria chegado a
esse ponto. O coletivismo fora implantado pela Companhia da Virgínia, empresa
responsável pela empreitada em Jamestown, por temor de que, se os colonos
tivessem sua própria terra do outro lado do Atlântico, deixariam de enviar o
que produziam para Londres. Apesar do solo fértil, da abundância de peixes, das matas ricas em veados e perus,
porém, os homens não encontraram estímulos para trabalhar. “Os colonos não
tinham o mínimo interesse na terra”, escreveu o historiador americano Philip
Bruce no fim do século XIX. A paz e a prosperidade só começaram a se tornar
realidade em Jamestown a partir de 1611, com a chegada do administrador inglês
Thomas Dale. Ele se surpreendeu ao notar que, em meio à fome, os homens se
dedicavam a vagabundear pelas ruas. A raiz do problema, ele percebeu, era o
sistema comunitário. Dale então determinou que cada homem deveria receber três
acres de terra e só precisava trabalhar um mês por ano para a matriz. A decisão
despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o
empreendedorismo e a aptidão para a competição. Mais produtivos, os colonos
passaram a vender milho aos índios em troca de peles de animais. O comércio
trouxe a paz....”
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Gênios de "ciências inúteis"
O que é uma ciência? Em geral, diz-se que uma matéria se torna ciência quando o conjunto de suas teses teve ampla comprovação através de experiências empíricas ou deduções lógicas de seus enunciados. A matemática, por exemplo, não necessita de nenhuma experiência empírica para comprovar seus enunciados, mas apenas deduções lógicas dos números. A filosofia também não necessita de tais experiências. Não é o mesmo que ocorre com outras ciências, como a física, a química, a biologia, etc. Se não houver um microscópico onde se possa ver a estrutura das células o estudioso não terá a comprovação de seus estudos de biologia.
De outro lado, o mundo moderno está repleto de matérias que chamam eufemisticamente de ciências, mas, a rigor, não deveriam sê-lo. Um exemplo é a "história natural", pela qual se fez e se faz vários enunciados sem que haja uma comprovação através de experiências empíricas, ou, se as mesmas existem, são falhas e inconclusivas pela lógica. Em geral, se fala em "achados" de ossadas ou objetos, de coisas já consumidas pelo tempo, mas cujos resultados são falsos. Por exemplo, não se pode afirmar (como fazem eles) que tal animal se originou de outro apenas pelo estudo de um esqueleto. Se existiram milhões de tais animais seria necessária que a comprovação fosse feita através de numerosas espécies. Mas não é assim que surgem tais "comprovações", sempre baseadas em apenas um ou dois achados. Recentemente, por exemplo, houve uma conclusão destas bem absurdas: a de que os dinossauros se originaram de uma espécie de ave, e o estudo foi feito baseado apenas numa ossada... Seria o mesmo que, em filosofia, São Tomás basear um enunciado apenas em Platão ou em qualquer outro filósofo antecessor, ou em apenas uma afirmação antecedente. É necessário que haja uma "escola" onde aquela idéia tenha surgido, crescido e adquirido autenticidade através do tempo. No caso da história natural, para se comprovar que o dinossauro é oriundo de uma ave pré-diluviana não basta que muitos afirmem, mas que muitas espécies daquele remoto tempo o comprovem pelos vestígios deixados.
Apesar de ser um tema ainda controverso, outra falsa ciência (ou "ciência inútil) é a da evolução das espécies, toda ela baseada em meras conjecturas feitas com base em estudos mirabolantes de fugazes dados que encontram aqui, ali e acolá. E como nunca encontraram a comprovação de que, nessa evolução, o homem surgiu do macaco, passaram anos a fio em busca do "elo perdido", que seria um ser intermediário entre os seres primitivos e o homem. Como, para eles, a prova da existência de tal "elo" não se daria com uma multidão de seres, mas apenas com um só, foram até o Congo, em 1904, e lá capturaram um pigmeu que julgavam ter tais características. O homem se chamava Ota Benga (que no idioma nativo queria dizer "amigo") e tinha esposa e dois filhos. Levaram-no enjaulado para os Estados Unidos da América e o apresentaram na Feira Mundial de Saint Louis, junto com alguns macacos, como a comprovação do "achado" do "elo" da evolução do homem que procuravam a anos. Diziam que aquele "ser" havia evoluído para um "estado mais próximo do ser humano". Dois anos depois, Ota Benga foi levado para o zoológico do Bronx, em Nova Iorque, exposto juntamente com 4 chimpanzés, um gorila com o nome de Dinah, e um orangotango chamado Dojung. Também lá era mostrado como um ser "ancestral" do homem. Vários fósseis, alguns de macacos em que eles colavam mandíbulas humanas, foram "revelados" e alguns sofreram denominações as mais diversas, como o "homem de Pequim" ou o "homem de hobbit", ou "homo florensiensis", uma ossada (se houve outra não se fala) encontrada em 2003 que causou certa sensação entre os evolucionistas. Mas, no caso de Ota Benga, não era uma ossada mas um ser vivo.
Onde entram as "ciências inúteis" nessa história? Essa expressão era comum entre colegas de meus filhos em seus estudos colegiais. Dizia-se que tal ou qual matéria não era de interesse que se estudasse, pois era uma "ciência inútil". Inútil por que? Perguntava eu. Porque, respondiam eles, nunca iriam aplicar na vida real aqueles estudos. Em geral, consideravam as regras da matemática e da geometria como incluídas neste grupo. Alguns iam mais longe e consideravam também como inúteis outras como física, química, etc. Acho que esses meninos diziam isto porque tinham preguiça de estudar, pois não concordo com o que diziam. Na Escolástica, o famoso Hugo de São Vitor dizia que não há ciência sem importância. E acredito que é isso mesmo, não há ciência sem importância, mas desde que seja verdadeira ciência.
Um exemplo de "ciência inútil" podemos citar como a física quântica ou biologia evolutiva, ou então "cosmologia teórica" e "gravidade quântica", termos vagos para designar uma ciência. A física tem-se prestado, ultimamente, para várias deduções falsas, seguindo sempre uma mesma linha de raciocínio de que o universo existe sem Deus. E nesta corrente o estudioso mais famoso, hoje, é o inglês Stephen Hawkins, cujas teses estão mais para filosofia, onde não há comprovações através de experiências empíricas, mas de deduções ou simples raciocínios, do que para física. É claro que eles mantêm uma estrutura rica em equipamentos, cheia de aparelhos sofisticados, por onde tentam engenhosamente comprovar suas deduções, amparados por excelentes computadores. E o que representa isto perante a grandeza do nosso universo?
Por acaso tive acesso a uma afirmação do referido cientista, onde ele diz que seus estudos levaram a conclusão de que o universo surgiu de um "buraco negro". Sua dedução está baseada na constatação de que estrelas e sistemas estelares desaparecem quando são "engolidos" por um buraco negro. Da mesma forma que desaparecem podem surgir. A coisa vai longe, mas não adianta expor aqui tais pontos de vista, baseados em deduções e sem qualquer comprovação (por sinal, impossível). Depois ele afirma que está próximo a descobrir, definitivamente, como o universo se formou. Quanta pretensão! Ele está em cima da terra e quase não sabe nada sobre a origem dela e quer chegar á conclusão sobre as origens de todo o Universo!
Mas, esse pessoal, alguns considerados "gênios" como ele, filosofam mais do que comprovam suas geniosas elucubrações. Um exemplo: há muita afirmação duvidosa entre astrônomos, e uma delas é a distância entre as estrelas. São medidas por anos-luz. Ora, como é que o sujeito pode ter certeza de que a luz emanada de tal estrela demorou tanto tempo para chegar até nós se temos acesso apenas à sua chegada (estamos na terra) e não a seu ponto de partida, que é a própria estrela? Além do mais, a luz que chega hoje na terra indica certo tempo ocorrido há milhares de anos-luz atrás, mas não se sabe se a estrela ainda está naquela posição, pode está mais ou longe ou mais perto, ou então ter morrido. Andaram tentando criar outro método de medição de tais distâncias, que seria através da emissão de ondas de rádio: seriam remetidas daqui para a estrela, bateriam nela e voltariam para seu ponto de origem. Não acredito, entretanto, que o homem tenha capacidade de criar um raio (ou uma onda de rádio) que seja enviado para uma estrela e chegue e a seu destino. Como se vê, a coisa é muito nebulosa e difícil de se acreditar.
Uma outra afirmação entre eles, confusa e difícil de se acreditar, é a da idade do universo. Alguns dizem que o universo surgiu de uma explosão há 14 bilhões de anos atrás (dizer que houve uma "explosão", o Big Bang, é fácil, mas e a prova a não ser por simples dedução?), e outros discordam para mais ou para menos. Quem provocou tal explosão não falam. Foi espontânea. Como é que se calcula esta distância de tantos bilhões de anos? Nós temos como calcular o tempo hoje, pois o ano atualmente tem 365 dias e algumas horas e minutos. Mas no começo do mundo como é que se media o tempo? Será que uma hora tinha 60 minutos como hoje? E o ano tinha 365, 3 ou 3 mil dias? Não se sabe e nunca chegaremos a saber, a não ser... por revelação divina. Então a afirmação de que o universo tem bilhões de anos é uma mera conjectura sem base em experiências empíricas na realidade. Considero uma tese mais filosófica do que física ou de qualquer outra ciência exata.
Não conheço o físico Hawkins para lhe dar conselhos, mas se ele me procurasse lhe sugeriria que mude as matérias de seus estudos se quer realmente saber a origem do universo. Em vez de física, estude filosofia e teologia. Quem sabe desta forma, ele realmente chegue a alguma conclusão lógica.... E a ciência que ele estude deixará de ser inútil.
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