sábado, 5 de dezembro de 2009

Papa recebe Monsenhor João Clá em audiência

Por ocasião da defesa de tese de doutoramento em Direito Canônico, na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (conhecida como "Angelicum", dos Dominicanos), em Roma, o fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, E.P., foi recebido em audiência pelo Papa Bento XVI, no dia 26, por cortesia de Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena (SP) e Supervisor Geral de Formação dos Arautos do Evangelho.
Como penhor de seu devotamento à Igreja e à pessoa do Santo Padre, Mons. João Clá ofereceu ao Papa um belíssimo terço feito de contas de rubi, confeccionado pelo sector artístico dos Arautos do Evangelho. Ao receber os cumprimentos de Mons. João Clá, o Papa fez menção, com sumo agrado, à característica cruz dos Arautos, que o primeiro ostentava ao peito, sobre a batina.
O fundador dos Arautos do Evangelho fez a sua defesa de tese de doutoramento de Direito Canônico, no Angelicum, conforme dito acima. A banca examinadora foi constituída pelo Revmo. Pe. Bruno Esposito, O.P. (Decano da Faculdade de Direito Canônico e orientador da tese), pelo Revmo. Pe. Jan Sliwa, O.P. (Vice-Decano da Faculdade de Direito Canônico), e pelo Revmo. Pe. Marcelo Santos das Neves, O.P. (Professor da Faculdade de Direito Canónico e Censor da Tese).
A tese, intitulada “A gênese e o desenvolvimento do Movimento dos Arautos do Evangelho e seu reconhecimento canónico” tem como finalidade “avaliar qual a figura jurídica que mais convém ao movimento dos Arautos”. Composta de três capítulos, no primeiro são analisadas as várias figuras associativas existentes na actual legislação canónica. No segundo capítulo, é descrito o percurso vocacional do fundador, assim como a evolução jurídica do movimento, desde a sua génese até o presente.
O importante papel desempenhado pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira na formação religiosa, filosófica e cultural de Mons. João Clá, também é descrito com precisão e rigor, ficando assim patente como o pensamento e a personalidade dessa destacada figura do laicato católico do século passado influenciou o carisma dos Arautos do Evangelho. No terceiro capítulo são descritos os elementos essenciais do carisma e espiritualidade do Movimento, a qual se pode resumir numa ardorosa devoção à Sagrada Eucaristia, a Maria e ao Papa. Por fim, são expostas importantes e profícuas conclusões.
Após a exposição da tese, Fr. Bruno Esposito, OP e Rvdo. Pe. Marcelo das Neves apresentaram diversas questões a Mons. João Clá e deram seu parecer sobre o trabalho apresentado:
“O Papa Honório III - declarou o Revmo. Pe. Marcelo das Neves - ao aprovar e elogiar a obra de São Domingos, afirmou que a sua luta, «unia os tempos antigos aos tempos novos». Acredito que os Novos Movimentos Eclesiais e o que tem origem no Sr., em particular, preenchem, na maioria dos casos, mais que satisfatoriamente, estes requisitos. Explico: o seu movimento (os Arautos do Evangelho) traz para o hoje da história a beleza, o gosto pelo grande e majestoso, o discreto rigor disciplinar, e sobretudo o entusiasmo inocente dos primeiros tempos e anos da fé cristã. A sua profunda espiritualidade (sua e dos seus filhos), marcada pela presença Eucarística, pela devoção mariana e pela incondicional obediência ao Santo Padre, traduzem a vitalidade e força renovadora da Igreja de Jesus Cristo que no Credo professamos Una, Santa e Católica. Portanto, seja do ponto de vista do conteúdo, seja do ponto de vista formal, ou seja, pela elegância e pelo esmero em relação à língua de Camões traduzida para os filhos da Terra de Santa Cruz, a sua Tese merece ‘todo louvor’.”
A tese de Mons. João S. Clá Dias, E.P. será publicada em breve e estará disponível em quatro línguas: português, espanhol, italiano e inglês

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os maiores presentes de Natal da História

Os Reis Magos não só adoraram o Menino Jesus, mas Lhe deram riquíssimos presentes: “E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se, O adoraram; e, abrindo os seus tesouros, Lhe ofereceram presentes (de) ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 11).
Uma pergunta paira no ar: que presentes lhes deram a Sagrada Família em retribuição? É impossível que eles tenham voltado para suas terras sem uma lembrança do Menino Jesus e de Seus Pais. No entanto, o Evangelho é omisso sobre isso.
Esta hipótese da falta dos presentes aos Reis Magos é impossível que se tenha dado por vários motivos. Um deles é por causa da virtude da gratidão, plena em Nossa Senhora e muito viva em São José. E a Santíssima Virgem não só havia sido educada segundo as regras desta gratidão, mas, por ser quem era, recebeu luzes especiais para praticá-la em toda a sua vida. Especialmente naquilo que dizia respeito ao Seu Divino Filho Ela nunca poderia deixar de ficar agradecida com os favores recebidos, retribuindo-os à altura. Interiormente, Ela deve ter prometido ser grata a todos aqueles que buscassem Seu Filho com reconhecimento e oferendas e, mais ainda, para O adorar.
Assim, foi a gratidão, por exemplo, que levou-A a correr à casa de Santa Isabel para transmitir a grandiosa notícia de que o Messias encarnara-Se em seu ventre. Ela sentia a necessidade de ter que extravasar para alguém aquela alegria contagiante que Lhe enchia o coração. A quem dar tal notícia? A quem testemunhar tamanha alegria e felicidade? A São José era impossível, embora fosse seu fiel esposo, pois Sua concepção comportava algo tão milagroso e alto que o seu próprio esposo não entenderia. Esta tarefa competia aos Santos Anjos. Desta forma, a pessoa indicada para extravasar sua grandiosa alegria era mesmo Santa Isabel, pois além de ser mulher (e provavelmente sua confidente) estava também grávida de uma forma milagrosa. E tal foi o entusiasmo e a alegria naquele encontro que provocou o Magnificat.
Agora, quanto aos Reis Magos, que presentes Nossa Senhora lhes teria dado para retribuir o que eles faziam pelo Seu Filho? E claro que muito mais do que presentes de coisas materiais, Ela os cumulou de inúmeras graças celestiais. Mas será que Ela não desejava que os Santos Reis levassem para suas terras algo que lembrasse para sempre aquele sacral encontro? E que tal lembrança fosse perpetuada aos seus descendentes?
Quando a Santíssima Virgem recebeu a Anunciação do Anjo e ficou grávida do Menino Jesus teve, certamente, milhares de meditações e revelações sobre o que fazer daquele momento em diante. E quantas cogitações não deve ter tido sobre a forma de agradecer os favores dados ao Seu Filho!
Por conhecer muito bem as Sagradas Escrituras Ela sabia que os Reis do Oriente viriam adorar o Seu Filho. Sabia que, sendo eles reis, não viriam de mãos vazias. Ora, sabendo disso, Ela não teria se preparado para receber esses reis em sua casa? Provavelmente deve ter preparado todo um cerimonial, todo um ritual e solenes festas para receber tão ilustres visitantes. Dentro destes cerimoniais não estão ausentes as regras de etiqueta e educação, algumas surpresas especiais e presentes. É muito difícil de imaginar o que Ela preparou para aquele momento. Mas podemos supor que foi algo que fizesse perpetuar a memória de Seu Filho divino entre aqueles reis e seus povos, talvez até o fim do mundo.
E estes preparativos e presentes estavam em sua bagagem de viagem, pois mesmo na situação em que se encontravam Ela tinha plena confiança de que as profecias se cumpririam e que alguns reis do Oriente viriam adorar o Menino Jesus, cheios de presentes.
Vamos, agora, imaginar como teria sido a recepção aos Reis Magos e quais presentes lhes teria dado a Sagrada Família. Como eram três os Reis, é provável que tenha durado três dias as visitas, cada um tenha se apresentado cerimoniosamente ao Menino Jesus em dias separados. A cada um que se apresentava, com toques de cornetas de seus serviçais, Nossa Senhora retribuía com belíssimos cânticos em homenagem ao rei e ao seu povo. Após os presentes reais seguiam-se os dEla. Quais teriam sido? Ciente de perpetuar a memória de Seu Filho não pode ter sido alguma coisa efêmera, de pouca duração. Assim, além de um santo Escapulário que impôs a cada um, Ela deve ter dado a graça de conterem misticamente em seu peito o Sagrado Coração do Menino Jesus, que além de santifica-los, duraria até o fim dos tempos. Quanto aos presentes materiais, compete a cada um imaginar o que de mais fabuloso e fantástico exista para retribuir ao que os Reis Magos Lhe ofertara e, de modo especial, que seja algo que perpetue neles a mensagem do Natal.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dê uma chance a quem ainda não viveu

Segundo informa o ex arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, em entrevista à revista “Veja” de 18.3.2009, um médico católico recebeu a visita de uma paciente para resolver a seguinte situação: a mulher estava grávida do segundo filho, levou o primeiro filho já vivo para mostrá-lo ao médico dizendo que não tinha condições de criar as duas crianças, e por isso vinha pedir que abortasse o que estava no ventre. Em seguida o médico lhe dá o seguinte conselho: não, você não deve matar o que está na sua barriga; já que não tem condições de criar as duas crianças, mate este que está vivo e dê uma chance ao que vai nascer. A mulher, envergonhada, desistiu do aborto.

Que poder resta ainda na mídia?

No decorrer do século passado a imprensa desfrutou de um poder jamais visto, motivando o jornalista católico Carlos de Laet ter afirmado que ela detinha o quarto poder da república. Esta afirmação se referia ao Brasil, mas reflete uma situação mundial inconteste. Alguns aspectos deste poder merecem menção especial nos dias dia hoje porque já mostram um declínio considerável.
Não nos referimos ao poder financeiro, sempre nas mãos dos macro capitalistas internacionais, os
magnatas das financeiras bancárias e das companhias de petróleo. É claro que os proprietários das empresas midiáticas possuem um poder financeiro enorme, alguns de capital influência econômica. Referimonos, não ao poder econômico, mas ao poder de influência na opinião pública, maior e mais poderoso do que todo o dinheiro do mundo, pois com ele se pode arrasar com um homem público, derrubar um governo ou elevar outro ao poder político. Este poder da mídia foi bastante para elevar Fidel Castro, Che Guevara e Mao Tse Tung ao topo da popularidade, assim como levar à execração pública tantos líderes mundiais, como o primeiro ministro inglês Profumo (na década de 60) e o presidente americano Nixon (nos anos 70). Recentemente, deveu-se
muito ao poder midiático a elevação do topo do poder político mundial a Barack Obama e à execração pública de Bush.
Mas parece que este poder está perdendo força. Obama já não consegue mais manter sua popularidade, artificial e midiática, descendo sempre mais seu índice de aceitação entre os americanos. No mesmo período de governo, Bush tinha mais aceitação, lembram-se?
Embora as tubas da publicidade gratuita não deixem de incensar Obama, juntamente com sua esposa, não conseguem mais manter sua popularidade como o faziam alguns anos atrás. Em outros países este poder de influência da opinião pública vem paulatinamente perdendo força nos órgãos de imprensa, falada escrita e televisiva.
Um dos reflexos da queda do poder da imprensa mundial pode-se medir na perca de leitores dos jornais e da queda do índice de audiência dos canais de TV. Alguns afirmam que é a concorrência da internet. Outros que é certa apatia que as populações vêm aos poucos se manifestando por alguns assuntos de natureza política ou ideológica. De um modo ou de outro, a credibilidade da mídia só tende a cair. Foi-se o tempo em que se dizia: tal coisa tem tudo para ser verdadeiro porque está escrito em tal jornal ou foi publicado em tal reportagem, etc.
No Brasil, podemos confirmar isto por dois fatos: enquanto que no caso Collor (ocorrido em 1992)
o alarido da imprensa foi suficiente para derrubá-lo do poder, nos últimos casos de denúncias clamorosas contra políticos atuais (como o de Sarney) não conseguem movê-los um milímetro de seus postos.
A revista “Veja” publicou uma reportagem (29 de abril de 2009) em que mostra algo disso. O tema principal da matéria é a iminente queda do império financeiro do jornal The New York Times , mas contém outros dados de outros órgãos de imprensa e a perca de sua credibilidade pública. Num gráfico, à página 92, consta o declínio da credibilidade da imprensa apenas nos Estados Unidos, apurado entre três grandes jornais, mas sintomático de um panorama geral. Lá consta que o “The Wall Street Journal” tinha um índice de credibilidade de 45% no ano 2000, descendo hoje para apenas 25%; o “Usa Today” tinha 23% e caiu para 16%; já o “The New York Times” caiu pouco, apenas de 21% para 18%, de 2004 para 2008. Mereceria um levantamento da mídia em todos os outros países, mas aí a revista iria expor uma ferida que não convém até para ela mesma: a queda da credibilidade mundial de órgãos de imprensa. Num outro gráfico é mostrada a queda de leitores de 6 dos 10 maiores jornais americanos (onde apenas 2 tiveram aumento substanciais, e outros 2 muito irrisórios): o “Daily News” chegou a perder 43% de seus leitores no período que vai de 1990 a 2008; no mesmo período o “Chicago Tribune”, perdeu 29%; o “The Angeles Times” 36%, o “The Washington Post” 22%, o “The New York Times” 11%, e o “Newsday” teve a maior perca, com 47% de queda.
O tema principal tratado pela revista, como vimos, é a queda financeira, justificada em parte pela
falta de patrocínio decorrente da crise econômica. Diz lá que o problema atinge jornais pelo mundo a fora: “a recessão mundial, que reduz os gastos com publicidade, e o avanço da internet, que suga anúncios, sobretudo os pequenos e rentáveis classificados...”. Limitar a situação de queda da imprensa apenas ao problema da concorrência financeira é simplificar demais o problema, ou então tentar esconder um outro de natureza mais preponderante que é o de sua credibilidade.
No contexto da reportagem é mencionado outros jornais que fecharam suas portas, mas não se diz a principal razão. O “Rocky Mountain News”, de Denver, no Colorado, faliu após 150 anos de atividade; também deixaram de circular o “Cincinnati Post”. Já outros são citados em situação préfalimentar, com pedidos de concordata como o “Philadelphia Inquirer” (tido como um dos vinte maiores jornais americanos) e o “Tribune Company”. Outros de menor porte que deixaram de circular: o “Seattle PostIntellingencer”, e o “Christian Science Monitor”. São citados também alguns jornais de menor porte que estão à beira da falência.
A revista lamenta o fechamento de um jornal da seguinte forma:
“O fechamento de um jornal é o fim de um negócio como outro qualquer. Mas, quando o jornal é o símbolo e um dos últimos redutos do bom jornalismo, não importa quanto isso custe, como é o caso do “Times”, morrem mais coisas com ele. Morrem uma cultural e uma visão generosa do mundo.
Morre um estilo de vida romântico, aventureiro, despojado e corajoso que, como em nenhum outro ramo de negócios, une funcionários, consumidores e acionistas em um objetivo comum e maior do que os interesses particulares de cada um deles...”
No entanto, o problema é de uma natureza mais ampla. Os jornais deixaram de “sentir” a opinião
pública, deixaram de ser o reflexo do que pensam os homens, e passaram a ser o impulsionadores, os inculcadores de pensamentos e opiniões. Deixaram de só informar para também formar, mas formar de uma maneira até contrária aos ideais de seus leitores. Deslocandose assim da opinião pública, deixando de ser o reflexo do que pensam as pessoas, os jornais (e a mídia de modo geral) não conseguem mascarar completamente seus objetivos ocultos e escusos e assim, paulatinamente, seus leitores (ouvintes ou telespectadores) vão se distanciando deles e lhe dando menos crédito.
Culpar a internet pelo declínio dos jornais é uma maneira de esconder o fato acima. Pois a própria
“Veja” reconhece que a internet também não tem quase nenhuma credibilidade, embora seja muito usada. Um exemplo: o site do “Times” tem 20 milhões de usuários, talvez o maior do mundo, mas, em média, seus visitantes ficam no site apenas 35 minutos por mês, ou seja pouco mais de 1 minuto por dia, tempo muito exíguo para alguém ler e acompanhar as notícias ou dados por ele divulgados.
Vêse, portanto, que o próprio público alvo não dá credibilidade ao site, por ser também um público muito artificial e sem profundidade, como geralmente é o público da internet.
Quanto ao nosso Brasil, não sei se há pesquisas sobre o declínio dos jornais em nosso país. Mas o
fato é que diminuiu consideravelmente a quantidade de jornais (ou de leitores dos existentes) nas capitais e grandes cidades, concomitante com o acréscimo de canas de TV e de rádios FM. Quer dizer, há uma tendência a se divulgar mais a mídia superficial, representada pela TV, internet, rádios, etc., em detrimento da imprensa escrita, o que pode ser reflexo da falta de credibilidade do público para este setor.
Quanto à mídia eletrônica, representada pela TV e pela internet, que poder de influência possui sobre o público? Vejamos, primeiramente, a internet.

O poder formativo da internet
Aos poucos foi se formando um grande público aficcionado pela internet, talvez o maior do mundo na atualidade. Mas este público não tem profundidade, não se move a não ser rasteiramente por impulsos momentâneos e sem substância. Isto porque o sistema está cheio de erros e permissividades que prejudicam a formação de uma sadia opinião pública. Como é muito fácil e até corriqueiro se assumir falsas identidades na rede, nem todas as matérias circuladas são facilmente aceitas como verdadeiras. A cultura popular da internet quase não tem nenhuma credibilidade nos meios acadêmicos e científicos. Um dos exemplos é a Wikipédia, enciclopédia feita com intuitos democráticos, cujos verbetes são criados pelos usuários (embora sob “censura” de uma equipe de especialistas) e não aceita como critério sério de pesquisa. Na internet a pirataria corre solta, pondo em xeque até mesmo o critério de direitos autorais em muitos países. E também corre solta a impunidade perante calúnias e difamações anônimas. Parece até que o youtube foi criado com único objetivo de difamar, caluniar, propagar escândalos e deixar o autor anônimo.
É claro que se pode tirar algum proveito da internet. Há blogs e sites sérios, há boas bibliotecas virtuais que ajudam a estudantes e professores em níveis até acadêmicos. Mas este público é pequeno ainda perante a grande massa de ignorantes que acessam a rede apenas para jogar, namorar, conversar bobagens e espalhar fofocas, intrigas e calúnias. Outros até mesmo para fins criminosos.
De certo modo tem razão o exempresário britânico da área de tecnologia, Andrew Keen, ao publicar um livro que acusa a internet de promover o que denominou de “ditadura da
ignorância” (traduzido em português pela editora Jorge Zahar como “O Culto do Amador”). Ele
também culpa a rede pela queda na circulação de grandes jornais. Mas o principal enfoque do autor está na parte ética do sistema, onde se permite facilmente o plágio, a calúnia, a boataria irresponsável e a pirataria.
Nosso comentário, porém, prende-se a outro lado da questão. Que poder de influência tem a internet perante a opinião pública? Muito irrisório, este poder consegue difamar a honra de alguma personalidade (o youtube está aí pra isso), propagar boatos assustadores (é comum a veiculação de fatos que causam comoção em espíritos desprevenidos e incautos, como são quase todos os que usam do sistema), espalhar notícias que possam causar impacto imediato, mas tudo isso não é formativo e nem durável. Nota-se, por exemplo, que organizações que usam a internet para fins elogiáveis e tentam formar sadias correntes de opinião não têm o mesmo êxito que tinham antigamente os sistemas que se utilizavam, por exemplo, da abordagem pessoal e da propaganda direta ao público. De modo geral, o uso da internet serve acessoriamente para auxiliar a propagação de produtos, de idéias, partidos ou seja lá o que for, mas não é ainda o meio mais eficiente.
De outro lado, a tão almejada propagação do uso da internet tem se tornado difícil em países como o Brasil. Nos EUA tornou-se massivo este uso por causa da riqueza daquela nação, onde os custos de acesso são mais baratos e fáceis. Aqui no Brasil é diferente. O acesso à internet via PC doméstico ainda é algo complicado, somente a classe média e alta têm acesso massivo a ela. Porque aqui os custos ainda são altos e proibitivos para as classes mais humildes. O custo mais alto é o da compra do equipamento. O outro, de manter o acesso à internet, vai depender de uma linha telefônica via modem que o usuário possa pagar, e este custo onera o orçamento de 90% das pessoas da classe pobre. Tem as lan house, é verdade, mas também de custo ainda proibitivo. Poucos podem pagar 3 ou 4 reais por uma hora de acesso, e se o fazem é esporadicamente.
E lá nos EUA, onde a internet é mais usada no mundo, o público não é tão facilmente manipulado
pela rede. Quando um vídeo é projetado pela internet, em alguns casos, ele pode ser visto por centenas e até milhões (rarissimamente) de pessoas, que foram levados a vêlo
mais por curiosidade ou qualquer outro fator. Mas daí a ter uma ação baseada neste vídeo é outra coisa. No tempo do Ronald Reagen (há mais de vinte anos) a primeira dama daquele país veiculou um vídeo contrário ao aborto pela internet e surtiu forte efeito na redução do aborto naquele país. Hoje, porém, são centenas ou milhares os vídeos semelhantes sem que produza o efeito desejado. Quer dizer, estamos perante um público apático e de pouca vitalidade social, pois vivem fechados em sua vida eletrônica e têm pouca participação na vida pública. Como diz um sociólogo espanhol da atualidade: são autistas consentidos.

E a TV?
É, talvez, o recurso midiátio de maior poder de influência na opinião pública. Apesar de vir perdendo audiência, ainda mantém forte impacto sobre as pessoas. Mesmo assim não é o mesmo de vinte anos atrás. Vem também decaindo. Uma reportagem de TV feita há pouco mais de 15 anos atrás foi suficiente para despertar uma onda de violência nos Estados Unidos: nela se mostrava a violência policial contra os negros e toda uma comunidade negra se levantou fazendo saques e destruição. Não faz muitos dias que se veiculou reportagem semelhante, mas não surtiu o mesmo efeito da outra. Por que? Porque a TV não tem mais o poder de influência que tinha antes. É certo que ainda é muito preponderante: consegue macular honras de pessoas decentes, derubar certos políticos ou homens públicos de seus cargos, mover a população contra algum objetivo que acreditam ser do bem comum, mas não da mesma forma e com a mesma eficiência de alguns atrás atrás. Conseguem ainda elevar personalidades medíocres ao topo da popularidade, como fizeram com um travesti em Salvador até elegê-lo vereador da cidade. Em Ruanda, um canal de TV foi o principal responsável por incentivar o genocídio ocorrido naquele país anos atrás. Será que teria o mesmo efeito se o fizesse hoje?
De outro lado, a TV está sendo vista como o veículo mais ambicionado por grupos evangélicos, que tomam conta de grande parte do horário de alguns canais (alguns possuem suas próprias Tvs), e facilmente fazem ver no público que a chicana da fé religiosa e a esperteza tornam-se
o lugar-comum, o cotidiano da TV moderna. E com isso a TV vai perdendo mais credibilidade. Falta seriedade em seus programas, a baixaria continua solta e sem freios. Propagam-se
amiúde a imoralidade, a sensualidade e a violência sem freios. Por causa disso, não surtem efeitos desejados suas campanhas ditas moralizadoras. Se a TV faz um movimento contra as drogas (normalmente feita apenas de reportagens mostrando como funciona o sistema do tráfico) não surte qualquer efeito de combate às mesmas, pelo contrário aumenta consideravelmente o seu uso; qualquer campanha dessas que a TV faz, constata-se a nulidade de seu efeito na sociedade. Recentemente, a TV Globo fez uma série de reportagens mostrando o lado criminoso do fundador da religião chamada de Universal. Assim como ocorreu há mais de 15 anos atrás (um rumoroso ataque da mídia contra Edy Macedo, mostrando seus crimes, processos na justiça, etc.), novamente nada aconteceu contra o acusado. Apesar de testemunhas e provas contundentes contra o mesmo, a mídia não conseguiu derrubá-lo do topo de seu poder. É claro que hoje ele já detém também o poder midiático, com TVs e jornais, e o usa contra seus concorrentes, tendo feito ataques contra jornais e canais de TV. Mas quando a mídia laica tinha mais poder há pouco mais de 15 anos atrás também nada conseguiu contra ele. Dizem que seu dinheiro está comprando autoridades, promotores, juízes, etc. Mas não nos referimos ao poder do dinheiro e sim ao poder de influência da opinião pública. Seria perante esta que a mídia
deveria derrubar o trono do fundador da Universal. Isto é, se ainda tivesse o mesmo poder que
detinha há alguns anos atrás.

domingo, 27 de setembro de 2009

A imposição dogmática do darwinismo

Marcelo Leite, editor de ciência, escreve na “Folha de São Paulo” com uma preocupação primordial: defender o darwinismo. E para tanto, usa de um conceito errado do que seja ciência. Criacionismo não é ciência e nunca chegará a sê-lo, nem ninguém ousou jamais dizer que o seria. Quanto ao darwinismo, também nunca chegou a ser ciência (embora o digam seus defensores), trata-se apenas de um amontoado de teses contrárias à origem divina da criação. Para que o darwinismo chegue a ser ciência terá que atingir aquele estágio de comprovação empírica de seus enunciados, o que não ocorreu até hoje. Pode até ser que o evolucionismo, enquanto tal, torne-se alguma dia numa conclusão científica incontestável, mas ela nunca conseguirá se firmar ao repetir a tese que a acompanha sempre: a da espontaneidade. Isto é, não é no fato de se afirmar que a matéria evolui ou vem evoluindo que está o cerne da questão, mas em se dizer que ela faz isto espontaneamente, sem que haja uma força de um ente inteligente que coordene este processo.
Mas o articulista da “Folha” não se contenta em procurar demonstrar suas teses, ele usa de artifícios filosóficos para criticar as teses criacionistas e lhes tirar a credibilidade. Foi o que ocorreu no artigo publicado no último dia 27 de setembro no caderno “Mais!” daquele jornal. Marcelo elenca algumas tomadas de atitudes da ex-ministra Marina da Silva no tocante ao criacionista que, segundo ele, a descredenciariam como ministra de Estado e como política republicana. A ex militante do PT tem muitas idéias controversas, algumas até radicais, especialmente na área da ecologia. Mas, a par disso, tem mantido outras elogiáveis como a defesa da vida (contra o aborto) e do criacionismo. Para tanto, participou de eventos da naureza (citados pelo articulista para mostrar uma certa “militância” da então ministra em defesa de seus ideais). Para o articulista soou no mínimo como uma imprudência ser ministra de Estado e defender o criacionismo.
Lula ou qualquer chefe de estado ou ministro pode defender a reforma agrária, o darwinismo, o ateísmo e até o aborto e não lhe consta que seja uma imprudência fazêlo, pois, segundo esta visão caolha, ele estaria apenas defendendo seus ideais, seus pontos de vista, o que seria normal numa democracia. Mas isto não vale para quem defende uma “heresia” dogmática para os darwinistas, que seria o criacionismo.
Ainda no mesmo diapasão, o articulista critica Marina pelo fato de haver defendido o ensino dos dois pensamentos nas escolas: segundo ele trata-se de duas coisas diferentes – criacionismo é religião e evolucionismo é ciência. Sim, criacionismo é religião, mas darwinismo também é, isto é, trata-se da religião do ateísmo da negação de Deus criador, da autocriação da “deusa” matéria.
Há uma tendência científica em conciliar as duas teses com o surgimento do “design inteligente”, mas mesmo tais estudos não constituem ainda uma ciência mas a busca de uma conciliação das uas teses. Tese esta que o articulisa confunde com religião ao dizer na conclusão: é a sua fé, e o seu direito, mas não pode ser sua política. Incrível, não é? O político não pode defender programa que inclua sua fé, porque, neste caso, ele fere a fé dos demais. Qual seria a fé contrária à afirmação de que Deus criou o universo? Seria aquela que afirma a evolução espontânea da criação: Deus, portanto, não existe. Puro ateísmo. Tratando-se de problema de fé, e não de ciência, qualquer pessoa pode naturalmente manifestar seu ponto de vista, inclusive um político, ministro ou chefe de estado, e defender que isto seja ensinado nas escolas. Ou será que não?