Vejamos a situação
da ideologia que dominou quase que completamente o século passado: o marxismo e
sua consequência política mais imediata que é o comunismo, ou, como alguns
chamam também o “capitalismo de Estado”, quando todas as riquezas, fontes de
produção e de serviços, além de todos os cidadãos, passam a pertencer única e
exclusivamente ao Estado. Fez um século que ocorreu um golpe para implantar
este regime na Rússia, sendo chamado originalmente de “ditadura do
proletariado”. Aos poucos este regime foi invadindo (pela força, astúcia e
rios de dinheiro) os países vizinhos da Rússia, formando um conglomerado
de nações cativas sob a alcunha de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS). Em pouco tempo já se implantava no mundo o maior império de que a
História já se ouviu falar, dominando também a China, grande parte de países
asiáticos e da África. Durante sete décadas este regime imperou em vastíssima
região do globo terrestre, liderado pela Rússia que a mídia passou a denominar como
a “segunda potência do mundo”, inferior apenas aos EUA. O logro, porém, caiu
por terra e todos sabem hoje que nunca foi potência nenhuma, não tem capacidade
nem de vencer a Ucrânia numa guerra que prometiam vencer em poucos meses.
Nas Américas, houve
várias tentativas de se implantar tal regime, sendo uma das mais violentas a do
México, a menos de dez anos após o golpe na Rússia. Mas, tanto lá como em
outros países, como Brasil, Argentina e Chile, além de outros da América do Sul
assolados por guerrilhas cruéis, tais tentativas foram frustradas graças a
sadias reações das populações. Somente em Cuba tal regime se fez implantar nas
Américas, perdurando até hoje com mais de sessenta anos de todo tipo de violências e
misérias que lhe são afins.
No entanto, a
partir da última década do século passado a ideologia marxista
comuno-socialista começou a perder fôlego. Vários países se livraram da
opressão comunista, como a Hungria, a Polônia, a Lituânia, no Leste Europeu. A
própria Rússia abrandou a ditadura do proletariado e instituiu um regime de
meias liberdades, sendo porém dominado por partido único (o PC) até hoje. De
outro lado, os partidos comunistas e socialistas mais poderosos do mundo
começaram a minguar por falta de contingentes ou carência de audiências. O PC
italiano, por exemplo, era o mais rico e poderoso do Ocidente, e hoje vive à míngua.
Os partidos socialistas mais poderosos dominavam a política na França, Espanha,
Portugal e Grécia, mas já não se pode dizer o mesmo hoje, embora continue
a influenciar na promulgação de leis de cunho nitidamente socialistas. O que
queremos destacar, porém, é que mediante o fracasso retumbante da doutrina e
dos princípios marxistas implantados em vários países, tudo em torno deles
fenece e tende a morrer de inanição.
Como se justifica,
então, que após um século da primeira experiência comunista na Rússia haver
demonstrado seu mais terrível fracasso através dos anos ainda surjam políticos
que queiram implantá-la em seus países, como ocorre na Venezuela e Nicarágua?
Como entender que a Venezuela possa trilhar pelo mesmo caminho já tão
sobejamente provado da pobreza, da fome e da miséria, que é a consequência do
regime marxista, seja comunista ou socialista?
O certo é que, pela
experiência, todos os povos sofrem muito com tais regimes opressores e desumanos;
no entanto, as elites que os governam, pelo contrário, constroem para si
fortunas incalculáveis, tornam-se burgueses e ricaços, convivendo no meio de um
povo miserável. Talvez a única explicação para que tais políticos desejem e implantem
tais regimes em seus países é a esperteza pela busca da riqueza e poder. Não há
outra explicação.
Podemos imaginar outra
resposta junto desta acima, que seria uma tática diferente que a Revolução
universal quer aplicar no mundo. Não, o rumo mais avançado da Revolução hoje já
não é mais o velho e decrépito comunismo. Muito mais avançou ela (a Revolução
universal) na Europa com a corrupção moral e dos costumes, com a retumbante
licenciosidade e liberdade sexual e da promiscuidade estonteante nos costumes
sociais e morais daquela sociedade. Avançou porque corrompeu e deixou toda a
Europa sujeita, por exemplo, ao avanço do islamismo sem provocar qualquer
comoção ou reação de rechaço. Mole e sensual, nada faz o europeu para enfrentar
a tão absurda “invasão” muçulmana, pior do que se fosse dominado por regime
comunista. Acomodou-se também com leis facínoras como as do aborto e eutanásia,
ou com leis imorais como aprovação de casamentos homossexuais, gozando
placidamente uma vida cheia de deleites sem se incomodar com o resto do mundo,
se há guerras e injustiças em outros povos. Fora isso, lá não se fala mais em
socialismo, comunismo, marxismo ou coisas congêneres. A fim de manter este
clima de vida gozosa e fruitiva, sem qualquer perturbação aparente, a visão de
uma regime comunista deve ser afastada para longe, pois este só lembra fome e
miséria.
Mas, alguma coisa
nova surgiu por lá e ganha corpo no resto do mundo. É a Revolução feita pelas
tão decantadas “redes sociais”. Ela já se fez presente em alguns países. Operou
com sucesso na famosa “primavera árabe”, derrubando governos como o do Egito, e
já se fez presente na Europa com o movimento chamado de “Indignados”. Nos
Estados Unidos teve um similar, com o título de “Ocupem Wall Street”. Esta
Revolução, feita assim de forma mágica através das redes virtuais, nada
produziu de positivo até agora. Por que? Porque ela mesma se define como sem
meta, sem rumo, sem governo, sem partido, enfim, promove caos e anarquia. Sua
bandeira é apenas um rosto fantasmagórico com o nome de “anonymus”, indicando
que não tem nome, além de não ter rumo certo.
De onde vem tudo
isto? Tudo indica que o manual que orienta tais grupos foi elaborado pelo
americano Gene Sharp, que tem o nome de “como fazer uma revolução pacífica” ou
coisa que o valha. E mesmo que alguns não sigam o manual diretamente, de uma
forma indireta sofrem os efeitos do mesmo por aqueles que o aplicam e divulgam
suas normas. Por exemplo, todos estes movimentos se dizem “espontâneos”, como
se tivessem surgido naturalmente e não pertençam a grupos organizados; não
podem ter partidos políticos ou ostentar bandeira disso ou daquilo, tem que ser
anônimo, sem ideologia. E se algum grupo se apresenta desta forma está
aplicando a tática ensinada por Gene Sharp, Tais métodos de ação são divulgados
profusamente via internet. Ultimamente, não se fala mais nos “anonymus”,
tornando o movimento mais anônimo ainda (sem nome) para dar a ideia de espontaneidade.
Nem tampouco, na “primavera árabe” ou no “ocupem Wall Street”.
E que ligação tem o
problema da Venezuela com isso? É que a Revolução precisa mostrar ao público um
alvo para que essa sua nova fase seja detonada. E nada mais visível para ser
combatido do que um regime comunista nas Américas, implantado exatamente num
país outrora senão rico pelo menos em ascensão e há anos sob domínio de leis e
governos socialistas. Assim fica mais fácil unir muita gente em torno das redes
sociais e combater o inimigo comum. E nisso pode haver muitas vantagens como
derrubar um regime opressivo, ditatorial e difusor de fome e misérias. Mas, há
também muitas desvantagens como, por exemplo, deixar a sociedade no caos, sem
rumo, porque eles não apresentam solução para o que vem depois. Agora que
Maduro caiu, haverá uma organização mais presente nas redes sociais para fazer
o mesmo com os que virão depois, sejam comunistas ou não. Quer dizer, precisam
criar um movimento revolucionário nas redes sociais que possa provocar mudanças
sociais e políticas, e ainda sob o enfoque da espontaneidade para indicar que é
o povo que faz tudo, que muda tudo, etc.,
A história de Nossa
Senhora de Coromoto, a Padroeira da Venezuela, diz um pouco sobre o que espera
a Providência daquele povo. A história conta que a Santíssima Virgem Maria
apareceu a um cacique na aldeia de Coromoto, mas o mesmo jogou-lhe uma pedra.
Naturalmente, a imagem sumiu sem sofrer os efeitos da pedrada, mas ela ficou
para sempre gravada milagrosamente na pedra que o índio jogou, e até hoje pode
ser vista indelevelmente. Perante tal milagre, o índio se converte com todo seu
povo. Assim, a “pedrada” de hoje pode ser a implantação do comunismo, mas
espera-se que a Providência reverta isso de forma milagrosa e produza efeitos
contrários completamente alheios e diferentes daqueles que os “anonymus” querem
disseminar na Venezuela, fazendo com que aquele povo retome o rumo de uma
verdadeira civilização cristã.

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