terça-feira, 28 de abril de 2026

BURGUESIA COMUNISTA OU COMUNISMO BURGUÊS?

 


 



Realmente, é muito estranho que um burguês seja comunista. No entanto, sabe-se que todo líder comunista, seja russo, chinês ou de qualquer outra nação, como a cubana, tornaram-se muito ricos ao lado de seu povo na miséria. Fidel Castro, por exemplo, ostentava uma riqueza enorme e a deixou ninguém sabe pra quem. No entanto, aqui trata-se de lideres que se tornaram burguês após alçarem o poder, aproveitando-se do mesmo para fazer fortuna.

Não é o caso que vamos analisar. Vamos procurar entender a razão do cara já ter nascido burguês ou ficado rico em vida e, apesar de sua riqueza, apoiar um regime da comunidade de bens, ou seja, o comunismo, haja vista que, nesse regime, todos seus bens seriam desapropriados e ele ficaria na miséria ou se transformaria num simples proletário.

Sim, existe essa elite. E é muito atuante. Vejamos como Dr. Plínio Corrêa de Oliveira tenta explicar a existência desse tipo de comportamento:

 

O século XX foi regido pela escola “estruturalista”

“A escola “estruturalista” considera o progresso uma quimera dos homens. Seus adeptos chegam à radicalidade inimaginável de afirmar que a verdadeira maneira de viver é a dos homens pré-históricos.

Pensadores tidos como atualíssimos, cujos livros se vendem nas livrarias mais modernas, se transformaram nos detratores do progresso do século XX e nos adoradores de uma ordem de coisas que estava nas origens da História da humanidade.

Alguém objetará: “É uma escola de extravagantes, de loucos! É uma minoria muito insignificante que, por esnobismo, tomou essa importância; nós não devemos dar ouvidos a essa escola. Na realidade, ela só tem importância por causa de sua extravagância. Porém, essa escola não pode fazer sucesso, não pode ter muitos adeptos”.

Respondo que a grande maioria do século XX está afundada nesse pensamento, ainda que por vezes não o perceba. Qual é a prova? É a atitude do homem do século XX, do homem do Ocidente, e mais especialmente do burguês do Ocidente – não do proletário – viciado nas delícias. A atitude do burguês face ao comunismo é inteiramente característica nesse sentido. Os burgueses sabem perfeitamente que o comunismo oferece um teor de vida muitíssimo mais pobre do que se tem no Ocidente. Eles sabem que, se o comunismo se instalar, eles serão reduzidos ao estado operário, perderão as fortunas que adoram, o conforto que querem tanto e ficarão reduzidos a zero. Porém, a resistência burguesa contra o comunismo diminui a olhos vistos, e os anos de 1970 foram de capitulação e de fuga as mais vergonhosas face ao comunismo.

Em todos os países ocidentais, a burguesia deixou de ser a força viva e ativa contra o comunismo e começou a considerar a possibilidade da implantação dele como uma coisa que não é desejável, mas que no total não é uma tragédia.

Como explicar que esses  homens estejam dispostos a deixar suas casas confortáveis, as fortunas que acumularam e sua vida deliciosa, e se resignem a ponto de ser comunistas? Como explicar que nas últimas eleições em São Paulo, um candidato comunista tenha obtido quase a maioria dos votos no bairro mais rico de São Paulo? Como explicar uma coisa dessas?

Evidentemente, é porque há na alma do homem do nosso século uma contradição: ele gosta muitíssimo do progresso, do lucro, do dinheiro, porém ele está farto do progresso, do lucro e do dinheiro. Então, para não lutar, permite que essas coisas lhe caiam das mãos.

Uma senhora da alta sociedade de São Paulo contou-me que suas amigas estavam tão indiferentes ante a perspectiva do comunismo que, se o implantassem  em São Paulo – todas muito ricas – a única coisa que os comunistas haveriam de fazer era dar a elas o endereço do lugar onde teriam que fazer trabalhos manuais. Elas tomariam o ônibus, iriam para lá”. (Revista “Dr. Plínio”, n. 334, janeiro de 2026, pág. 27/28).

 Vou comentar aqui alguns fatos que comprovam o que disse Dr. Plínio no ano de 1980, data em que fez a conferência objeto da publicação acima. Duas figuras da burguesia tinham destaque naquele tempo: o político Antônio Carlos Magalhães e o burguês comunista Roberto Marinho. Este último, além de dar emprego a comunistas na Globo, apadrinhava políticos do PC nas eleições, como o deputado Roberto Freire; quanto à ACM mantinha uma máscara de anticomunismo por causa de seu público, todo ele conservador, mas foi a Cuba visitar Fidel Castro quando era ministro das comunistas de Sarney, em 1985, e recebeu o ditador cubano em sua casa como amigo em 31 de agosto de 1998: Fidel teria vindo lhe agradecer o benefício que ACM lhe fizera quando era ministro ao doar para Cuba tecnologia das telecomunicações.

Um caso bem característico daqueles tempos foi o do politico baiano Nilo Coelho, alçado a governador por causa da renúncia de Waldir Pires. Trata-se de um dos burgueses mais ricos da agropecuária, detentor de patrimônio fabuloso. Pois bem, alçado na política com destaque, logo se mostrou um dos maiores patrocinadores do Partido Comunista, embora não pertencesse ao mesmo. Do mesmo modo que Marinho, não somente financiava a eleição de um deputado do PC, mas promoveu a abertura de uma filial do mesmo partido em sua cidade, Guanambi, local onde seus eleitores, como no resto do país, é uma minoria irrisória. Certo dia, numa comemoração entre amigos, foi indagado da razão de, apesar de burguês riquíssimo, está financiando o PC. Respondeu ele que se o partido viesse a governar o país e instaurar o comunismo, ele então estaria entre seus amigos e teria garantido um emprego em suas fazendas coletivas estatais. Outros, porém, afirmavam que estava ele também protegendo suas fazendas de serem invadidas pelo MST: tudo indica que havia algum acordo secreto entre eles, pois sabe-se que suas inúmeras e grandes fazendas nunca foram realmente invadidas pelos sem-terra.

Hoje, essa burguesia não esconde mais suas simpatias pelo comunismo. São os burgueses, e os mais ricos, alguns bilionários, que apoiam publicamente os partidos de esquerda, muitos até amigos íntimos do Lula, com o qual vão sempre a Cuba, etc., Dentre eles consta, por exemplo, Blairo Maggi e a dona do Magazine Luíza. Trata-se de uma elite que vem há bastante tempo apoiando e financiamento a esquerda, não só no Brasil, mas em outros países. Na esquerda de hoje há dois tipos dessa burguesia: o daqueles que ficaram ricos na politica (como Lula e Zé Dirceu) e os que já eram ricos, e hoje sonham com o regime comunista, mas este destinado à população em geral, porque estes elementos sempre acham um jeito de, através da política, salvar seu modo de vida.

Está explicado o pensamento de Dr. Plínio exposto acima.

 

 


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