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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A REVOLUÇÃO ISLÂMICA, UMA OPÇÃO NA QUARTA FASE E NAS SEGUINTES?

 


Plínio Corrêa de Oliveira, em sua magistral obra “Revolução e Contra-Revolução”, divide o ciclo revolucionário em 3 fases: a primeira foi a Revolução Protestante, a segunda a Revolução Francesa e a terceira fase a comunista. Na mesma obra ele define o que se seria uma quarta fase, que seria uma revolução tribal transformando toda a sociedade numa comunidade autogestionária[1]. Esta quarta fase já foi iniciada com a revolução da Sorbone de 1968 Uma quinta revolução seria um tribalismo todo voltado para o curandeirismo, etc.

O islamismo poderia servir de "caldo de cultura", poderia ter elementos que servissem para a quarta ou até mesmo a quinta Revolução?

Vejamos.

1. O aspecto tribal. A estrutura social de quase todos os povos dominados pelos muçulmanos é ainda tribal. De modo geral, tais povos conservaram seus aspectos primitivos como reação à ocidentalização da cultura. Embora tenha crescido o progresso tecnológico em muitos daqueles países, a estrutura social ficou estagnada e presa a valores tribais seculares. Da mesma forma, a legislação islâmica conserva todo o seu primitivismo mantendo tais povos numa quase barbárie.

2. O ódio ao Ocidente. Cada vez mais cresce o ódio ao Ocidente cristão, alimentado pelos aiatolás e mulás islâmicos, o que faz com que tais povos mais se distanciem do verdadeiro progresso social e se mantenham em seu primitivismo. Este ódio é alimentado pela revolta contra o Estado judeu na região.

3. O fascínio que desperta. Talvez desperte muito mais certo fascínio no Ocidente do que as reservas tribais de alguns povos indígenas. Isto porque possuem algo parecido com hierarquia social e uma certa riqueza cultural. Pelo menos em alguns aspectos. São mais numerosos; defendem causas universais; poderiam algum dia influir todos os povos da terra talvez pelo binômio “medo-simpatia”.

4. A autogestão islâmica. A Revolução islâmica, pois, nada mais é do que a IV Revolução tribal e autogestionária aplicada na prática. Nos mesmos moldes em que aquela Revolução foi idealizada pelos seus ideólogos: autoctonismo, falta de governo (tantas são as tribos que ás vezes alguns daqueles governos têm tido problemas para se manter no poder), curandeirismo (há muito disto no islamismo), etc. E aqui haveriam elementos mais facilitadores para um passo adiante: a quinta fase da Revolução, pois a religião islâmica abre grande espaço para a ação da feitiçaria, da magia, do curandeirismo, que é muito praticado em suas tribos arredias...

Este aspecto tribal está sendo o grande empecilho para concluir o que os americanos chamam de "democratização" de alguns países islâmicos. Esta tal "democratização" exigiria que aceitassem o costume ocidental de eleger seus governantes e que elaborassem uma Carta Magna, uma Constituição, a fim de que a nação tivesse um texto legal básico de sua existência. Mas nada disto estão dispostos a fazer: na realidade quem manda são os chefes tribais, os mulás e aiatolás, muitos deles sob influência direta dos ideólogos muçulmanos do Irã, Arábia Saudita, ou qualquer outro centro de propagação do islamismo no mundo. Apesar disso há consenso entre eles quando se trata de fazer guerra contra Israel ou o Ocidente cristão.

O historiador inglês Bernard Lewis, professor emérito da Universidade de Princenton, nos EUA, especialista em história do islã, com mais de 20 livros publicados, fala sobre estas dificuldades. Segundo Lewis a palavra democracia sequer existe entre os muçulmanos. Quando eles começaram a falar sobre democracia no século XIX se utilizaram de um termo emprestado da Europa. Nesta época houve algumas tentativas de "democratização" baseada em alguns modelos europeus, com constituição e parlamento, mas nenhuma funcionou a contento.

A Turquia foi um exemplo. A república foi proclamada em 1923, sendo eleito seu primeiro presidente. Tentou este romper com o passado islâmico e oriental, abolindo o califado e impondo a "laicização" das instituições, que nos países islâmicos são ligados á religião. Após a década de 50 a Turquia elevou ao poder o Partido Democrático, fazendo com que se fortalecessem seus vínculos com os EUA. No decorrer do século XX houve golpes de estado, eleições e tentativas de eliminar o crescimento da influência islâmica nas leis do país. Hoje, a Turquia pode-se dizer que mantém uma certa "democracia" nos moldes ocidentais, mas convivendo com múltiplos problemas internos provocados por muçulmanos e curdos. Não há outro país muçulmano que tenha regime político semelhante. A própria Arábia Saudita, por exemplo, é uma monarquia absolutista, “teocrática", como se diz, e de cunho ditatorial. Lá, a família real detém 40% de toda a riqueza do país e consegue se manter no poder graças a uma rígida legislação islâmica, que agrada aos ideólogos muçulmanos mas mantém o povo numa situação de quase escravidão e de ignorância crassa. O estilo de vida tribal secular deste povo é que o mantém preso às tradições islâmicas e obedientes aos ditames da aristocracia "sacerdotal" da religião. Tal modo de vida não condiz com o espírito ocidental e cria dificuldades para o funcionamento de uma democracia tipo americana.

O mesmo ocorre em outros países muçulmanos, como, por exemplo, o Marrocos, que tem uma monarquia islâmica liberal e moderada e com laivos de simpatias pelo Ocidente. Naquele país também foram promulgadas algumas leis para amenizar a ditadura islâmica, como uma constituição e certas liberdades para as mulheres. Há também um parlamento eleito através do sistema democrático de votos. Em 2003, o rei Mohammed IV e o parlamento aprovaram uma nova legislação sobre a família, os direitos individuais, e, obviamente, um estatuto dando proteção às mulheres e crianças. Mas fica por aí, havendo poucas possibilidades da monarquia ser menos rigorosa em outros aspectos. Há, porém, quem diga que o Marrocos é o único exemplo de um país muçulmano que se adaptou a certos costumes ocidentais e civilizatórios.

Já o mesmo não ocorre com os demais. O próprio historiador Lewis reconhece que há uma grande dificuldade para vencer as resistências seculares dos povos sob domínio islâmico para aceitar qualquer ocidentalização, da qual a "democracia" faz parte. E um fator a mais é a grande influência que tem lá dentro os aiatolás, principalmente os do Irã, onde impera uma Revolução Islâmica há mais de 40 anos tentando ser exportada para além de suas fronteiras.

O certo é que provavelmente veremos surgir ou se expandir no Iraque e nas circunvizinhanças um amontoado de regimes tribais, meio autóctones, revestidos na capa de um caráter de autenticidade, mas no fundo governados por uma rede bem urdida de mentores da Revolução Islâmica. Talvez tenha surgido aí a criação do famoso grupo terrorista denominado “Estado Islâmico”, que a partir de 2014 tentou impor um “república islâmica” entre a Síria e o Iraque, assim como outros grupos semelhantes, como o Hamas, etc.

Qual a distinção entre árabe e muçulmano?

É comum confundir-se o termo "muçulmano" com "árabe", ou até mesmo com a palavra "Islã". Na realidade, o Islã é todo o conjunto de povos que praticam a religião muçulmana, e o termo é usado também como o movimento político de expansão do maometanismo ; muçulmano é todo indivíduo que pratica aquela religião, seja árabe, turco ou marroquino. Agora, árabe é apenas aquele que nasceu na península arábica, a famosa Arábia, formada pelos países Arábia Saudita, Iêmen, Omã, Emirados Árabes, e os principados de Catar, Barein e Kuwait. Podem ser chamados de árabes todos os povos que falam o idioma árabe, mas também o termo significa todos aqueles que descendem dos ismaelitas, povo semita de origem comum com os israelitas. Então, o sujeito pode ser árabe quanto à raça, quanto à língua e quanto ao país onde nasceu, mas nem todo muçulmano é árabe quanto à nação nem quanto à língua. A maior parte das populações muçulmanas, atualmente, não é árabe nem quanto à língua nem quanto à raça.

Além dos países acima citados, temos de língua árabe os que formam o Magreb, Argélia, Tunísia e Marrocos, além da Jordânia, Líbano e Síria . Numa população mundial superior a 700 milhões de habitantes (onde a maioria vive na Ásia, com mais de 400 milhões, e em segundo lugar na África), a maior população muçulmana do mundo é a da Indonésia, 85% de seus duzentos milhões de habitantes, mas nem falam árabe nem são de origem árabe. Em seguida, temos os muçulmanos oriundos do poder otomano no Egito e na Turquia, porém nem são árabes quanto ao idioma ou quanto à raça. Na Europa oriental, no Iraque, no Afeganistão, na Índia e em diversos outros países é a mesma coisa, em alguns inclusive eles são minoria. 

Os sábios muçulmanos só por exceção eram árabes

Vejamos as observações abaixo feitas por uma historiadora moderna:

“É digno de nota o fato de que, com poucas exceções, a maioria dos sábios muçulmanos, tanto nas ciências religiosas como nas intelectuais, não terem sido árabes. Quando um sábio é de origem árabe, não é árabe de linguagem e criação e não teve professores árabes. Isto é assim, a despeito de o Islã ser uma religião arábica e o seu fundador ter sido um árabe.

A razão deste fato foi o Islã não ter tido de início ciências, nem indústrias, o que era devido às condições simples da vida no deserto. As leis religiosas, que eram os mandamentos e proibições de Deus, estavam inscritas no coração das autoridades. Conheciam as suas fontes, o Corão e os Sunnah (1) , por informação que tinham recebido diretamente do próprio Maomé e dos homens que o rodeavam. A população nessa altura era árabe. Não sabia nada acerca da instrução científica, da escrita de livros ou de trabalhos sistemáticos. Não havia incentivos ou necessidades para isso. Esta era a situação na época dos homens que rodeavam Maomé e dos homens da segunda geração...

No reinado de Al-Rashid (2), a tradição (oral) estava já muito distante. Foi necessário escrever comentários ao Corão e fixar por escrito as tradições, porque se temia que elas se perdessem... Além do mais, a língua (arábica) começava a corromper-se e era necessário estabelecer regras gramaticais.

Os fundadores da gramática foram Sîbawayh e depois dele al-Fârisî e al-Zajjâj. Nenhum deles era de ascendência árabe (3)...

Muitos dos doutores dos hadiths (4) que preservaram as tradições para os muçulmanos também não eram árabes, mas persas, ou persas na língua ou educação, porque a disciplina era profundamente cultivada no Iraque e nas regiões vizinhas. Também todos os doutores que trabalharam na ciência dos princípios da jurisprudência não eram árabes, mas persas, como é bem sabido. O mesmo se aplica aos teólogos especulativos e à maioria dos comentadores do Corão.

...Os árabes que entraram em contato com esta florescente cultura sedentária e trocaram por ela a sua atitude beduína eram afastados da escolaridade e do estudo pela sua posição de chefia na dinastia Abássida e pelas tarefas que lhes cabiam no governo. Eram os homens da dinastia, simultaneamente os seus protetores e os executores da sua política. Além do mais, nessa época, eles consideravam como uma coisa desprezível ser um mestre, porque o ensino é um ofício e os chefes políticos são sempre desdenhosos dos ofícios e profissões e de tudo o que a eles conduz...”

Notas: 1) "Corão" e "Sunah" eram compilações das tradições e costumes de acordo com as quais atuava a comunidade muçulmana. 2) Herum al-Rashid, califa de Bagdad entre 786 e 809. 3) Eram todos muçulmanos de origem persa. 4) "Hadiths" era o registro dos ditos e ações de Maomé, e de alguns de seus companheiros e sucessores. [2]

O sufismo, modelo de vida para os que praticam o islamismo

Que é o sufismo? Trata-se de regras e práticas ascéticas e místicas de um conjunto de escolas, de seitas e de confrarias muçulmanas. Em geral, a prática consiste em se despir de tudo o que é cultura, tudo o que é conforto, tudo o que leva o homem a se elevar em busca de aspirações mais altas para a alma, e se entregar inteiramente a uma vida de misérias, de fome, de quase completa inanição e indolência espiritual, em busca de uma suposta "perfeição". Com esta prática de vida, tais "monges" adquirem uma aura de "santidade" entre os crentes de sua seita e podem assim se impor em suas comunidades como verdadeiros conselheiros, pajés, feiticeiros, xamãs, guias espirituais, gurus, etc. Além disto, eles são um exemplo vivo da prática de sua religião a ser seguido pelos crentes.

Os sufistas sempre combateram os filósofos e "teólogos" do islamismo, criando uma imagem material do fundador de sua religião. As primeiras escolas do sufismo foram criadas no século IX em Bagdá. A partir do século XIII se espalharam várias confrarias (chamadas de "Tariqas"), onde os seus membros (denominados de "murid") se colocavam em busca de uma identificação com o seu deus, Alá, guiados por um espécie de guru, chamado de "cheilich" ou "murchid", praticando uma técnica chamada "dhikr", o elemento central do ritual sufista. Assim, surgiram várias organizações ou confrarias sufistas: os "quadiriyya" em Bagdá (séc. XII), os dervixes mawlawis (séc. XIII), os "naqchbandiyya", na Ásia central (séc. XIV), os "sanusiyya" no Magreb (séc. XIX). Da mesma forma, os marabutos do Norte da África pertencem à mesma confraria.

Quando os muçulmanos dominavam a Península Ibérica, a partir do século XI começaram a surgir as primeiras confrarias de inspiração sufista, como a que foi adotada pela dinastia dos Almorávidas. Provinham do continente africano, mas logo invadiram a Andaluzia e se tornaram um dos piores perigos para o domínio do resto da Europa. De onde vieram? Como surgiram?

Em 1039, o faquir Abdállah Ben Yássin (Abd Allah ibn Yasin), da tribo de Jazula, no Magreb, começou a reislamizar as tribos nômades do Saara. Seus primeiros adeptos passaram a se chamar “almorávidas” (al-morabetin) porque estavam ligados com voto especial para fazer guerra santa em “la rábida” (ou castelo fronteiriço) que o faquir havia fundado numa ilha do rio Níger. Na realidade, o castelo era uma espécie de “convento”, onde os discípulos do faquir eram recrutados entre os berberes saarianos para serem ali treinados, com formação religiosa e militar.

Abdállah levou seus discípulos à guerra santa contra os que não escutavam sua pregação, islamizando rapidamente a região do Saara. Entre as 70 cabildas irmãs da grande tribo de Sanhaja que pastoreavam seus camelos através do deserto, a dos Lantunas se distinguiu pelo zelo religioso, assim que Abdallah a escolheu e selecionou dentro dela os primeiros emires, completando a conquista do Saara e indo depois em busca do Sudão. O emir principal guiava os almorávidas na guerra, porém Abdallah era o verdadeiro soberano, pois era quem mandava no emir, sobre cujas costelas desnudas descarregava o açoite da penitência quando tinha que repreendê-lo por alguma falta cometida. Vê-se bem que há uma dupla dominando a tribo, representando o poder civil e religioso, mas é o faquir, detentor do poder religioso, quem manda realmente. Em alguns casos, como ocorre com as tribos de índios americanos, o próprio faquir é quem governa, absorvendo ele os dois poderes.

Estes primeiros almorávidas eram rigorosamente fiéis aos princípios islâmicos e moviam atroz perseguição religiosa nas terras por eles conquistadas. Impunham as leis mais absurdas, como a do matrimônio polígamo, queimavam as tendas que vendiam vinho, destruíam instrumentos musicais que julgavam corruptores dos costumes, aboliam todos os impostos que não estavam previstos no alcorão, permitindo só cobrar os dízimos e as esmolas dos muçulmanos, os tributos devidos pelos fiéis de outras religiões e o quinto do butim de guerra, isto é, da guerra santa. É exatamente desta forma que os muçulmanos agem hoje no Sudão e em alguns países onde imperam estas confrarias sufistas e fiéis aos princípios maometanos até suas últimas conseqüências. 

A filosofia islã

O termo islã, em árabe, quer dizer "obediência a Alá"  Mas esta “obediência” precisa ser melhor esclarecida, pois vem da crença de que o destino do homem é imposto arbitrariamente pela vontade daquele “deus”, sendo impossível opor-lhe a nossa vontade. O termo “islã” é usado, também, com o significado de abandono e resignação na vontade de Alá. Como se vê, uma “resignação” inteiramente fatalista.

Antes do maometanismo, os árabes daquela região (principalmente Meca e Medina, onde nasceu o movimento) mantinham tradições antigas de crença em Deus e nos Profetas do Antigo Testamento, como Abraão, de quem descendem através de Agar e Ismael. Mantinham um santuário, chamado Caaba, onde as diversas tribos adoravam seus ídolos juntamente com Alá. Não se sabe se nesta época o termo Alá já era designado como Deus, ou se era apenas um dos ídolos pagãos ali adorados. É provável que em tempos bem remotos aquele povo adorasse o verdadeiro Deus, mas aos poucos a idolatria pagã misturou seu culto com os demais. Há historiadores que afirmam que havia naquele santuário mais de 360 ídolos pagãos, dentre eles o próprio Alá. O ídolo principal no tempo de Maomé, chamava-se Hubal e era venerado também na Caaba. [3].

Maomé, um esperto comerciante, fez-se passar por profeta de um único Deus e o impôs pela força das armas. Dizia a seus partidários: “Fazei guerra aos que não crêem em Alá, nem no seu profeta; fazei-lhes guerra até que paguem tributo e sejam humilhados”. Por isso, a chamada “guerra santa” é quase um dogma entre eles. Pelas armas Maomé impôs sua religião aos povos daquela região, começando por massacrar os habitantes de Meca que o rejeitaram no início. Depois, foi pelas armas que o islamismo foi se impondo aos outros povos, até invadir a própria Europa no século VIII, dominando toda a Península Ibérica.

Em sua origem o islamismo não era monoteísta, no sentido de um só Deus verdadeiro como crê o Cristianismo. Poderíamos dizer que era "monodeísta", isto é, Maomé mandou destruir todos os outros falsos deuses que haviam em Medina, erigindo um deles como o único, que era Alá. Então, Alá é um deus pagão escolhido como entidade venerativa e adorativa pelos maometanos. Depois que o islamismo dominava vários países e crescia no mundo, tornou-se necessário criar seu primeiro "dogma", afirmando que o deus Alá seria um ser supremo e único, infinitamente perfeito, criador do universo e juiz soberano dos homens[4]. Com o tempo a palavra Alá passou a significar "Deus", assim como se com o tempo algum povo que adorasse Júpiter ou Diana fizesse com que o nome de um desses deuses passasse a significar o termo "Deus". As mesquitas muçulmanas não expõem imagens ou qualquer figura que represente Alá. Nem sequer Maomé tem sua figura representada em alguma estátua ou pintura. Mas dizem que Alá é o único deus verdadeiro.

Onde os muçulmanos aprenderam este "dogma"? Foi, mais ou menos, a partir do século X, quatro séculos depois do surgimento do movimento, que os seus filósofos idealizaram as suas normas que hoje predominam, inclusive o "dogma" acima, em parte copiado do Cristianismo, mas tido como reflexo de estudos da filosofia aristotélica. Estes filósofos foram Alfarabi, Avicena, Averrós, e outros citados acima. Mas se estes idealizaram a "estrutura" filosófica e, digamos assim, "teológica" do islamismo, era necessário alguém criar os rituais, as leis, etc. E foi aí que surgiu o sufismo, o islamismo na prática.

Ao longo dos anos foram então criados cinco códigos legais, ou cinco atos pelos quais o muçulmano manifesta sua fidelidade ao seu ideal religioso. O primeiro é uma espécie de profissão de fé, pelo qual ele se obriga a crer que Alá é o único deus que existe no mundo. No mesmo código o fiel é obrigado a declarar que o único profeta deste deus é Maomé. Sua prece (ou "Salat") tem que ser feita virada para a cidade de Meca, umas cinco vezes ao dia, num conjunto de prosternações (com mãos no chão e de quadris para cima) e fazendo abluções. O fiel é também obrigado a cumprir o preceito de fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida (o "hajdj'). No mês chamado de "ramadã" ele é obrigado a fazer o jejum, que é apenas diurno. Há também a obrigatoriedade da esmola legal ("zakat"), costume que hoje não existe mais. Antigamente existia o dízimo, que era direcionado unicamente para a guerra santa, ou "jihad".

Não existe um clero muçulmano propriamente dito, mas informalmente se formam o que se chama de "marabutos" ou dervixes, espécies de faquires, com rigorosas práticas de asceses através de jejuns rigorosos e vestimentas de andrajos. O livro principal deles, chamado "corão" ou "alcorão", é apenas um amontoado de frases e conselhos supostamente ditados por Maomé, mas que alguns autores supõem que foram inventados por seus seguidores. Algumas destas frases foram copiadas de outras religiões ou filosofias.

São Tomás de Aquino diz o seguinte sobre o Islamismo:

“Maomé seduziu os povos prometendo-lhes deleites carnais. .... Introduziu entre as poucas coisas verdadeiras que ensinou muitas fábulas e falsíssimas doutrinas. Não aduziu prodígios sobrenaturais, único testemunho adequado da inspiração divina. ....
Afirmou que era enviado pelas armas, sinais estes que não faltam a ladrões e tiranos. Desde o início, não acreditaram nele os homens sábios nas coisas divinas e experimentados nestas e nas humanas, mas pessoas incultas, habitantes do deserto, ignorantes de toda doutrina divina. E só mediante a multidão destes, obrigou os demais, pela violência das armas, a aceitar a sua lei.

Nenhum oráculo divino dos profetas que o precederam dá testemunho dele; ao contrário, ele desfigura totalmente o Antigo e Novo Testamento, tornando-os um relato fantasioso, como o pode confirmar quem examina seus escritos.

Por isso, proibiu astutamente a seus sequazes a leitura do Antigo e Novo Testamento, para que não percebessem a falsidade dele. (“Summa contra Gentiles”, L. I, c. 6. )








 



[1] “Revolução e Contra-Revoluçao”, Plínio Corrêa de Oliveira – Chevalerie Artes Gráficas e Editora, págs. 210/229.

[2] Apud Ibn Khaldûn. The Muqadeimah, “History of the Arabs”, de Hitti, P. K, p. 428-30, extraído do livro “História da Idade Média”, de Maria Guadalupe Pedrero-Sánchez, Ed.Unesp, pp. 66/67

 [3] Seria esta crença que deu origem ao termo Al-lah, Allah ou Alá, que passou a significar “deus” para eles. Lembremos que toda palavra árabe começada pela partícula “al” (artigo “o” ou “a”) é sempre anteposta a algum título de honra. Na Espanha, a partícula “al” mudou para “el”, dando origem a termos como “el-rei” (o rei) e o famoso El Cid (O Senhor).

[4] No Alcorão são mencionados 99 atributos humanos a Alá, todos eles iniciados com a partícula “al”., "O Clemente" (Al-Rahmān), "O Querido" (Al-'Azīz), "O Criador" (Al-Khāliq), entre outros. O conjunto desses atributos recebe em árabe o nome de al-asmā' al-husnà ("os melhores nomes") – o centésimo atributo seria o próprio Allah

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Alá era um deus pertencente ao antigo politeísmo arábico?

Alá era apenas um deus pertencente ao antigo politeísmo árabe?


Esta é uma pergunta que não se tenta responder nos dias atuais, muitos com receio da perseguição islâmica. De outro lado, considerar o deus deles como uma simples entidade idolátrica do politeísmo pode ser entendido, inclusive, como uma ofensa à religião islâmica e não como uma verdade histórica.

1. Situação do politeísmo na península arábica antes do Islamismo:

Merece destaque a descrição feita pela revista “”Aventuras na História”, edição de julho de 2013, página 45:

“Por volta do século 5, os habitantes da região do Mediterrâneo tinham se convertido ao cristianismo. O panteão dos deuses da Grécia e de Roma era só lembrança do passado. E, pelo jeito, os velhos deuses estavam mesmo na hora de se aposentar. O historiador Plutarco, sacerdote do templo de Delfos, lamentava-se, no século 2, que Apolo se calara: não respondia mais às consultas oraculares feitas por ele. Até os cultos de deuses “importados”, como o da egípcia Isis[1] e do persa Mitra, estavam em baixa. Em 394, um pequeno grupo de devoto de Isis fez a última procissão em homenagem à deusa pelas ruas de Roma.

As religiões pagãs tinham sido varridas do mapa? Não. No século V, na Península Arábica, os deuses Greco-romanos sobreviviam. Em Failaka (no atual Kuwait), festivais populares eram organizados em devoção ao deus Poseidon (o Netuno dos romanos) e à deusa Artemis (Diana). A deusa Minerva (Al-lat)[2] tinha adoradores na Arábia, na Síria e na Palestina. “Até o século 4, quase todos os habitantes da Arábia eram politeístas”, diz o professor de Oxford Robert G. Hoyland, autor de “Arabia and the Arabs – From the Bronze Age to the Coming of Islam” (Arábia e os Árabes – Da Era do Bronze á Vinda do Islã). “Al-‘Uzza (Afrodite) era cultuada no Sinai e na Arábia”, diz James E. Montgomery, professor de História Árabe da Universidade de Cambridge, autor de “Arabic Thelogy, Arabic Philosophy: From the Many to ghe One” (Teologia Árabe, Filosofia Árabe: do Múltiplo ao Uno).[3]

Como aconteceu essa assimilação? Bem, não foi só da Grécia e de Roma que os árabes pegaram deuses emprestados. “Hoje se acredita que as divindades árabes eram formas locais, adaptadas, das divindades do mundo antigo do Mediterrâneo”, registrou Timothy Winter, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, no ciclo de palestras “A Crash Course in Islamic History” (Breve Curso de História Islâmica). Os árabes assimilaram os deuses dos povos vizinhos, adaptando-os à sua religião[4]. A deusa Al-Lat, como vimos, era Minerva (nome romano da grega Atena) sob disfarce, mas nem tão disfarçada assim: em Cartago, a mesma deusa usava o nome de Allatu. “Muitas das divindades da Antiguidade ocidental poderiam ser facilmente intercambiáveis”, diz a historiadora Mary Beard, autora de “Religions of Romne” (Religiões de Roma). No século 5 a. C., isso já tinha despertado a atenção de Heródoto. Em seu périplo por terras árabes, o historiador observou um pacto entre dois chefes tribais feito em nome de Dionísio (o Baco romano). “Os árabes chamam Dionísio de Orotal”, escreveu Heródoto nas “Histórias” (430 a.C.).

Um caso ilustrativo é fornecido pelas observações do general romano Aelius Gallus. Em 26 a.C. ele foi enviado ao sul da Arábia para costurar acordos comerciais com os reinos da região (chamada de “Arabia Felix”, Arábia Feliz). Os romanos cobiçavam o incenso e as especiarias[5]. Gallus, em seu diário, ao deixou de notar a semelhança entre os deuses locais e o panteão romano. “O nosso Júpiter aqui é Dhu’Shara”, espantou-se”.

2. Quais eram os deuses da Caaba?

Na mesma edição da citada revista, comenta-se sobre as divindades que eram adoradas na Caaba de Meca[6]:

“O panteão árabe era bem pobre em termos de causos mitológicos[7]. A origem da religião, ou religiões, da Arábia pré-islãmica está envolta em um manto de obscuridade[8]. “Nós praticamente não possuímos informações sobre os mitos e narrativas que decodificariam a religião da Arábia pré-islâmica”, diz Hoyland. “Muitos autores Greco-romanos escreveram tratados sobre a Arábia e as coisas dos árabes, mas infelizmente eles foram perdidos, ou deles só sobraram fragmentos”. Os dados completos disponíveis são provenientes da historiografia islâmica, posterior.[9] Tal como os primeiros autores cristãos (Eusébio de Cesaréia, Santo Agostinho, Tertuliano), os muçulmanos viram o passado pagão[10] – romano ou árabe – sob o prisma da religião nascente. Reza a lenda (exposta no Livro do Gênesis, na Bíblia), que os árabes descenderiam de Ismael, o filho de Abraão com a concubina Hagar, a serva egípcia de sua esposa, Sara. Quando Sara deu à luz Isaac, obrigou o marido a expulsar a serva e o primogênito. Hagar e o menino erraram pelo deserto, até chegarem ao árido vale de Meca, onde se estabeleceram.[11]

A religião original da Arábia seria estritamente monoteísta, baseada na crença no Deus Uno, ensinada por Abraão e Ismael. Segundo a história islâmica, a Caaba – “A Casa de Deus”[12], prédio de forma cúbica no coração de Meca – teria sido construída por Abraão e Ismael [13]. Na obra “O Livro dos Ídolos”, do século 9, que trata do politeísmo árabe, é dito que o primeiro descendente de Ismael a adulterar a religião de Abraão foi um certo Al-Harith, guardião da Caaba. Ele retornou a Meca com um ídolo de pedra e pediu sua intercessão junto a Deus. Com o tempo, a presença de Deus tornou-se tênue no imaginário local, e os ídolos, que antes serviam de ponte entre os homens e Deus, usurparam a posição divina. Viraram deuses, no plural. No século 3, segundo Al-Azraqi, autor das “Crônicas de Meca”, 400 ídolos de pedra haviam sido erigidos ao redor da Caaba, homenagem aos mais diversos deuses da Arábia e dos povos vizinhos. Essa é a versão dos historiadores muçulmanos, que enfatizaram, em suas narrativas, um monoteísmo mítico em Meca. Os vestígios arqueológicos, no resto da Arábia, apontam à interioridade das religiões politeístas na região”.

3. Comentários sobre a possível verdade histórica:

Vê-se, pelo texto acima, que o povo árabe era descendente de Ismael, filho de Abraão. Até aí tudo coincide com os dados da Sagrada Escritura e, possivelmente, com a realidade dos fatos. Ismael, como filho de Abraão, era um Patriarca que deu origem a uma estirpe, a uma grande etnia ou nação. São os árabes ou ismaelitas que povoaram aquela península. No entanto, a maioria muçulmana não é árabe, pois não é árabe, por exemplo, o povo do Iraque, da Turquia, do Afeganistão, do Marrocos, e tantos outros que formam o islã. Como era filho de Abraão, com quem conviveu, Ismael pode ter sido monoteísta, pelo menos enquanto estava na companhia do pai, mas não há nada que o diga ou o comprove, ou mesmo que o foi até o fim de sua vida. Da mesma forma, não há qualquer indício de que Maomé venerasse o Deus de Abraão. As noticias que falam sobre isso vieram pelos filósofos abaixo citados: as fontes que falam sobre a vida de Maomé apenas o citam como um esperto comerciante e nada mais.

Em seguida, vemos agora a comprovação histórica de que aquela região ficou infestada de deuses pagãos, cerca de 360 ídolos, segundo alguns historiadores. E isso ocorreu, mais ou menos, em concomitância com o surgimento do Cristianismo que varreu o paganismo do Império Romano e da Grécia. Quer dizer, os deuses pagãos mudaram de lugar e passaram a ter outros nomes, embora com a mesma finalidade.

O Cristianismo chegou a predominar por algum tempo na península arábica, e nesta ocasião, certamente, foi reavivada a crença no Deus de Abraão. Não foi, porém, este o ideal de Maomé (reavivar a antiga religião hebraica) mas, sim, impor a todos uma religião qualquer que ele abraçaria, alegando ser a de um só deus para tentar seduzir os povos da localidade, uma mistura de monoteístas, ex-cristãos e politeístas. Esperto como era, não deixou de enfatizar a tradição existente na crença do Deus de Abraão, mas não tão firme naquela população cheia de religiões pagãs.

Segundo historiadores escrevem no compêndio de história da Time-Life, intitulado “História em Revista”, no volume “A Marcha do Islã” (Pág. 30 e seguintes), tudo indica que Alá era um dos deuses adorados dentre os mais de 360 da região de Meca, sendo o nome dele imposto por Maomé, que mandou destruir todos os demais. A certa altura, o fundador do Islamismo mandou destruir todos os ídolos, mantendo, porém, o de Allah.

Como é que atualmente não há nenhuma representação dessa entidade idolátrica? A partir da estruturação do islamismo por seus filósofos, séculos X e XI, o termo Alá passou a ser usado como sinônimo de Deus entre os árabes, Deus único como é chamado o Deus verdadeiro, adorado por Cristãos. Não ficaria bem para a seita a existência de alguma estátua ou representação idolátrica; foi quando surgiram várias seitas, como a dos sufistas, cujo objetivo era unicamente destruir todos os símbolos, estátuas ou, até mesmo, algo que representasse qualquer traço cultural. Elas se encarregaram de tirar a estátua de Alá para que o mesmo adquirisse o epíteto de Deus verdadeiro, que é puro espírito. Da mesma forma não há qualquer desenho, pintura ou estátua de Maomé, e isso é para que se acredite na ortodoxia dos sufistas.

4. A filosofia islã

O termo islã, em árabe, quer dizer "obediência a Alá". Mas essa “obediência” precisa ser melhor esclarecida, pois vem da crença de que o destino do homem é imposto arbitrariamente pela vontade de Deus, sendo impossível opor-lhe a nossa vontade. O termo “islã” é usado, também, com o significado de abandono e resignação na vontade de Alá. Como se vê, uma “resignação” inteiramente fatalista.

Como já vimos, antes do maometanismo, os árabes e outros povos daquela região (principalmente Meca e Medina, onde nasceu o movimento) mantinham pálidas tradições antigas de crença em Deus e em um Patriarca do Antigo Testamento, Abraão, de quem descendem através de Agar e Ismael. Criaram um santuário, chamado Caaba, onde as diversas tribos adoravam seus ídolos pagãos. Não se sabe se nesta época o termo Alá já era designado como Deus, supondo-se que era apenas um dos ídolos ali adorados. É provável que em tempos bem remotos aquele povo adorava o verdadeiro Deus, mas aos poucos a idolatria pagã misturou seu culto com os demais. Há historiadores que afirmam que havia naquele santuário mais de 360 ídolos, dentre eles supostamente o do próprio Alá, Allah ou Al-Lat. O ídolo principal no tempo de Maomé, chamava-se Hubal e era venerado também na Caaba.

A verdade histórica seria que Maomé fez-se passar por profeta de um único Deus e o impôs pela força das armas. Para adquirir maior credibilidade inventou uma história de que o Anjo Gabriel havia lhe aparecido com uma mensagem, a qual foi inteiramente apoiada pela sua rica esposa, Kadija. A “mensagem” dizia que só deveria ser venerado ali um único deus, ou deusa, e que somente Maomé seria o profeta dele, uma exclusividade imposta pela força e não pelo convencimento de alguma realidade. O que não concorda com as habituais aparições de São Gabriel é que o local da suposta “aparição” ficou marcado com um “sinal”, isto é, um meteorito provocado pela “descida” do anjo à terra, guardado misteriosamente dentro da Caaba. Não, não há um só anjo bom que tenha deixado tais “sinais”, mas, ao contrário, isso é muito mais apropriado a “aparições” de anjos maus.

Mas, o que não falam é que o misterioso personagem angélico lhe mandou fazer guerra contra as outras religiões, o que também discorda completamente com qualquer princípio de uma religião de Deus. Dizia a seus partidários: “Fazei guerra aos que não crêem em Alá, nem no seu profeta; fazei-lhes guerra até que paguem tributo e sejam humilhados”. Por isso, a chamada “guerra santa” é quase um dogma entre eles. Pelas armas Maomé impôs sua religião aos povos daquela região, começando por massacrar os habitantes de Meca e Medina que o rejeitaram no início. Depois, foi pelas armas que o islamismo foi se impondo aos outros povos, até invadir a própria Europa no século VIII, dominando toda a Península Ibérica.

Sendo assim, em sua origem o islamismo não era monoteísta, no sentido de um só Deus verdadeiro como crê o Cristianismo. Poderíamos dizer que era "monodeísta", isto é, Maomé mandou destruir todos os outros falsos deuses que haviam em Medina, erigindo um deles como o único, que era Alá. Então, Alá era um deus pagão escolhido como entidade venerativa e adorativa pelos maometanos. Depois que o islamismo dominava vários países e crescia no mundo, tornou-se necessário criar seu primeiro "dogma", afirmando que o deus Alá seria um ser supremo e único, infinitamente perfeito, criador do universo e juiz soberano dos homens. Com o tempo a palavra Alá passou a significar "Deus", assim como se com o tempo algum povo que adorasse Júpiter ou Diana fizesse com que o nome de um desses deuses passasse a significar o termo "Deus". As mesquitas muçulmanos não expõem imagens ou qualquer figura que represente Alá. Nem sequer Maomé tem sua figura representada em alguma estátua ou pintura. Mas dizem que Alá é o único deus verdadeiro. Isso se deve, porém, aos sufistas que, ao longo dos anos, pregaram a simplicidade como método de vida e mandaram destruir tudo o que era símbolo e representação cultural – eles odeiam a cultura.

Quando criaram tais "dogmas”? Foi, mais ou menos, a partir do século X, quatro séculos depois do surgimento do movimento, que os seus filósofos idealizaram as suas normas que hoje predominam, inclusive o "dogma" acima, em parte copiado do Cristianismo, mas tido como reflexo de estudos da filosofia aristotélica. Estes filósofos foram, especialmente, Alfarabi, Avicena, e Averrós. Mas se estes idealizaram a "estrutura" filosófica e, digamos assim, "teológica" do islamismo, era necessário alguém criar os rituais, as leis, etc. E foi aí que surgiu o sufismo, o islamismo na prática.

Ao longo dos anos foram então criados cinco códigos legais, ou cinco atos pelos quais o muçulmano manifesta sua fidelidade ao seu ideal religioso. O primeiro é uma espécie de profissão de fé, pelo qual ele se obriga a crer que Alá é o único deus que existe no mundo. Não é que ele seja Deus, mas o único deus. No mesmo código o fiel é obrigado a declarar que o único profeta deste deus é Maomé. Sua prece (ou "Salat") tem que ser feita virada para a cidade de Meca, umas cinco vezes ao dia, num conjunto de prosternações (com mãos no chão e de quadris para cima) e fazendo abluções. O fiel é também obrigado a cumprir o preceito de fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida (o "hajdj'). No mês chamado de "ramadã" ele é obrigado a fazer o jejum, que é apenas diurno. Há também a obrigatoriedade da esmola legal ("zakat"), costume que hoje não existe mais. Antigamente existia o dízimo, que era direcionado unicamente para a guerra santa, ou "jihad".

Não existe um clero muçulmano propriamente dito, mas informalmente se formam o que se chama de "marabutos" ou dervixes, espécies de faquires, com rigorosas práticas de asceses através de jejuns rigorosos e vestimentas de andrajos. O livro principal deles, chamado "corão" ou "alcorão", é apenas um amontoado de frases e conselhos supostamente ditados por Maomé, mas que alguns autores supõem que foram inventados por seus seguidores. Algumas destas frases foram copiadas de outras religiões ou filosofias.

O sufismo, modelo de vida para os que praticam o islamismo

Que é o sufismo? Trata-se de regras e práticas ascéticas e místicas de um conjunto de escolas, de seitas e de confrarias muçulmanas. Em geral, a prática consiste em se despir de tudo o que é cultura, tudo o que é conforto, tudo o que leva o homem a se elevar em busca de aspirações mais altas para a alma, e se entregar inteiramente a uma vida de misérias, de fome, de quase completa inanição e indolência espiritual, em busca de uma suposta "perfeição". Com esta prática de vida, tais "monges" adquirem uma aura de "santidade" entre os crentes de sua seita e podem assim se impor em suas comunidades como verdadeiros conselheiros, pajés, feiticeiros, xamãs, guias espirituais, gurus, etc. Além disso, eles são um exemplo vivo da prática de sua religião a ser seguido pelos crentes.

Os sufistas sempre combateram os filósofos e "teólogos" do islamismo, criando uma imagem material do fundador de sua religião. As primeiras escolas do sufismo foram criadas no século IX em Bagdá. A partir do século XIII se espalharam várias confrarias (chamadas de "Tariqas"), onde os seus membros (denominados de "murid") se colocavam em busca de uma identificação com o seu deus, Alá, guiados por um espécie de guru, chamado de "cheilich" ou "murchid", praticando uma técnica chamada "dhikr", o elemento central do ritual sufista. Assim, surgiram várias organizações ou confrarias sufistas: os "quadiriyya" em Bagdá (séc. XII), os dervixes mawlawis (séc. XIII), os "naqchbandiyya", na Ásia central (séc. XIV), os "sanusiyya" no Magreb (séc. XIX). Da mesma forma, os marabutos do Norte da África pertencem à mesma confraria.

Quando os muçulmanos dominavam a Península Ibérica, a partir do século XI começaram a surgir as primeiras confrarias de inspiração sufista, como a que foi adotada pela dinastia dos Almorávidas. Provinham do continente africano, mas logo invadiram a Andaluzia e se tornaram um dos piores perigos para o domínio do resto da Europa. De onde vieram? Como surgiram?

Em 1039, o faquir Abdállah Ben Yássin (Abd Allah ibn Yasin), da tribo de Jazula, no Magreb, começou a reislamizar as tribos nômades do Saara. Seus primeiros adeptos passaram a se chamar “almorávidas” (al-morabetin) porque estavam ligados com voto especial para fazer guerra santa em “la rábida” (ou castelo fronteiriço) que o faquir havia fundado numa ilha do rio Níger. Na realidade, o castelo era uma espécie de “convento”, onde os discípulos do faquir eram recrutados entre os berberes saarianos para serem ali treinados, com formação religiosa e militar.

Abdállah levou seus discípulos à guerra santa contra os que não escutavam sua pregação, islamizando rapidamente a região do Saara. Entre as 70 cabildas irmãs da grande tribo de Sanhaja que pastoreavam seus camelos através do deserto, a dos Lantunas se distinguiu pelo zelo religioso, assim que Abdallah a escolheu e selecionou dentro dela os primeiros emires, completando a conquista do Saara e indo depois em busca do Sudão. O emir principal guiava os almorávidas na guerra, porém Abdallah era o verdadeiro soberano, pois era quem mandava no emir, sobre cujas costelas desnudas descarregava o açoite da penitência quando tinha que repreendê-lo por alguma falta cometida. Vê-se bem que há uma dupla dominando a tribo, representando o poder civil e religioso, mas é o faquir, detentor do poder religioso, quem manda realmente. Em alguns casos, como ocorre com as tribos de índios americanos, o próprio faquir é quem governa, absorvendo ele os dois poderes.

Estes primeiros almorávidas eram rigorosamente fiéis aos princípios islâmicos e moviam atroz perseguição religiosa nas terras por eles conquistadas. Impunham as leis mais absurdas, como a do matrimônio polígamo, queimavam as tendas que vendiam vinho, destruíam instrumentos musicais que julgavam corruptores dos costumes, aboliam todos os impostos que não estavam previstos no alcorão, permitindo só cobrar os dízimos e as esmolas dos muçulmanos, os tributos devidos pelos fiéis de outras religiões e o quinto do botim de guerra, isto é, da guerra santa. É exatamente desta forma que os muçulmanos agem hoje no Sudão e em alguns países onde imperam estas confrarias sufistas e fiéis aos princípios maometanos até suas últimas conseqüências. Nessa sanha destruidora e contrária a qualquer surto de civilização, destruíram toda e qualquer representação de Alá ou Maomé que por acaso existisse em forma de estátuas.
Qual a distinção entre árabe e muçulmano?

É comum confundir-se o termo "muçulmano" com "árabe", ou até mesmo com a palavra "Islã". Na realidade, o Islã é todo o conjunto de povos que praticam a religião muçulmana, e o termo é usado também como o movimento político de expansão do maometanismo; muçulmano é todo indivíduo que pratica aquela religião, seja árabe, turco ou marroquino. Agora, árabe é apenas aquele que nasceu na península arábica, a famosa Arábia, formada pelos países Arábia Saudita, Iêmen, Omã, Emirados Árabes, e os principados de Catar, Barein e Kuwait. Podem ser chamados de árabes todos os povos que falam o idioma árabe, mas também o termo significa todos aqueles que descendem dos ismaelitas, povo semita de origem comum com os israelitas. Então, o sujeito pode ser árabe quanto à raça, quanto à língua e quanto ao país onde nasceu, mas nem todo muçulmano é árabe quanto à nação nem quanto à língua. A maior parte das populações muçulmanas, atualmente, não é árabe nem quanto à língua nem quanto à raça.

Além dos países acima citados, temos de língua árabe os que formam o Magreb, Argélia, Tunísia e Marrocos, além da Jordânia, Líbano e Síria . Numa população mundial superior a 700 milhões de seguidores (onde a maioria vive na Ásia, com mais de 400 milhões, e em segundo lugar na África), a maior população muçulmana do mundo é a da Indonésia, 85% de seus duzentos milhões de habitantes, mas nem falam árabe nem são de origem árabe. Em seguida, temos os muçulmanos oriundos do poder otomano no Egito e na Turquia, porém nem são árabes quanto ao idioma ou quanto à raça. Na Europa oriental, no Iraque, no Afeganistão, na Índia e em diversos outros países é a mesma coisa, em alguns inclusive eles são minoria.

São Tomás de Aquino diz o seguinte sobre o Islamismo:
Maomé seduziu os povos prometendo-lhes deleites carnais. .... Introduziu entre as poucas coisas verdadeiras que ensinou muitas fábulas e falsíssimas doutrinas. Não aduziu prodígios sobrenaturais, único testemunho adequado da inspiração divina. ....
Afirmou que era enviado pelas armas, sinais estes que não faltam a ladrões e tiranos. Desde o início, não acreditaram nele os homens sábios nas coisas divinas e experimentados nestas e nas humanas, mas pessoas incultas, habitantes do deserto, ignorantes de toda doutrina divina. E só mediante a multidão destes, obrigou os demais, pela violência das armas, a aceitar a sua lei.
Nenhum oráculo divino dos profetas que o precederam dá testemunho dele; ao contrário, ele desfigura totalmente o Antigo e Novo Testamento, tornando-os um relato fantasioso, como o pode confirmar quem examina seus escritos.
Por isso, proibiu astutamente a seus sequazes a leitura do Antigo e Novo Testamento, para que não percebessem a falsidade dele.
(“Summa contra Gentiles”, L. I, c. 6. )


NOTAS:

[1] A vidente Beata Ana Catalina Emmerich conta que, tanto o Patriarca José como a esposa Asenet eram tidos como deuses pelos egípcios, a ponto de terem criado duas divindades baseadas na fama deles, que foram Isis e Osiris: “Tenho visto, por exemplo, que os deuses Isis e Osiris não eram outra coisa que José (vice-rei do Egito) e Asenet (sua esposa), que os astrólogos do Egito haviam predito a raiz de visões diabólicas, e que eles haviam colocado entre seus deuses. Quando chegaram, foram venerados como deuses. Tenho visto que Asenet se lamentava e chorava por isso, e até escreveu contra o culto que se lhe tributava”. Quanto a Mitra, pertencia às mitologias persa, indiana e greco-romana.



[2] Seria esta que deu origem ao termo Al-lah, Allah ou Alá, que passou a significar “deus” para eles?. Lembremos que toda palavra árabe começada pela partícula “al” (artigo “o” ou “a”) é sempre anteposta a algum título de honra. Na Espanha, a partícula “al” mudou para “el”, dando origem a termos como “el-rei” (o rei) e o famoso El Cid (O Senhor).



[3] No Alcorão são mencionados 99 atributos humanos a Alá, todos eles iniciados com a partícula “al”., "O Clemente" (Al-Rahmān), "O Querido" (Al-'Azīz), "O Criador" (Al-Khāliq), entre outros. O conjunto desses atributos recebe em árabe o nome de al-asmā' al-husnà ("os melhores nomes") – o centésimo atributo seria o próprio Allah.



[4] O articulista deveria dizer “religiões”, pois eram várias delas que havia por lá.



[5] Há historiadores que afirmam a queda do uso de incensos por causa do cristianismo, causando prejuízos aos mercadores árabes, daí suscitando a Maomé sua guerra para impor sua religião.



[6] O próprio lugarejo chamado Meca não passava de um amontoado de casas, com pouco mais de 3 mil habitantes, mas situada numa passagem obrigatória de caravanas de negociantes para o Ocidente



[7] A afirmação não confere com a de outros historiadores que afirmam que havia lá mais de 300 deuses!.



[8] Será que tal “obscuridade” não é proposital para esconder alguns aspectos sombrios do islamismo?



[9] É fato histórico que o islamismo foi “estruturado” com o surgimento do Alcorão e outras fontes, a partir do século X ou XI, quando surgiram alguns filósofos da seita.



[10] O autor confunde aqui o termo “pagão” somente usado pelos judeus e cristãos aos que não são de ambas as religiões. Quer dizer, esconde que o islamismo é um tipo de paganismo. Eles adoram um deus pagão.



[11] Já aqui as lendas podem ter sido inventadas pelos filósofos que estruturaram o islamismo a fim de lhes conferir credibilidade, pois não há qualquer fonte que confirme que Ismael morou em Meca, principalmente porque, como reconhece o autor, era uma região árida...



[12] A casa de “deus” ou de um deus pagão chamado Alá, Alah ou Al-Lat, que era venerado antes ao lado de centenas de outros ídolos.



[13] Versão fantasiosa e inverossímil com relação a Abraão, o qual viveu em regiões distantes, longínquas da Arábia...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"Irmaldade" muçulmana

É comum os órgãos de  comunicação referir-se à religião muçulmana como uma das grandes religiões monoteístas do mundo, ao lado da cristã e judia. No entanto, nunca se esclareceu devidamente de onde provém este suposto monoteísmo. A religião cristã acredita que há um só Deus verdadeiro; o mesmo ocorre com a judia. No entanto, não é o mesmo caso da muçulmana, pois eles não acreditam no mesmo Deus, mas num outro por eles chamado de Alá. Segundo consta na História, Maomé encontrou vários deuses sendo adorados por aquela gente de seu tempo, eram dezenas deles que se prestavam cultos em Medina e Meca (cidades de onde surgiu o islamismo). Um deles chamava-se Alá. O que Maomé fez foi mandar destruir todos os outros ídolos e impor a adoração a um daqueles falsos deuses. Com o passar dos anos o termo "Alá" foi confundido com o de Deus, quando na realidade tratava-se do nome de um deus pagão. Deus (o verdadeiro) não tem nome. Aliás, é fato notório que toda essa religião se expandiu sempre pela força, por guerras e por imposição de férreas ditaduras patriarcais e tribais. Muitas vozes saem por aí a dizer que o islamismo não é tão ruim assim, que aqueles terroristas que praticam atentados suicidas é uma exceção e que o fundamento da religião é, em si mesmo, bom, pelo simples fato de acreditar num só deus. Mas a realidade histórica não registra isso, pelo contrário, mostra que a o ponto capital daquela religião, é a imposição da mesma pela força, pelo terrorismo. Foram eles que introduziram a escravidão na Europa, quando o Cristianismo já o tinha extirpado há séculos. Foram eles que introduziram a prática de sequestros com exigência de resgates em dinheiro. Foram eles que introduziram a prática (hoje comum) de atentados suicidas contra os inimigos.
Agora, na rabada de uma revoução denominada de "primavera árabe", que a mídia carimbou como algo de espontâneo, popular, feita para derrubar ditaduras e impor uma "democracia" por lá, surge uma organização muçulmana poderosa contando já com poderes suficientes para governar em diversos paíse. Pelo menos, por enquanto, governa no Egito. Talvez essa nova fase do islamismo de estado venha suplantar outros movimentos antes liderados pelo Irã, mas, na essência, ele nada mais representa do que o velho islamismo. Eles têm como lema "Alá é o único objetivo. Maomé o único líder. O Corão a única lei. A guerra santa (Jihad), o único caminho. E, por fim, morrer pela guerra santa é a única esperança". Que bondade pode haver numa mensagem dessa? Não pode ser outra a explicação de um fanatismo letal que espalha atentados suicidas a toda hora, fora as leis desumanas e cruéis que disciplinam alguns dos países governados pelo Corão.
O Ocidente, com líderes cheios de erros da Revolução Francesa e de falsos princípios democráticos, fica bafejando essa revolução da irmandade do mal, tentando inutilmente implantar regimes que dizem ter representatividade popular, como se entre muçulmanos fosse fácil esse tipo de política. Sinceramente, não devemos acreditar que tal tipo de regime funcione a contento naquela gente. Possuindo uma estrutura meio tribal, característica imposta pelo sistema religioso do islamismo, com recusa formal do progresso e das leis mais humanas do Ocidente, os povos árabes que abraçaram a religião muçulmana nunca conseguirão ter um regime politico que satisfaça tais requisitos de representatividade democrática.  Tanto no Egito como no Iraque ou em qualquer outro país.
Enquanto isso, a "irmaldade" muçulmana continua matando cristãos em diversos países onde reina o Corão, com o únco objetivo de impor pela força e pelo terror sua própria religião. E, também ao mesmo tempo, vão continuar os atentados terroristas no Iraque e alhures, desferidos estes contra as autoridades que pretendam seguir uma orientação favorável á cultura ocidental.
Até quando? Só Deus o sabe. Talvez até o dia em que a religião verdadeira seja abraçada por todos aqueles povos e a bondade cristã reine entre eles.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Mãe de Deus e o Islã

A propósito de nossa postagem anterior, sobre as aparições de Nossa Senhora no Egito, divulgamos abaixo o texto do discurso do bispo libanês de Antioquia dos Sírios, Dom Raboula Antoine Beylouni, cuja tradução foi publicada no blog Fratres in Unum
O texto integral faz prte da intervenção no Sínodo para o Oriente Médio entregue por escrito pelo prelado libanês, tal como publicado no Boletim [da Sala de Imprensa da Santa Sé] italiano nº 21, de 21 de outubro. O original está em francês e consta no boletim neste idioma.
Em 22 de outubro, também o “L’Osservatore Romano” estampou a intervenção do bispo. Mas, com cortes significativos, por ordem da Secretaria de Estado. O título é o do jornal da Santa Sé.

Dom Raboula Antoine Beylouni, bispo de Antioquia dos Sírios.
No Líbano, há muitos anos temos uma comissão nacional para o diálogo islâmico-cristão. Houve também uma comissão episcopal, estabelecida após a Assembléia dos Patriarcas e Bispos Católicos no Líbano, encarregada do diálogo islâmico-cristão. Foi suprimida recentemente para dar mais importância à outra comissão; ademais, não havia obtido resultados tangíveis.
Às vezes, vários diálogos nos países árabes são realizados em diferentes locais, por exemplo, como aquele do Qatar em que o próprio emir convida, às próprias expensas, personalidades de diferentes países das três religiões: cristã, muçulmana e judaica. No Líbano, alguns canais de televisão como “Télé-Lumière” e “Noursat” transmitem programas sobre o diálogo islâmico-cristão. Muitas vezes um tema é escolhido e cada parte o explica e interpreta segundo a sua religião. Esses programas são geralmente muito instrutivos.
Gostaria de, com esta intervenção, chamar a atenção sobre os pontos que tornam esses encontros ou diálogos difíceis e muitas vezes ineficazes. Obviamente não se discute sobre dogmas, mas também outras questões de ordem práticas e sociais são difíceis de enfrentar quando estão inseridas no Corão ou na Suna.
Eis as dificuldades que enfrentamos.
O Corão incute no muçulmano o orgulho de possuir a única religião verdadeira e completa, religião ensinada pelo maior profeta, pois ele seria o último. O muçulmano faz parte da nação privilegiada e fala a língua de Deus, a língua do paraíso, o árabe. Por isso, o diálogo se choca com esta superioridade e com esta certeza da vitória.
O Corão, que se supõe escrito pelo próprio Deus do começo ao fim, dá o mesmo valor a tudo aquilo nele está escrito: o dogma como qualquer outra lei ou prática.
No Corão não existe igualdade entre homem e mulher, nem no próprio casamento, no qual o homem pode ter mais mulheres e divórcio à vontade, nem na herança, na qual homem tem direito ao dobro, nem enquanto testemunha diante dos juízes, onde a voz do homem equivale a de duas mulheres, etc.
O Corão permite que aos muçulmanos esconder do cristão a verdade e falar e agir em contraste com o que pensa e crê.
No Corão, há versos versos contraditórios e versos anulados por outros, o que permite ao muçulmano usar um ou o outro conforme sua vantagem; assim, pode considerar um cristão humilde, piedoso e crente em Deus, mas também considerá-lo ímpio, traidor e idólatra.
O Corão dá ao muçulmano o direito de julgar os cristãos e matá-los com a jihad (guerra santa). Ordena e imposição da religião pela força, pela espada. A história de invasões o testemunha. Por esta razão, os muçulmanos não reconhecem a liberdade religiosa, nem para si e nem para outros. Não surpreende ver todos os países árabes e muçulmanos se recusarem a aplicar integralmente os “direitos humanos” sancionados pela ONU.
Perante todos estes obstáculos e argumentos semelhantes, devemos eliminar o diálogo? Não, definitivamente não. Mas temos de escolher os temas a serem abordados e os interlocutores cristãos capazes e bem formados, corajosos e piedosos, sábios e prudentes, que digam a verdade com clareza e convicção.
Deploramos, por vezes, alguns diálogos na televisão em que o interlocutor cristão não está à altura da tarefa e não é capaz de expressar toda a beleza e espiritualidade da religião cristã, fato que escandaliza os espectadores. Pior ainda, às vezes há interlocutores do clero que, no diálogo, para ganhar a simpatia do muçulmano, chamam Maomé de profeta e acrescentam a famosa invocação muçulmana muitas vezes repetida “Salla lahou alayhi wa sallam” (que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele).
Para concluir, proponho o seguinte.
Dado que o Corão falou bem da Virgem Maria, enfatizando sua virgindade perpétua e sua concepção milagrosa e única dada por Cristo, e dado que os muçulmanos a consideram muito e pedem a sua intercessão, devemos recorrer a ela em todo diálogo e em cada encontro com os muçulmanos. Sendo a Mãe de todos, Ela nos guiará em nossas relações com os muçulmanos para lhes mostrar a verdadeira face de seu Filho Jesus, Redentor do gênero humano.
Queira Deus que a festa da Anunciação, declarada no Líbano feriado nacional para os cristãos e muçulmanos, torne-se um feriado nacional também nos outros países árabes.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Queda da natalidade no Ocidente: fim da nossa civilização?

Qual é a religião que mais ceresce no mundo? Segundo o vídeo acima é o islamismo, e decorre da queda da natalidade entre os ocidentais em face da crescente natalidade muçulmana. Mas, ele faz a comparação apenas com o Catolicismo e não com o Cristianismo. O número de cristãos no mundo é de 33% da população mundial, isto é, mais de 2 bilhões, enquanto que os muçulmanos não passam de 19%, apenas um pouquinho acima dos católicos.
O islamismo também se divide entre xiitas, sunitas e outras denominações. Considerada por denominação isolada, o Catolicismo, incontestavelmente, é a religião que tem mais adeptos e mais cresce no mundo, e com ela o Cristianismo. Veja, a propósito, nossa postagem “Islamismo, maior religião do mundo?” , onde há mais dados sobre isso.
No entanto, é interessante considerar os dados fornecidos pelo vídeo com relação à queda da natalidade no Ocidente, um problema gravíssimo que já começa a demonstrar sinais de deperecimento da nossa civilziação. Quase todo país europeu sofre com o problema da falta de infância e juventude em suas populações: a Europa não é só um “velho continente” mas um “continente de velhos”. Uma grave falha do vídeo é a mensagem de desânimo, considerando iminente a vitória do islamismo no mundo; além do mais, levando em conta apenas uma certa supremacia numérica em relação ao Catolicismo: um dado muito de agrado dos muçulmanos, mas parcial e que não reflete a realidade, que seria mais exata se a comparação fosse feita com os cristãos. Quer dizer, se não houvessem protestantes e cismáticos o Catolicismo teria muito mais adeptos do que o islamismo. Um outro fator a considerar: mesmo que os muçulmanos se transformem em maioria, isso não significa que sua cultura e sua religião predominarão. Eles, em geral, primam por negar os fatores culturais mais primários do homem e almejam uma ordem de coisas meio caótica, sem elites verdadeiras, meio tribais, fazendo com que não consigam predominar no comando da sociedade em geral. Estes e muitos outros fatores devem ser considerados nesta questão, e não somente o fator populacional. Um deles é que, tratando-se de uma religião antinatural, dificilmente conseguirão o predomínio mundial perante a Igreja de Cristo, a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, a Quem o próprio Cristo prometeu o predomínio sobre todas as nações, cuja promessa foi confirmada pela mensagem de Fátima quando Nossa Senhora disse: "Por fim, meu Coração Imaculado Coração triunfará!".

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tudo o que não é muçulmano é mau?

Vejam o que nos traz o blog Gladius, de Portugal:
«TUDO O QUE NÃO É MUÇULMANO É MAU» DIZ PREGADOR MUÇULMANO ESTACIONADO EM TERRITÓRIO EUROPEU
No Reino Unido, o pregador e advogado muçulmano Anjem Choudary, que organizou uma recepção insultuosa aos soldados britânicos regressados do Afeganistão, declarou anteontem no site do movimento que dirige - Islam4UK («Islão para o Reino Unido») - que a Páscoa era maligna por ser um festival pagão que nada tem a ver com Jesus. Quando questionado a respeito desta sua afirmação, respondeu «Penso que tudo o que não for islâmico é maligno, acredito mesmo nisso, sim. Atribuir um filho a Deus é anátema para o Islão e acredito que é um insulto a Deus.»Quando lhe foi sugerido que os cristãos poderiam ficar ofendidos, disse que «não é insultuoso discordar das crenças das pessoas. Não estou a dizer que os cristãos são maus.»
Ora aqui se vê como o senhor afinal até percebe a Democracia... e, pelos vistos, discorda da esmagadora maioria das nações muçulmanas, que lutaram e lutam incessantemente na ONU para que o ataque à sua religião seja considerado um crime contra os direitos humanos...
Choudary afirmou também que os cristãos deviam «aceitar a mensagem final de Maomé e regressar à fé verdadeiramente monoteísta. O Cristianismo, tal como todas as religiões não islâmicas, é mal guiado. Nada do que está fora do Islão é bom e há bem e há mal, não há? Jesus foi um mensageiro de Alá e retornará um dia e mostrará os desvios e falsos conceitos do Cristianismo. A Páscoa não é sequer parte do Cristianismo - foi inventada, é um festival pagão.»
Estas considerações vieram na sequência de uma decisão do Conselho de Tower Hamlets, em Londres oriental(izada de todo), controlado por muçulmanos, de permitir ao extremista Anwar al-Awlaki, ligado à Alcaida, que fosse ouvido numa série de mensagens vídeo numa conferência no centro de Artes de Brady, Whitechapel, que, note-se, é pago pelo contribuinte.
Isto enquanto o filme anti-islâmico e sem mentiras «Fitna» é censurado e o seu autor, o europeu Geert Wilders, democraticamente eleito para o parlamento de um país europeu, é até proibido de entrar no Reino Unido...

domingo, 16 de novembro de 2008

Cresce a poligamia entre muçulmanos

A poligamia, antigo costume pagão, torna-se cada vez mais frequente no mundo muçulmano, apesar de alguns países aprovarem leis numa vã tentativa de controlá-la. Um exemplo é dado agora na Nigéria. Um curandeiro muçulmano, com 84 anos de idade, de nome Mohammed Bello, possui 86 mulheres e 170 filhos, apesar da legislação daquele país "só permitir no máximo 4". O curandeiro declarou que está apenas interpretando o Corão à sua maneira e que costuma falar com Maomé. Acusado de "insultar a religião" com casamentos ilegais, foi indultado pela Corte Suprema, ou Tribunal Federal da Nigéria, sendo-lhe concedido prazo para "regularizar" a situação. Suas mulheres e filhos trabalham em conjunto para ajudar a sustentar a prole, sendo por isso também acusado de formar uma "seita" familiar. Curiosa esta acusação, pois a designação de "seita" é feita com base na Doutrina Católica, sendo, portanto, seita toda e qualquer comunidade muçulmana que preencha os requisitos daquela definição e não apenas os que discordam dos costumes limitados por suas autoridades ou a famosa "sharia". Em sua defesa, Mohammed Bello afirma que não pode separar-se de suas "esposas", pois 82 delas são protegidas por chefes políticos locais (isto é, caciques tribais, como é costume entre muçulmanos) que o estão ameaçando se acaso separar-se delas. Exposto na mídia, agora diz-se que o curandeiro está recebendo ameaças de morte.

sábado, 15 de novembro de 2008

O diálogo deve sempre favorecer o islamismo?

A “Folha On Line” divulga um texto sobre o lançamento do livro "O diálogo desarmando o choque de civilizações", de Jaime Spitzcovsky. Segundo o comentário do primeiro parágrafo, há quase empate no número de católicos e muçulmanos. É preciso esclarecer: o número de cristãos é quase o dobro de muçulmanos (dois bilhões e pouco de cristãos para pouco mais de 1 bilhão de muçulmanos). Divididos, os cristãos têm os católicos como esmagadora maioria. No entanto, a informação não divide as facções muçulmanas para fazer a comparação: eles têm xiitas, sunitas e outras facções: qual o percentual que cada grupo desses têm em relação ao total da religião muçulmana? Aí, então, seria interessante fazer a comparação: quem é maioria, sunitas, xiitas ou católicos? Na hora de comparar a maioria, eles não colocam cristãos frente a muçulmanos, mas sim católicos. E aí, dizem melancolicamente, que “há empate”. Será verdade?
Outra correção: O texto reza assim - "Basta, porém, espelhar-se no multiculturalismo que floresceu na península Ibérica durante os quase nove séculos de influência árabe e muçulmana (a partir de 711), entre outros exemplos, para compreender que tolerância e islamismo são compatíveis".
Não é verdade. Havia uma certa tolerância nos chamados “moçárabes”, tão sincretistas quanto os umbandistas de nossa querida Bahia e do candomblé brasileiro. No entanto, no cerne da filosofia islâmica, herdada do próprio Maomé e seguidores, sempre predominou a intolerância e perseguição a toda e qualquer religião que lhe fosse contrária. Na região a que o Autor se refere, a península Ibérica, os muçulmanos não suportavam (e ainda não suportam) que alguém fosse católico, havia uma perseguição sistemática aos cristãos. Até hoje essa intolerância predomina na região onde o islamismo nasceu: na Arábia Saudita, por exemplo, qualquer pessoa adepta de outra religião pode ser condenado à morte por motivos religiosos. E a Arábia Saudita, apesar do apoio militar americano por causa do petróleo, é o país em que mais se persegue o cristianismo no mundo. Lá moram mais de quatrocentos mil católicos, mas as autoridades não permitem que tenham, por exemplo, um sacerdote, uma capela, sequer uma bíblia. Os próprios soldados americanos que servem na Arábia Saudita, sede do islamismo, se forem pegos com uma bíblia ou algum símbolo cristão podem ser punidos. Já houve casos de padres serem condenados à morte por serem encontrados rezando a missa. Isso é tolerância, como diz o autor?
Outra questão duvidosa está no texto seguinte: “Os muçulmanos crêem num único Deus (Allah, termo usado também por árabes cristãos), onipotente, que criou a natureza por meio de um ato de misericórdia. Consciente da debilidade moral da humanidade, Deus enviou profetas à Terra. Adão foi o primeiro e recebeu o perdão divino --o islamismo não aceita a doutrina do pecado original”.
Ora, o que se sabe é que Alá tornou-se ao longo dos tempos o significado de “Deus” para os muçulmanos, mas no tempo de Maomé não passava de um dos vários deuses pagãos que eram adorados em Medina e Meca. O esperto comerciante e aventureiro, Maomé, apenas escolheu um daqueles deuses para ser o porta-voz de sua religião. Então, não é verdade que os cristãos usam o mesmo termo, pois Alá é o nome de um deus pagão, e os cristãos não veneram ou adoram um Deus com nome específico, apenas adoram Deus verdadeiro...
A “Folha de São Paulo”, um dos jornais de maior circulação no Brasil, confessa, nesse artigo, sua simpatia pelo islamismo. E confessa também, pelo que se deduz do texto em seu parágrafo final, sua intenção de desfazer a verdadeira idéia, o verdadeiro sentido que as populações têm do islamismo: uma religião que gera ódio e não o que dizem seus propagadores. Este negócio de dizer que há discriminação contra os muçulmanos não passa de uma estratégia de marketing para amenizar o impacto negativo que a filosofia islâmica causa nas populações do ocidente. Diz o texto no final:
"Nesse sentido, esta obra se propõe a lançar luz sobre as origens do islamismo, suas fontes sagradas, profetas e divisões políticas. Os avanços científicos e culturais que acompanharam sua evolução histórica, os conflitos atuais, inclusive a questão palestina e a crise no Afeganistão, além da presença muçulmana no Brasil, explicam-se em capítulos específicos. A intenção é despertar o interesse do leitor, como um primeiro passo para compreender o Islã e evitar discriminações, não críticas".
Vejam o texto integral, extraído da
“Folha On Line”

domingo, 30 de março de 2008

Islamismo, maior religião do mundo?

Qual a religião que tem mais adeptos no mundo?

Pela informação tendenciosa da BBC de Londres é o islamismo, pois, segundo a notícia, há mais muçulmanos do que católicos no mundo. Reza assim a notícia: "O número de muçulmanos superou, pela primeira vez, o de católicos, fazendo com que o Islamismo seja a religião com maior número de adeptos no mundo, de acordo com o Vaticano".
Informação tendenciosa e parcial: a quantidade de islamitas deveria ser comparada com a dos cristãos, considerando todas as dissidências da Igreja como o protestantismo, a grega, a russa, etc, e não somente com os católicos que, aliás, antes eram maioria. Segundo o Cardeal Formenti, que deu os dados para a imprensa, o número de cristãos no mundo é de 33% da população mundial, isto é, mais de 2 bilhões, enquanto que os muçulmanos não passam de 19%.

Considerando que os muçulmanos estão divididos, na maioria, entre xiitas e sunitas, os católicos superam em número qualquer uma destas facções. O Anuário diz que a proporção da população de católicos do mundo é razoavelmente estável, mas a porcentagem de muçulmanos vem aumentando por causa da alta taxa de natalidade neste grupo, o que é bastante razoável.

No ano de 2004, a Agência Fides apresentou algumas estatísticas de modo a oferecer um quadro panorâmico da Igreja no mundo até o ano anterior. Os quadros foram extraídos do último «Anuário Estatístico da Igreja» (atualizado em 31 de dezembro de 2003) e dizem respeito aos membros da Igreja, às suas estruturas pastorais, às atividades no campo da saúde, da assistência e da educação. Em 31 de dezembro de 2003 a população mundial era de 6.301.377.000 pessoas, com um aumento de 79.483.000 em relação ao ano precedente. Na mesma data, o número de católicos era 1.085.557.000, com um aumento de 15.242.000 em relação ao ano precedente, assim repartido por continentes: África +6.231.000; América +6.678.000; Ásia +2.434.000; Oceania +113.000. A única diminuição, também este ano, se registra na Europa com -214.000.

No ano seguinte (2005), a Santa Sé divulgou os números do catolicismo no mundo, que revelam um aumento significativo de batizados entre 1978 e 2004, ao mesmo tempo que diminuía o número de padres. No último quarto de século, o número de católicos havia aumentado 45%, passando de 757 milhões para 1,098 bilhão (mais 341 milhões). Uma análise cuidadosa dos números confirma a crescente importância da África para a Igreja, continente em que o número de católicos batizados quase triplicou, passando de 54,7 milhões para 149 milhões.

Segundo os últimos dados disponíveis, de 2004 a 2005 os católicos no mundo passaram de algo mais de 1,098 bilhão a cerca de 1,115 bilhão, um aumento de 1,5%. Este crescimento relativo ficou muito próximo ao da população mundial (1,2%), de modo que a presença dos católicos no mundo permanece essencialmente sem variação (17% naquele ano, mais ou menos o percentual de hoje).
Não foram divulgadas, na notícia dada BBC, informações sobre o número de religiosos. Anteriormente, a porcentagem de sacerdotes por continente revelava pouco crescimento em algumas áreas e decréscimo em outras. O único continente que experimentou uma diminuição nesta porcentagem foi a Europa: em 2004, seus 199.978 sacerdotes representavam quase 49,3% do total do mundo, enquanto que um ano depois haviam diminuído para 48,8%.O número dos estudantes de Filosofia e Teologia nos seminários diocesanos ou nos religiosos passou de 113.044, em 2004, a 114.439, em 2005, com o aumento de 1,23%. Em 2005, de cada 100 candidatos ao sacerdócio de todo o mundo, 32 eram americanos, 26 asiáticos, 21 africanos, 20 europeus e 1 da Oceania.

Considerando, pois, os números globais, a maior religião em adeptos continua sendo o Cristianismo, e, dentre os cristãos, a maioria é esmagadoramente católica.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

CRISTIANISMO, ISLÃ E IDADE MÉDIA




Ainda perdura na cabeça de muitos certos mitos a respeito da Idade Média. Outros mitos também referem-se a certa credibilidade da cultura islâmica e de seus benefícios. A propósito do tema, transcrevo abaixo a tradução do artigo escrito por Harry W. Croker III, publicado originalmente em "Inside Catholic"

"Que se pode esperar do Islã “reformado”? Há que se reformar o Islã? Não. A menos que se considere benéfica uma dose extra de puritanismo ou se queira estimular a destruição de altares, cristais de cores e outras formas de “idolatria”, ou se queira incentivar a proibição de festividades desenfreadas como o Natal e a Páscoa e aumentar apoio para as escolas islâmicas fundamentalistas que se empenham em aferrar-se à doutrina de “só o Corão e a Suna”.

Com efeito, daria a impressão de que o Islã já teve seus reformadores Luteros islâmicos modernos – como o defunto Ayatollah Khomeini, o troglodita Osama Bin Laden, porta-voz do novo Islã, os Talibãs (talibã significa literalmente “estudantes islâmicos”) – que se passam dizendo disparates contra a corrupção do Ocidente (chamemos-lhe “Roma” para abreviar) o mesmo que a seita puritana Wahabi da Arábia Saudita que, não cabe a menor dúvida, é moderna já que foi fundada no século 18, o Século das Luzes.

Que caminho nebuloso lhe conduziria uma Reforma no Islã? Os calvinistas impuseram severas penas aos que infringiam os códigos de vestimenta e conduta, porém ditas disposições não superam a rigidez da lei da sharia na Arábia Saudita. Lutero negava o direito divino do papa e manifestava publicamente o direito divino dos príncipes (unindo à Igreja e ao estado, que estavam anteriormente separados), porém esta doutrina já forma parte integral do Islã, na qual está escrito que a mesquita e o estado devem estar unidos. Os reformadores protestantes repudiaram a Igreja Católica por simpatizar demais com os pensadores clássicos e os artistas decadentes (como Rafael); muitos deles condenaram a doutrina católica do livre arbítrio (crendo, como crêem os muçulmanos, numa espécie de fatalismo) condenando também aos católicos por fazer demasiado finca-pé na lógica e na razão tomista e por não dar suficiente ênfase à interpretação das Sagradas Escrituras.

Ninguém acusa o Islã por cometer esses erros. Mesmo se se tratasse de restituí-lo a sua forma pura, não corrupta como o encarna o mesmo Profeta Maomé – um líder polígamo, promotor de guerras santas, que aprovava o assassinato – seria difícil superar a Bin Laden e seus correligionários reformistas. Concordo, o Ocidente já não é o que uma vez foi. No lugar de ver a Michelangelo enquanto pinta a Capela Sixtina, temos Andrés Serrano e seu infame Piss Christ (um crucifixo imerso em urinas) No lugar do otimismo do Renascimento, temos o pessimismo moderno (pagão) que acredita ver os deuses da natureza vingando-se da superpopulação e contaminação causadas pelos seres humanos. Num lugar de um Ocidente positivo que aproveita sua missão imperial de propagar a paz, o comércio e a caridade e moralidade cristãs, o Ocidente de hoje desenvolve uma ambivalência incompreensível, muitas vezes falhando em reafirmar seus próprios valores. Até existem indivíduos ocidentais – incluindo alguns convertidos do Islã – que pensam que as duras restrições dos maometanos contra o aborto, a homossexualidade e o secularismo (para não falar contra o judaísmo, o cristianismo, o hinduísmo, e outros) lhes outorga uma certa superioridade moral. Nisso não são diferentes de certos liberais da Holanda e outros lugares.

Sem embargo, isto segue sendo, espero, a visão de uma minoria. Porém, digamos em poucas palavras que evidentemente o Islã não necessita de uma Reforma. Se a imprensa, como se diz amiúde, avivou a revolta protestante contra o cristianismo unido, a Internet tem exacerbado seguramente a revolta islâmica contra o Ocidente. Tem havido bastante jihadistas que divulgam suas teses na Internet. Porém, se bem ao islã não lhe faz falta uma Reforma não há dúvida que se beneficiaria de uma contra-reforma. Vale a pena ter isto em conta. Não seria maravilhoso se Kabul se convertesse num centro de arte barroca, se as esquinas das ruas de Teerã estivessem salpicadas de grupos corais que cantassem os hinos de Palestrina, se o efervescente bairro dos artistas – Islamabad – estivesse cheio de pintores expondo suas experiências com os estilos de Rubens, Caravaggio e Poussin?

Ah, sim! Oxalá sucedesse algo assim. Porém, lamentavelmente, poucos esperam que isto aconteça durante nossas vidas, se é que ocorra. Apesar das supostas glórias do passado islâmico, diz-se que o combativo Islã encontra-se atualmente na Idade Média. Porém o Islã não está nem na Idade Média, nem no Renascimento, nem na Contra-Reforma. Como escreveu Charles Moore, o biógrafo oficial de Margareth Thatcher (convertido ao catolicismo), “A palavra medieval não deveria ser sinônimo de “bárbaro”. A Catedral de Ely e o juízo com jurado e Giotto são medievais”. O mesmo que a Carta Magna, Chaucer e Dante. Também o são as ordens monásticas, a criação das universidades e o desenvolvimento da ciência. Também o cavalheirismo, o capitalismo e o conceito de progresso. Não associamos nenhuma destas coisas com o Islã histórico.

Concordo, a Idade Média representa milênios de história, e os primeiros tempos da mesma (aproximadamente do ano 500 a 1000 d.C.), algumas vezes conhecida como a Idade das Trevas, sem dúvida teve seus claro-escuros. As violentas excursões dos vikings não tiveram uma aceitação que digamos universal. Um papa que vivesse entre os decadentes tempos do século IX ao século XI tinha uma possibilidade entre três de ser assassinado durante seu mandato e os que sobreviviam podiam ser desterrados ou depostos. E além de uma diversidade de bárbaros, magiares e mongóis, haviam os muçulmanos que durante este período encetaram uma guerra santa contra meia cristandade, até que o valoroso Carlos Martel os derrotou na Batalha de Poitiers (e em outras batalhas posteriores) impedindo-os de arrasarem completamente o Ocidente.

Porém o claro-escuro é tanto luz quanto obscuridade, e houve suficiente luz nos primórdios da Idade Média. Brilhou com mais intensidade nos mosteiros, que não somente – e gloriosamente – preservaram o saber clássico senão que também contribuíram para que o Ocidente levasse a termo importantes inovações agrícolas, tecnológicas e comerciais. A Igreja implantou escolas, organizações de beneficência e as razões teológicas para abolir a escravidão (já que foi proscrita no Ocidente medieval, enquanto crescia no Islã, que na época estava gozando sua suposta “Idade de Ouro”). Por ser romana, a Igreja também assumiu muitas funções da administração pública de Roma. Os enganos da “Idade das Trevas” foram monumentais. Como asssinalou o historiador Christopher Dawson, “Na realidade essa idade foi testemunho de mudanças tão transcendentais como qualquer outro da históra da civilização européia; com efeito – como sugiro em minha obra [The Making of Europe] – foi a idade mais criativa de todas, já que concebeu não esta ou aquela manifestação da cultura, senão a mesmíssima cultura – a raiz e o terreno de todos os enganos culturais [sobre a Europa]”.

Neste caso, como acrescenta Dawson, o hisoriador católico leva vantagem porque ele pode compreender melhor que esta “foi tanto a idade das trevas como a idade do despertar, já que foi testemunho da conversão do Ocidente, a fundação da civilização cristã e a criação da carte e liturgia cristãs”. O resultado foi que a Europa alcançou sua plenitude na metade e fins da Idade Média (do ano 1000 a 1500). Se disseminaram a riqueza e o saber, e onde estavam as ruínas de Roma o homem medieval criou uma sociedade que foi muito mais humana, muito mais respeitosa das mulheres, muito mais humanizadora dos indivíduos, muito mais burguesa, quer dizer, com uma classe média mais importante e muito mais inventiva que as gloriosas civilizações do Mundo Clássico.

A Idade Média constituiu uma maravilhosa época de frescura e vigor ainda antes de alcançar sua plenitude no Renascimento. O Islã, deverá se ter muito claro, não foi estancado em nenhuma versão anterior do Ocidente e, sem a menor dúvida, não ficou na Idade Média, a “Era da Fé” católica, durante a qual monges, sacerdotes, agricultores, mercadores, reis, bispos e cavaleiros criaram uma civilização dinâmica – a soma da cultura clássica, católica e germânica – ou seja, Ocidente. Mesmo em seu estado mais humilde, como camponês, o homem medieval não foi um talibã. Suas crenças eram totalmente diferentes. Acreditava no sofrimento de Cristo que chegou ao mundo como uma indefesa criatura e morreu na Cruz, em lugar de crer num profeta conquistador, o qual considerava uma blasfêmia acreditar que Deus se rebaixaria a essas indignidades.

O homem medieval acreditava na honra de Deus e em divertir-se e pouco lhe importava as coisas deste mundo, parafraseando o poeta (e sacerdote) William Dunbar, “el Caucer de Escocia”. Se bem que o homem medieval era amante dos festins, das celebrações, das cores alegres e dos torneios, também acreditava no serviço, o trabalho e o comércio eram honrosos; que o intento de superar-se como pessoa e o progresso eram possíveis e que Deus havia criado um mundo que cada ser humano podia entender através da razão, para que todo agricultor comum e corrente – sem ter em conta sua posição de subordinação a seu senhor feudal – pudesse encontrar caminhos para melhorar suas técnicas agrícolas, lograr melhoras que o beneficiassem, o mesmo que a seu senhor, porque cada homem tinha direito de receber a parte que lhe correspondia de seu trabalho. Ele era, como o somos nós, um homem ocidental, com tudo o que isso supõe. Como o expressou o popular erudito medieval – o Bispo Morris – ainda hoje (ou em 1958, quando escrevia): “Um agricultor das terras altas da Macedônia, um pastor das montanhas do Auvergne, leva uma vida mais medieval que o homem moderno.

Um pioneiro americano do século passado, que saía com um carro de bois, um machado, um arado e uma pá para abrir espaço para um sítio no meio do bosque, estava mais próximo da Idade Média que dos tempos modernos. Se auto-abastecia, curava-se a si mesmo e a sua família com ervas, cultivava seu próprio alimento, moía seus próprios grãos, fazia trocas com mercadores estranhos, divertia-se em ocasionais bailes festejados em celeiros parecidos aos bailes em ronda medievais”. O pioneiro norte-americano o camponês medieval eram nós e nós éramos eles e nenhum dos dois é muçulmano. E para alguns de nós, a idéia de conversar com um homem da Idade Média (ou da fronteira norte-americana) é uma perspectiva muito mais interessante que a idéia de conversar com um jovem de vinte e tantos anos que envia mensagens de textos atrelados a um iPod, cuja vida transcorre no que acertadamente se chama de “biogosfera”.

O mito de uma Idade Média bárbara é parte da ignorância de nossa época. No princípio, os protestantes propuseram o mito, os laicos o têm fomentado: hoje os fatos o desmentem. De modo que saiamos blandindo nossas lanças como os cavaleiros medievais para acabar com cinco dos principais mitos relacionados com a Idade Média.

 Primeiro mito – O Cristianismo medieval era bárbaro enquanto que o Islã era refinado

Dado que estamos falando dos muçulmanos, comecemos com o mito de que na Idade Média o cristianismo era bárbaro, enquanto que o Islã era refinado. Eis aqui uma prova simples: Alguma vez tem escutado e desfrutado os cantos gregorianos? Com um pouco de sorte, aí não há ficado a coisa; na realidade temos escutado a obra de compositores medievais executada em instrumentos da época.

Tanto a música quanto os instrumentos são evidentemente nossos. Estende uma ponte natural para o que a maioria das pessoas de maneira genérica denomina “música clássica”. Nosso sistema de notação musical data da Idade Média, o qual teve sua origem nos mosteiros, muito especialmente através da obra do monge beneditino do século onze Guido D’Arezzo. Por outro lado, Maomé, como seus seguidores talibãs, proibiu a música. Afirmava que Alá havia lhe ordenado que suprimisse os instrumentos musicais, advertindo-os que “Alá derramará chumbo derretido nos ouvidos de quem quer que se preste a escutar uma cantora” – ou, demais está dizê-lo – um trovador medieval.

Graças aos caricaturistas europeus, todos conhecemos bastante bem o que pensam os muçulmanos sobre pintar uma imagem de Alá ou seu Profeta. Sem embargo, o mesmo profeta na realidade proibiu a seu povo toda arte visual que representasse alguma forma da fauna, desde homens até gado, o que de alguma maneira impede a liberdade artística; liberdade da qual todos no Ocidente desfrutavam durante a Idade Média, sem mencionar o Renascimento. Se bem que a arquitetura islâmica é mais atrativa – pelo menos, para meu gosto – com frequência não se adverte que se inspirou em Bizâncio e em alguns casos até foi construída por trabalhadores bizantinos. A literatura islâmica – aparte as Mil e Uma Noites e um punhado de outros poemas ou contos – é pobre em comparação com a ocidental e a diferença desta é sumamente a obra de dissidentes e hereges. Aparentemente, os literatos muçulmanos sempre têm mostrado uma tendência a julgar o papel de Salman Rushdie para os imãs de plantão.

Quanto à ciência, as matemáticas e a tecnologia, os muçulmanos foram bastante competentes em preservar e adotar a herança clássica dos cristãos (e os logros dos persas zoroastras e hindus) aos quais conquistaram. Não foram tão competentes em superá-la, o que constitui uma razão muito importante pela qual o Ocidente progrediu e o Islã não. Outro motivo importante é que enquanto os clérigos ocidentais ensinavam a lei natural e que Deus havia criado um universo racional e ordenado, os teólogos islâmicos contra-atacavam que nada – por suposto nem a razão – podia limitar o poder de Alá; estava mais além de toda restrição semelhante, sendo os líderes muçulmanos contemporâneos dos ocidentais.

No século doze, os filósofos muçulmanos se declararam de forma contundente contra os clássicos pagãos. Por outra parte, o homem ocidental sensato, não estava interessado na religião muçulmana, porém sem dúvida estava disposto a aceitar e fomentar o saber islâmico, tal como aceitou e fomentou o saber clássico. A adoção por parte do Ocidente dos números arábicos (e o zero, que os muçulmanos receberam dos hindus) é magnífico exemplo. Outra é quando o filósofo Arrevois escreveu suas glosas sobre Aristóteles, estas tinham mais influência no Ocidente que no mundo islâmico. E os tão vilipendiados cruzados não eram fanáticos: adotaram sem problemas comidas, aparatos e as práticas comerciais do Oriente.

Não foi o homem medieval cuja civilização enfrentou um milênio de marcha para obscuridade, foi o muçulmano. Pelo fim da Idade das Trevas, “A Idade do Ouro” do Islã já quase havia acabado. Como escreveu Norman Cantor, o célebre erudito especializado na Idade Média, “O mundo islâmico porém não havia começado sua profunda decadência no ano 1050... mas em linhas gerais, os dias de máximo esplendor do Islã haviam chegado ao seu fim... No ano 1050, em cada um dos países da Europa ocidental, havia grupos de pessoas envolvidas em algum tipo de empresa duvidosa. A Europa já não andava a reboque de Bizâncio e do Islã em nenhum aspecto e em algum sentido havia superado os erros mais importantes dos duas civilizações com as quais os povos que falavam latim agora competiam pela hegemonia do Mediterrâneo”.

O Ocidente sempre foi inventivo mesmo durante a Idade das Trevas. Isso forma parte de nosso espírito, assim como a supremacia do Corão e somente o Corão por sobre todas as coisas forma parte do Islã. Já então como na atualidade, os colégios islâmicos fundamentalistas lhes inculcavam o Corão a seus alunos para que o aprendessem de memória. Os colégios católicos, então como agora, ensinavam religião, filosofia, matemáticas (desde contabilidade até matemáticas superiores) e latim, entre outras matérias. Os protestantes somente atacavam aos católicos o fato de que não conhecerem as Sagradas Escrituras.

Não se pode fazer a mesma acusação a um muçulmano numa madrassa [1] que tem que se aprender o Corão de memória e a quem se lhe proíbe explicitamente interpretá-lo. É verdade que na Idade Média a maioria dos católicos conheciam as Escrituras pelo que ouviam na igreja ou viam representado nas janelas de vitrais coloridos, ou então que liam – ou ouviam recitar – de livros tais como The Heliand, o Evangelho Saxão, em que Cristo, o Paladino, ingressa no Forte Jerusalém para a última celebração no salão de festas com seus companheiros de combate. Porém aceitavam o ensino e a autoridade de sua Igreja e se mantinham ocupados construindo fábricas de cerveja, preparando bebidas alcoólicas, abrindo estradas, erigindo cidades e inventando e produzindo em série: o estribo, os arneses para cavalos e o moinho de água (ou estritamente falando) aperfeiçoando o moinho de água que foi inventado pelos romanos, que apenas o usaram e começou a ser valorizado durante a Idade Média. Também criaram uma revolução agrícola com uma rotação de cultivo para três campos e melhoraram as ferramentas e a tecnologia agrícola, a especialização em produtos, o transporte terrestre e marítimo e a dedicação exclusiva ao comércio.

O único avanço que alguém poderia atribuir ao Islã sobre o Ocidente é a invenção do harém. Não obstante, até o homem mais machista poderia pensar que o harém não é muito justo com as mulheres. O racionalista poderia acrescentar que podem dá origem a pressões sociais que são bastante malsãs (deixando por todas as partes homens indisciplinados e sem compromissos). Os clérigos poderiam acrescentar razoavelmente que os monges, freiras e sacerdotes celibatários têm feito um melhor uso de seu sacrifício sexual do que os eunucos que protegiam os haréns.

Um proprietário ocidental de casa de modas suspeitaria que o burka [2] foi inventado para ocultar alguns dos defeitos (segundo os critérios ocidentais) das odaliscas. E, por último, os monarcas medievais, como o homem ocidental moderno, sempre podia evitar o ensino da Igreja, praticando a hipocrisia em série em lugar de fazer ajuntamento de mulheres em habitações preparadas para tanto. Esta prática monárquica se tem filtrado na administração de empresas onde os depósitos abarrotados (haréns) têm dado lugar ao “inventário de justo a tempo” (monogamia em série), outro tributo à eficiência ocidental.

 Segundo mito – As mulheres medievais eram oprimidas

Se bem que estamos tratando do tema do belo sexo, prescindamos da idéia feminista de que a Idade Média católica foi uma época de opressão contra as mulheres. Isso, aparentemente, resulta difícil de conciliar com a devoção medieval à Virgem Maria; a invenção medieval do amor cortês e romântico, a prática do cavalheirismo e a existência de rainhas e princesas. Em cada caso, encontramos homens que prometem lealdade, fidelidade, honra e proteção às damas; mulheres, poder-se-ia apontar, com poder e favores, já seja que pertencentes à realeza ou mulheres românticas ou divinas.

O Novo Testamento tem muito mais estima pelo sexo feminino que o Corão. Jesus permanentemente trata as mulheres com respeito. Os cristãos, desde o início, fizeram o mesmo. O conceito da mulher como “objeto sexual” é profundamente contrário ao cristianismo de uma forma que se diferencia ostensivamente do paganismo e do islamismo. O cristianismo não faz alarde de ter prostitutas de templos ou haréns, nem trata de brancas ou huris [3]. O Novo Testamento nunca recomenda açoitar as mulheres, nem as compara com um campo para ara (como o faz o Corão).

Segundo a lei islâmica o divórcio é uma questão de quatro palavras (“Me divorcio de ti”); as mulheres são propriedades privadas e têm basicamente duas finalidades (o leitor pode imaginar quais). No Ocidente medieval, tanto a poligamia como o divórcio eram ilegais. As mulheres podiam governar em tronos ou pontificar em bibliotecas de conventos de monjas e levar a batuta de um lar de classe média tal como o tem feito qualquer outra ama de casa ocidental durante os últimos dois mil anos. As mulheres eram livres de vestir-se como queriam e podiam ir à taverna – até fabricar cerveja – se quisessem. Tinham emprego e aprendiam ofícios e profissões.

Se eram camponesas, trabalhavam a terra com seus esposos. Podiam ser canonizadas ou conduzir os homens à batalha (como Joana D’Arc). Especialmente se pertenciam a ordens religiosas, destacavam-se na educação primária, enfermaria e outras “profissões de cunho social” como as chamariam hoje em dia. Se pertenciam à nobreza, herdavam e dirigiam propriedades e recebiam todas as obrigações feudais devidas, acompanhavam a seus esposos em caçadas ou nas Cruzadas, assistiam as escolas cortesãs onde aprendiam arte, etiquetas e como dirigir um lar (de medicina a enologia, de costura a contabilidade, de jardinagem a como tratar os empregados. Também eram mecenas.

Se as mulheres eram excluídas das escolas e universidades clássicas, o que ocorria era menos por motivos cristãos, falando com propriedade, que por motivos clássicos – pela interpretação aristotélica de que as mulheres são do sexo subordinado. O grau de “subordinação” das mulheres poderia observar-se na impudica – e bem “libertária” - esposa de Bath nos Contos de Canterbury de Chaucer [4]. Ela poderia deitar por terra qualquer idéia de que as mulheres medievais eram oprimidas. A esposa de Bath, depois de tudo, escolhe seus esposos – cinco no total – guiando-se pelo caudaloso potencial de noivos (jacta-se de haver deixado os primeiros três sem um centavo antes de morrerem) ou por seus atributos viris, inclusive um dos carregadores do féretro de seu quarto marido. Encontra a felicidade com o quinto esposo (seu favorito) no momento de convencê-lo – a golpes de punho – dos direitos que a ela lhe correspondem. A disputa começa quando ela, enfadada, arranca uma página do “The Wicked Wives”, o livro que ele estava lendo em voz alta. Em tudo isto cita as Sagradas Escrituras, observando que “Direito tenho sobre seu corpo e sua vida e não ele. Como bem disse o Apóstolo: que o esposo deve dar à esposa o amor que por direito lhe cabe”. Sua história é bastante mais divertida e escandalosa que o permitiria o atual Islã “medieval”. Sem embargo, na Idade Média do Ocidente era um estereótipo comum como o seria hoje mesmo se aparecesse de chofre no sofá de nossa sala.

 Terceiro mito – a cultura medieval era grosseira e ignorante

  Chaucer nos coloca cara a cara com a cultura medieval e longe de ser grosseira e ignorante, a consideramos uma parte inteligente e iluminada de nossa herança literária. Se os castelos e catedrais, a arte, os ofícios e a música medieval não são suficientes; se Beowlf [5], a Canção de Rolando, o Cantar de Mio Cid e a Morte de Artur não lhe dizem nada, se Boesius, Boccacio, Dante, Petrarca e Maquiavel não significam nada; se você não tem nenhuma consideração por Santo Anselmo, São Francisco e São Tomás de Aquino, para escolher simplesmente um punhado de riquezas literárias da época, então não há muito mais que dizer.

 Quarto mito – a politica medieval era despótica

 Do mesmo modo, a política medieval não era nem grosseira nem ignorante, nem totalitária ou despótica. Pelo contrário; a Idade Média – desde o início – praticava a separação e muitas vezes o conflito entre a Igreja e o Estado. Foi a Reforma, o desejo do estado em absorver a Igreja, o que integrou à Igreja o Estado ao precipitar a criação da igreja estatal. A política medieval apoiava uma ampla dispersão de poder, que é o que propunha o feudalismo e a razão pela qual os nobres da Inglaterra – encabeçados pelo Arcebispo Católico de Canterbury, Stephen Langton – puderam pôr limites à Coroa com a Carta Magna.

O homem medieval acreditava na grande hierarquia da sociedade, na qual tanto o homem como a mulher tenha direitos e obrigações e fosse individualmente responsável ante Deus. O homem medieval nunca foi ameaçado pelo totalitarismo. Um estado totalitário nem sequer era possível até que a Reforma tirou da Igreja o que servia de freio ao poder estatal. De fato, o feudalismo preservava uma forma extrema de federalismo, onde prosperavam cidades estados (como as repúblicas dos mercadores da Itália).

Na Idade Média, um mercador não só podia fundar sua própria empresa, mas até os adolescentes entusiastas podiam empreender sua própria Cruzada (a Cruzada dos Meninos) e um cruzado fracassado como São Francisco podia lançar seu próprio movimento religioso. É provável que a Idade Média tenha estado dilacerada pelas guerras, conquistas, rivalidades políticas, contendas entre cavaleiros e as guerras contra os hereges albigenses ou os infiéis muçulmanos. Porém do ponto de vista político, a Idade Média foi, em todo caso, uma época em que a dispersão do poder secular estava mais perto da anarquia que do despotismo e a Igreja estava geralmente do lado do liberalismo político – se não religioso – com o objetivo de proteger-se da ambição de monarcas e príncipes.

 Quinto mito – a Idade Média foi excepcionalmente violenta

 Indubitavelmente, a Idade Média foi muito violenta, porém não tiveram um Hitler, um Stalin, um Mao. A Idade Média efetivamente teve seus inquisidores, porém os diversos mitos que rodeiam a inquisição hoje em dia têm sido praticamente demolidos e quem quer que o deseje pode inteirar-se estudando os registros históricos sérios e pertinentes. Os tribunais inquisitórios da Idade Média não infundiam terror às pessoas da Europa ocidental. Seu alcance era limitado, seus processos judiciais e castigos eram mais benévolos que os de seus homônimos leigos. O castigo da Inquisição consistia amiúde numa penitência e em grande parte da Europa a Inquisição nunca existiu. Não foi uma organização característica ou de fundamental importância durante a Idade Média. Sua implantação data do século XII quando foi criada para contrarrestar a heresia albigense.

A Inquisição espanhola – a inquisição de “pior reputação”, atuava sob cédula real e não papal. A história destes tribunais se estende durante um período de aproximadamente seiscentos anos, expirando na Espanha de princípios do século XIX. Nos trezentos e cinquenta anos da Inquisição espanhola, da qual se tem preservado meticulosamente todos os documentos, o total de sentenciados à morte é de aproximadamente uns quatro mil. O total de executados é menor. Quando se trata do inventário de vítimas, os mil anos da Idade Média nem se aproximam das hecatombes do progressista século XX.

Se as guerras da Idade Média em prol da Fé são consideradas como um escândalo que desacredita o cristianismo, então que devemos pensar dos genocídios[6] autorizados pelo estado, os assassinatos em massa e os extermínios perpetrados pelos nazistas pagãos e comunistas ateus? Estes últimos conseguiram nos últimos setenta anos – apenas ao longo de uma só vida – assassinar muitíssima mais pessoas que o inquisidor medieval mais eficiente houvesse podido matar com as armas à sua disposição nesses tempos. Houve muitas lutas durante a Idade Média. Houve atrocidades no campo de batalha, assassinatos em catedrais e massacres em cidades. Porém o homem moderno não é a pessoa indicada para se por a julgar ao homem medieval como se fosse moralmente superior.

Na Idade Média, os nazistas seriam denunciados como hereges, se haveria organizado contra eles uma cruzada papal e hoje estaríamos lendo livros progressistas descrevendo como a Igreja Católica suprimiu de forma violenta e injusta – através da Inquisição e uma Cruzada – um movimento “herege” alemão que somente queria usar calças curtas, sair em excursões pelos bosques, cantar canções pagãs, libertar o povo da superstição, fomentar o ensino e ciências laicas e desarticular o poder político e religioso de Roma.

Já temos escutado muitas vezes esse conto, por exemplo com a idealização dos cátaros. O homem medieval tem sofrido muitas difamações deste tipo: os propagandistas anticatólicos do século XX o acusaram de inventar que o globo era plano. E hoje temos o mito de que os terroristas homicidas do Islã “ficaram na Idade Média” em vez de fazer parte do Islã do século XXI. A Idade Média foi mais gloriosa e encomiável do que muitos parecem reconhecer. O homem medieval merece um efusivo brinde de nossa parte; melhor um homem medieval que o rap ou as notícias do al-Jazira.

 (Referencias H. W. Crocker III publicou recentemente Triumph: The Power and the Glory of the Catholic Church: A 2,000-Year History. Sua novela cómica The Old Limey e seu livro Robert E. Lee on Leadership estão disponíveis em edição rústica. Seu último livro é Don't Tread on Me: A 400-Year History of America at War, from Indian-Fighting to Terrorist-Hunting.)

 [1] Escola de ensino sunita ou todo edifício muçulmano destinado às ciências.

[2] Véu com que as mulheres islâmicas cobrem o rosto

[3] Huris – No Corão (III, 20), virgem prometida na outra vida aos que ganharem o Paraíso. O Autor do artigo está aplicando o termo, porém, no sentido de preto: o termo também significa o campo preto ou branco dos olhos quando são muito pronunciados..

[4] Geoffrey Chaucer (1340-1400), autor de “Lendas das mulheres exemplares” no livro “Contos de Caterbury”

[5] Poema épico anglo-saxão do século X.

[6] O termo “genocídio” é um neologismo surgido após os morticínios de povos inteiros promovidos pelo Comunismo no século XX"