SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sábado, 10 de dezembro de 2016

COMENTÁRIOS DE DR. PLINIO SOBRE A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA (14)



A Santa Casa de Loreto

Hoje é festa da transladação da Santa Casa de Loreto (Itália), a casa de Nossa Senhora em Nazaré, onde Jesus passou sua adolescência, de volta do Egito. Sua relíquia se venera em nossa Capela.
A respeito da transladação da Santa Casa de Loreto, há este fato narrado por Rohrbacher:
“Desejava-se enriquecer a Santa Casa de Loreto, realizando nela algumas melhorias, mas os arquitetos que iniciavam nela qualquer trabalho sofriam estranhos castigos que os obrigavam a abandonar o que haviam empreendido. Finalmente, o Papa Clemente VII [Giulio de Medici (1478-1534; pontificado de 1523 a 1534)] ordenou expressamente ao Clérigo de Ventura Perini, entendido no oficio, uns certos trabalhos, explicando à Santíssima Virgem que era ordem do Papa.
Perini, depois de passar três dias em jejum e oração, obedeceu. Acompanhado de grande multidão, aproximou-se da casa, ajoelhou-se e disse: ‘Com confiança, peço-te ó Santa Casa, da mais pura das virgens, que me perdoe; não é por mim que martelarei as paredes sagradas, mas a mando de Clemente, Vigário de Jesus Cristo, todo ele no ardor que o anima de te embelezar. Permita, ó Maria, que possa me desincumbir do que for necessário’. E as obras continuaram normalmente”.
O fato é verdadeiramente magnífico porque ele indica que Nossa Senhora quis que a jurisdição do Vigário do Filho d’Ela sobre todas as coisas sagradas, e mais especialmente das coisas relevantemente sagradas, que a jurisdição do Vigário do filho d’Ela ficasse bem clara a propósito desse fato.
Tratava-se de tocar na Casa de Loreto, mas não havia uma licença explícita do Papa. E assim, todos os trabalhos se baldavam até que a licença veio. Vindo a licença do Papa, então a coisa se deixou fazer. Ou seja, é uma espécie de graciosa, magnífica e significativíssima manifestação do Poder das Chaves, do poder de ligar e desligar, de mandar, de decidir, de governar todas as coisas, manifestação essa que afirma a realeza do Papa sobre todas as coisas da Igreja. Realeza tão augusta e tão sagrada que Nossa Senhora, nesse episódio, toma ares de se conformar com essa realeza. E esses ares Ela tomou porque quando estava na vida terrena e São Pedro era o Papa, Ela certamente tributava a São Pedro toda a veneração que todo e qualquer católico, ainda que seja a Mãe de Deus, a Rainha do Universo, do Céu e da Terra, deveria ter.
Isto nos mostra bem qual é verdadeiramente a natureza do Papado. E é sempre oportuno lembrar isto: o Papado não é um poder como outro qualquer, não é simplesmente um poder legitimamente constituído de acordo com a ordem natural, um destes poderes de acordo com as circunstâncias, que podem ser mais ou menos amplos, mais ou menos altos, mais ou menos elásticos. Portanto também mais ou menos distantes da massa dos homens.
Mas é um poder de tal maneira sagrado, e portanto um poder de tal maneira absoluto e monárquico, que até Nossa Senhora toma ares de obedecer a ele. O que mostra bem o caráter monárquico da Igreja. E mostra bem que a Igreja não é uma república mitrada, mas uma verdadeira monarquia, em que o Vigário de Jesus Cristo é o verdadeiro monarca. Verdade preciosa que nos compete amar mais do que nunca e que fica indicada aqui como um ensinamento a propósito dessa graça de Nossa Senhora de Loreto.
 E, por causa disto, também indicando a oração do dia de hoje que deve ser também para que a todos Nossa Senhora de Loreto nos dê este sentido do valor monárquico do Papado como expressão profunda da perfeição da Igreja; e da ordem monárquica das coisas como a maior, a mais adequada, a mais legítima representação, expressão da ordem profunda das coisas aos olhos dos homens

           ("Conferência", 10 de dezembro de 1965)



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