SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

quarta-feira, 15 de julho de 2015

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, OBSESSÃO ESQUERDISTA



O tema da “teoria da conspiração” apaixona certa parcela da opinião pública; qual é a razão? É que o homem tem fascínio por tudo o que envolve mistérios, sendo que toda conspiração envolve segredos e mistérios. Muitos têm grande apetência para saber como andam os meandros reservados ou secretos da política e do poder, aguçando a curiosidade para perscrutar o que ocorre nas tramas e nas conversas de pé de ouvido.
De outro lado, a Revolução tem interesse em suscitar o gosto pela “teoria da conspiração” porque esta alimenta a idéia de um estado “todo poderoso” e onipresente, sabedor de tudo, conhecedor da vida particular dos cidadãos e capaz de reger os rumos políticos dos povos, sempre de uma forma reservada, secreta. Serve também para alimentar o ódio contra as grandes potências, como os EUA, e assim justificar governos despóticos e comunistas como o de Cuba.
O filme lançado, com o título de “Conspiracy Theory”, embora com um enredo romanceado, já trazia esta idéia conspiratória, além de uma infinidade de contos e romances publicados com a mesma intenção. As verdadeiras conspirações ou espionagens já ocorridas serviram para alimentar o assunto na mente das pessoas.
Os casos mais badalados de “conspirações”, no mundo e no Brasil, são frutos de meras fantasias, embora alguns possam ter algo de crível por causa de certas coincidências ou fatos comprometedores. É o caso, por exemplo, dos atentados contra as torres gêmeas do “World Trade Center”: houve uma forte corrente alegando que os judeus sabiam dos atentados, ou até o promoveram com fins conspiratórios, fato consumado pela constatação de que todos eles haviam abandonado os prédios antes dos ataques. Um dos casos mais rumorosos, nos Estados Unidos, ocorreu na década de 60 a propósito do assassinato de Kennedy, este caso, sim, fruto de alguma conspiração verdadeira. Mas, as versões foram as mais estapafúrdias e divergentes, chegando a criar uma grande confusão de teses sobre o caso.  Na Europa, correu a versão, também fantasiosa, de que a princesa Diana havia sido assassinada. Na América Latina, os governantes de esquerda vivem inventando coisas absurdas sobre os americanos, como aquela do Evo Morales acusá-los de ter envenenado Hugo Chávez . Não há um só grupo de esquerda que não acredite que a CIA está presente em todo golpe de estado.
Por último, a mídia andou se deliciando com as revelações postadas, a partir da Rússia, pelo espião americano que possuía enorme acervo de documentos secretos da CIA. Até hoje tais informes tem sido prato cheio para as miragens da “teoria de conspiração” em todo o mundo. Será que a Alemanha, a Inglaterra, a França, e a própria Rússia, por exemplo, não possuem também um serviço secreto que anda bisbilhotando a vida dos cidadãos de outros países? O próprio Brasil possui um serviço de informação, que, provavelmente, anda por outros países colhendo informações de nosso interesse. Trata-se, portanto, de uma prática da política do mundo moderno, que não é exclusiva dos eternos conspiradores americanos.
O “affaire” da espionagem americana no Brasil, ocorrido no ano passado, com a reação intempestiva e barulhenta do nosso governo, se assemelha a lances do passado em que governos fracos se mostram perseguidos pelos mais fortes para com isso ganhar a opinião de seus eleitores. Será que a acusação de espionagem feita ao governo americano foi suficiente para causar uma reação de patriotismo no povo brasileiro, e com isso justificar o voto no partido do governo? Tal espionagem não se circunscreve aos membros do governo, havendo acusações de que os americanos espionaram também a Petrobrás. É preciso diversificar as acusações, pois as “teorias de conspiração” imaginam também lances de espionagens econômicas e financeiras, com fins de ampliação do “império” financeiro no mundo.
Nossa diplomacia mais parece formada por amadores perante lances internacionais, como o do Panamá, do Paraguai, do senador boliviano, e, depois, este da espionagem. Fica patente a todos que os diplomatas brasileiros só visam proteger a imagem do partido do governo, porque agem mais por  ideologia e se esquecem que estão inseridos num contexto internacional de um jogo político mais abrangente. O que mais teme o atual governo da aludida espionagem:
a)    Descoberta de planos do PT para permanecer no poder;
b)    Ligações internacionais com outros grupos de esquerda e com Fidel e as FARCs;
c)    Revelações de tramas das esquerdas, talvez nascidas no chamado “Forum de São Paulo”, um centro irradiador de seus planos para a América Latina.
Mas, algumas luzes andam já esclarecendo um pouco a questão. Na realidade, o uso do tema para acusar os Estados Unidos de espionagem esconde uma trama para encobrir as tramas das esquerdas no poder, e servem também para tentar desviar a opinião pública de outros problemas candentes da política atual.
Teoria da conspiração em território brasileiro
Das elucubrações mirabolantes que partem dessa idéia conspiratória é que surgiram os seguintes boatos circulados pela esquerda nacional:
1)    O ex-presidente Castelo Branco teria sido vítima de um atentado quando seu avião foi atingido por um outro no Ceará, vindo a falecer em seguida. Ora, o jato que atingiu o pequeno avião onde viajava Castelo Branco era avião de treinamento, pilotado por um cadete ainda não brevetado pela FAB, que, estando em vôo de treinamento, voltava para a base porque enfrentava problemas de ordem técnica. Imagine agora o leitor como é que um cadete, aprendendo a pilotar, dirige seu avião a jato, com velocidade em torno de 600 km por hora, e o faz passar roçando na cauda de um monomotor de passageiros, derrubando-o, e em seguida continua sua viagem e pousa tranquilamente na base militar. Só uma mente doentia pode imaginar que isso pode ter sido algo premeditado e fazendo parte de uma conspiração contra a vida do grande general Castelo.
2)    Juscelino Kubicheck também morreu vítima de acidente, quando o automóvel em que viajava foi atingido por um caminhão entre Rio e São Paulo. O caminhão saiu de sua mão e invadiu a pista contrária, indo se chocar contra o carro em que viajava o ex-presidente. Durante vários anos a esquerda afirmou que o acidente foi um atentado, alguns diziam até que dirigido ou programado por americanos. Até que ponto chegou a mente possuída por essa teoria da conspiração. Chegou-se até a abrir processos criminais para apurar tal denúncia, nunca comprovada porque, na realidade, tudo não passou de uma fatalidade. Ainda recentemente o motorista do caminhão, que ainda vive, andou prestando depoimentos sobre essa suposta conspiração. Mas, mesmo perante uma realidade tão óbvia um movimento criado em São Paulo, chamado Comissão da Verdade Vladimir Herzog, concluiu em 2013 que aquele político morreu assassinado vítima de um complô.
3)    João Goulart é outro ex-presidente que ainda hoje acusam de ter sido  assassinado, nesse caso com veneno. Morreu de enfarte, no Uruguai, conforme atestados médicos da época. De tal forma a idéia esdrúxula de conspiração e atentado perseguiu a mente de políticos de esquerda que chegaram a conseguir da justiça autorização para exumar o corpo, ocorridos mais de 40 anos de sua morte. Nem é preciso dizer no que deu: constatou-se que a teoria de conspiração, mais uma vez, era fútil e sem lógica. O homem, realmente, havia morrido de mal do coração.
Um lance grotesco desta teoria conspiratório é a afirmação simplória de que os EUA participaram ativamente de vários golpes militares na América Latina, especialmente o que houve no Brasil em 1964 e o do Chile em 1970. E para apimentar mais ainda a teoria, resolverem eles agora vir a público com vários documentos reservados (dizem que é secreto, mas há diferença entre secreto e reservado) a respeito do golpe de 64 no Brasil.
Em sua recente viagem aos Estados Unidos, a nossa presidente levou uma bagagem pobre em negociações diplomáticas com a nação mais rica da terra: uma de suas barganhas foi conseguir que os americanos liberassem alguns documentos da década de 1970. Trata-se de um acervo de cerca de 500 documentos que o atual governo americano não considera que sejam secretos e foram entregues às autoridades brasileiras. Com que finalidade? Não se trata, como dizem, de fazer história, porque esta já foi feita e documentada. Trata-se apenas de alimentar a turbulenta e ridícula “Comissão da Verdade” com mais dados para sua campanha de teorias conspiratórias. Será que um governo estrangeiro vai possuir documentos mais confiáveis do que os nossos? Admitir isso seria acreditar num poder quase absoluto sobre bisbilhotice em assuntos internos de um país. Enfim, tudo aquilo que os americanos ficaram sabendo sobre o assunto já havia passado pelas mãos de nossa polícia ou autoridades que comandavam a repressão. Afirmar que participavam de alguma forma dessa repressão é um disparate, e não vi ainda nenhuma voz autorizada da esquerda afirmar tal aleivosia.
Os primeiros documentos já veiculados pela mídia dizem respeito a informações privilegiadas que supostamente o governo americano teria tido acesso a respeito de presos políticos perseguidos pela ditadura. Um telegrama diplomático sobre o paradeiro do ex-deputado Rubens Paiva; um outro sobre um militante de esquerda chamado Virgílio Gomes da Silva;  e um terceiro sobre Stuart Edgar Angel Gomes, são os primeiros documentos que começam a circular pelos jornais alimentando as teses conspiratórias da esquerda.
Ao comentar tais documentos, elementos de esquerda (assoberbados pela teoria da conspiração nem analisam com precisão tais documentos) fazem acusações superficiais e sem analisar o problema com mais segurança e profundidade.
Ora, toda embaixada tem acesso a certas informações reservadas sobre o país onde se estabeleceu. Estas informações geralmente o embaixador consegue junto à própria imprensa. Há também informes conseguidos com as autoridades de segurança daquele país ou com o seu serviço secreto, mas, geralmente estas últimas não passam pela embaixada. Nem é necessário, pois assuntos de espionagens são exclusivos das agências e não das embaixadas. Então todos os telegramas que a embaixada americana mantinha reservados a respeito da revolução de 64 no Brasil certamente, em sua maioria, eram colhidas pelos funcionários junto à própria mídia nacional, que trazia a público tudo o que ocorria. E por que eram reservados? Porque continham assuntos de natureza política interna de um país estrangeiro, sobre os quais eles não poderiam tecer comentários ou críticas.
Supondo que poderiam ter também informações do serviço secreto a respeito do Brasil, e não somente da embaixada, os comentaristas de esquerda não fazem distinção, nem tampouco se as informações contidas nos telegramas ou documentos internos já eram do conhecimento do público nacional quando foram exarados. Porque não lhes interessa tal distinção, não lhes interessa informar o público toda a realidade, mas simplesmente pregar a todos que os americanos foram, são e continuam sendo conspiradores. Certamente que há conspirações por aqui e por lá, mas não existem outras conspirações que merecem também ser ressaltadas como, por exemplo, a dos comunistas?
Há um ponto também sobre o qual as esquerdas calam sistematicamente. Se houve conspiração é claro que houve, mas uma conspiração nacional, feita por nossos militares. No entanto, tal conspiração foi feita para atender os reclamos da população que pedia uma urgente intervenção no governo Goulart, o qual levava o Brasil para o despenhadeiro de uma catástrofe socialista como já vinha ocorrendo em vários outros países. E as esquerdas calam sobre isso, nada falam sobre a insatisfação popular contra o governo comuno-socialista de Goulart. Assim como, nos dias atuais, da mesma forma também alardeiam que desejar secundar os anseios da maioria da população de destituir o atual governo é “golpe”. Acusam políticos da oposição de conspiração, de tentarem um golpe, porque pretendem mudança de governo. Não alardeiam por aí que a mudança de governo é salutar para a democracia?  Que democracia é essa nossa que prevê que o povo tem o direito de eleger um político mas não o de tirá-lo do cargo? E se o povo o deseja por que não atender seus anseios?
No caso de 1964, seria normal que numa conspiração inteiramente nossa os militares pedissem alguma ajuda exterior. O que não significa que a conspiração partiu de fora, mas sim internamente. Alguns porta-vozes destas teses conspiratórias afirmam que os EUA mantinham uma frota armada, pronta para intervir militarmente no Brasil, caso o golpe de 64 se frustrasse. Ora, em qualquer parte do globo que há convulsões políticas de relevo os EUA sempre montam um esquema militar de prontidão caso se necessite atuar, e isso já ocorreu muitas vezes em várias partes do mundo. E uma das justificativas deles é que precisam proteger seus cidadãos naqueles países envolvidos em conflitos, o que é natural. Daí a afirmar que poderiam intervir com armas é uma ilação ridícula e sem cabimento.

Esta seria uma coisa a ressaltar: em que ponto a teoria da conspiração seria legítima no caso brasileiro? Não tem qualquer sentido as aleivosias esquerdistas de que os americanos, eternos conspiradores, foram os responsáveis por mais essa. Tomar conhecimento de prisões e torturas qualquer um tomava, o que não quer dizer com isso que tinha comprometimento com tais fatos.

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