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domingo, 24 de fevereiro de 2013

QUO VADIS, SANTIDADE?

Situações previsíveis após a renúncia do Papa




 Todas as situações analisadas abaixo levam em consideração apenas o elemento humano, as condições naturais em que se encontram a Igreja e o Papado. Pois, se considerarmos os aspectos sobrenaturais, sendo a Igreja mais sobrenatural e divina do que natural e terrena, todas essas hipóteses não teriam sentido.  Pois para os destinos da Igreja, a única hipótese que prevalece é aquela que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu para Ela: a de que as portas do inferno não prevalecerão.  O resto, são apenas conjecturas humanas. Inúteis? Não, necessárias; pois precisamos nos precaver do futuro incerto e saber nos dirigir à Providência Divina, inclusive sobre os destinos de Sua própria Igreja, composta por todos nós, católicos, o Seu Corpo Místico aqui na terra.

Chamo a atenção para uma curiosidade: a data em que o Papa escolheu para anunciar a sua renúncia, 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes, foi a mesma em que se anunciou o Tratado de Latrão, em 1929. Não há coincidência de alguma semelhança nos fatos, mas apenas das datas. Tão logo Bento XVI fez seu anúncio, ocorreram alguns fenômenos naturais, como o caso (embora não comprovado) do raio que caiu na cúpula de Basílica de São Pedro, e, alguns dias depois, a queda do meteorito na Rússia. Fenômenos naturais podem nada significar, mas para quem tem Fé podem ser sinais de que a Providência está para agir com os meios de que dispõe para correção dos rumos da humanidade. Enfim, os acontecimentos previstos por Nossa Senhora em Fátima podem estar por serem desencadeados, e tal pode ocorrer exatamente em decorrência da situação da Igreja, que iniciou seu calvário exatamente em 1859 quando, concomitante com o que Nossa Senhora disse em Lourdes, "Eu sou a Imaculada Conceição", o Papa estava proclamando este dogma. 

Se deitarmos um olhar, mesmo rápido, sobre a efervescência criada, especialmente nos meios midiáticos, logo após o anúncio da renúncia do Papa, podemos prever que tipo de tormenta se desencadeará sobre a Igreja quando o fato for consumado. Vários desmentidos estão sendo feitos diariamente sobre notícias e reportagens fantasiosas que criam sinistras motivações para a decisão de Bento XVI. Mesmo ocupando-se em desmenti-las todas, fica difícil afastar da opinião pública a ideia de motivações mesquinhas ou de caráter até criminosos como querem transparecer.

Examinaremos abaixo, algumas situações que podem ser criadas após o próximo Conclave:

1ª. Hipótese – Um continuador da obra de Bento XVI.  Tem sido comum na história dos Papas que haja um ou dois pretensos continuadores da obra de um Pontífice, mas não passa desta exígua quantidade. Assim, é improvável que seja eleito um continuador de Bento XVI, haja vista que ele mesmo se considera o elo de uma sequência de Papas que vêm seguindo a obra iniciada por João XXIII, e isso nos dá uma série de pelo menos quatro Papas. No entanto, supondo que isso ocorra qual a consequência para a Igreja e o Papado?  De um lado, haveria uma discrepância com o que vêm anunciando: um Papa mais novo e inovador; a não ser assim o eleito, causaria em muitos uma grande insatisfação. No fundo, muitos poderiam entender que a continuidade seria apenas a aplicação da mesma política de conciliação e cheia de vacilações na manutenção da disciplina. De outro lado, haveria a continuidade da mesma característica conservadora em alguns aspectos, pelo menos nos dogmáticos e morais, causando uma reação mais violenta dos progressistas e dos inimigos extra-muros da Igreja. Estando assim presente não a ideia de mudança, mas de manutenção do “status quo” atual, não se presume que elejam um continuador de Bento XVI em sua política atual.

2ª. Hipótese – Um novo São Pio X -  Tratar-se-ia de um Papa cuja meta principal seria colocar em ordem a situação dogmática e disciplinar da Igreja. Não há nenhuma tendência entre os cardeais que os movam nessa direção: a não ser que haja uma intervenção sobrenatural do divino Espírito Santo, como ocorreu muitas vezes, tal hipótese é improvável. Pelo menos nos planos meramente naturais. Um Papa que agisse nos moldes de São Pio X mostraria mais abertamente as chagas da Igreja, especialmente as heresias e o cisma velado atual. Se houver um Papa assim, seria um mártir em potencial e sua morte se daria em pouco espaço de tempo, cumprindo-se então a visão de Fátima contida no terceiro segredo. Teríamos uma Santa Sé vacante muito rapidamente e um novo conclave.  Talvez não desse tempo nem os cardeais eleitores chegar em suas respectivas dioceses e já estariam de malas prontas para voltar ao Vaticano.

3ª. Hipótese – Um progressista – Em virtude do declínio que vem caindo sobre os progressistas, e sua consequente impopularidade entre os católicos, essa hipótese é mais improvável ainda. De início, poderia haver muitos aplausos de católicos tíbios e de pouca fé, além, é claro, dos modernistas, progressistas e de todos os inimigos de fora da Igreja. Com relação aos católicos mais fiéis à igreja (os chamados bons católicos), poderia ser criada uma situação de orfandade e de constrangimento, mas silenciosa, como silenciosos são todos os bons católicos. Embora no anonimato que escolheu, o Papa aposentado seria forçado a fazer comentários sobre algumas medidas progressistas, ele que chegou até a afastar muitos deles e a censurar tantos outros da mesma corrente. E sua voz se somaria a de todos os outros conservadores que lutaram e lutam contra a presença dos progressistas dentro da Igreja. Enfim, um progressista poria às claras a luta interna entre ambas as correntes, o que não é desejado pela maioria dos cardeais eleitores. Dada a pouca popularidade do progressismo e a celeuma que desencadearia, ou esse Papa mudaria tal política ou teria que renunciar em pouco tempo. E a seguir, novo conclave...

4ª. Hipótese – Um liberal e conciliador -  Trata-se de uma hipótese absurda: a de que se eleja um Papa sem nenhuma das características anteriores. Nesse caso, teria que ser um homem conciliador e ao mesmo tempo liberal. Quer dizer, conciliador porque procuraria pacificar todos os contrários que lutam dentro da Igreja, e liberal porque não tomaria nenhuma medida drástica e disciplinar para coibir abusos. Seria uma linha diferente, embora não oposta, a que vem tomando Bento XVI. No entanto, cairia no descaso e na desmoralização, embora se pudesse dizer que estaria ali como homem de transição. Nesse caso, sua renúncia seria também rápida, talvez com Bento XVI ainda vivo.

5ª. Hipótese – Regência do colégio de cardeais – Para muitos pode parecer absurda tal hipótese, mas não impossível. Como poderia ocorrer a hipótese de haver regência do colégio cardinalício no lugar de um Papa?  É claro que não há essa hipótese nas leis da Igreja, a não ser no período do Conclave. No entanto, os progressistas há muitos anos que lutam para prevalecer tal situação, pois negam que a Igreja tenha caráter monárquico, mas democrático. Basta que não seja eleito um novo Pontífice, que não haja consenso sobre o nome a ser escolhido, ou mesmo que alguns dos escolhidos recusem o cargo, para que seja criada uma situação de fato, isto é, a vacância da Santa Sé adquira um caráter mais firme pelo tempo que dure. Essa acefalia da Igreja poderia durar um tempo mais longo, e aí então o Colégio cardinalício (que só teria, de início, competências apenas no Conclave) criaria leis ou disposições para que fosse possível dirigir os destinos da Igreja. Pelo menos aquilo que diz respeito aos problemas burocráticos, políticos e sociais poderia ser gerido por um grupo. Não haveria, é claro, medidas de caráter dogmático e moral, pontos decisivos na infalibilidade pontifícia. Nessa hipótese, no entanto, estando os cardeais divididos como estão, não conseguiriam resolver os problemas que surgirem a contento. Deixariam de ser tomadas decisões urgentes e necessárias porque não chegariam a um acordo entre si. Estaria criado o caos dentro da Igreja. Nesse caso, somente a intervenção divina para salvá-La, como de fato ocorrerá se prevalecer tal hipótese.  Como? Não se sabe, a não ser por deduções de algumas profecias do passado que falam sobre uma catástrofe universal que cairia sobre a humanidade, e a Igreja sairia da procela renovada, mas por ação direta do próprio Deus que a fundou.
          Quanto à Santa Sé ficar vacante por longo período, houve vários casos na História dos Conclaves. No primeiro que assim foi chamado, durou de 29 de novembro de 1268 até 01 de setembro de 1271, 2 anos e nove meses. Um outro que durou bastante foi na eleição de São Clemente V, de 5 de abril de 1292 a 5 de julho de 1294, um longo período de 2 anos e 3 meses.  Na eleição de João XXII, ocorrida em 1314, durou 2 anos e 4 meses.
            Na maioria dos conclaves a eleição dura somente alguns dias. Mas houve casos de durar meses, como no da eleição de Nicolau III (1277), 5 meses; Nicolau IV, seu sucessor, 9 meses; Clemente V (1305), 11 meses; Gregório XI (1370), 3 meses; Pio IV (1559), 3 meses; Alexandre VII (1655), 3 meses; Inocêncio XI (1671), 5 meses; e, finalmente, Clemente XIV, Pio VI e Pio VII, no período de 1769 a 1800, só foram eleitos, cada um dele, após mais de 3 meses de conclaves.  A partir do século XIX os conclaves elegiam os Papas em questão de poucos dias. Será que o mesmo ocorrerá a partir de março próximo? Se ocorrer é porque o consenso dos eleitores girará em torno das quatro primeiras hipóteses acima relacionadas; e se ocorrer indecisão e demora é porque vai prevalecer a última. Aguardemos para ver o que vai ocorrer de fato.

Uma coisa é certa: em qualquer uma das hipóteses acima, ou de alguma outra não prevista nesse texto, a Igreja sempre sairá vitoriosa porque Ela é essencialmente divina, embora com sua parte humana. Só nos resta rezar para que Nosso Divino Salvador intervenha em Seu Corpo Místico militante e possamos, o mais breve possível, ver tudo renovado como prometeu Nossa Senhora em Fátima, ao dizer: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”. Outro não é o triunfo do Imaculado Coração de Maria senão o da Esposa de Cristo, a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.


 

Assistam os vídeos históricos exibidos pela TVE sobre a origem do estado do Vaticano:

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA DOS CONCLAVES



HISTÓRIA DOS CONCLAVES - Próximos à realização de mais um Conclave para a eleição de um novo Papa, publicamos abaixo um relato dos Conclaves havidos na História feito pelo padre Rômulo Cândido de Souza, C. Ss. R.

SIGNIFICADO DA PALAVRA

Conclave significa Debaixo de chave. Na jurisprudência eclesiástica expressa o local onde se reunem os cardeiais, depois da morte do papa, para se ocuparem unicamente da eleição do seu sucessor. Indica também a assembléia dos cardeais reunidos para a eleição. Esta palavra aparece pela primeira vez num documento do papa Gregório X, no II Concílio de Lion, Julho de 1274. O título do documento era ·Ubi periculum.· (Quando houver algum perigo).

DURAÇÃO DAS ELEIÇÕES

Algumas eleições foram bem rápidas. O papa Alexandre IV,1254-1261, foi eleito dentro de cinco dias. Outras eleições começaram a prolongar-se demasiadamente. Para a eleição do papa Urbano IV, 1261-1264, levaram três meses. Na eleição do papa Clemente IV, 1265-1268, precisaram de quatro meses. Depois da morte deste papa, os cardeais levaram três anos para se decidir. Foi a eleição que mais tempo levou.

CIDADE  DE  VITERBO

Para evitar o problema da demora era necessário encontrar medidas. Os cardeais achavam-se reunidos em Viterbo, onde Clemente IV tinha morrido. Esta cidade era considerada a segunda em importância na Cristandade. Por sua posição estratégica e suas torres numerosas, a cidade colocava os papas ao abrigo das invasões e ingerência dos imperadores alemães, sempre em guerra contra a Igreja.

TRÊS ANOS SEM PAPA

Depois da morte do papa Clemente IV, 29 de Novembro de 1268, os cardeais que compunham o Colégio eleitoral não conseguiam entrar em acordo. Esse tempo prolongado demais era prejudicial aos interesses da Cristandade.

SOLUÇÃO  ENCONTRADA

 
São Boaventura, chefe geral dos Franciscanos, encontrava-se em Viterbo nessa ocasião. O santo aconselhou os habitantes da cidade a trancar os cardeais no palácio episcopal para se apressarem na escolha do papa, longe das pressões e influências de fora. Ainda hoje podem ser vistas em Viterbo as marcas dos ferrolhos nas portas do quartos dos cardeais.

UMA INSPIRAÇÃO

Esse idéia foi inspirada num fato acontecido 50 anos antes . Os habitantes de Perúsia tinham recorrido ao mesmo estratagema para forçar os cardeais a escolher o sucessor de Inocêncio III.

SOLUÇÕES RADICAIS

Entretanto esta solução não produziu efeito em Viterbo. Apesar de trancados a chave (·conclave·) em seus quartos, a eleição não caminhava. O prefeito da cidade, Alberto de Montebono, junto com o chefe militar Raniero Galli, encarregados do conclave, tiveram outra idéia: destelharam todo o palácio, deixando os cardeais à mercê do sol, da chuva e da neve. Além disso, obrigaram os cardeais a um jejum rigoroso. Nas refeições eles só recebiam pão e água.

OS CARDEAIS ACORDAM

Os eleitores, então, diante do argumento do estômago, se apressaram a escolher como papa um santo homem, Filipe Benitti, chefe geral dos Padres Servitas. Mas o santo não quis saber de conversa. Fugiu de casa e se escondeu nas montanhas. Os eleitores tiveram de procurar outro nome. Escolheram alguém fora do conclave, o arquidiácono de Liége, Teobaldo Visconti. Não era cardeal, mas exercia as funções de Legado

Apostólico na Síria. Ele aceitou e tomou o nome de Gregório X, 1271-1276.

NOVAS LEIS PARA O CONCLAVE

O papa Gregório X, para evitar os problemas das eleições anteriores, convocou o Concílio de Lion, onde promulgou novas determinações para a eleição do papa. O documento se intitula Ubi perículum (Quando houver perigo), 7 de julho de 1274 e determina: na morte do papa, os cardeais presentes na cidade onde ele morreu, devem esperar seus colegas somente por 10 dias.

Após esse prazo, devem reunir-se para a eleição no palácio onde habitava o pontífice. Cada cardeal pode levar consigo um ou dois criados, clérigos ou leigos.

Os cardeais ficarão numa sala comum, sem nenhuma separação. O local do conclave permanecerá bem trancado, de modo que ninguém possa entrar ou sair. (Esse rigor foi abrandado posteriormente. Foi abolida a obrigação de um dormitório comum. Podiam passar a noite em quartos separados, por uma cortina).

As chaves do conclave ficam guardadas por duas pessoas. Dentro do conclave, pelo cardeal chefe. Do lado de fora, pelo oficial da guarda. (Considerava-se um cargo importante. Durante cinco séculos a chave ficou na família dos nobres Savelli. Depois para os príncipes Chigi.)

As pessoas de fora não podem comunicar-se com os cardeais, reunidos em conclave, nem de viva voz, nem por escrito, nem publicamente, nem secretamente. Essa regra só pode ser quebrada pelo consenso unânime dos cardeais. Mas o assunto deve estar ligado à eleição. Esta regra vale sob pena de excomunhão ipso facto.

Embaixadores de reis e imperadores devem ser recebidos na porta do conclave.

Deve-se providenciar uma abertura em forma de janela, por onde são introduzidos os alimentos para os cardeais. (Os alimentos eram levados em grande pompa, por seus criados, vestidos a rigor. Faziam um solene procissão desde o palácio do cardeal até o conclave. À porta do conclave os alimentos eram examinados para não serem introduzidos recados secretos por escrito, como hoje se faz nas penitenciárias, nas visitas dos parentes.) Também as cartas recebidas devem ser examinadas. Depois de três dias de conclave, se a eleição não se consumou, os eleitores são castigados por um rigoroso jejum. Nos cinco dias seguintes recebem apenas um prato no almoço e no jantar. Se depois de cinco dias a eleição não aconteceu, eles recebem apenas pão, água e vinho. Este cardápio deve durar até que a eleição seja feita.

(Era rigor demais, principalmente porque muitos cardeais tinham idade avançada. O papa Clemente VI permitiu melhorar o cardápio: um prato de peixe, ovos, queijo, ervas cruas. Mas nada de especial, além disso).

Nenhum cardeal podia receber a porção dada aos mais idosos. Além disso, cada um devia comer separado, em sua cela.

Enquanto durar o conclave, nenhum cardeal pode tocar no cofre da Igreja, nas entradas e doações feitas. O camerlengo deve recebê-las e entregar ao futuro papa.

Durante o conclave nenhum cardeal pode ocupar-se de outro assunto senão a eleição do papa. Exceção se houver uma causa urgente ou perigo para a Igreja.

Durante o conclave os cardeais perdem sua jurisdição. Não podem atender às causas e processos de seus tribunais. Não podem assinar nenhum documento, conceder favores, nem atender nenhuma solicitação.

Todos os cargos são suspensos com a morte do papa. Os pedidos e súplicas que chegam à Dataria Apostólica de qualquer parte do mundo, não podem ser examinadas, nem mesmo abertas. São conservadas intactas e entregues ao futuro papa.

O cardeal chefe (camerlengo) só pode exercer funções e despesas ligadas ao conclave. Se um cardeal não estiver participando do conclave, ou precisar sair por motivo de doença manifesta, a eleição será realizada sem ele.

Se o papa morre fora da cidade onde mora, os cardeais farão o conclave numa cidade do mesmo território onde ele morreu, caso a cidade não esteja interditada por revolta contra a Igreja. Nesse caso os cardeais se reúnem na cidade mais próxima.

Os magistrados e chefes da cidade onde é feita a eleição, devem prestar juramento de observar as regras do conclave. O juramento é feito na presença do clero e do povo. Se não observarem o juramento ficam excomungados ipso facto (automaticamente). Perdem todos os direitos e privilégios concedidos pela Igreja Romana. Sua cidade será interditada e privada de sua Sede episcopal.

Os cardeais, em assunto tão importante como é a eleição papal, devem esquecer todo interesse pessoal, e inspirar-se unicamente no interesse superior da Igreja. Qualquer pacto, convenção ou contrato, mesmo sob juramento, com a intenção de eleger alguém para o Supremo Pontificado, realizados de modo antecipado, são proibidos sob pena de excomunhão, e declarados nulos. Toda eleição realizada com simonia, compra de votos, é declarada nula.

Se alguém for eleito desta forma, mesmo que tenha a unanimidade dos votos, o que parece impossível, deve ser deposto como herege, até do cardinalato. Ficará para sempre impossibilitado de receber qualquer cargo ou benefício eclesiástico.

Sua eleição não poderá de modo algum ser realizada posteriormente, nem pela entronização, nem pela coroação, nem pelo juramento de obediência dos cardeais, nem por prescrição com o correr dos anos. Pelo contrário, todos, clérigos e leigos devem recusar obediência ao intruso. (Esta norma foi confirmada posteriormente por vários papas e pelo 4º Concílio do Latrão, 1512.)

TENTATIVAS CONTRA ESSAS NORMAS

O papa Adriano V, 1276, procurou modificar e abolir as regras de Gregório X, mas não teve tempo. Morreu após 40 dias de pontificado. Também o papa João XXI quis abolir essas leis, e igualmente foi surpreendido pela morte. Apesar das novas leis, começaram novamente os costumes anteriores. Houve longos períodos de vacância na Sé de Pedro: 7 meses, 6 meses, 2 meses, 2 anos. O papa Celestino V, um santo, promulgou três Bulas, restabelecendo o conclave, 1294. O mesmo fez seu sucessor Bonifácio VIII.

DOIS TERÇOS DOS VOTOS

Para a eleição eram necessários dois terços dos votos. Ninguém podia votar em si mesmo. Cada cardeal colocava o seu nome num lado da cédula, e o nome do eleito do outro lado. Os cardeais doentes recebiam em seu quarto a visita de três cardeais e três escrutinadores para indicar seu voto.

LUGAR  DO  CONCLAVE

Durante quatro séculos, depois do Grande Cisma do Ocidente, com a eleição de Martinho V no Concílio de Constança, 1417, todos os conclaves foram realizados em Roma, com exceção de Pio VII. Os dois primeiros, após o Cisma, foram realizados no convento dos Dominicanos, de Minerva. O dormitório comum dos frades foi dividido em repartições com biombos, para as celas dos cardeais. Na porta do dormitório colocaram uma placa: Memorial. Aqui foram feitos dois papas: Eugênio IV e Nicolau V.

Todos os outros conclaves , desde o século XIV ao XVIII, foram feitos no Vaticano. Para esse fim se construíram repartições móveis, desmontáveis, tornando fácil as obras antes e depois do conclave. Cada cela tinha cerca de cinco metros de comprimento, por quatro de largura. No tempo do papa Pio VII o conclave foi realizado no Quirinal, mais espaçoso, oferecendo mais conforto para os cardeais idosos. É preciso lembrar que, além dos 50 a 60 cardeais, havia seus secretários, dois ou três, um ou outro criado, além de médicos. Além destes, os sacristães, confessores, mestres de cerimônia.

GENTE  DE  FORA

A eleição de um papa sempre despertou a atenção e também interesse. Reis e príncipes, principalmente em séculos passados, tinham seus interesses ligados ao papa. Quase sempre procuravam influenciar a eleição. Tinham nomes de sua preferência para o papa, e também nomes que desejavam fossem descartados. Exerciam essa influência por meio dos cardeais de seus países.

Mas era difícil qualquer cardeal formar maioria em favor de seu país, por causa do grande número de participantes no conclave. Por esta razão a influência era quase nula.

Mas os chefes de Estado procuravam fazer conhecer a seus cardeais o nome de seus desafetos. Os cardeais, em geral, tomavam conhecimento dessa vontade dos chefes de Estado, França, Áustria, Espanha. A Itália não se interessava por esse tipo de exclusão. A Alemanha, luterana, menos ainda. Chamavam a isso ·direito de exclusão·. Mas esse direito não tinha força para invalidar uma eleição. Em um século, a Áustria foi o pais que mais procurou exercer seu direito de exclusão. Em todos os conclaves, durante 100 anos, a Áustria sempre apresentou os nomes de seus cardeais antipáticos

padre Rômulo Cândido de Souza, C.Ss.R.




Abaixo , 3 vídeos  em espanhol, feitos a propósito do último Conclave que elegeu Bento XVI. É pena que, ao comentar os conclaves do século XIX, tenham omitido quase todos eles, especialmente o de Pio IX

 



 



 







 

 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A FACE OCULTA DE LUTERO





O Cardeal Kurt Koch, suíço, é Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos; portanto, preside um órgão da Santa Sé destinado a tentar unir os cristãos de todas as religiões. A Igreja já fez de tudo para conseguir tal unidade, inclusive reconhecendo os “erros do passado”. Não adiantou tanta condescendência feita num passado recente, os “irmãos separados” continuaram mais distantes do que nunca e, renitentes, se recusam a reconhecer seus erros e abraçar a verdade.

Na expectativa dos 500 anos da revolta protestante a ocorrer em 2017, o cardeal foi indagado sobre que comemorações se espera por parte da Igreja Católica, já que ele dirige um Conselho destinado à promover a unidade das igrejas cristãs. Era de se esperar que a Autoridade pontifícia fizesse como já ocorreu no passado e prometesse alguma reunião ou algum evento para lembrar a data. Mas, de tanta levar bofetadas dos hereges, desta vez a reposta do Vaticano foi diferente. Segundo notícias divulgadas recentemente na Europa, o Cardeal simplesmente respondeu: “Não podemos comemorar um pecado”, e completou: “Os acontecimentos que dividem a Igreja não podem ser considerados como um dia de festa”.

Disse o cardeal que desejava assistir, em memória do acontecimento, a uma reunião das confissões reformadas seguindo o exemplo dado por João Paulo II, em 2000, isto é, pedindo desculpas e reconhecendo, cada religião, o seus próprios erros, e condenando, ao mesmo tempo, as divisões na Cristandade. Mas a resposta dos protestantes, especialmente do Conselho Evangélico da Alemanha, é que não querem diálogo nenhum. O que não é novidade: os hereges nunca quiseram tal diálogo. E querem permanecer firmes no erro ao declarar: “A Reforma Protestante não é nosso pecado, mas uma reforma da Igreja urgente e necessária do ponto de vista bíblico, na qual defendemos a liberdade evangélica; não temos que nos confessar culpáveis de nada”.

Quem foi Lutero?


Veja o vídeo e, logo a seguir, os artigos sobre tal personagem.









A propósito de Lutero, Dr. Plínio Corrêa de Oliveira publicou alguns artigos na “Folha de São Paulo”, onde ressalta os aspectos malignos daquele heresiarca e apóstata. O primeiro de tais artigos tem a data de 27 de dezembro de 1983 (artigo “Lutero: Não e Não”), do qual destacamos alguns tópicos.

A respeito dos dados que os historiadores e polemistas têm sobre Lutero, Dr. Plínio ressalta a obra do padre Leonel Franca, “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, e do historiador francês Funck-Brentano, membro do Instituto de França, e “aliás insuspeito protestante”.



Lutero : Não e Não

Assim comenta Dr. Plínio sobre o que dizem tais autores de Lutero:

“Comecemos por citar textos colhidos na obra deste último: "Luther"( Grasset, Paris, 1934, 7ª ed. 352 pp.). E vamos diretamente a esta blasfêmia sem nome: "Cristo – diz Lutero – cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela? Depois com Madalena, em seguida com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar, antes de morrer"("Propos de table", no. 1472, ed. de Weimar 2. 107 – cfr op. cit. p. 235).

Lido isto, não nos surpreende que Lutero pense – como assinala Funck-Brentano – que "certamente Deus é grande e poderoso, bom e misericordioso (...) mas é estúpido – "Deus est stultissimus"("Propos de table", no. 963, ed. de Weimar, I, 487). É um tirano. Moisés agia movido por sua vontade, como seu lugar-tenente, como carrasco que ninguém superou, nem mesmo igualou em assustar, aterrorizar e martirizar o pobre mundo"(op. cit. p. 230).

Tal está em estrita coerência com estoutra blasfêmia, que faz de Deus o verdadeiro responsável pela traição de Judas e pela revolta de Adão: "Lutero – comenta Funck-Brentano – chega a declarar que Judas, ao trair Cristo, agiu sob imperiosa decisão do Todo-poderoso. Sua vontade (a de Judas) era dirigida por Deus: Deus o movia com sua onipotência. O próprio Adão, no paraíso terrestre, foi constrangido a agir como agiu. Estava colocado por Deus numa situação tal que lhe era impossível não cair"(op. cit. p. 246).

Coerente ainda nesta abominável seqüência, um panfleto de Lutero intitulado "Contra o pontificado romano fundado pelo diabo", de março de 1545, chamava o Papa, não "Santíssimo", segundo o costume, mas "infernalíssimo", e acrescentava que o Papado mostrou-se sempre sedento de sangue (cfr. op. cit. 337-338).

Não espanta que, movido por tais idéias, Lutero escrevesse a Melanchton, a propósito das sangrentas perseguições de Henrique VIII contra os católicos da Inglaterra. "É lícito encolerizar-se quando se sabe que espécie de traidores, ladrões e assassinos são os papas, seus cardeais e legados. Prouvesse a Deus que vários reis da Inglaterra se empenhassem em acabar com eles"(op. cit. p. 254).

Por isso mesmo exclamou ele também: "Basta de palavras: o ferro! o fogo!" E acrescenta: "Punimos os ladrões à espada, por que não havemos de agarrar o papa, cardeais e toda a gangue da Sodoma romana e lavar as mãos no seu sangue?"(op. cit., p. 104).

Esse ódio de Lutero o acompanhou até o fim da vida. Afirma Fuck-Brentano: "Seu último sermão público em Wittenberg é de 17 de janeiro de 1546; o último grito de maldição contra o papa, o sacrifício da missa, o culto da Virgem"(op. cit., p. 340).

Não espanta que grandes perseguidores da Igreja tenham festejado a memória dele. Assim "Hitler mandou proclamar festa nacional na Alemanha a data comemorativa de 31 de outubro de 1517, quando o frade agostiniano revoltoso afixou nas portas da igreja do castelo de Wittenberg as famosas 95 proposições contra a supremacia e as doutrinas pontifícias" (op. cit., p. 272).

E, a despeito de todo o ateísmo oficial do regime comunista, o Dr. Erich Honnecker, presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Defesa, o primeiro homem da República Democrática Alemã, aceitou a chefia do comitê que, em plena Alemanha vermelha, organizou as espalhafatosas comemorações de Lutero neste ano (cfr. "German Comments", de Osnabruck, Alemanha Ocidental, abril de 1983).

Que o frade apóstata tenha despertado tais sentimentos num líder nazista, como mais recentemente no líder comunista, nada de mais natural.

Nada mais desconcertante e até vertiginoso, do que o ocorrido quando da recentíssima comemoração do qüingentésimo aniversário do nascimento de Lutero num esquálido templo protestante de Roma, no dia 11 do corrente.

Deste ato festivo, de amor e admiração à memória do heresiarca, participou o prelado que o conclave de 1978 elegeu Papa. E ao qual caberia, portanto, a missão de defender, contra heresiarcas e hereges, os santos nomes de Deus e de Jesus Cristo, a Santa Missa, a Sagrada Eucaristia e o Papado!

"Vertiginoso, espantoso"- gemeu, a tal propósito, meu coração de católico. Que, sem embargo, com isto redobrou de fé e veneração pelo Papado.

No próximo artigo me resta citar "A Igreja, a Reforma e a Civilização", do grande pe. Leonel Franca".


Alguns dias depois, a 10 de janeiro de 1984, Dr. Plínio publicava o seguinte artigo, que reproduzimos integralmente:

Lutero pensa que é divino!

Não compreendo como homens da Igreja contemporâneos, inclusive dos mais cultos, doutos ou ilustres, mitifiquem a figura de Lutero, o heresiarca, no empenho de favorecer uma aproximação ecumênica, de imediato com o protestantismo, e indiretamente com todas as religiões, escolas filosóficas, etc. Não discernem eles o perigo que a todos nos espreita, no fim deste caminho, ou seja, a formação, em escala mundial, de um sinistro supermercado de religiões, filosofias e sistemas de todas as ordens, em que a verdade e o erro se apresentarão fracionados, misturados e postos em balbúrdia? Ausente do mundo só estaria – se até lá se pudesse chegar – a verdade total; isto é, a fé católica apostólica romana, sem nódoa nem jaça.

Sobre Lutero – a quem caberia, sob certo aspecto, o papel de ponto de partida nessa caminhada para a balbúrdia total – publico hoje mais alguns tópicos que bem mostram o odor que sua figura revoltada espargiria nesse supermercado, ou melhor, nesse necrotério de religiões, de filosofias, e do próprio pensamento humano.

Segundo em anterior artigo prometi, tiro-os da magnífica obra do padre Leonel Franca S. J., "A Igreja, a Reforma e a Civilização" (Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 3ª ed., 1934, 558 pp.).

Elemento absolutamente característico do ensinamento de Lutero é a doutrina da justificação independente das obras. Em termos mais chãos, que os méritos superabundantes de Nosso Senhor Jesus Cristo só por si asseguram ao homem a salvação eterna. De sorte que se pode levar nesta terra uma vida de pecado, sem remorsos de consciência, nem temor da justiça de Deus.

A voz da consciência era, para ele, não a da graça, mas a do demônio!

1. Por isso escreveu a um amigo que o homem vexado pelo demônio, de quando em quando "deve beber com mais abundância, jogar, divertir-se e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo, para lhe não darmos azo de perturbar a consciência com ninharias (...) Todo o decálogo se nos deve apagar dos olhos e da alma, a nós tão perseguidos e molestados pelo diabo"(M. Luther, "Briefe, Sends breiben und Bedenken", e. De Wette, Berlim, 1825-1828 – cfr. op. cit., pp. 199-200).

2. Neste sentido, escreveu ele também: "Deus só te obriga a crer e a confessar. Em todas as outras coisas te deixa livre e senhor de fazeres o que quiseres, sem perigo algum de consciência; antes é certo que, de si, Ele não se importa, ainda mesmo se deixasses tua mulher, fugisses do teu senhor e não fosses fiel a vínculo algum. E que se lhe dá (a Deus), se fazes ou deixas de fazer semelhantes coisas?"("Werke", ed. de Weimar, 12, pp. 131 ss. – cfr. op. cit., p. 446).

3. Talvez ainda mais taxativo é este incitamento ao pecado, em carta a Melanchton, de 1º de agosto de 1521: "Sê pecador, e peca a valer (esto peccator et pecca fortiter), mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo, vencedor do pecado, da morte e do mundo. Durante a vida presente devemos pecar. Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que cometêssemos por dia mil homicídios e mil adultérios"(Briefe, Sendschreiben und Bedenken", ed. De Wette, 2, p. 37 – cfr. op. cit. p. 439).

4. Tão descabelada é esta doutrina, que o próprio Lutero a duras custas nela conseguia acreditar: "Nenhuma religião há, em toda a terra, que ensine esta doutrina da justificação; eu mesmo, ainda que a ensine publicamente, com grande dificuldade a creio em particular"( Werke", ed. de Weimar, 25, p. 330 – cfr. op. cit., p. 158).

5. Mas os efeitos devastadores da pregação assim confessadamente insincera de Lutero, ele mesmo os reconhecia: "O Evangelho hoje em dia encontra aderentes que se persuadem não ser ele senão uma doutrina que serve para encher o ventre e dar larga a todos os caprichos"("Wekw", ed. de Weimar, 33, p. 2 – cfr. po. cit., p. 212).

E Lutero acrescentava, acerca de seus sequazes evangélicos, que "são sete vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios. Expulsamos um demônio (o papado) e vieram sete piores"("Werke", ed. de Weimar, 28, p. 763 – cfr. op. cit., p. 440).

"Depois que compreendemos não serem as boas obras necessárias para a justificação, ficamos muito mais remissos e frios na prática do bem (...) E se hoje se pudesse voltar ao antigo estado de coisas, se de novo revivesse a doutrina que afirma a necessidade do bem fazer para ser santo, outra seria a nossa alacridade e prontidão no exercício do bem"("Werke", ed. de Weimar, 27, p. 443 – cfr. op. cit., p. 441).

6. Todas essas insânias explicam que Lutero chegasse ao frenesi do orgulho satânico, dizendo de si mesmo: "Este Lutero não vos parece um homem extravagante? Quanto a mim, penso que ele é Deus. Senão, como teriam os seus escritos e o seu nome a potência de transformar mendigos em senhores, asnos em doutores, falsários em santos, lodo em pérolas!" (Ed. Wittemberg, 1551, t. 4, p. 378 – cfr. op. cit., p. 190).

7. Em outros momentos, a opinião que Lutero tinha de si mesmo era muito mais objetiva: "Sou um homem exposto e implicado na sociedade, na crápula, nos movimentos carnais, na negligência e em outras moléstias, a que se vêm ajuntar as do meu próprio ofício"("Briefe, Sendschreiben und Bedenken", ed. De Wette, 1, p. 232 – cfr. op. cit., p. 198). Excomungado em Worms em 1521, Lutero entregou-se ao ócio e à moleza. E a 13 de julho escreveu a outro prócer protestante, Melanchton: "Eu aqui me acho, insensato e endurecido, estabelecido no ócio, oh dor!, rezando pouco, e deixando de gemer pela Igreja de Deus, porque nas minhas carnes indômitas ardo em grandes labaredas. Em suma, eu que devo ter o fervor do espírito, tenho o fervor da carne, da libidinagem, da preguiça, do ócio e da sonolência"(Briefe, Sendscheiben und Bedenken", ed. De Wette, 2, p. 22 – cfr. op. cit. p. 198).

Num sermão pregado em 1532: "quanto a mim confesso – e muitos outros poderiam sem dúvida fazer igual confissão – que sou desleixado assim na disciplina como no zelo, sou muito mais negligente agora que sob o papado; ninguém tem agora pelo Evangelho o ardor que se via outrora" ("Saemtliche Werke", ed. de Plochman-Irmischer, 28 (2), p. 353 – cfr. op. cit. p. 441).

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O que de comum se pode encontrar, pois, entre esta moral, e a da Santa Igreja Católica Apostólica Romana?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Procissão de Nossa Senhora da Assunção em Fortaleza atrai 1,7 milhão

Realizou-se no último dia 15 de agosto a procissão denominada “Caminhada com Maria” na capital cearense. Segue abaixo um resumo da noticia veiculada pelo jornal “O Povo”:

A procissão seguiu do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, no bairro Vila Velha, até a catedral, no Centro, onde aconteceu a coroação da imagem. Foram quase quatro horas e 12 quilômetros de caminhada. A avenida Presidente Castelo Branco se vestiu de azul, branco, amor e devoção para acompanhar a passagem da imagem de Nossa Senhora. Pelas ruas, crianças e idosos, principalmente, pareciam nem se importar com distância do trajeto de fé. Nas sacadas das casas, a reafirmação da fé católica vinha em forma de altares montados especialmente para aquele momento. E eram dezenas e dezenas deles em todo o percurso da caminhada. As casas exibiam imagens emolduradas por decorações, das mais simples às mais sofisticadas, com a particularidade de que cada história possui de se fazer símbolo de fé.

Abaixo, um vídeo da Arquidiocese de Fortaleza sobre a Caminhada




Embora note-se um espírito profundamente piedoso da população, é triste lamentar que o mesmo não ocorre com as entidades católicas que comandam o evento. Vê-se muita gente fazendo da procissão uma simples festa profana, com espírito de diversão e de pouca seriedade.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Multidão e popularidade

Há uma tendência mundial para consagrar a popularidade, e esta através das multidões. Tudo aquilo que leva multidões atrás de si tem o carisma da popularidade e é aceito facilmente pela sociedade. E é assim que os cantores modernos gostam de gravar seus CDs com suas músicas sendo antecedidas por gritos entusiásticos de multidões - as famosas claques de auditório (nem que seja pura montagem sonora); os artistas se vangloriam de ter seus palcos abarrotados de multidões; os políticos prezam tanto as multidões que mandam fazer pesquisas com frequência para saber se estão no gosto da massa; até mesmo os jogadores de futebol vivem em função das multidões, perante as quais eles promovem seus espetáculos esportivos. No mundo moderno, ai daquele que for desprezado pelas multidões: estará condenado ao ostracismo e á ruína.
Não é correto julgar que as multidões sempre estão com a razão. Estava errada aquela multidão que pedia a morte de Cristo perante Pilatos; estava errada aquela multidão que aplaudia delirantemente o ditador Hitler, ou a que aplaudia outros ditadores como Lênin e Stalin.
Será que estava correta a multidão que elegeu Bush, Fernando Henrique ou Lula? E aquela de supostamente derrubou o ditador do Egito? Não sabemos; somente a História, no futuro, poderá julgar que estas multidões estavam certas.
Não há, por exemplo, uma multidão mais coesa e mais certa do que a católica, que se manifesta sem tumultos, sem alaridos, sem chamar a atenção pelo ruído ou pela demagogia. Portanto, não causou muito impacto entre os católicos a notícia divulgada pelo IBGE de que os católicos diminuíram e os protestantes e ateus aumentaram no Brasil. Diminuímos mas ainda somos uma multidão, não esta multidão tumultuosa e demagógica, mas silenciosa e ordeira, que tem, antes de tudo, que prestar contas a Deus sobre nossa vida e não aos homens.  

Alguns adágios e frases sobre multidão:

- "A multidão é a mãe dos tiranos" (provérbio grego);

- "O meio mais seguro de arruinar um país é dar poder aos demagogos (provérbio grego);

- "A multidão tem muitas cabeças mas não tem cérebro" (Theodore Fuller);

- "Mesmo quando uma coisa é vergonhosa, ela não o parece quando louvada pela multidão" (Cícero);

- "A popularidade é a glória dos demagosos. A glória é a popularidade dos santos e heróis" (Plínio Corrêa de Oliveira);

- "La popularité, cette grand menteuse" - a popularidade, esta grande mentira (Victor Hugo, em "Les voix interieure");

- "La popularité? C'est la gloire en gros sous" - A popularidade? Eis a glória grosseira" (Victor Hugo, em "Ruy Blas, Acte III, sc 5);

- "A massa é um grande povo sem alma" (Lamartine);

-"A aura popular é como a fumaça, que desaparece em poucos instantes (Marquês de Maricá).

-"Eu aborreço e rejeito as vossas festas; não me é agradável o cheiro dos sacrifícios dos vossos ajuntamentos... Aparte de mim o ruído dos teus cânticos; eu não ouvirei as árias que cantares ao som de tua lira"  (Amós, 5,21 e 23).

A discussão sobre a quantidade de pessoas nas multidões que engrossam as passeatas de homossexuais e de protestantes tem sido o ponto capital mais em pauta. Mas que sejam 1, 10 ou 100 milhões de participantes não nos interessa; o que importa é saber se estão corretas, se estão fazendo algo bom ou ruim.