SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Milagres Eucaristicos

É a manifestação sobrenatural mais reveladora da misericórdia divina, quando o próprio Cristo, Nosso Senhor, procura constantemente, ao longo dos anos, comprovar o cumprimento de suas palavras: “Ficarei convosco até o fim dos tempos”.
Principais características destes milagres:

1. Causas dos milagres


a) Incredulidade ou negligência do celebrante:

O mais antigo milagre eucarístico (Lanciano) teve como causa principal a incredulidade do celebrante. Outros milagres tiveram a mesma causa, em numero de quinze, mais ou menos. Houve um caso, porém, que denota não só incredulidade, mas irreverência, como o de Cássia, quando o sacerdote colocou a Partícula consagrada dentro do Breviário. Talvez o que denota maior gravidade, pois ocasionou um milagre mais portentoso, foi o de Regensburg, haja vista que o Crucifixo que estava no altar estende sua mão e toma o cálice da mão do celebrante.
No primeiro milagre de Florença (1230), nota-se que houve também negligência do celebrante, pois havia deixado algumas gotas de vinho consagrado no cálice: provavelmente não o ingeriu completamente durante a Missa. No milagre de Roma (o de 1610), o celebrante não só duvidou da Real Presença na Hóstia consagrada, mas agiu também negligentemente deixando-A cair no chão. Em outros dois casos, nos milagres de Alkmaar e de Boxtel Hoogstraten, ambos na Holanda, os celebrantes negligentemente deixaram derramar o vinho consagrado (quer dizer, o Sangue de Cristo) sobre o altar.

b) Incêndios:

Diversos foram os milagres decorrentes de incêndios ocorridos em capelas, igrejas e santuários. Não se sabe se todos foram proposital ou não, sendo mais provável que, na sua maioria, tenham sido ocasional ou por causa de negligência daqueles que cuidam das coisas sagradas. Em Faverney, Pressac, Wilsnack, Florença (no milagre de 1595), Morrovalle, Amsterdam e Stiphout, ocorreram os mais conhecidos. Em Pressac, embora o cálice tenha se derretido completamente, no entanto a Hóstia que estava dentro dele permaneceu intacta. Em Wilsnack, as Hóstias não só estavam intactas após o incêndio, mas também sangrando, o que talvez indique que o acidente foi proposital.
O milagre de Amsterdam, no entanto, tem uma particularidade: não foi decorrente de um incêndio ocorrido numa igreja, mas do fogo de uma lareira, na qual uma empregada havia jogado uma Hóstia consagrada que seu patrão vomitara minutos antes: a Sagrada Partícula salvou-se do fogo flutuando milagrosamente na lareira.

c) Sacrilégios, roubos e profanações:

Uma grande quantidade de milagres eucarísticos ocorreram após ter havido sacrilégios, roubos e profanações do Santíssimo Sacramento. Muitos casos, como o de Santarém, o narrado por São Pedro Damião e o de Ettiswil, na Suíça, foram cometidos por pessoas que receberam a Comunhão, tiraram a Hóstia da boca logo depois e a levaram para ser profanada por algum feiticeiro. Em outros casos foram hereges ou ateus que conseguiram obter as Sagradas Espécies, ou roubando ou por intermédio de alguém, para fazer uma profanação acintosa contra Cristo, como o ocorrido com as Sagradas Hóstias do “El Escorial”, de Bruxelas, na Bélgica, de Paris (em 1290), de Poznan, na Polônia, e de Alcoy, na Espanha. Em outros casos, o ladrão nem sequer chegou a consumar completamente o sacrilégio ou profanação, como o ocorrido em Weiten-Raxendorf, na Áustria, e Herentals, na Bélgica. Nos casos de Augsburg, Bettbrunn e Erding, todos na Alemanha, o roubo deu-se porque os fiéis (uma senhora e dois camponeses), por uma piedade ignorante ou falsa, queriam ter o Santíssimo dentro de casa e, como não era permitido, resolveram roubá-Lo.
E no caso de uma comunhão indigna, estando a pessoa em estado de pecado mortal? Temos então o milagre ocorrido em Mogoro, no ano 1604, quando dois homens tiveram suas línguas queimadas logo após comungarem indignamente: cuspiram as Hóstias na mesma hora e em seguida explicaram ao sacerdote que elas estavam como carvões em brasa na boca.
Em Patierno (Nápoles) as Sagradas Espécies foram roubadas por duas vezes: na primeira, em 1772, ocorreu o fenômeno da recuperação milagrosa, mas na segunda, ocorrida já no século XX, em 1978, nada ocorreu e, lamentavelmente, as partículas estão desaparecidas até hoje.

2. Natureza dos milagres


a) Hóstias transformam-se em carne e vinho em sangue:

Muitos foram os milagres em que as Sagradas Espécies se transformaram em carne e sangue. O principal e mais antigo deles é o de Lanciano, visto até os dias atuais. O mesmo ocorreu em Middleburg, na Bélgica, em Augsburg, na Alemanha, em Alatri e em Bagno di Romagna, na Itália. Em um outro, na Espanha, o sacerdote não conseguiu engolir a Hóstia, transformada em carne. Em “O Cebreiro”, também na Espanha, ambas as espécies, Hóstia e Vinho, transformaram-se em carne e sangue ao mesmo tempo na hora da Missa.
No entanto, o caso mais espantoso foi o narrado no Apoftegma dos Monges do Deserto, num lugar do Egito chamado Scete. Como um monge duvidasse da real presença de Cristo na Eucaristia, na hora da consagração foi visto próximo ao altar o Menino Jesus ao lado de um Anjo armado de uma espada (que logo O imolou), de cuja carne foi oferecida como Hóstia aos monges para que comungassem.
Em Daroca, na Espanha, Bolsena e Offida, na Itália, as Hóstias transformaram-se em Sangue e em Bagno di Romagna, na Itália, e Alkmaar, Boxmeer e Box-tel , na Holanda, foi o vinho que se transformou.

b) Hóstias que sangram:

Neste casos, as sagradas espécies, especialmente as Hóstias, não transformaram-se em carne, mas sangraram. Hóstias sangraram em Santarém, Hasselt, em Corcum (as Hóstias que estão no “El Escorial”), Guadalupe, Macerata, Fiecht, Bois-Seigneur-Isaac, Bruxelas, Herkeronde, Ludbreg, Blanot, Dijon, Bernningen, Wilsnack, Asti, Roma, Trani, etc. Algumas chegam até a esguichar sangue.

c) Hóstias que flutuam e/ou brilham:

Após algum sacrilégio, o milagre se iniciava geralmente com o sangramento das hóstias, mas logo depois, no lugar onde o profanador as escondia, elas começavam a brilhar para que os fiéis as encontrassem. Isto deu-se especialmente nos milagres de Santarém e Herentals.
Em outros milagres, porém, as Sagradas Espécies ficavam flutuando, sozinhas ou juntamente com o ostensório, para escapar de algum incêndio, como o ocorrido em Faverney, ou de profanadores, como o de Paris (ano de 1290), Volterra (Itália), ou então sem motivo aparente, como os de Douai e Erding.

d) Manifestações ou Imagens de Cristo na Hóstia:

Em outros milagres a manifestação sobrenatural consistiu numa ação explícita de Nosso Senhor, através da impressão de imagens na Hóstia, como em Waldurn que teve Suas imagens impressas no Corporal, ou até mesmo de Sua intervenção, como no milagre de Regensburg em que o Crucifixo pega o cálice da mão do celebrante incrédulo.

e) Animais que veneram as Sagradas Espécies:

Em Daroca, a mula que carregava as Espécies milagrosas, após caminhar 200 milhas em doze dias, finalmente ajoelha-se e cai morta perante o local escolhido pela Providência. Em Sousa, no Brasil, o pastor encontra as ovelhas ajoelhadas venerando a Sagrada Eucaristia no meio do mato e o milagre repete-se dias depois, com as ovelhas ajoelhando-se ao ouvir o toque do sino para a Missa. Em Glotowo, na Polônia, os bois estancam respeitosamente perante as Sagradas Espécies, que não estavam visíveis, mas enterradas. O mais estupendo, porém, foi o milagre realizado por Santo Antonio em Rímini, na Itália: uma mula, embora faminta a vários dias, recusa o alimento oferecido e ajoelha-se perante o Ostensório com a Hóstia Consagrada.

f) castigos:

Alguns milagres eucarísticos realizaram-se com castigos a homens maus e incrédulos. Em Seefeld, o chão se abriu aos pés de um profanador, em Wilsnack um incrédulo cavaleiro ficou cego e em Santa Maria do Monte saiu uma língua de fogo do Tabernáculo e queimou um soldado que o profanava.

g) pessoas curadas ou miraculadas:

Em grande parte dos milagres eucarísticos houve muitas curas, algumas na hora, outras depois do milagre eucarístico. Em La Rochelle tivemos a cura instantânea de um menino de 7 anos de idade. Em Marselle, destacam-se as curas de um sacerdote, paralítico e mudo, e de um cego. Milagre mais estupendo foi o ocorrido em Miguel-Juan Pellicer, na Espanha: um aleijado teve sua perna, amputada, completamente restabelecida ao tronco do seu corpo. Muitos outros milagres de curas ocorreram, alguns não mencionados nas crônicas, outros aqui omitidos para não alongar demais o presente relato.

h) vencendo as forças da Natureza:

Grande parte dos milagres eucarísticos deu-se vencendo as próprias forças da natureza. Em Avignon as águas de uma enchente afastam-se como as do Mar Vermelho no tempo de Moisés, permitindo que o Santíssimo seja retirado são e salvo do Sacrário. Em Tumaco, na Colômbia, o Santíssimo acalma um maremoto salvando toda uma população católica. No Egito, uma santa anacoreta caminha sobre o rio Jordão para receber a Comunhão. Na Martinica, o Santíssimo salva o lugarejo chamado Morne-Rouge da fúria de um vulcão. Em Canosio, fez parar uma enchente. Em Cava del Tirreni, na Itália, faz cessar uma peste. Em Dronero, também na Itália, faz apagar um incêndio que ameaçava a cidade. Já em Pibrac, na França, as águas de um rio afastam-se para que Santa Germana Cousin passe a pé enxuto para assistir a Santa Missa e comungar.

i) Eucaristia como único alimento:

A devoção à Eucaristia levou inclusive muitos santos a alimentar-se unicamente dela, comprovando assim também o seu valor como alimento meramente natural. A Beata Ana Catarina Emerich, também estigmatizada, passou vários anos tendo como único alimento a Hóstia Consagrada; quando muito se acrescentava uma ameixa e copo d’água. Outros santos nem sequer tinham qualquer complemento ao da Eucarista, como a Serva de Deus Teresa Newman de Konnersreuth, alemã, que viveu assim durante 36 anos. A Beata Alexandrina de Balasar, portuguesa, passou 13 anos alimentando-se unicamente da Eucaristia. São Nicolau Flueli, Patrono da Suíça, 20 anos; a Serva de Deus Anne-Louise Lateau, 12 anos. O caso mais fantástico é da vidente e estigmatizada francesa Martha Robin que passou 53 anos alimentando-se unicamente da Hóstia Consagrada! Nem sequer água ela podia ingerir...

j) Perpetuação das Sagradas Espécies sem se decompor por muitos anos:

O fenômeno mais impressionante foi o de Lanciano, cujas Espécies mantêm-se intactas e incorruptas por mais de 13 séculos! Em Alcalá, o milagre foi oficialmente reconhecido após as Espécies se manterem intactas por onze anos. Já em Onil, também na Espanha, duraram 119 anos. Em San Juan de las Abadesas há uma Hóstia colocada numa estátua em 1251 e que permanece incorrupta até os dias atuais. E assim, vários foram os milagres cujas espécies sacramentais permaneceram incorruptas por anos a fio, muitos deles vistos até os dias atuais.

3. Milagres vistos até hoje


Até os dias atuais podem ser vistos os milagres de Lanciano (13 séculos), Santarém (sete séculos e meio), Seefeld (seis séculos), Hasselt (sete séculos), Faverney (quatro séculos), “El Escorial” (quatro séculos), Fiecht (sete séculos), Middleburg (sete séculos), Douai (mais de sete séculos), Neuvy Saint Sépulcre (quase oito séculos), Erding (seis séculos), Bagno di Romagna (seis séculos), Mauro La Bruca (277 anos), os dois milagres de Florença (um com quase 8 sécu-los e o outro com quatro centenários), Offida (sete séculos), Boxmeer (seis sécu-los), Alcalá (quatro séculos), Siena (277 anos), com uma particularidade: em Siena continuam intactas mais de 200 hóstias!

4. Relíquias indiretas conservadas


Em alguns milagres as Sagradas Espécies já não existem, mas ainda se conservam relíquias indiretas, como em Faverney (um ostensório), em Guagalupe (os corporais e a pala), em Bruxelas (os relicários), em Blanot (uma toalha), em Mogoro (pedras) e em Boxtel (o corporal).

5. Milagres conhecidos e aprovados pelo Papa


Vários milagres eucarísticos foram oficialmente conhecidos e aprovados por papas ao longo dos séculos. O Papa Leão X estabelece sede episcopal em Lanciano no século XVI, e, alguns anos depois, Pio IV eleva-a ao arquiepiscopado.
Eugênio IV concedeu ano de jubileu para Daroca a cada 10 anos e reconheceu como autênticos os milagres de Waldürn, na Alemanha, e de Ferrara, na Itália. O Papa Sérgio IV toma conhecimento oficial, através de São Pedro Armengol, do milagre de Ivorra e o aprova através de uma bula. Bonifácio IX concede a Cássia indulgência equivalente à da Porciúncula. Gregório IX reconhece o milagre de Alatri através de uma bula, Paulo III o de Asti e Ubano IV o de Bolsena. O Papa Pio IV reconhece o de Morrovalle e Inocêncio VIII o de “O Cebreiro”. A maior parte destes reconhecimentos foi através da concessão de indulgências especiais.

6. Extinção das espécies miraculadas


Muitas das Sagradas Espécies miraculadas já não existem. No entanto, duraram vários anos atestando a grandeza do milagre. As do milagre de Dijon duraram 364 anos, de Les Ulmes 130 anos, de Marselle e de Paris sete séculos, de Bettbrunn 105 anos, de Wilsnack 139 anos, de Patierno 204 anos, de Turim cerca de dois séculos, de Veroli apenas 12 anos, de Gerona quase sete séculos e de Silla 29 anos (destruídas pelos comunistas em 36).

7. A Eucaristia e a ciência


Os estudos mais documentados são os do milagre de Lanciano, com várias pesquisas feitas ao longo dos séculos. Finalmente, no século XX foram feitos estudos científicos mais completos, onde se constatou a autenticidade do milagre. Também foram feitos estudos nas relíquias de Ivorra no ano 2000 e se constatou o mesmo. Também no século XX, em 1958, foram analisadas as manchas do Corporal do milagre de Bagno di Romagna, onde se confirmou que eram de natureza hematológica. Também foram feitos estudos de natureza científica em Patierno. Um cientista, pelo menos, converteu-se e tornou-se santo: trata-se de Nicola Stenon, beatificado pela Igreja.

8. Milagres feitos por intercessão de Santos


Alguns milagres foram feitos por intercessão de santos, dentre eles, os grandes milagres de Santa Clara de Assis e de Santo Antonio. Mas pode-se acrescentar também os de São João Bosco, Santa Maria, a Egípcia, São Sátiro, Santa Lúcia Filippini, Beata Imelda Lambertini, Santa Juliana Falcinieri, Beata Ângela de Foligno, e tantos outros que é impossível aqui relatar.

9. Milagres eucarísticos e as três revoluções:


A maior parte dos milagres eucarísticos deram-se no período que vai desde a Renascença até o Protestantismo, decorrentes, principalmente, das heresias que negavam a presença real na Eucaristia. Um fato que se chama a atenção: em 1593, um monge pregava citando o milagre de Fiecht, na Áustria, e fez uma multidão de protestantes recuar sem argumentos. O milagre exposto em “El Escorial” foi realizado em decorrência da ação de hereges protestantes da Holanda, um dos quais converteu-se.
No entanto, o ódio contra a Eucaristia foi mais violento na Revolução Francesa, ocasião em que se destruíram, inclusive, várias relíquias provenientes de milagres existentes ainda na França. Em 1794, destruíram as relíquias do milagre de Dijon; nesta mesma época sumiram-se as relíquias do milagre de Douai; as sagradas espécies de Les Ulmes tiveram que ser consumidas pelo sacerdote para se evitar uma profanação pelos revolucionários. Finalmente, as hóstias milagro-samente conservadas pelo milagre de Paris desde 1290 foram destruídas pelos revolucionários cinco séculos depois!
Com relação ao comunismo, tivemos maior quantidade de relíquias destruídas durante a revolução comunista de 36, na Espanha. Em Ludbreg, na Croácia, só foi possível restabelecer o culto às sagradas relíquias após a queda do regime comunista.

10. Santos Eucarísticos


Não se pode dizer que um santo não seja eucarístico, pois a Eucaristia é o centro de toda santidade. No entanto, alguns deles se caracterizaram por ter sido especialmente devotos da Eucaristia, como São Tomás de Aquino, São Bernardo, São Pedro Julião Eymard, São João Bosco, etc. Merece destaque o Beato Ivan Merz, croata, que, apesar de ter vivido num mundo materialista e conturbado (séculos XIX e XX), conseguia comungar diariamente.

11. A Eucaristia e as aparições marianas:


O Santíssimo Sacramento esteve presente em quase todas as últimas aparições marianas. As aparições à Santa Catarina Labouré geralmente se davam quando ela fazia a adoração da Eucaristia. A devoção à Eucaristia em Lourdes teve incrível incremento quando um sacerdote propôs realizar uma procissão com o Santíssimo Sacramento e ocorreu uma cura prodigiosa. A partir de então, todos os doentes que vão a Lourdes são abençoados com o Santíssimo Sacramento.
Em Fátima, as aparições foram precedidas por uma aparição do Anjo com um Cálice apresentando uma Hóstia, gotejando sangue, logo dada em comunhão às crianças. Tudo indica que Francisco e Jacinta ainda não tinham feito a Primeira Comunhão até aquele momento.

Aqui estão relatados em detalhes mais de 150 milagres eucarísticos. Veja abaixo vídeos da TV da Madre Angélica sobre os milagres eucarísticos.






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