SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sonho pavoroso

Por: Juraci Josino Cavalcante

(transcrito do boletim de notícias católico ABIM (Agência Boa Imprensa), seção “Vida Moderna”)
Dentre os problemas psíquicos modernos, os pesadelos e sonhos pavorosos parecem constituir-se em fatos corriqueiros. Foi assim que Ana Xisto, uma adolescente muito sensível e irrequieta, narrou a seus amigos e parentes uma estranha experiência.
Ana Xisto sonhou que era projetada num imenso abismo, no fundo do qual presenciou tenebroso espetáculo. Um imenso mar de fogo envolvia a tudo, sob o qual jaziam seres disformes e bestiais, estranhos e irreconhecíveis, os quais dominavam uma infinidade de pessoas. Estas ficavam vermelhas como carvão em brasa, mas Ana conseguia distinguir seus rostos, suas formas corpóreas, seus gestos desesperados, seus gemidos dantescos, seus gritos e blasfêmias. “Senti-me em meio a um lamaçal com cheiro de esgoto, e todos dançavam e chafurdavam nessa lama” , declarou Ana. No centro de tudo havia um enorme sino que “celebrava a condenação eterna”.
Repentinamente, apareceu um grupo maior que descia velozmente para aquele antro, cantando assim: “Eu estou indo para baixo. É hora da festa. Meus amigos estarão lá também. Estou na auto-estrada para o inferno. Não há sinais de “pare”, nem velocidade limitada. Ninguém vai me frear... Ei, Satanás, estou pagando minhas dívidas. Tocando num conjunto rock... Estou no meu caminho para a terra prometida. Estou na auto-estrada para o inferno” .
A confusão era enorme lá embaixo. Num canto, havia uma pessoa coberta de sangue de morcegos, a qual os devorava; num outro, vários cães eram esquartejados pelos dançarinos; mais além outros comiam carne crua, bebiam sangue animal numa caveira e estiravam a língua para fora, fazendo horrendas caretas.
Algumas pessoas estavam tatuadas com figuras de dragões, da mesma forma como Ana Xisto os via nas praias. Ouvindo e vendo tudo isto, Ana lembrou-se do último festival de rock que havia assistido. Pareceu-lhe, então, ouvir aqueles sons, aquelas músicas, com as estridentes guitarras ferindo seus ouvidos e compondo aquele quadro horrível.
Inesperadamente, ouviu uma voz que dizia: “Que te parece este espetáculo?” Ana Xisto estremeceu e nada respondeu. Mas, lembrando-se das músicas e dos festivais de rock que assistira, murmurou: “Isto aqui está um pouquinho parecido com os “shows” de rock; até mesmo a fumaça colorida, as figuras tatuadas, as luzes ofuscantes, os gritos, os cabelos desgrenhados, as roupas, os personagens que comem animais no palco, os sons, estridentes e ininteligíveis, as letras... as letras das músicas, até isto pareço ouvi-la, escutando os berros, as blasfêmias contra Deus, os gritos de protesto. Incrível! Mas isto aqui não é nenhum festival de rock. Isto parece mais o inferno!”
A voz responde: “Isto mesmo; isto aqui é o inferno”. Ana Xisto, com coragem, interpela: “Mas, se parece tanto assim com os festivais de rock? Por quê?”
Após uma breve pausa, a estranha voz passou a explicar: “Lá na terra as pessoas procuram copiar alguma coisa do que lhes espera no outro mundo, e por isso existe os que imitam o que poderia ser o Céu e fazem coisas belas. Outros, pelo contrário, imitam o inferno. Assim vão logo se acostumando com a idéia da perdição eterna”.
Ana Xisto interroga novamente: “É, mas eles não acreditam no inferno! Como então procuram imitá-lo?”
A voz responde: “Sim, realmente, a maioria deles nega a existência do inferno, ao menos da boca para fora, mas vivem como se estivessem caminhando para ele. Daí a razão de se organizar aqueles espetáculos de rock e outros parecidos”. A voz some. Ana não consegue ver a figura.
O espetáculo continua e vai sumindo lentamente. Ana Xisto lembra-se então das lições de catecismo que aprendera na infância e começa a balbuciar trêmulamente o Credo. O sonho acabou, mas por muito tempo lhe parecia ecoar nos ouvidos os sons das guitarras, os gritos, as blasfêmias; enquanto na mente ficavam fortemente gravadas as figuras e todo o espetáculo aterrador que presenciara no sonho.
A frase é conhecida: “o sonho acabou”; sim, o sonho, só que este sonho não é um qualquer, mas um terrível pesadelo, um sonho pavoroso. Ana Xisto que o diga!

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