terça-feira, 13 de janeiro de 2026

PORTUGAL E ESPANHA TRAZIAM MAIS RIQUEZAS PARA AS COLÔNIAS DO QUE DAQUI AS LEVAVAM

 


Há algumas calúnias pregadas contra nossos colonizadores, dentre as quais a de que aqui vieram roubar nossas riquezas e de que mandavam pra cá somente bandidos e fugitivos da justiça.

Para desmentir parte desta calúnia nada mais do que um texto insuspeito, escrito por um holandês que participou da invasão da Bahia em 1624, portanto, protestante, herege e inimigo dos católicos. 

O “Relato da Conquista da Cidade do Salvador enviado para a Holanda” foi escrito por Johann Gregor Altenburg em 1628, portanto, logo depois da invasão holandesa. Dele extraímos o tópico abaixo, muito ilustrativo da riqueza que havia em Salvador na época, a qual não foi produzida aqui mas toda trazida de Portugal e Espanha (na época o Brasil estava sob domínio espanhol), fazendo de nossa capital, juntamente com Quito, uma das cidades mais ricas das Américas.  Lembremos que aqui não havia nem ouro nem prata. O ouro só foi descoberto no século XVIII e a prata muito tempo depois, e pouca. 

Eis o excerto:

“NO DIA 11 DE MAIO, RETIRARAM-SE DE TODAS AS IGREJAS E CONVENTOS, AS IMAGENS, NA SUA GRANDE MAIORIA DE PRATA, ENTRE AS QUAIS, DOZE APÓSTOLOS, UMA IMAGEM DE MARIA E OUTROS PERTENCES, QUE TOMOU O ALMIRANTE WILLEKENS SOB SUA GUARDA. AFORA ISSO, ABRIU-SE MÃO DE TODOS OS CONVENTOS E DOS BENS ECLESIÁSTICOS, NOS QUAIS SE FIZERAM IMPORTANTES E MAGNÍFICAS PRESAS, ESPECIALMENTE NO COLÉGIO DOS JESUÍTAS, ONDE FORAM ACHADOS, EM QUARENTA QUARTOS, RIQUÍSSIMOS E VARIADOS UTENSÍLIOS, OBJETOS PRECIOSOS FABRICADOS DE PRATA E OURO, DE SORTE QUE MUITO CAPITÃO,  EM UMA HORA, ARRECADOU 5 A 6.000 FLORINS; TAMBÉM SE FARTARAM OS SOLDADOS RASOS, ARREBANHANDO-SE E COBRINDO-SE DE VELUDOS, SEDAS, PRATA, OURO, COMO GRANDES OFICIAIS. NÃO QUIS, TODAVIA, CONSENTIR O ALMIRANTE NO SAQUE DAS CASAS DOS MORADORES. O QUE, DIFICILMENTE, PÔDE SER EVITADO”.

Em outra parte do mesmo documento o Autor informa que daqui saíram sete navios carregados de riqueza para a Holanda, tudo saqueado dos conventos, das igrejas e da população. Era grande o acervo cultural que portugueses e espanhóis haviam trazido para a colônia. O autor não diz o que foi feito dessas imagens, devem ter sido levadas para a Holanda e transformadas em artefatos para uso pessoal, vendidas ou colocadas em museus, não se sabe. Sedas, veludos e objetos de prato serviram para enriquecer mais ainda suas casas, a maioria já cheia dos saques piratas que faziam em suas guerras de conquista.

(“Relação da Conquista e Perda da Cidade do Salvador pelos Holandeses em 1624-1625 “ – vol. I – Johann Gregor Aldenburgk –Edição da !Brasiliensia Documenta” , págs. 239/240)

Veja nossas postagens anteriores sobre a invasão holandesa no Brasil:

VALENTE RESISTÊNCIA DAS MULHERES AOS INVASORES HOLANDESES

https://quodlibeta.blogspot.com/2016/10/valente-resistencia-das-mulheres.html

QUARTO CENTENÁRIO DA INVASÃO E EXPULSÃO DOS HOLANDESES 

https://quodlibeta.blogspot.com/2025/04/quarto-centenario-da-invasao-e-expulsao.html



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O “SENSUS FIDELIUM”

 



Todo ser humano é dotado naturalmente daquilo que se chama “senso comum”, isto é, o ato de saber o verdadeiro sentido das coisas. Tem também o “dom do discernimento”, pelo qual entende e analisa as coisas mais profundas, às vezes não perceptíveis pelo “senso comum”. Além disso, por causa da nossa Fé temos também o “sensus fidelium”, mais profundo, até, do que o “dom do discernimento”. assim definido pela Igreja: “

“O “SENSUS FIDELIUM” – Sentido dos fiéis – está relacionado com “uma espécie de instinto espiritual”, dado aos batizados, “que permite ao fiel julgar espontaneamente se um ensinamento particular ou determinada prática está ou não em conformidade com o Evangelho e com a Fé apostólica. Ele está intrinsecamente ligado à própria virtude da fé, decorre da fé e é uma propriedade dela. É comparado a um instinto porque não é o resultado de uma deliberação racional, mas uma forma de conhecimento espontâneo e natural, um tipo de percepção” [1]

No documento da “Comissão Teológica Internacional” (CTI) denominada “O Sensus Fidei na Vida da Igreja”, o termo é utilizado tanto no singular “Sensus fidei”, quanto no plural, “Sensus fidelium”, mas tem o mesmo significado, querendo dizer “sentido do fiel” ou “sentido dos fiéis”: “Como resultado, os fiéis têm um instinto para a verdade do Evangelho, o que lhes permite reconhecer quais são a doutrina e prática cristãs autênticas e a elas aderir. Esse instinto sobrenatural, que tem uma ligação intrínseca com o dom da fé recebido na comunhão da Igreja, é chamado de “sensus fidei”, e permite aos cristãos cumprir a sua vocação profética”.

Na explicitação do segundo significado, dando ao Corpo Místico da Igreja a ideia de que possui um “sentido”, a definição é necessária, haja vista que instinto é algo próprio a cada pessoa e não à coletividade em geral. Nesse sentido, o documento fala de “realidades”, isto é, de algo constatado que precisa ser definido. Quando fala do instinto individual ele se refere ao mesmo como “aptidão pessoal que tem um crente, no seio da comunhão da Igreja, para discernir a verdade da fé”. Essa aptidão é a mesma que o discernimento dos espíritos, mas vista com mais profundidade por se referir à fé e ser comparada a um instinto. Quanto ao “instinto” coletivo, próprio ao Corpo Místico de Cristo, o documento chama de “sensus fidei fidelium”: “Neste presente documento, usamos o termo sensus fidei fidelis para se referir à capacidade pessoal do crente de fazer um discernimento justo em matéria de fé, e o de sensus fidei fidelium para se referir ao instinto de fé da própria Igreja. Dependendo do contexto, sensus fidei irá referir-se a um ou a outro sentido, e, para o segundo significado, será utilizado também o termo de sensus fidelium”

Há doutrinas pregadas pela Hierarquia que para serem cridas pelos fieis necessita que o “sensus fidelium” os instrua interiormente sobre o juízo a fazer sobre elas, aceitando-as ou não. O que houve com os hereges do passado, como Lutero, é que o público que os seguiu era exatamente aquele que não aceitou a doutrina da Hierarquia, principalmente vinda do Papa. Com o passar dos anos, como este público nunca teve a assistência do Espírito Santo foi aos poucos deixando de crer naquelas doutrinas, a ponto de abandonar a falsa igreja então criada. Hoje é o que se observa entre os chamados “evangélicos”, especialmente os Anglicanos, os quais, ao longo dos anos, vão deixando gradativamente suas crenças. Ou se tornam ateus ou, atendendo ao seu “sensus fidelium”, se convertem para a Igreja Católica.

O chamado “pentecostalismo” foi uma dessas heresias, pela qual o Divino Espírito Santo continua agindo da mesma forma que atuou no dia de Pentecostes, isto é, descendo daquele mesmo modo sobre as pessoas que creem nessa doutrina. A Igreja ensina o contrário: o Divino Espírito Santo desceu daquela forma apenas uma vez, pois a partir daquele momento começou a atuar diretamente nos membros do Corpo de Cristo de uma forma natural, de uma forma mais interior e mística, através dos Sacramentos e outros dons divinos criados na sua Igreja. Isto não quer dizer que, numa situação crítica do Corpo Místico de Cristo, Ele não volte a agir novamente daquela forma, mas não de uma forma sistemática e sempre, mas uma única vez mais, apenas a fim de corrigir desvios doutrinários momentâneos, etc.

Essa doutrina do “pentecostalismo”, hoje, assemelha-se um tanto com o panteísmo, pois ensina que há imanência divina com aqueles que creem em Deus, fazendo com que sua divindade desça constantemente sobre as pessoas e, como que, se encarne nelas. Ora, como já dissemos, o Divino Espírito Santo só desceu uma vez da forma extraordinária como o fez no Pentecostes. A partir daquele momento, o normal é que Ele atue nas pessoas através da Hierarquia, do clero, dos Sacramentos, enfim, através do Corpo Místico de Cristo, como o fez com São Paulo, São Lucas e tantos outros que não estavam presentes no dia do Pentecostes, mas foram do mesmo modo possuídos do Espírito Santo.

No entanto, verifica-se que ensinaram aos católicos, especialmente depois do Vaticano II, que o “pentecostalismo”  continua acontecendo entre nós. Tentaram fazer crer aos fieis que os progressistas, reformadores da Igreja, eram possuídos do Espírito Santo, mas, a massa da população nunca acreditou nessa versão, fazendo com que atue em seu interior o “sensus fidelium”, dando crença apenas às doutrinas provenientes da autoridade competente e afim com os princípios tradicionais da Igreja.

A partir do último pontificado surgiu a ideia da “sinodalidade”, querendo dar a impressão de que os bispos, somente eles, são possuídos do Espírito Santo e, portanto, também do “sensus fidei”. Assim, deve-se acreditar piamente em tudo o que eles ensinam, porque de boa procedência, sem que o mesmo “sensus” seja ouvido dentre os fieis comuns. Isso não quer dizer que esta ideia tenha predominado, mas apenas que ela está presente entre eles. Nem é verdadeira essa ideia, nem a contrária que afirma que somente o povo fiel está possuído do “sensus fidei”, pois está definido acima que esse sentido, esse dom é dado à toda Igreja em seu conjunto, simples fieis e pastores, sacerdotes e bispos. Muitas vezes as pessoas confundem isso com a opinião pública, mas não se trata de ver o que acredita a maioria, ou a opinião dominante. Opinião pública é o consenso de uma sociedade sobre determinada matéria, mas não existe apenas uma opinião dominante e majoritária, existem várias correntes de opinião. Do mesmo modo, nem sempre a opinião dominante é a certa. No início do cristianismo a opinião dominante era a da idolatria, mas estava errada, e somente séculos depois esse erro coletivo foi corrigido.

Sejam majoritárias ou não na Igreja, as doutrinas que devem ser acreditadas pelos fieis serão aquelas que o “sensus fidelium” de todos, inclusive da Hierarquia, aponte como provindas do  Espírito Santo sem sombra de dúvidas. E para que isso ocorra, o próprio Divino Espírito Santo inspira aos cristãos a forma de analisar e definir tais doutrinas.



[1] COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, El “sensus fidelium” en la vida de la Iglesia, n. 49, Madrid, BAC, p. 49-50.


domingo, 11 de janeiro de 2026

O BRASIL TEM JEITO?


Essa questão sempre vem à tona: o Brasil tem jeito? Ou vai ficar tudo como está?

Fora o famoso "jeitinho brasileiro", qual a solução para nossos problemas? 

 Estamos presenciando hoje em algumas partes do mundo (como no Irã), algo parecido com  "Primavera árabe", movimento que eclodiu fruto das chamadas "redes sociais", na época em que se falava muito também nos "inconformados" (na Europa) e no "Ocupem Wall Street" (nos Estados Unidos), parecendo fazer parte de uma onda mundial para dar novos rumos á revolução pela anarquia. Até o símbolo deles, uma caveira chamada "Anonymus", nada diz de útil. Sim, porque tais movimentos derrubam governos, combatem algumas  injustiças, etc., mas nada apresentam de positivo, nada constroem, simplesmente deixam tudo na pior. Na Tunísia, por exemplo, já houve 9 golpes de estado após a "Primavera árabe"  conseguir derrubar o ditador de plantão que havia lá. Na Turquia tiraram uma ditadura e veio outra. No Egito, nem se fala. Quase ninguém lembra mais do movimento das redes sociais  que houve nesse país para derrubar o ditador, que caiu, mas logo outro assumiu outra ditadura. Ninguém lembra que aqueles povos árabes, de costumes ainda tribais, não entendem o que é democracia, só sabem conviver com ditadura mesmo. 

Ora, gente, vamos transplantar isso pro Brasil. Movimento de redes sociais vai conseguir o quê? Ninguém se iluda, o que vai ficar depois da queda de um governo é apenas o caos. Não nos iludamos com militares ou com políticos metidos a conservador. Pode até ser que alguns deles tenham boas intenções, mas nada conseguirão neste Brasil podre e corrupto até a medula. Não são apenas as nossas elites dirigentes que são desonestas, o cancro da desonestidade está espalhada pela nação como uma AIDS em todo o sangue do corpo social. O  respeito ao direito de propriedade, por exemplo, não existe mais em nosso povo. Um exemplo? Não há um lugar no Brasil em que um caminhão quebre, pode ser até no interior, e não seja logo saqueado pela população que se diz honesta. Não são os bandidos que saqueiam, é o povão. Ofereça um cargo público de mamata a qualquer brasileiro para ver se ele não aceita sem pensar? E sonegação de INSS e FGTS, quem é que não o faz? Se todos agem assim, criticar os políticos é hipocrisia, porque eles são apenas aquilo que o nosso povo também é.

Mas, e o Brasil tem jeito? Tem, mas só Deus pode dar um jeito em nossa atual situação. Confiemos n'Ele, que é nosso Pai, e um dia tudo se resolverá. isso quer dizer que há necessidade de uma intervenção divina. E ela não tarda. Mas, lembremos disso, tudo tem que começar por nossas elites, pois delas depende muito os destinos de nosso povo. Dizem que o poder vem do povo, mas é exercido pela elite política.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MORRE O "BLUFF" DAS MULTIDÕES

 


Vivemos um período no passado recente em que os jornais, revistas e TVs do mundo todo dominavam a opinião pública. Chegaram até a dizer que constituíam um “quarto poder”, tal era seu império sobre o povo. Maculavam honras, perseguiam adversários e até derrubavam governos. Com o advento das redes sociais o poder da mídia foi minguando gradativamente, até chegar a uma condição de quase inexpressividade. É claro que ainda têm certo poder, influenciam pequeno público, mas nunca a massa da população, nunca as multidões como antigamente. Hoje só os segue uma certa elite.

Certo público os consulta apenas para “checar” se tal notícia é verdadeira, pois ainda mantêm aquela máscara de seriedade, de confiança e fidelidade nas notícias e comentários diários. A mídia oficial funciona como se fosse o único foro da verdade. Baseados nessa falsa credibilidade, de serem sérios e fieis, fazem com perfeição “as fake new”, pois fica mais fácil para o público acreditar numa falsa notícia, bem feita,  publicada pela mídia oficial do que nas redes sociais, verdadeira “terra de ninguém”...

Quando a URSS estava a pleno vapor na Rússia, o jornal “Pravda”, de Moscou, publicou uma foto de uma procissão ou peregrinação que os católicos fizeram a Fátima, reunindo aproximadamente 700 mil pessoas. O jornal publicava abaixo da foto a seguinte manchete: “Quando é que vamos reunir multidões como esta?” E o comentário era este: como era fácil aos católicos tradicionais reunir gratuitamente multidões em suas procissões e romarias, enquanto eles, os comunistas, só o faziam oferecendo vantagens ao povo e nunca conseguiam atrair tanta gente.

É claro que com o passar do tempo houve outros tipos de promoções que diziam atrair até multidões maiores, como as do futebol, dos shows musicais e até as passeatas de homossexuais. Algumas com números exagerados e outras próximas da verdade. No entanto, as manifestações populares da esquerda sempre foram de uma minoria, cujos números eram exagerados pela mídia para lhes dar prestígio. Um exemplo aqui na Bahia: quando ACM renunciou ao cargo de senador para não ser cassado, foi recepcionado em Salvador por uma grande multidão; no mesmo dia o seu principal opositor, Jaques Wagner, fez uma manifestação contrária, na qual compareceu poucas centenas de pessoas. Nesse caso a mídia não teve coragem de mentir, mas também não mostrou a monstruosa diferença de público, pois se o fizesse confessaria que os conservadores são a grande maioria da população.

O termo mais moderno hoje é "fake news" para demonstrar a montagem de notícias enganosas. No entanto, prefiro usar o termo "bluff", porque este não é apenas uma mentira mas uma manobra astuciosa para enganar, criar, por exemplo, uma história cheia de engodos. Foi o que a mídia fez durante muitos anos para iludir o público com a ideia de que as multidões seguem as esquerdas. Hoje, os canais de TV e os repórteres dos jornais e revistas não conseguem mais criar tais "bluffs", pois há muita gente nas ruas documentando os fatos com seus celulares.

No último dia 8, houve o chamamento para o público comparecer a uma cerimônia política em Brasília. Lá ocorreu um exemplo do mirrado público da esquerda, quase ninguém compareceu para prestigiar o nosso falso presidente em sua afronta contra os inocentes que estão presos por causa do decantado "golpe" (aqui um "bluff" bem montado, não somente pela mídia, mas por um organizado grupo de esquerda). Mais uma prova eloquente de que a esquerda é uma minoria de elite, cujo público (amorfo, verdadeiros “Maria vai com as outras”) só a segue quando é enganado por engodos. Se estivéssemos nas eras passadas em que o poder de fazer "bluff" da mídia era onipotente, teriam alardeado que uma multidão tinha ido aplaudir o presidente. Hoje, ou se calam ou dizem a verdade, forçosamente, porque se mentirem o público saberá logo.

 

sábado, 3 de janeiro de 2026

O MUNDO AMADURECEU PARA O QUE VEM DEPOIS DA QUEDA DO COMUNISMO?

 


 O presidente americano invadiu a Venezuela e prendeu o ditador Maduro. No entanto, ele tem dois terríveis ditadores bem próximo de suas barbas, Cuba e Nicarágua, e nem fala neles. A situação do mundo hoje é, assim, convulsa e difícil de ser compreendida. Isto porque as coisas que ocorrem parecem não ter lógica, o homem moderno perdeu completamente o sentido de direção, de rumo, de saber para onde vai  o que fazer da vida. E isso ocorre também com governos e até nações inteiras.

Vejamos a situação da ideologia que dominou quase que completamente o século passado: o marxismo e sua consequência política mais imediata que é o comunismo, ou, como alguns chamam também o “capitalismo de Estado”, quando todas as riquezas, fontes de produção e de serviços, além de todos os cidadãos, passam a pertencer única e exclusivamente ao Estado. Fez um século que ocorreu um golpe para implantar este regime na Rússia, sendo chamado originalmente de “ditadura do proletariado”. Aos poucos este regime foi invadindo (pela força, astúcia e  rios de dinheiro) os países vizinhos da Rússia, formando um conglomerado de nações cativas sob a alcunha de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em pouco tempo já se implantava no mundo o maior império de que a História já se ouviu falar, dominando também a China, grande parte de países asiáticos e da África. Durante sete décadas este regime imperou em vastíssima região do globo terrestre, liderado pela Rússia que a mídia passou a denominar como a “segunda potência do mundo”, inferior apenas aos EUA. O logro, porém, caiu por terra e todos sabem hoje que nunca foi potência nenhuma, não tem capacidade nem de vencer a Ucrânia numa guerra que prometiam vencer em poucos meses.  

Nas Américas, houve várias tentativas de se implantar tal regime, sendo uma das mais violentas a do México, a menos de dez anos após o golpe na Rússia.  Mas, tanto lá como em outros países, como Brasil, Argentina e Chile, além de outros da América do Sul assolados por guerrilhas cruéis, tais tentativas foram frustradas graças a sadias reações das populações. Somente em Cuba tal regime se fez implantar nas Américas, perdurando até hoje com mais de  sessenta anos de todo tipo de violências e misérias que lhe são afins.

No entanto, a partir da última década do século passado a ideologia marxista comuno-socialista começou a perder fôlego. Vários países se livraram da opressão comunista, como a Hungria, a Polônia, a Lituânia, no Leste Europeu. A própria Rússia abrandou a ditadura do proletariado e instituiu um regime de meias liberdades, sendo porém dominado por partido único (o PC) até hoje. De outro lado, os partidos comunistas e socialistas mais poderosos do mundo começaram a minguar por falta de contingentes ou carência de audiências. O PC italiano, por exemplo, era o mais rico e poderoso do Ocidente, e hoje vive à míngua. Os partidos socialistas mais poderosos dominavam a política na França, Espanha, Portugal  e Grécia, mas já não se pode dizer o mesmo hoje, embora continue a influenciar na promulgação de leis de cunho nitidamente socialistas. O que queremos destacar, porém, é que mediante o fracasso retumbante da doutrina e dos princípios marxistas implantados em vários países, tudo em torno deles fenece e tende a morrer de inanição.

Como se justifica, então, que após um século da primeira experiência comunista na Rússia haver demonstrado seu mais terrível fracasso através dos anos ainda surjam políticos que queiram implantá-la em seus países, como ocorre na Venezuela e Nicarágua? Como entender que a Venezuela possa trilhar pelo mesmo caminho já tão sobejamente provado da pobreza, da fome e da miséria, que é a consequência do regime marxista, seja comunista ou socialista?

O certo é que, pela experiência, todos os povos sofrem muito com tais regimes opressores e desumanos; no entanto, as elites que os governam, pelo contrário, constroem para si fortunas incalculáveis, tornam-se burgueses e ricaços, convivendo no meio de um povo miserável. Talvez a única explicação para que tais políticos desejem e implantem tais regimes em seus países é a esperteza pela busca da riqueza e poder. Não há outra explicação.

Podemos imaginar outra resposta junto desta acima, que seria uma tática diferente que a Revolução universal quer aplicar no mundo. Não, o rumo mais avançado da Revolução hoje já não é mais o velho e decrépito comunismo. Muito mais avançou ela (a Revolução universal) na Europa com a corrupção moral e dos costumes, com a retumbante licenciosidade e liberdade sexual e da promiscuidade estonteante nos costumes sociais e morais daquela sociedade. Avançou porque corrompeu e deixou toda a Europa sujeita, por exemplo, ao avanço do islamismo sem provocar qualquer comoção ou reação de rechaço. Mole e sensual, nada faz o europeu para enfrentar a tão absurda “invasão” muçulmana, pior do que se fosse dominado por regime comunista. Acomodou-se também com leis facínoras como as do aborto e eutanásia, ou com leis imorais como aprovação de casamentos homossexuais, gozando placidamente uma vida cheia de deleites sem se incomodar com o resto do mundo, se há guerras e injustiças em outros povos. Fora isso, lá não se fala mais em socialismo, comunismo, marxismo ou coisas congêneres. A fim de manter este clima de vida gozosa e fruitiva, sem qualquer perturbação aparente, a visão de uma regime comunista deve ser afastada para longe, pois este só lembra fome e miséria.

Mas, alguma coisa nova surgiu por lá e ganha corpo no resto do mundo. É a Revolução feita pelas tão decantadas “redes sociais”. Ela já se fez presente em alguns países. Operou com sucesso na famosa “primavera árabe”, derrubando governos como o do Egito, e já se fez presente na Europa com o movimento chamado de “Indignados”. Nos Estados Unidos teve um similar, com o título de “Ocupem Wall Street”. Esta Revolução, feita assim de forma mágica através das redes virtuais, nada produziu de positivo até agora. Por que? Porque ela mesma se define como sem meta, sem rumo, sem governo, sem partido, enfim, promove caos e anarquia. Sua bandeira é apenas um rosto fantasmagórico com o nome de “anonymus”, indicando que não tem nome, além de não ter rumo certo.

De onde vem tudo isto? Tudo indica que o manual que orienta tais grupos foi elaborado pelo americano Gene Sharp, que tem o nome de “como fazer uma revolução pacífica” ou coisa que o valha. E mesmo que alguns não sigam o manual diretamente, de uma forma indireta sofrem os efeitos do mesmo por aqueles que o aplicam e divulgam suas normas. Por exemplo, todos estes movimentos se dizem “espontâneos”, como se tivessem surgido naturalmente e não pertençam a grupos organizados; não podem ter partidos políticos ou ostentar bandeira disso ou daquilo, tem que ser anônimo, sem ideologia. E se algum grupo se apresenta desta forma está aplicando a tática ensinada por Gene Sharp, Tais métodos de ação são divulgados profusamente via internet. Ultimamente, não se fala mais nos “anonymus”, tornando o movimento mais anônimo ainda (sem nome) para dar a ideia de espontaneidade. Nem tampouco, na “primavera árabe” ou no “ocupem Wall Street”.

E que ligação tem o problema da Venezuela com isso? É que a Revolução precisa mostrar ao público um alvo para que essa sua nova fase seja detonada. E nada mais visível para ser combatido do que um regime comunista nas Américas, implantado exatamente num país outrora senão rico pelo menos em ascensão e há anos sob domínio de leis e governos socialistas. Assim fica mais fácil unir muita gente em torno das redes sociais e combater o inimigo comum. E nisso pode haver muitas vantagens como derrubar um regime opressivo, ditatorial e difusor de fome e misérias. Mas, há também muitas desvantagens como, por exemplo, deixar a sociedade no caos, sem rumo, porque eles não apresentam solução para o que vem depois. Agora que Maduro caiu, haverá uma organização mais presente nas redes sociais para fazer o mesmo com os que virão depois, sejam comunistas ou não. Quer dizer, precisam criar um movimento revolucionário nas redes sociais que possa provocar mudanças sociais e políticas, e ainda sob o enfoque da espontaneidade para indicar que é o povo que faz tudo, que muda tudo, etc.,

A história de Nossa Senhora de Coromoto, a Padroeira da Venezuela, diz um pouco sobre o que espera a Providência daquele povo. A história conta que a Santíssima Virgem Maria apareceu a um cacique na aldeia de Coromoto, mas o mesmo jogou-lhe uma pedra. Naturalmente, a imagem sumiu sem sofrer os efeitos da pedrada, mas ela ficou para sempre gravada milagrosamente na pedra que o índio jogou, e até hoje pode ser vista indelevelmente. Perante tal milagre, o índio se converte com todo seu povo. Assim, a “pedrada” de hoje pode ser a implantação do comunismo, mas espera-se que a Providência reverta isso de forma milagrosa e produza efeitos contrários completamente alheios e diferentes daqueles que os “anonymus” querem disseminar na Venezuela, fazendo com que aquele povo retome o rumo de uma verdadeira civilização cristã.