quarta-feira, 17 de abril de 2013

O nosso jeitinho



Tem havido muita discussão sobre o “jeitinho”, especialmente o que se tornou comum chamar de “jeitinho brasileiro”. Isso porque supõe-se que tal modo de proceder seja uma característica muito especial de nosso povo. Em tudo o que se vai fazer, aqui no Brasil, havendo qualquer dificuldade a transpor, a pessoa sempre apela para a frase “Dá um jeitinho aí!...”  E isso ocorre por aqui cotidianamente, tanto nas relações comuns do dia a dia, nas atividades comerciais ou sociais, quanto nas complicações jurídicas ou de qualquer outra natureza. O “jeitinho” tornou-se uma fórmula de resolver problemas fora das situações normais, através de uma solução que não seja a legal ou convencional.

Pelo fato disso ter se disseminado de forma indiscriminada no Brasil, a saída para o “jeitinho” encontrou lugar até na política e na economia. As empresas, as entidades financeiras, os economistas e até as autoridades do governo sempre acham um “jeitinho” para encobrir situações vexatórias ou algumas dificuldades perante o grande público. Se alguma empresa ou banco  vai apresentar prejuízo, os diretores têm que arranjar um “jeitinho” para que tal não ocorra; se um ministério está passando por dificuldades, às vezes problemas de corrupções e escândalos, tem-se que arranjar um “jeitinho” para a coisa ficar encoberta. Se os políticos que estão no poder aproveitam-se do cargo e roubam, são aconselhados pelas autoridades que dêem um “jeitinho” para que a coisa se resolva de forma encoberta para que o nome e o prestígio do Governo não fique comprometido. Talvez tenha sido por isso que houve o famoso caso do “mensalão”, quando dezenas de políticos foram pegos em contravenções escandalosas, mas o Governo tentou a todo custo encobrir tudo. Aqui o “jeitinho” se confunde com esperteza.

E chegou ao ponto das próprias autoridades econômicas serem criticadas no exterior por procurarem sempre arranjar o tal “jeitinho” para encobrir as mancadas e falhas do nosso sistema político-econômico. O nosso ministro da fazenda chegou a ser chamado pela mídia americana de “profissional do jeitinho” (lá a expressão usada é “little way” – pequeno jeito), haja vista que o mesmo teria feito várias manobras contábeis com o Tesouro Nacional com vistas a justificar o cumprimento das metas fiscais programadas pelo Governo. A manobra foi facilmente descoberta pelos economistas, e o “jeitinho” foi denunciado como prática normal por aqui.

Mas, afinal, como caracterizar uma situação em que o uso do “jeitinho” seja lícito e até aconselhável?

Segundo alguns historiadores, essa quase mania de tudo se resolver com um “jeitinho” não nasceu aqui entre nós, mas seria uma herança de nossos bons colonizadores. E a fórmula do “jeitinho” já era muito usada em Portugal desde os tempos do Rei Dom João I (séc. XIV), mas não teria sido ele o principal responsável, e não teria sido nenhum português, mas uma inglesa, a rainha Dona Filipa de Lencastre. Numa época rigorosa, em que tudo se fazia com disciplina e rigor, era necessária alguma fórmula caridosa de amortecer as tensões sociais, e isso a rainha o fazia através do “jeitinho” muito peculiar de seu sexo e de sua religiosidade, repetida pelos filhos e nobres da corte, logo se disseminando pela população e sendo transposta para o Brasil.

Este “jeitinho” português que a rainha tão bem praticava de modo correto era fruto da bondade, virtude muito peculiar entre cristãos, e que procura sempre tentar amenizar o sofrimento do próximo. Não é bem assim que pensa alguns povos que sofreram muito fortemente os efeitos do humanismo e da Renascença, para os quais as regras existem para serem aplicadas com rigor..

Dessa forma, podemos caracterizar algumas situações em que o uso do “jeitinho” pode ser lícito e até aconselhável, e outras em que as pessoas o usam mais como esperteza para ludibriar e se sair de enrascadas. A maioria dos “jeitinhos” lícitos são decorrentes do excesso da burocracia, onde há uma infinidade de exigências com papéis, muitas delas absurdas e sem sentido.Por exemplo, se você vai se matricular numa escola e, entre os papéis, há um que o funcionário quer devolver porque não é uma cópia perfeita, ou por outro motivo, não custa nada apelar para o “jeitinho” pedindo, por exemplo, que o funcionário aceite aquele papel sob a promessa de vir depois trazer outro na forma exigida. Mas há os casos em que o “jeitinho” pode se consumar numa ação criminosa, como pedir a um policial para “deixar passar” alguma infração grave (às vezes sob promessa de propinas) e os citados acima nos casos de situações econômicas complicadas.

Segundo reportagem da revista “Língua Portuguesa” (edição 89, de 2013), o lingüista John Robert Schmitz (seria brasileiro com esse nome?), da Unicamp, afirma que “jeito” deriva do verbo “jacere” – jacio, jacere, jeci, jactum (lançar, arremessar), “objeto” ou “objeção” (o que está diante) e “sujeito” (por baixo). Lançar para fora (e, ex) é “ejetar”; para dentro é “injetar”. Temos “rejeição” àquilo que deve ser jogado fora (abjeto)..., etc.” Segundo a revista, “o jeitinho seria a extensão dessa idéia corporal para o âmbito das relações sociais”. A mesma revista expõe ainda a opinião de um filósofo, segundo o qual o jeitinho é uma predisposição em ser cooperativo. E concluía que o “jeitinho” não se confundiria com favorecimento ou privilégio, o que acho razoável.

O europeu se espanta com o nosso “jeitinho” porque se tornou um homem empírico, apegado demais a convenções e hábitos, tido como lógico e racional, mas, no fundo, apenas apegado às regras. Os fariseus do tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo também eram assim e foram recriminados por nosso Salvador. Talvez o europeu de hoje não seja exatamente igual ao fariseu, mas que tem muita coisa parecida com eles, isso tem. Lembremos que foi de lá que se originou o lema “é proibido proibir”, e de dentro da universidade mais famosa. Um amigo meu, que residia na Europa, certa feita disse-me que nenhum francês recebe visita em sua casa se não for com hora marcada. O mesmo ocorre com os ingleses, alemães, com as honrosas exceções de Espanha e Portugal, embora nestes dois países ainda exista também muito apego às regras. Se um brasileiro, amigo de um francês, ligar para ele dizendo que vai lhe fazer uma visita exatamente na hora do almoço, ao ser negado, certamente será tentado a dizer: “dá um jeitinho aí, pois viajo hoje mesmo”. Mesmo assim, o francês dificilmente mudará de atitude, a não ser que tenha já convivido algum tempo no Brasil e tenha aprendido a usar esta bela fórmula social, a do “jeitinho” de se viver em sociedade.

Em suma, eles lá não são “honestos” porque o preceitua dois Mandamentos da Lei de Deus (o 7° e o 10°), mas por causa de um hábito, um costume que eles seguem há anos. E o importante, para eles, é seguir as regras. É a maneira “cartesiana” de viver, diferente da nossa, mais flexível, mais agradável e versátil, sabendo fazer “jogo de cintura”, como se diz aqui, e contornando situações sem causar maiores males sociais.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DE BONDADE



Talvez não se tenha certeza, a estas alturas da situação moral de nosso povo, se permanece ainda no coração do povo brasileiro aquela bondade tão famosa em tempos idos. Para uma análise, seria interessante ver qual o verdadeiro sentido de "bom coração" ou de bondade. Para tanto, expomos abaixo um artigo do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira sobre o tema:
 
 
“Uma deformação romântica da caridade: “o bom coração”.

 

Odiar é pecado? Sim, não? Por que? Se alguém se encarregasse de fazer entre os nossos católicos um inquérito a este respeito, recolheria respostas muito curiosas, revelando em geral uma pavorosa confusão de idéias, um ilogismo fundamental.

Para muita gente, ainda intoxicada por restos do romantismo herdado do século XIX, o ódio não é apenas um pecado, mas o pecado por excelência. A definição romântica do homem mau é o que tem ódio no coração. A contrário sensu, a virtude por excelência é a bondade, e por isto todos os pecados têm sua atenuante se cometidos por uma pessoa de "bom coração". É freqüente ouvirem-se frases como esta: "pobre X, teve a fraqueza de se ‘casar’ no Uruguai, mas no fundo é muito boa pessoa, tem ótimo coração". Ou então: "pobre Y, deixou roubar em sua repartição, mas foi por excesso de bondade: ele não sabe dizer não, a ninguém".

O que vem a ser "um bom coração"? Evidentemente, começa por não ser um coração propriamente dito, mas um estado de espírito. Tem "bom coração" quem experimenta em si, muito vivamente, o que sofrem os outros. E que, por isto mesmo, nunca faz sofrer a ninguém. É por "bom coração" que uma pessoa pode deixar sistematicamente impunes as más ações de seus filhos, permitir que a anarquia invada a aula em que leciona, ou os operários que dirige. Uma reprimenda faria sofrer, e a isto não se resolve o homem de "bom coração", que sofre ele mesmo demais, em fazer os outros sofrer. O "bom coração" sacrifica tudo a este objetivo essencial, de poupar sofrimento. Se vê alguém queixar-se do rigor do Decálogo, pensa imediatamente em reformas, abrandamentos, interpretações acomodatícias. Se vê alguém sofrer de inveja por não ser nobre, ou milionário, pensa logo em democratização. Juiz, sua "bondade" o levará a sofismar com a lei para deixar impunes certos crimes. Delegado, fechará os olhos a fatos que seu dever funcional lhe imporia que reprimisse. Diretor de prisão, quererá tratar o sentenciado como uma vítima inocente dos defeitos da época e do ambiente; e, em conseqüência, instaurará um regime penal que transformará a casa de correção em ponto de encontro de todos os vícios, em que a livre comunicação entre sentenciados exporá cada um ao contágio de todos os vírus que ainda não tem. Professor, aprovará sonolenta e bonacheironamente alunos que no máximo mereceriam 2 ou 3. Legislador, será sistematicamente propenso a todas as reduções de horas de trabalho, e a todos os aumentos de salário. Na política internacional, será a favor de todos os "Munique" de todas as capitulações imprevidentes, preguiçosas, imediatistas desde que sem dispêndio de energia salvem a paz por mais alguns dias.

Subjacente a todas estas atitudes, está a idéia de que no mundo só há um mal, que é a dor física ou moral: em conseqüência, bem é tudo quanto tende a evitar ou a suprimir sofrimento, e mal é o que tende produzi-lo ou agrava-lo. O "bom coração" tem uma forma especial de sensibilidade, pela qual se emociona à vista de qualquer sofrimento, e defende todo e qualquer indivíduo que sofre, como se ele fosse vítima de uma injusta agressão. Dentro desta concepção, "amar ao próximo" é não querer que ele sofra. Fazer sofrer o próximo é sempre e necessariamente ter-lhe ódio.

Daí advém para o homem de "bom coração" uma psicologia muito especial. Todos os que têm zelo pela ordem, pela hierarquia, pela integridade dos princípios, pela defesa dos bons contra as investidas do mal, são desalmados, pois "fazem sofrer" com sua energia os "pobres coitados" que "tiveram a fraqueza" de cair em algum deslize.

E se em relação a todos os pecadores da terra o homem de "bom coração" tem tolerância, é muito explicável que odeie o homem de "mau coração" que "faz sofrer os outros".

Estas são as linhas gerais em que se pode sintetizar um estado de espírito muito freqüente. Claro está que apontamos um caso em tese. Graças a Deus, só um número relativamente pequeno de pessoas é que em todos os campos chega a estes extremos. Mas é freqüente encontrar gente que em diversos pontos age inteiramente assim.

E constituem multidão aqueles em que se encontram pelo menos laivos deste estado de espírito.

Ainda aqui, alguns exemplos são esclarecedores. Para mostrar quanto este mal está entranhado no brasileiro, escolhamos esses exemplos em maneiras de falar e de sentir comuns entre católicos.

Para que se entenda bem o que há de errado nos exemplos que vamos dar, comecemos por lembrar rapidamente qual é neste assunto a autêntica doutrina católica.

Para a Igreja, o grande mal neste mundo não é o sofrimento, mas o pecado. E o grande bem não consiste em ter boa saúde, mesa farta, sono tranqüilo, em gozar honras, em trabalhar pouco, mas em fazer a vontade de Deus. O sofrimento é certamente um mal. Mas este mal pode em muitos casos transformar-se em bem, em meio de expiação, de formação, de progresso espiritual. A Igreja é Mãe, a mais terna, a mais solícita, a mais carinhosa das mães. Dela se pode dizer, como de Nossa Senhora, que é Mater Amabilis, Mater Admirabilis, Mater Misericordiae. Assim, ela procurou sempre, procura hoje, até o fim dos séculos procurará quanto possa afastar de seus filhos, e de todos os homens, qualquer dor inútil. Mas nunca deixará de lhes impor a dor, na medida em que a glória de Deus e a salvação das almas o peçam. Ela exigiu dos mártires de todos os séculos que aceitassem os tormentos mais atrozes, ela pediu aos cruzados que abandonassem o conforto do lar para arrostar mil fadigas, combates sem conta, a própria morte em terra estranha. E ainda em nossos dias ela pede aos missionários que se exponham a todos os riscos, a todas as fadigas, nos rincões mais inóspitos e longínquos. A todos os fiéis, pede ela uma luta incessante contra as paixões, um esforço interior contínuo para reprimir tudo quanto é mau. Ora, tudo isto supõe sofrimentos de tal monta, que a Igreja os considera insuportáveis para a fraqueza humana, a ponto de ensinar que, sem a graça de Deus, ninguém pode praticar na sua totalidade, e duravelmente, os Mandamentos.

Todos estes sofrimentos, a Igreja os impõe com prudência e bondade, é certo, mas sem vacilação, nem remorso, nem fraqueza. E isto, não apesar de ser boa mãe, mas precisamente porque o é. A mãe que sentisse remorso, vacilasse, fraquejasse ao obrigar seu filho a estudar, a se submeter a tratamentos médicos penosos mas necessários, a aceitar punições merecidas, não seria boa mãe.

 Este procedimento, a Igreja o espera também de seus filhos, não só em relação a si mesmos, mas ao próximo. É justo que nos dispensemos de dores inúteis e evitáveis. Devemos ter para com o próximo entranhas de misericórdia, condoendo-nos com seus padecimentos, e não poupando esforços para os aliviar. Entretanto, devemos amar a mortificação, devemos castigar corajosamente nosso corpo e, principalmente, combater com afinco, clarividência, meticulosidade os defeitos de nossa alma. E como o amor do próximo nos leva a desejar para ele o mesmo que para nós, não devemos hesitar em fazê-lo sofrer, desde que necessário para sua santificação.

* * *

Ora, na aplicação destes princípios é fácil apontar muitos desvios ocasionados pela concepção romântica do "bom coração".

É "bom coração" ter certa condescendência para com formas veladas de divórcio, por pena dos cônjuges, ser pela abolição dos votos religiosos e do celibato sacerdotal, por pena das pessoas consagradas a Deus, considerar com laxismo os problemas ligados à limitação da prole por pena da mãe, etc. Em outros campos, o "bom coração" consiste em ser contra as polêmicas ainda que justas e temperantes, contra o Index, contra o Santo Ofício, contra a Inquisição ( ainda que sem os abusos a que deu ocasião em alguns lugares ), contra as Cruzadas, porque tudo isto faz sofrer. Em outros campos ainda, o "bom coração" consiste em não falar de demônio, nem de inferno ou de purgatório, em não avisar aos doentes que a morte está próxima, em não dizer aos pecadores a gravidade de seu estado moral, em não lhes falar de mortificação, nem de penitência, nem de emenda, porque também isto faz sofrer. Já vimos um educador católico se manifestar contra os prêmios escolares porque fazem sofrer os alunos vadios! Como já vimos também associações religiosas tolerando em seu grêmio elementos perigosos para os associados e desedificantes para o público, porque a expulsão desses elementos os faria sofrer. Falar contra as modas e danças imorais, preconizar uma censura cinematográfica sem laxismo tudo isto em última análise parece descaridoso, porque "faz sofrer". Soubemos a este respeito de alguém que desaconselhava uma campanha contra os jornais imorais porque isto "faz sofrer" os editores cujas almas cumpre salvar!

* * *

Fizemos esta longa digressão para focalizar melhor o problema que de início formulávamos. Para o "bom coração", todo ódio é necessariamente um pecado. Dir-se-á o mesmo à luz da doutrina católica?

Pensando no perigoso furor da avalanche de "bons corações" de que o Brasil está cheio, quase não ousamos formular a pergunta. E certamente não responderemos por nós. Mas falaremos pela grande e autorizada voz de S. Tomás.

É o que faremos em próximo artigo”.

 

( “Catolicismo”, edição n.34, de outubro de 1953):

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cultura e civilização


 

 

Quando se procura conceituar os termos “Cultura” e “Civilização”, hoje em dia, apesar de muitos debates sobre o tema, cai-se num emaranhado de afirmações díspares e com definições diluídas e pouco convincentes. A cultura pode ser vista como qualquer manifestação do conhecimento humano, e aí ela deveria ser escrita com “c’ minúsculo. Genericamente, cultura é conhecimento, é ciência, é saber, mas estes conceitos se expandem e completam-se num termo amplo denominado Cultura, com maiúscula, onde o conhecimento humano se desenvolve em todo o seu ser. Por sua vez a cultura, qualquer que seja ela, deve tender a crescer, conseqüência lógica da constante busca do saber que é inato na natureza humana, e crescendo ela vai um dia juntar-se a outras culturas e formar um todo harmônico e lógico, formando uma Civilização. Eis porque o progresso científico e tecnológico deveria completar o desenvolvimento cultural, no bom sentido, promovendo a verdadeira Civilização.

Neste aprimoramento cultural, dentre as ciências que mais o homem necessita para seu convívio destaca-se o conhecimento jurídico, o resultado da aplicação dos conceitos de direitos e deveres na sociedade.  Disto depende, em larga medida, uma pacífica convivência social.  É no conhecimento e respeito que o homem tem ao direito de propriedade, por exemplo, que ele aprende e vive o verdadeiro senso de justiça, que é a noção do “meu” e do “teu” e seus limites.

 

As sociedades primitivas não possuem a plenitude da Cultura e da Civilização

O que vem a ser uma verdadeira Civilização? Existiu uma civilização grega? Romana? Egípcia? Evidente; mas estas civilizações não chegaram a atingir a sua plenitude. De modo geral aprimoraram certas ciências menores, e algumas poucas maiores, como a filosofia, assim bem como algumas artes como a arquitetura e a música.  Mas muito pouco, pois logo estagnaram. Somente na medida em que começaram a desenvolver certas ciências é que se aproximaram um pouco da Cultura em toda a sua plenitude. Mas nunca chegaram a desenvolver todos os conhecimentos culturais ao mesmo tempo e atingir a perfeição social possível requerida.

Por que? Porque a Civilização pode ser entendida como o estágio de progresso de um povo, representado pela vida social, artes e conhecimentos culturais ou mesmo científicos. Neste sentido não se pode dizer que determinado povo chegou a constituir uma Civilização se ele desenvolveu apenas alguns setores de sua alma, mas quando tendesse a atingir o ponto máximo da cultura e desenvolvimento social em todas as atividades humanas, desde as mais simples até as mais complexas artes e ciências. Tal estágio só foi alcançado pela Europa Medieval quando nela se desenvolveu a Civilização Cristã.  Desabrocharam-se na alma humana conhecimentos nunca antes imaginados e retomaram-se aqueles que algumas sociedades antigas tinham abandonado na estagnação.

Foi na Idade Média que mais se desenvolveu o relacionamento social harmônico (embora em meio a conturbações decorrentes da antiga barbárie e ainda não inteiramente superada pela recente conversão ao Cristianismo), fruto da Doutrina Social Católica aplicada a todo corpo social. Desenvolveram-se ao máximo todas as ciências maiores, como a filosofia, a teologia (antes quase inexistente), a metafísica e a própria antropologia, as artes de um modo geral, como a arquitetura, a música, a pintura, etc. Desenvolveram-se também uma infinidade de ciências menores, como a matemática, a gramática, a geografia, etc. Tendo como fundo de quadro uma literatura vasta e rica, o medieval foi o único povo (ou povos) que conheceu e viveu uma verdadeira Civilização.  Diz-se geralmente que o europeu medieval formou como que um povo, tal era a unidade que havia no continente. E isto pelo fato de haver um laço comum entre todas aquelas gentes que, com suas línguas e costumes diferentes, obtiveram uma unidade: este laço era a Religião Católica que os unia.

Que dizer, então, dos povos antigos? É verdade que, na medida em que respeitaram a lei natural, as manifestações do homem na Antiguidade anterior a Cristo podem ser entendidas como expressões da cultura e de uma civilização, mas incompletas e cheias de erros. Desde a antiga Babilônia ao Império Romano, passando pelo mundo grego, aqueles povos fizeram ressurgir algo de civilização, mas em muitas coisas incipientes. Um exemplo é o senso de propriedade privada ou mesmo os conceitos de direito que se firmaram apenas com o surgimento da Civilização Cristã.

Pode-se dizer o mesmo de algumas sociedades primitivas, tipo tribal, que tenham de algum modo respeitado as leis naturais. A propriedade coletiva entre os índios é um exemplo. Posto, porém, que a tendência do homem pagão para o desregramento das paixões é mais forte, a lei é facilmente desrespeitada e o mais comum é o estabelecimento de costumes bárbaros e desumanos, geralmente inspirados e insuflados pelos feiticeiros. Pois para dominar os impulsos das paixões descontroladas é necessário mais do que conhecimento e força de vontade: é imprescindível a educação da consciência religiosa para tornar o homem dócil às graças divinas. E sem a graça de Deus o pagão tende por força de suas más inclinações para a crença em ritos fetichistas, cultos demoníacos, antropofagia, e uma infinidade de baixezas. Os costumes são depravados com vícios baixos e animalescos, até chegar ao uso de drogas alucinógenas. A brutalidade de seus instintos descontrolados impele-os facilmente para a crueldade, a vingança, a inveja, levando-os a cometer banalmente os crimes mais hediondos.

Não é deixando-se levar pela natureza que se conhece o verdadeiro estado de direito. Deus deixou ao homem a “lei natural”, por onde ele pode medir o seu comportamento e fazer o bem e evitar o mal. Mas isto não é suficiente para formar elementares conceitos de justiça e equidade, de molde a favorecer a concórdia de um bom convívio social. Resultado: a convivência, por não ser guiada pela consciência religiosa da retidão de alma, facilmente propende para as guerras. Como a paz social é ponto máximo a que se deve almejar uma verdadeira Civilização, já de per si um costume próprio a ela (a guerra, principalmente se for injusta ou por motivo fútil) não faz com que a vida primitiva se constitua uma civilização autêntica. Do mesmo modo não há verdadeira Cultura.

 

A Civilização e nossos sentidos

Para conhecer e amar a Deus, que encheu a Natureza de seus vestígios para que pudéssemos conhecê-LO e um coração humano propenso à bondade para amá-Lo, dispôs Ele no homem cinco sentidos. Mas tais sentidos não devem se limitar às suas funções primárias. Desta forma, a boca não se destina apenas a falar e deglutir, mas também para apetecer alimentos mais condimentados, para apurar mais o gosto, e usar as cordas vocais para entoar cânticos, louvores, recitar coisas artisticamente elaboradas pela inteligência. E assim são todos os outros sentidos, cada qual podendo ser usado pelo homem para algo mais sublime do que as suas simples funções primárias.  A visão para apreciar obras de arte, a audição para ouvir cantos e músicas que causem enlevo, o olfato para cheirar perfumes e aromas agradáveis, etc.

Qual a causa disto? É que o homem deve procurar os vestígios de Deus nas coisas criadas que estão ao seu redor, mas sempre buscando-O de uma forma mais perfeita, pois o homem não é só imagem mas semelhança de Deus. Assim, o gosto das comidas não deve se resumir só em mastigar e engolir os alimentos; a fala não deve se resumir na comunicação vocal entre os homens, etc.

O homem civilizado e cristão, ademais, é dotado de um dom, sobrenatural, com que ele se utiliza destes sentidos de uma forma moderada, comedida e sapiencial, e com isto busca também a Deus em coisas mais superiores que são as do espírito. O homem primitivo, pelo contrário, não apetece algo mais sublime do que empanturrar a barriga, músicas mais suaves do que folhas ou paus roçando uns nos outros e o rufar abafado dos rústicos tambores. E a arte? Nada há de mais rude e grotesco do que os penduricalhos nas orelhas, rasgando-as, dilacerando-as, ou então as tatuagens que deformam o corpo humano, sendo este mais do que vestígio pois é a própria imagem e semelhança de Deus.

 

O que é Cultura; o que é Civilização

A Civilização por excelência é a Católica; a Cultura por excelência também é a Católica. Portanto, somente sendo católicos teremos verdadeira cultura e verdadeira civilização. Não há melhor definição para Cultura e Civilização do que a encontrada na obra “Revolução e Contra-Revolução”, do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira:

“...o elemento fundamental da cultura católica é a visão do universo elaborada segundo a doutrina da Igreja. Essa cultura compreende não só a instrução, isto é, a posse dos dados informativos necessários para uma tal elaboração, senão também uma análise e uma coordenação desses dados conforme a doutrina católica. Ela não se circunscreve ao campo teológico, ou filosófico, ou científico, senão que abarca todo o saber humano, se reflete na arte e implica a afirmação de valores que impregnam todos os aspectos da existência”.[1]

Só se é verdadeira Cultura por causa de tais princípios, o que destoa das culturas (com “c” minúsculo) pagãs, da Antiguidade ou indígenas, que desenvolveram (quando o fizeram) apenas alguns aspectos do saber humano. Eis a definição principal:

“Civilização católica é a estruturação de todas as relações humanas, de todas as instituições humanas, e do próprio Estado, segundo a doutrina da Igreja.

“De todos estes dados é fácil inferir que a cultura e a civilização católica são a cultura por excelência e a civilização por excelência”.[2]

Como a Igreja tem por objetivo levar o homem a Deus, a verdadeira Civilização deve ser fruto da doutrina da Igreja, a qual somente desta forma conseguirá levar o homem ao seu fim último, que é a construção do Reino de Deus aqui na terra, reino não só espiritual mas também temporal. Pode-se também dizer que a Civilização deverá ser o amor de Deus posto em prática no convívio social. E assim, o egrégio pensador católico acima citado afirma em outra oportunidade:

“Há nos desígnios da Providência uma relação íntima entre a vida terrena e a vida eterna. A vida terrena é o caminho, a vida eterna é o fim. O Reino de Cristo não é deste mundo, mas é neste mundo que está o caminho pelo qual chegaremos até ele.

“Pode-se dizer que o Reino de Cristo se torna efetivo na terra, em seu sentido individual e social, quando os homens no íntimo de sua alma como em suas ações, e as sociedades em suas instituições, leis, costumes, manifestações culturais e artísticas, se conformam com a Lei de Cristo.

“Se Jesus Cristo é o verdadeiro ideal de perfeição de todos os homens, uma sociedade que aplique todas as suas leis tem de ser uma sociedade perfeita, a cultura e a civilização nascidas da Igreja de Cristo têm de ser forçosamente, não só a melhor civilização, mas a única verdadeira. Di-lo o Santo Pontífice Pio X: “Não há verdadeira civilização sem civilização moral, e não há civilização moral senão com a verdadeira religião” (Carta ao Episcopado Francês, de 28.08.1910, sobre “Lê Sillon”).  De onde decorre com evidência cristalina que não há verdadeira civilização senão como decorrência e fruto da verdadeira Religião...”[3]

 



[1] “Revolução e Contra-Revolução” – Plínio Corrêa de Oliveira -  Edições “Diários das Leis”, novembro de 1992, págs. 107/108
 
[2] op. cit. pág. 108
[3] Artigo “A Cruzada do Século XX”, de Plínio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, janeiro de 1951.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Feminismo, movimento artificial de elite que explora a luta sexual



 

Segundo uma versão criada pela esquerda, no Dia 8 de março de 1857 operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação teria sido reprimida com violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada (não se sabe por quem). Aproximadamente 130 tecelãs teriam  morrido carbonizadas, num ato totalmente desumano. O que é estranho é que fato tão monstruoso não tenha sido prontamente divulgado pelo mundo todo e logo provocado protestos e revoltas.

Durante dez anos a escritora canadense Renée Côté pesquisou em diversos artigos e fontes da Europa, Estados Unidos e Canadá e não encontrou nenhum rastro ou prova de que referida greve e consequente tragédia tenham realmente acontecido.  O livro de Renée, publicado em 1984,  intitulado “La Journee internationale des femmes, ou, Les vrais faits et les vraies dates des mysterieuses origines du 8 mars jusqu'ici embrouillees” - “O Dia Internacional da Mulher – Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas”, serviu como base de estudos para a brasileira Dolores Farias da UFCE (Universidade Federal do Ceará), que também reafirma que a data não passa de um mito. As Autoras deduziram então que  tais acontecimentos foram inventados pelos movimentos feministas para incriminar o capitalismo e o machismo usando as mulheres da história como supostas vítimas. Trata-se de um mito criado para causar confusão e pregar o ódio sexual.

A primeira menção sobre essa greve apareceu no jornal do Partido Comunista Francês, no dia 7 de Março de 1955 e sem nenhum dos detalhes que seriam usados para dramatizar a história posteriormente.

Os sites esquerdistas brasileiros “A Nova Democracia”, "Piratininga" e "PSOL SP" assumem publicamente que essa data é um mito e um deles afirma que “A celebração do 8 de março se tornou uma das mais fortes tradições do movimento popular, revolucionário e comunista em todo o mundo, e um dos mais importantes símbolos da luta de libertação da classe operária.”, ou seja, é uma data para comemorar a degradação da mulher tão inerente ao socialismo e o feminismo.

No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857,  embora não tenha sido mostrado comprovação de que aquilo de fato ocorreu.. Em 1975 a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Ao longo destes anos a data simplesmente é cada vez mais apimentada com reinvidicações assemelhadas para criar mais impacto.


O poder, inclusive das armas

No início do século XXI já se nota certa predominância de mulheres em cargos, antes tidos como exclusivos dos homens. Predominância em certo sentido, porque na maioria dos postos de direção e mando ainda há completo domínio masculino.  Assim, em países ocidentais, como o Brasil, já se vê um grande número de delegadas de polícia, de policiais femininas e de juízas.  Já se vê também mulheres como juízas de futebol, embora sejam poucas as que o exerçam. A quantidade de mulheres em algumas atividades não chega a superar a dos homens, embora já haja grande predomínio feminino nas empresas comerciais e até bancárias, mas mesmo assim (havendo maioria apenas em alguns setores), uma certa mídia ávida por novidades nesta área propaga aos quatro ventos que as mulheres estão tomando os lugares dos homens.  “Tomar o lugar dos homens”  é uma expressão que reflete bem o exagero dessa corrente... Pois não é em tudo que há tal predomínio.

Um exemplo é a polícia. A "Folha de São Paulo", de 20.07.03, publica reportagem em que dá destaque ao caso de quatro mulheres que chegaram ao cargo de comandantes de batalhões, todas com a patente de tenente-coronel. A Polícia Militar de São Paulo possui 83 batalhões, sendo portanto insignificante o número deles comandados por mulheres (menos de 5%).  De um efetivo de 91 mil policiais, existem 8.200 mulheres, um percentual de 9%.

É preciso que se frise também em que áreas, de modo geral, estas policiais atuam.  A maioria é chamada para o "policiamento feminino", isto é, dão combate às criminosas e se responsabilizam pelas prisões delas. Trabalham também em delegacias femininas, corpos de bombeiros, em prisões de mulheres, etc. Apenas 112 trabalham na tropa de choque. A polícia vez por outra as escala para acompanhar diligências perigosas, junto com policiais masculinos.  Em alguns casos, tem havido falhas gritantes na operação e a presença feminina traz insegurança aos outros policiais. Na Bahia, por exemplo, a polícia registrou alguns casos em que policiais femininas saíram à caça de pivetes, pequenos ladrões como batedores de carteira, e, ao se considerarem correndo risco de vida, atiraram inopinadamente e mataram os elementos que estavam perseguindo. Sentindo-se fraca para enfrentar e dominar o marginal, e portando uma arma de fogo, o último recurso é usá-la.

No caso das quatro comandantes da PM paulista, alguns dados são dignos de registro. Três delas, duas por opção e uma sem dizer o motivo, não têm filhos, embora sejam casadas há muitos anos. A quarta tem dois filhos e é casada com um capitão da PM.  Surge a pergunta:  será que esta atividade, tão viril e própria dos homens, não despersonaliza a mulher, a ponto de lhe tirar até mesmo o desejo de ter filhos e cumprir seu papel no lar como mãe de família?

A questão do “mercado de trabalho”

Trata-se de um dos temas mais discutidos pelas feministas: a alegação de que as mulheres (assim como os pretos e os homossexuais) são em geral preteridos na procura de emprego em benefício dos homens (ou dos brancos e dos heterossexuais). De modo geral, essa questão é levantada de uma forma açodada, sem muitos dados concludentes, apenas com visível intuito de provocar a revolta feminina contra o que denominam de “supremacia masculina”.

Não mencionam, por exemplo, que as mulheres, por índole, são propensas a assumir os cargos mais suaves e menos rigorosos. Isso em decorrência da própria fragilidade de sua compleição física. Os profissionais do volante, por exemplo, são homens em sua grande maioria: vêem-se poucas mulheres dirigindo táxis, ônibus e caminhões. Não é porque elas são preteridas em benefício dos homens, mas sim porque elas mesmas não procuram tais profissões.

No entanto, hoje o chamado “mercado de trabalho” tem mais preconceito contra os homens, os quais são em geral preteridos em favor das mulheres. Basta que demos uma olhada nas lojas dos shoppings, nos escritórios, nos bancos ou até mesmo entre vendedores. Da mesma forma, vem crescendo o interesse das mulheres por cargos chamados “elitizados”, quais sejam, os de nível superior ou de empresárias.  Segundo dados revelados pela “London Business School” e pelas instituições americanas Kauffaman Center for Entrepreneurial Leadership e Babson College (um relatório chamado Global Entrepreneurship Monitor Report) , mostram que o percentual de mulheres “empreendedoras”  (empresárias em geral) já atinge 50% do mercado.  Não se revela os dados sobre o percentual de assalariados, mas está ultimamente em escala ascendente para as mulheres.

Segundo a revista “Época”  (de 1.03.2004) , “...Para muitas famílias que perderam a fonte de renda habitual, abrir um negócio próprio  virou a única alternativa de ocupação. O número de lares comandados por mulheres chefes de família mais que dobrou nos últimos 50 anos, e eles hoje respondem por boa parte da expansão feminina na livre-iniciativa”.

Assim, constata a própria revista, é o desemprego dos homens (hoje preteridos em favor das mulheres) que está provocando a ascensão das mulheres no ranking da iniciativa privada. No entanto, faltam dados a respeito de outro fenômeno (abaixo analisado) que ocorre, principalmente na sociedade brasileira: é cada vez maior o número de mulheres cursando universidades, em alguns casos (como em Direito) ultrapassando em muito o dos homens. É que elas se preocupam mais em ocupar cargos mais leves, em concursos públicos ou em concorrências nas grandes empresas. Vê-se hoje uma grande quantidade de mulheres como juízas, delegadas, diretoras de empresas, etc. Poucas, no entanto, como é óbvio, não se dispõem a cursar faculdades onde se exigem mais dedicação em trabalhos de esforço físico.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo”, de 08.03.2005, as mulheres universitárias ultrapassam em 30% aos homens. Os dados divulgados pelo próprio MEC  são de 2002, ano em que estavam matriculados em cursos superiores no Brasil, 1.966.283 mulheres contra apenas 1.513.630 homens.  No entanto, embora detenham mais cursos superiores, o “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, divulgado pelo Instituto Ethos, revela que as mulheres ainda ocupam cargos de menor importância.

Embora a pesquisa da Ethos seja pobre em dados mais precisos, um deles se ressalta: apenas 9% das mulheres ocupam cargos de diretoria nas aludidas empresas. Este índice vai aumentando a medida que os cargos vão diminuindo de importância.  Então, a conclusão deveria ser esta: quando se trata da competitividade na ordem prática, a mulher perde; embora ganhe na ordem teórica, a da formação universitária.

Muitas são as queixas de que existe certa discriminação contra a mulher na hora da escolha de empregos mais bem remunerados.  No entanto, ao contrário dos homens (que perdem na competição por empregos em vários setores, como o comercial, de vendas varejistas, bancários, etc.), as mulheres têm a seu favor vários “lobbyes” que lutam por elas, como políticos engajados em suas campanhas eleitorais, ONGs como “Grupos de Executivas de São Paulo”, a “Women’s Network” e a própria ONU.  Como se explica, então, que, mesmo sendo elas a maioria dos que possuem cursos superiores (15% de mulheres contra 11% de homens universitários, conforme afirma a “Folha”) e tendo tantas organizações que lutam a seu favor (sendo que a favor dos homens não existe uma sequer), ainda assim, afirmam certas organizações feministas que a mulher é minoria no mercado de trabalho?  Como se vê, trata-se de uma grande mentira, dita com o propósito de alimentar o clima de revolta da mulher contra o homem.   

Não tem sentido, portanto, a alegação de que existe um “preconceito” contra as mulheres, originado do que a mídia chama de “machismo”. Pelo contrário, há uma tendência “feminista”  no mercado de trabalho, pelo qual sempre se prefere dar emprego às mulheres em detrimento dos homens.


O opróbrio que sofrem as mulheres nos últimos tempos

Opróbrio, ignomínia, afronta infamante, grande desonra, é uma situação em que a pessoa sente uma intensa vergonha por causa de ato praticado ou de seu estado perante os demais.  Sofre opróbrio a pessoa que vive em extrema pobreza, por exemplo, sendo obrigada a pedir esmolas ou o que comer. E se esta pobreza provém de uma nobreza decaída, o opróbrio é maior ainda. Pois sofre mais aquele que decai na pobreza do que aquele que já nasceu nela. Sofre-o também a jovem que se vê engravidada sem haver se casado. E quando a gravidez é fruto de um estupro, o sofrimento torna-se mais ignominioso e humilhante. Este tipo de opróbrio (da simples gravidez) é mais comum à mulher, pois não é em seu estado de gravidez que há ignomínia ou desonra, mas no fato de haver praticado um ato só permitido no casamento, fazendo com que as outras pessoas a vejam como prostituta ou mulher de maus costumes, caso não tenha sido violentada, evidentemente. Este opróbrio é agravado, nestes últimos tempos, pelo fato do companheiro que a engravidou deixar a mulher em completo abandono.

Além de serem fáceis objetos do comércio carnal e da chamada escravidão branca, nunca houve em outra época tantas denúncias de opróbrios sobre as mulheres como em nossos dias. Embora o dito movimento feminista às vezes proteste contra tais opróbrios, torna-se inócuo tal protesto pois não é feito geralmente com a força de impacto com que realizam outros, ditos feministas. Um exemplo deste opróbrio vemos na China, onde a mulher é tão desprezada que existe uma superstição pagã que manda simplesmente matar o primeiro filho se este for mulher. E as autoridades comunistas de Pequim fecham os olhos para essa barbárie, em nome da contenção do crescimento populacional, ao lado de estímulo ao aborto e de outros recursos antinaturais e desumanos postos em prática.

Em algumas províncias da China, longe dos holofotes da mídia internacional, ocorrem cenas de terror contra mulheres grávidas. Na cidade de Linyi, por exemplo (v. “Veja”, 09.11.2005), houve uma grave denúncia: funcionários do governo estavam obrigando pela força a milhares de mulheres a praticar o aborto, algumas inclusive no nono mês de gravidez. Foram constatadas cenas de terror. Uma das mulheres foi violentamente agarrada em sua própria casa pelos agentes do governo, os quais aplicaram nela uma injeção abortiva. Em várias casas onde havia mais de um filho, as mulheres simplesmente foram levadas à força para as clínicas de esterilização. Aquelas que resistiam, ou os parentes que ameaçavam denunciar tais violências, eram presos e torturados.   O governo não é só conivente com tais brutalidades, mas promove e concede benefícios aos funcionários que administram as províncias onde estão caindo o número dos nascimentos.

 Estupro, arma de guerra

O estupro sistemático tem sido muito usado como arma de guerra nos últimos tempos. Embora em outras guerras do passado tenha sido muito empregado, no entanto hoje em dia o estupro tornou-se o recurso mais sistemático das tropas em guerra. Nas guerras de Kosovo, na Croácia, por exemplo, os casos de estupro chegaram a um número avultado, escandaloso e indignante. Mas ocorrem casos também nas tropas americanas, como foi denunciado por ocasião da invasão do Iraque em 2003.

O Congo é considerado como o país que atingiu o primeiro lugar em casos de estupros cometidos por soldados em guerra. Todas as forças militares em guerra o praticam, sejam as dos rebeldes sejam as do próprio governo. Como muitos homens morreram em combates, as mulheres enviuvadas são forçadas a tomar o lugar do marido nos negócios da família. De modo geral, estes trabalhos são exercidos na lavoura ou nas florestas, onde produzem o carvão vegetal. É comum as mulheres serem raptadas em seu local de trabalho e levadas para um local onde são mantidas como verdadeiras escravas. Em seu cativeiro, são obrigadas a prestar serviços domésticos aos soldados, pelos quais são costumeiramente estupradas e violentadas de outras formas.

Outras, ao fugirem do campo, vão para a cidade em busca de auxílio, mas logo os soldados as descobrem e se servem delas com o mesmo objetivo: serviços domésticos e utilidade sexual. Em muitos casos, algumas tropas se utilizam do estupro de uma forma sistemática, cujo objetivo estratégico é causar mais males e desespero aos familiares das tropas inimigas. Em alguns casos, os próprios filhos delas são seqüestrados e levados para tornarem-se futuros soldados, ou então até mesmo para escravos sexuais entre os soldados quando alcançarem a idade mais adulta. Este é um dos principais motivos de grande propagação da AIDS naquela região, pois tamanha promiscuidade é um dos fatores de propagação da doença.   (“Folha de São Paulo”, 07.12.2003, A-27).

Relatório da Anistia Internacional, divulgado em março de 2004, informa (um dado exagerado, como o é a própria ONG) que 20% das mulheres são alvo de estupro em todo o mundo. E isto não ocorre somente nos países do Terceiro Mundo. Nos Estados Unidos e na França a proporção de mulheres agredidas e estupradas é alarmante. O ator inglês Patrick Stewart chega a acusar Hollywood de estimular a violência contra as mulheres ao expor com exagero muitas cenas do tipo em seus filmes.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, declarou que a violência cometida contra as mulheres hoje em dia “é um escândalo revoltante”.  Em entrevista à “Folha de São Paulo” declarou que a violência contra a mulher é uma doença grave e um escândalo revoltante. Porque a militante daquela ONG chama isso de doença? Falta ela definir que tipo de doença é essa: seria uma tara sexual que aumenta cada vez mais em nossos dias?  (FSP, 06.03.2004). 

As mulheres na guerra

Notícia do jornal “Folha de São Paulo”, de 08.03.2002: “Cresce ação de mulheres como combatentes”.  O número de mulheres combatentes está aumentando, segundo estudo da Cruz Vermelha. Conforme declarações do coordenador do projeto “As Mulheres e a Guerra”, da Cruz Vermelha, Charlotte Lindsey, “não se deveria presumir que, em situações de guerra, as mulheres sempre fazem parte da população civil. Casos conhecidos ocorridos em Ruanda, por exemplo, demonstram que as mulheres foram cúmplices e participantes em atos terríveis cometidos durante o genocídio (1994)”.  O que força as mulheres a serem mais violentas quando investidas do caráter militar é exatamente sua fraqueza: impotentes de subjugar os contrários por outros meios, sentem-se no dever de se defender usando armas e matando.

Segundo Lindsey, as mulheres estão ativamente envolvidas em muitos conflitos armados em todo o mundo e tiveram um papel importante em diversas guerras durante a história.  Durante a segunda guerra mundial, elas se destacaram em unidades de apoio ou reserva nas forças alemãs e britânicas. As russas chegaram a participar diretamente do conflito como combatentes: eram 8% das forças armadas da Rússia.

Hoje, no exército dos Estados Unidos, 14% são mulheres. Cerca de 14 mil delas lutaram na guerra do Golfo em 91. Em guerras de guerrilhas, chamadas de “libertação”, elas também tiveram papel saliente. Na Nicarágua, elas chegaram a representar 30% do exército sandinista, e algumas chegaram até ser comandantes.

Afirma ainda Lindsey que existem leis internacionais para oferecer proteção especial para mulheres envolvidas diretamente em conflitos armados. Mas existe o “princípio da não-discriminação que exige que as partes de um conflito dêem o mesmo tratamento e proteção a todos, sem distinção, incluindo de sexo...”  No entanto, as Convenções de Genebra contêm várias provisões garantindo proteção adicional específica às mulheres.

Mas há contradições. A Terceira Convenção de Genebra, por exemplo, determina que as prisioneiras de guerra “devem em todos os casos se beneficiar de tratamento não favorável quanto o dedicado aos homens”, e no entanto  exige que mulheres fiquem em dormitórios separados, tenham instalações sanitárias próprias, sejam supervisionadas por mulheres”, etc. (“Folha”, 08.03.2002). Coisa que o feminismo abomina, pois estabelecendo que as mulheres são iguais aos homens, e como tal devendo ser tratadas da mesma forma, não suportam que em alguns casos elas sejam tratadas de forma diferente deles.


A “circundação” feminina

Um outro problema vergonhoso para as mulheres em nosso século é o costume da mutilação genital, existente em alguns países muçulmanos.  Calcula-se que a cada dia são mutiladas 6 mil mulheres, cerca de 2 milhões ao ano, em ao menos 28 países africanos e asiáticos. "Os circundadores usam, sem anestesia, tesouras, cacos de vidro, lâminas e facas. Os instrumentos quase nunca são esterilizados. Cerca de 15% das mulheres submetidas à MGF (Mutilação Genital Feminina) - em geral à força - morrem durante o ato.

"Em algumas regiões da África Ocidental, cinzas ou fezes de animais são colocadas no ferimento para acabar com o sangramento, o que aumenta a incidência de infecções graves e outras doenças.

"Na Guiné, as meninas da tribo Cognani são obrigadas a dançar após a mutilação genital, a fim de mostrar que não sentem dor". ("Folha de São Paulo", 18.11.2001, Caderno "A", pág. 23).

Mas este problema não só existe entre os muçulmanos. Aqui mesmo no Brasil temos várias clínicas especializadas em mutilação feminina, muitas delas extirpando órgãos importantes da procriação, como trompas e o próprio útero. Um médico baiano especialista nisso, Elsimar Coutinho, mantém em Salvador um instituo financiado pela ONU e órgãos governamentais, denominado “Centro de Reprodução Humana”, na realidade um local destinado a experiências “científicas” com as pobres mulheres que o procuram. Tais experiências, idênticas às que os nazistas faziam, não sofre nenhuma fiscalização ou restrição do poder público. O falso cientista, Elsimar Coutinho, chegou a declarar à imprensa que o útero é um órgão descartável e que é preciso acabar com o sofrimento do ciclo menstrual feminino. Como? Extirpando simplesmente o útero...


Amor-bandido

Um dos sintomas mais reveladores da grande decadência moral de nossa época é o fenômeno que a mídia chama de "amor bandido", fruto do excessivo romantismo que invade todas as esferas sociais, mas que atinge mais as mulheres.  Quando um marginal se destaca na mídia, seja ou não pelos seus requintes de maldade e crimes, imediatamente surge uma grande quantidade de mulheres que lhe procura para um romance amoroso. Charles Manson, um famoso assassino que matou a atriz Sharon Tate nos EUA num ritual satânico e foi condenado á prisão perpétua, tem tantas admiradoras que criaram um "fã clube" de fanáticas amantes. Até mesmo criminosos que se encontram no famoso "corredor da morte", nos Estados Unidos, a espera de serem executados, despertam a paixão destas infelizes mulheres

No Brasil, tivemos o caso de uma conhecida jornalista e apresentadora de TV, Marisa Raja Gabaglia, que teve um rumoroso caso com um famoso criminoso, o médico Hosmany Ramos, mesmo estando ele na cadeia. Um outro criminoso que despertou o interesse de muitas moças foi o que se denominou de "Maníaco do Parque", um assassino frio que estuprava as mulheres antes de as matar, crimes cometidos no Parque do Estado em São Paulo. Uma de suas admiradoras chegou a declarar: "Ele me faz sonhar".  O enterro do bandido Leonardo Pareja, em  1996, teve lances dramáticos e tristes: uma de suas namoradas agrediu uma rival, demonstrando a insanidade de tal romance. O mesmo bandido havia provocado anteriormente um clima de paixão coletiva no interior baiano entre jovens e adolescentes.

Na Bahia, houve um caso recente: revelou-se que a namorada de um bandido era nada menos que uma universitária de classe média, Flávia Passos Sampaio, que foi inclusive acusada de ajudar o marginal a cometer um de seus crimes. Psicólogos e especialistas estudam a razão deste fascínio que homens maus exercem sobre certas mulheres, a ponto de lhes despertar o desejo amoroso. Segundo o antropólogo Roberto Albergaria, "fugir do previsível - que também é representado pelo homem "certinho", "bonzinho", "babaca", diante desta ótica - é a meta, geralmente inconsciente, de muitas delas". Quer dizer, o motivo alegado para ser amante de um bandido é apenas contrariar a sociedade e deixar de ser "bonzinho".  O ideal passa a ser o banditismo.

Muitos casos poderiam ser aqui relatados, como por exemplo, o da universitária Márcia Maleckas Carrasco, que cursava engenharia elétrica na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e resolveu chamar seu namorado para fazerem um seqüestro com objetivo de extorsão. O dramático episódio é relatado pela revista “Veja”, edição de 15.05.1996, que culminou com a prisão em flagrante do inexperiente casal de bandidos. O caso mais rumoroso e absurdo ocorrido no Brasil, foi o da jovem Suzane Louise Richthofen, com 19 anos, que arquitetou com o namorado Daniel Cravinhos, 21 anos, a morte de seus próprios pais.  (v. "A Tarde", de 18.07.2003). A diferença é que esta se transformara também numa bandida e assassina...