terça-feira, 18 de janeiro de 2022

A CORAGEM DE JULGAR O PRÓXIMO

 



São Bruno, referindo-se à degradação de certos monges de seu tempo, escreve no capítulo I da Santa Regra:

“A terceira e péssima espécie de monges é a dos sarabaítas[1], que, não sendo provados por nenhuma Regra, nem pela experiência, como ouro na fornalha, mas sendo, pelo contrário, moles como o chumbo, permanecendo ainda fiéis ao século por suas obras, mentem a Deus pela tonsura. Os quais, andando sem pastor, aos dois ou três, ou mais comumente sós, não nos apriscos do Senhor mas nos seus próprios, têm por lei a volúpia dos desejos: de sorte que qualquer coisa que pensarem ou preferirem, a isto chamam santo, e ilícito ao que não quiserem.

 A quarta espécie é a dos monges chamados giróvagos[2], que passam toda sua vida hospedando-se por três ou quatro dias em mosteiros diferentes, sempre vagando e nunca estáveis, servindo com requinte a sua própria volúpia e sua gula, e sob todos os pontos de vista piores que os sarabaítas. Do detestável modo de vida de uns e outros, é preferível silenciar do que falar”. (“Catolicismo”, n. 13, de janeiro de 1952).

 PODEMOS ERRAR AO JULGAR PELA APARÊNCIA, MAS DEUS NÃO

 Quando o Profeta Samuel foi até Isaí (o pai de Davi) escolher um dos filhos dele para ser Rei de Israel, ouviram isso de Deus:

 “Não olhes para o seu vulto nem para a altura da sua estatura, porque eu o julguei e não julgo o homem pelo que aparece à vista; porque o homem vê o que está patente, mas o Senhor olha para o coração”  (Sam I 16-7)

 COMO O SANTO CURA D’ARS JULGAVA AQUELES QUE NÃO ESTÃO UNIDOS A CRISTO, POIS NELES ”HÁ LATENTE ALGO DE DIABÓLICO”.

 Palavras de São João Batista Vianey, o “Cura D’Ars”, dirigidas a Ernest Hello e Jorge Seigneur, que pediam conselhos a respeito da fundação de um diário católico. (1859)

 “Vivemos em um mundo miserável. Deveis expor esta miséria e dizer a verdade sem acepção de pessoas. Há uma massa de mentiras e de erros que deveis dissipar, sem olhar para as pessoas que os espalham. Deveis combater o erro entre os católicos, pois estes têm menos direito – se posso chamar de direito – do que os outros para pregar idéias errôneas. Amai os vossos adversários. Rezai por eles, mas não deveis fazer-lhes cumprimentos. É tempo perdido. Não procureis agradar a todos, nem podeis a todos agradar. Procurai agradar a Deus e seus Anjos e Santos: eis o vosso público!

Pois bem, meus filhos, mãos á obra! Os que de vós se afastam, que vos censuram por falta de amor, intimamente vos darão razão: talvez vos defendam publicamente. Se os homens pudessem ver como eu trato “Grappin” (alcunha regional com que o Santo  designava o demônio), diriam que não lhe tenho amor. Meto-lhe medo, causo-lhe espanto, lanço-o por terra, e digo-lhe: “Grappin, tu me atacas; pois bem., eu me defendo também”.

Mas, vós meus filhos, dir-me-eis que os homens não são demônios. Sem dúvida, muitos não são demônios. Mas em todos que não estão unidos  intimamente a Cristo está latente alguma coisa diabólica: e contra isso deveis levantar-vos como executores de justiça. O erro é um obstáculo para a união. Meu Deus, quão inexaurível é a verdade, quão imarcessível, quão repleta de vida! Mais uma vez, não deixeis jamais de combater o erro. E para isto, gastai a maior parte de vosso tempo. Começai, pois, e perseverai! Não vos deixeis intimidar pela contradição. Contradição não vale nada. Fareis bem e muito bem”. (Extraído de “Catolicismo”, n. 16, de abril de 1952)

 O REINO DOS CÉUS É DOS VIOLENTOS

 Ainda da biografia de S. Luíz Maria Grignion de Montfort, o insigne apóstolo da devoção marial (1673-1716), escrita pelo Padre Louis Le Crom:

“Durante uma missão em Nantes, penetra em um botequim mal afamado “Para mostrar de quem é o locotenente, o Padre (de Montfort), põe-se de joelhos no meio dessa malta fanática e reza uma Ave Maria. Depois, levantando-se, toma os instrumentos de música, quebra-os contra o chão, derruba as mesas, em uma confusão de copos e garrafas. O estupor é geral. Alguns resistem e desembainham a espada. Com um gesto trágico o Santo avança diretamente para eles, o terço em uma das mãos e o Crucifixo na outra. Um resto de fé fez recuar esses miseráveis e,  apavorados por uma tal visão, fogem seguidos de todo o bando”. (p. 223)”.

“Em Saint-Pompain havia o mau hábito de de realizar feiras aos domingos... Montfort, ao que parece, organizou uma procissão guerreira; e, entoando cânticos, as crianças, as Virgens, os Penitentes, todos fiéis, se lançaram ao assalto das prateleiras dos mercadores e da farândula de dançarinos. Desconcertado, o inimigo fugiu”

“O Padre de Montort teria composto um cântico que recorda esse fato: A derrota das danças abomináveis e das feiras pagãs de Saint-Pompain, citado por Quérard”. (p. 355)

(Um apôtre marial – Saint Louis-Marie Grignion de Montfort”, pelo Padre Louis Le Crom, Montfortain – Ed. Librairie Mariale, Calvaire Montfort, Pont-Chateau). (Extraído de “Catolicismo”, n.40, abril de 1954)

 PODE-SE ÀS VEZES FAZER JUÍZO DE ALGUÉM POR CAUSA DE SEU FÍSICO

Palavras de São Gregório Nazianzeno referindo-se ao imperador Juliano, o Apóstata[3]:

“Eu o olhava, e me chamava a atenção sua cabeça sempre em movimento, seus ombros agitados, e que davam a impressão de desconjuntar-se, um olhar desvairado, um passo cambaleante, um nariz arrebitado que respirava insolência e desdém. E eu me perguntava: que monstro Roma alimenta aqui?” (Disc. V, 23, 24; P. G., t. XXV, col. 692, 693 -  apud Fernand Mourret, “Histoire Générale de l’Eglise”, Ed. Gay, Paris, pág. 185). (Extraído de “Catolicismo”, n. 64. Abril de 1956);

 

CENSURA: JUÍZO NECESSÁRIO PARA A FORMAÇÃO DA OPINIÃO PESSOAL E PÚBLICA

 

1.    A Crítica;- Hoje vê-se a crítica como a simples recusa e condenação feita a algo do qual não se gosta. Criticar é mostrar os erros, é condenar. Mas, não foi bem essa a intenção dos filósofos quando idealizaram a necessidade da crítica. Quando um tema estava em discussão entre eles, havia necessidade de que alguém levantasse idéias opostas a fim de que a tese fosse confrontada e demonstrada sua exatidão. Isso era chamado de crítica, especialmente entre os escolásticos, onde as discussões filosóficas eram mais livres e discutidas abertamente. A condenação ou aprovação, o juízo final do tema não vem com a crítica, mas com a própria conclusão a que se deve chegar no estudo da questão. A crítica é apenas uma fase intermediária.

2.    A Censura – Da mesma forma, a censura nem sempre provém da crítica. Ela vem muitas vezes da constatação imediata do erro em que está a idéia que se debate. E censurar não é somente condenar e apontar os erros, mas impedir que os mesmos sejam divulgados. Ela pode ser exercida por cada pessoa individualmente, pelo grupo social a quem todos pertencem, por um país inteiro através de seus governantes, ou por qualquer autoridade que detenha poder para isso. E seu exercício pode ser feito através de meios suasórios simples ou até mesmo pelo emprego de violência. Um pai censura o  filho por causa de seus erros e manda que o mesmo obedeça-o, dando razões para isso; mas se o mesmo teima na prática do erro o pai tem a obrigação de usar da força e obrigá-lo a desistir de praticar o mal, castigando-o se for necessário. O mesmo procedimento pode ser praticado pela autoridade de uma pequena comunidade contra os fautores do mal ou de uma autoridade maior de um pais, seja contra um indivíduo ou contra grupos deles. A censura, neste caso, é apenas a aplicação da lei.

 

Conclusão: É com base na crítica e na censura que é construída a opinião pública. É formada esta por idéias, e quando estas surgem, logo de início as pessoas a confrontam com idéias opostas (usando assim de crítica) para aquilatar, avaliar, se estão conformes com os conceitos sociais aceitos por todos. Após a crítica vem a censura. Quer dizer, as pessoas não somente apresentam as idéias opostas àquelas consideradas erradas, mas passam automaticamente a censurar aqueles que as defendem ou as propagam.

 



[1] Classe de monges antiga, que data do tempo de São Jerônimo. Viviam sem Regra. Eram de três classes: cenobitas, ermitãos e sarabaítas. Cenobitas porque viviam nas celas; ermitões porque andavam pelos deserto sem morada fixa, e sarabaita porque moravam numa comunidade, mas sem seguir Regras.

[2] Como adiante ele fala, os giróvagos podem pertencer a uma determinada Ordem, mas mudam-se com freqüência de uma e outra, são, portanto inconstantes numa vocação.

[3] Chamam-no de “Apóstata” porque era cristão e renegou a Fé, passando a perseguir a Igreja.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

ENTENDA A GUERRA DA MÍDIA OFICIAL CONTRA CERTOS GOVERNOS

 





Fica difícil entender as causas verdadeiras do comportamento dos órgãos de imprensa nos últimos anos sem que se tenha presente as observações abaixo. E eles sabem que estão perdendo credibilidade por causa disso, dando ensejo para que se dê mais crédito às redes sociais.

1.    O comportamento geral de toda a mídia oficial (rádio, imprensa escrita e TV) tem sido no sentido de desestabilizar qualquer governo. Por causa de um princípio doutrinário que eles adotam: é preciso estabelecer o caos e a anarquia, em benefício da revolução que foi pregada ainda na Sorbone em 1968.. Isso eles fazem com afinco em todos os países do Ocidente. Os maiores órgãos de imprensa da América e da Europa não têm feito outra coisa senão tentar desestabilizar os governos e os órgãos administrativos de seus países, sejam eles de que partido for. E nisso eles são mais rigorosos quando agem contra governos conservadores.

2.    E por que não o fizeram com Obama? Por que não o fizeram com os governos de esquerda da França, da Espanha, de Portugal?  Fizeram, sim, mas com menos intensidade, talvez por causa de jornalistas aliados com a esquerda encarregados dos noticiários. No Brasil, por exemplo, a revista “Veja” fez inúmeras reportagens mostrando os desmandos de Lula e do PT. De alguma forma, a TV Globo repercutiu algumas delas. Faz parte do jogo deles desmoralizar qualquer governo para com isso criar o caos em busca da anarquia.

3.    Vejam, por exemplo, como procuram a todo custo desmoralizar a policia. E isso não é de hoje, sempre foi assim. Quando ocorre um crime, o repórter se preocupa logo em repetir um velho chavão: “até agora ninguém foi preso”, mesmo que o fato tenha sido muito recente, pois essa expressão deixa no ouvinte ou telespectador a idéia de que a policia é inoperante. E quando abordam vítimas de algum crime procuram açular neles a idéia de “justiça”, quando, na maioria das vezes, busca-se simplesmente vingança. É uma técnica de causar comoção social.  Que está sendo usada agora habilmente com o coronavirus para se criar uma onda de comoção mundial. Espertamente eles dizem à população para não entrar em pânico, mas a repetição disso já cria o pânico. 

4.    A Insistência com que buscam divulgar escândalos políticos não é porque são zelosos pela justiça e honradez pública: na realidade visam, tão somente, desmoralizar e desacreditar os governos, sejam eles de que partido for.  A Globo, por exemplo, se hoje faz campanha escandalosa e escancaradamente contra o atual governo, não é somente porque não gosta dele e tem idéias contrárias, mas porque já o fazia muito antes contra os governos anteriores. Lembram-se da guerra que havia entre Temer e a Globo?  Será que era tudo teatro?

5.    Nesse jogo, estão agora tentando promover a China com o problema do coronavírus. Como? Dando cabimento a todas as notícias vindas de lá, as quais dão conta de que o governo de Pequim está controlando a doença (deram enorme destaque aos hospitais feitos de um dia pro outro, lembram-se?), já começa a debelá-la e dá show de eficiência a todo o mundo civilizado. Ora, não se pode dá crédito às informações oriundas de um governo comunista, para a qual não existe verdade, mas apenas oportunismo. Se morreram dez mil, eles dizem que só morreram mil. Se o problema é de extrema gravidade e que fugiu ao controle, eles repetem o contrário, que a medicina lá está muito eficiente. Afinal, tudo tem que ser dito para comprovar a tese de que a China é a segunda potência do mundo. E outros blefes da mídia. E qual a razão da mídia nada fazer para desacreditar o regime chinês, mas, pelo contrário, procurar sempre coloca-lo nas alturas?  É que ele  representa, para eles, a vitória do comunismo. A propaganda tem que mostrar eficiência, onde todos sabem que reina o caos. Não demora e vai desmoronar por si mesmo este blefe. Já ocorreu o mesmo com a extinta URSS, tida como a segunda maior potência do mundo durante 70 anos. E hoje, cadê a potência da Rússia e seus satélites? Amanhã vai desmoronar também como um castelo de cartas a falsa potência chinesa: na realidade uma associação da burguesia ocidental com um corrupto governo comunista.

6.    Mas, as redes sociais estão aí. Vários informes transpuseram os controles midiáticos do governo chinês e chegam até nós, mostrando tremenda crise na economia de lá, com falência de enormes shoppings e de escândalos com empresas ocidentes que contratam escravos atendendo exigências do governo. A história de que o PIB vem crescendo não merece nenhuma credibilidade, pois é vedado a órgãos controladores do Ocidente o acesso á realidade. Não demora e vai explodir a realidade sobre o coronavírus, e talvez nessa ocasião eles resolvam de vez implantar o comunismo mais radical, desapropriando todas as empresas de capital ocidental, e, aí, sim, pode haver uma quebradeira nas bolsas do mundo. Porque, embora ineficiente, o dinheiro vai estar lá. Desde a década de 70, quando Nixon inaugurou a “corrida” das grandes empresas americanas e europeias para investir na China, o mundo vem assistindo a ascensão inescrupulosa deste império do mal, com enorme propaganda da mídia. Na realidade, predomina na China uma das maiores escravaturas da história.

Há outros fatores a serem comentados do comportamento da mídia oficial. Mas, aqui não há espaço para discorrer sobre tudo. Uma coisa é certa: quando eles divulgam uma falsa notícia, por ser oriunda de um órgão tido como sério e crível, faz mais mal ao público do que as famosas “fakes news” divulgadas nas redes socais. 



domingo, 16 de janeiro de 2022

A Esperança e a Confiança nas Sagradas Escrituras

 




Várias são as passagens nas Sagradas Escrituras que falam da Esperança e da Confiança:

 “Onde está, pois, a minha esperança, e quem considera a minha paciência? (Job 17,15)

Dir-se-ia que satanás conseguiria tirar-lhe a virtude que o faria perseverar até o fim: a esperança. Onde estaria naquelas alturas a esperança de Jó? Esperaria ele o quê perante tanta aflição sem amparo de qualquer natureza? E claro que a resposta está em Deus...

Na maior parte de seus sofrimentos e clamor o Patriarca viu prefigurado nele a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, como esta passagem em que lamentava o estado de completo abando em que se encontrava:

“Clamo por ti, e não me ouves, ponho-me diante de ti, e não olhas para mim”

“Trocaste-te em severo para comigo, e com a dureza da tua mão me combates”

“Elevaste-me, puseste-me sobre o vento, arrojaste-me com violência.

“Sei que me entregarás à morte, onde há casa estabelecida para todo o vivente.” (Job 30, 20-23)

“Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu” (Job 19, 21).

“E, assim como os reis (ou poderosos) insultavam o bem-aventurado Jó assim os parentes e amigos de Tobias escarneciam do seu modo de vida, dizendo: Onde está a tua esperança, pela qual davas esmolas e sepultava os mortos? Mas Tobias os repreendia, dizendo: Não faleis assim; porque nós somos filhos dos santos e esperamos aquela vida que Deus há de dar aos que nunca afastam dele a sua fé” (Tob 2, 15-

Morto o ímpio, desaparece toda a esperança; e a expectativa dos maus perecerá (Prov 11, 7).

Confia em Deus, e ele te protegerá; endireita o teu caminho e espera nele; conserva o teu temor e envelhece nele (Eclesiástico 2, 6).

Vós, os que temeis o Senhor, esperai a sua misericórdia, e não vos desvieis dele, para que não suceda cairdes (Eclesiástico 2, 7).

Vós, os que temeis o Senhor, esperai nele, e para vossa consolação virá sobre vós a sua misericórdia. (Eclesiástico 2, 9).

Considerai, filhos, as gerações humanas, e sabeis que ninguém que esperou no Senhor foi confundido (Eclesiástico 2, 11).

 

SALMOS DE DAVI SOBRE A CONFIANÇA

Salmo 3 – Do Senhor nos vem a salvação

Senhor, por que são tão numerosos os que me perseguem? Muitos se levantam contra mim.

Muitos dizem à minha alma: Não há salvação para ela no seu Deus.

Vós, porém, Senhor, sois o meu protetor, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

Com a minha voz clamei ao Senhor, e Ele ouviu-me de seu santo monte.

Adormeci, e estive sepultado no sono; levantei-me, porque o Senhor me amparou.

Não temerei esse povo inumerável que me cerca. Levanta-te, Senhor, salvai-me, Deus meu!

Porque Vós tendes ferido todos os que me perseguem sem causa; quebraste os dentes dos pecadores.

Do Senhor nos vem a salvação, e sobre o seu povo, a tua bênção.

  

Salmo 4 – Alegria na confiança em Deus

Quando eu invoquei, ouviu-me o Deus de minha justiça. Na angústia me puseste ao largo. Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.

Filhos dos homens[1], até quando sereis de coração pesado? Por que amais a verdade e buscais a mentira?

Sabei que o Senhor fez maravilhoso o seu santo; o Senhor me ouvirá, quando eu clamar a Ele.

Irai-vos, e não queirais pecar; do que pensais nos vossos corações , compungi-vos no retiro dos vossos leitos.

Oferecei sacrifícios de justiça, e esperai no Senhor. Muitos dizem: Quem nos fará ver os bens?

Gravada está, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto; infundiste alegria no meu coração.

Eles estão bem abastecidos e alegres com a abundância de seu trigo, vinho e azeite.

Mas eu dormi em paz e descansarei, porque Vós, Senhor, de maneira singular me firmaste na Esperança.

 Salmo 10 – Perfeita confiança em Deus

No Senhor confio, por que dizeis à minha alma: Foge para o monte como a ave?

Eis os pecadores retesam o arco, preparam as suas setas na aljava, para as dispararem na obscuridade contra os que são de coração reto.

Porque destruíram o que fizeste de bom; mas o justo o que é que fez?

O Senhor habita no seu santo templo, o trono do Senhor está no céu,[2]

Os seus olhos voltam para o pobre; as suas pálpebras examinam os filhos dos homens.

O Senhor sonda o justo e o ímpio; mas aquele que ama a iniqüidade, a sua alma odeia.

Fará chover laços sobre os pecadores; o fogo, o enxofre e as tempestades são a parte que lhes toca.

Porque o Senhor é justo e ama a justiça; o seu rosto olha para a equidade.

 Salmo 11: Confiança, mesmo perante a perversidade geral

Salva-me, Senhor, porque não se encontra um homem de bem, porque as verdades (já) não são apreciadas entre os homens.

Cada um somente diz mentiras ao seu próximo; fala com os lábios dolosos, com coração dúplice.

Destrua, ó Senhor, todos os lábios dolosos, e a língua que fala com arrogância.

Eles disseram: Faremos grandes coisas com a nossa língua, somos donos dos nossos lábios, quem é o nosso senhor?

Em atenção à miséria dos desvalidos, e ao gemido dos pobres, agora me levantarei, diz o Senhor. Eu os porei em salvo, nisto procederei confiadamente.

As palavras do Senhor, palavras sinceras, são prata purificada no fogo, acendrada no crisol, refinada sete vezes.

Vós, Senhor, nos guardarás, e nos preservarás pára sempre desta geração.

Os ímpios andam ao redor de nós; segundo o vosso altíssimos desígnio, multiplicaste os filhos dos homens.

 Salmo 26: Confiança em Deus

(Salmo de Davi, antes de ser ungido)

O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o defensor da minha vida, diante de quem temerei?[3]

Enquanto se aproximam de mim os malvados, para devorar as minhas carnes, estes inimigos que me angustiam, eles mesmo se debilitaram e caíram.

Ainda que acampem exércitos contra mim, o meu coração não temerá. Ainda que se levante batalha contra mim, mesmo então esperarei.

Uma só coisa pedi ao Senhor, esta solicitarei, é que habite eu na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para ver as delícias do Senhor, e visitar o seu templo.

Pois me escondeu no seu tabernáculo; no dia da aflição me protegeu no segredo do seu tabernáculo.

Sobre uma pedra me exaltou; e agora exaltou a minha cabeça sobre os meus inimigos. Dei voltas (ao altar), e sacrifiquei no seu tabernáculo uma hóstia com clamores de júbilo; cantarei e entoarei um hino ao Senhor.

Ouve, Senhor, a minha voz com que clamei a ti, tem compaixão de mim e ouve-me.

Meu coração Vos falou, os meus olhos Vos buscaram; hei de buscar o vosso rosto, Senhor.

Não apartes de mim a vossa face; não vos retire do vosso servo na vossa ira. Sede a minha ajuda; não me deixes, nem me desprezes, ó Deus, meu Salvador.

Porque meu pai e minha mãe abandonaram-me; mas o Senhor me recolheu.

Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita, por causa dos meus inimigos.

Não me entregues à mercê daqueles que me atribulam, porque se levantaram contra mim testemunhas falsas, mas a iniqüidade mentiu contra si mesma.

Espero que verei os bens do Senhor na terra dos viventes.

Espera o Senhor, sê forte; cubra ânimo e espera no Senhor.[4]

Salmo 45: Confiança do Corpo Místico de Cristo, a Sua Igreja

Deus é nosso refúgio e nossa força; nosso auxílio nas tribulações que nos cercavam de todas as partes.

Por isso, não temeremos, ainda que a terra seja abalada, e sejam transladados os montes para o meio do mar.

Bramaram e turbaram-se suas águas; estremeceram os montes pela sua fortaleza.

Um rio caudaloso alegra a cidade de Deus; o Altíssimo santificou seu tabernáculo.

Deus está no meio dela, não será comovida; Deus a ajudará desde o  raiar do dia.

As nações se conturbaram, e os reinos se humilharam; (Deus) fez ouvir a sua voz, e a terra estremeceu.

O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso defensor.

Vinde, e vede as obras do Senhor, as maravilhas que operou na terra, fazendo cessar as guerras até à extremidade do mundo. Quebrará o arco, espedaçará as armas, e queimará ao fogo os escudos.[5]

Parai, reconhecei que eu sou o Deus. Hei de ser exaltado entre as gentes, e exaltado sobre a terra.

O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso defensor.[6]

 Salmo 55: Oração confiante

Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem me calcou aos pés, aperta-me, combatendo todo o dia.

Pisaram-me meus inimigos todo o dia, porque são muitos os que pelejam contra mim.

Estou temendo desde que desponta o dia, mas em ti esperarei.

Em  Deus louvarei as palavras que me dirigiu; espero em Deus, não temerei o que a carne me possa fazer.

Todos os dias abominavam minhas palavras; todos os seus pensamentos eram para o meu mal.

Juntar-se-ão, e esconder-se-ão; espiarão todos os meus passos. Como porfiaram em tirar-me a vida, de nenhum modo os salvarás; na tua ira despedaçarás estes povos, ó Deus.

A Vós expus a minha vida, tens  presentes diante de vossos olhos as minhas lágrimas, conforme a vossa promessa.

Um dia serão postos em fuga os meus inimigos; em  qualquer hora em que eu vos invocar, logo conhecerei que és o meu Deus.

Em Deus louvarei a palavra, no Senhor louvarei a sua promessa. Em Deus espero, não temerei o que o homem me possa fazer.

A meu cuidado estão, ó Deus, os votos que vos fiz, os quais cumprirei cantando os vossos louvores, porque livraste minha alma da morte, e os meus pés da queda, para que eu seja agradável a Deus na luz dos viventes.

 Salmo 61: Somente se deve confiar em Deus

Porventura a minha alma não há de estar sujeita a Deus, dependendo dele a minha salvação?

Porquanto ele é o meu Deus e o meu Salvador; é minha defesa, não serei jamais abalado.

Até quando arremetereis contra um homem? Juntai-vos todos para abatê-lo como a uma parede desnivelada, e a muro abalado.

Certamente, meditaram tirar-me a minha dignidade; corri sedento, com a sua boca me bendiziam, e com seu coração me maldiziam.

Mas tu, ó minha alma, conserva-te sujeita a Deus, porque dele vem minha paciência.

Só ele é meu Deus e meu Salvador; é minha defesa, não vacilarei

Em Deus está a minha salvação e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança está em Deus.

Esperai nele vós todos que constituís o povo; expandi diante dele vossos corações; Deus é o nosso protetor eternamente.

Vaidade são os filhos dos homens, mentirosos os filhos dos homens postos em balanças. Todos eles juntos são mais leves que a (mesma) vaidade.

Não queirais confiar na iniqüidade, nem queirais cobiçar rapinas; se as riquezas crescem , não lhes apegueis o coração.

Deus falou uma vez, eu ouvi estas duas coisas: O poder é de Deus, e Vós, Senhor, sois misericordioso, porque retribuirás a cada um segundo as suas obras.

 Salmo 90: Vantagens da confiança em Deus

O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará.

Dirá ao Senhor: Vós sois meu defensor e o meu refúgio; o meu Deus, em quem esperarei.

Porque ele me livrou do laço dos caçadores, e da palavra áspera.

Com as suas espáduas se fará sombra, e debaixo das suas asas estarão cheio de esperança.

Como um escudo te cercará a sua verdade, não temerás sustos noturnos, nem a seta que voa de dia, nem o inimigo que anda nas trevas, nem os assaltos do demônio do meio-dia.[7]

Cairão mil a teu lado, e dez mil à tua direita; mas não se aproximará de ti.

E tu com os teus olhos contemplarás, e verás o castigo dos pecadores.

Porque (disseste): Vós sois, Senhor, a minha esperança. Puseste o Altíssimo por teu refúgio.

O mal não virá sobre ti, e o flagelo não se aproximará da tua tenda.

Porque mandou aos seus anjos acerca de ti, que te guardem em todos os teus caminhos.

Eles te levarão nas tuas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra.

Sobre a áspide e o basilisco[8] andarás, e calcarás aos pés o leão e o dragão.

Porque esperou em mim, livrá-lo-ei, protegê-lo-ei, porque conheceu o meu nome.

Clamará a mim, e eu o ouvirei; com ele estou na tribulação, livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei,

Enchê-lo-ei de dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação. 

Salmo 124: Deus protege os justos que confiam

Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não será abalado, que permanece para sempre.

Montes cercam Jerusalém: assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.

Porque o Senhor não deixará pesar a vara dos pecadores sobre a herança dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para a iniqüidade.

Faze bem, Senhor, aos bons e aos retos de coração.

Mas aos que se desviam para caminhos tortuosos, levá-lo-ás o Senhor com os que praticam a iniqüidade. A paz seja sobre Israel.

Salmo 129: Confiança e Esperança, oração do pecador

Desde o mais profundo, clamei a Vós, Senhor.

Senhor, ouve a minha voz, estejam atentos os teus ouvidos à voz de minha súplica.

Se examinares, Senhor, as nossas maldades, quem, Senhor, poderá subsistir?

Mas, em Vós se acha a clemência, e por causa de vossa lei pus em Vós, Senhor, a minha confiança.

A minha alma está confiada na vossa palavra; a minha alma esperou no Senhor.

Desde a vigília da manhã até à noite, espere Israel no Senhor.

Porque no Senhor está a misericórdia, e há nele copiosa redenção.

E ele mesmo redimirá a Israel de todas as suas iniqüidades.

Salmo 141: Implorando favor divino para o desamparo de socorro humano

Com a minha voz clamei ao Senhor, com a minha voz supliquei ao Senhor.

Derramo na sua presença a minha oração, e exponho diante dele a minha tribulação.

Quando o meu espírito desfalecia, conheceste as minhas veredas. No caminho por onde eu andava, armaram-me laços ocultos.

Voltava-me para a minha direita, e olhava, e não havia quem me conhecesse. Não me ficou possibilidade de fuga, e não há quem se importe com a minha vida.

A ti clamei, Senhor, e disse: Vós sois a minha esperança, a minha porção na terra dos viventes.

Atende à minha súplica, porque fui sumamente humilhado. Livra-me dos que me perseguem, porque se tornaram mais fortes do que eu.

Tira a minha alma dessa prisão, para eu dar glória ao vosso nome, estão me esperando os justos, até que me faça justiça.




[1] “Filhos dos  homens” é como na Bíblia se refere aos ímpios, os homens maus. No entanto, Filho do  Homem (no singular e com maiúsculas) se refere ao título de Juiz dado ao Messias e aos que Lhe sejam fiéis.

[2] O templo de Deus é o coração,a alma, o interior do homem, mas o seu trono está no céu.

[3] Está se referindo ao “temor servil”, de quem é inferior para o superior ou quem está numa posição de desvantagem. O outro temor é o “temor filial ou afetivo”, de quem ama.

[4] Pede a virtude da Esperança.

[5] Evidente que esta passagem se refere às profecias sobre o futuro, quando vários Profetas se referem a uma época em que haverá completa paz sobre a terra.

[6] “Deus de Jacó”, e não “Deus de Israel”. Por que? Porque o Patriarca teve seu nome mudado para Israel pelo Anjo indicando uma vocação divina e não terrena. O Deus de Jacó representa um poder terreno.

[7] “demônio do meio-dia”, expressão que significa o demônio que tenta o homem no final de sua vida.

[8] Refere-se a duas serpentes muito venenosas.


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A REGÊNCIA ATRAVÉS DO CONVÍVIO SOCIAL

 



          Uma das coisas primordiais para o aperfeiçoamento humano é o convívio social. E será pelo convívio que as pessoas poderão mais facilmente aprender como ser regidos, co-reger ou mesmo reger a sociedade em que vive. Conviver é o mesmo que “viver com”, ter uma vida participativa com as pessoas de seu relacionamento mais próximo, e, às vezes, até mais afastado. O homem nasceu para viver em sociedade, mas não somente na sociedade terrena, pois faz parte do nosso convívio todos aqueles que vivem na eternidade.

O primeiro relacionamento social, o princípio básico de se relacionar com outro ser é o que diz respeito ao próprio Deus.  Então, quando estamos próximos de Deus em nossos pensamentos, em nossas orações e nos atos, cumprindo seus mandamentos e O adorando como Ele merece, O amando como Ele é amável, estamos iniciando um convívio que não é meramente terreno, mas celeste. Sempre que meditamos coisas divinas, nosso coração sente o palpitar da centelha divina, que nos alimenta com coisas boas e nos dá segurança nos nossos juízos interiores e em nossas decisões. É Deus agindo em nosso interior, em nosso íntimo, no  âmago de nossa alma, relacionando-Se conosco.  É assim que convivemos com Deus em nosso interior. 

Mas, o convívio com Deus pede que seja feito não somente com o Pai, mas também com o Filho e o Espírito Santo, pois são estas três Pessoas Divinas que compõem a divindade. Assim, precisamos se deixar levar pelas inspirações do Espírito Santo e, ouvindo conselhos sábios de irmãos mais santos, participando de atividades apostólicas benfazejas para o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, poderemos dessa forma ter uma convivência com o Espírito Santo. Depois disso, obedecendo às mesmas inspirações d’Ele, fazemos nossa confissão a um Sacerdote, uma convivência interior e íntima entre nós e o representante de Deus com poderes de perdoar nossos pecados, e ficaremos prontos para conviver com o Filho, indo à igreja e recebendo-O na Hóstia Consagrada. Até aqui podemos dizer que temos a convivência interior com a Santíssima Trindade. Para completar essa abençoada convivência, nada melhor do que a devoção à Nossa Senhora e a São José, que do Céu nos dirigem, nos protegem e até nos ensinam a viver a convivência perfeita com Deus.

De outro lado, a convivência humana não pára aí.  Pois Deus quer que convivamos com todos os seres por Ele criados, os Anjos e os homens. Estes últimos estão facilmente ao nosso alcance, pois alguns ainda vivem ao nosso lado nessa vida terrena. Quanto aos Santos Anjos, a convivência terrena com eles é meramente espiritual, vez por outra alentada por uma ação em nossa vida que nos faz senti-los mais de perto. Rezando a eles pedindo suas proteções, orientações, conselhos, governo, etc., estaremos estabelecendo uma profícua convivência angélica.  Embora seja mais sentida interiormente, ela se refletirá em toda a nossa vida e atuação terrena.

Depois, temos a convivência com os homens, mas não aqueles com os quais vivemos neste mundo, mas com aqueles que partiram para eternidade. Mais uma convivência meramente interior e espiritual. São as almas de nossos entes queridos e todos aqueles já falecidos, pelos quais temos obrigação de rezar ou pedir auxílio em nossas necessidades. Nessa última categoria estão não somente aqueles que sabemos ter morrido em odor de santidade, mas os santos canonizados pela Igreja, que estão no Céu a nos proteger e nos preparar para a glória eterna.

Finalmente, por último, convivemos com as pessoas que ainda vivem. Estão ao nosso lado, pelo menos de uma forma material. Precisamos conviver uns com outros a fim de nos reger e ser regidos, aprender a viver santamente, e nos preparar para a eternidade. Ninguém consegue viver isolado dos demais, Deus nos fez com disposições próprias a viver em sociedade. Por isso ser tão salutar ter bom convívio social. Há pessoas que moram ao lado de outras, mas vivem isolados, por desejo próprio ou por causa dos demais, trazendo grande mal ao seu desenvolvimento social e humano. A solidão é um grande mal, que a sociedade moderna não consegue vencer porque o homem de hoje não entende essa relação de convívio social numa hierarquia que começa em Deus para terminar naquele que está ao seu lado nessa vida. Como é que devemos ter uma boa convivência social? Suportando os defeitos do próximo? Tendo que tolerar até mesmo os importunos ou pessoas ruins que nos atormentam? Tudo isso é possível, dependendo de onde e com quem se convive. Mas, o essencial é que só conseguiremos equilíbrio de ação social nesse convívio se antes dele tivermos uma boa convivência com Deus, Nossa Senhora, São José, os Santos Anjos e os Bem-aventurados. Tudo dará certo se obedecermos essa seqüência hierárquica. Com as pessoas com as quais vivemos aprendemos a prática das virtudes, mas também seus vícios; através delas recebemos inspirações divinas, mas também diabólicas; é pelo convívio social que a boa e a má regência podem influir em nosso desenvolvimento espiritual. Se tivermos boa convivência espiritual com os seres celestes, teremos luzes para perceber onde está o erro e recusá-lo, e onde está o bem e praticá-lo.

Somente assim, conseguiremos ter uma boa regência nessa vida.

A sociedade perfeita deve estimular a sociabilidade da alma humana nestes três aspectos: a) – Participação na vida divina em todo o corpo social adotando a Religião verdadeira em toda a sociedade e reprimindo as falsas religiões;     b) – Convivência com os Santos Anjos, estimulando a prática de todas as virtudes cristãs na sociedade, em todos os escalões sociais; c) – Convivência social entre todos os homens, construindo uma Civilização perfeita, toda ela católica e sacral, onde os sentidos sejam sábia e virtuosamente usados. Em decorrência será sacralizada a pintura, a música, a arquitetura, a culinária, e todas as artes sociais (principalmente as chamadas “humanísticas”, como a antropologia, o direito, etc.), a fim de que o convívio social seja o mais perfeito possível e aproxime todos os homens de Deus.

A recente pandemia do “coronavirus”, ao obrigar toda a sociedade a um confinamento, evitando as aglomerações comuns da péssima convivência social moderna, tornou-se um castigo divino bom para a alma do homem, pois, sendo assim houve menos pecados e fez ele voltar-se mais para seu interior. Individualmente ou em seu círculo familiar, as pessoas tiveram necessidade de voltar-se para Deus, muitas lembraram-se de rezar nesta situação, fazendo com que o convívio se voltasse então mais para as coisas espirituais. Evitando a contaminação da doença, evita-se também a permissividade maior da vida de pecados. E um novo convívio social poderá surgir daí, desde que se inicie com uma boa convivência com Deus no  interior da alma de cada um.

 

 

 


domingo, 2 de janeiro de 2022

A CIÊNCIA PODE PERDER PODER DE INFLUÊNCIA?

 


Ciência quer dizer, de modo geral, conhecimento. Assim, ela tanto está na física, na química, na biologia e outras matérias ditas como empíricas ou exatas, mas também na filosofia, na antropologia, na psicologia e na teologia e tantas outras ditas “humanas”. No entanto, criou-se uma crença popular de que “cientista” é apenas aquele cara de avental, num laboratório cheio de provetas e ratos, a procura de algumas soluções. Conheci um que passou cerca de 15 anos estudando átomos e células numa universidade para comprovar uma idéia que teve (certamente seria vendida a peso de ouro), e só não ficou louco porque desistiu. Estes hoje fazem a indústria milionária da farmacologia e dos produtos médicos de modo geral. Mas, e os outros pensadores, não são também cientistas?

Nunca se colocou a ciência (esta dita empírica ou exata) num patamar tão alto como nos dias de hoje. E de modo especial a ciência médica. Experimentos mirabolantes foram exaltados pela mídia, como transplantes e implantes de órgãos, clonagens entre gêneros diferentes, etc. Nem sempre tais experiências visam a saúde e o bem dos homens, como operações plásticas e de suposta mudança de sexo.

Vivemos uma época em que tais cientistas adquiriram um alto grau de confiabilidade na sociedade. Isso porque seus inventos foram demasiadamente exaltados pela mídia, alguns de forma até mentirosa. Sem despertar suspeitas, eles continuam seu trabalho. E agora o setor da indústria de imunizantes conquistou o mais alto pódio da conquista popular.

Mas, alguma coisa começa a não dar certo. A carta de Santa Bernardete Soubirou, falando sobre o fim da era da ciência, diz que vai ocorrer uma total descrença nela, a tal ponto que os cientistas iriam ser caçados como lobos. Qual a razão disso? Alguns dizem que é por causa das clonagens de seres humanos com animais irracionais, ocasionando a produção de monstros. Quando começarem a aparecer andando pelas ruas tais monstros, talvez escapados de alguns laboratórios, o povo vai saber o que andam fazendo às escondidas tais cientistas.

Veja nossa postagem anterior sobre a matéria:

https://quodlibeta.blogspot.com/2021/07/o-fim-da-era-da-ciencia-e-producao-de.html

Um cientista brasileiro, o astrônomo Leonardo Mourão, publicou um livro destinado ao grande público, portanto, a leigos, sobre a matéria dele, onde coloca algumas coisas de ordem prática que me fizeram desacreditar uma porção de coisas cridas como válidas para a ciência. Uma delas: a idade do universo. Não se pode ter certeza de que o Universo tem, por exemplo, 15 bilhões de anos. Isso porque o tempo que se mede hoje é diferente do que existia no começo do universo. No início do que eles chamam a grande explosão era tudo mais rápido, o tempo se media de outra forma. Portanto, ninguém pode afirmar como certo algo tão antigo se não temos como mensurar hoje como era naqueles tempos. Mas, professores e estudantes dão como certa esta afirmação “científica” a respeito da idade do Universo sem levantar dúvidas.

Outra questão é a da medição pelo carbono 14. O próprio cientista que o criou disse várias vezes que esse processo nem sempre tem eficácia total, e em muitos casos o que há mais é “chute” dos estudiosos. Se não há comprovação exata a tão propalada “ciência natural” não passa de um blefe, pois não pode ser chamada de ciência algo que não tem comprovação. Exemplo: nas medições sobre a chegada do primeiro homem às Américas há teorias que dizem ter ocorrido há 15 mil, 20 mil e até 30 mil anos, divergentes e díspares porque as medições não podem ser exatas. E chamam isso de ciência?

Outro problema levantado pelo astrônomo: a distância entre astros e planetas. Ela é medida por um só padrão: o do ano-luz. Afirmam que o sol, ou qualquer outra estela, está a tantos anos-luz da terra, mas há algo a suspeitar desta afirmação. Para se medir a distância percorrida pela luz é necessário que tenhamos registrado seu curso a partir do ponto de partida dela (no caso, a terra) e também o ponto de chegada ou captação (o sol). Era como se fosse necessário ter um espelho no sol refletindo uma luz que se mandasse daqui para lá e, depois, daqui se computasse o tempo percorrido por ela (tanto daqui para lá quanto de lá pra cá). Impossível. Então como se chegam a tais conclusões?

As teses científicas são publicadas em revistas especializadas aos milhões de páginas por dia. Muitas delas até se contradizem. Um determinado médico publica, por exemplo, uma tese afirmando, e provando, que café faz mal à saúde. Mas, um outro prova o contrário, que o café faz bem à saúde. Por que tais divergências? Porque hoje não se procura mais a crítica destas teses para elucidar dúvidas, mas publicam teses apenas por causa do comércio, destinam-se a vender produtos e nada mais.

Quanto ao conhecimento médico, há milhões de teses sendo publicadas. Mas, não se voltam para esclarecer que a medicina pode se dividir na parte científica e em outra pouca lembrada: a medicina é, acima de tudo, uma arte. Dizia-se com a frase latina que é “ars curandi”, a arte de curar. Hoje, é a arte de ganhar dinheiro.

Os conhecimentos médicos que os levam a praticar esta arte com mais maestria não devem se restringir apenas aos publicados nas revistas especializadas. Afinal, tudo que há lá vem do conhecimento popular. A medicina popular é campeã na arte de curar, embora não tenha este caráter científico, desta ciência empírica. Hoje os médicos têm vergonha de receitar remédios populares, embora muitas vezes saibam da eficácia dos mesmos. Temem sofrer o riso de todos.

Vou dar exemplos. Levei minha filha, ainda criança, a um pediatra. Estava com disenteria. O médico, então, disse que fosse na farmácia e comprasse elixir paregórico, que era muito bom e recomendado para este tipo de doença infantil. Mas, não ia fazer a receita, pois iriam rir de um médico  receitar um remédio popular. Quer dizer, ele sabia exercer a medicina como arte de curar, mas não levando em consideração seus conhecimentos ditos científicos, mas a sabedoria popular. Outro exemplo, mais recente. Estava internado num hospital, após ser submetido a uma cirurgia de hérnia. A enfermeira da noite procurou saber se havia urinado e, perante a resposta negativa, disse que talvez tivesse que colocar uma sonda (um recurso mecânico que pode causar vários problemas). Minha esposa pediu então a ela que trouxesse uma bolsa de água quente para fazer uma compressa. Disse então a enfermeira que o hospital não possuía tais bolsas, que era proibido o seu uso. Minha esposa resolve a questão: mandou encher de água quente uma luva dela e a usou como compressa, tendo em poucos instantes resolvido o problema. Sem precisar de sonda. Qual a razão deles proibirem o uso de bolsas de água quente? Será por causa do custo? Provavelmente vão dar uma resposta dita “científica”, baseada em algum estudo feito por aqueles caras de avental, dentro de um laboratório, que não vivem os problemas fora dali.

De modo geral, quando a mídia fala sobre estudos científicos, especialmente da área médica, mostram apenas a primeira parte deles, feita em laboratório. No entanto, a parte mais importante é de ordem prática, quando aqueles experimentos forem aplicados nas populações. E muitas vezes demoram muitos anos para se comprovar aquelas teorias. E também para não serem comprovadas na ordem prática, como tem ocorrido com freqüência.