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quinta-feira, 12 de junho de 2025

O PAPA SÃO LEÃO III E A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO COMO IMPERADOR DO SACRO IMPÉRIO

 


                              (Sagração de Carlos Magno por São Leão III - de Jean Fouquet)


Hoje, 12 de junho, comemora-se a festa de São Leão III, o Papa que coroou Carlos Magno e restaurou o Império Romano debaixo da sacralidade católica. Transcrevemos a seguir o texto publicado por um site católico que bem expressa o fato, e a seguir comentários feitos por Dr. Plínio Corrêa de Oliveira:

 “Papa Leão III e a Coroação de Carlos Magno: Início do Sacro Império

coroação de Carlos Magno como Imperador do Ocidente pelo Papa Leão III, no dia 25 de dezembro de 800, é um dos eventos mais significativos da história medieval. Este acontecimento não apenas marcou a fundação do Sacro Império Romano-Germânico, mas também selou uma aliança entre o poder papal e o poder secular que influenciaria a política e a religião na Europa por séculos. A relação entre Igreja e Estado que surgiu desse evento moldou o futuro da Cristandade na Idade Média e teve impactos profundos na história da Europa.

Carlos Magno, rei dos Francos, havia expandido seu império consideravelmente, unificando grande parte da Europa Ocidental sob seu domínio. Seu governo, centrado na França, representava um fortalecimento do cristianismo na região, e sua aliança com a Igreja foi estratégica para consolidar seu poder. O Papa Leão III, que enfrentava desafios em Roma devido à oposição local e ameaças de sua própria perda de poder, viu em Carlos Magno um aliado crucial. A coroação de Carlos Magno, portanto, não foi apenas uma questão de honra, mas uma estratégia política para reforçar a autoridade papal.

O contexto dessa coroação estava ligado a uma série de eventos que aconteciam em Roma. O Papa Leão III havia sido atacado e quase morto por seus inimigos, que estavam tentando tomar o controle da cidade. Quando ele fugiu para a corte de Carlos Magno, encontrou proteção e apoio, e foi aí que surgiu a ideia de coroá-lo como imperador. Ao fazê-lo, o Papa não só reconheceu a autoridade secular de Carlos Magno, mas também reforçou a autoridade da Igreja sobre os assuntos do império cristão. A coroação foi, assim, uma forma de afirmar que o Papa detinha o direito de conferir o título imperial, uma prerrogativa que se tornaria uma característica central da relação entre Igreja e Estado durante a Idade Média.

Ao ser coroado, Carlos Magno se tornou o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico, um império que teria um grande impacto na história da Europa. O termo “sacro” refletia a ideia de que o império tinha uma legitimidade divina, baseada no apoio da Igreja. Este evento também significava a tentativa de restaurar o que muitos viam como o Império Romano, que havia caído séculos antes, mas agora em uma forma cristianizada. A coroação de Carlos Magno representava, portanto, o início de uma nova era, onde a Igreja e o império estavam profundamente entrelaçados.

A relação entre o Papa Leão III e Carlos Magno tornou-se a base de uma nova aliança entre o poder secular e o poder religioso. O Papa não apenas coroou Carlos, mas também legitimou seu império como o legítimo sucessor do Império Romano, conferindo-lhe uma autoridade divina. Ao fazer isso, o Papa Leão III demonstrou que a Igreja tinha o poder de conferir legitimidade aos governantes e de influenciar a política do império cristão, uma ideia que perduraria por toda a Idade Média.

Essa relação entre a Igreja e o império seria fundamental para a política europeia nos séculos seguintes. A corona imperial conferia a Carlos Magno uma responsabilidade espiritual além de sua autoridade secular, o que significava que ele deveria proteger a Igreja e defender o cristianismo em suas terras. Isso foi especialmente importante porque, com o império sendo vasto e diversificado, a Igreja se tornaria a instituição unificadora entre diferentes povos e culturas, ajudando a manter a coesão do império.

Além disso, a coroação de Carlos Magno também teve implicações religiosas e culturais. A Igreja desempenhou um papel central na vida cotidiana do império, e os escritos religiosos e a educação cristã se tornaram fundamentais para a administração imperial. A aliança com o Papa também ajudou a estabelecer uma hierarquia religiosa que visava consolidar a fé cristã em toda a Europa Ocidental. Durante seu reinado, Carlos Magno incentivou a reforma religiosa, fundando escolas monásticas e promovendo a preservação dos textos clássicos e escritos cristãos.

coroação de Carlos Magno por Papa Leão III, portanto, foi um marco tanto no desenvolvimento da Igreja quanto no do império secular. Esse evento simbólico fundou o que seria conhecido como o Sacro Império Romano-Germânico, uma entidade que duraria até 1806. A influência dessa aliança entre o papado e o império ressoaria ao longo dos séculos, com a Igreja desempenhando um papel central na política europeia, nas guerras, nas alianças e até nas lutas pelo poder entre o Papa e os monarcas da Europa.

Em conclusão, a coroação de Carlos Magno por Papa Leão III não foi apenas um ato de honra, mas uma manobra política estratégica que deu origem ao Sacro Império Romano-Germânico. Essa aliança entre a Igreja e o Império tornou-se um pilar da idade medieval, moldando a política europeia e a relação entre poder secular e religioso. A legitimidade divina conferida ao império por parte da Igreja teve efeitos duradouros, influenciando o curso da história da Europa e do cristianismo até os tempos modernos”.

Fonte: https://inspiracaodivina.com.br/estudos-biblicos/2025/05/papa-leao-iii-e-a-coroacao-de-carlos-magno-inicio-do-sacro-imperio/

 Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, em uma de suas conferências a seus filhos espirituais, assim se referiu a tal evento, destacando o fato de que Carlos Magno foi o sustentáculo da Igreja, promovendo sua glória como filho:

“Todo mundo sabe o lindíssimo fato de que no ano de 800 ele se achava na primeira basílica papal, ou seja, na então igreja de São João de Latrão (hoje Basílica), em Roma, genuflexo, rezando antes de o Papa entrar para celebrar a Missa de Natal. Quando o Sumo Pontífice ingressou, veio trazendo uma coroa de ouro e, na pessoa de Carlos Magno reconstituía o Império Romano esboroado, proclamando-o Imperador. O povo aclamou: "Viva Carlos Magno, nosso Imperador!" Estava restaurado assim o Império Romano, que haveria de durar cerca de mil anos.

Esse gesto é lindíssimo! É a Igreja reconhecendo e coroando na terra aquele que Deus por certo terá coroado no Céu.

Há também outro aspecto bonito a ser considerado: o poder de um Papa! O Império Romano é uma instituição que não nasceu dos Papas. O senado romano foi quem criou a grandeza romana e os imperadores romanos nasceram da decadência da república romana, uma instituição pagã, portanto, mas que se cristianizou com Constantino. O Papa se julgava e estava no poder de recompor o Império Romano. Recompôs e fundou o Sacro Império Romano, ou seja, o Império Romano Sagrado, feito para a defesa da Fé.

Nessa noite de Natal, Pedro acabava de forjar para si um gládio de ouro, que era o Sacro Império Romano Alemão, com a missão de defender a Fé por toda a Cristandade...

Maravilhas, belezas! Elas nos lembram dias tão diferentes dos que hoje vivemos. Mas há certos ideais que nunca morrem, porque são diretamente deduzidos da Fé, e são imortais como a Fé! E quando se ouve narrar fatos desses, a gente compreende que a Historia do mundo não pode terminar simplesmente numa derrota de Deus. Tem que haver uma monumental desforra. E a Revolução gnóstica e igualitária tem que ser derrotada de maneira a se constituir o Reino de Maria, para o qual o mundo foi criado. O mundo foi criado por Deus para que, em determinado momento, o reino d’Ele sobre o mundo fosse pleno. É preciso que isto se realize.

Temos então da recordação desses fatos uma esperança no futuro, e aquilo constitui - usando a expressão norte-americana que achei tão boa - um “anacronismo criativo”. Nada de mais anacrônico do que o Império de Carlos Magno, mas é um anacronismo criador. A lembrança desse Império cria a esperança de um futuro, cria a certeza de um futuro. Nós caminhamos para a restauração daquela ordem de que Carlos Magno foi um símbolo.”

(Plínio Corrêa de Oliveira – Santo do Dia – 30 de outubro de 1972)

 

 


segunda-feira, 5 de julho de 2021

O MARAVILHAMENTO E A ALEGRIA DO RELACIONAMENTO ENTRE ALMAS COM QUALIDADES DIVERSAS

 


 

Doutor Plínio Corrêa de Oliveira em várias oportunidades falou sobre uma qualidade humana muito importante para nossa santificação: o maravilhamento. A admiração é o primeiro passo, pois geralmente nos admiramos por 3 coisas primordiais na ascensão para Deus: pelo Belo (ou pulcro), pelo  Bem e pela Verdade. Após tal admiração, vem o maravilhamento. É por isso que o gozo do Céu é chamado de visão beatifica, sendo esta o supra-sumo dos maravilhamentos,  pois é a contemplação de Deus e sua Obra, com seus Santos e seus Anjos.  

Eis um exemplo imaginado por Dr. Plínio sobre como o homem cristão pode ter maravilhamento por outro:

“Pois bem, há um instinto na alma humana profundo, chamado instinto de sociabilidade, que faz com que os semelhantes se procurem. Este instinto também leva o homem a alegrar-se e a relacionar-se quando nota em alguém qualidades aparentemente opostas às dele, mas que o completam harmoniosamente.

Imaginem Carlos Magno preparando os planos para uma invasão em terra de infiéis.

Sozinho na sua sala, caminhando de um lado para o outro com passos firmes e cadenciados, sobre um chão de mármore ou de granito polido, está o monarca de barba florida. O recinto, ainda com influência românica, possui arcadas que dão para um pátio interno onde há um pequeno chafariz sobre o qual pousa um pássaro que começa a saltitar. O Imperador interrompe seu caminhar, olha o passarinho e sorri amavelmente.

O passarinho é tão diferente dele! Entretanto Carlos Magno não olhou apenas para a ave, mas sentiu suas próprias vastidões interiores e compreendeu melhor a si mesmo.

O Imperador senta-se, manda vir um pouquinho de vinho e diz:

- Chame Alcuíno, meu ministro e conselheiro. Quero expor-lhe os planos de uma universidade e de uma batalha, porque as duas coisas eu resolvi agora.

O homem se completou.

Entra Alcuíno, monge famoso que organizou a renovação da cultura católica ocidental como ela se desenvolveu na Idade Média; foi o Carlos Magno da cultura. Podemos imaginá-lo como um homem venerável, de rosto comprido, fino, olhar que fita do fundo de arcadas oculares onde olhos pequenos e pretos dardejam, ou olhos azuis e inocentes sonham.

Alcuíno se inclina ante Carlos Magno, que faz um gesto e diz:

- Sentai-vos!

O sábio Monge pede licença para ficar ajoelhado, ao que o Monarca responde:

- Sois clérigo. Não é bom que um clérigo se ajoelhe diante um leigo. Sentai-vos!

Alcuína afirma:

- Por vossa ordem e em obediência a Deus, que deseja que o clero seja reverenciado, senhor, eu me sento.

Começa a conversa durante a qual Carlos Magno apresenta as metas gerais para uma universidade. Alcuíno ouve embevecido e pensa: “Que largueza de pensamento, que homem! Vejo todo um continente formando-se atrás da fronte desse Imperador. Que felicidade ter conhecido Carlos Magno!”

Dali a pouco o Monarca vai falando menos e o Monge toma a palavra. Enquanto a voz de Carlos Magno lembra espadas e escudos que se entrechocam, a de Alcuíno remonta a sinos que tocam. Diz o douto conselheiro:

- Senhor, para realizar as vossas imperiais e cristianíssimas intenções, que julgo ter bem apreendido, tenho o intuito de vos propor tais matérias, e tal outra tem tal riqueza...

De repente é Carlos Magno quem está entrando pelo mundo da cultura e do saber, e pergunta algo a respeito de Aristóteles, Santo Agostinho, São Jerônimo. Depois quer saber alguma coisa sobre o Concílio de Nicéia, tal pormenor concernente à virgindade da Mãe de Deus, e tal outro detalhe a propósito da união hipostática. Nesse momento Carlos Magno está longe... Não pensa mais no passarinho, nem na batalha contra os germanos ou os árabes. Ele tem apenas diante de si o mundo da cultura e a alma de Alcuíno que desdobra imensa diante dele, sabendo tudo, explicando tudo. Carlos Magno virou passarinho e saltita na cultura de Alcuíno, encantado!

É natural que isso tenha acontecido desse modo, porque assim é a alma humana. Carlos está diante de quem tem mais cultura do que ele. O passarinho o encantava por ser pequenino, e despertava na alma dele todas as afinidades harmonicamente opostas que o grande tem com o pequeno. Agora é o grande que tem alegria de sentir-se pequeno ao considerar alguém maior do que ele, não absolutamente falando, mas num ponto.

O grande Monarca tem a alegria de admirar e de crescer à medida que admira, saindo dessa conversa mais elevado de espírito e pensamento: “Agora sei tal coisa e tal outra. Hoje não conquistei nenhuma província, mas fiquei conhecendo Santo Agostinho. Quando morrer não conduzirei comigo uma província, mas levarei para o Céu o que eu soube e admirei da “Águia de Hipona”. Que grande dia este em que conversei com o Monge Alcuíno!”

 

(revista Dr. Plínio, junho de 2020, páginas 18/19)

 


domingo, 2 de maio de 2021

ADMIRAÇÃO, O ENLEVO QUE NOS LEVA A DEUS

 



Comentando sobre os bons frutos que nos podem causar a admiração, Dr. Plínio Corrêa de Oliveira imagina como isso poderia ocorrer com um grande personagem da História como Carlos Magno:

 “Alegria do relacionamento entre almas com qualidades diversas

Pois bem, há um instinto na alma humana profundo, chamado instinto de sociabilidade, que faz com que os semelhantes se procurem. Este instinto também leva o homem a alegrar-se e a relacionar-se quando nota em alguém qualidades aparentemente opostas às dele, mas que o completam harmoniosamente.

Imaginem Carlos Magno preparando os planos para uma invasão em terra de infiéis.

Sozinho na sua sala, caminhando de um lado para o outro com passos firmes e cadenciados, sobre um chão de mármore ou de granito polido, está o monarca de barba florida. O recinto, ainda com influência românica, possui arcadas que dão para um pátio interno onde há um pequeno chafariz sobre o qual pousa um pássaro que começa a saltitar. O Imperador interrompe seu caminhar, olha o passarinho e sorri amavelmente.

O passarinho é tão diferente dele! Entretanto Carlos Magno não olhou apenas para a ave, mas sentiu suas próprias vastidões interiores e compreendeu melhor a si mesmo.

O Imperador senta-se, manda vir um pouquinho de vinho e diz:

- Chame Alcuíno, meu ministro e conselheiro. Quero expor-lhe os planos de uma universidade e de uma batalha, porque as duas coisas eu resolvi agora.

O homem se completou.

Entra Alcuíno, monge famoso que organizou a renovação da cultura católica ocidental como ela se desenvolveu na Idade Média; foi o Carlos Magno da cultura. Podemos imaginá-lo como um homem venerável, de rosto comprido, fino, olhar que fita do fundo de arcadas oculares onde olhos pequenos e pretos dardejam, ou olhos azuis e inocentes sonham.

Alcuíno se inclina ante Carlos Magno, que faz um gesto e diz:

- Sentai-vos!

O sábio Monge pede licença para ficar ajoelhado, ao que o Monarca responde:

- Sois clérigo. Não é bom que um clérigo se ajoelhe diante um leigo. Sentai-vos!

Alcuína afirma:

- Por vossa ordem e em obediência a Deus, que deseja que o clero seja reverenciado, senhor, eu me sento.

Começa a conversa durante a qual Carlos Magno apresenta as metas gerais para uma universidade. Alcuiíno ouve embevecido e pensa: “Que largueza de pensamento, que homem! Vejo todo um continente formando-se atrás da fronte desse Imperador. Que felicidade ter conhecido Carlos Magno!”

Dali a pouco o Monarca vai falando menos e o Monge toma a palavra. Enquanto a voz de Carlos Magno lembra espadas e escudos que se entrechocam, a de Alcuíno remonta a sinos que tocam. Diz o douto conselheiro:

- Senhor, para realizar as vossas imperiais e cristianíssimas intenções, que julgo ter bem apreendido, tenho o intuito de vos propor tais matérias, e tal outra tem tal riqueza...

De repente é Carlos Magno quem está entrando pelo mundo da cultura e do saber, e pergunta algo a respeito de Aristóteles, Santo Agostinho, São Jerônimo. Depois quer saber alguma coisa sobre o Concílio de Nicéia, tal pormenor concernente à virgindade da Mãe de Deus, e tal outro detalhe a propósito da união hipostática. Nesse momento Carlos Magno está longe... Não pensa mais no passarinho, nem na batalha contra os germanos ou os árabes. Ele tem apenas diante de si o mundo da cultura e a alma de Alcuíno que desdobra imensa diante dele, sabendo tudo, explicando tudo. Carlos Magno virou passarinho e saltita na cultura de Alcuíno, encantado!

É natural que isso tenha acontecido desse modo, porque assim é a alma humana. Carlos está diante de quem tem mais cultura do que ele. O passarinho o encantava por ser pequenino, e despertava na alma dele todas as afinidades harmonicamente opostas que o grande tem com o pequeno. Agora é o grande que tem alegria de sentir-se pequeno ao considerar alguém maior do que ele, não absolutamente falando, mas num ponto.

O grande Monarca tem a alegria de admirar e de crescer à medida que admira, saindo dessa conversa mais elevado de espírito e pensamento: “Agora sei tal coisa e tal outra. Hoje não conquistei nenhuma província, mas fiquei conhecendo Santo Agostinho. Quando morrer não conduzirei comigo uma província, mas levarei para o Céu o que eu soube e admirei da “Águia de Hipona”. Que grande dia este em que conversei com o Monge Alcuíno!”

 

Ao admirar os que lhe são iguais o homem tende à sua plenitude

Imaginemos agora outra cena que historicamente não se deu, mas poderia ter-se dado: o encontro dos dois imperadores, do Oriente e do Ocidente, em Constantinopla.

Vendo a cidade maravilhosa na praia do Bósforo, parado num cais o Imperador do Oriente espera a chegada de Carlos Magno.

Chega a hora em que desce do navio uma passarela com um tapete sobre o qual Carlos Magno caminha. Ambos de coroa na cabeça se cumprimentam, com ar de um rei que saúda outro rei. Nesse aperto de mãos os dois monarcas cristãos, Oriente e Ocidente, eles sentem a presença de Jesus Cristo e estreitam a amizade. Carlos Magno vê seu igual como seu irmão. Sua alma cresceu numa outra dimensão. De igual a igual, cada um deles é mais ele mesmo.

Houve interesse nisso? Não, mas houve vantagem. Essa alma tinha necessidade disso para crescer inteiramente. Todo ser vivo tende à sua plenitude, e Carlos Magno ganhou plenitude no que ele tinha de mais essencial nesses três episódios de sua vida. Ele ficou mais pleno, mais ele mesmo.

Voltando de Constantinopla, algum escudeiro do grande Carlos poderia dizer a alguém que não viu a cena: “Vós não sabeis o que é glória! Vós conheceis um imperador só – Carlos, o Grande – tratando com os que são inferiores a ele. Mas não vistes a glória de nosso Imperador quando ele tratou com um igual. Tinha-se a impressão de um arco-íris que ia de um ponto a outro! Aquilo é glória, quando se viu a soma dessas duas majestades altivas e cordiais entre si. Como é grande isso!”

Sem dúvida, houve vantagem para quem presenciou isso porque cresceu. Mas é preciso ter um espírito tal que se queira isso ainda que não houvesse vantagem; pela homenagem desinteressada e encantada em relação àquilo que é maior, igual ou menor em relação a nós”. (revista Dr. Plínio, junho de 2020, páginas 18/19)