sábado, 11 de abril de 2026

DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA, UM DOS PILARES DA PIEDADE “PLINIANA”

 




 Com imenso gosto tratarei do tema em questão, pois versa ele a respeito de valores absolutamente essenciais para nós. De fato, somos inspirados constantemente por essas devoções que Mons. de Ségur considerava as três rosas dos bem-aventurados. Comecemos pelo culto a Nossa Senhora.

 

“Maria mons, Maria fons, Maria pons”

Creio não faltar com a verdade, dizendo que sempre estimulamos a todos a crescer na devoção a Ela, para terem a força necessária nos embates da vida. E “todos” abrange até mesmo os que ofendem a Deus e à própria Santíssima Virgem. Pois ainda que um homem esteja em estado de pecado, Nossa Senhora o ouvirá se ele Lhe pedir. Quer dizer, por pior que seja a condição de uma alma, se implorar muito, acaba obtendo as graças de que necessita para praticar a virtude. Isto é uma proclamação de confiança. Em nenhum caso podemos deixar de confiar em Nossa Senhora, na bondade, na  misericórdia, na intercessão d’Ela junto a Deus Nosso Senhor, porque Eles sempre nos atendem.

Numa linda e piedosa canção litúrgica, Nossa Senhora é assim chamada: Maria mons, Maria fons, Maria pons. Maria é montanha (mons) de todas as virtudes; é a fonte (fons) de todas as graças; é a ponte (pons) por cima de todos os abismos.

Então, nos momentos em que nos sentimos acabrunhados sob o peso de nossas misérias, devemos dirigir a Ela nossa súplica repassada de confiança: “Senhora, quando pensamos que Vós sois tudo quanto sois, e que não somos senão aquilo que somos, sentimo-nos profundamente indignos de vossa solicitude. Mas sabemos também que nunca, nunca, nunca deixareis de olhar com boa vontade para o filho que implora a vossa assistência. Assim, pedimos com insistência: tende pena de nós e acabai nos arrancando dos nossos pecados.”

Agindo dessa maneira, estejamos certos de que seremos atendidos.

 

A Onipotência Suplicante, alegria de nossas almas

Compreendamos, portanto, como é absolutamente de primeira importância termos devoção a Nossa Senhora. Deus é tão perfeito, é tão supremo, nós somos tão zeros, que era necessário uma ligação entre Ele e nós. Esse elo é Nossa Senhora.

Com efeito, mediante a Encarnação do Verbo no seio puríssimo de Maria, o Padre Eterno, por um ato de sua infinita bondade, criou os vínculos que O ataram ao gênero humano. E Nossa Senhora, tornando-se Mãe d’Ele, passou a ser também a Mãe espiritual de todos os homens.

Em vista disto, quando Ela pede a seu Divino Filho por nós, é como uma mãe que intercede junto a um filho em benefício de outro irmão deste. É impossível não atendê-la. Por isso os teólogos atribuem a Nossa Senhora o título de “Onipotência suplicante”. Em virtude de suas insondáveis perfeições, Ela é sempre ouvida por Deus em suas preces a nosso favor, e d’Ele nos obtém aquilo que, por nós mesmos, não mereceríamos.

Um exemplo pode ilustrar esta verdade. Imagine-se uma mãe que tenha dois filhos: um, reto e probo, exerce a função de juiz; o outro é simplesmente um criminoso, ao qual o irmão deste deve julgar. Que acontece, então?

A mãe se dirige ao filho magistrado e lhe diz: “Meu filho, sei que tu és juiz e que a ti cabe aplicar a justiça. Os defeitos de teu irmão são tais que exigem a pena de morte. Na verdade, porém, tu, ó juiz, me deves igualmente a vida. Poupa a desse homem que merece a pena capital, em atenção aos rogos daquela que te gerou!”

Que filho recusaria tão extremosa súplica?

Pois bem, semelhante a esta intercessão é a de Maria em favor da humanidade pecadora. E, havendo nascido d’Ela, Nosso Senhor Jesus Cristo, Lhe concede tudo o que o melhor dos filhos pode dar à melhor das mães. Tal é o valor da impetração de Nossa Senhora que, segundo o ensinamento da teologia, todas as orações de todas as criaturas devem ser apresentadas por Ela a seu adorável Filho, porque assim o dispôs a vontade divina. De maneira que — dizem os doutores — se todos os Anjos e Santos que há no Céu pedissem algo a Deus que não fosse por meio de Nossa Senhora, Ele não atenderia. Mas se Nossa Senhora, sozinha, pedir, Ela é ouvida

Essa é a Mãe de uma doçura insondável, de uma compaixão que não conhece limites.

Assim, uma vez mais, compreendemos a importância da devoção a Nossa Senhora. Como seria soturna a nossa vida de católicos, se não existisse esse vínculo com a Santíssima Virgem! E como é leve essa devoção, como é a alegria de nossas almas, como é cheia de esperança, de perdão e de  afeto materno, essa contínua assistência de Nossa Senhor![1]

  

 



[1] Excerto do artigo “Os Três Pilares da piedade “pliniana” – Revista “Dr. Plínio”, nº 19, de outubro de 1999

 


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