SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

quarta-feira, 9 de março de 2011

SÃO MENTIROSOS OS QUE DIZEM QUE O CARNAVAL É APENAS UMA BRINCADEIRA

Santo Afonso Maria de Ligório
O tema do carnaval, como é natural, torna-se mais candente nesta época que antecede ao mesmo e à quaresma. Determinado professor resolveu fazer sua pesquisa numa sala com mais de 200 alunos: quem não for viajar no carnaval levante a mão! Um pequeno grupo de menos de 50 pessoas levantou a mão. Uma aluna retruca: mas, professor, a pergunta deveria ser outra: quem for “brincar” o carnaval levante a mão! Pois nem todos estes que levantaram a mão vão ficar na cidade pra participar do carnaval, em geral só não vão viajar porque não podem. Reconhecendo a certeza da indagação, fez a pergunta da aluna na sala; resultado, apenas cinco alunos levantaram a mão. Como se explica que uma festa em que tão poucos participem tenha tanta popularidade? É que, no dizer popular, "o bem não faz barulho, e o barulho não faz". Isto é, a popularidade está com o que faz barulho e não com o silencioso.
Mas, afinal, o carnaval, esta festa tão badalada nos quatro ventos da publicidade e da mídia mundial, continua ainda tão popular quanto nos tempos de outrora? Tudo indica que uma espécie de enjoo toma conta de certa camada da população, pois cresce a cada ano a quantidade daqueles que preferem fugir do carnaval a enfrentá-lo nas grandes cidades. Vê-se crescer cada vez mais as filas intermináveis de carros que abarrotam as rodovias em busca de sossego em alguma localidade bem longe do barulho irracional dos foliões. Segundo previsões otimistas fogem de São Paulo mais de 1,5 milhão de pessoas somente por uma das principais rodovias, isto sem contar os que saem de lá de avião ou mesmo de navio. Talvez metade dos paulistanos foge do carnaval. E do Rio, quantos seriam? E de Salvador? De Recife? É claro que o motivo destas fugas não é nenhum retiro, a grande maioria está mesmo em busca de lazer, de praias tranquilas para desfrutar de sossego e gozo da vida. Mas, no fundo, trata-se realmente de fugir do carnaval.
De outro lado, é bem verdade que grande quantidade de pessoas afluem para estas capitais carnavalescas oriundas de outros países e de cidades do interior. De cidades do interior, diz-se que vem diminuindo cada vez mais o afluxo de tais foliões, embora dêem desculpa de que é por motivos financeiros. De outros países, talvez não.
O principal motivo: violência ou desassossego?
Afinal, qual a razão de se fugir do carnaval? Em geral a mídia dá como motivo a violência que impera na festa momesca. Mas esta violência sendo, em geral, encoberta pela mídia, como se explica que as pessoas corram dela? Ouve-se o noticiario dizer, amiúde, que os carnavais são as festas mais pacíficas do mundo, mas a realidade mostra que naqueles dias é crescente o acúmulo de atos violentos e de mortes. E não é para menos: como é que pode haver paz e tranquilidade num mar de gente fora de si, alguns ébrios, outros drogados, todos envolvidos por um frenético som que convida à irracionalidade, ao deboche, à imoralidade, à agressão das boas regras sociais, ”misturados” e “unidos” sob o mesmo objetivo, que é a folia destemperada?
Mas, seria somente a violência o principal fator a afastar as pessoas do carnaval? Em Salvador, a população de dois bairros da cidade, Barra e Ondina, anualmente muda quase que completamente suas populações. Ou vão para casa de parentes na própria cidade, ou, em geral, viajam para uma cidade do interior onde não haja carnaval. Motivos: barulho, intranquilidade, dificuldade de acesso às suas residências, dificuldade até para dormir ou descansar, etc. Não falam em violência, que sabem existir, mas sim a falta de sossego e de paz. E por isso procuram fugir, não só do bairro, mas da cidade, pois em qualquer lugar que se encontrassem a mesma folia tais pessoas sentiriam enjoo, asco, etc. Este enjoo está cada vez mais crescendo em certa camada da população, aquela formada por pessoas ainda dotadas de bom senso.
De modo especial, sentem isso os católicos fiéis à sã doutrina da Igreja, muitos dos quais procuram refúgio em centenas de casas de retiros espalhadas pelo Brasil.

São Vicente Ferrer assim falou sobre o carnaval:
“O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”.

Santa Margarida Maria Alacoque teve a seguinte visão:
“Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?”

Vejam o que diz, sobre o carnaval, o grande Santo Afonso Maria de Ligório:

“Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!”
(LIGÓRIO, Afonso Maria de, Meditações).

Um comentário:

Jorge Luis disse...

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