quinta-feira, 9 de outubro de 2014

DISTORCENDO DADOS ECONÔMICOS SOBRE A POBREZA...




Há completa discordância sobre valores que envolvem pobreza e riqueza. Falaremos apenas da pobreza, que é o que mais aflige o homem moderno.  Em princípio não é lógico estabelecer um valor uniforme sobre renda para estabelecer onde começa a pobreza ou a miséria, especialmente em nosso imenso e diversificado Brasil. De outro lado, acho que a pobreza não se mede somente pela situação financeira (a renda), mas também pela situação econômica (o patrimônio). Alguém pode ter um patrimônio de rico (mais de um milhão) e ter uma renda ínfima abaixo dos 300 reais acima citado. Há muitos patrimônios que nada rendem; até pelo contrário, só trazem custos e despesas para serem mantidos.
Consideremos, por exemplo, que uma pessoa que reside numa capital brasileira e ganhe abaixo de 300 reais por mês, deva ser considerado não como pobre mas miserável. No entanto, uma outra pessoa que reside no sertão pode muito bem ser considerado como pobre com tal renda, e pode até viver melhor do aquele que vive na cidade. Por isso os economistas erram (tanto os do governo como os da ONU) ao considerar valores uniformes e absolutos para considerar níveis de pobreza. O ideal seria que criassem parâmetros de valores diferentes para cada região, de acordo com as peculiaridades de cada uma.
Mesmo assim, não há uma concordância entre eles sobre tais valores. Os economistas dos governos brasileiros anteriores ao período do PT, embora de uma forma errada (pois eles também mediam a coisa somente pela renda mensal), avaliavam níveis de pobreza com valores mais altos. E como os valores eram maiores, o natural é que houvesse mais pobres.  Baseado nisso, ao assumir o governo,  Lula soltou uma grossa mentira: afirmou que o Brasil tinha 30 milhões de famintos e que ele iria lutar para acabar com isso e lançou o “Fome Zero” (nem se fala mais nele hoje).  Era mentira porque, segundo os critérios dos economistas do próprio PT (e também da ONU, estes com valores diferentes e contrastantes com os do governo petista) a pessoa para ficar abaixo do nível de pobreza teria que ter uma renda mensal  menor (300 reais?). Colocamos o problema da renda porque é por este prisma que eles falam do assunto. Dados da própria ONU afirmavam que, na época em que Lula tomou posse pela primeira vez, havia no Brasil algo em torno de 16 milhões de supostos famintos.  E hoje (mesmo com bases nos valores que o PT divulga como patamar para a pobreza) temos mais de 16 milhões de miseráveis e famintos, segundo dados da ONU. Quer dizer, o PT não conseguiu tirar ninguém da miséria.  Nessa matéria, segundo estes dados, o Brasil continua estagnado. Isso se falarmos em valores absolutos, porque se for em percentual houve realmente diminuição da pobreza, pois a população deve ter crescido mais em índices superiores ao aumento da pobreza.  Não disponho de elementos para avaliar estes percentuais, mas creio que de fato isto ocorreu.
Mas, se houve alguma diminuição da pobreza certamente não foi por causa de alguma ação governamental. Isso ocorreu porque a sociedade cresceu economicamente, produziu-se mais, houve maior oferta de empregos e produtividade. O governo não deve fazer como aquele piloto do navio que afirmou ter desencalhado a embarcação, quando na realidade a mesma se soltou das pedras e da lama porque a maré subiu.   A maré que sobe é a sociedade como um todo que produz mais, que gera mais riqueza e emprego.  E quem mais contribuiu para nossa sociedade haver crescido foi a estabilidade econômica adquirida após a era FHC. Isso é um fato inconteste.
E para que se consiga obter sucesso nessa matéria não funciona distribuir esmolas através de programas sociais (as famosas “bolsas famílias”). As pessoas precisam de emprego. Se aqueles 16 milhões de supostos famintos do início do governo Lula tivessem conseguido emprego (mesmo ganhando salário mínio) não estariam em situação melhor que ficar na dependência de uma esmola governamental? Tais programas sociais devem existir, mas com a intenção de fazer com que seus beneficiários passem a trabalhar e produzir. O ideal seria que tais bolsas fossem concedidas por determinado prazo e sob a condição do beneficiário se sujeitar à capacitação profissional para ter seu emprego e garantir seu futuro.  E não deveria também servir de “moeda” para conquistar eleitores, como ocorre atualmente.
E não poderia ser diferente. O s lugares onde existem os chamados “bolsões de miséria” situam-se em sua maioria nas grandes capitais, em favelas sub-humanas, e nesses lugares a renda necessária para sair da miséria é muito mais alta do que se afirma. Não seria como míseros 300 reais que uma pessoa e sua família sairia da miséria numa capital. Talvez numa cidadezinha do interior ou nas caatingas do nordeste, sim.  Mas, não numa capital.
Acho também que é artificial e ilógico estabelecer parâmetros para classificar as outras classes sociais. Vi um exemplo recentemente numa notícia dada por um jornal baiana: “A Tarde” publicou, após as últimas eleições, que foram eleitos na Bahia mais de 20 deputados milionários, eram aqueles que apresentaram patrimônio superior a um milhão. O termo “milionário” soa como uma pessoa dotada de amplos recursos econômicos. Mas não quer dizer que possuindo tais recursos têm renda alta.  Sim, quem possui mais de um milhão em bens móveis ou imóveis (ou mesmo em dinheiro) pode se dizer que é um milionário.  Mas se tal milionário for assim considerado porque dispõe de um milhão em dinheiro depositado num Banco, e ele aplicar na poupança vai ter uma renda um pouco maior do que 5.000 reais por mês, antes de ser descontado o imposto de renda. Se o sujeito viver somente dessa renda seria considerado apenas como “classe média”.  Então, hoje, encontrar-se milionário não quer dizer viver folgadamente, nem sequer “classe alta” ou rico.







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