Ó tu que lutas contra a impureza
E sentes a dureza desta luta
Não te exasperes se és provado,
Se te parece infinita esta disputa
Pois quando chegares ao céu dirás:
Consegui na terra uma tal destreza
Que não consenti em nenhum pecado
Morrendo com o cetro da pureza!
Que mérito em dizer: nada lutei?
Ou que, pequena foi tua provação?
Outros te dirão: muito trabalhei!
E tua glória, pequena – que decepção!
Ouças o que lá te dirá Anchieta:
"Vivi cinquenta anos entre
selvagens
Com vistas baixas para não pecar
Nas nuas pagãs daquelas paragens
Lutei sem tréguas contra a impureza
Sem haver consentido em nenhum pecado
Imerso num babilônico incêndio
Dele saí sem ser sequer
chamuscado".
Milhões de virgens castas te dirão
Que os sentidos, escravos fizeram,
Foi de tanto lutar que venceram
Foi este o amor a Deus que ofereceram
Luta, pois, meu jovem, não esmoreces
Vês que se vives imerso neste ar
impuro que se respira nesta era
Roga à Virgem para perseverar.
Nunca te incomodes se a prova é longa
Pois se é intermitente, tão audaciosa
A tentação que te quer envolver
Terás uma vitória mais gloriosa
E assim para manter-se sempre puro
Fuja da impertinente tentação:
Só olhá-la como se fosse escuro
-Tenha nojo dela, cuspa no chão!
Mas se teu olhar estiver vagando
E a figura lhe causar aflição
Mesmo estando na rua caminhando
Olha bem para a palma de tua mão
Nela verás o “M” de Maria
Feita por Deus, deu nossa salvação
Dos Santos e dos Anjos a alegria
Refúgio certo contra a tentação
Jovem, conserva casto teu olhar
Pra que tua alma seja também pura
Em seu coração Deus venha morar
Por encontrar nele tanta candura
Foge já das obscenas e imorais
Figuras que andam mal vestidas
E dos lugares onde vicejam mais
Ares impuros que as fazem perdidas
Onde muita gente, muito pecado
Procura, pois, fugir da multidão
Já que teu olho tudo reflete
E nada deixará sem reflexão
E se tua natureza não se acalma
Mas queres permanecer fiel a Deus
Lute contra a impureza em tua alma
Combate sem trégua os vícios teus!
(Cordeis de minha autoria)

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