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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

COMO ANDA A FÉ DE NOSSO POVO?


 

Quando se fala em Fé nos vem à mente a crença religiosa. No entanto, há outros tipos de crenças. A pessoa pode crer em coisas eternas e firmes, mas também em coisas caducas e falsas. É comum hoje a segunda crença acima, de tal forma que vivemos uma época em que as superstições e crendices sejam as mais profusas de toda a História.

A ciência tornou-se uma crença tão enraizada no mundo de hoje que, para alguns, se torna quase uma fé religiosa. De tal forma que as pessoas pouco afetas à ciência são mal vistas e até intoleradas pelos demais. A intolerância toma conta do mundo de hoje, sendo mais praticada contra as que têm pouca crença na ciência. Por exemplo, se a pessoa usa mais os chás do que os remédios de farmácia não é somente recusada mas ridicularizada e desprezada intolerantemente. Mas, se ela dá preferência a seu médico e às farmácias, mesmo que seja mal sucedida não causa nenhum tipo de intolerância e recusa,  isso porque usou do recurso mais moderno e tido como infalível da ciência.

No caso da pandemia do Covid houve uma enxurrada de gente praticando intolerâncias contra os que acreditam no tratamento precoce; intolerancias praticadas por políticos, “cientistas” e pela mídia oficial. Criaram vários epítetos de depreciação contra os que acreditavam no tratamento precoce, chegando até mesmo à aberta perseguição e censura nos meios de comunicação social. Os aplicativos, tipo Facebook e Youtube, não somente suspendiam seus usuários como houve caso de excluir gente somente porque defendiam o tratamento precoce. E a palavra “ciência” foi repetida à exaustão, como se fosse uma fé infalível, uma crença sem erro de métodos de cura. Cura, não; prevenção. Porque vacinas não são feitas para curar, mas supostamente para prevenir. No entanto, só no Brasil consta oficialmente que foram curadas mais de 38 milhões de pessoas, mais de 98% dos infectados e, certamente, em sua maioria tais curas foram feitas com os remédios indicados no tal tratamento.

Depois, veio a onda das vacinas, novamente sob a crença quase religiosa da ciência. São infalíveis? Não, eles mesmos o dizem. Mas, o problema não é serem infalíveis, mas estarem livre de sérias e repetidas denúncias de causarem mais males do que benefícios. Enquanto pululavam tais denúncias e até postagens de casos concretos de tais males (com muitas mortes), uma verdadeira onda invadiu os veículos oficiais da propaganda negando tais fatos. É preciso manter a crença, é preciso que o povo continue achando que a ciência é infalível e que tais recursos não possuem erros ou fins criminosos. A mídia afirmava que a doença começou a diminuir por causa da vacinação, mas isso não era verdade: apenas o vírus estava enfraquecendo, como ocorreu com a gripe espanhola que acabou repentinamente sem vacinas que não existiam naquele tempo. Ocorreu o contrário: começaram a vacinar mais ou menos a partir de janeiro de 2021 e, logo em seguida, começou a aumentar a quantidade de infectados e mortos. A partir de julho daquele ano é que começou a decair os números de infectados e mortos, por causas diversas (e não apenas uma delas) como a imunidade coletiva e outras mais.

A propósito desta idolatrada ciência, vejam o que diz uma profecia de Santa Bernardete Soubirous, a vidente de Lourdes. Encontraram uma carta dela, dirigida ao Papa de seu tempo, em que fazia 5 profecias, 3 das quais já cumpridas. As duas que ainda não se cumpriram: a de que uma bomba detonada numa grande cidade do oriente mataria mais de 5 milhões de pessoas e daria início a uma guerra terrível, e, a que mais nos interessa, a de que no início do século XXI ocorreria o fim da “era da ciência”. Os cientistas cometeriam crimes tão monstruosos que seriam perseguidos como lobos. Que crimes seriam estes? Alguns comentam que poderia ser as clonagens de seres humanos, coisa que ocorria muito na época em que tal carta foi revelada. Talvez estas clonagens continuem a ocorrer atualmente, não sendo noticiadas para não causar impacto e comoções negativas contra tais cientistas.  No entanto, tais monstruosidades continuam sendo cometidas por eles como, por exemplo, a tão propagada “mudança de sexo”, que não faz ninguém mudar de sexo mas transformar-se num monstro.  E por que tais cientistas não seriam perseguidos também no dia em que se descobrir a monstruosidade da elaboração de vacinas criminosas? Se realmente tiver fundamento as acusações de que poderão morrer milhões de pessoas por causa delas é o que veremos brevemente.

A coisa foi posta de tal forma que uma pessoa de bom senso optaria muito mais correr o risco de pegar a pandemia, que tem cura, do que morrer por causa de um vacina cujas seqüelas não têm cura em muitos casos. Não, a maioria não pensa assim. O pânico é tão grande, a propaganda tão bem feita, que preferem correr o risco de sofrer graves conseqüências de vacinas ditas experimentais do que serem acometidos da pandemia.  Até o dia em que não consigam ocultar as mortes por causa destas vacinas, e talvez tarde, os “cientistas”  que as praticaram serem denunciados e punidos como previu Santa Bernardete.

Muitos podem até pedir que prove tudo o que afirmo acima anexando citações e links para comprovar e ninguém ser enganado. É assim grande parte das pessoas de hoje. Não, não há necessidade de anexar citações e referências documentais como se fosse uma tese de mestrado ou doutorado. Não se trata aqui de tese de formação acadêmica, mas apenas a emissão de opinião própria. Todos os que lerem podem concordar ou discordar sem que também se exija que comprove suas idéias. Basta que as manifeste com clareza.

DEUS ESTAVA NA PANDEMIA?

Talvez poucos se tenham feito esta pergunta. Afinal, a pandemia do coronavirus pode ser considerada um castigo divino? Ou foi tudo realmente criado pelos homens com fins escusos? E se Deus o permitiu, qual deveria ser seu objetivo?

Reflitamos sobre a questão.  Primeiramente, precisamos analisar até que ponto a sociedade está infestada de vida pecaminosa: há, portanto, um grande e grave mal em participar da vida social, pois geralmente as pessoas não levam em consideração a existência de Deus. Vive-se o mais completo materialismo e amoralismo, para não dizer ateísmo prático e imoralismo completo.

Afastar as pessoas de tão péssimo convívio social talvez tenha sido uma graça de Deus, pois a continuar as coisas como estavam todos caminhavam cada vez mais para a boca do inferno. Vejamos, assim, alguns benefícios para as almas que trouxe a pandemia:

1.       Enclausurando as pessoas em seus ambientes familiares, evitou que muitos continuassem a freqüentar ambientes permissivos e pecaminosos;

2.       Ocorrendo doenças e quedas financeiras em muitas destas pessoas, elas foram inspiradas a procurar Deus e rezar, coisa que muitas delas não faziam antes;

3.       Se houve tentações de desespero por causa do isolamento, muito mais tentador para isso era a vida anterior, cheia de estresse, de ansiedades, de uma falsa procura de felicidade que não encontravam, de prazeres que só causam frustrações, etc.,

E, por acaso, houve alguma melhora nos costumes sociais? De modo geral, não. Mas, em certa parcela da sociedade, sim.  Algumas pessoas continuam querendo levar a vida anterior cheia de pecados e gozos imorais. Muitos pensavam em acabar logo a pandemia, acreditando até nos efeitos das vacinas, mas com o único intuito de que “volte ao normal”, não a um normal santo e temente a Deus, mas ao normal que se vivia antes: gozo de prazeres e nada mais. Chegaram a lamentar a falta do carnaval, mas essa festa atrai tanto malefícios sobre a sociedade que foi um grande benefício a sua não realização. No entanto, há uma parcela ponderável da população que já pensa diferente e não deseja tanto que tudo volte a ser como antes.  Sentem a necessidade de que a sociedade mude de vida.

Assim, a pandemia, ao obrigar toda a sociedade a um confinamento, evitando as aglomerações comuns da péssima convivência social moderna, tornou-se um castigo bom para a alma do homem, pois, houve menos pecados e fez o homem voltar-se mais para o seu interior. Evitando a contaminação da doença evita-se também a permissividade maior da vida de pecados, que é maior e mais intensa nas aglomerações modernas.

Mas, o homem não foi feito para viver em sociedade? Então como é que se pode crer que Deus manda um castigo a fim das pessoas se confinarem e evitar o convívio social? Lembremo-nos de que os anacoretas, como Santo Antão e São Bento, fugiram da sociedade pervertida para se confinarem nos lugares desertos; lá eles encontravam Deus, e, depois de algum tempo, vários cristãos foram se aglomerando ao lado deles formando uma nova sociedade, desta vez com um convívio social puro, santo, casto e temente a Deus. Deve ser para constituir essa nova sociedade que deve tender os que querem realmente renovar a prática do amor a Deus e viver um “novo normal”, onde a sociedade procure um novo modo de viver.

 







 

 

 

 

domingo, 2 de janeiro de 2022

A CIÊNCIA PODE PERDER PODER DE INFLUÊNCIA?

 


Ciência quer dizer, de modo geral, conhecimento. Assim, ela tanto está na física, na química, na biologia e outras matérias ditas como empíricas ou exatas, mas também na filosofia, na antropologia, na psicologia e na teologia e tantas outras ditas “humanas”. No entanto, criou-se uma crença popular de que “cientista” é apenas aquele cara de avental, num laboratório cheio de provetas e ratos, a procura de algumas soluções. Conheci um que passou cerca de 15 anos estudando átomos e células numa universidade para comprovar uma idéia que teve (certamente seria vendida a peso de ouro), e só não ficou louco porque desistiu. Estes hoje fazem a indústria milionária da farmacologia e dos produtos médicos de modo geral. Mas, e os outros pensadores, não são também cientistas?

Nunca se colocou a ciência (esta dita empírica ou exata) num patamar tão alto como nos dias de hoje. E de modo especial a ciência médica. Experimentos mirabolantes foram exaltados pela mídia, como transplantes e implantes de órgãos, clonagens entre gêneros diferentes, etc. Nem sempre tais experiências visam a saúde e o bem dos homens, como operações plásticas e de suposta mudança de sexo.

Vivemos uma época em que tais cientistas adquiriram um alto grau de confiabilidade na sociedade. Isso porque seus inventos foram demasiadamente exaltados pela mídia, alguns de forma até mentirosa. Sem despertar suspeitas, eles continuam seu trabalho. E agora o setor da indústria de imunizantes conquistou o mais alto pódio da conquista popular.

Mas, alguma coisa começa a não dar certo. A carta de Santa Bernardete Soubirou, falando sobre o fim da era da ciência, diz que vai ocorrer uma total descrença nela, a tal ponto que os cientistas iriam ser caçados como lobos. Qual a razão disso? Alguns dizem que é por causa das clonagens de seres humanos com animais irracionais, ocasionando a produção de monstros. Quando começarem a aparecer andando pelas ruas tais monstros, talvez escapados de alguns laboratórios, o povo vai saber o que andam fazendo às escondidas tais cientistas.

Veja nossa postagem anterior sobre a matéria:

https://quodlibeta.blogspot.com/2021/07/o-fim-da-era-da-ciencia-e-producao-de.html

Um cientista brasileiro, o astrônomo Leonardo Mourão, publicou um livro destinado ao grande público, portanto, a leigos, sobre a matéria dele, onde coloca algumas coisas de ordem prática que me fizeram desacreditar uma porção de coisas cridas como válidas para a ciência. Uma delas: a idade do universo. Não se pode ter certeza de que o Universo tem, por exemplo, 15 bilhões de anos. Isso porque o tempo que se mede hoje é diferente do que existia no começo do universo. No início do que eles chamam a grande explosão era tudo mais rápido, o tempo se media de outra forma. Portanto, ninguém pode afirmar como certo algo tão antigo se não temos como mensurar hoje como era naqueles tempos. Mas, professores e estudantes dão como certa esta afirmação “científica” a respeito da idade do Universo sem levantar dúvidas.

Outra questão é a da medição pelo carbono 14. O próprio cientista que o criou disse várias vezes que esse processo nem sempre tem eficácia total, e em muitos casos o que há mais é “chute” dos estudiosos. Se não há comprovação exata a tão propalada “ciência natural” não passa de um blefe, pois não pode ser chamada de ciência algo que não tem comprovação. Exemplo: nas medições sobre a chegada do primeiro homem às Américas há teorias que dizem ter ocorrido há 15 mil, 20 mil e até 30 mil anos, divergentes e díspares porque as medições não podem ser exatas. E chamam isso de ciência?

Outro problema levantado pelo astrônomo: a distância entre astros e planetas. Ela é medida por um só padrão: o do ano-luz. Afirmam que o sol, ou qualquer outra estela, está a tantos anos-luz da terra, mas há algo a suspeitar desta afirmação. Para se medir a distância percorrida pela luz é necessário que tenhamos registrado seu curso a partir do ponto de partida dela (no caso, a terra) e também o ponto de chegada ou captação (o sol). Era como se fosse necessário ter um espelho no sol refletindo uma luz que se mandasse daqui para lá e, depois, daqui se computasse o tempo percorrido por ela (tanto daqui para lá quanto de lá pra cá). Impossível. Então como se chegam a tais conclusões?

As teses científicas são publicadas em revistas especializadas aos milhões de páginas por dia. Muitas delas até se contradizem. Um determinado médico publica, por exemplo, uma tese afirmando, e provando, que café faz mal à saúde. Mas, um outro prova o contrário, que o café faz bem à saúde. Por que tais divergências? Porque hoje não se procura mais a crítica destas teses para elucidar dúvidas, mas publicam teses apenas por causa do comércio, destinam-se a vender produtos e nada mais.

Quanto ao conhecimento médico, há milhões de teses sendo publicadas. Mas, não se voltam para esclarecer que a medicina pode se dividir na parte científica e em outra pouca lembrada: a medicina é, acima de tudo, uma arte. Dizia-se com a frase latina que é “ars curandi”, a arte de curar. Hoje, é a arte de ganhar dinheiro.

Os conhecimentos médicos que os levam a praticar esta arte com mais maestria não devem se restringir apenas aos publicados nas revistas especializadas. Afinal, tudo que há lá vem do conhecimento popular. A medicina popular é campeã na arte de curar, embora não tenha este caráter científico, desta ciência empírica. Hoje os médicos têm vergonha de receitar remédios populares, embora muitas vezes saibam da eficácia dos mesmos. Temem sofrer o riso de todos.

Vou dar exemplos. Levei minha filha, ainda criança, a um pediatra. Estava com disenteria. O médico, então, disse que fosse na farmácia e comprasse elixir paregórico, que era muito bom e recomendado para este tipo de doença infantil. Mas, não ia fazer a receita, pois iriam rir de um médico  receitar um remédio popular. Quer dizer, ele sabia exercer a medicina como arte de curar, mas não levando em consideração seus conhecimentos ditos científicos, mas a sabedoria popular. Outro exemplo, mais recente. Estava internado num hospital, após ser submetido a uma cirurgia de hérnia. A enfermeira da noite procurou saber se havia urinado e, perante a resposta negativa, disse que talvez tivesse que colocar uma sonda (um recurso mecânico que pode causar vários problemas). Minha esposa pediu então a ela que trouxesse uma bolsa de água quente para fazer uma compressa. Disse então a enfermeira que o hospital não possuía tais bolsas, que era proibido o seu uso. Minha esposa resolve a questão: mandou encher de água quente uma luva dela e a usou como compressa, tendo em poucos instantes resolvido o problema. Sem precisar de sonda. Qual a razão deles proibirem o uso de bolsas de água quente? Será por causa do custo? Provavelmente vão dar uma resposta dita “científica”, baseada em algum estudo feito por aqueles caras de avental, dentro de um laboratório, que não vivem os problemas fora dali.

De modo geral, quando a mídia fala sobre estudos científicos, especialmente da área médica, mostram apenas a primeira parte deles, feita em laboratório. No entanto, a parte mais importante é de ordem prática, quando aqueles experimentos forem aplicados nas populações. E muitas vezes demoram muitos anos para se comprovar aquelas teorias. E também para não serem comprovadas na ordem prática, como tem ocorrido com freqüência.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O FIM DA ERA DA CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE MONSTROS

 


(Santa Bernadette Soubirou, teria profetizado o fim da "era da ciência")

Está circulando nas redes sociais um vídeo em que um casal de personalidades está fazendo “experiências” com seus filhos tentando alterar o sexo em que nasceram. O vídeo mostra curiosas contradições que demonstram muita hipocrisia e falsidade em torno do fato.

No entanto, trato do tema aqui de forma diferente. Essas “experiências” são frutos de uma crença exagerada na ciência. O que a ciência produz é simplesmente tido como coisa muito certa, séria e aplicável como boa e necessária. Realmente, é verdade que conseguiram técnica para alterar o sexo de um ser humano?

Vejamos. As complicações genéticas que acompanham qualquer animal são muito complicadas. O macho possui órgãos e sistemas neurológicos completamente diferentes da fêmea. Não é somente o órgão genital que faz o gênero sexual. Não é apenas o aspecto externo que identifica o sexo de um animal. Existem órgãos internos, por exemplo, que nunca a ciência conseguirá mudar ou transformar uns em outros. Externamente, aquele ser pode sofrer algumas alterações importantes, como porte físico através de injeções, mas interiormente continuará sendo da mesma natureza com que nasceu. Nenhum cientista conseguirá colocar ovário e útero num macho que se “transformou” externamente em fêmea; nem tampouco conseguirá extrair ovário e útero, colocando vesícula seminal, próstata e outros órgãos próprios do macho. Se alguém diz que está fazendo isso não passa de um mentiroso.

Assim, todo aquele que se diz ter mudado de sexo, a partir de certo momento não é macho nem fêmea, nem homem nem mulher, mas apenas um monstro. Algo com aspectos externos aparentes de determinado sexo, mas interiormente com órgãos diferentes.

Quanto ao ser humano vem a propósito o aspecto psicológico: nem é mulher nem homem, mas um monstro frustrado. Frustrado porque seus objetivos não foram atendidos. Nem sequer com relação ao gozo dos prazeres, pois mesmo este não conseguirá obter êxito. Já há casos de suicídios provocados pela frustração de não se sentir mais como um ser humano.

O homem (como todos os animais), por exemplo, nasce com aspectos psicológicos próprios somente a seu sexo, sendo o principal agente de um ato sexual, inseminador e com ação ativa; enquanto a mulher tem aspectos completamente diferentes, tendo prazer em ser inseminada e ter ação passiva. Um ato sexual se completa com ação conjugada destes dois aspectos psicológicos. Não sendo assim, se frustram seus executores. Não há propriamente “ação sexual” entre dois de aspectos psicológicos somente ativos ou somente passivos. Se são machos, um somente usa o sexo; se são fêmeas nenhum das duas o usam, porque tem de haver uma ação ativa (inseminante), e outro passiva. O que predomina nestes atos é o uso de recursos artificiais, quase nunca o uso de seus próprios órgãos.

Aquele ou aquela, pois, que tentar mudar isso não conseguirá o objetivo final; será apenas um monstro sem características autênticas de um ser sexual humano.

Vem agora a questão da ciência.

Em dezembro de 1998, o padre Antoine La Grande encontrou esquecida nos arquivos do Vaticano uma carta de Santa Bernardette Soubirous dirigida ao Papa Leão XII em 1879.  Nela estão reveladas algumas profecias (todas já cumpridas), das quais ressalto a última que fala da ciência.

Santa Bernardette fala do fim da “era da ciência”, dizendo que “a razão pela qual muitos homens se afastarão dos científicos será a atitude orgulhosa dos doutores que trabalham na realização de uma criatura que sai de um cruzamento entre o homem e um animal. Os homens ressentiram no mais profundo de seus corações que esta é uma coisa injustificável. Nos primeiros tempos não haverá oposição à criação desses monstros, mas os cientistas serão finalmente caçados como em uma horda de lobos”. Quer dizer: haverá uma grande reação popular contra cientistas que produzam clonagem de seres humanos com animais irracionais.

Acho que este período de clonagem de seres humanos pode ter passado, ou então continua a existir ocultamente sem que a mídia fale do tema para não causar susto na população. De repente, a gente pode topar com um monstro destes pela rua e pensa que é um ser humano normal quando na realidade fugiu de algum laboratório.

Qual a diferença entre a clonagem para produzir seres diferentes da outra da que produz mudança de sexo? Sim, há diferenças, mas apenas exteriores, porque na realidade, em termos de monstrualização do ser humano, é a mesma coisa.

A primeira é feita apenas num laboratório oculto, fechado aos olhos do público; no segundo caso é feita com alarde geral dos jornais e TVs para fazer propaganda contrária à obra do Criador no homem. Não há quase diferença de objetivos sociais e psicológicos nas populações, pois, no final é isso que vamos presenciar em ambos os casos: a produção generalizada de monstros que poderão habitar no meio de nós, muitos achando, no caso da mudança de sexo, “coisa normal”.

Tomara que chegue logo o dia em que Santa Bernardette diz que tais cientistas serão caçados como alcatéias de lobos pelas populações revoltadas com suas experiências. E a partir daí se comece a descrer no papel desta ciência que dizem redimir o homem, mas que, na realidade, o transforma num ser odioso e contrário aos planos do Criador para o Universo.

Quem desejar conhecer mais sobre a carta profética de Santa Bernardette acesse os links a seguir:

·        http://www.pdtsigns.com/lourdesprophecy.html

·        http://www.freerepublic.com/focus/f-news/598877/posts

·        http://www.jesusmariasite.org/Apparitions/Apparitions_.asp?editid1=11

https://santabernadette.wordpress.com/2017/08/31/profecias-de-la-virgen-a-bernadette/

 

 


terça-feira, 3 de abril de 2018

BEATO HERMANO E HAWKING, PARALÍTICOS E GÊNIOS DE ONTEM E DE HOJE





Beato Hermano Contractus. Festa, da 25 de setembro.
Nos últimos tempos as pessoas mais elogiadas foram as que se dedicaram às ciências ditas exatas, como a física, a matemática, ou aquelas simplesmente chamadas de “ciências”. Um que se destacou no século passado por causa de intensa propaganda na mídia foi o astrofísico inglês Stephen William Hawking, considerado a maior inteligência do século (dizem que superior até a de Einstein). Era também ele cosmólogo e matemático, dando aulas na famosa universidade de Cambridge.
A publicidade em torno de tal cientista é realçada pelo sentimentalismo, haja vista que Hawking encontrava-se paralítico há dezenas de anos, era alimentado por outros e se locomovia por meio de cadeira de rodas, por sinal equipada com o que há de mais moderno em equipamentos eletrônicos. Como não falava de forma audível, pois havia sido submetido a uma traqueostomia, respondia às perguntas que lhe faziam digitando o teclado de um computador instalado em sua cadeira.
O gênio fazia viagens internacionais e era conferencista disputado. No entanto, assistir a uma exposição dele não era nada fácil, não era uma experiência muito agradável. O computador, ligado a um sintetizador de voz, era o interlocutor, enquanto o conferencista ficava completamente passivo na cadeira, movimentando apenas as mãos. Após algumas horas ouvindo aquela voz desincorporada e meio metálica, pedia-se aos assistentes que conversassem uns com os outros ou lessem jornais.
Hawking publicou o livro, “A Brief Hostory of Time” (Uma Breve História do Tempo), onde resumiu seus estudos sobre a relatividade e a mecânica quântica. Apesar de sua enorme divulgação (milhões de exemplares vendidos), poucos realmente conseguiram entender o pensamento do autor na obra. Um crítico comparou-a com outra sobre o culto  budista, “Zen and the Art Motorcycle Maintenance” (O Zen e a Arte de Manutenção da Motocicleta), que Hawking tomou como elogio.
O oposto de Hawking, também entrevado, foi o Beato Hermano Contractus, que viveu no século XI, em plena idade Média, constantemente transportado nos braços dos outros, como se fosse uma criança, mas considerado “A Maravilha do Século”, tal a sua genialidade.  Naquele tempo não havia a máquina moderna de propaganda para atrair simpatias e aplausos, havia mais autenticidade neste maravilhamento.
O Beato Hermano nasceu em 1013, em Baden, na Alemanha, e faleceu em 1054. Era também chamado de Hermano de Reichenau, OSB, pertencia, portanto, à ordem beneditina. Chegava a mexer apenas um pouco a língua e as mãos e, apesar disso, foi o maior sábio de seu tempo. Matemático e astrônomo de gênio, foi também historiador, compositor talentoso e poeta inspirado. São dele as composições sacras “Ave Maris Stella” e muitas outras, além de lhe terem atribuído a autoria da “Alma Redemptoris Mater” e da “Salve Regina”. Esta última teve o acréscimo feito por São Bernardo dois séculos depois, de uma jaculatória: “Ora pro nobis Sancta Dei Denitrix”
Inventou alguns instrumentos, como o astrolábio e uma máquina de calcular. Era tão admirado que recebeu visitas famosas, como a do Papa São Leão X e do imperador da Alemanha, Henrique III.
Como o Beato Hermano era diferente de Hawking! Ateu e pretensioso este, católico e humilde aquele. Ao contrário do arrogante físico inglês, o Beato Hermano considerava-se o último dos ignorantes. Escreveu ele numa obra sobre o astrolábio, seu invento: “Fui eu, Hermano, que fiz este livro, eu, o rebotalho dos pobres de Cristo, que anda a reboque dos aprendizes filosóficos, mais lento de espírito do que um jumentinho”.
Comparemos os dois gênios. Qual deles merece maior admiração? Ambos gênios de seu século, ambos paralíticos, mas, um temente a Deus e humilde, e o outro ateu e irreverente; um amante da Bondade e santo, enquanto o outro, espírito encharcado de orgulho e descrente.
Cada um, a seu modo, espelha a própria época em que viveram.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

NO EMBATE ENTRE FÉ E CIÊNCIA, OS ATEUS OPTAM PELA IGNORÂNCIA



MAGISTRAL RESPOSTA DE BENTO XVI A UM ATEU ITALIANO

O papa emérito Bento XVI escreve uma carta ao matemático ateu italiano Piergiorgio Odifreddi sobre a fé, a ciência, o mal. Um diálogo à distância sobre o livro Caro papa, ti scrivo, de autoria de Odifreddi. O cientista, por sua vez, relatou emoção e surpresa ao receber em sua casa a "inesperada carta" do ex-pontífice.

A carta foi publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A íntegra da carta será publicada no próximo livro do matemático italiano. O jornal italiano publica uma parte da carta que pode ser lida a seguir.

Eis o texto.

Ilustríssimo Senhor Professor Odifreddi, (...) gostaria de lhe agradecer por ter tentado até o último detalhe se confrontar com o meu livro e, assim, com a minha fé; é exatamente isso, em grande parte, que eu havia intencionado com o meu discurso àCúria Romana por ocasião do Natal de 2009. Devo agradecer também pelo modo leal como tratou o meu texto, buscando sinceramente prestar-lhe justiça.

O meu julgamento acerca do seu livro, no seu conjunto, porém, é em si mesmo bastante contrastante. Eu li algumas partes dele com prazer e proveito. Em outras partes, ao invés, me admirei com uma certa agressividade e com a imprudência da argumentação. (...)

Várias vezes, o senhor me aponta que a teologia seria ficção científica. A esse respeito, eu me admiro que o senhor, no entanto, considere o meu livro digno de uma discussão tão detalhada. Permita-me propor quatro pontos a respeito de tal questão:

1. É correto afirmar que "ciência", no sentido mais estrito da palavra, só a matemática o é, enquanto eu aprendi com o senhor que, mesmo aqui, seria preciso distinguir ainda entre a aritmética e a geometria. Em todas as matérias específicas, a cientificidade, a cada vez, tem a sua própria forma, segundo a particularidade do seu objeto. O essencial é que ela aplique um método verificável, exclua a arbitrariedade e garanta a racionalidade nas respectivas modalidades diferentes.

2. O senhor deveria ao menos reconhecer que, no âmbito histórico e no do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duradouros.

3. Uma função importante da teologia é a de manter a religião ligada à razão, e a razão, à religião. Ambas as funções são de essencial importância para a humanidade. No meu diálogo com Habermas, mostrei que existem patologias da religião e – não menos perigosas – patologias da razão. Ambas precisam uma da outra, e mantê-las continuamente conectadas é uma importante tarefa da teologia.

4. A ficção científica existe, por outro lado, no âmbito de muitas ciências. Eu designaria o que o senhor expõe sobre as teorias acerca do início e do fim do mundo em Heisenberg,Schrödinger, etc., como ficção científica no bom sentido: são visões e antecipações para chegar a um verdadeiro conhecimento, mas são, justamente, apenas imaginações com as quais tentamos nos aproximar da realidade. Além disso, existe a ficção científica em grande estilo, exatamente dentro da teoria da evolução também. O gene egoísta deRichard Dawkins é um exemplo clássico de ficção científica. O grande Jacques Monodescreveu frases que ele mesmo deve ter inserido na sua obra seguramente apenas como ficção científica. Cito: "O surgimento dos vertebrados tetrápodes (...) justamente tem sua origem do fato de que um peixe primitivo 'escolheu' ir a explorar a terra, sobre a qual, porém, ele era incapaz de se deslocar, exceto saltitando desajeitadamente e criando, assim, como consequência de uma modificação do comportamento, a pressão seletiva graças à qual se desenvolveriam os membros robustos dos tetrápodes. Entre os descendentes desse audaz explorador, desse Magellan da evolução, alguns podem correr a uma velocidade de 70 quilômetros por hora..." (citado segundo a edição italiana de Il caso e la necessità, Milão, 2001, p. 117ss.).

Em todas as temáticas discutidas até agora, trata-se de um diálogo sério, para o qual eu – como já disse repetidamente – sou grato. As coisas são diferentes no capítulo sobre o sacerdote e a moral católica, e ainda diferentes nos capítulos sobre Jesus. Quanto ao que o senhor diz sobre o abuso moral de menores por parte de sacerdotes, eu só posso reconhecer – como o senhor sabe – com profunda consternação. Eu nunca tentei mascarar essas coisas. O fato de que o poder do mal penetra a tal ponto no mundo interior da fé é para nós um sofrimento que, por um lado, devemos suportar, enquanto, por outro, devemos, ao mesmo tempo, fazer todo o possível para que casos desse tipo não se repitam. Também não é motivo de conforto saber que, segundo as pesquisas dos sociólogos, a porcentagem dos sacerdotes réus desses crimes não é mais alta do que a presente em outras categorias profissionais semelhantes. Em todo caso, não se deveria apresentar ostensivamente esse desvio como se se tratasse de uma imundície específica do catolicismo.

Se não é lícito calar sobre o mal na Igreja, também não se deve silenciar, porém, sobre o grande rastro luminoso de bondade e de pureza, que a fé cristã traçou ao longo dos séculos. É preciso lembrar as figuras grandes e puras que a fé produziu – de Bento de Núrsia e a sua irmã Escolástica, Francisco e Clara de Assis, Teresa de Ávila eJoão da Cruz, aos grandes santos da caridade como Vicente de Paulo e Camilo de Lellis, até a Madre Teresa de Calcutá e as grandes e nobres figuras da Turim do século XIX. Também é verdade hoje que a fé leva muitas pessoas ao amor desinteressado, ao serviço pelos outros, à sinceridade e à justiça. (...)

O que o senhor diz sobre a figura de Jesus não é digno do seu nível científico. Se o senhor põe a questão como se, no fundo, não soubesse nada de Jesus e como se d'Ele, como figura histórica, nada fosse verificável, então eu só posso lhe convidar de modo decidido a tornar-se um pouco mais competente do ponto de vista histórico. Recomendo-lhe, para isso, sobretudo os quatro volumes que Martin Hengel (exegeta daFaculdade de Teologia Protestante de Tübingen) publicou juntamente comMaria Schwemer: é um exemplo excelente de precisão histórica e de amplíssima informação histórica. Diante disso, o que o senhor diz sobre Jesus é um falar imprudente que não deveria repetir. O fato de que na exegese também foram escritas muitas coisas de escassa seriedade é, infelizmente, um fato indiscutível. O seminário norte-americano sobre Jesus que o senhor cita nas páginas 105ss. só confirma mais uma vez o que Albert Schweitzer havia notado a respeito da Leben-Jesu-Forschung (Pesquisa sobre a vida de Jesus), isto é, que o chamado "Jesus histórico" é, em grande parte, o espelho das ideias dos autores. Tais formas mal sucedidas de trabalho histórico, porém, não comprometem, de fato, a importância da pesquisa histórica séria, que nos levou a conhecimentos verdadeiros e seguros sobre o anúncio e a figura de Jesus.

(...) Além disso, devo rejeitar com força a sua afirmação (p. 126) segundo a qual eu teria apresentado a exegese histórico-crítica como um instrumento do anticristo. Tratando o relato das tentações de Jesus, apenas retomei a tese de Soloviev, segundo a qual a exegese histórico-crítica também pode ser usada pelo anticristo – o que é um fato incontestável. Ao mesmo tempo, porém, sempre – e em particular no prefácio ao primeiro volume do meu livro sobre Jesus de Nazaré – eu esclareci de modo evidente que a exegese histórico-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reivindica uma historicidade verdadeira e, por isso, deve apresentar a realidade histórica das suas afirmações de modo científico também. Por isso, também não é correto que o senhor diga que eu estaria interessado somente na meta-história: muito pelo contrário, todos os meus esforços têm o objetivo de mostrar que o Jesus descrito nos Evangelhos também é o Jesus histórico real; que se trata de história realmente ocorrida. (...)

Com o 19º capítulo do seu livro, voltamos aos aspectos positivos do seu diálogo com o meu pensamento. (...) Mesmo que a sua interpretação de João 1, 1 seja muito distante da que o evangelista pretendia dizer, existe, no entanto, uma convergência que é importante. Se o senhor, porém, quer substituir Deus por "A Natureza", resta a questão: quem ou o que é essa natureza. Em nenhum lugar, o senhor a define e, assim, ela parece ser uma divindade irracional que não explica nada. Mas eu gostaria, acima de tudo, de fazer notar ainda que, na sua religião da matemática, três temas fundamentais da existência humana continuam não considerados: a liberdade, o amor e o mal. Admiro-me que o senhor, com uma única referência, liquide a liberdade que, contudo, foi e é o valor fundamental da época moderna. O amor, no seu livro, não aparece, e também não há nenhuma informação sobre o mal. Independentemente do que a neurobiologia diga ou não diga sobre a liberdade, no drama real da nossa história ela está presente como realidade determinante e deve ser levada em consideração. Mas a sua religião matemática não conhece nenhuma informação sobre o mal. Uma religião que ignore essas questões fundamentais permanece vazia.

Ilustríssimo Senhor Professor, a minha crítica ao seu livro, em parte, é dura. Mas a franqueza faz parte do diálogo; só assim o conhecimento pode crescer. O senhor foi muito franco e, assim, aceitará que eu também o seja. Em todo caso, porém, avalio muito positivamente o fato de que o senhor, através do seu contínuo confronto com a minha Introdução ao cristianismo, tenha buscado um diálogo tão aberto com a fé da Igreja Católica e que, apesar de todos os contrastes, no âmbito central, não faltem totalmente as convergências.

Com cordiais saudações e com todos os melhores votos para o seu trabalho.

sábado, 3 de maio de 2014

CARTA DE UM SOCIALISTA ATEU A SEU FILHO







(Jean Jaurés, cujo nome completo era Auguste Marie Joseph Jean Léon Jaurés (Castres, França, 3 de setembro de 1859 – Paris, 31 de julho de 1914), foi um político socialista ateu francês).

Carta que o socialista ateu francês Jean Jaurés, fundador do periódico “L’Humanité”[1], escreveu a seu filho: Nela ainda se vislumbra alguma sinceridade num homem completamente fanatizado pela seita socialista, embora tal sinceridade seja oportunista em prol da boa educação do filho.

“Querido Filho
Me pedes uma justificativa que te eximas de estudar religião, um pouco por ter a glória de proceder de diferente maneira que a maior parte dos condiscípulos e temo que também um pouco para parecer digno filho de um homem que não tem convicções religiosas. Esta justificativa, querido filho, não a te envio e nem a te enviarei jamais.
Não é porque deseje que sejas clerical, apesar de que não há nisto nenhum perigo, nem o há tampouco em que professes as crenças que te exporá o professor. Quando tiveres a idade suficiente para julgar, serás completamente livre, porém, tenho empenho decidido em que tua instrução e tua educação sejam completas, e não o seriam sem um estudo sério da religião.
Te parecerá estranho esta linguagem depois de haver ouvido tão belas declarações sobre esta questão; são, filho meu, declarações boas para arrastar a alguns que estão em pugna com o mais elementar bom senso. Como seria completa tua instrução sem um conhecimento suficiente das questões religiosas sobre as quais todo o mundo discute? Gostarias, com tua ignorância voluntária, de não poder dizer uma palavra sobre estes assuntos sem expor-te a soltar um disparate?
Deixemos de lado a política e as discussões e vejamos o que se refere aos conhecimentos indispensáveis que deve ter um homem de certa posição. Estudas mitologia para compreender história e a civilização dos gregos e dos romanos, e que compreenderás da história da Europa e do mundo inteiro depois de Jesus Cristo sem conhecer a religião que mudou a face do mundo e produziu uma nova civilização? Na arte, que serão para ti as obras mestras da Idade Média e dos tempos modernos, se não conheces o motivo que as tem inspirado e as idéias religiosas que elas contêm?
Nas letras, podes deixar de conhecer não somente a Bossuet, Fenelón, Lacordaire, De Maistre, Veuillot e tantos que se ocuparam exclusivamente de questões religiosas, senão também a Corneille, Racine, Hugo, numa palavra a todos estes grandes mestres que deveram ao Cristianismo suas mais belas inspirações? Se se trata do direito, da filosofia e da moral, podes ignorar a expressão mais clara do Direito Natural, a filosofia mais profunda, a moral mais sábia e mais universal? – este é o pensamento de Juan Jacobo Rousseau.
Até nas ciências naturais e matemáticas encontrarás a religião: Pascal e Newton eram cristãos fervorosos; Ampere era piedoso; Pasteur provava a existência de Deus e dizia haver recobrado pela ciência a fé de um bretão; Flammarion se entrega a fantasias teológicas.
Quererás tu condenar-te a saltar páginas em todas tuas leituras e em todos teus estudos? Há que confessá-lo: a religião está intimamente unida a todas as manifestações da inteligência humana; é a base da civilização e é pôr-se fora do mundo intelectual e condenar-se a uma manifesta inferioridade o não querer conhecer uma ciência que têm estudado e que possuem em nossos dias tantas inteligências preclaras.
Já que falo de educação: para ser um jovem bem educado é preciso conhecer e praticar as leis da Igreja? Somente te direi o seguinte: nada há que reprovar aos que as praticam fielmente, e com muita frequência há que chorar pelos que não as tomam em conta. Não fixando-me senão na cortesia  no simples “savoir vivre”, há que convir na necessidade de conhecer as convicções e os sentimentos das pessoas religiosas. Se não estamos obrigados a imitá-las, devemos pelo menos compreendê-las para poder guardar-lhes o respeito, as considerações e a tolerância que lhes são devidas. Ninguém será jamais delicado, fino, nem sequer apresentável, sem noções religiosas.
Querido filho: convence-te do que o digo: muitos têm interesses em que os demais desconheçam a religião, mas todo mundo deseja conhece-la. Quanto à liberdade de consciência e outras coisas análogas, isso é vão palavreado que rechaçam de ordinário os fatos e o senso comum.
Muitos anti-católicos conhecem pelo menos medianamente a religião; outros têm recebido educação religiosa; sua conduta prova que têm conservado toda sua liberdade.
Ademais, não é preciso ser um gênio para compreender que só são verdadeiramente livres de não ser cristãos os que têm a faculdade de sê-lo, pois, caso contrário, a ignorância os obriga para a irreligião. A coisa é muito clara: a liberdade exige a faculdade de poder obrar em sentido contrário. Te surpreenderá esta carta, porém precisa, filho meu, que um pai diga sempre a verdade a seu filho. Nenhum compromissos poderia excusar-me dessa obrigação.
Recebe, querido filho, o abraço de teu pai”.

NOTA: Grande figura do socialismo e do pacifismo, Jean Jaurès tornou-se famoso notadamente por sua posição pacifista em oposição à Primeira Guerra mundial.
Nascido em Castres, bolsista, integrou primeiramente o curso de filosofia da École normale supérieure em 1878, tornando-se professor concursado do ensino secundário em 1881. Professor da faculdade de Toulouse, passa a ser deputado de centro-esquerda do Tarn em 1885. Perde as eleições de 1889, e dedica-se plenamente a seu doutorado sobre "as origens do socialismo alemão". Trabalhando ao mesmo tempo como jornalista no periódico La Dépêche du midi a partir de 1887, sua experiência como vereador e em seguida como vice-prefeito encarregado do ensino público em Toulouse faz com que se aproxime cada vez mais do socialismo. Eleito, após a greve dos mineiros, deputado de Carmaux (1893), ele torna-se aderente do Partido operário francês. Defensor de Dreyfus em 1897 (As Provas), Jaurès é favorável à entrada do socialista Millerrand no gabinete de Waldeck-Rousseau.
Em 1902, participa da criação do Partido Socialista e apóia o Bloco das esquerdas. Seu próximo passo consiste na criação de L'Humanité (1904), "jornal diário socialista", que utiliza como ferramenta na aceleração da instituição da Seção francesa da Segunda Internacional (SFIO, 1905), condenando então, em nome da unidade socialista, todo e qualquer apoio ao governo. Sua luta durante dez anos pela reconciliação entre França e Alemanha, sua hostilidade ao serviço militar e seu mote de greve geral em caso de guerra fizeram com que os nacionalistas o detestassem. No dia 31 de julho de  1914, é assassinado por Raoul Villain, o que facilitará a adesão da esquerda ao movimento União sagrada




[1] Um dos maiores expoentes midiáticos do socialismo e do comunismo francês, ainda em circulação.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Uma tese de teologia sobre o "Big Bang"?



Uma tese de teologia sobre o “Big Bang”?



Entre as teses de licenciatura em Teologia apresentadas neste ano na Universidade Gregoriana, de Roma, chamou a atenção, por sua originalidade, uma intitulada "A teologia de interpretação do ‘Big Bang'". Seu autor, que recebeu a nota máxima - "Summa cum laude" - explica os motivos pelos quais escolheu o sugestivo tema.

Pe. Eduardo Miguel Caballero Baza, EP

Na atualidade parece que a ciência nunca será capaz de levantar o véu que encobre o mistério da criação. Para o cientista que durante toda a sua vida se guiou pela crença no poder da razão, esta história termina como um pesadelo. Ele escalou as montanhas da ignorância e está a ponto de chegar ao mais alto pico; quando consegue alcançar a última rocha, é recebido por um grupo de teólogos que ali estão sentados há séculos".1

Esse testemunho pessoal de Robert Jastrow, renomado cientista norte- americano, fundador do Goddard Institute for Space Studies (GISS) da NASA, ilustra bem como a Teologia não está alheia às questões científicas, mas as explica e transcende.

Aspecto pouco conhecido da história científica

Os pioneiros das ciências naturais no século XVII, assim como muitos de seus continuadores nos séculos seguintes, eram homens profundamente religiosos, persuadidos de que suas investigações não passavam de uma contribuição para desvendar a obra do Criador.
Basta pensar nos importantes estudos do Bispo dinamarquês Beato Niels Stensen (1638-1686) sobre geologia e mineralogia, pelos quais ele é considerado o fundador da geologia moderna. Ou nos filhos espirituais de Santo Inácio de Loyola - entre os quais o padre Athanasius Kircher (1602-1680), erudito em inúmeros campos científicos; o padre Giovanni Battista Riccioli (1598-1671), cuja enciclopédia astronômica marcou época; o padre Francesco Maria Grimaldi (1618-1663), descobridor da difração da luz; o padre Ruggero Boscovich (1711-1787), considerado o criador da física atômica fundamental - que contribuíram significativamente para as conquistas da ciência e da técnica, e foram correspondentes assíduos de cientistas influentes de sua época.2

Depois desses pioneiros, não têm faltado católicos fervorosos na vanguarda dos mais diversos campos da ciência. O francês Augustin Louis Cauchy (1789-1857) - cujo nome figura inúmeras vezes nos livros de ciências exatas, física e engenharia - era católico convicto, membro da Sociedade de São Vicente de Paulo. Um dos maiores cientistas da História, Louis Pasteur (1822-1895), foi um católico exemplar em pleno século do positivismo ateu e do racionalismo agnóstico. Seu contemporâneo, o abade agostiniano austríaco Gregor Johann Mendel (1822- 1884), é considerado o pai da genética. O físico italiano Alessandro Volta (1745-1827), inventor da pilha elétrica, 3 era homem de Missa e Rosário diários, enquanto seu contemporâneo, o cientista francês André-Marie Ampère (1775-1836), fundador da eletrodinâmica, 4 tem uma obra intitulada Provas históricas da divindade do Cristianismo.
E muitos outros poderiam ser citados como exemplo até nossos dias.

A ciência e a Fé se complementam

De outro lado, o Magistério Pontifício tem sido unânime em mostrar como ciência e Fé convergem para a única verdade, por vias diversas mas complementares.5 

O Concílio Vaticano II confirmou isso, lembrando que as realidades profanas e as da Fé têm origem no mesmo Deus:
 "A investigação metódica em todos os campos do saber, quando levada a cabo de um modo verdadeiramente científico e segundo as normas morais, nunca será realmente oposta à Fé, já que as realidades profanas e as da Fé têm origem no mesmo Deus. Antes, quem se esforça com humildade e constância por perscrutar os segredos da natureza, é, mesmo quando disso não tem consciência, como que conduzido pela mão de Deus, o qual sustenta as coisas e as faz ser o que são".6 

Ora, para ser possível uma relação frutuosa entre ciência e Fé, é necessária a mediação de uma filosofia realista, reconhecedora de que as entidades materiais observadas pela ciência são reais, que existem independentemente do observador, que possuem uma racionalidade coerente, que estão governadas por leis determinadas e que formam um todo ordenado.
 

Diz-se que a sã filosofia é aquela que diz coisas evidentes, mas que não são ditas por ninguém; pois bem, essa é a filosofia realista, a filosofia de São Tomás de Aquino e de tantos outros pensadores católicos.

O cosmos: uma dimensão da realidade inatingível pela ciência

A ciência - mesmo quando se baseie numa filosofia realista e considere o universo como contingente - deve estar consciente de que nunca poderá revelar todos os mistérios do cosmos, por mais que progrida a técnica, pois há toda uma série de dimensões da realidade que escapam completamente a seu alcance. Por isso, a ciência jamais poderá demonstrar a existência de Deus nem tampouco negá-la; simplesmente não tem autoridade para se pronunciar sobre tal matéria.

Quem observa o céu estrelado com um mínimo de espírito contemplativo é naturalmente levado a formular a si mesmo uma série de perguntas para as quais a astrofísica não tem resposta: Por que existe o universo? Por que possui a ordem que observamos nele? É fruto de um projeto inteligente? Teve origem? Quando e como? Sempre foi assim como o vemos hoje?

A ciência procura dar resposta a essas e outras perguntas do gênero por meio da cosmologia, um ramo do saber que trata, de um lado, da formação do universo, de sua estrutura e evolução (aspecto físico ou científico), e de outro, de sua origem e finalidade (aspecto filosófico-teológico). Na realidade, a cosmologia é uma disciplina fronteiriça entre as ciências naturais, a Filosofia e a Teologia. É uma ciência da totalidade, que, entre outras coisas, busca a resposta à pergunta sobre a totalidade do universo no sentido ontológico. A resposta a essa pergunta, porém, não se encontra na totalidade física do universo, que é o objeto de estudo da cosmologia, mas fora dela; a totalidade do universo encontra sua explicação somente em uma Causa superior que transcende sua realidade física.

As questões relacionadas com a origem do universo e sua evolução, portanto, suscitam fortemente perguntas fundamentais como essas, que de um modo natural põem em relação à Fé e a ciência. Esta é a razão que me levou a escolher o Big Bang como tema para a tese de licenciatura em Teologia, na Faculdade de Teologia da Universidade Pontifícia Gregoriana, na especialidade de Teologia Fundamental, pois a Teologia não só tem o direito de dizer uma palavra no debate científico, mas, mais do que isso, sua voz é indispensável para se poder entender em profundidade a realidade do universo.

Influiu também poderosamente na minha escolha o Revmo. Pe. Paul Haffner, da diocese de Portsmouth (Grã Bretanha), licenciado em Física pela Universidade de Oxford e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, da qual é Professor convidado. Autor de mais de 30 livros e 150 artigos, estudou ele durante décadas as relações entre religião e ciência, com especial ênfase na cosmologia e na obra do Revmo. Pe. Stanley L. Jaki, OSB, que conhece em profundidade.
Por fim, não foi alheia a essa escolha minha formação acadêmica de Engenheiro Aeronáutico pela Universidade Politécnica de Madri, embora nunca tenha exercido a profissão, pois, logo após o término de meus estudos, tive a graça de dedicar-me inteiramente ao serviço da Igreja.

Aspectos filosóficos e teológicos da origem do universo

Hoje, os astrônomos sustentam quase unanimemente que o universo primitivo começou a expandir-se a uma grande velocidade - num processo tão rápido quanto violento, denominado "inflação cósmica" - faz uns 13 bilhões de anos, a partir de uma minúscula e incrivelmente quente "bola de fogo". É o denominado "modelo standard" do universo, ou "modelo do Big Bang".

Em torno desta concepção e de outros modelos cosmológicos, existe hoje em dia um aceso debate relacionado com os aspectos mais estritamente científicos, como a história térmica do universo, a causa do deslocamento para o vermelho dos espectros eletromagnéticos das radiações estelares, radiação cósmica de fundo de microondas, a suposta existência da matéria escura e da energia escura, a explicação da abundância relativa dos elementos químicos que se observa no universo, a descrição do nucleossíntese estelar, bem como dos processos de formação das estrelas e das galáxias, e tantos outros. Mas o debate não se limita aos aspectos científicos da questão. Estão em jogo concepções filosóficas e teológicas da maior importância.

Se o modelo do Big Bang explica a origem do universo a partir do nada, que necessidade há de um Criador? Podem ser separadas a dependência temporal do universo e sua dependência ontológica em relação ao Criador? O cosmos é autossuficiente e conduzido exclusivamente por uma causalidade cega, ou obedece à amorosa Providência Divina?

Como justificar, então, a existência de leis naturais imutáveis? Por outro lado, se Deus intervém na criação, que sentido têm os fenômenos puramente casuais? Como se harmonizam a autonomia das criaturas e sua dependência essencial do Criador, imanência e transcendência? Uma das variantes do modelo do Big Bang postula uma futura contração paulatina cada vez mais rápida do universo, culminando num colapso gravitacional sobre si mesmo. Quer isso dizer que o modelo do Big Bang prevê o fim do mundo?
 

Responder aqui a cada uma dessas perguntas alongaria demasiadamente esta matéria e me obrigaria a tratar de forma sumária um assunto rico e apaixonante. Proponho, portanto, voltar ao tema em outros artigos. Assim poderei compartilhar com nossos leitores a preparação de minha futura tese de doutorado. 
(Revista Arautos do Evangelho, Novembro/2009, n. 95, p. 37 à 39)


Notas: 
1 Cf. R. Jastrow. God and the Astronomers. New York: 1978, p. 116.
2 Entre outros com os quais mantinham frequente correspondência, cabe mencionar os seguintes: o matemático francês Pierre de Fermat (1601- 1665), pai do cálculo diferencial; o astrônomo, matemático e físico holandês Christiaan Huygens (1629-1695), inventor do relógio de pêndulo; o alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646- 1716), espírito multifacetado que formulou os princípios fundamentais do cálculo infinitesimal; ou o britânico Isaac Newton (1642-1727), que deduziu a lei da gravidade universal.
3 Em sua honra, chama-se "volt" a unidade de medida da tensão elétrica.
4 Em sua honra, denominase "ampère" a unidade de medida da intensidade da corrente elétrica.
5 Neste sentido, ver por exemplo, P. HAFFNER. Creazione e scienze. Roma: 2008, p. 1-60.
6 Constituição pastoral Gaudium et spes, 7/12/1965, n. 36.


(O Autor, quando então era Diácono, cumprimentando o Papa Bento XVI)