“Maria mons, Maria
fons, Maria pons”
Creio não faltar com a
verdade, dizendo que sempre estimulamos a todos a crescer na devoção a Ela,
para terem a força necessária nos embates da vida. E “todos” abrange até mesmo
os que ofendem a Deus e à própria Santíssima Virgem. Pois ainda que um homem esteja
em estado de pecado, Nossa Senhora o ouvirá se ele Lhe pedir. Quer dizer, por
pior que seja a condição de uma alma, se implorar muito, acaba obtendo as graças de que necessita para praticar a
virtude. Isto é uma proclamação de confiança. Em nenhum caso podemos deixar de
confiar em Nossa Senhora, na bondade, na
misericórdia, na intercessão d’Ela junto a Deus Nosso Senhor, porque
Eles sempre nos atendem.
Numa linda e piedosa
canção litúrgica, Nossa Senhora é assim chamada: Maria mons, Maria fons, Maria pons. Maria é montanha (mons) de todas as virtudes; é a fonte (fons) de todas as graças; é a ponte (pons) por cima de todos os abismos.
Então, nos momentos em
que nos sentimos acabrunhados sob o peso de nossas misérias, devemos dirigir a
Ela nossa súplica repassada de confiança: “Senhora, quando pensamos que Vós
sois tudo quanto sois, e que não
somos senão aquilo que somos, sentimo-nos profundamente indignos de vossa
solicitude. Mas sabemos também que nunca, nunca, nunca deixareis de olhar com
boa vontade para o filho que implora a vossa assistência. Assim, pedimos com
insistência: tende pena de nós e acabai nos arrancando dos nossos pecados.”
Agindo dessa maneira,
estejamos certos de que seremos atendidos.
A Onipotência Suplicante, alegria de nossas almas
Compreendamos, portanto,
como é absolutamente de primeira importância termos devoção a Nossa Senhora. Deus é tão perfeito, é tão supremo,
nós somos tão zeros, que era necessário uma ligação entre Ele e nós. Esse elo é
Nossa Senhora.
Com efeito, mediante a
Encarnação do Verbo no seio puríssimo de Maria, o Padre Eterno, por um ato de sua infinita bondade, criou os vínculos
que O ataram ao gênero humano. E Nossa Senhora, tornando-se Mãe d’Ele, passou a
ser também a Mãe espiritual de todos os homens.
Em vista disto, quando
Ela pede a seu Divino Filho por nós, é como uma mãe que intercede junto a um
filho em benefício de outro irmão deste. É impossível não atendê-la. Por isso
os teólogos atribuem a Nossa Senhora o título de “Onipotência suplicante”. Em
virtude de suas insondáveis perfeições,
Ela é sempre ouvida por Deus em suas preces a nosso favor, e d’Ele nos obtém
aquilo
que, por nós mesmos, não mereceríamos.
Um exemplo pode ilustrar
esta verdade. Imagine-se uma mãe que tenha dois filhos: um, reto e probo, exerce a função de juiz; o outro é
simplesmente um criminoso, ao qual o irmão deste deve julgar. Que acontece,
então?
A mãe se dirige ao filho
magistrado e lhe diz: “Meu filho, sei que tu és juiz e que a ti cabe aplicar a justiça. Os defeitos de teu irmão são tais que
exigem a pena de morte. Na verdade, porém, tu, ó juiz, me deves igualmente a
vida. Poupa a desse homem que merece a pena capital, em atenção aos rogos
daquela que te gerou!”
Que filho recusaria tão
extremosa súplica?
Pois bem, semelhante a esta
intercessão é a de Maria em favor da humanidade pecadora. E, havendo nascido
d’Ela, Nosso Senhor Jesus Cristo, Lhe concede tudo o que o melhor dos filhos
pode dar à melhor das mães. Tal é o valor da impetração de Nossa Senhora que,
segundo o ensinamento da teologia, todas as orações de todas as criaturas devem
ser apresentadas por Ela a seu adorável Filho, porque assim o dispôs a vontade
divina. De maneira que — dizem os doutores —
se todos os Anjos e Santos que há no Céu pedissem algo a Deus que não fosse por meio de Nossa Senhora, Ele não
atenderia. Mas se Nossa Senhora, sozinha, pedir, Ela é ouvida
Essa é a Mãe de uma
doçura insondável, de uma compaixão que não conhece limites.
Assim, uma vez mais,
compreendemos a importância da devoção a Nossa Senhora. Como seria soturna a
nossa vida de católicos, se não existisse esse vínculo com a Santíssima Virgem!
E como é leve essa devoção, como é a alegria de nossas almas, como é cheia de
esperança, de perdão e de afeto materno,
essa contínua assistência de Nossa Senhor![1]
[1]
Excerto do artigo “Os Três Pilares da piedade
“pliniana” – Revista “Dr. Plínio”, nº 19, de outubro de 1999


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