Bento XIV, Bula Gloriosæ Dominæ:
"Nossa Senhora é o rio que traz aos miseráveis mortais todas as
graças e presentes de Deus".
Pio VII, Bula Ampliatio privilegiorum ecclesiae Beatæ Mariæ Virginis ab
angelo salutatae in cenobio Fratrum Ordinis Servorum Beatæ Mariæ Virginis:
"Nossa Senhora é, pois, a dispensadora de todas as graças de Deus
aos homens" (gratiarum omnium dispensatricem).
Pio IX, Bula Ineffabilis Deus (dogma da Imaculada Conceição):
"E depois reafirmamos a Nossa mais confiante esperança na beatíssima
Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima
serpente, e trouxe a salvação ao mundo; naquela que é glória dos Profetas e dos
Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e coroa de todos os Santos; seguríssimo
refúgio e fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo; poderosíssima
mediadora e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito;
fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa."
Papa Leão XIII, Iucunda Semper Expectatione:
8. Para este mesmo fim, em perfeita harmonia com os mistérios, tende a
oração vocal. Procede, como é justo, a oração dominical dirigida ao Pai
celeste. Em seguida, após haver invocado o mesmo Pai com a mais Pobre das
orações, do trono da sua majestade a nossa suplicante volve-se para Maria, em
obséquio à lembrada lei da sua, mediação e da sua intercessão, expressa por S.
Bernardino de Sena com as seguintes palavras: "Toda graça que é comunicada
a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo,
de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós" (S. Bernardino de Sena, Sermo VI in
Festis B. M. V., De Annunciatione, a. 1, c. 2).
Leão
XIII, Iucunda Semper Expectatione:
"20. E Deus, ó Veneráveis Irmãos, que "na sua misericordiosa
bondade nos deu uma Mediadora tão poderosa" (S. Bernardo, De C II
Praerogativis B. M. V., n. 2), "e quis que tudo nos viesse pelas mãos de
Maria" (S. Bernardo, Sermo in Nativitatem B. M. V., n. 7), pela
intercessão e pelo favor dela acolha propício os votos e satisfaça as
esperanças de todos. Como auspício, pois, destes bens, juntamos de todo coração
para vós, para o vosso clero e para o vosso povo a Bênção Apostólica."
Leão XIII, Adjutricem Populi:
4. Impossível seria, pois, dizer que amplitude e que eficácia hajam
adquirido os seus socorros, quando ela foi levada para junto de seu divino
Filho, àquele fastígio de glória que convinha à sua dignidade e ao esplendor
dos méritos. Com efeito, de lá do alto, consoante os desígnios de Deus, ela
começou a velar sobre a Igreja, a assistir-nos e a proteger-nos como uma mãe;
de modo que, depois de ter sido a cooperadora da redenção humana, tornou-se
também, pelo poder quase ilimitado que lhe foi conferido, a dispensadora da
graça que em todos os tempos jorra dessa redenção.
Por isto, com bem razão as almas cristãs, obedecendo como que a um
instinto natural, sentem-se arrastadas para Maria, para lhe comunicarem com
toda confiança os seus projetos e as suas obras, as suas angústias e as suas
alegrias; para recomendarem com filial abandono suas pessoas e suas coisas à
bondade e solicitude d'Ela. Por este justíssimo motivo, todos os povos e todos
os ritos têm-lhe tributado louvores, que têm vindo sempre crescendo com o
sufrágio dos séculos. Donde os títulos a ela dados de "Mãe nossa, nossa
Mediadora" (S. Bernardo, Sermo II in Advento Domini, n. 5), "Reparadora
do mundo inteiro" (S. Tharasius, Oratio in Praesentatione Deiparae),
"Dispensadora dos dons celestes" (In Off. Graec., 8 dec., post oden
9).
Leão XIII, Octobri Mense:
"... assim, tal como não se pode ir ao Pai Supremo senão pelo Filho,
não se pode chegar a Cristo senão por Sua Mãe".
Leão XIII, Fidentem Piumque Animum
7. E quem quererá considerar excessiva e censurar a grande confiança
depositada no auxilio e na proteção da Virgem? Todos estão de acordo em admitir
que o nome e a função de perfeito Mediador não convém senão a Cristo: porque só
Ele, conjuntamente, Deus e Homem, reconciliou o gênero humano com seu sumo Pai:
"Um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus Homem, aquele que a si
mesmo se deu como preço de resgate por todos" (1 Tim. 2, 5-6). Mas se,
como ensina o Angélico, "nada proíbe que algum outro se chame, sob certos
aspectos, mediador entre Deus e os homens, quando dispositiva e
ministerialmente coopera para a união do homem com Deus" (S. Thomas de
Aquino, 3 q. 26 a. 1), como é o caso dos Anjos, dos Santos, dos profetas e dos
sacerdotes do velho e do novo Testamento, sem dúvida alguma tal título de
glória convém, em medida ainda maior, à Virgem excelsa.
Com efeito, é impossível imaginar outra criatura que tenha realizado ou
esteja para realizar uma obra semelhante à dela, na reconciliação dos homens
com Deus. Foi ela que, para os homens fadados à eterna ruína, gerou o Salvador;
quando, ao anúncio do mistério de paz trazido à terra pelo Anjo, ela deu o seu
admirável assentimento, "em nome de todo o gênero humano" (S. Thomas
de Aquino, 3 q. 30 a. 1). Ela é aquela "da qual nasceu Jesus", sua
verdadeira Mãe, e por isto digna e agradabilíssima "Mediadora junto ao
Mediador”.
8.
Como estes mistérios são sucessivamente propostos, no Rosário, à meditação dos
fiéis, segue-se que esta oração põe em evidencia os méritos de Maria na obra da
nossa reconciliação e da nossa salvação. Ninguém - assim pensamos pode
subtrair-se a uma suave emoção ao contemplar a Virgem, ou quando visita a casa
de Isabel para lhe dispensar os divinos carismas, ou quando apresenta seu filho
pequenino aos pastores, aos reis, a Simeão. E que não sentirá a alma fiel
quando refletir que o Sangue de Cristo, derramado por nós, e os membros nos
quais ele mostra ao Pai as feridas recebidas "como penhor da nossa
liberdade", não são outra coisa senão carne e sangue da Virgem? E, na
realidade: "A carne de Jesus é carne de Maria; e, embora sublimada pela
glória de ressurreição, todavia a natureza dessa carne permaneceu e permanece a
mesma que foi tomada de Maria" (De Assumptione B. M. V., c. V, inter
operas S. Augustini, PL, XL, Incerti Auctoris ac Pii, col. 1141-1145).
S. Pio X, Ad Diem Illum (50 anos do Dogma da Imaculada Conceição)
8. Mas não foi apenas para seu próprio louvor que a Virgem ministrou a matéria
de sua carne ao Filho unigênito de Deus, que haveria de nascer com membros
humanos (S. Beda Ven. lib. IV in Luc. XI), e que ela preparou, desta forma, uma
vítima para a salvação dos homens; sua missão foi também velar por esta vítima,
nutri-la e apresenta-la ao altar, no tempo estabelecido. Por isto, entre Maria
e Jesus reinou perpétua sociedade de vida e sofrimentos, que nos permite aplicar
a ambos estas palavras do Profeta: A minha vida vai se consumindo com a dor e
os meus anos com os gemidos (Sl 30, 11). E quando chegou a hora derradeira de
Jesus, vemos a Virgem "aos pés da cruz", horrorizada certamente ante
a visão do espetáculo, "mas feliz porque seu Filho se oferecia como vítima
pela salvação dos homens e, ademais, de tal modo partícipe de suas dores que
teria preferido padecer os tormentos que cruciavam o seu Filho, tal lhe fosse
dado fazer" (S. Bonav., 1 Sent., d. 48, ad Litt., dub. 4). — Em
conseqüência dessa comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a
Virgem fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade
decaída (Eadmeri Mon., De Excellentia Virginis Mariæ,c. IX) e, portanto,
dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por
seu sangue.
9. Não se pode dizer, sem dúvida, que a dispensação destes tesouros não
seja de alçada própria e particular de Jesus Cristo, porque fruto exclusivo de
sua morte e por Ele mesmo, em virtude de sua natureza, o mediador entre Deus e
os homens. Contudo, em vista dessa comunhão de dores e de angústia, já
mencionada, entre a Mãe e o Filho, foi concedido à Virgem o ser, junto do Filho
unigênito, a medianeira poderosíssima e advogada de todo o mundo (Pio IX, Bula
Ineffabilis). O manancial, pois, é Jesus Cristo: E todos nós recebemos de sua
plenitude (Jo 1, 16), do qual todo o corpo coligado e unido por todas as juntas
que mutuamente se auxiliam, segundo a operação da medida de cada membro efetua
o aumento do corpo de si mesmo em caridade (Ef. 4, 16). Como nota com acerto S.
Bernardo, Maria é, na verdade, o aqueduto (Serm. De Temp., in Nativ. B. V., De
Aquæductu, n. 4); ou então, essa parte média que tem por missão unir o corpo à
cabeça e transmitir àquele os influxos e eficácias desta, o que vale dizer: o
pescoço. Sim, diz S. Bernadino de Sena, ela é o pescoço de nossa Cabeça, pelo
qual comunica todos os dons espirituais a seu corpo místico (S. Bern. Sen.,
Quadrag. de Evangelio æterno serm. X, a. III, c. 3). Torna-se, por conseguinte,
evidente que não atribuímos à Mãe de Deus uma virtude geradora da graça,
virtude esta que é só de Deus. Contudo, porque Maria excede a todos em
santidade e em união com Cristo, e por ter sido associada por Ele à obra redentora,
ela nos merece de congruo, segundo a expressão dos teólogos, o que Jesus Cristo
nos mereceu de condigno, sendo ela ministra suprema da dispensação das graças .
Ele (Jesus) está sentado à direita da Majestade nas alturas (Heb 1, 3). Ela,
Maria, está à direita de seu Filho: O refúgio mais seguro, o mais valioso
amparo de quantos se acham em perigo; nada, pois, temos a temer sob sua
conduta, seus auspícios, seu patrocínio, sua égide (Pio IX, Bula Ineffabilis).
Bento
XV, Inter Sodalicia:
"Com efeito ela sofreu e quase morreu com seu Filho sofredor e
moribundo, abdicou dos seus direitos maternos para salvação dos homens, e tanto
quanto lhe pertencia, imolou seu Filho para apaziguar a justiça de Deus, de
modo que se pode justamente dizer que ela resgatou, com Cristo, o genero
humano. Conseqüentemente, todas as graças que recebemos do tesouro são
distribuidas pelas mãos da dolorosa virgem."
"Assim, toda graça e bênção vem a nós por meio de Nossa Santa
Senhora. Portanto, além da intercessão dos santos, deve ser incluida a
influencia dela, a quem os Santos Padres, saudaram com o título Mediatrix
omnium gratiam "
Pio XII, Ad Cæli Reginam:
37. E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus
Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria - de maneira limitada e
analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor,
à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade
real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente
sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma
união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros
do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a
inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.
38. Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em
dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao
seu Filho. "Tu finalmente, canta S. Sofrônio, superaste em muito todas as
criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que
pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu
tiveste em sorte?" "A esses louvores acrescenta S. Germano: "A
tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade
faz-te superior aos anjos". João Damasceno chega a escrever o seguinte:
"É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".
9. Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus
atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima
Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal
abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como
escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz
memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os
anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos
tesouros da divindade, que ela - imune de toda a mancha do pecado, e toda bela
apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber
maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão
Deus".
40. Nem a bem-aventurada virgem Maria teve apenas, ao seguir a Cristo, o
supremo grau de excelência e perfeição, mas também participou ainda daquela
eficácia pela qual justamente se afirma que o seu divino Filho e nosso Redentor
reina na mente e na vontade dos homens. Se, de fato, o Verbo de Deus opera
milagres e infunde a graça por meio da humanidade que assumiu - e se utiliza
dos sacramentos e dos seus santos, como instrumentos, para salvar as almas; por
que não há de servir-se do múnus e ação de sua Mãe santíssima para nos
distribuir os frutos da redenção? "Com ânimo verdadeiramente materno para
conosco - como diz o mesmo predecessor nosso, de feliz memória, Pio IX - e
ocupando-se da nossa salvação, ela, que pelo Senhor foi constituída rainha do
céu e da terra, toma cuidado de todo o gênero humano, e - tendo sido exaltada
sobre todos os coros dos anjos e as hierarquias dos santos do céu, e estando à
direita do seu unigênito Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor - com as suas
súplicas maternas impetra com eficácia, obtém quanto pede, nem pode deixar de
ser ouvida". A esse propósito, outro nosso predecessor, de feliz memória,
Leão XIII, declarou que foi concedido à bem-aventurada virgem Maria um poder
"quase ilimitado" na distribuição das graças; S. Pio X acrescenta que
Maria desempenha esta missão "como por direito materno".
2. Mas de que modo coopera Maria no crescimento dos membros do Corpo
Místico na vida da graça? Em primeiro lugar mediante a sua incessante súplica,
inspirada por uma ardente caridade. A Virgem Santa, embora feliz pela visão da
augusta Trindade, não esquece os seus filhos que caminham como Ela outrora na
«peregrinação da fé» (L.G. 58). Contemplando-os em Deus e vendo bem as suas
necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está «sempre vivo a interceder
por eles» (Heb 7,25), deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e
Medianeira (cfr. L.G. 62). Desta sua ininterrupta intercessão junto do Filho
pelo Povo de Deus, tem estado a Igreja desde os primeiros séculos persuadida,
como testemunha esta antiquíssima antífona que, com algumas ligeiras
diferenças, faz parte da oração litúrgica tanto no Oriente como no Ocidente: «à
tua protecção nos acolhemos ó Mãe de Deus; não desprezes as nossas súplicas nas
necessidades, mas salva-nos de todos os perigos ó (tu) que só (és) a bendita».
Nem se pense que a intervenção maternal de Maria traga prejuízo à eficácia
predominante e insubstituível de Cristo, nosso Salvador; pelo contrário, ela
tira a sua força da mediação de Cristo e é dela uma prova luminosa (cfr. L.G.
62).
12. O que deve ainda estimular mais os fiéis a imitar os exemplos da
Virgem Santíssima, é o facto de o próprio Jesus, tendo-lha dado por Mãe,
implicitamente a ter apontado como modelo a imitar. De facto, é natural que os
filhos tenham os mesmos sentimentos que as mães e reproduzam os seus méritos e
virtudes. Portanto, assim como cada um de nós pode repetir com S. Paulo: «O
Filho de Deus amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim» (Ga 2,20; cfr. Ef 5,2),
do mesmo modo com igual confiança pode acreditar que o Salvador Divino lhe
deixou, também a ele, em herança espiritual a Sua própria Mãe, com todos os
tesouros de graça e de virtude de que a tinha cumulado, a fim de que os
derramasse sobre nós, como efeito da Sua poderosa intercessão e da nossa
corajosa imitação. É por isso que com razão S. Bernardo afirma: «Vindo a Ela o
Espírito Santo, encheu-a de graça para Ela mesma; inundando-A novamente o mesmo
Espírito, Ela tornou-se superabundante e transbordante de graça também para
nós».
"Deus Filho comunicou a Sua Mãe tudo o que adquiriu pela Sua vida e
pela Sua morte, os Seus méritos infinitos e as Suas virtudes admiráveis, e
fê-la tesoureira de tudo o que o Pai lhe deu em herança; é por ela que Ele
aplica os Seus méritos aos Seus membros, que comunica as Suas virtudes e
distribui as Suas graças; é o Seu misterioso canal, o Seu aqueduto, por onde
faz passar docemente e abundantemente as Suas misericórdias.

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