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quinta-feira, 8 de maio de 2025

O PAPADO E A QUEDA DO "COMUNISMO DE ESTADO"

 


Várias agências midiáticas divulgaram notícias e comentários onde a tônica foi a de que o Papa João Paulo II havia, finalmente, derrubado o comunismo, dando a entender que não havia mais comunismo na terra. No entanto, a maioria destes comentários não levavam em consideração que restavam ainda alguns países dominados pelo “comunismo de Estado”, como China, Coréia do Norte e Cuba. De outro lado, nada se dizia sobre o “comunismo difuso” na sociedade, que eram as leis notadamente marxistas aprovadas em vários países ocidentais, ditos capitalistas, além de costumes materialistas na população que levavam ao mesmo comunismo no dia a dia de cada um.  Quando Nossa Senhora disse, em Fátima, “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo” referiu-se explicitamente aos costumes, muitos deles impostos por leis. Do mesmo modo, nunca houve uma apuração sobre as responsabilidades para que fossem punidos aqueles que implantaram tanta miséria e desgraça naqueles países, pelo menos a criação de tribunais como fizeram com os nazistas. Pelo contrário, os comunistas que deixavam o poder foram premiados: segundo se comentou nos jornais da época, os elementos que faziam parte do comando central do PC dos países onde “caía” o comunismo, assumiram gratuitamente a posse das empresas e riquezas que antes estavam em poder do Estado, e alguns burocratas foram até premiados com empregos nas maiores bolsas de valores europeias (milhares deles).

O fato do Papa ter tido papel fundamental na condução da opinião pública não é novidade, e todos já o sabiam, por experiências anteriores. Em 1942, por exemplo, quando os nazistas perderam o apoio momentâneo da Itália, resolveram invadi-la. Mas, quando o comandante militar nazista, ao ocupar Roma chegou às portas do Vaticano, parou. Entrou em contato com Hitler e pediu autorização para invadir o Vaticano e aprisionar o Papa Pio XII, coisa muito fácil já que a Igreja não possui forças militares à altura para uma guerra moderna. Que fez Hitler? Com medo da reação da opinião católica mundial, inclusive dos alemães, determinou que não mexesse com o Papa, que deixasse o Vaticano para depois. Quer dizer, o único Estado organizado não nazista europeu a não ser invadido (ou pelo menos tentado invadir, como a Inglaterra)  foi o Vaticano, e justamente não o fez com medo da opinião pública.

Com o passar do tempo a influência do Papado no mundo só tem crescido. Basta ver a importância que se dá à simples eleição de um Papa. Não somente os católicos, mas ateus, hereges e adeptos de todas as outras religiões, até mesmo muçulmanos, interessam-se curiosamente sobre o desenrolar e o desfecho de tal eleição. O mesmo interesse também é intenso no caso da morte de um Papa, como ocorreu no enterro de João Paulo II ao atrair multidões ao Vaticano, considerado o maior da História.

 

A queda do comunismo na Polônia, obra do Papa na visão da mídia

Somente após a morte de João Paulo II alguns veículos de comunicação deram destaque à sua ação na Polônia que acabou por derrubar o regime da ditadura política comunista que lá se instalara desde a década de 40. Um deles foi da agência e site UOL, pertencente ao grupo da “Folha de São Paulo”, que divulgou o fato debaixo da seguinte manchete: “02/04/2005 - João Paulo II, o papa que contribuiu para a queda do comunismo”.

Esta maneira de ver, exposta na notícia acima, era comum à maioria dos órgãos de imprensa. Quase dez anos depois, em 2014, era ainda esta a visão midiática sobre a ação do Papa.

 

A Polônia do período de comunismo de estado

Esse período veio logo após a segunda guerra mundial. A imposição ao povo de um regime, pela via da traição, da força bruta, de forma imperada, sem que fosse consultada a opinião nacional. Após o predomínio do comunismo de Estado, falido e sem apoio popular, surgiu o Papado, com João Paulo II, para livrar o povo dele. Sabendo que há dois tipos de comunismo, o chamado “comunismo de Estado” (imposto pela ditadura do proletariado ou outra qualquer) e o “comunismo difuso” (a influência do marxismo nas leis e nos costumes sociais), renunciou aquele seu império em benefício deste último, é verdade. Mas, para que o comunismo de Estado ruísse completamente, nada teria sido conseguido se não fosse o poder de influência que o Papado tem na opinião pública.

Vejamos como os fatos ocorreram.

A Conferência de Yalta – foi após tal conferência que a Rússia se apossou da Polônia ao expulsar de lá os alemães. Embora no referido tratado nada tenha sido assinado em torno disso, a realidade mostra que houve algum acordo secreto sobre o assunto, haja vista que a Rússia comunista dominou pacificamente todo o leste da Europa, implantando o seu regime em diversos países.

Com o prolongamento da guerra, a propaganda de esquerda procurou enfatizar em todo o mundo o papel anti-nazi de Estaline e da Rússia soviética, para apresentá-la como a "libertadora" da Europa Oriental. Plínio Corrêa de Oliveira observava que, enquanto os Aliados se debatiam no atoleiro italiano, a URSS ampliava a frente do Leste, aumentando a sua influência na Europa Central. Os nazis defendiam palmo a palmo a frente italiana, abandonando aos russos províncias inteiras na Europa Oriental. O nazismo "está a cometer a suprema traição de entregar a Europa lentamente aos bolchevistas".

Em Fevereiro de 1945, encontraram-se em Yalta Estaline, Roosevelt e Churchill. Invadido em duas frentes, o Terceiro Reich capitulou entre 7 e 8 de Maio, e Hitler suicidou-se no bunker de Berlim. Também o Japão, com as suas forças exaustas, após o lançamento, em Agosto, das duas bombas atómicas americanas sobre Hiroshima e Nagasaki, aceitou a capitulação.

Por insistência de Josef Stalin, a Conferência de Yalta sancionou a formação de um novo governo polonês provisório e pró-comunista em Moscou, que ignorou o governo polonês no exílio em Londres, um movimento que enfureceu muitos poloneses que consideraram isto uma traição por parte dos Aliados. Em 1944, Stalin havia feito garantias a Churchill e Roosevelt de que ele iria manter a soberania da Polônia e permitir eleições democráticas; no entanto, após alcançar a vitória em 1945, as autoridades soviéticas de ocupação organizaram uma eleição que constitui nada mais do que uma farsa e foi usada para reivindicar a "legitimidade" da hegemonia soviética sobre os assuntos poloneses. A União Soviética instituiu um novo governo comunista na Polônia, análogo a maior parte dos governos do resto do Bloco de Leste. Como em toda a Europa comunista a ocupação soviética da Polônia enfrentou uma resistência armada desde o seu início, que continuou na década de 1950. Apesar das objeções generalizadas, o novo governo polaco aceitou a anexação soviética das regiões orientais do pré-guerra da Polônia (em particular as cidades de Wilno e Lwów) e concordou com a guarnições permanentes de unidades do Exército Vermelho no território polonês. O alinhamento militar no âmbito do Pacto de Varsóvia durante a Guerra Fria surgiu como um resultado direto dessa mudança na cultura política polonesa e no cenário europeu veio a caracterizar a integração de pleno direito da Polônia na fraternidade das nações comunistas.

A República Popular da Polônia (em polacoPolska Rzeczpospolita Ludowa) foi oficialmente proclamada em 1952. Em 1956, após a morte de Bolesław Bierut, o regime de Władysław Gomułka tornou-se temporariamente mais liberal, libertando muitas pessoas da prisão e expandindo algumas liberdades civis. Uma situação semelhante se repetiu nos anos 1970 sob o governo de Edward Gierek, mas na maior parte do tempo houve perseguição contra grupos de oposição anticomunistas. Apesar disso, a Polônia era na época considerado um dos Estados menos opressivas do bloco soviético.

 

 

O papel de João Paulo II na derrubada do comunismo na Polônia

Em junho de 1979 João Paulo II faz sua primeira viagem apostólica à Polônia, seu país natal.

Relatório enviado ao Politburo pelo Conselho para Assuntos Religiosos da União Soviética dizia: "Os camaradas poloneses caracterizam João Paulo II como mais reacionário em assuntos da igreja e mais perigoso no nível ideológico que seus predecessores. Quando cardeal, distinguiu-se por sua posição anticomunista".

Antes da viagem, o governo comunista, militar e ditatorial, ameaçou até prender o Papa se pisasse o solo polonês. O Papa enfrentou todas as ameaças e fez a viagem. Era tal a multidão que o recebeu que o governo polonês não teve coragem de tomar nenhuma medida de coação ou prisão como ameaçara. Pouco tempo depois, em 1989, o regime caía sob o impacto das reformas da “Perestroika” de Gorbachev na ex URSS, mas, evidentemente, como consequência de um sadio movimento de opinião pública contra o comunismo, o qual teve grande impulso com a ida do Papa ao país.

João Paulo II ainda realizou mais 7 viagens à Polônia, fortalecendo a reação católica daquele povo contra o regime comunista. É claro que todas estas viagens foram de caráter apostólico e religioso. No entanto, após essas viagens do Papa surgiram, assim, os movimentos independentes dos trabalhadores a partir de 1980 que levaram à formação do sindicato independente, como o "Solidariedade" que, com o tempo, tornou-se uma força política. Em 1989, venceu as eleições parlamentares. Lech Wałęsa, um candidato do Solidariedade, venceu as eleições presidenciais em 1990. O movimento Solidariedade prenunciou o colapso do comunismo na Europa Oriental.

 Segunda viagem – 1983 - João Paulo II fez a sua segunda viagem apostólica à Polónia de 16 a 23 de Junho de 1983. A visita teve lugar durante a lei marcial no país e esteve ligada à preparação do Jubileu do 600º aniversário da presença da Imagem Jasna Gora. Apesar da falta de consentimento por parte das autoridades estatais, as autoridades eclesiásticas decidiram convidar o Papa e realizar a visita em Junho de 1983. Durante a sua estadia, o Papa encontrou-se com multidões de polacos e beatificou três figuras estreitamente associadas à Igreja Católica Romana na Polónia. O lema da viagem era "Paz para vós, Polónia, a minha pátria".

A terceira viagem – 1987 - De 8 a 14 de Junho de 1987, com o lema "Ele amou-os até ao fim". Esta peregrinação estava ligada ao Segundo Congresso Eucarístico Nacional que então se realizava. Durante esta peregrinação, o Papa visitou muitas cidades, encontrando-se com diferentes grupos de pessoas, desde o clero até aos fiéis comuns. Os seus discursos centraram-se principalmente em temas relacionados com a fé e o amor. O Papa João Paulo II utilizou a viagem como uma oportunidade para realçar a importância da Eucaristia e o seu papel na vida de um cristão. Durante a sua estadia, o Papa beatificou a Beata Karolina Kózkówna, que é considerada um modelo de piedade e obediência a Deus. Esta viagem foi um evento importante para a Igreja na Polónia, pois contribuiu para o desenvolvimento da fé e espiritualidade e para o fortalecimento da posição da Igreja no país.

A quarta viagem – 1991 - Estava ligada ao lema "Dar graças a Deus, não extinguir o espírito". Esta peregrinação visava fortalecer a fé e a espiritualidade num país que acabava de sofrer uma transformação política e que tinha rompido com o ateísmo imposto pelo governo. Como tal, a sua visita foi também uma expressão de gratidão a Deus pelos dons e graças que a Polónia tinha recebido. A peregrinação durou entre os dias 1 e 9 de Junho. João Paulo II visitou muitas cidades durante esse período, inclusive: Koszalin, Przemyśl, Włocławek, Kielce e Lubaczów.

A quinta viagem – 1995 - Foi uma breve visita à diocese de Bielsko-Żywiec, que teve lugar no dia vinte e dois de Maio e que fez parte da sua viagem à República Checa. O Papa visitou então cidades na Voivodia Silesiana, incluindo Skoczów e Bielsko-Biała. Esta peregrinação foi a única viagem não oficial de João Paulo II à Polónia organizada pelo

A sexta viagem – 1997 – foi uma peregrinação, que durou de 31 de Maio a 10 de Junho, ligada ao 46º Congresso Eucarístico Internacional, realizado sob o tema "Eucaristia e Liberdade". Nessa altura, o Papa também participou na celebração europeia do milénio da morte de Santo Adalbert em Gniezno, na qual os presidentes de sete países da Europa Central e Oriental participaram para além dele. O Papa polaco também participou nas celebrações do seiscentenário da Faculdade de Teologia da Universidade Jagielloniana.

A sétima viagem – 1999 - de 5 a 17 de Junho e foi a mais longa peregrinação papal na Polónia. Entre os acontecimentos mais significativos durante a estadia do Papa estava a sua visita ao Sejm, no dia 11 de Junho. Em ligação com a visita de João Paulo II, foi posteriormente colocada uma placa comemorativa no salão principal do Sejm. Para além de Varsóvia, o Papa conseguiu então visitar Sosnowiec, Toruń e Gdańsk, entre outros.

A oitava e última viagem – 2002 - teve lugar de 16 a 17 agosto e foi dedicada principalmente à consagração do complexo sagrado em Cracóvia-Łagienniki, que é o lugar de descanso das cinzas da santa da Igreja Católica, freira Faustyna Kowalska.

  


terça-feira, 11 de outubro de 2022

O BRASIL SERÁ ALGUM DIA DOMINADO PELO COMUNISMO?

 



Os avisos de Nossa Senhora, nas aparições de 1936 em Pesqueira (PE), coincidem com as investidas do cangaço. Naquele ano Lampião andava aterrorizando os sertões nordestinos.

Assim como em Fátima, Nossa Senhora pede ao povo fiel que faça penitência e reze a fim de se evitar três castigos que iriam cair sobre o Brasil. Um deles seria o comunismo, que dominaria principalmente as capitais. Provavelmente, a Santíssima Virgem estaria se referindo ao comunismo selvagem, imposto violentamente pela força das armas, e não o que se chama de “comunismo difuso”, que é a propagação do marxismo nas leis e em alguns costumes.

Nesta mesma época começam a surgir no Brasil as idéias socialistas que se infiltravam em meios católicos, especialmente em São Paulo, a maior cidade do país. O comunismo só dominaria se houvesse condescendência e apoio dos católicos.

Foi também nessa época que Dr. Plínio Corrêa de Oliveira começou a combater tais idéias infiltradas em meios católicos, especialmente na Ação Católica, de que era presidente, e em artigos no “Legionário”, jornal da arquidiocese de São Paulo.

No Rio, havia um grupo de católicos que se deixara levar pelo “mairitanismo” (Maritain era um expoente da nova idéia de complacência com as esquerdas socialistas). Um de seus expoentes era Alceu de Amoroso Lima, chamado de Tristão de Ataíde.  Dr. Plínio  combateu tais idéias, expondo-as em  seu livro “Em Defesa da Ação Católica”, publicado em 1943. Após polêmica surgida pela sua divulgação, finalmente o Papa Pio XII enviou uma carta elogiando a obra de Dr. Plínio e afirmando que ele havia defendido corretamente os princípios católicos.

Do apostolado de Dr. Plínio surgiu um grupo de católicos que passou a condenar as infiltrações socialistas na Igreja. Esse grupo atuou durante toda a década de 50, até que no início da década seguinte desempenhou papel preponderante na reação popular contra a implantação do regime propugnado por Jango, reação esta que incentivou os militares a depor aquele governo e interromper o programa de implantação do comunismo no Brasil. Um fato que marcou a reação contra a esquerda daquele tempo foi o lançamento do livro “Reforma Agrária, Questão de Consciência”, vindo a polarizar grande parte dos católicos numa sadia reação contra as idéias janguistas. Pelo menos em sua forma de “capitalismo de Estado” ou de “sociedade sindicalista”, ou tantas outras que imperaram em vários outros países, o golpe militar evitou que se implantasse no Brasil.

As idéias defendidas nesta obra contra a reforma agrária foram de capital importância para o Brasil, pois deixou como legado a defesa do direito de propriedade que até hoje mantém-se como princípio legal até mesmo na nossa Constituição federal.

Foi também nessa época que o mesmo Dr. Plínio fundou a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), formada por católicos que atuavam na sociedade civil contra a infiltração comunista no Brasil. Sua atuação foi tão profícua que serviu de incentivo para a criação de entidades semelhantes em vários países do mundo, todas sob orientação de seu fundador brasileiro. Deve-se em grande parte a atuação da TFP o completo fracasso da chamado esquerda católica, especialmente os elementos da famigerada “teologia da libertação”, hoje tão inexpressiva que quase não se fala mais nela. Quer dizer, os principais elementos que serviam de base para sustentação de uma ação comunista na sociedade brasileira foram anulados pela ação da TFP. E o comunismo não vingou, pelo menos em sua forma de poder estatal ou sindical.

O tempo passou e hoje não se faz necessária mais a ação de entidades como a TFP. Se a esquerda católica está morta, se a teologia da libertação moribunda, a sociedade civil está completamente infensa a qualquer pregação socialista ou declaradamente comunista. Os partidos de esquerda nunca tiveram coragem de fazer pregação aberta ao grande público, dado a recusa que encontram na sociedade. O fazem apenas em recintos fechados e grupos de ação das elites intelectuais e religiosas. Só lhes restava, antigamente quando estavam atuantes no grande público, a pregação da esquerda católica. E foi nos antros desta corrente esquerdista que se formou o político Lula, cria inconteste dos frades dominicanos de São Paulo, que desde aqueles tempos só usavam batinas quando participavam de passeatas de cunho político.

A solução pra eles, hoje, parece algo obscuro e meio insensato: violência urbana e golpe nas leis para tomar de assalto o poder, mesmo sem aceitação popular.

As origens remotas do clima de violência que impera nos dias atuais

Quem quiser estudar as raízes mais profundas do clima de violência institucionalizada que impera no Brasil não precisa ir muito a fundo em suas pesquisas: basta analisar duas fases que antecederam a tal estado de violência – primeira, a do cangaço, findo na década de 30 do século passado; e segunda, a do movimento da guerrilha esquerdista durante o governo militar.

Vejamos, embora brevemente, como se assemelham estas duas fases.

 

A gênese do cangaço[1]

Conforme Dom Duarte Leopoldo e Silva, a revolta pernambucana de 1817, foi uma revolução de padres. A lista dos que participaram do movimento abrange, no avultado número, cônegos e governadores do Bispado, vigários e coadjutores, regulares e seculares, dos quais dois se suicidaram, quatro foram supliciados e muitos condenados à pena comum de prisão. Entre os prisioneiros havia 57 religiosos. Todos ou quase todos esses padres eram membros das sociedades secretas, reunidas sob as denominações de “academias” ou “areópagos”, onde se cultivavam as idéias libertárias da Revolução Francesa. Tem-se dito que essas lojas maçônicas eram simplesmente “nacionalistas”, como ao depois pretenderam e pretendem se passar como simples entidades filantrópicas. Como quer que seja, é certo que, à sombra do mistério que as envolvia, se desenvolveram doutrinas absolutamente contrárias à ortodoxia católica que, a seu tempo, se encontraram em campo aberto contra a Igreja. Eram eles a “esquerda católica” daqueles tempos.

Por diversas cidades nordestinas, do interior e das capitais, pregavam essas dezenas de padres a revolta libertária e a implantação de uma república. Da mesma forma como no século XX o clero progressista pregava a Teologia da Libertação, com a diferença que hoje pregam o socialismo utópico enquanto naqueles tempos apregoavam a derrocada da monarquia e a implantação da república.

Conforme o escritor cearense Nertan Macedo, especialista em Lampião, o cangaço não teve origem no século XX, mas desde os primórdios do século XIX, exatamente logo após a revolta de 1817. Os revoltosos que fugiam das tropas do governo se embrenhavam pelas matas e passavam a levar vida de bandidos, saqueando e matando. Nertan Macedo pesquisou em detalhes a origem do bando de Lampião, que começou na cidade de Flores (PE). Um dos patriarcas da cidade, que era um capitão-mor das ordenanças, chamado Joaquim Nunes de Magalhães, foi assassinado no ano de 1838 por um da família dos Carvalho. As divergências entre estas duas famílias vinham desde o tempo da guerra de 1817, quando elas se dividiram entre conservadoras e liberais, a favor e contra a monarquia.

No entanto, o cangaceiro mais antigo de que se tem notícia é Jesuíno Alves de Melo, ou “Jesuíno Brilhante”, morto no ano de 1879. Não se sabe mais detalhes, diz-se apenas que nasceu em 1844, no Rio Grande do Norte, mas não se fala se já aderiu a algum bando de cangaceiros que existia por lá ou se formou um deles. Isto não impede que a tese de Nertan Macedo não esteja correta, pois é bem provável que todo cangaceiro, a maneira de Lampião, já encontrara um bando formado e a ele aderira, tornando-se o mais esperto a ser o líder do grupo. Assim, passados apenas algumas décadas após as revoluções de 1817 e 1824, seus reflexos podem muito bem ter originado o surgimento desses bandos de criminosos, só tomando forma definitiva de cangaço na época de Jesuíno Brilhante.

Vimos, então, que a atuação do Clero revolucionário nada mais fez do que acender uma centelha de ódio, alimentando rixas de famílias sob o pretexto da revolução libertaria. É o fruto mais remoto da atuação de tais religiosos que tão tristes recordações deixaram no Brasil: a de terem inspirado a vida aventurosa e criminosa de cangaceiros. Diz-se, inclusive, que alguns apetrechos da indumentária dos cangaceiros, como o chapéu virado com a aba para a frente e as cartucheiras cruzadas no peito, foram inspirados nos soldados de Napoleão, o pretenso protetor do “Areópago de Itambé”.

 

A Gênese das quadrilhas modernas – a luta armada da esquerda e o “quinto poder”

Os informes e dados abaixo sobre o Brasil podem ser aplicados a qualquer país moderno, seja europeu, americano, africano ou asiático, pois tudo isso é decorrente da vida moderna. Dir-se-ia que a violência também foi "globalizada". No Brasil, porém, os bandidos chegaram a se organizar de tal forma que podem se considerar como um poder paralelo que rivaliza com o Estado. Teríamos já instaurado no Brasil o "quinto poder", pois o Estado possui os três poderes convencionais (Executivo, Legislativo e Judiciário), a mídia é considerada o quarto poder, e agora o banditismo tornou-se o quinto.

De tal forma este "quinto poder" tem crescido que já desafia os outros quatro. Foi o que ocorreu com a morte do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, ocorrida no dia 2 de maio de 2002, quando os bandidos o julgaram e o assassinaram como se fossem juízes de um processo qualquer. A partir de março de 2003 o denominado "crime organizado" começou a mandar matar juízes, numa acintosa afronta ao estado de direito do País. E culminou com o último assassinato da juíza em Niterói, desta feita um crime cometido por policiais corruptos, mas, embora policiais, aliados dos bandidos.

Depois, tornou-se comum darem ordens para que todo o comércio de certos bairros onde dominam feche as portas. Passou-se a ver os bandidos andando pacificamente pelas ruas fortemente armados, contando com a ausência da polícia.

Em depoimento prestado à Justiça um dos chefes do crime organizado, José Márcio Felício, "O Geleião", afirma que o PCC (Primeiro Comando da Capital, facção criminosa similar ao "Comando Vermelho") possuía grande estrutura organizacional. Segundo delação feita pelo bandido, seus ex-comparsas tinham cerca de 2.000 “funcionários”, verdadeiro exército em ação. A maioria dessas pessoas trabalhava para a organização fornecendo importantes informações. Desse grupo, cerca de 100 pessoas fazem operações e formam o braço armado do bando. Numa das invasões  da “Rocinha”, no Rio, a polícia informa contingente numeroso de colaboradores dos bandidos, a maioria entre os próprios moradores do morro.

Por que o governo de Lula esperou até o final de seu mandato (novembro de 2010) para autorizar a invasão dos morros? Autoridades policiais do Rio afirmaram que não o fizeram antes porque o governo federal não o tinha autorizado, haja vista que as forças invasoras eram também compostas de tropas federais.

O "homem" dos quatro dedos

Relembrando como anda a violência urbana nos dias atuais, especialmente a constante luta entre bandidos e as forças militares que tentam expulsá-los de alguns morros do Rio, transcrevemos aqui um pronunciamento profético a respeito da violência urbana no Brasil.

Quase ao findar o ano de 1983, Dr. Plínio Corrêa de Oliveira publicou na "Folha de São Paulo" um artigo intitulado "Quatro Dedos Sujos e Feios", onde analisava a forma misteriosa como ele via a esquerda se transformar na violência urbana que crescia assustadoramente. Passados tantos anos, vê-se hoje como aquelas previsões se cumprem, como se diz, "ao pé da letra". Após lê-lo, convém analisar como anda a violência urbana no Brasil. A fim de ressaltar onde se encontra o cerne de tais acertos.

Os filhos não abortados da “montanha vermelha”[2]

Apesar das esquerdas alimentarem as quadrilhas de traficantes e de guerrilheiros na Colômbia, tanto com recursos financeiros quanto com apoio moral, os governos de esquerda nunca fizeram uma condenação oficial daquela guerrilha, dizendo descaradamente que não se tratava de terroristas, mas de opositores ao governo em luta armada. Sofismas é o que mais sabem. E por que não agiria também a esquerda para acobertar e promover o banditismo do “Comando Vermelho” e congêneres do Rio?

Mas, afinal, que queriam (ou querem) as esquerdas para o Brasil? Queriam paz? Queriam um país próspero e progressista, livre da miséria e da pobreza como apregoam os próceres do PT? Ora, continua nos programas dos partidos de esquerda (sem nenhuma exceção) a busca pelo que eles chamam de “socialismo”. Mesmo depois da falência da URSS, quando se revelou para o mundo as falácias e mentiras sobre o socialismo, na verdade uma fonte de miséria e de pobreza, os elementos das esquerdas brasileiras (e com eles alguns outros países) continuam a apregoar este utópico socialismo. Todos vêem claramente que o “socialismo bolivariano” de Hugo Chávez levou a Venezuela para a miséria e a desgraça. Mesmo assim, o programa deles continua o mesmo: socialismo, “socialismo ou morte”. Se a morte não vier por guerras civis virá por inanição, tal o estado de miséria em que o mesmo deixará nosso povo...

Há uma outra coisa: foram as esquerdas que inauguraram no Brasil a esperteza política, o chamado populismo oportunista em busca de votos, a demagogia para se promover aos cargos públicos. A esquerda, hoje, não visa mais as guerrilhas urbanas porque já disputa livremente o poder através de seus principais partidos, onde  PT desponta como líder. Seus filhos não abortados continuam vivos: os traficantes e as quadrilhas de assaltos a mão armada que se espalharam pelo Brasil, verdadeiros herdeiros das guerrilhas esquerdistas do período da ditadura militar. E na América Latina tivemos na Colômbia o maior exemplo de assalto ao poder dado por elementos da guerrilha, quando arranjaram um jeito de colocar na presidência um antigo chefe da guerrilha.

De outro lado, os principais dirigentes esquerdistas são péssimos exemplos para nossa população. Os dirigentes de um povo influenciam toda a sua população pela vida que levam. Se forem honestos, vão ser exemplos de honestidade. Se tiverem boa moral, serão exemplos de moralidade e de respeito. Há um fato mais clamoroso. Sempre que um governante de esquerda assume um governo a violência aumenta. Foi assim com Brizola no Rio, ocasião em que os bicheiros e os traficantes mais aumentaram de poder. Foi assim com os governos da Bahia (PT), estado que teve a criminalidade aumentada consideravelmente em seu governo. Foi assim também em Pernambuco, um dos Estados mais violento do Brasil exatamente porque lá sempre mandou um partido de esquerda. Quais as razões disso?

Primeira razão: os bandidos sentem que a autoridade não tem pulso para combater a marginalidade quando a repressão é feita com “excessos de cuidados” aos direitos humanos. Segunda razão: a corrupção política domina a administração pública e vai servir de mau exemplo até mesmo para os cidadãos de bem. Existiria uma terceira razão, esta localizada em algumas cidades em que a autoridade local fez alianças com bandidos. Aí não entra em destaque apenas a ação da esquerda, mas todo um conjunto de problemas morais de que padece a sociedade moderna. 

O papel da mídia na propagação da violência urbana[3]

Todos os horários de TV de maior audiência são hoje repletos de noticiários de violência urbana, onde os canais de especializam com modernas e avançadas tecnologias de publicidade. Não somente as TVs, mas os mais tradicionais jornais também. Um exemplo foi a entrevista do jornal “O Globo”, com o marginal “Marcola” tem até data 23.5.2006 – Local: Segundo caderno – Autor: Arnaldo Jabor – Tamanho: 1000 palavras. Título da reportagem: “Estamos todos no inferno”. No entanto, o site “Observatório da Imprensa”, desmente que a entrevista tenha existido, seria tudo “virtual” como nos dias modernos. Virtual ou não a suposta entrevista correu pela rede e causou certo alvoroço. Por que? Porque, nela, o bandido supostamente abre o jogo sujo do papel de sua organização, dando a entender que dispõe de tudo para tomar até mesmo o poder. E tal entrevista foi feita pra quê?

Perguntas que o provável jornalista poderia ou deveria ter feito (ou fez e omitiu para dar realce a outras finalidades):

- 1. Que ligação tem o PCC com grupos internacionais como a máfia italiana ou os traficantes da Colômbia, Bolívia e Venezuela?

- 2. É verdade que alguns advogados que os defendem também fazem parte da organização?

- 3. Como é que você, num presídio de segurança máxima, consegue mandar suas mensagens a seus comandados?

- 4. Quando um elemento é aceito na cúpula do PCC faz algum juramento sectário? Isto é, na cúpula vocês constituem também uma ou várias seitas secretas que visam poder e dinheiro?

Parcialidade da esquerda na proteção de bandidos

Em plena abertura da Copa do mundo (2014), televisionada para todo o planeta, o Palácio do Planalto convidou Desiré Delano Bouterse para se sentar na mesma tribuna que Dilma.

 O convidado de Dilma, chefe de estado do Suriname, era procurado internacionalmente por tráfico de drogas. Em julho de 1999 foi condenado em Haia a 16 anos de reclusão por tráfico de cocaína. O país europeu emitiu um mandado internacional para a sua prisão, o que tornava praticamente impossível que ele saísse do Suriname, colocasse os pés fora do país sem ser preso. Mas estava num estádio brasileiro assistindo a um jogo de futebol. É este tipo de gente companhia freqüente de elementos da esquerda.

 Um dos sintomas desta conivência do governo petista para com os “filhos da montanha vermelha” foi a prisão de um elemento das FARC (um tal de “Tatareto”) em Manaus, cuja extradição foi pedida pela Colômbia mas negada sem maiores explicações. O paradeiro deste elemento da guerrilha colombiana é desconhecido, a mídia não fala mais nele. Causa incômodo para um governo marcadamente esquerdista manter preso um elemento do braço armado das mesmas esquerdas, mas, mesmo assim, resolveram negar a extradição, talvez com a esperança de facilitar a fuga do mesmo.

Os massacres perpetrados por presos e alguns motins em várias partes do Brasil, ocorridos geralmente sob governos esquerdistas, mostra apenas um aspecto desta chaga violenta que as esquerdas implantaram no Brasil. Nisso encontramos tudo junto: corrupção entre policiais, favorecimentos de presos sob alegação de “direitos humanos”, legislação beneplácita com o crime, enfim, todo um sistema jurídico e policial que impede qualquer ação organizada para combater o crime.

O Brasil está prestes a ser dominado pelo comunismo?

Há várias maneiras de tentar responder a esta pergunta: a primeira seria negativamente se tratar-se do comunismo estatal, da forma como predominou na URSS, Cuba, Coréia, China, etc., Quer dizer, nenhum país do mundo, hoje, corre o risco de cair no comunismo de Estado, numa república sindicalista ou coisa parecida, especialmente o nosso querido Brasil. Mas, poderíamos dizer que há risco, sim, de cair no chamado “comunismo difuso”, que não é um regime político propriamente dito, mas um estado de coisas que pode predominar em toda a sociedade. Ou então num regime que se mascare como “democrático”, mas totalmente socialista e comunista pela aplicação de leis de controle estatal e de supressão das primordiais liberdades e dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Em muitas de nossas leis já predominam princípios marxistas. A lei do divórcio, a da reforma agrária, a do aborto, a do casamento homossexual, uma infinidade de leis econômicas que procuram a prática do igualitarismo nivelador, tudo isso vem da influência do marxismo. Nosso sistema jurídico está inchado de princípios marxistas. A dialética de Hegel (base do marxismo) predomina em todos os campos da sociedade, tanto o político, quanto o econômico, quanto o jurídico, especialmente nas leis trabalhistas, todas elas niveladoras sob o pretexto de promover uma “distribuição de rendas”, mas, no fundo, promovem mesmo a luta de classes.

Enfim, só falta ser criado o Estado socialista para controlar toda a sociedade. E este pode ressurgir das cinzas do banditismo, que hoje promove motins em cadeias e se matam por domínio e poder, mas que amanhã podem causar tal vazio político na sociedade que a única saída seria preenchê-lo com oportunistas da esquerda. De repente, alguém pode gritar que a solução para combater tal estado de violência, que foi fruto da própria esquerda, seria colocar a esquerda no poder através de um Estado controlador. Para acabar com o caos, a solução seria um Estado caótico, mas com mão de ferro e controlador.

Será que o Brasil chegará a esse ponto?

Confiemos em Deus que não. Confiemos na Virgem Santíssima, Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira e protetora, de que tal não ocorra. Se depender d’Ela e dos bons católicos isso nunca virá a ocorrer. Mas se depender do geral da população, que continua levando a vidinha de gozo e pecado como se não estivéssemos numa situação de crise e de emergência, tal comunismo poderá vir, mas virá como castigo e não como solução para nossos problemas. 

Bibliografia:
• “O Clero e a Independência” – Dom Duarte Leopoldo e Silva – Centro Dom Vital, Rio, 1823.

• “História do Brasil” – Luiz Koshiba e Denize Manzi Fryze Pereira – Atual Editora.

• “A Vida de José de Alencar” – Luís Viana Filho – Livraria José Olympio Editora, 1978.

• “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” – Nertan Macedo – Editora Leitura S. A.

 

 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

NAZISMO E COMUNISMO, VERSO E REVERSO DA MESMA MEDALHA


 

Dr. Plínio Corrêa de Oliveira escreveu o seguinte no jornal “Legionário”, na época em que o nazismo estava em pleno vigor na Alemanha:  “O verdadeiro contrário do comunismo não é o extremo oposto, isto é, o nazismo, em última análise também ele dirigista, socialista e totalitário. O verdadeiro contrário do comunismo é o princípio de subsidiariedade”.

Vez por outra o tema da oposição entre nazismo e comunismo vem à tona. Destacamos a de um ex-comunista que se ocupou de reanimá-lo. O Autor é um tanto suspeito, não tanto pelo que é hoje mas pelo que foi ontem. Assim, mesmo objeto de suspeição publicamos suas declarações, extraídas de seu livro e estampadas no site “Forum Libertas”, da Espanha, Publicado em 17 de fevereiro de 2005.

Martin Amis, escritor ex-comunista, analisa por contraste os dois grandes horrores do século XX. Por que um se canoniza como o mal em estado puro e o outro parece ver-se somente como um erro histórico?

Em seu livro “Koba el Terrible”, o novelista e ensaísta britânico se centrava num ponto fraco do pensamento do século XX e ainda do XXI: a tolerância dos intelectuais ocidentais ante o comunismo.

Martin foi militante comunista, como seu pai - o também novelista Kingsley Amis-, até que as revelações de Solzhenitsyn em Archipiélago Gulag foram inegáveis. Aquilo não podia mais sustentar-se.

Em “Koba el Terrible”, ele se anima a fazer a comparação em grandes pinceladas.

Cifras - Mesmo que acrescentemos as baixas totais da Segunda Guerra Mundial (40-50 milhões) as do Holocausto (ao redor de 6 milhões), parece que o bolchevismo poderia superá-las. A guerra civil, o Terror Vermelho, a FOME; uma Coletivização que, segundo Conquest, causou talvez a morte de 11 milhões. Solzhenitsyn calcula (“Numa estimativa modesta”) que foram entre 40 e 50 milhões os que cumpriram grandes penas no GULAG de 1917 a 1953 (e muitos outros depois do breve degelo de Jrushov), e durante o Grande Terror, a deportação de populações dos anos 40 e 50, Afeganistão… Os “Vinte Milhões” começam a parecer quarenta.

Exatidão - Há alguma diferença moral palpável entre os trens e chaminés da Polônia e o silêncio antinatural e surpreendente que caiu pouco a pouco sobre as aldeias da Ucrânia em 1933? Sob Stalin “não se fez finca-pé na aniquilação completa de nenhum grupo étnico”. A diferença se firma no emprego do adjetivo “completa”, porque Lênin empreendeu campanhas genocidas (a descazaquização) e o mesmo fez Stalin. A diferença poderia estar em que o terror nazista se esforçava por ser exato, enquanto que o terror stalinista era deliberadamente aleatório. Todo mundo era vítima do terror, desde o primeiro até o último; todos menos Stalin.

Ideologia - O marxismo era um produto da classe média intelectual; o nazismo era sensacionalista, de imprensa suja, dos baixos fundos. O marxismo exigia da natureza humana esforços sem nenhum sentido prático; o nazismo era um convite direto à abjeção. E sem embargo as duas ideologias funcionaram exatamente igual em sentido moral.

Médicos da morte - Há alguma diferença moral entre o médico nazista (bata branca, botas negras, bolas de Zyklon B) e o interrogador salpicado de sangue do campo Orotukán? Os médicos nazistas não só participavam em experimentos e “seleções”, inspecionavam todas as etapas do processo executor. Na realidade, o sonho nazista era no fundo um sonho biomédico. Foi uma subversão que não praticou o bolchevismo.

Efeito social - O nazismo não destruiu a sociedade civil. O bolchevismo, sim. É uma das razões do “milagre” da recuperação alemã e dos fracassos e a vulnerabilidade da Rússia atual. Stalin não destruiu a sociedade civil. Lenin, sim.

O humor - A resistência do humor a desaparecer se há destacado no caso soviético. Parece que os Vinte Milhões não terão nunca a dignidade fúnebre do Holocausto. Isto não é, ou não somente é, uma amostra da “assimetria da tolerância” (a expressão é de Ferdinand Mount). Não seria assim se na natureza do bolchevismo não houvesse algo que o permitisse.

Ciclo de vida - Stalin, diferentemente de Hitler, fez todo o mal que pôde, entregando-se de corpo e alma a uma empresa de morte. No ano que morreu estava preparando pelo vista outra gigantesca campanha de terror, vítima, aos 73 anos, de um anti-semitismo remoçado e senil. Hitler, pelo contrário, não fez todo o mal que pôde. O pior de Hitler se eleva como uma larga sombra que afeta de forma implícita a nosso conceito dos crimes que cometeu. De haver sobrevivido, o nazismo “maduro” haveria sido, entre outras coisa, uma confusão genética em escala hemisférica (já havia planos, em princípios dos anos quarenta, de depurar ainda mais a linhagem ariana). O laboratório de Josef Mengele em Auschwitz havia sido ampliado até alcançar as dimensões de um continente. A psicose hitlerista não era “reativa”, não respondia aos acontecimentos, senão a ritmos próprios. Possuía ademais uma tendência fundamentalmente suicida. O nazismo foi incapaz de amadurecer. Doze anos era, quiçá, a duração natural de uma agressividade tão sobrenatural.

Aplicabilidade - O bolchevismo era exportável e em todas as partes produzia resultados quase idênticos. O nazismo não podia se reproduzir. Comparados com a Alemanha, os demais estados fascistas foram simples aficcionados.

Êxito em vida - Hitler, ao final de sua trajetória afrontou a derrota e o suicídio. “Quando Stalin completou 70 anos em 1949 – disse Martin Malia – era realmente o “pai dos povos” para um terço da humanidade; e parecia que era possível, inclusive iminente, que o comunismo triunfasse a nível mundial.

Vergonha da espécie - A combinação alemã de desenvolvimento avançado, alta cultura e barbárie infinita é, desde logo, muito singular. Sem embargo não podemos isolar o nazismo alegando que era exclusivamente alemão. Tampouco podemos por em quarentena o bolchevismo alegando que era exclusivamente russo. A verdade é que os dois relatos abundam em notícias terríveis sobre o que é humano. Produzem vergonha e ao mesmo tempo indignação. E a vergonha é maior no caso da Alemanha. Pelo menos é o que eu acredito. Prestemos atenção ao corpo. Quando leio livros sobre o Holocausto experimento algo que não me sucede quando leio livros sobre os Vinte Milhões, é como uma infestção física. É vergonha da espécie. E isto é o que o Holocausto nos pede.

Armas especiais - Mas Stalin, ao dar grossas pinceladas de seu ódio, dispunha de armas que Hitler não tinha.

Tinha o frio: o frio abrasador do Ártico. “Em Oimiakón [Kolymá] chegaram a registrar-se temperaturas de -72°C. Chegando a temperaturas muito mais altas se rachava o aço, rebentava os pneus e saíam chispas quando o archote golpeava o tronco das árvores. Quando baixa a temperatura o hálito se congela em cristais que tilintam no chão com um rumor que chamam “sussurro das estrelas”.

Tinha a obscuridade: o sequestro bolchevique, a crudelíssima e implacáel auto-exclusão do planeta, com seu medo às comparações, seu medo ao ridículo e seu medo á verdade.

Tinha o espaço: o imenso império de onze zonas horárias, as distâncias que extremavam o confinamento e o isolamento, a estepe, o deserto, a taiga, a tundra. E o mais importente: Stalia tinha tempo.

E ademais... - Stalin foi um dirigente muito popular dentro da URSS durante o quarto de século que durou seu governo. Resulta um pouco humilhante pôr por escrito uma coisa assim, mas não há forma de evitá-lo. Também Hitler foi um líder popular, mas diferente de Stalin, conseguiu algumas vitórias econômicas e perseguiu a minoria relativamente pequenas (os judeus eram 1% da população) . As vítimas de Stalin foram grupos maioritários como o campesinato (85% da população). E ainda que a vigilância de Hitler sobre a população fosse intimidatória e persistente não se excedeu, como Stalin, para criar um clima de náusea e medo.

Amis fez um livro para despertar a memória: “Para a consciência geral, os mortos russos seguem dormindo. Milhões. Se fez uma guerra contra eles e contra a natureza humana foi contra sua própria gente”.

(tradução livre do texto publicado pelo site Fórum Libertashttp://www.forumlibertas.com/frontend/forumlibertas/base.php)

 


segunda-feira, 7 de março de 2022

COMO SERÁ OS DIREITOS HUMANOS NA UCRÂNIA ESCRAVIZADA PELA RÚSSIA?

 



Os direitos humanos na ex URSS

Com o regime comunista nada disto (direitos humanos) existe, conforme podemos constatar nas observações feitas pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, em obra publicada em novembro de 1987. Se não se respeitava tais direitos na Ucrânia e outros países escravos, no tempo da URSS, que se dirá agora após esta invasão:

“Tanto esta quanto aquela constituem condições indispensáveis da sanidade de qualquer sistema social ou econômico. E, a quem contestasse a presente afirmação, bastaria lembrar, simplesmente, a trágica experiência comunista das nações detrás da cortina de ferro.

“Ora, diversificam-se estas, como que ao infinito, na imensa área de 22.400.00 km2 da chamada “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (URSS), a qual abrange condições geográficas e climatéricas que vão de um frio implacável até um calor difícil de suportar. Ademais, nessas vastidões se radicam povos com raças, religiões, hábitos e idiomas dos mais diversos. E, como se sabe, tal diversidade de circunstâncias é fator propício a todas as experiências. Pois o que não der resultado favorável aqui ou lá, bem pode dá-lo acolá.

“Acresce que as autoridades comunistas dispuseram constantemente, para a execução dessa experiência ideal, de todos os meios de mando... excetuada a força moral. Tiveram eles ao seu alcance todos os recursos de uma burocracia onipotente, da força persuasiva da totalidade dos estabelecimentos de ensino primários, secundários e universitários, de todas as formas de propaganda escrita e falada, e, “horresco referens”, de todos os meios de intimidação policialesca. Nesta matéria, nada lhes faltou. As câmaras de tortura das repartições policiais, a residência com trabalhos forçados nas geleiras infindas da Sibéria, a detenção em prisões com sevícias, maus tratos, subnutrição e tudo mais que possa danificar física e mentalmente o homem, tudo tem sido utilizado pela tirania soviética contra um número incontável de desgraçados. Ao que cumpre acrescentar, como ápice da crueldade, o internamento compulsório em “hospitais psiquiátricos”, nos quais se leva a crueldade a ponto de destroçar a saúde mental dos seus “enfermos”, sem lhes danificar diretamente a saúde física: modo atroz de prolongar pobres existências humanas, em circunstâncias nas quais a vida não é senão um intérmino sofrer.

“Reunidas durante sete décadas, isto é, quase um século, todas essas condições de mando, de persuasão, de compressão e de terror, tudo puderam os autocratas vermelhos. Tudo, sim, exceto obter a adesão da maioria da população, bem como produzir prosperidade em qualquer região ou grupo étnico postos sob sua férula.

“Implantado na Rússia o regime comunista, a desolação, o desestímulo, a miséria se estenderam como um manto sobre essa nação-cárcere – a maior de toda a História – cujos habitantes são condenados a uma reclusão inflexível por detrás da cortina de ferro, tornada peculiarmente efetiva pelas rajadas de metralhadora contra os que tentassem fugir. E pela aplicação de penalidades sinistras aos familiares dos trânsfugas, que estes tivessem sido forçados a deixar atrás de si, quando da despedida pungente e apressada, rumo à aventura e à liberdade.

“E, por isto, em documento da Congregação para a Doutrina da Fé, assinado pelo Cardeal Ratzinger, Prefeito daquele Dicastério romano, e aprovado explicitamente por João Paulo II, lê-se: “Milhões de nossos contemporâneos aspiram legitimamente a reencontrar as liberdades fundamentais de que estão privados por regimes totalitários e ateus, que tomaram o poder por caminhos revolucionários e violentos, exatamente em nome da libertação do povo. Não se pode desconhecer esta vergonha de nosso tempo: pretendendo proporcionar-lhes liberdade, mantêm-se nações inteiras em condições de escravidão indignas do homem. Aqueles que, talvez por inconsciência, se tornam cúmplices de semelhantes escravidões, traem os pobres que eles quereriam servir”  (Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”, 6-8-84, XI, 10 – Coleção Documentos Pontifícios, Vozes, Petrópolis, 1984, 2ª ed., vol. 203, p. 39)[1] 

 


 



[1] “Projeto de Constituição Angustia o País” – Plínio Corrêa de Oliveira - Ed. Vera Cruz Ltda – p. 9