SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sábado, 28 de novembro de 2015

PECADOS QUE CLAMAM AOS CÉUS POR VINGANÇA





Deus já emitiu todos os seus juízos sobre nossa época? Tudo indica que pelo menos a maioria, sim; faltando se cumprir o último deles que seria apenas o cumprimento dos castigos. Vejamos que tipos de pecados mais clamam pela culminação de tais juízos.

A)           Pecados que clamam aos Céus

Os chamados pecados que “clamam aos céus e pedem a Deus por vingança” são aqueles que envolvem uma especial malícia e repugnância abominável contra a ordem social humana criada por Deus.

São estes:

1º. O homicídio voluntário, como o praticado por Caim (Gn 4, 10), de cujo pecado Deus disse: “voz do sangue do teu irmão clama da terra por mim”. A avalanche de pecados desta natureza ocorre com tanta freqüência hoje em dia que dispensa maiores comentários. O único agravante é que tais pecados sejam praticados pelo Estado em nome da própria sociedade e para a implantação de regimes ditatoriais, materialistas e ateus. Estamos numa época em que o homicídio voluntário é praticado como arma de guerra psicológica, como método de terror, como vingança entre quadrilhas, como meio para se fazer extorsões e se adquirir riquezas e, finalmente, como tortura e perseguição religiosa. As modalidades de homicídios vão se requintando e se tornando coisas tidas como normais, ocorridas também entre familiares, entre irmãos, de pai para filho e de filho para pai. Vivemos numa época em que os homicídios são cometidos por atacado, em toda a terra, sob os diversos motivos e às vezes até mesmo sem motivo nenhum...  Não já estão clamando a Deus por vingança? Como ponto máximo desse pecado, tornou-se já rotineiro a ação de “serial killer” que saem matando as pessoas a esmo, a maioria deles se suicidando em seguida.

2º. A sodomia, pecado abominável condenado no Antigo e no Novo Testamento.
É comum o entendimento de que o pecado de sodomia só se refira ao relacionamento homossexual.  No entanto, é bom que se frise que a sodomia se refere a todo pecado que é contrário à natureza e à procriação, tendo o homossexualismo como ponto máximo, porém não o único. Pode ser chamado também ato de sodomia qualquer pecado de sexo que seja contrário ao ato natural, hoje praticado pela sociedade moderna de uma forma protuberante, maciça, estonteante mesmo.
Assim, inscrevem-se neste rol de pecados contra natureza aquilo que São Paulo chama de “inversão sexual” ou então o que, não só os homens, mas as próprias mulheres romanas faziam (hoje também um pecado comum) ao “mudarem o uso natural em outro uso, que é contra a natureza”. (Rom 1, 24-32).  Comentando essa epístola de São Paulo São João Crisóstomo diz: “Considerai como o Apóstolo reputa aos pecados de sodomia indignos de perdão, da mesma forma que os dogmas errôneos. E das mulheres diz: “Trocaram o uso natural”. Porque essas não podem alegar que foi por falta de união conforme a natureza que recorreram a essa depravação; e nem que, por não poder satisfazer sua inclinação natural que caíram nesses furiosos desejos alheios a seu próprio sexo, porque a troca é própria de quem já possui algo...”
 O principal pecado de Onan (Gn 38, 8-10) foi o de impedir a procriação e, por isso, tido como um ato abominável por Deus e punido com a morte. Porém a Igreja não circunscreve tal pecado (impedir a procriação) como aqueles que clamam aos céus por vingança e sim o de sodomia.  Deste modo, é provável que Onan tenha praticado num só pecado duas ofensas a Deus: o impedimento da procriação (que interrompia a continuidade hereditária que geraria o Messias, pois tratava-se da tribo de Judá) e o ato contrário à natureza, este sim, a sodomia, que clama a Deus por vingança e sujeito ao castigo de morte. E deve ter sido este último que clamou a Deus por vingança.
De que modo Onan impediu sua esposa de conceber?  A Sagrada Escritura não o diz, mas ele deve ter usado um recurso compatível aos atos contrários à natureza. Alguns moralistas dizem que ele usou um recurso para bloquear o sêmen, algo talvez difícil de se proceder em seu tempo a não ser por métodos grosseiros. Teria ele forçado sua esposa a “mudar o uso natural” como se refere São Paulo e praticado a sodomia? Ou teria usado algum recurso contraceptivo ensinado por feiticeiros? Qualquer que tenha sido o recurso, sofreu tamanha repulsa divina que lhe provocou a morte.
O pecado de sodomia, e não somente o de homossexualismo, teria motivado os conhecidos castigos de Deus, matando não só uma pessoa como Onan, mas cidades inteiras como Sodoma e Gomorra, ou até mesmo as cidades romanas Herculano e Pompéia, destruídas pelo vulcão Vesúvio, pois eram ninhos de abominações de pecados contrários à natureza, como sodomia e homossexualismo. Se a tanto chegou Deus por causa de um ou outro homem, o que não dizer hoje de cidades ou até mesmo povos inteiros que praticam impune e atrevidamente tais pecados?

3º.  A opressão dos pobres, viúvas e órfãos.  De tal forma este pecado mancha o nosso tempo que dele assim falou o Papa Pio XII: “Que nenhum de vós pertença ao número daqueles que, na imensa calamidade em que há caído a família humana, não vêem senão uma ocasião propícia para enriquecer-se iniquamente, tomando pé da miséria de seus irmãos e aumentando mais e mais os preços para obter um lucro escandaloso. Contemplai suas mãos! Estão manchadas de sangue, do sangue das viúvas e dos órfãos, das crianças e adolescentes, dos impedidos ou atrasados em seu desenvolvimento por falta de nutrição ou pela fome, do sangue de milhares e milhares de infortunados de todas as classes do povo que derramaram seus carniceiros com seu inglório tráfico, Este sangue, como o de Abel, clama ao céu contra os novos Cains”  (AAS 37 (1945) 112).

4º. Defraudação do salário do trabalhador, que clama a Deus por vingança conforme o Apóstolo São Tiago: “Eis que o salário dos trabalhadores, que ceifaram os vossos campos, o qual foi defraudado por vós, clama, e o clamor deles subiu até aos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tiago 5, 4). A maior defraudação do salário do trabalhador se deu quando o Estado se arrogou no direito de se apropriar dos frutos deste salário, os bens socializados pelos regimes comunistas e socialistas implantados no decorrer do século XX. Embora o regime comunista esteja hoje diluído, a legislação moderna, toda ela socialista até mesmo em países como os Estados Unidos, sofre do bafejo dos ideais marxistas, o qual propugna a tese igualitária da expropriação de todos os bens (que é o fruto do salário do trabalhador) pelo Estado. Não há um país moderno que não tenha sofrido a influência de tal legislação, justificando a afirmação da Santíssima Virgem em Fátima: “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo”. 
Um quinto tipo de pecados que bradam aos céus e clamam a Deus por vingança seria o da idolatria satânica, revestido este com o maior grau de maldade e malícia que se pode imaginar. No entanto, tal pecado se inscreve como aqueles cometidos contra o Espírito Santo e cuja vingança Deus deixa para a outra vida com um castigo ainda pior, a condenação eterna. O satanismo, ou o pecado de Revolução, é um ato que envolve malícia especial e se reveste de repugnância abominável contra toda a ordem social (humana, angelical e divina), da qual Deus é expulso e colocado Satanás em seu lugar. É a inversão da Ordem que Deus colocou no Universo.  Deste modo, tratar-se-ia de um pecado que brada aos céus e clama a Deus por vingança, mas vingança exigida pela própria Ordem que Deus estabeleceu no Universo e punível com as penas eternas.

B) Os pecados contra o Espírito Santo

São aqueles que se cometem com refinada malícia e desprezo formal dos dons sobrenaturais que nos livrariam diretamente do pecado.  São como blasfêmias contra o Espírito Santo, a Quem compete a nossa santificação.

Constituem-se pecados contra o Espírito Santo:

A desesperação: obstinada persuasão da impossibilidade de conseguir de Deus o perdão dos pecados e a salvação eterna. Este foi o pecado de Judas e é um pecado, hoje, comum aos drogados, roqueiros, ateus, etc. A desesperação é um prato comum nos dias atuais com a pregação de suicídios,  a prática de abortos e da eutanásia, o desengano geral com a desintegração dos Estados e grande frustração por não se encontrar ninguém mais falando em solução para os problemas de nosso tempo.  Um exemplo de tal estado de espírito pode ser caracterizado pela declaração de um jornalista: segundo ele, seu pai, ateu confesso, estando já velho chamou seus filhos e lhes disse que se por acaso ao chegar o momento da morte chamasse um sacerdote, pedia firmemente que negasse atender tal pedido, pois considerava que isso seria um desvio mental. O jornalista conta isso como afirmação categórica do “fundamentalismo ateu” e se diz satisfeito pelo fato do pai ter morrido sem haver solicitado a presença de um padre. No entanto, este estado de espírito não é próprio apenas daquele jornalista e de seu pai, mas de toda a sociedade moderna.
A presunção: temerária e excessiva confiança na misericórdia de Deus, esperando a salvação eterna sem arrepender-se dos pecados e mudar de vida. Este é um pecado hoje praticado por protestantes de todas as seitas e membros das chamadas igrejas ortodoxas orientais. O mesmo pode se dizer dos judeus empedernidos que não querem aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo como o Messias e se julgam mesmo assim merecedores da vida eterna. É claro que há também uma infinidade de católicos que pecam por presunção, continuando sua vida de pecados na esperança de que, apenas na hora da morte, obtenha a graça da contrição e a salvação eterna.
A heresia: ou “impugnação da Verdade conhecida”.  Desta forma se peca desprezando o dom da Fé, dado pelo Espírito Santo, e contra a mesma luz divina. São tantas as heresias e hereges que existem em nosso tempo que seria difícil enumerar a todos ou ao menos os principais. Trata-se de um pecado coletivo que clama a Deus por reparação.
A inveja da graça fraterna: segundo São Tomás de Aquino é um dos pecados mais satânicos que se pode cometer, porque com ele “não só se tem inveja e tristeza do bem do irmão, senão da graça de Deus que cresce no mundo”.  Entristecer-se da santificação do próximo é um pecado direto contra o Espírito Santo, que concede benignamente os dons interiores da graça para a remissão dos pecados e santificação das almas. É o pecado cometido por Lúcifer, pecado dos demônios, por isso chamado de satânico. Em escala mundial este tipo de pecado é mais comum entre os muçulmanos e outros pagãos, os quais odeiam visceralmente todo o Ocidente pelo que ainda resta de cristão.  É também o pecado dos agnósticos, céticos e ateus que odeiam a Santa Igreja Católica Apostólica Romana e A querem destruir por inveja da proteção divina que lhe é própria.
A obstinação no pecado:  recusa das insinuações interiores da Graça divina e os sãos conselhos das pessoas sensatas e cristãs, não tanto para entregar-se com mais tranqüilidade a toda classe de pecados quanto por refinada malícia e rebelião contra Deus. Perante os reiterados avisos, ameaças e até de castigos incontestáveis os homens da atualidade comportam-se com a mais terrível das obstinações em seus pecados.
A impenitência deliberada: determinação de não arrepender-se nunca dos pecados e resistir a qualquer inspiração da graça para o arrependimento.  É o mais horrendo pecado contra o Espírito Santo, já que a pessoa se fecha voluntariamente e para sempre as portas à Graça divina.
Tais pecados são irremissíveis?  O pecado contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste nem no outro mundo, conforme se lê em São Mateus: “Por isso vos digo: Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, porém a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Todo o que disser alguma palavra contra o Filho do homem, lhe será perdoado; porém o que disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro (Mt 12, 31 -33). De modo geral não há nenhum pecado que seja tão grave que a misericórdia infinita de Deus não possa perdoar, desde que o pecador dele se arrependa. Porém, como precisamente o pecado contra o Espírito Santo rechaça a graça de Deus e se obstina voluntariamente em sua maldade, é impossível que, enquanto permaneça nessas disposições, se lhe perdoe seu pecado, perdão que o próprio pecador se recusa obstinadamente a pedir.

C) A conjuração contra Deus

O termo “conjuração”, aqui usado, não se refere às tramas universais de certas sociedades movidas consciente e deliberadamente contra Deus e Sua Igreja, mas, por analogia, às inclinações que os homens têm de se unirem para, juntos, pecarem e ofuscar a Obra divina.
Quando Nossa Senhora previu em Fátima que várias nações seriam aniquiladas Ela deixou implícito que tal se daria com a morte das pessoas que comporiam tais nações. Tais castigos trarão então a morte como moeda corrente, que seria o ponto principal deles.  A morte será vista pelo ímpio como o ápice de seu desespero, enquanto pelo justo será como uma dádiva de Deus e uma porta para o Paraíso. Seria como último juízo de Deus contra os homens envolvidos numa conjuração universal contra Deus e sua glória aqui na terra.
Os pecados coletivos ofendem mais e atraem mais os castigos divinos. Quando uma pessoa peca individualmente afasta Deus de seu coração e nele entroniza Satanás.  Quando esta mesma pessoa procura uma outra e juntas praticam o pecado, aí então a malícia aumenta. Isto porque:
1º. Ocorre entre ambas uma espécie de conjuração contra Deus (impedindo que exerça Sua regência sobre aquelas almas), contando também com a participação do demônio;
2º. Os males que os demônios antes praticavam em cada pessoa separadamente, agora o fazem em conjunto, portanto com mais força;
3º. Quando grupos de pessoas cometem tais pecados, atingindo então famílias, cidades, sociedades inteiras, tal conjuração atinge a universalidade e clamam a Deus por castigos coletivos.
Se Eva tivesse pecado sozinha não teria feito tanto mal à humanidade e à glória de Deus, pois Adão teria ficado fora daquela “conjuração” contra Deus. O difícil é para nós imaginar como conviveria futuramente aquele casal, um no Paraíso terrestre e outro fora. Deus certamente estabeleceria outros planos para a Humanidade.
No sentido que analisamos, há uma conjuração contra Deus no mundo moderno?
Quando a prática de todo tipo de pecado sai do âmbito pessoal e passa a ser cometido por casais, por famílias, por sociedades inteiras;
Quando os pecados se transformam em leis, como o divórcio e o aborto, praticados ou aceitos por todos;
Quando se praticam coletivamente pecados contra a natureza, mesmo que se entenda que muitos perderam a noção do mal que fazem;
Quando enfim todas as nações da terra praticam ou toleram o adultério, a avareza, a inveja, a ganância, o homossexualismo, etc.
Aí então, pode-se dizer que estão todos envolvidos numa enorme conjuração universal contra Deus. Uma conjuração de homens e demônios contra Deus e Sua glória. Como frisamos acima, não se trata aqui da conjuração das forças secretas para destruir a Igreja e a Cristandade, esta uma empreitada (portanto, uma ação consciente, deliberada e premeditada) dos inimigos de Deus comandados por Satanás a partir de seu “trono”.

Princípios básicos dessa “conjuração”
A “idéia” dessa conjuração contra Deus começa no interior de cada alma. O pecado não é um simples ato de deleite, mas um estado de revolta contra Deus.  Até mesmo sem o saber, o pecado conta com um “sócio” em seus atos, que de início é o próprio demônio, mas logo encontra outra pessoa.  E a referida “conjuração” tem início num ato que é fruto de uma “união”, de uma quase combinação de interesses, entre o pecador e o demônio, efetivando-se futuramente com a adesão de uma outra pessoa. Aí teremos um pecado coletivo em sentido “minor”, cometido por apenas duas pessoas. Mas aqueles dois procuram outros e em breve aquele pecado será coletivo em sentido “major”.
Temos alguns exemplos de pecados que envolvem conjuração contra Deus. Coré, Daton e Abiron se uniram contra Moisés numa conjuração tríplice e louca; os velhos que tentaram contra a casta Susana se conjuraram para o pecado, mas encontraram a nobre resistência dela; Judas conjurou explicitamente com os judeus da sinagoga contra Nosso Senhor. Neste ponto Judas consumou num pecado coletivo os diversos pecados individuais de avareza e poder que vinha cometendo; São Pedro não cometeu propriamente pecado de conjuração quando negou Jesus por três vezes perante os criados, haja vista que não houve participação de uma ou mais pessoas. Por isso seu pecado foi menos grave e obteve o perdão; toda a perseguição e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo não passou de uma enorme conjuração que envolvia homens ímpios e Satanás. Com relação aos homens que participaram daquela conjuração, note-se que estavam eles cheios de pecados de malícia, de avareza, de inveja, enfim, de tudo o que há de mal que eles já praticavam entre si, conjurando-se mutuamente contra Deus.
Depois da terrível conjuração contra o Salvador, os homens fizeram diversas conjurações contra os cristãos e a propagação do Cristianismo. A ponto de se chegar ao ápice da conjuração para a destruição da própria Igreja que tomou corpo após o declínio da Idade Média.
E nós, caro leitor, quando procuramos alguém para cometer com ele um pecado não praticamos também uma conjuração? Será que, ao praticarmos aquele pecado, naquele mesmo instante não estamos sujeitos ao juízo de Deus sobre a conjuração coletiva que se faz contra Ele? Precisamos ver que a natureza do pecado é diferente, a individual e a coletiva. Também é bom imaginar que tanto os vícios coletivos (que mourejam na outra pessoa com quem se peca) quanto os demônios podem passar para nosso interior. Pode ser que, naquele momento, cresça um grau a mais o poder satânico sobre a sociedade inteira, e por nossa culpa!


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