SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

COMO A BEATA CATARINA EMMERICH VIU A VISITA DOS REIS MAGOS AO MENINO JESUS




“...Cada um dos Reis era seguido por quatro pessoas de sua família, além de alguns criados de Mensor que levavam uma pequena mesa, um carpete com adornos e outros objetos.
Os Reis seguiram José, e ao chegar sob o alpendre, diante da gruta, cobriram a mesa com o carpete e cada um deles punha sobre ela as caixinhas de ouro e os recipientes que tiravam de sua cintura. Assim ofereceram os presentes comuns aos três. Mensor e os demais tiraram as sandálias e José abriu a porta da gruta. Dois jovens do séquito de Mensor, que o precediam, estenderam um tapete sobre o piso da gruta, retirando-se depois para trás, seguindo-os outros dois com uma mesinha onde estavam colocados os presentes. Quando estava diante da Santíssima Virgem, o rei Mensor depositou estes presentes a seus pés, com todo respeito, pondo um joelho no chão. Atrás de Mensor estavam os quatro de sua família, que se inclinavam com toda humildade e respeito. Enquanto isso, Sair e Teokeno[1] aguardavam depois, perto da entrada da gruta. Adiantaram-se por sua vez, cheios de alegria e de emoção, envoltos na grande luz que enchia a gruta, apesar de não haver ali outra luz a não ser o que é a Luz do mundo. Maria encontrava-se recostada sobre o tapete, apoiada sobre um braço, à esquerda do Menino Jesus, o qual estava recostado dentro da manjedoura, coberto com um lenço, cuja manjedoura estava posta sobre um tablado alto. Quando entraram os Reis, a Virgem colocou o véu, tomou o Menino em seus braços e cobriu-o com um véu maior. O rei Mansor ajoelhou-se e oferecendo os dons pronunciou ternas palavras, cruzou as mãos sobre o peito, e com a cabeça descoberta e inclinada, rendeu homenagem ao Menino. Entretanto, Maria havia descoberto um pouco a parte superior do Menino, o qual olhava com semblante amável a partir do centro do véu que o envolvia. Maria sustentava sua cabecinha com um braço e o rodeava com outro. O Menino tinha suas mãozinhas sobre o peito e as estendia graciosamente a seu redor. Oh, quão felizes sentiam-se aqueles homens vindos do Oriente para adorar ao Menino Rei!
Vendo isto dizia para mim: “Seus corações são puros e sem mancha; estão cheios de ternura e de inocência como os corações dos meninos inocentes e piedosos. Não se vê neles nada de violento, apesar de estar cheios do fogo do amor”. Eu pensava: “Estou morta; não sou mais que um espírito: de outro modo não poderia ver estas coisas que já não existem e que, sem embargo, existem neste momento. Mas isto não existe no tempo, porque em Deus não há tempo: em Deus tudo é presente. Eu devo estar morta; não devo ser mais que um espírito”. Enquanto pensava estas coisas, ouvi uma voz que me disse: “Que te importa tudo isto que pensas?... Contempla e louva a Deus, que é Eterno, e em Quem tudo é eterno”.
Vi que o rei Mensor tirava de uma bolsa, presa à cintura, um punhado de barrinhas compactas do tamanho de um dedo, pesadas, afinadas na extremidade, que brilhavam como ouro. Era seu presente. Colocou-o humildemente sobre os joelhos de Maria, ao lado do Menino Jesus. Maria pegou o presente com um agradecimento cheio de sensibilidade e de graça, e o cobriu com a ponta de seu manto. Mensor oferecia as pequenas barras de ouro virgem, porque era sincero e caritativo, buscando a verdade com ardor constante e inquebrantável. Depois, retirou-se, retrocedendo, com seus quatro companheiros, enquanto Sair, o rei cetrino, adiantava-se com os seus e se ajoelhava com profunda humildade, oferecendo seu presente com expressões muito comovedoras. Era um recipiente de incenso, cheio de pequenos grãos resinosos, de cor verde, que pôs sobre a mesa, diante do Menino Jesus. Sair ofereceu incenso porque era um homem que se conformava respeitosamente com a vontade de Deus de todo coração, e seguia esta vontade com amor. Ficou muito tempo ajoelhado, com grande fervor. Retirou-se e adiantou-se Teokeno, o maior dos três, já de muita idade. Seus membros um tanto endurecidos não lhe permitiam ajoelhar-se: permaneceu de pé, profundamente inclinado, e colocou sobre a mesa um vaso de ouro que continha uma formosa planta verde. Era um arbusto precioso, de tronco reto, com pequenas raminhas crespas coroadas  de formosas flores brancas: a planta da mirra. Ofereceu a mirra por ser o símbolo da mortificação e da vitória sobre as paixões, pois este excelente homem havia sustentado luta constante contra a idolatria, a poligamia e os costumes degradantes de seus compatriotas.  Cheio de emoção permaneceu longo tempo com seus quatro companheiros ante o Menino Jesus. Eu tinha pena dos demais que estavam fora da gruta esperando sua vez para ver o Menino. As frases que diziam os reis e seus acompanhantes estavam repletas de simplicidade e fervor. No momento de humilhar-se e oferecer seus dons diziam mais ou menos o seguinte: “Temos visto sua estrela; sabemos que Ele é o Rei dos Reis; vimos para adorá-lo, para oferecer-lhe nossas homenagens e nossos presentes”. Estava como fora de si, e em suas simples e inocentes palavras encomendavam ao Menino Jesus suas próprias pessoas, suas famílias, o país, os bens e tudo o que tinha para eles algum valor sobre a terra. Ofereciam-Lhe seus corações, suas almas, seus pensamentos e todas suas ações. Pediam inteligência clara, virtude, felicidade, paz e amor. Mostravam-se cheios de amor e derramavam lágrimas de alegria, que caíam sobre suas faces e suas barbas. Sentiam-se plenamente felizes. Haviam chegado até aquela estrela, pela qual há milhares de anos seus antepassados haviam dirigido seus olhares e suas ânsias com um desejo tão constante. Havia neles toda a alegria da Promessa realizada depois de tão longos séculos de espera.
Maria aceitou os presentes com atitude de humilde ação de graças. A princípio não dizia nada: somente expressava seu reconhecimento com um simples movimento de cabeça, sob o véu. O corpinho do Menino brilhava sob as pregas do manto de Maria. Depois a Virgem disse palavras humildes e cheias de graça a cada um dos Reis, e deixou seu véu um tanto para trás.  Aqui recebi uma lição muito útil e pensava: “Com quão doce e amável gratidão recebe Maria cada presente! Ela, que não tem necessidade de nada, que tem a Jesus, recebe os dons com humildade. Eu também receberei com gratidão todos os presentes que me façam no futuro”. Quanta bondade há em Maria e em José! Não guardavam quase nada para eles, tudo o distribuíam entre os pobres.[2]

(Texto extraído da obra "Anna Catalina Emmerick - La Vida de Jesucristo y de su Madre Santíssima (desde el nascimiento de Maria Santíssima hasta la morte de San José) Segun las visiones de la Ven. Ana Catalina Emmericj - vol. II - Editorial Surgite - págs. 163/166)






[1] Mensor, Sair e Teokeno, eram os nomes dos três, segundo essa versão, e Melquior, Baltazar e Gaspar, segundo uma versão portuguesa
[2] Sobre o destino que São José e Nossa Senhora deram aos presentes recebidos só há conjecturas: teriam sido ofertados no Templo quando o Menino Jesus foi ser circundado? Ou nas bodas de Caná?  Ou dado aos pobres como imagina Caterina Emmerich? Particularmente o ouro, teria sido usado para fazer o cálice da Paixão, o Santo Graal?  Quanto à mirra, por ser útil como perfume e óleo para unções sacerdotais, ou unguento para embalsamamento, a planta pode ter sido utilizada até mesmo na Paixão – será?  Já o incenso, talvez perecível, pode ter sido usado naquele mesmo dia. Ninguém o sabe e só saberemos, talvez, na outra vida...

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