Mostrando postagens com marcador Beatificações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beatificações. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de junho de 2011

Mais uma vítima da Revolução Francesa vai ser beatificada

O desfile de vítimas da Revolução Francesa, com seus séquitos de horrores e crimes, tem mais um nome a ser inscrito entre os Bem-Aventurados. O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, presidirá neste domingo, 19 de junho, na localidade de Dax (França) a Missa de beatificação da religiosa vicentina Margarida Rutan, mártir decapitada pela Revolução Francesa no dia 7 de abril de 1794.

Margarida nasceu no dia 23 de abril de 1736 em Metz em uma família numerosa. Aos 18 anos e graças também à educação na fé de seus pais, expressou seu desejo de ingressar na congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, que logo pôde realizar aos 21 anos a pedido de seu pai já que era ela quem o ajudava em seu trabalho de arquiteto com o qual mantinha os seus 17 filhos.

Em 1757 iniciou sua formação em Paris, passou logo a Pau, Brest, Fontainebleau, Blangy-sur-Bresle, Troyes e finalmente a Dax aonde chegou aos 44 anos de idade em 1780. Ali como superiora se encarregou do hospital local o qual conseguiu converter em um modelo para seu tempo por sua inteira dedicação aos pacientes a quem tratava contemplando neles o Cristo sofredor.

Com a Revolução Francesa, em 1792 foi proibido o uso do hábito religioso. Em 1793 se constituiu em Dax um "comitê de vigilância" desta e outras disposições políticas. Em 1794 foi capturada e encarcerada em total isolamento, acusada de "aristocracia, fanatismo e superstição".

O postulador da causa da irmã Margarida Rutan, Luigi Mezzadri, escreve na edição para este domingo do jornal vaticano L’Osservatore Romano que "o processo foi uma farsa, a sentença foi de morte. Junto a ela foi condenado o sacerdote Giovanni Eutropio Lannelongue, de 60 anos", inocente assim como ela.

Mezzadri relata que no dia de sua morte, Margarida estava atada de costas ao Pe. Lannelongue. "Na praça se fez silêncio. Também os soldados estavam comovidos diante de sua atitude serena para enfrentar a morte. A um deixou um relógio, a outro um lenço bordado. Não baixou os olhos quando guilhotinaram o sacerdote. Aos que sugeriam que ela olhasse em outra direção dizia-lhes: ‘Como acham que vou ter medo de ver morrer um inocente?’"

"Só reagiu quando o carrasco quis descobrir o seu pescoço. ‘Detenha-se, um hombre nunca me tocou!’, disse-lhe. Para muitos condenados os últimos passos foram os mais difíceis de dar (…) Ela caminhou firme, colocou-se no patíbulo e rezou".

"Quando a guilhotina desceu –conclui Mezzadri– pareceu que um gemido sacudia a terra. Era um gemido de oração. A atualidade de sua mensagem está em ter antecipado com sua vida as palavras de João Paulo II: ‘Não tenhais medo!’".




sexta-feira, 27 de maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Beatificação da Irmã Dulce - Discurso de Abertura

Assista o discurso de abertura da cerimônia de beatificação da Irmã Dulce, realizada no último domingos, dia 22, retransmitida ao vivo pela Tv Canção Nova.



Abaixo, transcrevo a notícia da beatificação publicada no site da Arquidiocese de Salvador (BA).

Nem mesmo a chuva foi capaz de dispersar as milhares de pessoas que participaram da cerimônia de Beatificação de Irmã Dulce, neste domingo, dia 22 de maio, no Parque de Exposições. Familiares, religiosos, políticos e fiéis se emocionaram durante a celebração e demonstraram sua admiração à nomeada Bem Aventurada Dulce dos Pobres.
Os portões foram abertos às 12h. Cânticos e orações foram entoados por sacerdotes e fiéis em preparo para a celebração mais esperada do dia, enquanto todos se acomodavam em seus lugares. O Pe. Antônio Maria fez uma participação especial e cantou com o público músicas como “Cura, Senhor” e “Noites Traiçoeiras”.
Em seguida, alunos do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo de educação das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) em Simões Filho, contaram a trajetória de vida da Mãe dos Pobres com um espetáculo de música, dança e teatro. Durante a encenação, alguns fiéis relembravam e contemplavam as ações da religiosa.
“Eu como devoto de Nossa Senhora admiro muito o trabalho de Irmã Dulce. Ela aponta para Jesus e nos revela o caminho através de seu exemplo de vida”, disse Fernando de Jesus Santos, da Paróquia Santa Cruz – Engenho Velho da Federação.
A cerimônia de beatificação reuniu bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos de todo o Brasil. O Cardeal Arcebispo Emérito de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, foi o representante do Papa Bento XVI e presidiu a celebração. Além do Cardela, estiveram presentes no altar o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger e o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri.
A presidente da República, Dilma Rousseff, também esteve no Parque de Exposições acompanhada pelo Presidente do Senado José Sarney, pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, e o prefeito da cidade, João Henrique Carneiro. Durante a celebração, Dom Geraldo agradeceu a presença de todos.
A beatificação de Irmã Dulce traz um amplo significado para a Igreja da Bahia e do Brasil. Para Dom Murilo Krieger, a ocasião reforça o compromisso de todos com os ensinamentos divinos. “A Bahia é de todos os Santos. Esta terra deve dar santos a toda a Igreja, até mesmo porque a capital se chama Salvador. Então, pessoas de nossa época sendo beatificadas servem como um estímulo para que todos façam a vontade de Deus”, ponderou.
Da mesma forma, o Núncio Apostólico, Dom Lourenzo, ressalta o exemplo da pessoa de Irmã Dulce no compromisso cristão.
“A Igreja atual precisa dos santos porque hoje a sociedade tem menos modelos. Existem muitas palavras e o que queremos ver é testemunho de vida. Irmã Dulce se dedicou aos pobres e apesar das dificuldades não se deixou vencer e perpetuou em sua missão”, afirmou.
Celebração – Os religiosos entraram carregando as imagens do Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora da Conceição da Praia e de Santo Antônio. Enquanto caminhavam, a comunidade presente cantava o Hino do Senhor do Bonfim.
O Rito de Beatificação do Vaticano teve início logo depois. Foram lidas a biografia resumida da freira foi lida e a proclamação de beatificação. Depois, houve a entrada das relíquias e descerramento da imagem oficial de Irmã Dulce como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. A celebração foi encerrada com a benção final e com uma queima de fogos.
A partir de agora, o dia 13 de agosto, data em que Irmã Dulce recebeu o hábito de Religiosa, será dedicado à Bem-aventurada Dulce dos Pobres. A oração da beata se encontra no nosso portal.

Vejam
fotos da cerimônia de Beatificação de Irmã Dulce

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bispos do Brasil comentam a beatificação de Irmã Dulce


Além da programação da beatificação da Bem-aventurada Irmã Dulce, a Arquidiocese de Salvador, divulga a seguinte nota:

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o povo cristão exultam de alegria pelo reconhecimento por parte da Igreja Católica das virtudes da Irmã Dulce – Anjo Bom da Bahia – e por sua beatificação no próximo dia 22 de maio, em Salvador, sua terra natal”. Essas são algumas palavras do texto divulgado pelos bispos participantes da 49ª Assembleia Geral da CNBB, em homenagem a beatificação de Irmã Dulce.
Segundo os bispos, Deus chamou a jovem Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes para um serviço especial junto ao seu povo, os baianos, em particular “os pobres, os doentes, também pessoas rejeitadas por serem portadoras de necessidades especiais. Deixando tudo, tornou-se religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e designada para um serviço em sua cidade”.
A nota dos bispos destaca a espiritualidade de Irmã Dulce e a sua devoção por Nossa Senhora. “Sua espiritualidade era nutrida pela Eucaristia, oração, Palavra de Deus, e devoção a Nossa Senhora. A confiança na Providência Divina que se lhe manifestava em diversas ocasiões e, muitas vezes, de forma surpreendente, nunca lhe trazia constrangimento em estender as mãos para pedir ajuda a fim de saciar a fome de pão e saúde aos que a procuravam e a encorajava para seguir adiante vendo em cada sofredor o próprio Cristo Jesus.
Os bispos destacam também a escolha feita pelo papa Bento XVI na beatificação da Irmã baiana. “O papa Bento XVI, ao fazer o reconhecimento das virtudes da Irmã Dulce, nos exorta a assumirmos nossa fé, em gestos concretos, ‘para que todos tenham vida e vida em abundância’ (Jô 10,10).
Beatificação
O papa Bento XVI assinou o decreto que conclui o processo de beatificação de Irmã Dulce no dia 10 de dezembro de 2010. Irmã Dulce é a primeira baiana a tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais um milagre intercedido pela religiosa e reconhecido pelo Vaticano.
A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 por dom Geraldo Majella, bispo emérito de Salvador. Desde junho de 2001, o processo tramitava na Congregação das Causas dos Santos do Vaticano.
Fonte: CNBB

Programação

A partir do dia 22 de maio, Irmã Dulce será conhecida como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. A cerimônia de beatificação da religiosa acontecerá no Parque de Exposições, em Salvador, e a expectativa é que o público atinja a marca de 60 mil pessoas.
Caravanas de todo o Brasil e do exterior se programam para participar da beatificação. De acordo com Osvaldo Gouveia, assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais de Irmã Dulce, o reconhecimento das ações de Irmã Dulce é algo imensurável. “Tem gente que vem do Amapá porque tem devoção por Irmã Dulce. Acredito que não temos dimensão do quanto ela é querida neste Brasil imenso”, comentou.
Os portões do Parque de Exposições serão abertos às 14h. Um espetáculo de música, dança e teatro abordando a trajetória de vida da religiosa antecede a solenidade. Cerca de 700 alunos do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo de educação da OSID localizado no município de Simões Filho, irão fazer a apresentação.
A cerimônia será presidida pelo Cardeal e Arcebispo Emérito de Salvador Dom Geraldo Majella Agnelo. Na Missa, será seguido o roteiro litúrgico do Rito de Beatificação do Vaticano: nas leituras da biografia resumida da freira e da proclamação de beatificação, entrada das relíquias e descerramento da imagem oficial de Irmã Dulce como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. Em seguida, será executado o hino de Irmã Dulce, composto pelo frei capuchinho Ivan.
Preparação – No dia 21 de maio, anterior ao dia da celebração principal, será realizada, às 16h, uma Missa no Santuário de Irmã Dulce – igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Largo de Roma. Depois, os participantes celebram a vigília, que se estenderá até a manhã do dia seguinte.
Serão disponibilizados vagas para ônibus, estacionamento pago para veículos de passeio, sanitários e segurança. Os ingressos poderão ser retirados gratuitamente nas paróquias, na sede das Obras Sociais e na Rádio Excelsior (rua Leovigildo Filgueiras, Garcia), em período a ser divulgado na mídia. Para mais informações, entrar em contato através do telefone 0800-284-52-84 e do e-mail cerimonial@irmadulce.org.br.

Nota: na foto acima, Irmã Dulce está na companhia de Giselda Ortolana, que também foi curada por intercessão da freira.

domingo, 15 de maio de 2011

Irmã Dulce e a opinião pública


Na primeiro edição após a morte da Irmã Dulce (13 de março de 1992) o jornal "A Tarde", de Salvador, publicava em primeira página uma foto da multidão que acorreu para homenagear o "Anjo Bom da Bahia". Foi o enterro mais multitudinário de toda a história da Bahia, e talvez do Brasil. Qual a razão? Por ter sido uma freira dedicada exclusivamente ao exercício da caridade cristã, papel saliente das Ordens femininas, e por ter levado sua vocação ao grau de heroísmo, Irmã Dulce cativou o coração de uma grande multidão de fiéis. No estudo da vida dos santos muitos aspectos vão aos pouco sendo analisados e revelados: uma característica da futura Beata era a divulgação de seu trabalho perante o público. Segundo um estudioso de sua vida ela foi uma exemplar "marqueteira" de sua obra. E não o fez por promoção pessoal, isso não, pretendia simplesmente que seu trabalho fosse divugado e com isso conseguisse mais apoio, mais ajuda para transformá-lo numa ação social de grande envergadura. Daí a razão de hoje encontrarmos importantes fotos, algumas delas muito importantes para se avaliar sua obra mas muito antigas, datando das primeiras décadas de sua atividade pastoral.
No próximo dia 22 de maio, no Parque de Exposição de Salvador (BA), estaremos assistindo ás cerimônias de beatificação da Irmã Dulce, a serem presididas pelo Arcebispo resignatário Dom Geraldo Majella.

Vejam também, abaixo, reportagem do programa "Fantático", da TV Globo, em que mostra o grandioso enterro da santa ocorrido naquela época.




A respeito do físico frágil e apequenado da Irmã Dulce, no entanto com uma alma tão grande e ardorosa, divulgamos abaixo os comentários do Dr. Plínio que (apesar de terem sido feitos a propósito de Dom Chautard, outra alma santa) se aplicam muito bem a ela:

"Se na era do romantismo a opinião pública se inclinava para as almas delicadas, subtis, frágeis, exageradamente delicadas, exageradamente subtis, diríamos exageradamente frágeis se a fragilidade já não fosse em si mesma um defeito e um exagero, em nossos dias, quando a luta pela vida da alma e do corpo impõe um esforço incessante, a admiração se volta mais freqüentemente para as almas poderosas, fortes, realizadoras, enérgicas. E, como tudo quanto é humano é sujeito a exagero, somos propensos não raras vezes a glorificar a força física dos boxeurs e atletas, ou a força quase hipnótica de certos ditadores, como valores absolutos e supremos.
Nisto, como em tudo, um sadio equilíbrio se impõe. E deste equilíbrio é mestra a Igreja Católica, fonte de toda virtude.
Entre a força e a delicadeza de alma não há incompatibilidade, desde que uma e outra sejam retamente entendidas. E uma alma pode ao mesmo tempo ser delicadíssima sem nenhuma fraqueza e fortíssima sem nenhuma brutalidade".
(Extraído da revista "Catolicismo", n. 52, de abril de 1955)
Acima, a foto da miraculada que permitiu a beatificação da Irmã Dulce, dona Cláudia Cristiane Santos, com seu filho Gabriel, hoje com doze anos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Autoridades mundiais e multidões na beatificação de João Paulo II




ROMA, domingo, 1º de maio de 2011 (ZENIT.org) - Mais de um milhão de pessoas - dados das forças de segurança italianas - participaram hoje da beatificação mais lotada da história.
Um grande aplauso se estendeu da Praça de São Pedro, passando pela Via da Conciliação e ruas circundantes, até chegar ao Circus Maximus (onde milhares de pessoas acompanharam a cerimônia por meio de telões), quando Bento XVI leu a fórmula da beatificação.
"Concedemos que o Venerável Servo de Deus João Paulo II, Papa, de agora em diante seja chamado Beato e que se possa celebrar sua festividade nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito, todo ano a 22 de outubro", disse em latim.
O sorriso de Karol Wojtyla foi descoberto nesse momento, em uma grande imagem, imortalizada na cópia de foto de 1995, no centro da fachada da Basílica de São Pedro. As lágrimas dos peregrinos, muitos deles poloneses, não se contiveram.
A religiosa francesa Marie Simon-Pierre, cuja inexplicável cura de Parkinson permitiu concluir o processo de beatificação, acompanhada da freira polonesa que assistiu João Paulo II, a irmã Tobiana, apresentaram a relíquia, um frasco de sangue de Karol Wojtyla.
Em algumas áreas da Praça de São Pedro era possível ver cobertores no chão, com os quais o povo tinha se abrigado durante a noite fria. As forças de segurança decidiram abrir as entradas antes do esperado, às 2h, por razões de segurança.
Na mesma praça estavam os representantes dos grandes do mundo. Eram 62 delegações lideradas por chefes de Estado e de governo, além de famílias reais e outros países que foram oficialmente representados.
A Itália foi representada tanto pelo seu presidente, Giorgio Napolitano, e pelo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi; a Polônia, pelo seu presidente, Bronislaw Komorowski; e a Comissão Europeia, por José Manuel Durão Barroso.
Na praça estava o ministro Yossi Peled, salvo do Holocausto por uma família católica na Bélgica, em representação do Estado de Israel.
Antes da celebração, ele afirmou que "o evento é particularmente significativo. Este homem, nascido em um período no qual se respirava um clima de antissemitismo aprovado publicamente, opôs-se e quis desafiar aqueles que serviam o espírito da raça humana".
O México foi representado pelo presidente Felipe Calderón; e Honduras, pelo seu chefe de Estado, Porfírio Lobo.
As cinco casas reais estavam presentes perto do Papa: Espanha (com o príncipe Felipe e a princesa Letizia), Bélgica, Luxemburgo, Liechtenstein e Reino Unido.
Os Estados Unidos foram representados por um enviado de Barack Obama junto ao Vaticano, o embaixador Miguel Diaz; e Cuba, por Caridad Diego Bello, chefe do Serviço de Atenção aos Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido. A França esteve presente com seu primeiro-ministro, François Fillon.
Os jornalistas que vieram cobrir o evento eram mais de 2.300, bem como 1.300 canais de televisão.
O cansaço e o sol provocaram desmaios entre os peregrinos, mas a organização manteve a ordem, o que permitiu garantir uma verdadeira festa de fé, apesar do número de peregrinos ter superado as expectativas.
"A organização resistiu e tudo correu bem. Esperamos agora que o retorno ocorra sem problemas", disse o delegado para a segurança de Roma Capital, Giorgio Ciardi.
(Por Jesús Colina)









sábado, 30 de abril de 2011

BEATO JOÃO PAULO II




Karol Jozef Wojtyla tornou-se João Paulo II em sua eleição para a Sé Apostólica a 16 de outubro de 1978, nasceu em Wadowice, cidade a 50 km de Cracóvia (Polônia), em 18 maio de 1920. Era o caçula dos três filhos de Karol Wojtyla e Emilia Kaczorowski, que morreu em 1929. Seu irmão mais velho, Edmund, um médico, morreu em 1932 e seu pai, sargento do exército, em 1941. Sua irmã, Olga, tinha morrido antes dele nascer.

Foi batizado em 20 de junho de 1920 na igreja paroquial de Wadowice pelo padre Franciszek Zak, fez sua Primeira Comunhão nove anos, e aos 18 anos o sacramento da Confirmação. Após a formatura do colégio Marcin Wadowita de Wadowice, em 1938 matriculou-se na Universidade de Cracóvia Jagiellonian.

Quando as forças de ocupação nazista fecharam a Universidade, em 1939, o jovem Karol trabalhou (1940-1944) em uma pedreira, e mais tarde em uma fábrica química Solvay para ganhar a vida e para evitar a deportação para a Alemanha.

Em 1942, sentindo-se chamado ao sacerdócio, começou a estudar no seminário clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Arcebispo de Cracóvia, Cardeal Adam Stefan Sapieha. Ao mesmo tempo, foi um dos pioneiros do "Rapsódico Teatro", também clandestino.

Após a guerra, continuou seus estudos no seminário maior de Cracóvia, reaberto, e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagiellonian, até sua ordenação sacerdotal em Cracóvia, que ocorreu em novembro de 1946 pelas mãos de Dom Sapieha.

Mais tarde, foi enviado para Roma, onde, sob a direção do dominicano francês Garrigou-Lagrange, em 1948, obteve seu doutorado em teologia com uma tese sobre o tema da fé nas obras de São João da Cruz (“Doctrina de fide apud Sanctum Ioannem um Cruce”). Naquela época, durante as férias, ele exerceu o seu ministério pastoral entre os imigrantes poloneses na França, Bélgica e Holanda.

Em 1948 voltou à Polônia e foi assistente na freguesia de Niegowić, perto de Cracóvia, e depois em San Floriano. Este período durou até 1951, quando retomou seus estudos em filosofia e teologia. Em 1953, na Universidade Católica de Lublin, defendeu tese sobre "Avaliação da possibilidade de fundar uma ética católica sobre o sistema ético de Max Scheler". Mais tarde tornou-se professor de Teologia Moral e Ética Social no seminário maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin.

Em 04 de julho de 1958, o Papa Pio XII o nomeou Bispo Titular de Ombi e auxiliar de Cracóvia. Recebeu a ordenação episcopal em 28 de Setembro de 1958, na Catedral de Wawel (Cracóvia), das mãos de Dom Eugênio Baziak.

No dia 13 de janeiro de 1964 foi nomeado arcebispo de Cracóvia pelo Papa Paulo VI, que fez dele um cardeal no consistório de 26 de junho de 1967.

Participou do Concílio Vaticano II (1962-1965), fez uma importante contribuição para a elaboração da Constituição Gaudium et Spes. Cardeal Wojtyla participou também em 5 reuniões do Sínodo dos Bispos, antes de seu pontificado.

Os cardeais reunidos no Conclave o elegeram Papa em 16 de outubro de 1978. Adotou o nome de João Paulo II em 22 de outubro e começou solenemente o seu ministério petrino como o sucessor 263 do Apóstolo. Seu pontificado foi um dos mais longos da história da Igreja, durou quase 27 anos.

João Paulo II exerceu o ministério Petrino com incansável espírito missionário, dedicando todas as suas energias Impulsionada por sua solicitude pastoral para todas as Igrejas e caridade aberta a toda a humanidade. Suas viagens apostólicas no mundo foram 104. Na Itália, ele fez 146 visitas pastorais. Como Bispo de Roma visitou 317 paróquias (de um total de 333).

Mais do que qualquer antecessor, ele conheceu o Povo de Deus e os líderes das nações: Audiências gerais realizadas às quartas-feiras (durante o pontificado foram 1166), que reuniu mais de 17 milhões e 600 mil peregrinos, sem contar as outras audiências especiais e cerimônias religiosas [ mais de 8 milhões de peregrinos durante o Grande Jubileu do Ano 2000] sozinho e os milhões de fiéis se reuniram durante visitas pastorais na Itália e no mundo. Há também inúmeras personalidades do governo na audiência: basta lembrar as 38 visitas oficiais, 738 audiências e reuniões com outros chefes de Estado e 246 audiências e encontros com primeiros-ministros.

Seu amor pelos jovens levou-o a iniciar em 1985, as Jornadas Mundiais da Juventude. As 19 edições do Dia Mundial da Juventude que teve lugar durante o seu pontificado, reuniu milhares de jovens em várias partes do mundo. Ao mesmo tempo, seus cuidados para a família foi expressa no Encontros Mundiais das Famílias, que iniciou em 1994.

João Paulo II tem promovido com sucesso o diálogo com os judeus e com os representantes de outras religiões, foi várias vezes convidado para reuniões de oração pela paz, especialmente em Assis.

Sob sua direção a Igreja se preparou para o terceiro milênio e celebrou o Grande Jubileu do ano 2000, de acordo com as orientações indicadas na Carta Apostólica “Tertio adveniente do Milênio”. Em seguida, enfrentou a nova época, recebendo suas instruções na Carta Apostólica “Novo millennio ineunte”, na qual ele indicou aos fiéis o seu caminho futuro.

Com o Ano da Redenção e o Ano Mariano da Eucaristia, João Paulo II promoveu a renovação espiritual da Igreja.

Ele deu um impulso extraordinário, à beatificação e canonização, em inúmeros exemplos da santidade de hoje, como um incentivo aos homens do nosso tempo, comemorou 147 cerimônias de beatificação - durante o qual ele proclamou Beatos 1338 - e 51 de canonização, para um total de 482 santos. Proclamou Doutora da Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus.

Alargou notavelmente o Colégio dos Cardeais, criando 231 Consistórios em 9 (mais um “in pectore”, mas não foi publicado antes de sua morte). Ele também convocou seis reuniões plenárias do Colégio dos Cardeais.

Organizou 15 Assembléias do Sínodo dos Bispos: seis ordinárias (1980, 1983, 1987, 1990, 1994 e 2001), uma assembléia geral extraordinária (1985) e oito montagens especiais (1980, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998 e 1999).

Entre seus principais documentos incluem 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

Promulgou o Catecismo da Igreja Católica, à luz da Tradição como autorizadamente interpretada pelo Concílio Vaticano II. Reformou o Código de Direito Canônico, criou novas Instituições e reorganizou a Cúria Romana.

O Papa João Paulo II, como um médico particular, também publicou cinco livros: "Cruzando o Limiar da Esperança" (outubro 1994), "Dom e Mistério: No Cinquentenário da minha ordenação sacerdotal" (Novembro 1996), "Tríptico Romano" meditações em forma de poesias (Março 2003), "Levanta-te, Let Us" (Maio de 2004) e "Memória e Identidade" (fevereiro 2005).

João Paulo II morreu, no Vaticano, a 2 de abril de 2005, às 21:37, enquanto ia chegar ao fim no sábado e já tinha entrado o Dia do Senhor, Oitava de Páscoa e Domingo da Divina Misericórdia.

A partir dessa noite, até 08 de abril, quando tiveram o funeral do saudoso Pontífice, mais de três milhões de peregrinos vindos a Roma para prestar homenagem ao corpo do Papa, na fila até 24 horas para entrar no Basílica de São Pedro.

Em 28 de Abril do ano seguinte, o Papa Bento XVI concedeu uma dispensa o período de espera de cinco anos após a morte, para o início da Causa de beatificação e canonização de João Paulo II. A causa foi oficialmente inaugurado 28 de junho de 2005 pelo Cardeal Camillo Ruini, Vigário para a diocese de Roma.

Traduzido de Cattolici Romani

domingo, 19 de setembro de 2010

CARDEAL NEWMAN BEATIFICADO EM VISITA HISTÓRICA

Birmingham, Inglaterra - Bento XVI beatificou este Domingo em Birmigham, Inglaterra, o Cardeal John Henry Newman, uma das maiores figuras eclesiais no século XIX. Perante mais de 50 mil pessoas, que assinalaram com palmas o momento solene, o Arcebispo de Birmingham, D. Bernard Longley, pediu formalmente que o Papa beatificasse John Henry Newman e o vice-postulador da causa de canonização leu uma pequena biografia.
Bento XVI proferiu, em seguida, a fórmula de beatificação, anunciando que a festa litúrgica do Beato Newman será celebrada a 9 de outubro, precisamente a data da sua conversão, em 1845.
Um retrato do novo beato foi destapado e as suas relíquias colocadas junto ao altar, antes de o Papa cumprimentar o Arcebispo local e o vice-postulador da causa do Cardeal Newman, que continuará agora a trabalhar para a sua canonização, último degrau da «escada» de santidade já percorrida.
Esta é uma opção simbólica, mostranto que o Papa quer apresentar o Cardeal inglês, respeitado por crentes e não crentes, como modelo de pensador e líder espiritual numa altura em que a Igreja Católica atravessa um momento delicado.
Forte influência na vida e pensamento de Joseph Ratzinger, Newman é reconhecido como um notável escritor, pregador e teólogo, que James Joyce apelidava o “maior dos escritores ingleses em prosa”.
Nascido em Londres a 21 de fevereiro de 1801 e falecido a 11 de agosto de 1890, John Henry Newman converteu-se do anglicanismo ao catolicismo aos 44 anos.
Antes da sua conversão, foi uma das figuras principais do Movimento de Oxford, que procurava aproximar das suas raízes a Igreja Anglicana da Inglaterra, na qual era clérigo.
Após a sua conversão foi ordenado padre católico em Roma, no ano de 1847, e encorajado pelo Papa Pio IX regressou à Inglaterra, onde fundou o oratório de S. Filipe Néri.
Escritor prolífico, como recorda o Vaticano na sua biografia oficial, Newman abordou diversas matérias com destaque para a relação entre fé e razão, a natureza da consciência e o desenvolvimento da doutrina cristã, obras que lhe valeram grande reconhecimento do mundo católico e que influenciaram mesmo o Concílio Vaticano II, nos anos 60 do século XX.
Em 1879, com 78 anos de idade, foi criado Cardeal por Leão XIII, tendo morrido no ano de 1890, em Birmingham.
A 22 de janeiro de 1991, o Cardeal Newman foi declarado venerável por João Paulo II, uma vez comprovada a heroicidade das suas virtudes.
Durante o processo de beatificação, os seus restos mortais foram transladados do pequeno cemitério de Rednall Hill, nos subúrbios de Birmingham, onde estava enterrado juntamente com Ambrose St. John, também convertido ao catolicismo, para o Oratório São Felipe Néri de Birmingham.
Bento XVI sempre teve um interesse pessoal nesta causa e é um apreciador da teologia do Cardeal Newman, já desde os tempos em que era um jovem seminarista na Alemanha, o que justifica que, pela primeira vez no atual pontificado, o Papa abra uma excepção à prática que implementou e presida pessoalmente a uma beatificação.
"Newman pertence deveras aos grandes doutores da Igreja, porque ele toca ao mesmo tempo o nosso coração e ilumina o nosso pensamento", disse o então Cardeal Ratzinger sobre este Cardeal inglês, em 1990.
A beatificação, a primeira a ter lugar em solo inglês, acontece após a Congregação para as Causas dos Santos ter reconhecido em 2008 que a cura de uma lesão na coluna vertebral de Jack Sullivan, diácono permanente de Boston, Massachussets, não encontrava “explicação médica”, podendo ser considerada como milagre.
O Cardeal Newman foi uma figura muito popular no seu tempo: a sua conversão teve grande impacto na sociedade vitoriana e restaurou o prestígio da Igreja Católica na Inglaterra.
A sua autobiografia espiritual “Apologia pro vita sua” (1864) é vista por muitos como a maior obra do gênero desde as célebres “Confissões”, de Santo Agostinho.
É este o homem escolhido por Bento XVI para o momento mais importante da sua primeira visita de Estado ao Reino Unido, que decorre desde 16 de setembro, um Cardeal inglês que o atual Papa apresentou recentemente com “extraordinário exemplo de fidelidade à verdade”, mesmo “à custa de um considerável sacrifício pessoal".
_______________
Fonte: AGÊNCIA ECCLESIA


O Papa define o Beato Cardeal Newman “uma figura de doutor da Igreja para nós e para todos", e também uma ponte entre anglicanos e católicos
Edimburgo (Agência Fides) - Durante a viagem no avião rumo ao Reino Unido, para a sua 17ª Viagem Apostólica em vista da beatificação do Cardeal John Henry Newman, o Papa Bento XVI encontrou-se com os jornalistas do vôo papal. Respondendo às perguntas de alguns deles, apresentadas por Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa deteve-se na figura do Cardeal Newman com as seguintes palavras:
"O Cardeal Newman é principalmente por um lado, um homem moderno, que viveu todo o problema da modernidade, que viveu também o problema do agnosticismo, a impossibilidade de conhecer a Deus, de crer. Um homem que teve ao longo de sua vida em caminho, no caminho de deixar-se transformar pela verdade, em busca de grande sinceridade e grade disponibilidade, para conhecer melhor e para encontrar, acertar o caminho para a verdadeira vida. Esta modernidade interior do seu ser e de sua vida, significa a modernidade de sua fé. Não é uma fé em fórmulas de uma época passada: é uma fé pessoal, vivida, sofrida, encontrada num longo caminho de renovação e conversões. E um homem de grande cultura, que por um lado, participa na nossa cultura cético hoje – à questão se pode entender alguma coisa sobre a verdade do homem, do ser ou não, e como podemos obter a convergência das probabilidades. Um homem que, por outro lado, com uma grande cultura do conhecimento dos Padres da Igreja, ele estudou e renovou a gênese interior da fé e reconheceu a sua figura e construção interior. Ele é um homem de grande espiritualidade, de um grande humanismo, um homem de oração, de uma profunda relação com Deus e uma relação pessoal, por isso também de uma relação profunda com os outros homens do seu e do nosso tempo. Eu diria esses três elementos: modernidade da sua existência, com todas as dúvidas e os problemas de nosso ser de hoje; grande cultura, o conhecimento dos grandes tesouros da cultura da humanidade, a disponibilidade de busca permanente, de renovação contínua; e espiritualidade: vida espiritual, vida com Deus, dão a este homem uma excepcional grandeza para o nosso tempo. Por isso, é uma figura de Doutor da Igreja para nós e para todos, e também uma ponte entre anglicanos e católicos". (SL) (Agência Fides 17/09/2010
)

Homilia de Bento XVI
O serviço concreto a que foi chamado o Beato John Henry incluía a aplicação entusiasta de sua inteligência e sua prolífica pluma a muitas das mais urgentes “questões do dia”. Suas intuições sobre a relação entre fé e razão, sobre o lugar da religião revelada na sociedade civilizada, e sobre a necessidade de uma educação esmerada e ampla foram de grande importância, não somente para a Inglaterra vitoriana. Hoje também seguem inspirando e iluminando a muitos em todo o mundo. Gostaria de render especial homenagem à sua visão da educação, que fez tanto por formar o ethos que é a força motriz das escolas e faculdades católicas atuais. Firmemente contrário à qualquer enfoque redutivo ou utilitarista, buscou lograr condições educativas em que se unificasse o esforço intelectual, a disciplina moral e o compromisso religioso. O projeto de fundar uma Universidade Católica na Irlanda lhe brindou a oportunidade de desenvolver suas idéias a respeito, e a coleção de discursos que publicou com o título “A Idéia de uma Universidade” sustenta um ideal mediante o qual todos os que estão imersos na formação acadêmica podem seguir aprendendo. Mais ainda, em que melhor meta podem se fixar os professores de religião do que no famoso chamado do Beato John Henry por leigos inteligentes e bem formados: “Quero um laicato que não seja arrogante nem imprudente na hora de falar, nem polêmico, mas homens que conheçam bem sua religião, que se aprofundem nela, que saibam bem onde estão, que saibam o que têm e o que não têm, que conheçam seu credo a tal ponto que possam dar contas dele, que conheçam tão bem a história que possam defendê-la” (A Posição Atual dos Católicos na Inglaterra, IX, 390)? Hoje, quando o autor destas palavras é elevado aos altares, peço para que, através de sua intercessão e exemplo, todos os que trabalham no campo da educação e da catequese se inspirem com maior ardor na visão tão clara que ele nos deixou.

(Excerto do sermão do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Santa Missa de Beatificação do Cardeal John Henry Newman, Cofton Park de Rednal – Birmingham).