São João Batista Vianey, o “Cura D’Ars”, mesmo sem ser intelectual, sempre dissertava sobre assuntos espirituais com a clarividência de um Teólogo e Doutor. Com a simplicidade de um simples pároco de aldeia, assim se expressava ele sobre a virtude da castidade:
"Não há nada tão belo quanto uma alma
pura!... Se o compreendêssemos, não poderíamos perder a pureza. A alma pura é
desprendida da matéria, das coisas da terra e de si mesma... É por isto que os santos maltratavam o seu
corpo; é por isto que não lhe concediam o que lhe era necessário, nem sequer
levantar-se cinco minutos mais tarde, aquecer-se, comer alguma coisa que lhe
desse prazer... Aí está! O que o corpo perde, a alma ganha, e o que o corpo
ganha, a alma o perde.
A pureza vem do céu; há que pedi-la a Deus.
Se a pedirmos, alcançá-la-emos. É preciso termos bem cuidado de não perdê-la.
Devemos fechar o nosso coração ao orgulho, à sensualidade e a todas as demais
paixões... como quando se fecham as portas e as janelas para que ninguém possa
entrar.
Que alegria para o anjo da guarda encarregado
de conduzir uma alma pura!... Meus filhos, quando uma alma é pura, todo o céu a
olha com amor!...
As almas puras formarão círculos em torno de
Nosso Senhor. Quanto mais puro se tiver sido na terra, tanto mais perto de Deus
se estará no céu.
Quando o coração é puro, não se pode deixar
de amar, porque se tornou a achar a fonte do amor, que é Deus. "Felizes,
diz Nosso Senhor, os que têm o coração puro, porque verão a Deus!"
Meus filhos, não se pode compreender o poder
que uma alma pura tem sobre Deus. Não é ela que faz a vontade de Deus, é Deus
que faz a vontade dela. Vede Moisés, aquela alma tão pura! Quando Deus queria
punir o povo judeu, dizia-lhe: "Não me rezes, porque a minha cólera
explode contra esse povo". Não obstante, Moisés rezava, e Deus poupava o
seu povo; deixava-se dobrar, não podia resistir à oração daquela alma tão pura.
Ó meus filhos! Uma alma que nunca foi manchada por esse maldito pecado alcança
do bom Deus tudo o que quer.
Para conservar a pureza, há três coisas: a
presença de Deus, a oração e os sacramentos. Há ainda a leitura dos livros
santos; esta nutre a alma.
Como é bela uma alma! Nosso Senhor fez ver
uma a Santa Catarina; esta achou-a tão bela que disse: "Senhor, se eu não
soubesse que há só um Deus, julgaria que fosse outro!" A imagem de Deus reflete-se numa alma pura
como o sol na água.
Uma alma pura é a admiração das três pessoas
da Santíssima Trindade. O Padre contempla a sua obra: "Eis aí a minha
criatura!...". O Filho, o preço do
seu sangue. Conhece-se a beleza de um objeto pelo preço que ele custou... O Espírito Santo habita nela como em seu
templo.
Conhecemos ainda o preço de nossa alma pelos
esforços que o demônio faz para perdê-la. O inferno liga-se contra ela, o céu
por ela... Oh! Como ela é grande!
Para termos uma idéia da nossa dignidade,
devemo-nos lembrar com freqüência do céu, do calvário e do inferno.
Se compreendêssemos o que é ser filho de
Deus, não poderíamos fazer o mal, seríamos como anjos na terra. Sermos filhos
de Deus! Ó bela dignidade!...
É alguma coisa de belo termos um coração, e,
por mais pequeno que ele seja, podermo-nos servir dele para amar a Deus! Como é
vergonhoso para o homem descer tão baixo, ele que Deus colocou tão alto!
Quando os anjos se revoltaram contra Deus,
esse Deus tão bom vendo que eles não podiam mais fruir da felicidade para a
qual os havia criado, fez o homem e este "pequeno mundo" que nós
vemos para alimentar-lhe o corpo. Havia, porém, que lhe alimentar a alma; e
como nada de criado pode alimentar a alma, que é espírito, Deus quis dar-se Ele
próprio por alimento.
Mas a grande desgraça é que descuramos de
recorrer a essa divina comida, para atravessarmos o deserto desta vida. Como
uma pessoa que morre de fome ao lado de uma mesa bem servida, há pessoas que
levam cinqüenta, sessenta anos sem alimentar a própria alma!
Oh! Se os cristãos pudessem compreender esta
linguagem de Nosso Senhor que lhes diz: "Apesar da tua miséria, eu quero
ver de perto essa bela alma que criei para mim. Fi-la tão grande, que só eu
posso enchê-la. Fi-la tão pura, que só meu corpo pode alimentá-la.
Nosso Senhor sempre distinguiu as almas
puras. Vede São João, o discípulo amado que repousou sobre o seu peito!... Santa Catarina era pura; por isso passeava
muitas vezes no Paraíso. Quando morreu, os anjos tiraram-lhe o corpo e
levaram-no para o monte Sinai, lá onde Moisés recebera os mandamentos da Lei.
Deus fez ver por esse prodígio que uma alma pura lhe é agradável, merece que
mesmo seu corpo, que lhe participou da pureza, seja sepultado pelos anjos.
Deus contempla com amor uma alma pura,
concede-lhe tudo quanto ela pede. Como haveria Ele de resistir a uma alma que
só vive para Ele e n'Ele? Ela procura-o, e Deus se lhe mostra; chama-o, e Deus
vem; faz uma coisa só com Ele; acorrenta-lhe a vontade. Uma alma pura é
onipotente sobre o coração tão bom de Nosso Senhor.
Uma alma pura é ao pé de Deus como um filho
ao pé da mãe: acaricia-a, beija-a, e a mãe lhe retribui suas carícias e seus
beijos". ("Espírito
do Cura D'Ars" - Abbé A. Monnin - Editora Vozes – 1949)
(Extraído de “A FELICIDADE ATRAVÉS DA
CASTIDADE”, pág. 37/39 – Desejando receber o texto integral desta obra, favor
enviar mensagem para o email juracuca@gmail.com
– Juraci Josino Cavalcante).
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